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Domingo, 23 Janeiro 2022

Motivos que desclassificam currículos nos 5 primeiros segundos de leitura

Os primeiros segundos de leitura de um currículo é o que define se ela será continuada até o final ou não. A questão é que, em qualquer sistema mental de leitura, nós temos gatilhos cerebrais que estimulam ou não que tenhamos interesse no que estamos vendo. Gatilhos como curiosidade, estímulos de procura e contagem de história são os principais motores motivadores para que esse interesse seja aguçado. Quase sempre, independente da quantidade de páginas, havendo esse estímulo mental, todo o documento será lido até a sua conclusão.

Você já passou pela situação de estar lendo um livro e se sentir extremamente estressado(a), com vontade de fechá-lo e esquecê-lo? É isso que precisamos ter cuidado em nossos currículos. A partir do momento que a leitura cria o gatilho de estresse, a desclassificação é certa já na primeira etapa da seleção, a triagem.

Nesse artigo vou destacar os principais fatores que geram essa desclassificação já nos primeiros segundos de leitura. Seguido disso, falarei sobre a forma ideal para que esses pontos sejam alterados.

Foto: Reprodução/Pixabay

Informações lado a lado

Muitos profissionais, com o objetivo de reduzir a quantidade de páginas do currículo, inserem informações espalhadas lado a lado, sem uma sequência continuada de leitura. Assim, o que ficaria como leitura corrida em duas páginas, fica em apenas uma, com informações do lado direito e do lado esquerdo. 

Entretanto, essa não é uma técnica efetiva para garantirmos a leitura do documento, considerando que o sistema cerebral de leitura é contínuo. Quando há essa separação de informações de um lado para o outro, o tempo médio de leitura aumenta pelo fato de que a pessoa vai precisar olhar para vários lugares para poder entender a sequência em si das informações. Essas idas e vindas de leitura geram um grande estresse, o que pode fazer a pessoa desistir de ler

Tecnicamente, o ideal é que todas as informações fiquem corridas, para que a pessoa possa ir do início ao final do documento uma única vez, ou se necessário, duas vezes, dependendo do entendimento que estiver buscando. Dessa forma, há a redução significativa de tempo médio de leitura, o que estimula o interesse.

Informações com bolinhas coloridas

De uns tempos para cá temos visto uma moda surgindo: as bolinhas coloridas em substituição às escritas. Por exemplo: o profissional tem o inglês básico. Ao invés de escrever "Inglês básico" no espaço de conhecimentos, ele coloca apenas uma bolinha com alguma cor ao lado da palavra "Inglês".

Apesar de ser um conceito que tem sido muito difundido como tendência, em alguns casos gera uma grande confusão de entendimento. Vamos imaginar o seguinte: A Maria tem o inglês intermediário. Em seu currículo, ele insere a palavra "Inglês" e ao lado coloca cinco bolinhas, deixando três preenchidas e duas vazias (em branco). Para quem estiver lendo, muitas dúvidas podem surgir. 

Por exemplo: de cinco bolinhas, três estão preenchidas. três é maioria perante o número cinco. Dessa forma, o entendimento que pode ser criado é que a Maria tem o inglês avançado, e não o intermediário como é a verdade. Se isso ocorrer na prática, criará uma grande truncagem de comunicação, pois ela poderá ser convocada para uma entrevista que será realizada em inglês.

Com o intermediário, ela não terá como fazê-la. De toda a forma, poderá ser vista como alguém que mentiu nas suas informações, mesmo que isso não seja a verdade de fato. Por isso, o ideal é colocar "Inglês Intermediário". Dessa forma, a comunicação está clara e direta, sem a necessidade de tentar entender o que essas bolinhas significam.

Como toda e qualquer tendência, precisamos entender que a adaptação é necessária. Entretanto, esse conceito ainda não é maioria entre gestores e gestoras. É possível sim que daqui há alguns anos, as bolinhas coloridas sejam um conceito real nos processos seletivos. Mas ainda não chegamos lá.

Currículo com "Objetivo"

Apesar desse fator ser bem controverso entre muitos especialistas, uns a favor, outros contra, a minha visão é negativa quanto a ele. Não há necessidade técnica de inserir um item "Objetivo" para mostrar o que o(a) profissional pretende. Esse entendimento já será feito quando a o(a) recrutador(a) ou gestor(a) fizer a leitura das descrições.

Para entendermos o risco que esse fator gera a um currículo, precisamos considerar o gatilho principal para que o(a) profissional seja com selecionado(a): o estímulo da leitura. Vamos a um exemplo prático que pode acontecer nesse caso em específico?

O João Flávio enviou um currículo para uma empresa, mesmo sem uma vaga em aberto. No "Objetivo", ele inseriu "Analista de Compras". Entretanto, o João também tem conhecimentos na área de controle orçamentário de custos, contas a pagar e receber, e essas informações constam no seu "Resumo de Qualificações". 

A Clíssia, selecionadora da empresa, abre o arquivo e vê "Analista de Compras". Automaticamente, fecha o documento por não ter vaga para essa área no momento. Porém, a Clíssia tem uma vaga em andamento para Analista de Custos, que também é o perfil do João Flávio. 

Como havia apenas uma indicação de cargo, Clíssia não leu o currículo e não viu que ele também tem conhecimentos na área de custos. O resultado final disso é que o João poderia participar desse processo, entretanto, o seu direcionamento foi único e não gerou a necessidade da selecionadora ler o que estava escrito no decorrer do currículo.

Percebeu o risco que há nisso? Por mais simples que parece "aos olhos nus", é um detalhe fundamental para ficarmos atentos.

E então? Vamos para a prática?

Sobre o autor

Flávio Guimarães é diretor da Guimarães Consultoria, Administrador de Empresas, Especializado em Negócios, Comportamento e Recursos Humanos, Comentarista de Carreira, Emprego e Oportunidade dos Jornais Bom Dia Amazônia e Jornal do Amazonas 1ª Edição, CBN Amazônia, Portal Amazônia e Consultor em Avaliação/Reelaboração Curricular.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista 

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Comentários: 1

Airton Sena em Segunda, 10 Janeiro 2022 09:03

Ok vamos lá,
1. como uma especialista em RH não sabe ler nível de habilidade de currículos profissionais atuais? A pessoa trabalha com isso e não sabe discernir.
O erro não é do profissional e sim do "especialista de RH" que pelo visto é preguiçoso e inexperiente.
2. Objetivo no currículo, o seu RH não tem banco de talentos? se não tem, deveria, até porque facilita na hora de buscar profissionais. e evitaria descartar um currículo logo de cara.
Novamente: preguiçoso o profissional de RH que nao lê as atribuições.
Compras e Custos são duas áreas bem relacionadas, se você não tem vaga pra Analista de Compras e viu que o profissional tem perfil pra outra vaga, faça uma contraproposta, ofereça a vaga no setor disponível.
Se não fosse por isso hoje eu não teria meu emprego que foi oferecido através de uma contraproposta.
O que vi nessa matéria foi um RH preguiçoso e inexperiente, quem perde não é o candidato e sim a empresa.

Ok vamos lá, 1. como uma especialista em RH não sabe ler nível de habilidade de currículos profissionais atuais? A pessoa trabalha com isso e não sabe discernir. O erro não é do profissional e sim do "especialista de RH" que pelo visto é preguiçoso e inexperiente. 2. Objetivo no currículo, o seu RH não tem banco de talentos? se não tem, deveria, até porque facilita na hora de buscar profissionais. e evitaria descartar um currículo logo de cara. Novamente: preguiçoso o profissional de RH que nao lê as atribuições. Compras e Custos são duas áreas bem relacionadas, se você não tem vaga pra Analista de Compras e viu que o profissional tem perfil pra outra vaga, faça uma contraproposta, ofereça a vaga no setor disponível. Se não fosse por isso hoje eu não teria meu emprego que foi oferecido através de uma contraproposta. O que vi nessa matéria foi um RH preguiçoso e inexperiente, quem perde não é o candidato e sim a empresa.
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