Guaraná da Amazônia pode gerar biocombustível

MANAUS – Utilizado como matéria-prima em indústrias farmacêuticas e de bebidas, o guaraná (Paullinia cupana kunth) também poderá ser usado para obtenção de biocombustíveis, segundo o projeto de pesquisa desenvolvido com apoio do governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) pela mestranda Janainna Chaves Pereira.Segundo a pesquisadora, o projeto de pesquisa tem como objetivo avaliar o potencial dos resíduos do fruto, especificamente as sementes, como biomassa para a geração de energia através de processos de conversão termoquímica. Os estudos são realizados no âmbito do Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-graduados do Estado do Amazonas (RH-Mestrado) e devem ser concluídos até abril de 2016. “O trabalho trata-se de um estudo inicial com pesquisas exploratórias e deve beneficiar a sociedade nas questões do reaproveitamento da biomassa para tornar o meio ambiente mais sustentável, na obtenção de energia limpa a partir de uma fonte renovável e na contribuição para o desenvolvimento regional com a obtenção de um biocombustível. Pequenos e grandes produtores da cultura do fruto do guaraná poderão utilizar o resíduo como uma fonte de combustível renovável em sistemas de geração de energia (elétrica, térmica e mecânica) para o próprio processamento das sementes de guaraná”, disse a pesquisadora. 
Foto: Divulgação/FapeamAplicação das sementes
Os materiais do guaraná, casca e casquilho, não utilizados são disponibilizados de forma sazonal entre os meses de novembro a janeiro pela agroindústria amazonense. A equipe de pesquisa verificou que há a geração de resíduo de semente do processo de extração para a obtenção do extrato de guaraná. Estas sementes são comumente descartadas no meio ambiente. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014, a estimativa da produção, por ano, de sementes secas de guaraná no Brasil variou entre 2,9 e 4,6 toneladas nos últimos dez anos.
“As sementes podem ou não ser reincorporadas à própria cultura do guaranazeiro como fertilizante. Este material, diferente da casca e do casquilho, pode ser gerado ao longo do ano. Desse modo, o resíduo de semente do fruto do guaraná passou a ser o alvo de investigação da pesquisa por sua ampla disponibilidade e sem aplicação imediata de reaproveitamento”, disse Janainna Pereira.Segundo a pesquisadora, a partir da caracterização física, química e térmica e do estudo cinético da reação de decomposição térmica da biomassa residual, pode-se afirmar que o resíduo de semente do fruto do guaraná tem potencialidade de ser utilizado para obtenção de biocombustíveis a partir da aplicação do processo de conversão térmica.A conversão térmica (denominada de pirólise) é considerada como a decomposição térmica direta dos componentes orgânicos da biomassa na ausência de oxigênio. Os produtos correspondem a uma variedade de componentes químicos e distribuem-se entre sólido (carvão vegetal), líquido (bio-óleo) e gases combustíveis. Converter a biomassa em um combustível líquido através da pirólise é vantajoso, segundo a pesquisadora, por simplificar o manuseio com transporte e armazenamento deste produto, que possui maior densidade energética quando comparado à biomassa residual.
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