A seca que assolou o Amazonas em 2023 persiste em 2024 e isso pode ser visto pelo quadro atual das chuvas na região amazônica que sugerem uma seca de gravidade bem elevada para este ano. É o que alerta o pesquisador e coordenador de hidrologia do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (LBA/Inpa-MCTI), Renato Senna.
Renato diz que a região amazônica ainda enfrenta uma deficiência de precipitação até agora.
“Isso comprometeu toda estação chuvosa e o período de enchimento dos grandes rios, e provavelmente se estenderá até o final do primeiro semestre. Esta condição só será alterada no segundo semestre de 2024”, afirma Senna.
Nos últimos quatro anos, o nível das águas do rio Negro tem oscilado entre extremos de cheias e vazantes. Em 2021, registrou-se a maior cheia já medida, atingindo a cota máxima de 30,02 metros. Já em 2023, ocorreu a maior vazante registrada em 120 anos de medição, com o nível chegando a 12,70 metros. De acordo com o pesquisador, dois eventos atuaram simultaneamente, evitando formação de nuvens e a precipitação na região amazônica: o aquecimento superficial do Oceano Pacífico (El Niño) inibiu a formação de nuvens e reduziu as chuvas na Amazônia e o Oceano Atlântico empurrou as nuvens que se formam sobre a Amazônia em direção ao Hemisfério Norte.
Pesquisador Renato Senna Foto: Tadeu Rocha
As previsões indicam que as águas do Oceano Pacífico deverão esfriar no segundo semestre de 2024, o que favorecerá a ocorrência de chuvas na Amazônia. Por outro lado, o Oceano Atlântico, no Hemisfério Norte, permanece aquecido. “É provável que tenhamos uma temporada de furacões na região do mar do Caribe no segundo semestre de 2024, responsável por retirar umidade da Amazônia e transportá-la para o Hemisfério Norte, resultando na redução das chuvas na região amazônica”, destaca Senna.
Impacto dos Oceanos
Os oceanos são responsáveis por modular o clima e as chuvas na região amazônica. Tanto o Oceano Pacífico quanto o Oceano Atlântico influenciam a circulação, acumulação e transporte de vapor d’água, áreas essenciais para a formação de nuvens e a consequente geração de chuvas nas grandes bacias da Amazônia.
Vila de Ribeirinhos Boarazinho Foto: Dado Galdieri
Em 2023, o fenômeno natural La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico, foi sucedido rapidamente pelo El Niño, devido ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, próximo a linha do Equador. Normalmente, o El Niño ocorre entre períodos de quatro a sete anos. “Geralmente, ocorre uma redução no nível da água dos rios no primeiro ano do El Niño e secas mais severas no ano seguinte”, explica Senna.
Ainda segundo o pesquisador, em 2023, as águas superficiais do Oceano Atlântico no Hemisfério Norte também aqueceram, especialmente próximo ao noroeste do continente africano.
“Águas muito aquecidas nessa região normalmente resultam em temporadas de furacões e de tempestades intensas no Hemisfério Norte, como observado nos eventos de 2005 e 2010. Nessas ocasiões, ocorreram chuvas intensas e tempestades naquela região que, também transferiram água da Amazônia para o Hemisfério Norte, resultando em seca em nossa região”, esclarece Senna.
Senna relembra que em setembro de 2023, o nível das águas do rio Negro diminuiu de forma drástica, em média 30 centímetros, durante vários dias consecutivos, um fenômeno jamais registrado nos 120 anos de medições das águas do rio Negro.
“A seca histórica de 2023 ocorreu em um contexto de aquecimento das águas superficiais próximas à linha do equador tanto no Oceano Atlântico quanto no Pacífico. Essas condições persistem até recentemente, totalizando quase 12 meses – de julho de 2023 a junho de 2024 – com temperaturas das águas superficiais muito elevadas e ambos os eventos ocorrendo simultaneamente, resultando na redução da precipitação”, ressalta o pesquisador.
Previsões
O Laboratório Amanã do Inpa é responsável pela emissão do Boletim de Monitoramento Climático das grandes bacias hidrográficas da Bacia Amazônica. Este boletim monitora as chuvas acumuladas em intervalos de 30 dias nas bacias hidrográficas que compõem a bacia amazônica.
Toda quinta-feira o Laboratório emite o boletim e está disponível para consulta no link linktr.ee/clima.amazonia.
“O objetivo é fornecer informações para os tomadores de decisão, como defesa civil, secretarias de agricultura, transporte, educação e saúde etc., permitindo que se planejem conforme as condições esperadas nas grandes bacias amazônicas. Monitoramos toda a bacia amazônica desde suas nascentes nos Andes até a foz do Amazonas, junto à Ilha de Marajó, nos estados do Pará e Amapá”, afirma Senna.
Como empoderar estudantes para agir diante das mudanças climáticas? Um programa está atuando na Amazônia para transformar vidas por meio da educação. É o Itinerários Amazônicos, que tem o objetivo de oferecer formação e conhecimento aos professores da região.
Lançado em agosto de 2023 pelo Instituto Iungo, Instituto Reúna e rede Uma Concertação pela Amazônia, com investimentos do BNDES, Fundo de Sustentabilidade Hydro, Instituto Arapyaú, Movimento Bem Maior e Vale, o programa atua em oito dos nove estados por onde se estende a Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Roraima e Tocantins.
Desde então, já foram disponibilizados, gratuitamente, mais de 2.600 páginas de material curricular, com formação de mais de 55 mil professores, mais de 5.300 escolas impactadas, beneficiando cerca de um milhão de alunos do Ensino Médio. O programa reúne redes estaduais de ensino e educadores em torno da complexidade amazônica e de questões locais, regionais, nacionais e globais que se relacionam diretamente com o desenvolvimento sustentável.
Ele traz conteúdo sobre temas amazônicos em diálogo com as áreas de conhecimento previstas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e realiza a formação de professores para sua adoção nas salas de aula. Além de promover a aprendizagem em contexto, o conteúdo e a formação têm foco no desenvolvimento das habilidades e competências dos estudantes para que possam agir diante das mudanças do clima.
Por causa disso, em 2023, o programa Itinerários Amazônicos foi selecionado como um dos cinco estudos de caso exemplares no mundo de Educação sobre Mudanças Climáticas, em um relatório encomendado pela UNESCO e apresentado na Reunião Regional da Ásia e Pacífico ESD-Net 2030, em junho do mesmo ano, na Indonésia.
“Há, relativamente, pouco conhecimento de como os jovens estão adquirindo e aplicando competências, como resolução de problemas, inovação, pensamento crítico e criativo, a partir de programas e abordagens sobre as mudanças climáticas. A educação para esse assunto foca, em sua imensa maioria, em aquisição de conhecimento sobre ciclo de carbono, efeito estufa e gestão de recursos, em vez de abordar o que pode e deve ser feito em termos de comportamentos e de ação para mitigação e adaptação diante da crise climática. Os Itinerários Amazônicos são um exemplo de boa prática tanto em relação ao diálogo proposto com o contexto local – da construção do documento ao tipo de conteúdo e atividades propostas – quanto aos recursos e aos esforços dirigidos à formação de professores com foco em metodologias ativas e no sentido do desenvolvimento de competências e habilidades para a ação efetiva”, afirma o Dr. Phil Lambert, professor e um reconhecido especialista em educação no mundo, que apoiou o Brasil na construção da Base Nacional Comum Curricular.
Ações no Pará
Em outubro de 2023, o programa articulou junto à UNESCO, UNICEF, BID, BNDES, Porticus e Secretaria de Educação do Pará (SEDUC-PA) visitas conjuntas às escolas em Belém e no Marajó, para conhecimento da realidade da região e sobre como a iniciativa poderia atuar. Em novembro, foi realizado, junto com a Secretaria de Educação do Pará, o componente Educação para o meio ambiente, sustentabilidade e clima do Pará para o Ensino Médio e Fundamental (Anos Finais), englobando a produção de materiais pedagógicos e a formação continuada dos educadores da rede de ensino. Em dezembro do mesmo ano, eles apresentaram o material na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2023, a COP28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
“Com duas frentes complementares: materiais curriculares e formação continuada de professores e gestores escolares, o programa Itinerários Amazônicos visa a levar, de forma aprofundada, temas que tocam a região – como mudanças climáticas, questões sociais, culturais e econômicas – de maneira articulada com a Base Nacional Comum Curricular e os currículos estaduais de Ensino Médio”, afirma Paulo Andrade, presidente do Instituto Iungo.
Paula Marlieri, gerente sênior de Assuntos Externos da Hydro, destacou que “para a Hydro, fazer parte de um projeto com a dimensão e a potência da educação na Amazônia é um compromisso com todos. Essa junção de esforços é muito positiva para ações de grande relevância para a região. O mundo precisa saber e conhecer essa potência. Educar é mostrar a vida a quem ainda não viu”.
A tapioca é uma das receitas mais feitas pelos amazônidas. Afinal, uma tapioca com queijo coalho e banana pacovã é um manjar dos deuses certo? Certo! Mas já pensou em fazer uma tapioca nas cores dos seus bois-bumbás favoritos?
O Portal Amazônia mostra duas receitas que levam a rivalidade do Caprichoso e Garantido para a gastronomia local. Confira:
Tapioca Pavulagem
Ingredientes
4 colheres de goma de tapioca 1 colher de corante azul comestível
Recheio
2 colheres de leite condensado 3 colheres de coco ralado em flocos
Modo de preparo
O primeiro passo é misturar a goma de tapioca com o corante. Em seguida, aqueça uma panela e coloque algumas colheres de goma. Espero um tempo e vire a goma.
Não tem muito segredo para o recheio. Misture o leite condensado com o coco ralado em flocos. Coloque o recheio na tapioca. Use um pouco de coco ralado para enfeitar.
Foto: Reprodução/Amazon Sat
Tapioca Perreché
4 colheres de goma de tapioca 1 colher de corante vermelho comestível
Recheio
2 colheres de doce de leite 60g queijo coalho
Modo de preparo
O primeiro passo é misturar a goma de tapioca com o corante. Em seguida, aqueça uma panela e coloque algumas colheres de goma. Espero um tempo e vire a goma. Tire a tapioca da panela e reserve. Frite duas fatias de queijo para criar uma crosta crocante.
Agora, passe uma colher de doce de leite na goma. Em seguida, coloque o queijo sobre o doce de leite. Você pode usar um pouco de doce de leite para enfeitar a tapioca.
Inaugurado em 1988, o bumbódromo é palco do maior Festival Folclórico a céu aberto, o Festival de Parintins, no Amazonas. A sua construção foi pensada para lembrar a dualidade histórica dos bois Caprichoso e Garantido com a estrutura em formato de cabeça de boi.
Reformado no ano de 2013, possui capacidade para abrigar 25 mil espectadores. Por questões de segurança e devido à importância e visibilidade do Festival Folclórico para o Estado, existem itens que são proibidos de se levar para o bumbódromo.
No 58º Festival de Parintins, em 2025, não seria diferente. De acordo com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC), na entrada tanto da Festa dos Visitantes, no dia 26 de junho, a partir das 19h30, quanto no próprio festival (27, 28 e 29 de junho), a segurança vai retirar itens que podem causar acidentes.
Arma de fogo e arma branca de qualquer tipo ou espécie (facas, canivetes, martelos, dardos)
Guarda-chuvas (de qualquer tamanho)
Pingentes/correntes pesadas
Objetos pontiagudos (canetas, espeto de churrasco)
Substâncias tóxicas
Objeto perfuro cortante (tesoura, seringa, cortador de unha, lâminas em geral)
Malabares
Objetos de vidro, plástico ou metal
Fogos de artifício, sinalizadores e de estampido (de qualquer espécie)
Papel em rolo de qualquer espécie, jornais e revistas
Bebidas alcoólicas
Vasilhames, copo de vidro, metal ou qualquer outro tipo de embalagem, contendo bebidas ou refrigerantes de qualquer natureza
Capacete
Recipiente em aerossol
Alimentos em grandes quantidades
Ornamentos com materiais perfuro cortantes (tiaras pontiagudas, prendedores de cabelo com madeira)
Remédios (permitido mediante prescrição médica)
Mudanças em 2024
Em fevereiro de 2024, a Amazon Best, responsável pela venda dos ingressos para o evento autorizou a entrada de água e comida para o Bumbódromo, o que era proibido em anos anteriores.
A decisão vem após uma série de recomendações feitas pelo Ministério Público do Amazonas e o Programa Estadual de Proteção e Orientação do Consumidor (PROCON-AM). O compromisso firmado está em conformidade com a Lei estadual nº 4.782/2019 e o decreto federal que regulamenta a entrada de alimentos e bebidas não alcoólicas em grandes eventos.
Mudanças em 2025
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) publicou uma portaria com regras para proteger crianças e adolescentes durante o Festival Folclórico de Parintins, que ocorre nos dias 27, 28 e 29 de junho. Entre as medidas, está a proibição da presença de crianças com menos de 10 anos nas galeras do Bumbódromo.
A portaria estabelece também que crianças e adolescentes menores de 14 anos só poderão participar do evento com pulseira ou crachá de identificação. Já os adolescentes de 14 a 18 anos, se desacompanhados dos pais, deverão portar autorização com firma reconhecida para participarem do Festival.
O documento define horários-limite de permanência no evento conforme a idade e restringe a participação de menores nas apresentações oficiais. Crianças menores de 6 anos não poderão se apresentar no festival, e as de 6 a 10 anos precisam estar acompanhadas dos pais — além de estarem proibidas de participar de alegorias.
Veja os limites de horário conforme as seguintes faixas etárias:
Crianças até 12 anos: das 6h às 21h
Adolescentes de 12 a 14 anos: das 6h às 22h
Adolescentes de 14 a 16 anos: das 6h às 23h
Adolescentes de 16 a 18 anos: das 6h à meia-noite
Organizadores deverão seguir exigências como solicitar alvará judicial com antecedência, contratar segurança adequada e afixar placas sobre a proibição de venda de bebidas alcoólicas a menores. O descumprimento das regras pode resultar em multa e até no fechamento do evento por até 15 dias.
Há menos de um ano da seca histórica que deixou milhares de ribeirinhos sem água e paralisou operações de uma das maiores hidrelétricas do Brasil, o rio Madeira entrou em “cota de alerta” após ficar abaixo dos 5 metros em Porto Velho (RO), conforme a Defesa Civil Municipal. Nos 15 primeiros dias de junho, o nível do rio diminuiu quase 3 metros.
Especialistas acreditam que os meses de agosto e setembro poderão apresentar o ápice da estiagem em 2024. Desde o início de junho, o nível do Madeira tem diminuído na capital, segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Em 20 dias, a cota do afluente caiu de 8,23 metros (1° de junho) para 4,15 metros registrados no dia 19 de junho (até o momento essa é a menor cota de 2024).
Com o avanço da seca, ribeirinhos relataram apreensão, e poços começaram a ser escavados em comunidades ribeirinhas. A seca extrema que o Norte enfrenta desde outubro do ano passado, está relacionada a dois fatores que inibem a formação de nuvens e chuvas — comprometendo o nível do manancial.
Oceano Atlântico Norte mais aquecido que o normal, e mais quente que o Atlântico Sul.
Fenômeno El Niño, que causa atrasos no início da estação chuvosa e enfraquecimento das chuvas iniciais do período.
Em resposta a essa queda, a Defesa Civil Municipal decretou “cota de alerta”: medida adotada quando o nível do rio Madeira fica abaixo de 5 metros. No mesmo período, em 2023, o rio estava 4 metros acima dessa marca, com 8,39 metros — a média para o mês é de 7 a 8 metros.
Seca mais severa e alerta
Especialistas do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) apontam que a seca será mais severa neste ano. Com a formação de bancos de areias, o retrato da crise hídrica já pode ser vistos ao longo do afluente.
Segundo o boletim hidrológico da Bacia do Rio Madeira (SAH Madeira), a tendência é que o processo de vazante no Rio Madeira em Porto Velho continue.
A vazante é a fase em que o nível da água do rio reduz, processo que ocorre geralmente após um período de cheia, caracterizada pela redução gradual do volume de água que flui pelo curso do rio.
Em todos os pontos de monitoramento do SAH Madeira, os níveis do afluente estão abaixo da faixa de normalidade para este período do ano. Em Jirau-Jusante Beni, o rio apresenta a cota histórica mais baixos registrada para a temporada.
Esse processo de “seca” está relacionado as precipitações de chuvas observadas nos últimos dias e previstas para as próximas semanas em pontos de monitoramento do Madeira, conforme informações do SGB.
Foto: Prefeitura de Porto Velho/Leandro Morais
Baixos índices de chuva
Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os índices de chuva estão abaixo da média em Rondônia. Em Porto Velho, por exemplo, ainda não houve acumulado de chuvas em junho. No ano de 2024, essa redução das precipitações iniciou em maio: período que marca o início da transição da estação chuvosa para a estação seca na região Amazônica.
Segundo o doutor em geografia e hidrossedimentalogia, Michel Watanabe, a previsão de chuvas para o período de estiagem deste ano é menor em comparação com o ano de 2023.
“Todos os grandes rios de Rondônia, incluindo o Madeira, já estão sentindo a intensidade desta estiagem. As cotas registradas estão abaixo dos dados de 2023. Os meses de agosto e setembro poderão apresentar o ápice da estiagem em 2024”, explica.
O boletim do tempo do Inmet para os próximos dias indica muito sol e possibilidade de chuva reduzida em todo o estado de Rondônia. No entanto, no oeste de Rondônia, pode chover isoladamente em algumas áreas.
Eventos climáticos
A redução dos níveis dos rios causado pelas baixas precipitações, continua relacionado ao evento climático que assolhou a região Norte, fez o Madeira chegar a níveis críticos e que inibe a formação de nuvens e chuvas: o El Niño.
Tradicionalmente, o fenômeno El Niño causa secas no Norte e Nordeste do país — e chuvas abaixo da média — principalmente nas regiões mais equatoriais; além de provocar chuvas excessivas no Sudeste e Sul do país. O El Niño é a fase positiva do fenômeno chamado El Niño Oscilação Sul (ENOS). Ou seja, quando ele está em atuação, o calor é reforçado no verão e o inverno é menos rigoroso.
Conforme o Censipam, o fenômeno está perdendo intensidade sobre a região do Pacífico Equatorial e deve passar por uma fase de neutralidade antes de se configurar como La Niña, sua fase oposta. Mesmo com a perda de intensidade, ele ainda deve exercer influência sobre o clima de Rondônia.
Segundo o International Research Institute for Climate and Society, os dois fenômenos, El Niño (EN) e La Niña (LN), têm as seguintes características:
tendem a se desenvolver entre abril e junho;
duram entre 9 e 12 meses;
atingem o pico entre outubro e fevereiro;
podem persistir por até aproximadamente 2 anos;
recorrem em intervalos de 2 a 7 anos.
De acordo com meteorologistas do Censipam, a La Niña comece a se manifestar sobre o Pacífico Equatorial entre julho e setembro, mas os efeitos dessa mudança climática devem demorar a ser percebidos no estado, sendo mais evidentes próximo ao final deste ano (2024).
Aquecimento do oceano
O segundo fenômeno afetando a Amazônia é o aquecimento anormal das águas do Oceano Atlântico, que também reduz a quantidade de chuva na região.
Com a água dos oceanos mais quente, as correntes ascendentes carregam ar aquecido para a atmosfera. Esse ar segue até a Amazônia por meio de duas correntes descendentes, onde vai diminuir a chuva.
O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos explica que, no setor mais a oeste, onde está localizado o rio Madeira, o Dipolo do Atlântico acaba tendo maior influência, pois esse aquecimento maior das águas do Atlântico Norte desfavorece a formação de nuvens de chuva sobre esta região.
Escavação de poços em comunidades ribeirinhas
Maria de Fátima mora na comunidade ribeirinha Terra Firme, na região do Baixo Madeira, em Porto Velho. Ela relata que ver o rio secando dia após dia é desesperador e afirma que neste ano a seca será mais severa do que em 2023.
“É desesperador, ta ficando muito dificil para a gente aqui da comunidade. Estamos achando que vamos ficar “ilhados” nesse ano. A seca está pior do que de 2023″, explica.
Bancos de areias no rio Madeira próximo a comunidade Terra Firme, no médio madeira, em Porto Velho. Foto: Maria Fátima
Outra preocupação é o acesso à água. Atualmente, a população da comunidade busca lugares onde há minas de água, que podem desaparecer com a seca do rio, segundo a moradora.
Uma alternativa encontrada pela administração municipal é a escavação de poços artesianos nas regiões do Baixo Madeira: cerca de cinco comunidades serão atendidas. Os estudos para a perfuração começaram nas localidades de Terra Firme e Papagaios. Em seguida, será a vez de Santa Catarina, Calama e Demarcação.
Após a identificação dos locais, serão escavados os poços e construídos os sistemas de captação, armazenamento e abastecimento de água nessas localidades, de acordo com a Prefeitura de Porto Velho.
Esse trabalho de identificação de locais adequados para perfuração é garante volume e qualidade de água. Os métodos aplicados se baseiam em encontrar o topo da coluna da água subterrânea através de pulsos elétricos emitidos no solo. Geralmente, o processo é rápido e fácil de se realizado.
Recuperação de nascentes
O especialista em geografia e hidrossedimentalogia, Michel Watanabe, explica que com os baixos volumes de chuva em várias regiões do estado, é possível que os reservatórios e mananciais não atinjam suas cargas máximas, o que pode afetar o fornecimento de água durante o verão.
Um dos projetos desenvolvidos pelo estado é trabalhar na recuperação e proteção de nascentes e cursos hídricos, importantes para a manutenção do abastecimento de água em várias regiões de Rondônia.
De acordo com o Governo, o ‘Projeto Recuperar’ visa promover e recuperar nascentes nas áreas rurais e urbanas degradadas por atividades humanas, além de dar segurança ambiental nas áreas de preservação permanente.
Uma das cidades que já recebem ações do projeto é Espigão d’Oeste (RO), que enfrentou, na seca de 2023, uma das piores crises hídricas da história da cidade. O rio Palmeiras, único canal hídrico usado para captação e distribuição de água, secou.
A seca em anos anteriores
A diminuição das chuvas causada pelo fenômeno El Niño vem sendo registrada há 7 anos pela Rede Amazônia. O período de maior estiagem deveria ocorrer em outubro, mas desde 2016 a seca tem avançado cada vez mais para meses anteriores.
Em 2016, o rio Madeira registrou 2,98 metros, o que na época representou a menor média registrada nos últimos 48 anos. Naquele ano, a preocupação dos órgãos era que a média registrada no início de agosto só deveria ser registrada em outubro.
Em outubro de 2020, o rio Madeira atingiu uma nova seca histórica, quando o nível do rio marcou 1,88 metro. Na época, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) afirmou que o menor nível registrado até então tinha sido 2,32 metros em 2016.
A terceira seca histórica registrada foi em outubro de 2023, quando o nível do rio Madeira diminuiu mais de 10 centímetros em 24 horas e ficou abaixo de 1,20 metro. No mesmo mês, o rio atingiu a marca histórica de 1,10 metro e, novamente, a estiagem foi apontada como principal fator da seca.
Em 2023, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) afirmou ainda que a estiagem estava relacionada a dois fatores que impediam a formação de chuvas na região: o aquecimento das águas no Atlântico Norte e o fenômeno El Niño.
Como foi apresentado anteriormente nesta matéria, o rio novamente atinge um nível alarmante. Em agosto de 2016, a média registrada estava abaixo do período esperado, mas agora, em junho de 2024, o nível do rio já está abaixo dos 5 metros.
Se você mora no Brasil, certamente já deve ter ouvido ou até mesmo feito a brincadeira de perguntar: ‘O Acre existe?’. Que o Acre existe, isto é fato, pelo menos é o que o mapa do Brasil mostra. Mas por que ainda há essa pergunta em tom de chacota?
As origens deste ‘questionamento’ estão ligadas a fatores históricos e geográficos, de acordo com especialistas.
Distância: o primeiro fator é o distanciamento do Acre em relação aos grandes centros do país. Localizado no extremo oeste do Brasil. O estado fica a 2,135 km de Brasília; 3,034 km de São Paulo; e 3,322 km do Rio de Janeiro, por exemplo;
Sinônimo de morte: a morte de quase seis mil trabalhadores durante a construção da ferrovia Madeira-Mamoré em Rondônia criou uma atmosfera mística relacionada à região;
Lugar de punição: nos primeiros anos da República era comum que presos políticos fossem enviados ao Acre como forma de punição;
Esquecimento: após o fim do 1º Ciclo da Borracha o Acre perdeu importância política e econômica para o governo federal e empresariado. O território ainda conseguiu nova sobrevida com o 2º Ciclo da Borracha, durante a 2ª Guerra Mundial, mas perdeu novamente o interesse da classe dominante ao final do conflito;
‘Piada’ é antiga
Em uma pesquisa rápida na internet é possível ver diversos podcasts, vídeos, músicas, filmes, livros e textos respondendo à pergunta ou até mesmo afirmando que sim, o Acre existe.
Isto, inclusive, foi o que motivou a professora Giselle Lucena, da Universidade Federal do Acre (Ufac), a trabalhar esta temática. A jornalista conta que participou de diversos eventos acadêmicos onde pessoas de outras localidades do país estranhavam quando ela dizia ser acreana.
“Quando a pessoa percebe que tem um sotaque diferente ou algo assim, quando a pessoa fala que é do Acre, tem uma reação. Tipo: ‘nossa, do Acre?’. É sempre uma surpresa. E a gente vê que muitas vezes aciona uma brincadeira, de dizer assim: ‘ah, eu ouvi dizer que lá tem dinossauro’, ou então gente que realmente desconhece, pessoas mais humildes, mais simples, que desconhecem mesmo a história do Acre”, comenta.
Foto: Divulgação
Das curiosas às grosseiras, as perguntas são as mais variadas possíveis, segundo ela, tais como: ‘no Acre é falado português?’ ou ‘quem é o presidente do Acre?’.
A tese de mestrado dela com o professor José Barros, feita em 2012, tem como tema: ‘O Acre existe? Variações e Perspectivas midiatizadas’ que, inicialmente, analisa a história e formação do território do Acre, que foi elevado a estado em 1962.
A pesquisa pontua que no início do século XX, muitas pessoas saíram dos grandes centros do país e foram trabalhar na ferrovia Madeira-Mamoré, que se entrelaça com a história de Rondônia, estado vizinho. Diversas pessoas morreram neste processo de construção, o que aumentou ainda mais o misticismo com relação a vir ao Acre, como sinônimo de morte.
“No início da história, pessoas eram enviadas para o Acre como forma de punição. Alguma situação de guerra, de conflito que tinha aqui no país, presos políticos, as cadeias estavam cheias, então pegavam essas pessoas e enviavam para o Acre. Essa questão foi representada, foi noticiada nos jornais, tinham charges políticas que falavam de isso, de uma ideia de vir pro Acre como uma punição”, diz.
O professor de História da Universidade Federal do Acre (Ufac), Airton Chaves da Silva, também pesquisa sobre história do Acre e falou que o contexto de isolamento atrelado à piada tem origens geográficas também, principalmente em razão de o estado estar distante das grandes metrópoles.
Foto: Departamento de Patrimônio Histórico do Acre – FEM
“O Acre, durante muito tempo, ficou geograficamente isolado. Quando surgiu o [território do] Acre, propriamente dito, a partir do Tratado de Petrópolis, em 1903, até 1960, quando surgiu a BR-364, voos de aviões a partir da década de 1940, principalmente de 1950 para cá, o Acre era totalmente isolado. Então, aí vem esse isolamento histórico, geográfico. Levou-se a essa coisa da inexistência do Acre”, comentou.
Negação e afirmação
Lucena discursa que quando as pessoas reproduzem a pergunta: ‘O Acre existe?’, se trata de uma atualização dos processos históricos envolvendo a história do Acre e a própria identidade, que foi formada no contexto de negação, afirmação e defesa do próprio território.
“O acreano tem uma identidade territorial, de defender a sua terra. Há um monumento no centro da cidade que tem a bandeira do Acre, tem o imperador Galvez e a frase que é muito vinculada a ele: ‘se a pátria não nos quer, criamos outra’. Então, isso já mostra para a gente, como que o acreano tem na sua memória um processo de negação e afirmação”, fala.
Para a análise, Giselle pesquisou e catalogou o comportamento das pessoas nas redes sociais, mapeando conversas no Orkut, Facebook, Google e Yahoo Respostas. Assim, ela conseguiu verificar como esses conteúdos mobilizavam pessoas em diversos aspectos e sentimentos. Somente no Orkut, segundo a dissertação, 15 comunidades com a temática ‘O Acre não existe’ foram criados na época.
Foto: Arquivo pessoal/Giselle Lucena.
No entanto, segundo a jornalista, não há unanimidade sobre como o acreano pode reagir quando esta ‘dúvida’ surgir.
“A representação do Acre para algumas pessoas, é como um lugar onde as pessoas vão para desaparecer, sumir, um lugar misterioso, para onde está o mestre dos magos, onde foi filmado Lost, várias associações com conteúdos midiáticos, num tom de humor, de brincadeira, jocoso. Mas, ao mesmo tempo, acionando muita revolta no acreano, que precisava se defender, reagir dizendo: ‘não, não é assim, o Acre é um estado maravilhoso’.
A rede social precisa de pessoas debatendo, reagindo umas às outras, é isso que torna a rede social dinâmica”, declara.
Foto:Arquivo pessoal/ Assis Lima.
Documentário
O questionamento foi tema do documentário ‘O Acre Existe’, produzido por Bruno Graziano, Milton Leal, Paulo Silva Jr. e Raoni Gruber, gravado em 2011. Os quatro paulistas estiveram no Acre por dois meses em 16 municípios e construíram um longa-metragem misturando ambientes e personagens e viajando pela história do estado, do Santo Daime, das tribos indígenas, da herança de Chico Mendes, soldados da borracha e do próprio Acre à época do documentário.
Bruno Graziano esclarece que os amigos haviam saído há pouco tempo da faculdade e queriam mostrar algo fora do habitual deles. A piada sobre a existência do Acre foi citada e assim, os quatro jovens decidiram fazer um filme alternativo para descontruir a ‘piada’.
“A gente sentou, conversou e decidiu que queríamos fazer um documentário viajando para um lugar que a gente não conhecesse. Um documentário de descobertas. Alguém levantou na mesa e disse que a gente poderia ir para um lugar que a gente menos conhecia no Brasil, ser algo mais extremo. Ninguém naquela época, com 20 e poucos anos, tinha sequer pisado na região amazônica. Conhecíamos muito pouco da cultura e da história da região”, comenta.
Foto: Divulgação
O cineasta ainda fala que os quatro queriam que quem se dispusesse a assistir o documentário feito por eles, entrasse numa imersão ‘de uma viagem pelo Acre naquele tempo e naquela época’. Ele menciona que em 2024, 13 anos depois da filmagem, talvez fizesse o longa de uma forma diferente.
“Talvez um filme mais maduro, um pouco mais profundo. Mas, o filme que a gente fez ali com vinte e poucos anos foi com muita vontade e muita ânsia de conhecimento, e um arrepio diário de estar em contato pela primeira vez com muita coisa que a gente nunca tinha visto, só no cinema e televisão. A gente teve muita sorte, muita satisfação de poder estreá-lo no festival Pachamama em 2013. Foi muito emocionante, foi muito lindo”, relata emocionado.
Sobre voltar ao Acre, Graziano comenta que os quatro pensam em voltar quando o documentário completar 20 anos, para fazer um segundo filme.
“Talvez a gente se junte e volte para fazer um panorama desse comparativo (…) [O Acre] está nas nossas memórias, mudou a nossa vida, nossa relação. Cada um de nós teve mudanças profundas depois do contato com o povo, com a cultura e com a geografia”, declara.
Foto: Reprodução
‘Caricatura’
Silva diz que a piada que se alastrou pela web se trata de uma ‘caricatura’ com o intuito de desfazer uma história coletiva, construída por nordestinos, indígenas, ribeirinhos, negros e trabalhadores no geral.
“O Acre teve uma grande contribuição econômica para a história do país através da borracha nos primeiros anos da década de 1910, grande contribuição à história do país também. A história do Acre tem uma prova de colonização, existe uma subalternização, o que não quer dizer que as pessoas tenham (…) é uma provocação que a gente não deve aceitar e devemos fazer valer os nossos valores históricos e sociais e culturais”, frisa Airton.
Parintins é um lugar recheado de talentos. A prova disso é a magnitude do Festival Folclórico, produzido por artistas locais. Porém, outras vertentes da cultura parintinense também possuem os seus representantes. Na literatura, por exemplo, um dos destaques é o médico e escritor Jacob Cohen, que escreveu a obra ‘Era uma vez na Ilha de Parintins’.
Segundo o autor, a obra nasceu de crônicas que ele fez, durante cinco anos, falando sobre as memórias de sua infância e adolescência. “Comecei a buscar esses escritos e a escrever crônicas sobre o modo de vida do parintinense e de sua forma de se expressar. Aí o livro ganhou forma”, disse ele.
Você foi um jovem travesso? Cohen foi. Em entrevista ao Amazon Sat, o autor lembrou que fugia de casa para assistir as apresentações do boi bumbá Garantido, que se tornou o seu boi do coração.
“Na infância, a gente dormia em redes, então eu colocava algo na minha rede para simular que havia alguém e ia assistir aos ensaios que aconteciam na Baixa de São José”, relembrou.
Foto: Reprodução
Rivalidade
Uma das marcas do Festival Folclórico de Parintins é a rivalidade entre Caprichoso e Garantido. Inclusive, Cohen confirmou que muitas pessoas iam para as vias de fato, usando a violência uns contra os outros. Porém, os anos foram passando e a rivalidade se atenuou. Inclusive, um momento de união entre os bumbás marcou Cohen.
“Em 2023, faleceu Marcos Azevedo, conhecido como Markinho, ele era ex-tripa do Caprichoso, mas também trabalhou no Garantido. No dia do enterro os bumbás foram prestar uma homenagem, eles andaram lado a lado, enquanto entravam no cemitério”, disse o autor.
Trilogia
De acordo com Cohen, essa obra é a primeira de uma trilogia planejada por ele. “O primeiro livro fala sobre o que vivi e o que me contaram sobre folclore, a organização social da cidade, essa estrutura toda que vivemos com o folclore levando artistas para todo o Brasil”, explicou o médico.
O segundo livro vai abordar quem foram as pessoas que viveram à frente do seu tempo na educação, na arte e na política parintinense. Já o terceiro livro retratará quais foram os diversos povos que já viviam em Parintins – como os indígenas – e os povos que aportaram tempos depois, como os italianos, judeus, turcos, portugueses e africanos.
O segundo livro, intitulado ‘Parintinenses que viviam à frente do seu tempo’ já está pronto e irá para a gráfica em breve, assegurou o autor. O lançamento da obra estava previsto ainda para o mês de junho. Já o terceiro livro, ainda sem nome, está em processo de produção e não possui previsão de lançamento.
Chegou o Festival de Parintins. Em junho, mês em que os bois Caprichoso e Garantido entram na arena do Bumbódromo, em Parintins (AM), para uma das maiores manifestações culturais do mundo. Com muita torcida dos brincantes, a tradição mais forte do Festival de Parintins é a rivalidade histórica dos dois bumbás, que começou no início do século XX.
Apesar de saudável, o embate também reflete nas cores de roupas, espaços divididos na cidade e até em mudança na cor da logo de grandes marcas.
Sobre os protagonistas
O Festival de Parintins tem como tema central a disputa dos bumbás Caprichoso, representado pelas cores azul e branca; e Garantido, simbolizado pelo vermelho e branco.
O boi Caprichoso foi fundado pelo artesão cearense Roque Cid e o boi Garantido pelo pescador parintinense Lindolfo Monteverde. A criação dos dois bumbás data de 1913.
Atualmente, os bois têm sedes próprias, os chamados galpões, para a construção de todas as alegorias e fantasias apresentadas na arena do Bumbódromo. Já os ensaios técnicos, shows e apresentações são realizados nas ‘casas’ dos bois, conhecidos como currais. O reduto do boi Caprichoso é chamado de Curral Zeca Xibelão enquanto do boi Garantido é conhecido como Cidade Garantido
O Caprichoso venceu o Festival de Parintins 24 vezes e o Garantido foi campeão 32 vezes.
Festival de Parintins
O Festival de Parintins acontece todos os anos na ilha de Parintins, município localizado na região do baixo Amazonas, distante 369 quilômetros de Manaus e com uma população de mais de 96 mil habitantes, de acordo com dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A festa, considerada Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), é realizada sempre no último final de semana do mês de junho.
O boi-bumbá é uma tradição centenária do estado do Amazonas, que surgiu como brincadeira dos caboclos ribeirinhos parintinenses, nos terreiros das casas – como são chamados os quintais no interior do Amazonas -, durante as festividades juninas, sob influência do Bumbá meu boi, do Maranhão, e das festas de folguedo comuns no Nordeste brasileiro.
Porém, ao longo dos seus mais de 100 anos de existência, o boi-bumbá ganhou identidade e elementos próprios, unindo elementos dos povos indígenas, quilombolas e caboclos, tornando-se a representação da rica e encantadora cultura do Amazonas.
Cores de roupas
Para quem ainda está conhecendo os dois bois e não decidiu para qual torcer, a melhor opção é utilizar cores neutras, como preto, branco, verde, cinza, amarelo, bege, caramelo e marrom.
No Boi Caprichoso, a cor principal é o azul, mas cores complementares entram na paleta, como azul em tons claros, verde escuro, verde mar, violeta, roxo e lilás. Ao visitar o Curral Zeca Xibelão, reduto do boi, por exemplo, as cores do contrário não são permitidas.
No Boi Garantido, a cor principal é o vermelho. Nas cores complementares, o bumbá também utiliza em suas apresentações o vermelho em tons claros, laranja, rosa claro e escuro, rosé e terracota. Assim como no curral do contrário, há restrição de cores no Curral Lindolfo Monteverde: ao visitar o local, nenhuma das cores do adversário é permitida.
Itens oficiais dos bumbás Caprichoso e Garantido. Foto: Reprodução/Secom
Divisão da cidade e das marcas
Assim como o Bumbódromo, que é dividido nas cores azul e vermelho, a cidade de Parintins também se divide em uma linha imaginária, traçada pelo palco da festa. O lado sul é denominado como Caprichoso, enquanto o lado norte é reduto do Garantido.
Apesar da divisão, muitos torcedores contrários vivem nos dois lados. No entanto, em um passeio pela cidade, é possível identificar por meio das cores das casas, bandeiras hasteadas e esculturas nas ruas, em qual lado você está.
Outro diferencial na cidade é a logo de grandes marcas. Coca-Cola e Brahma, por exemplo, patrocinadoras da festa, além das tradicionais embalagens vermelhas, lançam edições temporárias na cor azul.
É comum observar em Parintins lojas, bancos e outros empreendimentos com as fachadas divididas em vermelho e azul, com o objetivo de atrair torcedores dos dois bois.
O aguardado ‘Kwati Club 2024′, um dos maiores eventos de música da Amazônia, será transmitido ao vivo pelo canal Amazon Sat. O evento acontece de 27 a 30 de junho no Kwati Club, localizado às margens do Lago Macurany, em Parintins (AM).
No dia 28 de junho, o evento musical será transmitido a partir das 00h. Depois, ainda no dia 28 e também 29 e 30, a transmissão inicia às 15h30.
O lineup do Kwati Club está repleto de grandes nomes da música brasileira, incluindo Péricles, Matheus Fernandes, Arlindo Neto, John Veiga, entre outros.
A apresentadora Deborah Oliveira conta detalhes da programação: “No primeiro dia, serão só toadas e nos intervalos com DJs. Nos próximos dias terão pagode, sertanejo, forró, além de DJs nos intervalos. Vamos ter dia 29 a atração nacional com Péricles e vai ter também o Andrezinho, do Grupo Molejo. De cantores regionais teremos George Japa e John Veiga e Caboclos. No último dia terá outra atração nacional, o Matheus Fernandes, então tem variedades de atrações pra todos os gostos”.
“É minha primeira vez no Kwati Club, então estou muito feliz de poder fazer parte desse evento que traz todos os gostos musicais e que abrange todos os públicos. É um grande festival de música da Amazônia e é uma experiência única em Parintins”, comenta.
Confira a programação completa:
28 de junho
00h à 00h30 – DJ 00h30 à 01h30 – Sebastião Júnior e Jr. Paulain 01h40 às 02h – David Assayag, Batucada do Garantido e Marujada de Guerra
28 de junho
15h30 às 16h30 – Kaboclos 17h às 18h30 – Farofa do Japa
29 de junho
15h30 às 16h – Uendel Pinheiro e convidados 16h às 16h40 – DJ 16h40 às 18h30 – Péricles
30 de junho
15h30 às 16h – John Veiga 16h às 16h40 – DJ 16h40 às 18h30 – Matheus Fernandes
Nos anos 80, a TV Amazonas estava filiada a Rede Bandeirante (Band) e em outubro de 1985 meu irmão Edgar e eu estávamos realizando em Manaus o IV Campeonato Pan-Americano de Handball – adulto masculino – no ginásio do SESI – Clube do Trabalhador, com os países: Brasil Canadá, Estados Unidos, Cuba, México, Argentina e Uruguai.
Um dia recebo a ligação de Luciano do Vale pedindo o jogo entre Brasil × Argentina que estariam decidindo o título sul-americano. No dia seguinte desembarca em Manaus um cinegrafista e um repórter.
Foto: Eduardo Monteiro de Paula/Acervo pessoal
No deslocamento até o ginásio do SESI, o repórter passou mal e eu acabei fazendo a reportagem do jogo. Assim que me tornei o primeiro amazonense a apresentar para o Brasil em evento esportivo internacional no Amazonas.
É bom lembrar que eu já tinha conhecido pessoalmente Luciano do Vale em 1983 nos Jogos Universitários Mundiais em Edmonton no Canadá e foi uma outra aventura que contarei em outro artigo.
Por hoje é só, semana que vem tem mais! FUUUUUUUUUIIIIIIIII!!!
Sobre o autor
Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.