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Edifício de universidade em Rondônia é tombado como patrimônio histórico e cultural

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Prefeitura declarou prédio da reitoria da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), localizado na região central de Porto Velho, como patrimônio da capital.

Foto: Reprodução/Universidade Federal de Rondônia

O prédio da reitoria da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), localizado na região central de Porto Velho foi tombado como patrimônio histórico e cultural do município em abril deste ano. As leis foram sancionadas pela Câmara Municipal, com declaração publicada no Diário Oficial dos Municípios do Estado de Rondônia.

Na década de 80, o prédio abrigava os cursos então ofertados pela Fundação Centro de Ensino Superior de Rondônia (Fundacentro): Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas. Mais tarde, em 1982, a UNIR passou a ofertar cursos superiores e a realizar suas atividades acadêmicas no edifício. 

Foto: Reprodução/Universidade Federal de Rondônia

Com a expansão da Universidade, dos cursos e a chegada de novos campi no interior, a estrutura tornou-se sede da Reitoria e Pró-Reitorias da Universidade, onde hoje são realizadas atividades administrativas. 

Além de ações administrativas, o prédio da UNIR Centro é também palco de atividades acadêmicas como palestras, cursos e eventos promovidos pelos cursos de graduação, promovendo o fomento à cultura e conhecimento.

Para o professor do Programa de Pós-Graduação em História da Amazônia (PPGHAm) da UNIR, Dante Ribeiro da Fonseca, o tombamento é uma reafirmação da importância do edifício, que configura uma das primeiras obras públicas na área central de Porto Velho. 

“O patrimônio físico por meio de edifícios, tem uma importância simbólica, está ali como um vestígio, como um documento histórico que mostra o momento em que houve necessidade do investimento público para que se houvesse um hotel minimamente confortável para receber as pessoas que pra cá se deslocavam, além de mostrar uma certa tendência arquitetônica”,

declarou Fonseca.

Foto: Reprodução/Universidade Federal de Rondônia

História

O edifício foi inaugurado no ano de 1953 e nele funcionava o antigo Porto Velho Hotel, famoso por receber personalidades influentes na época. O hotel desativado em 1974, e em 1979 passou a abrigar o Palácio das Secretarias. 

Na década de 80 tornou-se sede da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Foi tombado como patrimônio histórico pelo Estado de Rondônia no ano de 1988.

Suframa aprova novos projetos no valor de R$ 1,73 bilhões

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Reunião do Conselho de Administração da Suframa avaliou 26 projetos com previsão de 1.028 novos postos de trabalho.

Em sua 314ª Reunião Ordinária, por videoconferência no dia 30 de abril, o Conselho de Administração da Suframa (CAS) avaliou e aprovou uma pauta de 26 projetos industriais e de serviços cujos investimentos totalizam R$ 1,73 bilhão, com a previsão de 1.028 novos postos de trabalho em até três anos, prazo para a implementação dos projetos. O faturamento estimado é de R$ 8,35 bilhões.

A reunião foi presidida pelo secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e contou com a participação do superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, dos conselheiros e de representantes das entidades de classe, entre outros.

Na pauta, estavam 13 projetos de implantação e 13 diversificação e atualização, abrangendo diferentes subsetores, como eletroeletrônico, metalúrgico e termoplástico.

O maior volume de investimentos projetados é proveniente do setor de eletroeletrônico, totalizando nove projetos que somam R$ 1,5 bilhão em investimentos totais e geração projetada de 552 novos empregos.

Durante a reunião do CAS, Márcio Elias afirmou que os investimentos no Amazonas e na região norte estão em sintonia com o que acontece no país hoje.

“Na linha do que foi falado aqui hoje, sobre a geração de emprego, o país está no menor patamar desde 2015. A taxa de desemprego terminou 2023 em 7,4%, abaixo de qualquer projeção que havia sido feita. E hoje nós estamos ainda mais otimistas. A economia brasileira cresceu no ano passado 2,9%, e já para este ano a perspectiva é de crescimento em torno de 2%, sendo que no início do ano a expectativa era de 1,4%”,

 comentou.

Foto: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

O secretário executivo do MDIC lembrou também que os índices de confiança do consumidor, dos setores de comércio e do próprio setor industrial vêm aumentando, segundo as estatísticas mais recentes. “E nós temos não só o crescimento da indústria, mas o de investimentos para a indústria, como há muito tempo não víamos. Somente no setor automotivo, já foram anunciados R$ 130 bi em investimentos, o Brasil voltou e está no rumo certo”, destacou Márcio Elias.

Já o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, apresentou a prévia dos números de geração de empregos no Polo Industrial de Manaus, entre janeiro e fevereiro.

“Passamos de 15.244, para 15.888. Isso indica efetivamente o acerto na política industrial do governo do presidente Lula, sob o comando nosso ministro Geraldo Alckmin”,

relatou o superintendente.

Resultados da reunião

Do total de projetos da pauta, 17 foram submetidos sob a forma de comunicação ao Conselho, com destaque para os projetos de diversificação/atualização da BYD Indústria de Baterias, com investimentos totais de R$ 169,01 milhões para fabricação de módulo acumulador de energia elétrica para ônibus elétrico, utilizando células eletroquímicas; e da Cal-Comp, para produção de telefone celular digital combinado ou não com outras tecnologias, no valor de R$ 438,25 milhões em investimentos totais e 102 novos postos de trabalho.

Na implantação, a Flextronics apresentou projeto para produção de placa de circuito impresso montada (de uso em informática), no valor de R$ 688,91 milhões em investimentos e com 83 novos empregos.

Entre os nove projetos da pauta a serem avaliados pelo Conselho, destacou-se a implantação da Ecosolys da Amazônia, para fabricação de condicionadores de ar de janela ou de parede com mais de um corpo, com investimentos totais de R$ 25,64 milhões e criação de 50 empregos.

Pajé (Festival Folclórico de Parintins)

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Fotos: Reprodução/Assessorias boi bumbá Caprichoso e boi bumbá Garantido

O personagem Pajé é considerado o líder espiritual da tribo, responsável por conduzir os rituais indígenas encenados, produzindo eventos ancestrais através de sua transcendência no bumbódromo durante o Festival Folclórico de Parintins. É ele quem faz o ritual de ressurreição do boi.

Expressão corporal, facial, movimentos harmônicos, domínio de espaço cênico, indumentária, muita originalidade e encenação coreografada são fundamentais na hora da apresentação desse item. 

Amo do Boi (Festival Folclórico de Parintins)

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Fotos: Divulgação/Assessorias dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso

Na narrativa da brincadeira do boi-bumbá do Festival Folclórico de Parintins, o Amo do Boi é o dono da fazenda. É quem fica furioso com a morte de seu boi querido, manda prender ‘Pai Francisco’ e ‘Mãe Catirina’ e chama o Pajé para ressuscitá-lo. A cena faz parte do Auto do Boi.

O Amo do Boi é o sexto item e tem a importante função de tirar versos, alguns de exaltação ao Boi e a torcida, é ele que presenteia a filha com o boi. Dicção, desenvoltura, postura, expressões cênicas, indumentária, e improvisação de qualidade poética são julgados neste item.

Rondônia é um dos estados com os maiores índices de segurança alimentar do país, aponta IBGE

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O estado tem a maior taxa na Região Norte e fica atrás apenas dos estados da Região Sul. Entenda a diferença entre segurança e insegurança alimentar.

Foto: Daiane Mendonça/Governo de Rondônia

Rondônia é o quarto estado brasileiro com o maior índice de segurança alimentar – com 80% da população tendo acesso regular a alimentos de qualidade – ficando atrás apenas dos estados da Região Sul do país. Os dados são do módulo Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa foi realizada no último trimestre de 2023 e divulgada na última semana.

A PNAD aponta que 80% dos domicílios permanentes em Rondônia estão em situação de segurança alimentar, 15% possuem insegurança alimentar leve, 2,2% insegurança alimentar moderada e 2,9% insegurança alimentar grave.

Os índices são os melhores do Norte, sendo o único estado da região acima da média nacional de segurança alimentar (74,2%). Considerando todas as unidades da federação, fica atrás apenas de Santa Catarina (88,8%), Paraná (82,1%) e Rio Grande do Sul (81,3%).

A pesquisa ainda apontou que no cenário nacional houve um aumento de 9,1 pontos percentuais na comparação com o último levantamento realizado pelo IBGE sobre o tema, em 2017-2018, que apontava 63,3% dos domicílios em situação de segurança alimentar. Mas ainda não chegou ao patamar de 2013, nível máximo atingido no Brasil, quando 77,4% das famílias tinham acesso regular e permanente a alimentos.

Imagem: Reprodução/IBGE

O que é segurança alimentar?

É considerado que uma família ou domicílio possui segurança alimentar quando tem acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais.

Já a insegurança alimentar é dividida em três níveis:

  • Insegurança alimentar leve: Preocupação ou incerteza quanto acesso aos alimentos no futuro; qualidade inadequada dos alimentos resultante de estratégias que visam não comprometer a quantidade de alimentos.
  • Insegurança alimentar moderada: Redução quantitativa de alimentos entre os adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre os adultos.
  • Insegurança alimentar grave: Redução quantitativa de alimentos também entre as crianças, ou seja, ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre todos os moradores, incluindo as crianças. Nessa situação, a fome passa a ser uma experiência vivida no domicílio.

Rainha do Folclore (Festival Folclórico de Parintins)

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Fotos: Reprodução/Facebook-Cleise Simas – Rainha do Folclore do Boi Caprichoso e Daniel Brandão/Boi Bumbá Garantido

O item 8 no Festival Folclórico de Parintins é a Rainha do Folclore, que expressa com garra, desenvoltura, elegância, alegria e sincronia de movimentos sua representação em homenagem a todos os entes da floresta. É a representante da manifestação popular, as lendas, histórias e costumes. Beleza, simpatia, desenvoltura e incorporação às suas representações, são avaliadas durante o espetáculo no Bumbódromo.

TCC propõe inclusão das danças do Melody e Tecno-Melody em aulas de Educação Física no Pará

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Joliene Pinto diz que a pesquisa busca um diálogo entre corpo, a dança e o ritmo do melody paraense para aulas práticas de educadores físicos.

‘O Arrasta Povo do Pará, a (Re) Existência das Ruas: Possibilidades do Melody e Tecno-Melody a partir das Intersubjetividades Culturais’. Este é o título do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), da estudante do curso de Educação Física na Universidade do Estado do Pará (Uepa), Joliene Nascimento Pinto.

Joliene explica que a intenção é utilizar um ritmo oriundo das periferias do Pará para desenvolver uma proposta pedagógica voltada ao curso de Educação Física. Ela observa que o seu TCC está em sintonia com as proposições da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a disciplina de Educação Física (EF), no que se refere à inclusão de danças regionais no currículo escolar.

A universitária afirma que, o fato do Pará ser um Estado multicultural repercute na oferta de uma diversidade de opções, no currículo escolar. “Mas o conteúdo das danças no espaço escolar sofre a influência da hierarquização de conhecimentos acadêmicos urbanos cêntricos e eurocêntricos, que invisibilizam o cotidiano da realidade vivida por um povo”, diz. Ou seja, entre outras contribuições, o TCC busca incluir na matriz curricular um ritmo periférico.

Sob orientação do professor Adnelson Araújo dos Santos, o trabalho foi aprovado e contou com apoio do Grupo de Estudos INcorpoRe (Uepa) e Gipe-Corpo da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O TCC pretende promover um diálogo entre corpo, dança e o melody paraense nas aulas de Educação Física.

A acadêmica observou que as danças regionais paraenses que mantêm relação com as questões afro indígenas como carimbó, retumbão e lundu são destaques. Porém, ritmos paraenses que dialogam com os fenômenos das aparelhagens não são abordados como conteúdo na disciplina de Educação Física. 

“O que se percebe é que as escolas paraenses são excluídas da vivência do melody, que é recorrente em áreas periféricas, onde também está concentrada a maior parte das escolas públicas”, 

esclareceu.

Foto: Marcelo Rodrigues

A egressa do curso de Educação Física da Uepa percebeu a necessidade de visibilizar esse ritmo nas aulas, sistematizando o melody e como este infere e interfere nas camadas populares da sociedade paraense.

O estudo ressalta que o ritmo faz parte do cotidiano dos alunos e traz a discussão de “potencialização da (re)existência cultural de uma grande parte do povo paraense”. Assim, a aluna buscou uma proposta pedagógica, na qual o melody “tem como finalidade apreender a realidade vivida através de seus ritmos num diálogo pedagógico nas aulas de educação física”, disse.

Segundo Joliene, a escola é o espaço onde as aulas de educação física são promotoras da construção do pensamento teórico e a (re) afirmação da identidade cultural do educando. Assim, tanto para a formação acadêmica, quanto para o contexto social, o estudo possibilita a compreensão do fenômeno do melody dentro da sala de aula.

“As aulas com a tematização do melody acabam se tornando fundamentais nesse processo de formação do discente, por conta da visibilidade da cultura popular presente nas periferias de Belém, possibilitando o diálogo sobre essa diversidade cultural e disseminando os costumes e valores desta cultura”,

destacou.

Proposta pedagógica

O objetivo do estudo é trabalhar de forma interdisciplinar com o ensino da Geografia, onde fará cartografias territoriais, os espaços de produção do melody e sua contextualização com a população.

“E a interdisciplinaridade com a Língua Portuguesa, para a compreensão da língua em que é constituída através do melody e que na maioria das vezes, são comunicações e/ou dialetos, que só são compreendidos por aqueles que vivenciam o fenômeno do melody”,  

disse Joliene Nascimento.

Outra forma de comunicação ritmada pelo melody é o corpo, “que manifesta movimentos e corporeidades no encontro de pessoas que partilham da mesma vivência e experiência, expressando-se em um corpo dançante potencializado e potencializante”.

Além disso, trabalhar com o conteúdo dança, como objeto de estudo das práticas corporais, favorece a discussão das diferenças regionais da dança dentro da identidade, do seu pertencimento e do seu território, “provocando um excelente debate cultural dentro das aulas de educação física”, explicou a pesquisadora.

Pomada cicatrizante para pets é criada a partir de produtos naturais da Amazônia

Pesquisadores acreditam que em até dois anos a pomada possa ser produzida e comercializada em grande escala.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

A partir de produtos naturais da Amazônia, pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac) desenvolveram uma pomada cicatrizante para cães e gatos: a CicaPet. O medicamento, livre de petrolatos e parabenos, substâncias de origem do petróleo e comuns na indústria desse segmento, está em fase de testes e já se mostrou eficiente.

Os pilares da bioeconomia e a soberania da Amazônia são os os temas da edição de 2024 do projeto ‘Amazônia Que Eu Quero’ que vai abordar a ‘Amazônia Continental’.

Os testes da pomada com alto poder cicatrizante para ser utilizada em pets, especialmente cães e gatos, estão sendo feitos por pesquisadores do laboratório Bionorte, da Ufac.

O uso tópico da pomada totalmente natural, é feita com produtos da Amazônia ele foi capaz de regenerar o tecido da pele machucada de forma muito eficiente e muito mais rápido na comparação com produtos à base de petróleo.

A pesquisa faz parte do trabalho de doutorado da Adna Maia. Ela conta que o estudo une o conhecimento empírico de comunidades tradicionais da Amazônia com a ciência.

Foto: Reprodução Rede Amazônica

“Já fizemos esse teste em vitro, testamos em laboratório para ver a ação bactericida, ação anti-inflamatória, e aí agora já partimos para em vivo, que foram testes em camundongos, e assim a gente tem seguido e tem observado de fato o processo de cicatrização acontecendo, com 60% mais ativo que as pomadas convencionais vinculadas no comércio. 100% natural, com a possibilidade de entrar no mercado, com potencial enorme de também gerar fontes de renda para a comunidade local”, 

explica Adna Maia. 

A planta que dá origem ao princípio ativo da pomada, ou seja, o principal produto que garante a cicatrização, não pode ser revelada agora porque a pesquisa está em fase de patenteamento. Já a base da pomada é feita a partir de outro produto que existe em abundância na região: o bambu.

O professor do Ifac, Marcelo Ramon Nunes, explica o processo de desenvolvimento da pomada.

“A gente conseguiu desenvolver no nosso laboratório a Carboximetilcelulose, que é a base dessa pomada, que substitui bases de pomadas convencionais à base de petróleo, que geralmente apresentam alto teor e toxicidade, e pode ser até cancerígeno, e a gente conseguiu desenvolver no IFAC, juntamente com a parceria da Bionorte, durante o meu estágio de doutorado”,

esclareceu Nunes.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

O coordenador laboratório Bionorte/Acre, Luis Maggi, reforça que o mais importante do estudo é a agregar valores aos produtos naturais e levar melhores condições de vidas às comunidades indígenas e tradicionais que moram na Amazônia.

“Esse é um dos grandes princípios da Bionorte hoje em dia. Nós sabemos que várias instituições internacionais vêm para o Brasil pegar nossos produtos e comercializar lá fora e deixando as comunidades sem seus grandes lucros, sem saber o seu valor agregado. Então, a ideia da Bionorte, bem como da UFAC e de todas as instituições que trabalham dentro da região Norte, é valorizar os produtos que são da Amazônia para dar maiores condições de vida às comunidades da Amazônia”, concluiu.

Experiências turísticas colaboram para valorização histórica dos povos indígenas no Tocantins

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Governo tocantinense investe em projetos voltados ao desenvolvimento do etnoturismo no Estado.

O etnoturismo ganhou evidência no estande do Estado do Tocantins montado na ABAV Expo 2023, no Rio. Foto: Mazim Aguiar/Governo do Tocantins

Um novo olhar para a cultura e as tradições indígenas tem atraído o interesse dos viajantes para o etnoturismo. Pessoas como a empresária paulista Katharina Brazil, que no mês de março percorreu mais de 2 mil quilômetros até a Ilha do Bananal para acompanhar o Hetohoky, um dos rituais mais conhecidos do povo Karajá.

Saiba mais: Hetohoky: festa tradicional do povo karajá é rito de passagem dos adolescentes para a vida adulta

Assim como ela, há milhares de pessoas em busca de roteiros que promovam uma conexão com os povos originários e suas tradições. O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria do Turismo, tem atuado para levar às comunidades indígenas as condições necessárias ao desenvolvimento pleno desta atividade.

“O etnoturismo é um importante ativo no processo de reconhecimento e valorização histórica, social e econômica dos povos indígenas”, 

explica o secretário de Turismo Hercy Filho.

O secretário destacou ainda, o compromisso do governo com a criação da Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais. Além de inventários e capacitações, a Secretaria de Turismo tem estimulado a parceria entre aldeias e operadoras de turismo e levado a cultura indígena para eventos nacionais, como a ABAV Expo 2023, realizada no Rio de Janeiro.

Povos do Tocantins

No Tocantins, o IBGE estima uma população com cerca de 15 mil indígenas, distribuídos entre as etnias Karajá, Xambioá, Javaé (que formam o povo Iny), Xerente, Apinajè, Krahô, Krahô-Kanela, Avá-Canoeiro (Cara Preta) e Pankararu. Cada povo tem sua língua e tradições, sendo que alguns desses povos já vivem ou viveram experiências com o turismo.

É o caso dos Karajá da Ilha do Bananal, que atraem visitantes interessados em seus rituais e no artesanato. Eles formam o povo Iny (pronuncia-se ‘inã’), juntamente com os Karajá-Xambioá (ou apenas Xambioá) e Javaé, que também habitam a Ilha e recebem praticantes da pesca esportiva em seus lagos ricos em tucunarés e outras espécies apreciadas pelos esportistas. 

Katharina Brazil percorreu mais de 2 mil quilômetros até a Ilha do Bananal para ver um ritual Karajá. Foto: Mazim Aguiar/Governo do Tocantins

Conhecidos como “os senhores do cerrado” e por sua alegria genuína, o povo Krahô habita terra indígena situada na região de Itacajá e Goiatins. A Aldeia Manoel Alves já realizou parceria com operadora de turismo antes da pandemia e outras aldeias recebem visitantes esporádicos.

Assim como os Javaé, os Krahô-Kanela também buscam oportunidades para receber pescadores em sua terra, localizada em Lagoa da Confusão. Este povo alega descendência de duas etnias distintas, Krahô e Kanela, sofrendo um processo de dizimação e aculturamento. Hoje, este povo busca uma retomada dos conhecimentos tradicionais e de sua base cultural, incluindo a revitalização da língua materna.

Também com algumas experiências no etnoturismo, o povo Xerente – que se denomina Akwê, “gente importante”, “indivíduo” – vive na margem direita do rio Tocantins, perto da cidade de Tocantínia, na Terra Indígena Xerente. Apesar da proximidade com a capital, cerca de 80 km, este povo luta pela preservação de suas tradições e festas, destacando-se pelo artesanato com palhas e capim dourado.

O povo Apinajè, que se autodenomina Panhi, sobrevive da agricultura de subsistência, da caça, da coleta de babaçu e do artesanato. Sua terra abrange os municípios de Tocantinópolis, Maurilândia, Araguatins e Lagoa de São Bento, na região norte do Estado.

Povo Krahô também registra experiências com o etnoturismo. Foto: Seleucia Fontes/Governo do Tocantins

Os Avá-Canoeiro autodenominam-se Ãwa, que significa gente, pessoa, ser humano. Na região do Araguaia, são mais conhecidos como Cara Preta. Foram vítimas de um processo de dizimação e hoje vivem em pequenos grupos dispersos em aldeias Javaé e Karajá, além de um grupo isolado dentro do Parque Nacional do Araguaia (Ilha do Bananal).

Por fim, o grupo Pankararu existente no Tocantins está localizado nos municípios de Figueirópolis, no assentamento Vale Verde, e em Gurupi. São indígenas originários do sertão de Pernambuco, da aldeia Brejo dos Padres, e há cerca de 40 anos migraram para o antigo norte goiano, expulsos pela ação de posseiros, conquistando reconhecimento local.

​Parceria busca estimular desenvolvimento socioeconômico sustentável na Amazônia

Acordo entre o MMA e o BB visa apoiar projetos de bioeconomia na região.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Banco do Brasil (BB) firmaram um acordo de cooperação técnica para estimular o desenvolvimento socioeconômico sustentável de comunidades da região amazônica. A assinatura ocorreu no primeiro dia do workshop ‘Impulsionando a Sociobioeconomia da Amazônia’, dia 18 de abril, no Parque Zoobotânico Mangal das Garças, em Belém (PA).

O objetivo é promover o fortalecimento e a inclusão produtiva de associações e cooperativas a partir de projetos de bioeconomia. A parceria terá como base o Plano Nacional de Sociobioeconomia, em elaboração pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, e com previsão de lançamento para este ano.

A iniciativa do governo federal é para aproximar o sistema financeiro da realidade dos povos e comunidades tradicionais. A articulação promoverá educação financeira, assistência técnica e oferta de crédito, sob a perspectiva integrada das cadeias de valor da sociobiodiversidade.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A parceria dará apoio técnico e financeiro a projetos de bioeconomia que respeitem as boas práticas ambientais e a cultura locais. O uso de tecnologias sociais e ações nas áreas de geração de renda, educação e meio ambiente serão prioritários.

O workshop foi promovido pelo BB e o Instituto Clima e Sociedade. Os dois dias de evento reuniram instituições financeiras, empresas-âncoras, empreendedores e representantes da sociedade civil e do governos.

“Com esse acordo vamos ampliar as estratégias de distribuição de crédito. O banco tem uma capilaridade muito grande nas várias cadeias do agronegócio, mas para a bioeconomia precisamos trabalhar as especificidades e uma estrutura dedicada”, 

afirmou a secretária Nacional de Bioeconomia do MMA, Carina Pimenta.

Segundo a secretária, técnicos do MMA e do banco cooperam para definir estratégias que não tratam apenas da concessão de crédito, mas de assessoria técnica às associações, cooperativas e empreendimentos que serão beneficiados.

O vice-presidente de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, destacou a importância que a instituição dá à bioeconomia na Amazônia. 

“Essa é uma solução de preservação para a Amazônia, respeitando o meio ambiente, trazendo práticas sustentáveis e, ao mesmo tempo, incentivando uma nova forma de economia para a região”,

afirmou.

As articulação para a assinatura do acordo de cooperação técnica começaram durante a COP28, no fim do ano passado em Dubai, no Emirados Árabes Unidos. Na ocasião, o MMA assinou protocolo de intenções para formalizar a parceria.

Desde fevereiro, foram realizadas várias reuniões entre Banco do Brasil e MMA para construção da parceria, que busca resolver gargalos históricos no acesso ao crédito para as cadeias da bioeconomia e da sociobiodiversidade. Há atenção especial para os públicos-alvo mais sensíveis, como empreendimentos que envolvem povos indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais e agricultura familiar, entre outros.

Resultados esperados incluem a formação de rede de agentes de crédito socioambiental, uma das principais estratégias para promover educação financeira, orientação para acesso a crédito integrado aos sistemas produtivos e assistência técnica para organizações econômicas da cadeia de bioeconomia.

Espera-se ainda o desenvolvimento de inovações nos serviços financeiros oferecidos para as cadeias da sociobiodiversidade, com apoio à inovação tecnológica, à certificação de produtos da sociobiodiversidade, à restauração produtiva e à transição agroecológica dos sistemas alimentares. Busca também apoio ao monitoramento ambiental, condição para atestar a sustentabilidade do manejo dos recursos naturais, entre outros objetivos.