Foto: Reprodução/Lumen Juris Editora
A professora Renata Duarte de O. Freitas, do curso de Direito do campus Floresta da Universidade Federal do Acre (UFAC), lançou um livro que reúne informações sobre a trajetória de resistência do povo Nukini.
A obra, ‘Aldeia Isã Vakevu, do Povo Originário Nukini: Um Sítio Natural Sagrado no Coração do Juruá’ (Lumen Juris, 240 p.). é o resultado de uma investigação científica, que integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental.
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Livro destaca importância do Povo da Onça

O livro presta homenagem à memória de Arlete Muniz (Ynesto Kumã), matriarca, parteira e liderança espiritual que preservou os conhecimentos milenares do ‘Povo da Onça’ frente aos processos de aculturação e violência histórica.
O texto destaca a continuidade desse patrimônio imaterial, transmitido de geração para geração ao seu neto, o líder espiritual Txane Pistyani Nukini (Leonardo Muniz).
Atualmente, esse legado sustenta a governança espiritual no Kupixawa Huhu Inesto, onde a aplicação das medicinas da floresta e a proteção territorial dialogam com a escrita acadêmica para materializar a visão de mundo Nukini perante a sociedade global.
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Renata Duarte de O. Freitas introduz no cenário jurídico eixos teóricos que propõem um novo paradigma para a conservação ambiental:
- sítios naturais sagrados, que são locais de identidade cultural e espiritual;
- direito achado na aldeia, cuja proposta é que o ordenamento jurídico reconheça que a lei também emana da sacralidade desses locais;
- e direitos bioculturais, que demonstram que a biodiversidade da Serra do Divisor é preservada porque está ligada ao respeito pelos sítios naturais sagrados.
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Ao analisar a sobreposição de uma parte do território Nukini com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a obra oferece uma solução científica: o reconhecimento de que áreas protegidas pelo Estado devem ser geridas em conjunto com os povos originários, respeitando seus territórios sagrados.
*Com informações da UFAC
