Livro une ufologia e imaginário popular. Imagem: Divulgação
Em 1977, moradores da ilha de Colares, no Pará, relataram ver luzes misteriosas no céu. Os avistamentos levaram o Exército à região e deram origem à Operação Prato, investigação que se tornou um dos casos ufológicos mais conhecidos do Brasil.
Quase 50 anos depois, esse episódio serve de inspiração para o livro ‘Operação Colares’, da paraense Luana Cruz, que transforma os relatos sobre os avistamentos em uma narrativa que une suspense, ficção especulativa e um mistério familiar que atravessa gerações.
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Na obra, publicada pela Plataforma21, o leitor conhece Laila Rosário, que deixou a região 10 anos atrás e não pretendia voltar. No entanto, um telefonema da avó, faz com que ela retorne à ilha para uma despedida.
O que deveria ser uma passagem rápida pela cidade muda quando um pescador é encontrado ferido e carregando uma mensagem ligada ao avô de Laila, Josué Rosário, desaparecido décadas antes, depois de partir para o mar seguindo as luzes que eram vistas sobre Colares. Dado como morto ou abduzido, ele deixou para trás uma família que nunca soube o que realmente havia acontecido.
Ufologia real se une com ficção
Ao seguir as pistas encontradas na mensagem nas águas, a protagonista percebe que o desaparecimento do avô pode esconder uma história muito diferente daquela que a cidade contou durante décadas.
A investigação leva Laila e sua antiga melhor amiga, Elis Raiol, a revisitar documentos, cartas e registros deixados por Josué e a reconstruir os últimos passos do pescador. Aos poucos, as personagens descobrem que as luzes e os desaparecimentos da região podem estar relacionados a uma trama muito mais concreta e sombria do que uma suposta abdução extraterrestre.
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Enquanto novos acontecimentos colocam a comunidade em alerta, Laila avança na investigação e percebe que, por trás dos mistérios que cercam a ilha, estão pessoas capazes de escolher entre proteger, ferir ou transformar a vida daqueles ao seu redor.

Valorização do Norte
Com orgulho de ser nortista, Luana Cruz é formada em Engenharia de Pesca, pois acredita que as melhores histórias são as de pescadores. É a partir das histórias que ouviu ainda na infância (especialmente as contadas pela mãe), e da própria relação com o Pará e a Amazônia, que a autora constrói uma narrativa que valoriza pescadores, comunidades ribeirinhas e os vínculos entre os moradores.
O resultado é uma ficção especulativa que parte de um acontecimento real para explorar temas como luto, identidade, pertencimento, relações familiares e a memória de um território.
“Não somos lendas, não somos folclore, não somos estrangeiros: somos a vida que pulsa na raiz do país”, enfatiza a paraense.
Em ‘Operação Colares’, as luzes no céu dividem espaço com histórias de família, afetos mal resolvidos e conflitos de uma comunidade que precisa lidar com o retorno de algo que acreditava ter ficado no passado.
*Com informações da assessoria
