Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip
Por Gildo Júnior
Viajar é sempre uma alegria. Conhecer novos locais e culturas, comer algo diferente, experimentar passeios divertidos. E, é claro, muitas vezes o desejo é fotografar cada detalhe para guardar a experiência. Mas nem sempre é possível ter uma câmera profissional ou contratar alguém para fazer os registros, então a solução pode estar nas suas mãos…
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1. Conheça o seu celular
Quando desejar adquirir um novo smartphone, pesquise bastante, principalmente nos pontos que você mais deseja, seja para fotos, vídeos, desempenho… Vale lembrar que hoje há muitos aparelhos que tem câmeras extras, sensibilidade a luz para fotos noturnas e câmeras com lentes mais abertas, mas também tem que se pensar na quantidade de megapixels e no processamento das fotos, se é rápido ou lento.
Vamos pensar o seguinte, você acaba escolhendo um aparelho pela aparência ou pelo espaço de memória para armazenamento, mas quando vai tirar fotos, a câmera é ruim, a qualidade da foto é baixa e não tem um bom processamento da imagem, ficando uma imagem sem tanta qualidade, cor e tamanho.
Logo, tente unir, qualidade de imagem da câmera e com um bom processamento de imagem. Quando falo processamento de imagem, é quando você pega a foto, após ser feita e você sente que a foto ficou boa ao vê-la. Tente pesquisar mais sobre a câmera do celular que irá comprar.
Imagina você viajar por 10 dias, como fiz para o Salto Angel, e não ter onde salvar seus arquivos por falta de espaço? Você começa a mexer na configuração, diminuir o tamanho das fotos, perder qualidade, e quando já não tem mais jeito, você começa a apagar fotos do começo da viagem para caber mais fotos.
Aí podem vir algumas ideias: “É só levar um notebook e ir salvando as fotos”, ou então, “é só ir subindo para a nuvem”. Bom, seria fácil se não fosse difícil, por alguns motivos: levar um notebook iria colocar mais peso nas duas mochilas que eu já levava e, como estávamos viajando muito de barco e em região de chuva, poderia acabar molhando e perdendo o equipamento, ou até mesmo o barco virar e eu perder o notebook.
Já sobre a nuvem, foram 10 dias viajando de comunidade indígena a comunidade indígena, lugares que a única comunicação que existia eram rádios entre as comunidades.
Assim, se faltar espaço no celular, como fará para fazer mais fotos? Além de escolher um celular com uma boa câmera, escolha um que tenha um bom espaço para armazenamento (falaremos mais à frente sobre isso). E sim, existem telefones que fazem boas fotos de todas as marcas disponíveis no mercado. Então vale a pena dar uma pesquisada mais a fundo.

2. Mochila mais leve
Quando você pensa em viajar, sempre vem à cabeça o que levar, e daí começam as perguntas: levo câmera fotográfica? Levo notebook para armazenamento das fotos/vídeos feitos diariamente? Um drone e uma gopro?Levo uns bastões, um dome (uma bolha transparente para fotografar metade dentro da água e metade fora)? Tripé, microfone…
Primeira coisa que temos que ter em mente é: o que iremos fazer na viagem? Curtir a viagem, produzir material para a internet, registrar tudo o que vemos… Será que tudo isso você já não tem no celular?
Bom, hoje em dia os celulares já tem bastante qualidade de imagem e já existem celulares até com o mais comum 4x de zoom, outros que ampliaram para 10x e há agora alguns com 100x ou mais de zoom. O que já diminuiria só aí, câmera, lente e até mesmo os tripés para estabilizar a câmera na hora da foto.

Outra situação é que há muitos aparelhos que já vem com bastante espaço em memória de armazenamento, o que já ajuda em guardar as fotos e vídeos que fez, e caso seja pouco, há celular com a opção de colocar um cartão de memória maior e há a opção da nuvem, onde poderá armazenar suas informações de forma virtual. Com isso, você já evitará de levar o notebook ou até mesmo HD’s externos (sempre levo pelo menos um de 1TB, e onde chego se tiver computador peço para utilizar e já salvo as fotos/vídeos), diminuindo ainda mais o peso da mochila.
Outra situação: os celulares hoje já tem aplicativos para filmes (inclusive download dos mesmos). Já tem aplicativos de música, que dependendo do seu pacote, você pode baixar as músicas e até mesmo aplicativos de livros, reduzindo a necessidade de levar mais coisas que podem ajudar à distrair durante a viagem.
Observe que só foram algumas coisas que colocamos aqui, por que hoje em dia você pode fazer praticamente tudo com o celular: como até mesmo o check-in de suas viagens, evitando a impressão e até mesmo a perda de seus bilhetes de passagens.
Jogos, aplicativos de edição de fotos e vídeos, aplicativos de bancos, de localização, de solicitação de transporte e de alimentos. Um único aparelho pode deixar a mochila mais leve na viagem.
3. Enquadramento e regra dos terços
O que faz uma foto ser atrativa ou interessante? Um bom enquadramento/composição pode fazer isso, então aqui vão algumas dicas para você começar a se diferenciar nas suas próximas fotos feitas de celular.

Estas dicas se baseiam no uso de três simples regras de composição:
Regra dos Terços
Consiste em você colocar os objetos de interesse (pessoas, objetos, arvores, etc) da sua foto em uma das quatro interseções das linhas, atraindo a atenção para o seu objeto. Também pode usar as linhas para administrar o espaço ocupado de cada coisa na sua foto.

Simetria
A simetria é uma das regras que acho mais fácil de usar, e rende fotos muito boas quando fizer fotos horizontais. Basicamente simetria é a divisão do plano em duas partes iguais, por exemplo: quando fotografar uma cachoeira na vertical use a simetria, deixando a queda de água exatamente no meio, ou também quando fotografar uma montanha, deixe o pico da mesma no meio, e verá como tudo fica em harmonia e visivelmente agradável.

Linhas Guias
Esta técnica é bem simples, mas que pode passar desapercebida por nossa falta de atenção na hora de fazer uma foto, direciona o olhar através das linhas para o seu objeto na foto, rende uma bela foto se tirarmos proveito dela.

Treine antes de viajar
Não espere chegar na viagem para pensar em que tipo de foto irá fazer, é sempre bom antes dar uma pesquisada em fotos feitas no local que você irá visitar, baixar algumas ideias para o celular, guardar numa pasta e usar nos testes, antes de viajar, porque com o treino você vai ficando melhor na pose e na hora que chegar lá, irá lembrar de várias.
4. Como pesquisar
Pesquise em sites de busca por locais que irá viajar, e assim irá aparecer várias fotos daquele determinado lugar, escolha as que mais te chamaram a atenção e as guarde, para seus ensaios.
Outra forma de achar também é em aplicativos com o Facebook e o Instagram, pelas # (hashtags), isso mesmo – #chapadadiamantina, #fernandodenoronha, #atacama. Nessas tags você irá encontrar muitas fotos do lugar pesquisado, inclusive muitas bem criativas, o que irá ajudar muito na sua escolha do que e como fotografar por lá.
Todas as vezes que viajo para qualquer lugar, eu pesquiso sobre aquela região, o que quero fazer e já aproveito para ver fotos de outros viajantes, poses, melhores horários para as fotos e aproveito também para construir as minhas e pensar em poses que poderei fazer ali.
5. Busque ângulos novos e diferentes
Geralmente as fotos mais chamativas, engraçadas ou que engajam mais nas redes sociais, são aquelas fotos diferentes, com outros ângulos, podem ser até no mesmo local que todos fazem, mas com outro olhar, o que fará que sua foto chame muito a atenção.
A exemplo da foto abaixo, onde fui numa lagoa aqui perto de Boa Vista (RR), e sempre via a galera fazendo fotos do mesmo tipo ali, a única coisa que fiz diferente foi colocar as botas distantes de mim, amarrei os cadarços e fiz de conta que estava caminhando por cima da linha, mas pra isso o celular tinha que ficar bem próximo à bota para dar uma impressão maior do cordão.

Já na foto abaixo, aparenta que estou subindo, ou me segurando para não cair, o que na verdade era que eu estava deitado no chão, segurando entre as frestas da ponte, depois virei a foto e pronto, deu este efeito.

Na foto abaixo, brincamos com silhuetas, fazendo a foto contra o sol, ao fazer isso o celular tentará deixar as pessoas mais claras, basta clicar na parte mais clara da foto, ou seja, no sol, que escurecerá bastante a foto criando este efeito de sombras. Já para pegar as pessoas pulando, segurei no botão de fotografar, até que foram feitas várias fotos e eu pude escolher a que mais gostei.

A foto abaixo já é padrão de todos que viajam para lugares lindos e acampam ali. No caso, a pessoa que fez a foto (cedida pela Clube Native) apenas abriu a porta da barraca, e fotografou o Monte Kukenan, que convenhamos, é lindo demais. A foto pode ser feita por celular, câmera e GoPro.

E quem não gosta de brincar com a lua ou o sol em suas fotos? Bom, na foto abaixo, coloquei nossa amiga mochileira para beijar a lua em cima do Monte Roraima. Você pede para a pessoa ficar numa determinada posição, e vai mexendo com o celular até ver que a foto ficou na posição certa.

Uma das fotos que mais gosto de fazer são das botas ou sandálias, pois gosto de mostrar por onde andei, por onde passei com elas, o que enfrentei, e o quanto elas me ajudaram no percurso.

A foto abaixo é de nossa amiga Dayana Souza, do blog Seguindo Viagem, que foi feita de forma de disparo contínuo. O que seria isso? Basta segurar o botão de foto e mandar a pessoas fazer uma determinada ação, seja pular, mergulhar, saltar, se jogar de algum modo, e fazer fotos como esta, onde ela coloca o cabelo todo dentro da água na frente dela, e na hora do ‘já’, ela puxa o cabelo sentido pras costas dela, e como você está segurando o botão de fotos, acaba fazendo várias fotos e assim, ao final, você escolhe a que melhor lhe agrada.

Colocar-se pequeno diante da natureza é outro tipo de foto que gosto de fazer, para isso peço para a pessoa ir o mais longe possível de mim e o mais próximo do que quero mostrar, no caso da foto abaixo, eu queria mostrar a imensidão do monte Kukenan, e o quanto somos pequenos.

E por final, outra brincadeira que mais gosto de fazer, que é a foto panorâmica. A foto abaixo não é recorte, é uma só foto, onde o nosso guia pediu a primeira pose, ele movia um pouco a câmera, e nós corríamos em direção oposta ao que ele girava a câmera e fazíamos em seguida a próxima pose, até fazer todas as três poses e ele finalizar a foto.

6. Acessórios que podem ajudar
Tripé, bastão/”pau de selfie”, ring light ou lanternas e microfone (direcional) e suporte. Esses são alguns acessórios possíveis de levar para produzir fotos e vídeos nas viagens, mas lembrando que depende do objetivo e do conhecimento.

7. Na hora da foto
Primeira dica para você na hora da foto é: limpe a lente da câmera, seja do celular ou da GoPro, ou até mesmo da fotográfica, porque se ela estiver manchada, seja por respingos de água, seja por gordura do rosto ou das mãos, até por areia ou barro, irão deixar a foto embaçada.
Outra dica muito importante é você procurar um local com uma boa iluminação. A boa iluminação não é muita luz do sol, até uma sombra poderá fazer com que você faça uma foto sem careta, sem fechar os olhos por conta do sol que está muito forte.
Ao colocar seu celular num tripé, por exemplo, você poderá usar tanto o disparador temporal do celular (aquele que fica em contagem regressiva até disparar a foto), ou usar um controle bluetooth, que você pode tirar fotos à distância.
E, como você já praticou e tem os acessórios, agora é a hora do “vamos ver”. Coloque seu equipamento na posição e faça a foto que você tanto deseja. Mas não esqueça: procure sempre novos ângulos, tente sempre novos estilos de fotos!
8. Edição rápida pelo próprio celular e facilidade em compartilhar
Aplicativos para edição
⁃ LIGHTROOM: o mais comum e uns dos melhores sem dúvida é o Lightroom. Existe a versão gratuita para celular e também tem a paga que permite você usar uns ajustes a mais, como pincéis de correção localizada e remoções.
⁃ SNAPSEED: este app te permite fazer as mesmas coisas que no Lightroom, mas a sua interface é bem diferente, é bem fácil de usar, e o melhor é que proporciona uma ferramenta chamada band-aid, com ela você pode fazer pequenos ajustes na sua pele em casos de editar uma selfie por exemplo, remover coisas que distraem na sua foto (mas coisas bem pequenas). Não é 100%, mas ajuda muito. Aprendendo a usar, você vai tirar muito proveito, com certeza.
E o que é a edição?
Edição em termos básicos é a correção de cores e alguns detalhes que a câmera do seu celular (ou câmera DSLR, por exemplo) não consegue capturar com tanta perfeição, por isso faz-se necessário dar um “tapinha” na foto para deixá-la ainda mais impactante e bonita.
⁃ Ajuste a temperatura: aqui você deve encontrar o equilíbrio entre o preto e o branco, ambos devem ficar com suas cores autênticas, não podendo ser um branco que tende para amarelo, ou azul, rosa por exemplo, da mesma forma com o preto que deve ficar preto autêntico.
⁃ Ajuste a luz: Contraste básico é a parte onde você corrige áreas de sombra, diminui iluminação onde tem muita. Isto combinado traz contraste para sua foto e equilíbrio na luz, revelando também aquilo que estava escondido na sombra, pois as câmeras, seja de celular ou DSLR, não têm a capacidade de capturar uma cena como a vemos com os nossos olhos.
⁃ Vibração: acho que esta é a parte que mais vai gostar, pois é a parte onde você agrega cor na foto, mas exige cuidado para não exagerar. Aqui a dica é usar o bom senso já que isto em vez de melhorar pode acabar estragando a foto, por isso use valores de 25 a 45, no máximo.
⁃ Nitidez: por último aplique nitidez e cuidado para não extrapolar, use valores até 20 e o raio até 12.
Formas de compartilhar
Depois de editar a foto, você pode exportá-la para sua galeria. Agora está tudo pronto para postar em sua rede social favorita, tendo atenção ao formato, vertical ou horizontal, para melhor expor.
9. Onde salvar
Agora, depois que você tirou sua foto, precisa saber onde irá guardar. Pelo básico, o celular já guarda automaticamente na memória interna. Mas você pode salvar em outros lugares as fotos que estiver tirando durante a viagem.
Há celulares que possibilitam o uso de um cartão de memória para aumentar o armazenamento interno, o que já ajuda bastante, principalmente em viagens longas. Eu, sempre antes de viajar, salvo todas as fotos para o computador, formato ele, deixando ele com o máximo de espaço livre para poder aproveitar ao máximo tirando novas fotos e fazendo novos vídeos.
Mas e se seu celular não permitir que você coloque um cartão de memória para ajudar no armazenamento você pode optar por fazer backups diários na nuvem ou levar um notebook junto para ir passando as fotos que fez durante o dia e, assim, liberar mais espaço para o próximo dia. Ah, não esqueça de conferir se as fotos/vídeos estão mesmo salvas no notebook ou da nuvem antes de apagar de seu celular!
Conheço algumas pessoas que acabam criando várias contas gratuitas a cada necessidade de exportar as fotos e os vídeos para a nuvem, podendo adicionar em todos a mesma senha e anotar os endereços das suas contas no celular ou num caderninho para lembrar depois. Mas isso vai de pessoa pra pessoa. Eu preferi optar por um plano pago, pois supre as minhas necessidades e não corre o risco de eu acabar esquecendo o login ou a senha que criei.
10. Teste, teste, teste
- Segure o celular com as duas mãos na hora de tirar a foto, para evitar uma foto tremida, caso você tenha pouca iluminação;
- Busque utilizar o foco manual, ao clicar na tela, para ajustar o foco no objeto ou pessoa que deseja fotografar;
- Só use o zoom do celular quando não tiver lentes de aproximação, pois ele deixa a foto pixelada e distorce a imagem (caso seu celular não seja dos novos com um bom zoom ou uma grande quantidade de megapixel). Você deve se aproximar ou se afastar ao objeto;
- Teste o modo HDR (alta resolução), pois este modo tira três fotos com diferentes níveis de exposição. Ah, vale lembrar que esse tipo de foto demora alguns milésimos de segundos, então realmente é testar e ver se servem para o que você deseja;
- Faça testes em aumentar ou diminuir a entrada de luz na sua câmera: toque no foco e arraste o desenho (sol ou lâmpada) que aparece, se for pra baixo vai escurecer, se for pra cima, irá clarear.
Leia também: O que fazer em Boa Vista? Dicas de onde ir e o que comer na capital roraimense
Sobre o autor
Gildo Júnior é fotógrafo, videomaker, aventureiro e colecionador de roteiros no Bora de Trip e colunista no Portal Amazônia. Para o servidor público federal, “o mundo é imenso, repleto de lugares para conhecer, de coisas para fazer, de culturas para admirar, comidas para provar e pessoas para conhecer”.
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
