Nossa Senhora da Seringueira: a devoção mariana que atravessa a história do Acre

Quadro de Nossa Senhora da Seringueira. Foto: Reprodução/ Facebook-@Arepublicabrasileira

A devoção a Nossa Senhora da Seringueira, padroeira do Acre, é marcada por fé, memória popular e está ligada a formação histórica do estado. Também conhecida como Nossa Senhora do Acre, uma imagem da santa é marcada por conflitos territoriais, ciclos econômicos e religiosidade popular. 

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A imagem está atualmente na Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, na capital Rio Branco. Situada às margens do rio Acre, a catedral se tornou referência arquitetônica e espiritual para os fiéis locais.

Leia também: Nossa Senhora da Amazônia, guardiã da Floresta e do povo Amazônico

Foto: D.Sicarius

De acordo com as informações da Academia Marial de Aparecida, a Catedral de Nossa Senhora de Nazaré começou a ser construída em 1948, quando Dom Júlio Mattioli, primeiro bispo do Acre, colocou sua pedra fundamental. As obras principais foram concluídas em 1958, e o projeto teve como inspiração a arquitetura italiana e o estilo romano-basilical, retratando inclusive cenas da Via-Sacra. 

Além disso, no interior da catedral, encontra-se um mausoléu onde repousam os restos mortais de Dom Júlio Mattioli e Dom Giocondo Maria Grotti. É nesse espaço que está preservado o quadro popularmente conhecido como Nossa Senhora da Seringueira, retratando a imagem da Virgem Maria com o menino Jesus em um dos braços e, na outra mão, um ramo de seringueira, árvore símbolo do Acre e elemento central do ciclo da borracha.  

Origem da imagem 

A origem do quadro é misteriosa, mas segundo a tradição oral mais conhecida entre os religiosos e historiadores locais, o quadro teria sido pintado por um indígena boliviano, que afirmava ter tido uma visão da Virgem Maria segurando um ramo da seringueira. O autor da pintura nunca foi identificado formalmente e teria deixado apenas as iniciais ‘L.P.’. 

Uma das narrativas mais conhecidas sobre a imagem remonta à Revolução Acreana. Relatos preservados na memória popular contam que tropas bolivianas teriam utilizado o quadro em uma falsa procissão religiosa como estratégia de guerra, escondendo atiradores por trás da tela. A intenção seria surpreender os combatentes brasileiros.

No entanto, o líder acreano Plácido de Castro, desconfiado da encenação, teria pedido perdão à Mãe de Jesus antes de ordenar o ataque. Os disparos atingiram a tela, marcas que, segundo os fiéis, ainda podem ser vistas na pintura.

Leia também: Nossa Senhora do Carmo: a fé em Parintins que se tornou patrimônio

Nossa Senhora da Seringueira
Quadro de Nossa Senhora da Seringueira. Foto: Reprodução/ Facebook-@Arepublicabrasileira

Apesar desse conhecimento entre os religiosos, não existem documentos históricos que comprovem oficialmente nenhuma das versões sobre a origem do quadro ou seu uso durante o conflito. 

Peregrinação da imagem

Ao longo do século XX, a imagem peregrinou por diferentes locais, e após um período desaparecida teria permanecido anos no Rio de Janeiro, só retornando ao Acre em 1954. A imagem foi recebida com celebrações fluviais próximas à Gameleira, ficando posteriormente sob a guarda do Instituto Imaculada Conceição, e mais tarde, levada ao Parque Capitão Ciríaco, antes de ser finalmente devolvida à igreja. 

Leia também: Você sabia que a imagem de Nossa Senhora de Nazaré é Chefe de Estado no Pará?

Catedral de Nossa Senhora de Nazaré. Foto: Reprodução/ Facebook-@Arepublicabrasileira

Após um processo de restauração, a imagem foi oficialmente colocada em um lugar de destaque na Catedral Nossa Senhora de Nazaré no dia 1º de maio de 2016, com uma cerimônia presidida pelo bispo Dom Joaquín Pertiñez.

Nossa Senhora da Seringueira foi proclamada padroeira da Terceira República do Acre, e sua devoção é celebrada duas vezes ao ano, no dia 27 de janeiro, data que marca a Independência da Terceira República do Acre, e em 17 de novembro, quando se comemora a assinatura do Tratado de Petrópolis, que selou a incorporação definitiva do território ao Brasil

*Com informações do Santuário Nacional de Aparecida, da Academia Marial de Aparecida e da Rede Amazônica AC

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Camarões são pequenos gigantes da biodiversidade amazônica

Um estudo realizado no Pará revela a diversidade desses crustáceos. A pesquisa reúne informações sobre a diversidade de camarões que habitam ambientes marinhos, estuarinos e de água doce nessa região.

Leia também

Publicidade