#Série – 4 festas religiosas para conhecer em Mato Grosso 

Essas festividades religiosas manifestam a fé e reúnem comunidades em torno de santos, rituais, músicas, danças e comidas típicas que fortalecem a religiosidade dos fiéis. 

Celebrações religiosas são realizadas em todo mundo como uma manifestação da fé e da crença de diversos povos. Na Amazônia a mistura de religiões revela uma forte ligação dos povos com tradições e expressões culturais.

Em Mato Grosso, as celebrações de religiosidade popular são construídas a partir desses encontros de diferentes povos, saberes e tradições, que ao longo do tempo foram se consolidando, reunindo comunidades em torno de santos, rituais, músicas, danças e até comidas típicas que fortalecem a religiosidade dos fiéis. 

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Na quarta matéria da série sobre festas religiosas na Amazônia Legal, seguimos para o Mato Grosso com quatro festas religiosas populares no estado. Confira:

Festa de São Benedito

A festa de São Benedito, realizada pela comunidade da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, em Cuiabá, possui mais de 300 anos de história e reúne, ao longo de três dias, diversos fiéis. A programação da festividade inclui missas solenes, novenas, procissões, almoços e jantares com comidas típicas, além do tradicional ‘tchá cô bolo cuiabano’.

De acordo com o Museu de Arte Sacra do Mato Grosso, a devoção a São Benedito em Cuiabá remonta ao século XVIII, quando foi introduzido por escravos africanos. A primeira igreja construída em homenagem a São Benedito foi erguida em 1722, mas desmoronou em menos de uma década devido à fragilidade da obra. 

A devoção ao santo se fortaleceu e a atual Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito foi construida no topo de um morro onde funcionam as antigas minas de Cuiabá. Embora o santo seja padroeiro oficial da capital, é amplamente revereciado como ‘protetor da cidade’. 

Festa de São Bendito, uma das celebrações religiosas de Cuiabá
Festa de São Benedito, uma das celebrações religiosas mais relevante de Cuiabá. Foto: Reprodução/Gcom-MT

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Inicialmente a festa era uma manifestação de grupos socialmente marginalizados, que encontravam na celebração um espaço de expressão da fé e da resistência. Com o passar do tempo, a festa passou a atrair fiéis de diversos lugares e se tornou um patrimônio cultural da região. 

Entre os elementos mais marcantes da festa estão a exposição da relíquia da pele de São Sebastião, trazida de Roma em 1983, e a ‘sala dos milagres’, onde os devotos deixam objetos em agradecimento às graças alcançadas. Além disso, a presença de uma imagem do santo no largo da igreja também se destaca, representando a união entre a fé, a história e a identidade do povo cuiabano. 

Festa de São Francisco de Assis

A Festa de São Francisco de Assis, realizada na comunidade rural de Ponta Alto, em Chapada dos Guimarães, é uma das mais antigas celebrações religiosas de Mato Grosso. De acordo com a Prefeitura de Chapada do Guimarães, a festividade foi criada em 1900 por famílias migrantes do Ceará, e chegou a sua 111ª edição, tornando-se referência no calendário religioso do estado.

A festa, organizada pela Irmandade de São Francisco de Assis e realizada pelo Instituto Realize, tem como um dos principais símbolos da celebração a oferta gratuita de café da manhã, almoço e jantar a todos os participantes. Esse gesto representa o espírito franciscano de acolhimento, solidariedade e partilha. 

Igreja de São Francisco de Assis, onde é realizada as celebrações religiosas de São Francisco. Foto: Reprodução/Governo do Mato Grosso

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A programação da festa é diversificada e combina religiosidade com cultura popular, como missas solenes, procissões, levantamento de mastros, cavalgadas, leilões, gincanas, apresentações culturais, shows regionais e bailes festivos. A entrada do evento é gratuita e atrai devotos e turistas interessados na fé e na hospitalidade franciscana.

Além do aspecto religioso, a Festa de São Francisco beneficia comerciantes, artesãos, produtores rurais e prestadores de serviços. Além disso, a festa é reconhecida como patrimônio imaterial da comunidade, promovendo inclusão social, preservação e desenvolvimento cultural.  

Festa do Senhor Bom Jesus de Cuiabá

A Festa do Senhor Bom Jesus de Cuiabá reúne fé, história e tradição, entre os dias 5 e 8 de abril, com uma programação intensa de atividades religiosas, culturais e históricas realizadas em diversos pontos urbanos e rurais da região. 

De acordo com a Arquidiocese de Cuiabá, a Cavalgada do Senhor Bom Jesus, a Rota do Ouro e a Missão, que relembra o percurso das bandeiras paulistas na descoberta do ouro no Arraial da Forquilha, atual Coxipó do Ouro, estão entre os destaques da festividade.

Devotos das celebrações religiosas em homenagem ao Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Foto: Luiz Alves/Secom Cuiabá

Além disso, a programação também conta com carreatas de carros antigos, pedal ciclístico, encontro de motos, romaria fluvial e uma caminhada da fé acompanhada de momentos de reflexão espiritual.

O encerramento ocorre com celebrações religiosas, feira gastronômica e artesanal, apresentações culturais e um culto macro ecumênico. A programação busca reviver a rica história da fé cuiabana e envolver a comunidade em celebrações que unem tradição e religiosidade.

Cururu e Siriri

O festival religioso e cultural de Siriri e Cururu, realizado em Cuiabá, reúne grupos que expressam as raízes indígenas, afro-brasileiras e religiosas de fiéis mato-grossenses.

A festa possui entrada gratuita e acontece no Ginásio Aecim Tocantins e conta com apresentações de grupos tradicionais de Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio de Leverger. 

Apresentação de um grupo de dança do Festival de Siriri e Cururu, uma das celebrações religiosas da religião. Foto: Reprodução/Governo do mato Grosso

De acordo com Governo do Mato Grosso, ao todo, 12 grupos participam do festival, apresentando espetáculos que preservam e renovam essas expressões culturais. O protagonismo dos mestres e artistas é um dos principais destaques, fortalecendo a cultura regional.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

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As celebrações religiosas da fé, da memória e da resistência cultural, acontecem em diferentes épocas do ano, e passam por ruas, praças, igrejas, terreiros e comunidades inteiras. 

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