Torre Atto começa a operar no início de 2017 na Amazônia

Instalação dos equipamentos da torre. Foto: Fernanda Farias/Inpa

A maior torre de estudos climáticos do mundo, o Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto, na sigla em inglês) começou neste mês a receber os equipamentos que servirão para monitorar os dados sobre a interação do clima da floresta amazônica e a atmosfera. A Atto é também maior que a torre Eiffel, Paris.

Com 325 metros de altura, a torre está localizada no meio da maior floresta tropical contínua do planeta, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, a 150 quilômetros em linha reta de Manaus, no município de São Sebastião do Uatumã.

Instalada numa área livre de qualquer tipo de poluição (ambiente pristino), a torre vai monitorar o clima na região amazônica, por um período de 20 a 30 anos, a partir da coleta de dados sobre os processos de troca e transporte de gases entre a floresta e a atmosfera. A floresta tropical da Amazônia é um dos ecossistemas mais sensíveis do planeta, que desempenha papel importante na estabilização do clima.

De acordo com o gerente operacional da Torre Atto, o técnico Leonardo Ramos, a previsão é que até dezembro todos os equipamentos já estejam instalados nos três containers que servirão de laboratórios para que a torre possa começar a operar efetivamente no início de 2017.

Construída com tecnologia nacional, os equipamentos a serem instalados são de última geração, como o de telemetria para transferência de dados, os anemômetros sônicos de alta tecnologia, os analisadores de gás que servirão para analisar os vapores de água no ar e o dióxido de carbono (CO2), além dos sensores de radiação solar, entre outros equipamentos meteorológicos.

“Equipamentos como os analisadores são sensíveis, alguns deles não podem ficar expostos à floresta, porque é úmida e esta umidade é uma grande inimiga dos equipamentos eletrônicos, por isso precisam ficar protegidos em containeres na base da torre e em condições de temperatura e umidade controladas”, explica Ramos.

O complexo da Torre Atto é composto por mais duas torres de 80 metros cada (que funcionam desde 2012), de onde são feitas as medições de aerossóis, gases atmosféricos e os parâmetros do tempo, como temperatura, vento e radiação solar em alta resolução. A Atto é um dos projetos do Programa de Grande Escala Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA). O gerente científico do LBA e coordenador do projeto Atto é o pesquisador do Inpa Niro Higuchi.

Torre Atto é um consórcio entre o governo brasileiro e alemão, executado pelo Inpa, Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC); o Instituto Max Planck de Química e de Biogeoquímica e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O investimento foi na ordem de R$ 26 milhões, rateados em 50% para cada governo.

De acordo com o gerente operacional pelo lado alemão, o pesquisador Stefan Wolff, técnicos dos dois governos estão trabalhando noite e dia na preparação de uma campanha de instalação para a grande torre. “A partir do ano que vem, queremos começar várias medidas atmosféricas na torre principal e para isso é necessário instalar sistemas de tubulações, fixações, cabos e conexões na torre”, diz.

Segundo Wolff, vários instrumentos serão colocados nos novos containers, instalados na base da torre, e que chegaram recentemente ao sítio Atto. Os instrumentos captarão o ar de várias alturas até o topo da torre para medir um perfil vertical das características do ar dentro e em cima da floresta amazônica. “Para chegar neste ponto, percorremos um longo caminho, interessante em vários aspectos, cheios de aventuras, dificuldades e muitas surpresas”, revela o pesquisador.

As medidas na altura das árvores permitem análises de processos locais de árvores específicas e de características num determinado local. “As medidas no topo da torre Atto vão representar as propriedades de uma grande área de milhares de quilômetros quadrados da floresta amazônica. Os transportes horizontais e verticais e a mistura de gases e partículas na atmosfera podem ser melhor analisados com estas pesquisas”, conta Wolff.

A Torre Atto foi inaugurada no dia 22 de agosto de 2015 e trará resultados inéditos com relação à física e à química da atmosfera desde a superfície da torre até os seus 325 metros. Abaixo e acima da copa das árvores, além de suprir os pesquisadores com dados que antes só eram coletados por experimentos aéreos.

Com a inauguração da torre, a ciência tem um acompanhamento real dos dados numa estrutura imóvel e contínua durante 24 horas. Os dados são repassados ao Inpa e ao Instituto Max Planck de Química e de Biogeoquímica, além das instituições parceiras.

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Pesquisadora amazonense é citada em lista de 101 brasileiros moldando o futuro

Ane Alencar, diretoria de Ciência do IPAM, integra ranking que destaca personalidades por suas contribuições no cenário ambiental. Pesquisadora atua há mais de três décadas na área.

Leia também

Publicidade