Livro ‘Amazônia Negra’ reúne fotografias dos povos, costumes e influências na floresta

Livro da paulista Marcela Bonfim aborda deslocamentos reflexivos, físicos e subjetivos da autora ao migrar para Rondônia e descobrir a presença negra em território amazônico.

Livro ‘Amazônia Negra: as imagens da cor do (in) visível’- Resistência, Quilombo de Vila Bela, Oiapoque, Amapá, 2015. Foto: Marcela Bonfim

“Sendo a imagem da Cor pano de fundo das relações de privilégio ainda vigentes no Brasil, além das aflições físicas vinculadas às péssimas condições de sobrevivência das populações escravizadas, a Cor escura foi condicionada como espectro (psicológico), peça-chave da máquina de exploração europeia”. – Marcela Bonfim

Contemplado pelo Edital Funarte Retomada 2023 – Artes Visuais, ‘Amazônia Negra: as imagens da cor do (in) visível‘, primeiro livro de Marcela Bonfim, aborda deslocamentos reflexivos, físicos e subjetivos da autora ao migrar para Rondônia e descobrir a presença negra em território amazônico.

Marcela Bonfim é fotógrafa, economista formada pela PUC-SP e especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública pela Universidade Federal de Rondônia. Já atuou como fotojornalista, colunista, palestrante, júri em concursos fotográficos e curadora de exposições em todo o país.

Livro 'Amazônia Negra' reúne fotografias dos povos, costumes e influências na floresta
Foto: Divulgação

Paulista de Jaú, chegou em Porto Velho em 2010 para trabalhar e, nos momentos livres, em caminhadas aleatórias desvendando seu novo lugar, passou a fotografar as comunidades locais de origem caribenha, quilombolas e indígenas da região, vivência que afirma despertar nela “um processo de se expressar pelo seu corpo, sobre o seu corpo e outros corpos de identidades análogas e assim se reconhecer como mulher negra”.

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Na trajetória desta descoberta, sombras se dissipam perante estigmas, trazendo movimentos de uma distinta Amazônia Negra, entre eles uma potente visualidade que passa a estruturar uma árdua tarefa: entender onde o seu e os outros corpos negros residem e se encaixam nos pilares do sistema dominante, com sua profusão de lugares e elementos exploratórios que foram brutalmente criados e impostos pela história, supostamente civilizatória.

A pesquisa regular de Marcela, torna-se um campo de produção de conhecimento sobre a pele escura, provocando uma travessia para uma imagem-corpo-continente impactada no cenário de violações, expropriações e estratégias mercantis que forjaram uma inferiorização inexistente para explorá-los comercialmente.

Fotógrafa que lançou o livro ‘Amazônia Negra: as imagens da cor do (in) visível’. Foto: Divulgação

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Livro reflete vivências

Em um intenso exercício de ‘pensar por imagens’, Marcela apresenta em seu livro um imaginário de considerações, como ela descreve, sobre corpos escuros – classificados e detidos a partir de uma categorização visual, que foram colocados em uma circunstância imagética propositalmente deformada, onde a existência, física e abstrata, sem mínimo direito a humanidade, foi subjugada com martírios e apagamentos e passou a existir como um mero produto rentável.

O livro também é composto por fotografias de Marcela que fazem parte de seu projeto ‘(Re) conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências na floresta’, plataforma multi artística, que envolve produção fotográfica, musical, audiovisual e, agora, também textual. Lançado no final de 2025, o livro é pela Editora Igrá Kniga.

*Com informações da assessoria

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