[EM PRODUCAO] Como nasceu a Família do Norte

A morte de 60 detentos, que entrou para a história como o massacre do Compaj, era uma tragédia anunciada. O que não é claro  não entendem são os caminhos que levaram Manaus a entrar para história como sede da rebelião presidiária mais sangrenta da história do Brasil. E como o fato consolidou a Família do Norte como uma das facções criminosas mais fortes do País.Tudo começou na década de 1980, quando o tráfico de drogas no Amazonas era realizado em pequena escala e por grupos pequenos e isolados. Na época, Manaus não concentrava a renda da atividade ilícita como hoje, pois não tinha mercado consumidor de drogas expressivo. Era apenas uma rota de passagem das drogas para outros lugares. Mas, com o passar do tempo, e o com o avanço da economia, o cenário mudou. Na década de 1990, como a pujança econômica e crescimento da cidade, a criminalidade também aumentou.

Mas a organização dos grupos criminosos só começou no século XXI com a virada do milênio. O processo de terceirização da gestão dos presídios no Amazonas teve início em 2003. A ideia era acabar com a corrupção nos presídios e entrada de armas, drogas e celulares. Mas com ela veio a iniciativa de transferir alguns traficantes de Manaus para presídios federais, por questões de segurança. Lá eles tiveram contato com membros do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Embrião da FDN

Nesse ‘intercâmbio’ os amazonenses aprenderam a importância de um código de conduta para manter o grupo coeso e com identidade. Os criminosos no Amazonas eram mais próximos do PCC que do CV. Foi nessa época também que eles aprenderam a gerir e controlar os negócios ligados ao narcotráfico. E foi justamente por isso que a amizade com PCC ficou estremecida, pois eles discordavam do modus operandi do PCC. O grupo paulista concentrava a renda das atividades ilícitas em São Paulo, e isso desagradava os amazonenses.

Entre 2009 e 2010 o conflito entre os grupos ainda eram tímidos e as mortes pareciam acontecimentos isolados. Somente em 2012, surge uma espécie de ‘consórcio do crime’ cujos integrantes se autodenominam o ‘Primeiro Comando do Norte’, que seria um contraponto ao PCC. No ano seguinte, em 2013, quando a FDN se consolida.

Desse ano em diante, vários desafetos do grupo criminoso começam a ser mortos. O delegado Oscar Cardoso foi um deles assassinado no dia 9 de março do ano passado na esquina entre as Ruas Negreiros Ferreira e Carvalho Paes de Andrade, localizadas no bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus. Na ocasião, a polícia informou que o delegado havia sido morto com 20 tiros. Agora, o TJAM afirmou que ele foi assassinado com 18 tiros.Segundo testemunhas, o delegado estava com o neto de um ano e seis meses, quando um carro de modelo Grand Siena branco chegou ao local. Na época, familiares contaram ao G1 que quatro homens armados abordaram Cardoso e que a vítima pediu repetidamente para que a criança fosse poupada. Os homens teriam colocado o neto do delegado no chão e efetuado os disparos.

As prisões não estão isoladas da sociedade, todos os dias pessoas 
entram e saem das prisões.
Os chefes, gangues prisionais, sempre existiram.

Ítalo Lima

Dissertação de mestrado sobre o sistema penitenciário do Amazonas, 
sobre os agentes penitenciários
Já existia um contrabando de armas e drogas.
É em 2012 que os frágeis acordos entre os grupos criminosos são 
rmpidos e eles começam a se matar.
Os narcotraficantes da Amazônia não concordavam com subordinação 
ao PCC.
A partir 2007 os narco que foram e voltaram para presídios federais, 
eram um embrião da FDN. Até 2012.
Em 2013 temos a consolidação da FDN. Surgiram pixações em muros, 
funks que contavam os feitos da FDN com grandes fugas, mortes cruéis 
e outras coisas.
A partir de 2013 aumenta a tensão nos presídos.
As rebeliões eram o FDN pressionando para o Governo do Amazonas 
tirar o PCC dos presídios.
Foi nessa época que o PCC começou a ganhar empatia da massa da 
população carcerária, reivindicando água, banho de sol e visitas.
Mas a FDN tomou o monopólio da violência e a hegemonia carcerária.
Após a fuga de 176 presos do Ipat, aconteceu uma rebelião liderada 
pela FDN exigindo o esvaziamento do pavilhão do PCC. Na ocasião, o 
Governo transferiu mais de 100 presos do PCC, mas não impediu a 
morte de PCCs no Puraquequara.
Em 2014, a consolidação se deu com guerra nas ruas e eliminação dos 
pontos de drogas do PCC, ficando restrito a zona Norte de Manaus.
Os presos do PCC foram para o seguro com estupradores e jurados de 
morte.
A cereja do bolo foi o assassitado do delegado da Polícia Civil.
O Governo do Estado se vê obrigado a negociar com os líderes para 
evitar rebeliões.
A relação foi pertubada pela La Muralla.
O FDN quer o fim do seguro para matar aos poucos os presos do PCC, 
assim não geraria comoção social e o prejuízo seria menor para o Poder 
Público.
O ministro quer fazer cortina de fumaça, pois o que motivou a ação do 
massacre foi a guerra entre facções. Muitas vinganças e brigas de rua 
foram resolvidas na ocasião. São pessoas que na conduta dos coletivos 
criminais, são chamados de ‘vermes’. São bandidos que não são bem 
vistos por outros criminosos.
Além de ter sido uma tragédia anunciada, é inevitável o controle dos 
presos em presídios.
Os agentes ganham 1,7 mil, têm apenas 2 semanas de treinamento e 
são poucos. “Nós fingimos que estamos vigiando e eles fingem que 
estão presos”.
A massa carcerária precisa de organizar para garantir a própria 
segurança, eles são parte da gestão. “Precisa haver ordem para 
garantir a segurança”. É esse pano de fundo que legitima as lideranças 
em presídios.
Se não entrar celular, maconha, churrasco, cerveja, etc e acontece o 
que aconteceu nesse sentido.
==========================
A morte do Bebeto da Praça 14 representa um rompimento com a velha 
ordem do tráfico em Manaus. A guerra não declarada já está em 
andamento há muito tempo.
A FDN é o pivô do rompimento definitivo entre PCC e CV.
O PCC se viu acuado pela FDN: a rebelião recente RO e RR.
Capitalismo gangster
“Não é problema de fácil resolução e não só de Segurnça Pública. Por 
anos, a falta de educação e saúde, a sociedade não se democratizou 
para todos. Não podemos insistir que só a Segurança Publica resolva o 
problema. É preciso que a sociedade amazonense se engaje e participe 
ativamente”
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