Na tentativa de impulsionar as exportações e diversificar a cadeia produtiva fabril, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) prospecta novas rotas comerciais. Os trabalhos iniciaram pelo Peru, onde o superintendente, Appio Tolentino, participa de uma agenda de reuniões. Na avaliação de especialistas em logística, a rota entre Amazonas e Peru é viável para a interação sócio-econômica e escoamento de produtos entre o Estado e o país estrangeiro. Porém, para a exportação com destino à China, se torna onerosa pela grande extensão do trajeto da carga.
Para o superintendente Appio Tolentino, a missão vai ao encontro do interesse da SUFRAMA em aproximar os Estados da Amazônia Ocidental – Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia e o Amapá – dos países vizinhos. “Temos um grande potencial de parcerias com o Peru como rota logística para a chegada de insumos ao Polo Industrial de Manaus (PIM); a intensificação das relações comerciais, a partir do levantamento de uma pauta específica de compra e venda de produtos para incrementar a balança comercial; e, ainda, a atração de empresas interessadas em produzir no PIM e aproveitar as vantagens fiscais que o modelo Zona Franca de Manaus oferece”, afirmou Tolentino.
Foto: Walter Mendes / Jornal do Commercio
Pesando prós e contras
De acordo com o membro da comissão de logística do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Fábio Gobeth, a proposta de enviar produtos do Polo Industrial de Manaus (PIM) ao Peru é válida. Ele explica que o percurso de Manaus ao Peru acontece inicialmente por rodovia por meio da estrada de Rio Branco e pode ter duração média de aproximadamente 20 dias. Porém, Gobeth enfatiza que, conforme um levantamento desenvolvido por ele após viagem ao estrangeiro, o envio de mercadorias à China por meio de rotas peruanas é inviável economicamente.
“A interação socioeconômica entre o Amazonas e o Peru é possível. Mas, a rota, estudada como corredor de exportação para a China, conforme a nossa análise de custos, mostra inviabilidade decorrente de dois fatores: no trecho fluvial existe baixo calado e somente embarcações menores conseguem navegar; somado à distância de pelo menos dois dias para a carga atravessar os Andes até chegar ao porto de Paita”, disse. “Para o envio de produtos à China é mais viável economicamente embarcar cargas em um conteiner e passar pelo Canal do Panamá em direção à China”, completou.
Na avaliação do consultor e economista, Hélio Pereira, a proposta de integração econômica entre o Estado e o país fronteiriço é viável. Para ele, toda alternativa de escoamento da produção local é válida. “Um corredor logístico pode estimular o envio dos nossos produtos e a importação da produção estrangeira. Seria uma saída logística para o PIM, principalmente no momento em que estamos saindo da crise econômica. É preciso criarmos alternativas para o escoamento dos produtos porque corremos o risco de criações de novas zonas francas pelo país, perdendo a competitividade”, afirmou.
Convite do Governo peruano
A Suframa deu início ao cronograma de visitas na segunda-feira (23). O superintendente da autarquia, Appio Tolentino, acompanhado de equipe técnica, participa da missão logística-comercial, a convite do governo peruano, nas cidades de Piura e Yurimaguas, localizadas ao norte daquele país.
A programação começou com visita técnica ao Porto e à Zona Especial de Desenvolvimento (ZED) Paita, a 54 quilômetros de Piura, que funciona como zona primária aduaneira. Seguida de visita aos 955 quilômetros da rodovia Peruana IIRSA Norte, que liga o porto marítimo de Paita com o porto fluvial de Yurimaguas.
Em Yurimaguas, a autarquia participará, na quinta-feira (26), do “IV Encontro Trinacional Peru – Colômbia – Brasil”, onde serão realizadas visitas técnicas, fórum, seminário de oportunidades comerciais e rodadas de negócios com a participação de empresários do Peru, Colômbia e Brasil. A organização de toda a missão é feita pelo Ministério do Comércio Exterior e Turismo do Peru, por meio do Escritório Comercial do Peru no Brasil.
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