Na Amazônia, como regra, fazer educação não é algo simples. Das 616 escolas da rede estadual de ensino do Acre, mais de 200 estão localizadas em aldeias de municípios como Sena Madureira, Tarauacá, Feijó, Jordão, Santa Rosa do Purus, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Assis Brasil.
Em uma dessas escolas, a Tekahayne Shanenawa, na aldeia Morada Nova, no município de Feijó, trabalha o professor Cileudo Shanenawa, que atua há 17 anos na educação e iniciou ensinando alunos do ensino fundamental, anos iniciais. Atualmente atua como coordenador administrativo.
Cileudo é um dos 548 professores indígenas da rede pública de ensino do Acre. Somente na escola em que ele trabalha são em torno de 173 alunos, desde o ensino fundamental, anos iniciais, passando pelos anos finais, até o ensino médio.
O educador conta que, na época, faltavam pessoas para preencher o cargo de professor. Por isso, acabou aceitando o convite para ministrar aulas na escola. “Fui convidado porque me dedicava aos estudos e era ativo nas reuniões e nas mais diversas atividades realizadas na nossa aldeia”, relata.
Foto: Cileudo Shanenawa/Acervo pessoal
A partir do trabalho realizado em sala de aula, resolveu concluir os estudos. Cursou o ensino médio e posteriormente a graduação em uma universidade particular, obtendo licenciatura plena em geografia.
Em sala, já chegou a ministrar aulas na língua nativa. Conta que ainda não realizou todos os seus sonhos na educação. “Ainda pretendo me especializar, quero fazer mestrado e doutorado, para ajudar na educação das pessoas e da minha aldeia”, diz.
Segundo o professor, a escola é fundamental na vida social e cultural da aldeia, porque é lá que se resguardam as tradições do Povo Shanenawa, sobretudo se se levar em consideração o fato de a aldeia estar próxima à cidade de Feijó.
“A escola é o lugar onde a gente pode resguardar as tradições do nosso povo, pois podemos realizar um ensino voltado para a nossa realidade; isso é garantido por lei, embora a gente também tenha que trabalhar as questões da sociedade que estão a nossa volta”, explica.
O professor também ministra aulas práticas voltadas à cultura do seu povo, o que fortalece a identidade e transmite a força da sua ancestralidade.
Ativo desde os anos 70, o Porto do Itaqui, no Maranhão,é um dos mais importantes portos públicos da América Latina, integrando um dos maiores complexos portuários organizados do Brasil, que tem se tornado uma eficiente conexão logística, em razão da sua eficaz infraestrutura multimodal, tendo uma das maiores movimentações de cargas do Brasil.
Além da contribuição para o desenvolvimento da atividade portuária de São Luís e do país, o Porto do Itaqui tem atravessado a história de muitos brasileiros, seja por meio da oferta de empregos, seja pela diversidade cultural gerada pela migração de pessoas de diferentes regiões do estado e do país em seu entorno.
Por meio da história oral, acessando a memória de quem fez parte de um evento, o projeto de extensão “Aportando nas Águas da Memória: escutar, conhecer, contar e preservar histórias de vidas do Itaqui”, desenvolvido no Laboratório de Extensão, Pesquisa e Ensino em Geografia (Lepeng), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), iniciou-se uma jornada de conexão entre o passado e o presente, resgatando a memória de trabalhadores da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), empresa responsável pela gestão do Porto do Itaqui, com o intuito de preservar as contribuições da comunidade portuária e manter viva a sua história.
“Sendo um dos portos mais importantes da América Latina, o Itaqui tem grande relevância na história ludovicense. Sua localização, utilizada como área de fundeio, conta muitas histórias, assim como aqueles que ali trabalham e trabalharam ao longo dos anos, histórias essas não vinculadas apenas à economia local, mas ao modo de atuação, ao lugar, à paisagem natural e ao mítico e cultural, muito presente ainda hoje e por vezes desconhecidos, tanto pela comunidade externa, quanto pela portuária. Com este rico patrimônio cultural construído no cotidiano portuário, é de profunda necessidade que todo esse material histórico seja documentado e divulgado a fim de que possa se perpetuar”, observa Ronaldo Sodré, coordenador do projeto.
Ao preservar essas memórias e resgatar outras tantas não documentadas, que estão vivas nos bairros e nas comunidades do entorno, o projeto “Aportando nas Águas da Memória” também vai revelar as percepções e vidas construídas em ligação com o porto, além de potencializar as características de pertencimento dos trabalhadores que por ali passaram e daqueles que agora contribuem com a existência e ampliação de atividades. O projeto será acompanhado de perto por crianças e jovens das proximidades, conciliando a realidade vivida no porto pelas novas gerações ludovicenses.
Além dos trabalhadores que construíram e ainda constroem a história do Porto do Itaqui, outra participação efetiva é a comunidade escolar do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) – Tamancão, que vai participar de oficinas, da aplicação de questionários, da documentação e divulgação dos resultados da pesquisa. Segundo Ronaldo, a escolha da escola levou em consideração a história da escola, sua localização geográfica e o fato de os estudantes serem moradores da Área Itaqui-Bacanga. O projeto conta com cinco estudantes bolsistas do IEMA-Tamancão.
Na última semana, os alunos do IEMA-Tamancão participaram da primeira oficina do projeto, com o intuito de prepará-los para fazer entrevistas com moradores do Itaqui-Bacanga, como explica o coordenador do projeto: “Fizemos essa primeira oficina, mas ainda teremos outras, a próxima será sobre cartografia. Também teremos oficina de história oral e de técnicas de entrevistas. A ideia é que eles busquem fazer entrevistas com moradores do Itaqui-Bacanga, que possam contar histórias sobre o processo de formação dos bairros e também da relação com o Porto do Itaqui. O projeto tem sido muito interessante porque está havendo uma troca de informações, os estudantes estão envolvidos, assim como toda a comunidade escolar, os professores, técnicos e pais estão participando ativamente de todas as etapas”.
Para Marivânia Pinheiro, aluna do IEMA Tamancão, o projeto “Aportando nas Águas da Memória” traz novas possibilidades e oportunidades.
“Está sendo muito importante para mim, é bom a gente ver que a gente está tendo a possibilidade de ter oportunidades de aprender coisas novas, eu estou vendo coisas que eu ainda não tinha visto [..] que talvez eu não teria a possibilidade de aprender se eu não tivesse entrado nesse projeto. Também saber que eu vou poder ter o contato com outras pessoas, conhecer histórias novas, isso para mim é muito importante, eu gosto muito de ouvir as pessoas.Com o que a gente praticou hoje, eu mesma puder ver coisas que eu não percebia. Isso me trouxe bastante benefício, e acredito que vai continuar trazendo ao longo do tempo”, comentou Marivânia.
A professora de Geografia do IEMA Tamancão, Lidiane Vasconcelos, vê o projeto como uma oportunidade de aproximar os alunos da educação básica da iniciação científica.
“A gente vê esse projeto como um grande incentivo, como um projeto que vem para ampliar, para abrir as portas do conhecimento e para trazer os alunos da educação básica para a iniciação científica. E a gente vê quão importante é a gente conhecer a história do nosso entorno e aí a gente tem aqui a parceria UFMA e Porto do Itaqui, trazendo essa oportunidade para que os meninos estudem, para que os meninos busquem, para que os alunos conheçam a história, conheçam a influência, quanto o Porto influenciou aqui na comunidade, aqui na sua região”, destacou a professora.
“Aportando nas Águas da Memória: escutar, conhecer, contar e preservar histórias de vidas do Itaqui” conversa com as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) em específico com a de número 8, que diz respeito ao Trabalho Decente e Crescimento Econômico. E conta com o financiamento da EMAP e Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).
O dia 31 de outubro é conhecido como Halloween ou Dia das Bruxas, uma data tradicional celebrada em países como Estados Unidos, Irlanda e Canadá. A tradição consiste em se fantasiar como figuras que representam filmes de terror ou histórias de suspense. No Brasil, a festa também é bastante popular e diversas celebrações como o Baile de Halloween da Sephora, em São Paulo, se tornaram tradição.
Evento anual que reúne os famosos, o baile aconteceu no Hotel Unique, em São Paulo, na noite do dia 11. E, este ano, a cunhã-poranga do boi-bumbá Garantido, de Parintins (AM), Isabelle Nogueira, foi uma das convidadas. Ela participou do evento usando uma fantasia que remete à uma das principais lendas amazônicas: a Matinta Perera.
Evento anual que reúne os famosos aconteceu no Hotel Unique, em São Paulo, na noite do dia 11.
Na Amazônia, existem diversas lendas sobre figuras que protegem a natureza, como o curupira, a Iara, o Mapinguari, e a icônica bruxa Matinta.
Ela é retratada como uma mulher que se transforma no pássaro rasga-mortalha, para amedrontar as crianças e os moradores locais com o seu assobio estridente.
A lenda conta que à noite é ouvido um assobio agudo que acaba assustando crianças e adultos, até que o morador da casa prometa tabaco ou fumo à bruxa. Ao ouvir o assobio, a pessoa deve dizer: “Matinta, pode passar amanhã aqui para pegar seu tabaco”.
Já no dia seguinte, uma velha aparece na residência onde a promessa foi feita, a fim de apanhar o fumo. A senhora é a pessoa que carregaria a maldição de ‘virar’ Matinta Perera, ou seja, à noite, ela se transforma no ser indescritível que assombra as pessoas.
Caso o dono da casa não cumpra a promessa, Matinta amaldiçoa todos os moradores da casa, com doenças ou até mesmo com a morte.
Isabelle Nogueira acabou explicando em suas redes sociais a escolha da personagem, o que viralizou em diversos perfis:
A Matinta Perera pode ser de dois tipos: com asa e sem asa. A que tem asa pode transformar-se em pássaro e voar nas cercanias do lugar onde mora. Enquanto, a que não tem, anda sempre com um pássaro, considerado agourento, e identificado como sendo ‘rasga-mortalha’.
Há quem conte que a sina de se transformar na Matinta é passada de mãe para filha, mas caso a mulher não tenha herdeiras, a bruxa, quando está para morrer, sai perguntando: “Quem quer? Quem quer?”.
Se alguém responder “eu quero”, pensando se tratar de alguma herança de dinheiro ou joias, recebe na verdade a maldição de se tornar a próxima Matinta Perera.
A bruxa amazônica também foi a escolha da influenciadora paraense Theulyn Reis:
O grupo de pesquisa do Laboratório de Medicina Tropical (LabMedt), da Universidade Federal do Acre (Ufac), realiza pesquisa com triatomíneos (insetos conhecidos como barbeiros, transmissores da doença de Chagas) capturados em residência e ambientes urbanos do Acre. Artigo desenvolvido durante o mestrado de Manoella da Silva Moura no programa de pós-graduação em Ciência da Saúde na Amazônia Ocidental destacou-se por descrever a ocorrência de barbeiros do 2º ao 13º andar de residencial urbano em Rio Branco.
Os espécimes foram coletados na capital acreana no período de julho de 2022 a junho de 2023 por moradores dos apartamentos e foram entregues ao setor de vigilância entomológica da cidade. Segundo o professor Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti, que lidera o grupo de pesquisa com a professora Mariane Albuquerque Lima Ribeiro, trata-se de um fato inédito para a ciência, pois esse tipo de vetor nunca tinha sido encontrado em andares tão altos.
O artigo foi publicado, em inglês, na “Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical”, com o título “Voando para a Lua: Relatos Impactantes da Invasão de Triatomíneos do 2º ao 13º Andar de um Edifício Residencial Urbano no Município de Rio Branco, Acre, Brasil”.
Ele contou que a ocorrência de barbeiros em apartamento foi descrita em outros artigos publicados pelo LabMedt.
“Porém, o que chamou a atenção nesse estudo foi a ocorrência em andares tão altos, como 10º, 11º e 13º, o que gera uma preocupação, visto o risco de transmissão vetorial da doença de Chagas, que é um problema atual para o Estado e infelizmente ainda negligenciado”.
No Estado do Acre, além dos apartamentos, barbeiros também foram encontrados em residência de municípios, como Cruzeiro do Sul e na capital Rio Branco. Para Meneguetti outro achado preocupante foi a ocorrência de barbeiros em locais “atípicos”, como penitenciária, hospital, posto de saúde, igreja e escola.
“Acredita-se que esse aumento de barbeiros nesses locais se deve ao aumento do desmatamento e queimadas no Estado, destruindo assim o habitat desses vetores, que, ao procurarem novos abrigos, são atraídos pelas luzes das construções”, concluiu o professor.
Diversidade é uma das mais marcantes características da Amazônia e sendo o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR) um Tribunal amazônico, suas ações buscam cada vez mais refletir essa diversidade. Por isso, o TRT-11 produziu o ‘Manual do Trabalhador Amazônico’ em formato de história em quadrinhos e em três línguas: português, espanhol e nheengatu (para os povos indígenas). O lançamento ocorreu em 11 de outubro, no Fórum Trabalhista de Manaus (AM).
Para o presidente do Tribunal, desembargador Audaliphal Hildebrando da Silva, o lançamento do ‘Manual do Trabalhador Amazônico’ é mais uma ação inclusiva que atende desde o trabalhador residente nos centros urbanos e nas capitais de Roraima e Amazonas até os refugiados venezuelanos e os povos indígenas. “Todos merecem um tratamento digno, respeitoso, que permita o acesso aos seus direitos. Por isso fizemos esse Manual”, comemora.
Rodas de conversa
Representantes de várias etnias foram convidados a participar do evento e integrar as rodas de conversa, promovendo uma troca de saberes que abrange tanto os aspectos legais quanto os culturais dos direitos indígenas.
Líderes como Ismael Munduruku Franklin Gonçalves, cacique geral do Parque das Tribos; e Fábio Cardoso Munduruku, coordenador regional substituto da Fundação Nacional do Indígena (Funai), foram alguns dos convidados.
Sobre o Manual
A publicação do Manual do Trabalhador Amazônico faz parte de um esforço coletivo. Idealizado pelo desembargador Audaliphal Hildebrando da Silva, a edição tem roteiro da juíza Carolina França e foi confeccionado por artistas do coletivo de ilustradoras de Manaus, o “Má Tinta”.
A diagramação é de Lílian dos Reis e Silva e colaboração de Lorena Souza de Souza (layout e storyboard), Viviane Feitoza Cavalcanti (ilustrações e capa), Hirlaine Vasconcelos de Lima (ilustrações) e Aivlis Nicole Matos de Souza (colorização). A servidora Laís Reis coordenou o trabalho do coletivo e fez a revisão final.
O manual reconhece a diversidade da força de trabalho na Amazônia, incluindo os povos originários e imigrantes venezuelanos, e busca oferecer orientações para a proteção de grupos vulneráveis. Com versões em português, espanhol e nheengatu, a obra estará disponível tanto de forma impressa quanto digital, acessível por QR code, promovendo a inclusão e o fácil acesso à informação.
noturno, intervalos inter e intrajornada, orientações sobre o que fazer em caso de acidente de trabalho. Sobre normas de saúde e segurança no trabalho, como o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), adicional de periculosidade e insalubridade. Também fala sobre a proibição do trabalho infantil e sobre a aprendizagem. Na revista são disponibilizados os contatos de órgãos trabalhistas competentes para obter maiores informações.
Entre janeiro e 09 de outubro deste ano, Rondônia registrou 9.979 focos de incêndios, de acordo com dados do “Programa Queimadas” do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Um aumento de mais de 34% em relação ao ano todo de 2023, quando 7.417 focos foram registrados.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que a última chuva significativa observada no estado foi no dia 08 de outubro, na região central do Norte do estado, com acumulados em torno de 25 a 30mm/h. Apesar disso, o cenário crítico de queimadas ainda é uma realidade no estado.
Somente nos primeiros nove dias de outubro foram 635 focos registrados pelo Inpe. Esse número é maior do que o registrado nos seis primeiros meses deste ano, quando juntos somaram 465 focos de incêndio. No cenário nacional, Rondônia ocupa a oitava posição entre os estados com maior número de focos de queimadas do país em 2024.
Fumaça e os prejuízos à saúde
Quem tem problemas respiratórios sofre ainda mais com tudo isso. É o caso da Isabelly Oliveira, ela tem 23 anos e foi diagnosticada com asma 5 anos atrás. Diante da cortina de fumaça que cobriu o céu do estado, ela sentiu de perto os impactos.
“Me impactou muito nas atividades do dia a dia, como sair de casa para ir trabalhar, academia e jogar basquete. Coisas que antes eram ‘normais’ me deixavam mais cansada com dor de cabeça e ardência nos olhos. Era difícil até para dirigir, como eu tenho asma tive que fazer mais uso da bombinha e inalação pelo menos três vezes ao dia, além de incluir umidificador nos lugares onde fico mais tempo, como o trabalho e em casa”, relatou.
A dona Maria do Perpetuo Socorro Santana de Castro, de 66 anos de idade, teve que voltar a um hábito antigo, muito comum no tempo da pandemia de Covid-19: a máscara.
“Deixei de ir aos meus compromissos na igreja, passeios com a família e atividades ao ar livre. E quando tinha que sair usava máscara para me proteger. Tenho bronquite asmática e com a fumaça minha saúde agravou, tive sangramento no nariz e cheguei até a ficar internada”, conta.
De acordo com o Ministério da Saúde, a fumaça das queimadas contém gases tóxicos e partículas de fuligem que podem causar diversas doenças respiratórias e pulmonares. A médica pneumologista, Ana Carolina Terra, explica como a exposição à fumaça pode ser tóxica para a saúde, principalmente para os mais vulneráveis como idosos, crianças e pessoas com problemas respiratórios.
“Estamos falando de liberação de monóxido de carbono e outros diversos compostos químicos que ficam suspensos no ar, o que pode causar uma série de enfermidades. Quem já tem doenças cardiopulmonares e pulmonares, como rinite, sinusite, bronquite, asma, entre outras, deve redobrar o cuidado. Para evitar complicações alguns cuidados incluem umidificar o ar, evitar a exposição a fumaça, hidratação, além do uso de máscara quando estiver em exposição, isso pode colaborar diretamente na melhor qualidade do ar e saúde respiratória”.
Outros impactos
Se para os seres humanos as sequelas são grandes, para os animais a situação não é diferente. Em meio às queimadas eles fogem em busca sobreviver, mas muitos não conseguem. Dados do monitoramento do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia, entre junho, quando os focos de queimadas foram intensificados no estado, até o dia 08 de outubro, apontam que ao menos 423 animais foram mortos em meio a incêndios florestais. O biólogo, Flávio Terassini fala sobre o impacto das queimadas para a biodiversidade.
“Imagine a quantidade de insetos, aves, mamíferos, herbívoros, enfim, a infinidade de animais que acabam sendo prejudicados durante os incêndios florestais que acabam morrendo. A gente acompanha como essa frequência das queimadas está cada vez mais se prolongando, isso tende a ter uma perda maior, com isso infelizmente a gente tem espécies deixando de existir”, afirma o biólogo.
Foto: Reprodução
As queimadas também afetam diretamente a agropecuária, reduzindo a oferta de alimentos como carne, grãos e derivados. A saca de açúcar, por exemplo, sofreu uma queda significativa de produção devido à queima de plantações de cana.
De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços já estão subindo: o leite aumentou até 32,1% entre julho e agosto, o café subiu 4,02% e a carne bovina também foi impactada pelas queimadas. Veja:
Arroz: +30,13%
Tomate: +19,58%
Alface: +15,51%
Ovo: -8,09%
Batata: +69,90%
Carnes: +2,84%
Linguiça: -1,43%
Feijão: -17,45%
Leite: +32,1%
Mamão: +17,58%
Banana: +11,37%
Queijo: +5,41%
Café: +4,02%
Açúcar: +3,70%
Carnes: +2,84%
O economista, Otacílio Moreira Carvalho, explica que em Rondônia houve redução de estimativa da produção na safra 2024, estimada em 2,5 milhões de sacas, 16,4% menor do que a obtida na safra de 2023.
“Isso se dá pela mudanças da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na metodologia de apuração da área plantada com café, devido ao ajuste nas estimativas de área total, em razão do trabalho de mapeamento do parque cafeeiro que a referida instituição vem fazendo no estado. Mas cabe destacar que condições climáticas desfavoráveis também contribuíram para essa queda na produção. Como a safra é de um ano para o outro, em razão da forte estiagem que passa o estado e o país, o grande problema será para a safra 2024/2025, onde está ocorrendo um atraso no plantio de grãos, em especial a soja, e isso poderá trazer queda na produção em 2025 ”, disse.
O que está sendo feito?
Para enfrentar, monitorar e prevenir os incêndios criminosos no estado, o Ministério Público de Rondônia (MPRO) deflagrou a Operação Temporã, um movimento que visa combater crimes ambientais em áreas de reserva como o parque estadual Guajará-Mirim e a Estação Ecológica Soldado da Borracha e em outras regiões do estado tomadas pelo fogo.
A Operação foi deliberada pela Força Tarefa de Combate aos Incêndios Florestais, criada para atender uma solicitação do MPRO, após reuniões com diversas instituições ambientais e forças de segurança do estado.
A missão é composta por agentes do Ibama, Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Militar Ambiental, Comando de Fronteira do Exército, Secretaria de Desenvolvimento Ambiental, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Politec com o apoio de mais de 300 agentes.
Através dos canais de denúncias do MPRO como o Balcão Virtual ou ligando para o número 127, a população pode contribuir para reduzir os crimes ambientais.
De acordo com o promotor de justiça do MPRO e coordenador do grupo de atuação especial do meio ambiente, o Gaema, Pablo Hernandez Viscardi, o principal objetivo é atuar com medidas preventivas para que este cenário não se repita nos próximos anos.
“Desde o começo de agosto, quando a gente detectou que os focos de incêndio aumentaram significamente no estado de Rondônia, nós percebemos que até então todo o planejamento que tinha sido produzido estava sendo insuficiente por conta da situação extrema que estávamos vivenciando. Foi aí que surgiu, junto aos demais órgãos de combate à queimadas e incêndios, a força-tarefa chamada Operação Temporã. Creio que agora há de fato uma política pública de combate, embora tardia, mas que existiu e que sirva de lição para que no ano que vem a gente comece a planejar e executar as ações desde fevereiro. Principalmente, para que a gente previna o início dos focos de incêndio, a nossa atuação precisa ser preventiva e é para isso que o MPRO vai lutar ano que vem, uma atuação efetiva preventiva”, destacou.
Outras ações de combate
Combate a queimadas em Rondônia. Foto: Divulgação/Secom RO
No final do mês de agosto, o Governo do Estado decretou a suspensão do uso do fogo para combater queimadas. O Decreto nº 29.428 afirma a suspensão do uso do fogo em todo o estado por um período de 90 dias. Além disso, a contratação de mais 126 brigadistas temporários foi incluída nas ações.
O combate aos incêndios florestais também foi reforçado com dois aviões Air Tractor, cada aeronave possui capacidade de 2 mil litros de água e suporte de quatro lançamentos por hora em uma distância de até 80 quilômetros. Com um total de 800 horas contratadas, as novas aeronaves já estão atuando para a diminuição dos danos causados pelos incêndios florestais criminosos em Rondônia.
“Uma revolução no campo!”. É assim que operadores de drone descrevem a chegada da tecnologia em propriedades rurais de Roraima. No município de Mucajaí, ao Sul do estado e onde a pecuária de corte se destaca, a aeronave virou aliada dos criadores de gado.
O drone sobrevoa as áreas de pasto pulverizando produtos agrícolas para eliminar as plantas daninhas que comprometem a qualidade das plantas forrageiras, espécies usadas para alimentar os animais, principalmente o gado.
Segundo o piloto de drone Marcos Junior, além da pulverização, é possível também fazer a dispersão de sementes de pastagem, o que representa uma vantagem na produção de alimento para o rebanho.
“Com o drone nós podemos fazer o mapeamento de qualquer tipo de área, fazendo um plano de voo e aplicamos defensivos e adubos de forma mais precisa na área”, explica Marcos Junior.
Os drones agrícolas estão diretamente ligados à chamada agricultura de precisão. O método busca otimizar os recursos, evitando desperdício de produtos ou perdas nas áreas de produção.
Foto: Oséias Martins/Amazônia Agro
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Brasil tem cerca de 2,5 mil drones destinados à agricultura. Em Roraima, o número de profissionais e empresas que atuam no setor teve crescimento, conforme explica o técnico especializado em drone, José Iran.
“O mercado dos drone está com muita procura em Roraima. Tem muitas pessoas vindo de fora para trabalhar com isso aqui e os fazendeiros estão comprando o equipamento”, diz José Iran.
Para Marcos Junior, a aeronave pode ser usada em diversos tipos de culturas agrícolas e executa atividades como monitoramento de lavouras, aplicação precisa de insumos e geração de dados que otimizam as atividades no campo.
“Essa tecnologia é bastante versátil e serve para aplicação de produtos em plantações de grãos, frutas, hortaliças e pastagens”, ressalta o piloto de drones.
Foto: Oséias Martins/Amazônia Agro
Comparado a outros métodos de pulverização, o drone pode ter melhor custo benefício e atende pequenos e grandes produtores. Os desafios do uso são o tempo de voo e a capacidade de carga limitada. A bateria de alguns dura 3h.
Apesar disso, a tendência é que o uso de drones agrícolas continue ganhando espaço nas áreas de produção de Roraima. A expectativa dos produtores é de que o equipamento contribua para uma agricultura mais moderna e eficiente.
Uma recomendação expedida pelo Ministério Público de Rondônia (MP- RO) pede a proibição legal de construção/manutenção de estradas, vias e acessos no interior das Unidades de Conservação (UCs) de Porto Velho. A notificação foi enviada para o Governo de Rondônia e para os Municípios de Porto Velho, Candeias do Jamari (RO) e Itapuã do Oeste.
O documento sugere que seja necessário uma licença ambiental prévia para todas as obras que possam ocorrer nas áreas, assim como estudos preliminares dos impactos dessas construções nas unidades de conservação. O MP-RO também indica a adoção de medidas preventivas de proteção das UCS da capital.
De acordo com o MP-RO, a recomendação faz parte de uma série de atuações do Ministério Público voltadas à recuperação e à proteção das Unidades de Conservação de Porto Velho, que segundo o órgão, vêm sofrendo com desflorestamento, invasões em propriedades extensas e comercialização ilegal de gado.
O Grupo Rede Amazônica entrou em contado com os órgãos citados, mas não obteve retorno até a finalização desta matéria.
O Amazonas registrou o primeiro caso de dengue tipo 3 dos últimos 15 anos, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) na última semana. Os últimos casos da doença por esse tipo haviam sido confirmados entre os anos de 2002 e 2009.
Ainda de acordo com a FVS-RCP, de 1 de janeiro a 26 de setembro de 2024, foram confirmados 6.191 casos de dengue, o que representa um aumento de 67,9% quando em relação ao mesmo período de 2023. Os casos foram confirmados clinicamente pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (LACEN-AM).
A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, ressaltou que as medidas de prevenção da doença devem ser intensificadas, principalmente para que pessoas que já foram infectadas com o vírus tenham outros tipos da doença.
“A dengue possui quatro sorotipos. Pessoas que foram infectadas com outros sorotipos ficam mais vulneráveis a desenvolver a dengue na forma mais grave. Todos nós somos responsáveis pela prevenção, evitando criadouros do mosquito”, destaca a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim.
Vigilância e Resposta
No Amazonas, a FVS-RCP realiza o monitoramento das arboviroses por meio do Plano de Preparação, Vigilância e Resposta para Dengue, Zika e Chikungunya no Amazonas. Além de suporte técnico, capacitações técnicas virtuais e presenciais, a FVS-RCP entrega equipamentos, como veículos, inseticidas aos municípios.
O órgão informa também que os próprios moradores podem realizar os meios de prevenção em casa com medidas como:
Esvaziar garrafas PET, potes e vasos; Guardar pneus em locais cobertos; Limpeza das calhas de casa; Manter a caixa d’água, tonéis e outros reservatórios de água bem fechados; Colocar areia nos pratos de vasos de planta; Amarrar bem os sacos de lixo; E não acumular sucatas e entulhos.
Foto: Nataliel Rangel, Mickael Marques e Thales Lima
Um projeto do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) e da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) está buscando auxiliar na tomada de decisões voltadas para a diminuição dos efeitos das mudanças climáticas na região costeira amazônica. O Observatório Popular do Mar (Omara) iniciou as atividades em 2023 e busca promover acesso a informações sobre o mar amazônico na costa do Amapá.
O Omara envolve as comunidades ribeirinhas na observação dos fenômenos marítimos e como eles influenciam na vida dos moradores. Salinização dos rios, erosão, e inundações são alguns dos problemas enfrentados por essas comunidades.
Atualmente o projeto está na segunda fase, que é de conscientização e divulgação dos dados já coletados. Na primeira etapa a ação reuniu comunitários para explicar sobre os processos e incentivou eles a se engajarem no projeto.
Foto: Nataliel Rangel, Mickael Marques e Thales Lima
Segundo a coordenadora do Omara, Janaina Calado, a identidade do povo do norte está diretamente relacionada com os rios.
“A identidade do povo amazônida está muito relacionado às florestas e rios. Só que a gente tem uma imensa Amazônia costeira marinha, que ainda é muito pouco conhecida e muito pouco conectada à vida das pessoas. Então o Omara permite que a gente conecte essas informações, fazendo com que as pessoas se entendam como populações costeiras”, contou a pesquisadora.
Para o morador da comunidade do Limão do Curuá, Carlos Augusto Ferreira, o monitoramento é muito importante para os trabalhadores do local.
Foto: Nataliel Rangel, Mickael Marques e Thales Lima
“A gente acredita muito nesse processo de acompanhamento das terras caídas aqui na região. Pra nós como produtores, agricultores, extrativistas, isso vai contribuir muito pro nosso trabalho dentro da floresta.” , disse o morador da comunidade.
Atualmente, o projeto possui 11 estações de monitoramento e abrange a região estuarina do Beira Amazonas, o Arquipélago do Bailique e a costa da ilha do Marajó, envolvendo comunidades em Chaves, no canal sul do rio Amazonas, no Pará. Os dados da pesquisa devem ser divulgados em novembro.