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Segunda, 29 Novembro 2021

A Amazônia 5.0

Em nossa última coluna A Sociedade 5.0, pontuamos o objetivo, as mudanças e as transformações que iremos vivenciar a partir da sociedade 5.0.

O grande desafio que se apresenta para nós, neste momento, é: como utilizar a tecnologia, a ciência, a inovação e a biodiversidade para alcançar os melhores resultados, que nos auxiliem na superação de nossos desafios atuais, ao mesmo tempo que nos direcionam à Sociedade 5.0?

A busca por soluções, em um cenário tão complexo quanto o atual, é uma tarefa que demanda o envolvimento de todos os segmentos da sociedade civil - principalmente por sermos uma região de grandes dimensões que, enquanto Amazônia Legal, engloba uma área formada por nove estados e abrange toda a região Norte, além de algumas partes do Centro-Oeste e do Nordeste. Ao todo, são cinco milhões de quilômetros quadrados, ou 59% de todo o território nacional. Isto inclui os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, e Maranhão.

Veja que mais da metade do território nacional é gerenciado por nove governadores e algumas centenas de prefeitos. Logo, é muito improvável que dê certo se a sociedade civil não for participativa.

Na cidade de Manaus, capital do Estado do Amazonas, as incertezas sobre o futuro econômico e social estão cada vez mais presentes no dia-a-dia, devido à acomodação de parte da sociedade manauara ao modelo da Zona Franca implantado há 63 anos.

O modelo sofreu uma modernização com a chegada da Indústria 4.0, mas o ponto central continua sendo os ganhos de produtividade em detrimento aos possíveis impactos sociais e ambientais. Cabe ressaltar que existem algumas organizações que fazem "além da expectativa" e, apesar de serem iniciativas elogiáveis, tudo é nivelado muito por baixo. Porém, como o "mato" está muito alto, qualquer ação - mesmo que nivelando por baixo - faz diferença.

Só que a Sociedade 5.0 demanda e impõe uma nova forma de agir e pensar, uma vez que o foco é a humanidade e a criação de condições para promover uma sociedade feliz, motivada e satisfeita, com mais tempo para o lazer - aumentando, assim, a produtividade e a riqueza.

Precisamos reescrever alguns capítulos da nossa história enquanto sociedade para que possamos ter uma perspectiva positiva a médio prazo. O primeiro capítulo seria o que se refere ao desenvolvimento de tecnologia, pois grande parte da tecnologia implementada nas fábricas ainda é importada e não possuímos centros de pesquisas que promovam uma transformação significativa das indústrias instaladas aqui e seus benefícios desdobrados para o desenvolvimento da cidade.

Existe também o capítulo dos recursos humanos estratégicos que, em sua grande maioria, chegam do exterior ou de outras cidades brasileiras. E, da mesma forma que chegam, partem ao enxergarem novas e melhores oportunidades em outras cidades e países devido ao péssimo ambiente de desenvolvimento em Manaus. Como resultado, levam consigo todo o know how, pois não existe, dentro das empresas, uma cultura efetiva nas organizações de transferência de conhecimento e expertise.

Soma-se, a esta questão, a fragilidade na formação universitária que, majoritariamente, contribui para a visão unidimensional, limitada e deficiente, que não permite uma forma de sustentação e equilíbrio da sociedade.

Quando olhamos para os institutos de pesquisas e tecnologia de todos os segmentos, percebemos que estas entidades jurídicas tinham tudo para aprimorar o modelo de negócio das indústrias da Zona Franca, mas nasceram com as motivações erradas. Estes centros, na teoria, deveriam ter no cerne das suas atuações, a transformação e reconstrução de novos pólos de desenvolvimento econômico e social da sociedade manauara – assim como ocorreu na Califórnia e em outros "valleys" espalhados pelo mundo afora.

Na prática, o que vemos é uma certa repercussão na mídia, a realização de ações e eventos pontuais (que buscam promover mais os organizadores do que o desenvolvimento de uma comunidade manauara), uma atração de talentos de outras cidades que inflacionam o mercado local pela disparidade de conhecimento especializado, falhas em ações efetivas de compartilhamento de conhecimentos e desenvolvimento de talentos locais. Esta é a realidade.

Não existe um culpado, mas sim diversos atores que se acomodaram com o ambiente e entendem que, para transformar essa realidade, haverá a necessidade de um grande esforço. E todos nós sabemos que quando sedentários realizam um grande esforço, o primeiro resultado é a dor - e nem todos querem passar por isso.

É preciso entendermos a vital importância da participação da sociedade civil, através das suas mais diversas representações, para atuar como demandante de soluções inovadoras, que tem em si a própria beneficiária dos avanços colhidos em qualidade de vida e desenvolvimento.

O mais surpreendente é que, mesmo com toda essa fragilidade e fragmentação do ecossistema Amazônia Legal, é impossível não perceber as inúmeras oportunidades que a região possui para o desenvolvimento de novos negócios! Sabe por quê? Porque onde existe dilema, existe espaço para inovação - que quase sempre resulta numa invenção e promove um novo empreendimento.

Então, se você pensa em empreender ou se já é empreendedor, agora é o momento de mergulhar fundo e fazer da Amazônia Legal o maior valley do mundo!

Até a próxima!


Vitor Kurahayashi

Vitor Kurahayashi é mentor e consultor, diretor no grupo TravelCorp, fundador da Hayashi Consultoria, professor em MBA nos cursos de Gerenciamento de Projetos e Gestão Estratégica de Negócios, atua como voluntário no Instituto Soka Amazonas e no Capítulo Amazônia do Project Management Institute (PMI-AM). Administrador pela Universidade Católica de Brasília – UCB, Master em Business Administration pela FGV e em Gestão Estratégica de Negócios pela UCB; doutorando em Educação Superior pela Universidade Nacional de Rosario – UNR, na Argentina.

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