O Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é uma atração que combina diversão e aprendizado, oferecendo uma rica experiência cultural e de lazer para crianças e jovens durante as férias escolares. A partir de agora, o os moradores de Porto Velho terão entrada gratuita no complexo turístico, ou seja, não precisarão pagar a taxa de R$ 30 para acessar o local.
A gratuidade contempla munícipes, mediante comprovação de residência, além de estudantes das escolas municipais e estaduais que moram na capital.
No museu, os visitantes têm acesso a um acervo diversificado que narra a história da construção da famosa ferrovia Madeira-Mamoré, além de destacar o surgimento de Rondônia e seus personagens históricos. Entre os itens expostos estão ferramentas usadas na construção e manutenção da ferrovia, documentos históricos, fotografias, móveis, acessórios como bússolas e abajures, além da locomotiva pioneira trazida para a região em 1878.
Visitação gratuita e agendada
A entrada no museu é gratuita, mas as visitas devem ser agendadas pelo site Sympla. Os visitantes podem optar por uma visita guiada, acompanhados por um guia que detalha o contexto histórico das peças, ou por uma visita não guiada.
Normas de Visitação
Para garantir a preservação do acervo e a segurança dos visitantes, algumas normas devem ser seguidas:
Trajes: É proibido circular descalço, sem camisa ou usando capacetes.
Objetos Pessoais: Bolsas e sacolas devem ser guardadas no guarda-volumes, sem custo adicional.
Proibições: Não é permitido portar armas, consumir alimentos ou bebidas dentro do museu.
Fotografias e Vídeos: Permitidos, desde que sem flash ou bastões de selfie.
Pets: A entrada é restrita a cães-guia.
Horários de Funcionamento
Complexo: Terça a domingo, das 10h às 22h.
Museu: Quarta a domingo, das 10h às 18h.
As visitas guiadas são priorizadas para instituições de ensino às quartas e quintas-feiras, com visitas livres entre 12h e 14h. Às sextas, sábados e domingos, as visitas guiadas ocorrem das 10h às 12h e das 16h às 18h, enquanto as visitas não guiadas são realizadas das 12h às 16h.
Cada grupo de visitação tem um limite de 25 pessoas, e há intervalos de 30 minutos entre as visitas não guiadas.
Agendamento para Instituições
Escolas e faculdades podem agendar visitas gratuitas pelo e-mail: museuefmm@portovelho.ro.gov.br. Mais informações estão disponíveis pelo telefone: (69) 98473-6948.
Foto: David Martins/Secretaria de Cultura e Economia Criativa
A Casa das Artes abriu suas portas para receber a exposição “Olho Mágico”, um projeto pioneiro que une arte e educação. A mostra, que faz parte das comemorações pelos 128 anos do Teatro Amazonas, em Manaus (AM), comemorados no dia 31/12, apresenta obras de estudantes que participaram de um projeto-piloto entre os meses de outubro e dezembro, com imersões e oficinas realizadas no espaço do teatro e aulas no Palacete Provincial.
A exposição, que ficará até o dia 2 de fevereiro, está aberta das 15h às 19h, e nos demais dias, de quarta a domingo, das 15h às 20h. O público terá a oportunidade de conferir o talento dos jovens artistas, ao mesmo tempo em que explora a conexão entre a arte e o maior símbolo cultural do Amazonas.
Patrimônio da Humanidade
De acordo com a diretora do Teatro Amazonas, Elizabeth Cantanhede, a exposição também marca um passo importante na preparação para o reconhecimento do teatro como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. “Essa exposição celebra os 128 anos do Teatro Amazonas e é parte de um processo maior, que busca o reconhecimento dos teatros da Amazônia, como o Teatro Amazonas e o Teatro da Paz, como patrimônios da humanidade”, explicou a diretora.
“Esse processo exige etapas importantes, e a principal delas é que a população se aproprie do teatro, vendo-o como um espaço seu, como sua casa, onde pode assistir a espetáculos, conhecer sua história e celebrar momentos marcantes”, pontuouCantanhede.
Foto: David Martins/Secretaria de Cultura e Economia Criativa
A visão do idealizador
O idealizador do projeto, Jorge Kennedy, destacou que o “Olho Mágico” nasceu da observação do desejo da comunidade em se conectar com o Teatro Amazonas.
“Percebi a curiosidade enorme das pessoas em conhecer o teatro de perto, mas muitas não tinham a oportunidade de entrar ou vivenciar o espaço”, destacou. “Decidimos começar pelas escolas, para que os alunos tivessem uma relação mais imersiva com o teatro. A ideia é ampliar o projeto para que mais escolas e estudantes participem no futuro”, afirmou Kennedy.
Bastidores
A experiência foi transformadora para os jovens participantes. Sofia Mafra, do Colégio Estadual Farias Brito, contou que foi uma oportunidade única. “Foi incrível! Eu nunca imaginei participar de algo assim. Era uma mistura de alegria e ansiedade porque tudo era novo. O desafio maior foi conciliar os estudos com os desenhos, mas no final, valeu muito a pena”, relatou.
Para Quinn dos Santos, do Colégio Amazonense Dom Pedro II, os momentos de imersão no teatro revelaram detalhes surpreendentes.
“Descobrir que o Teatro Amazonas foi construído como uma grande maquete, com peças trazidas de várias partes do mundo e montado igual um lego, foi fascinante. E eu também não sabia que o Brasil já teve um período em que falávamos francês por influência cultural. Isso foi muito impactante”, destacou o estudante.
Foto: David Martins/Secretaria de Cultura e Economia Criativa
E Nicolas Seraphim, também do Colégio Amazonense Dom Pedro II, enfatizou a intensidade do projeto. “Foi uma experiência bem intensa, porque exige muito foco e dedicação. Mas, ao final, percebi o quanto aprendi e cresci com essa oportunidade”, comemorou.
Os estudantes também falaram sobre o impacto do projeto em suas perspectivas artísticas. “Pretendo fazer faculdade de artes visuais na UEA e tentar viver disso. Se não der certo, a arte será meu hobby para a vida”, afirmou Sofia. “A arte é mais um hobby por enquanto, mas quem sabe o que o futuro reserva?”, comentou Quinn.
A exposição “Olho Mágico” é uma oportunidade imperdível para quem deseja explorar o talento dos jovens artistas e compreender a importância cultural e histórica do Teatro Amazonas. A mostra pode ser visitada na Casa das Artes até o dia 2 de fevereiro, de quarta a domingo, das 15h às 20h.
Cinco novos projetos de assentamento com capacidade para até cinco mil famílias foram criados no Acre em 2024, segundo um balanço divulgado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Os números foram apresentados na última segunda-feira (30) pelo presidente do órgão, Márcio Alécio. Na ocasião foram apresentados ainda projetos para os próximos anos no estado.
“[Para 2025] nós temos programado de oito a 10 [novos assentamentos] e até 2026 são 20 projetos de assentamento programados a serem criados. Nós arrecadamos mais de 100 mil hectares [de terra], que serão destinadas prioritariamente para regularização fundiária e para criação de novos projetos de assentamento”, anunciou ele.
Em abril deste ano, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, esteve no Acre e anunciou o lançamento de R$ 30 milhões em créditos do Incra para 2024 e a criação de novos assentamentos que deveriam instalar 1,2 mil famílias no interior do estado.
Os assentamentos criados em 2024 foram, segundo Alécio, viabilizados através desses recursos.
Foto: Júnior Andrade/Rede Amazônica AC
O presidente do Incra ressaltou que os contemplados com os projetos além de ter a sua documentação regularizada, poderão ter acesso a várias políticas públicas, o que deve ajudar no desenvolvimento de suas áreas.
“Esse é o nosso compromisso, continuar trabalhando muito para o fortalecimento da agricultura familiar, para a gestão das terras, para regularização. Iniciamos processos de georreferenciamento muito importantes, isso vai permitir a titulação definitiva de famílias a partir do ano que vem e até 2026, e temos trabalhado muito”, afirmou.
Presente na reunião, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, declarou que os projetos de assentamentos criados em 2024 são uma grande conquista, já que há anos não eram feitos no estado.
“O que me preocupava muito é que há 8 anos não se criava projeto de assentamento no Acre. E o número de famílias precisando de uma terra para plantar, para pôr comida na mesa de quem vive nas cidades, nunca para de crescer, porque tem os filhos que agora vem e essa paralisia foi muito ruim”, afirmou ele.
De acordo com Alécio, foi feito um planejamento participativo, da equipe técnica do órgão, junto com os movimentos sociais, para que seja atendida as demanda da comunidade agrícola do Acre.
“Estamos muito esperançosos e otimistas. A partir do momento que a reforma agrária, que a agricultura familiar, ela se estabelece, se fortalece, o nosso estado se desenvolve. A nossa meta até 2026 é contemplar cerca de cinco mil famílias no Acre”, anunciou ele.
O presidente da Apex afirmou que o Incra estava em um momento complicado em anos anteriores e comemorou o que ele classificou como retomada dos investimentos no órgão.
“O Incra está dando dinheiro para as pessoas fazerem sua casa, que é o crédito de instalação. A gente tem áreas sendo demarcadas, áreas sendo arrendadas e projetos novos começando. E isso são as políticas públicas que trazem. O Acre vive uma situação muito crítica do ponto de vista econômico, e com a chegada do presidente Lula a gente está vendo as estradas sendo recuperadas”, finalizou.
Foto: Júnior Andrade/Rede Amazônica AC
Cheia
Jorge Viana comentou sobre a questão climática do estado que em poucos meses viveu secas severas e enchentes devastadoras no último ano, que são objeto de preocupação dos produtores rurais.
“Com a crise climática, agora a gente vive a ameaça dos eventos climáticos extremos o ano inteiro. É seca, é cheia. Antigamente, quando estava um mundo mais equilibrado, mais sustentável, a cada 10 anos, 15 anos tinha uma cheia. Agora os governantes têm que estar preparados todo ano e os planos de contingência, os projetos de apoio às famílias têm que ser também elaborados todo ano”, expôs ele.
O presidente da Apex expressou preocupação com o período de cheia já que o Rio Acre continua subindo e citou que o eventos extremos são uma consequência do modelo econômico insustentável de produção e consumo que o mundo está experimentando.
Foto: Júnior Andrade/Rede Amazônica AC
“O que é lamentável é que pararam de construir casas e tirar pessoas de áreas de risco. Mas eu diria que nós vamos ter que nos preparar para sermos solidários e termos propostas para o agricultor, ribeirinho e para quem vive na cidade, porque os eventos climáticos não são só aqui no Acre ou no Brasil, é no mundo inteiro. O desafio é lutar para ver se a gente mitiga ou diminui os efeitos do clima”.
* Por Hellen Monteiro e Júnior Andrade, da Rede Amazônica AC
Há um tema em ascensão nas pesquisas relacionadas à economia, a política monetária verde. A busca por publicações relacionadas ao assunto rendeu à pesquisadora Kelly Cristina Leal de Almeida Carvalho, do Programa de Pós-Graduação em Economia, com o trabalho “Política monetária verde: uma análise do papel do Green Central Banking na transição para uma economia de baixo carbono” o segundo lugar na Competição 3MT® Teses e Dissertações UFMT – Versão Temas ODS 2024, entregue no IV Seminário de Sustentabilidade na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
A pesquisadora explicou que o trabalho empreende uma revisão de toda a literatura global em torno da política monetária verde.
“É um tema emergente, então a literatura sobre essas políticas, ela vem muito de 2016 para a atualidade e todas de outros países. Quase não temos publicações aqui da América Latina mesmo, não só do Brasil. Então, nós conseguimos criar um quadro que dá publicidade para essas políticas”, relata sobre o conjunto de pesquisas em desenvolvimento na atualidade que estão relacionadas à construção da política monetária verde.
A proposta da pesquisa é de divulgar, mostrar o conjunto de propostas em política monetária verde, de políticas macro prudenciais aí que podem ser utilizadas pelos bancos centrais em todo o mundo.
“Trouxemos um pouco de como que cada uma dessas políticas funcionam, mas assim o resultado final do nosso trabalho ele converge então para essa relação entre como essas políticas podem ser aplicadas a depender da característica do país”, pontua a pesquisadora Kelly Cristina Leal de Almeida Carvalho.
O olhar sobre as diferenças entre os países apontam também para diferentes caminhos nas concepções em torno da política monetária verde.
“Economias emergentes, países desenvolvidos, tem características diferentes, economias diferentes e também vão precisar de políticas adequadas para aquele contexto. O Brasil entra na parte das economias emergentes, então existem mais políticas, o que a gente conseguiu identificar é que existem mais políticas que são compatíveis com economias emergentes como o Brasil”, pontua a pesquisadora.
A respeito da política monetária verde, a pesquisadora ressalta que o país tem diferentes ações na área e que estão presentes no estudo.
“O Brasil tem um destaque sim, ele tem várias iniciativas que constam no nosso trabalho até por conta do agronegócio e de muitas iniciativas. Por exemplo, a energia solar, outras fontes de energia renovável, energia limpa situam o Brasil, nesse papel bem singular diante dos outros países em desenvolvimento”, finaliza.
Tendo em vista a realização da COP 30 na cidade de Belém, em 2025, as Pró-Reitorias de Ensino, de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação e de Extensão do Instituto Federal do Pará (IFPA), publicaram um chamamento interno para a captação de vídeos de projetos de ensino, pesquisa, inovação e/ou extensão onde haja o tema “Combate de mudanças climáticas” e em que um ou mais dos 18 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) sejam o foco das ações ou façam parte dos mesmos.
Os vídeos selecionados farão parte de uma série de vídeos institucionais que serão circulados nas redes sociais em preparação à COP-30. A iniciativa busca promover a publicização de projetos de ensino, pesquisa, inovação e/ou extensão desenvolvidos no IFPA, além de valorizar as ações educacionais que trazem em seu cerne o desenvolvimento regional sustentável.
Podem submeter vídeos os servidores do IFPA que sejam coordenadores de projetos de ensino, pesquisa, inovação e/ou extensão já finalizados e que possuam os temas de mudanças climáticas e um ou mais dos 18 ODS.
A submissão da proposta deve ser feita por meio do envio do formulário de inscrição, devidamente preenchido, juntamente com o envio de um vídeo, de no máximo 2 minutos, mostrando como o projeto alcançou o tema. O período de envio é de 02 de janeiro a 20 de fevereiro, com data a depender da ODS do projeto.
A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) lançou o e-book “Bio(Socio)Diversidade e Pluralidade na Amazônia Sul Oriental”, uma coletânea de pesquisas que destaca a riqueza e a diversidade acadêmica da região. A obra é apresentada como os VIII Anais do Encontro de Pós-Graduação da Unifesspa, realizado em 2023.
O e-book reúne estudos desenvolvidos nos programas de pós-graduação da universidade, abordando diversos temas relacionados à Amazônia Sul Oriental. Os capítulos exploram áreas como desenvolvimento e planejamento regional, educação científica, ensino de ciências e humanidades, história, literatura, sustentabilidade, etnicidade, linguística, entre outros. Assim, o trabalho mostra a interdisciplinaridade e a relevância das pesquisas realizadas no contexto amazônico.
De acordo com o professor Francisco Adriano Carvalho, diretor de pós-graduação da Unifesspa e organizador do eBook, o projeto nasceu do desejo de dar visibilidade aos trabalhos realizados por pesquisadores, professores e alunos da instituição.
A iniciativa, articulada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação (Propit), em conjunto com os programas de pós-graduação da universidade, celebra a dedicação e o esforço da comunidade acadêmica.
“Para muitos discentes, esta é a primeira obra científica publicada que atende a todos os critérios estabelecidos pela Capes. Portanto, é certamente um marco na vida deles”, afirma.
Já para pró-reitorra Gilmara Lima, “o lançamento deste eBook simboliza o compromisso institucional em tornar o conhecimento científico acessível e útil para a sociedade. É fruto da dedicação coletiva de discentes e professores da pós-graduação que se empenham todos os dias para transformar pesquisa em avanço científico e social”.
Museu Casa de Rondon, Vilhena: último posto telegráfico original em Rondônia. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
Há exatamente 110 anos, o coronel Cândido Mariano da Silva Rondon (1865/1958) inaugurava a linha telegráfica que conectava Rondônia ao Brasil, um marco histórico na expedição que durou oito anos e transcendeu a comunicação.
Em 1º de janeiro de 1915, Rondon realizou o feito em Santo Antônio do Rio Madeira, cidade que seria anexada a Porto Velho em 1945. A comissão científica liderada por ele realizou estudos pioneiros em hidrografia, mineralogia, botânica, etnologia, entre outras áreas, possibilitando o reconhecimento do estado de Rondônia.
A expedição Roosevelt-Rondon, realizada entre 1913 e 1914, em paralelo à Comissão Telegráfica, descobriu a foz do Rio da Dúvida, rebatizado como Rio Roosevelt, e produziu um inventário sobre aspectos biológicos, ambientais e sociológicos da região.
Memorial Rondon, Porto Velho. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal
Rondon, indicado três vezes ao Prêmio Nobel da Paz, é oficialmente considerado herói da Pátria e precursor dos direitos humanos. Seu legado inclui políticas indigenistas inovadoras e o reconhecimento internacional como defensor dos povos originários.
Hoje, o Memorial Rondon, em Porto Velho, e a Casa de Rondon, em Vilhena, são lembranças tangíveis da importância histórica de Rondon. O nome “Rondônia” eterniza sua memória, significando “terra de Rondon”, segundo o antropólogo Edgard Roquette-Pinto que criou o neologismo.
Sobre o autor
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) do Amazonas iniciou a expansão dos diálogos a respeito de projetos de carbono em Unidades de Conservação (UC) Estaduais. No dia 18 de dezembro, representantes da pasta estiveram reunidos junto a conselheiros, lideranças e instituições parceiras para tratar sobre as iniciativas dentro do Mosaico do Apuí.
O encontro ocorreu como parte da 21ª Reunião do Conselho Consultivo do Mosaico do Apuí, um agrupamento de nove UC Estaduais, no município de Apuí (a 453 quilômetros de Manaus), no sudeste do Amazonas. A secretária adjunta de gestão ambiental da Sema, Fabrícia Arruda, destaca que a etapa antecede a implementação das iniciativas.
“O Parque é de proteção integral e a Floresta é de uso sustentável, mas é de difícil acesso, ou seja, não há uso direto desses territórios e nem comunidades inseridas. Ainda assim é importante que a gente dialogue com o Conselho do Mosaico, que é um colegiado que discute a gestão dessas áreas, para que o projeto atenda as expectativas deles para as áreas”, disse.
Na reunião, a Sema apresentou o histórico de avanços na Política Estadual de Serviços Ambientais, passando também pela habilitação de Agentes Executores Ambientais e pela seleção de propostas para gerar créditos de carbono a partir de iniciativas de Redução de Emissões do Desmatamento e da Degradação Florestal (REDD) em Unidades de Conservação.
Na prática, os Agentes selecionados poderão desenvolver projetos de conservação associados à geração de renda nas áreas protegidas, centradas em reduzir o desmatamento, evitar a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) e consolidar os Planos de Gestão das Unidades de Conservação. As ações podem contemplar ações de desenvolvimento da bioeconomia, proteção da biodiversidade, fortalecimento das Associações-Mães, atividades socioambientais e outros.
Impacto na ponta
Apenas na Floresta Estadual e no Parque Estadual do Sucunduri, em Apuí, a capacidade de geração de créditos a partir de projetos de REDD+ é superior a 1,3 milhões de toneladas de carbono equivalente (tCO₂e) em 30 anos, o que pode gerar mais de R$ 900 milhões de receita no período.
Com a proposta de promoção de alto impacto social, os recursos captados pela venda de créditos de carbono têm garantia de benefício direto para a UC. Dos recursos captados, os Agentes Executores com propostas habilitadas poderão reter até 15% de taxa administrativa, conforme o Edital nº 002/2023. Do restante, 50% serão obrigatoriamente investidos na UC onde os créditos foram gerados.
Os outros 50% serão destinados ao Fundo Estadual de Mudanças Climáticas (Femucs), para melhorar as estruturas da gestão ambiental e, custear outros projetos submetidos por entes estaduais.
É esperança de impacto para quem está na ponta, segundo o professor José Manuel, presidente da comunidade Barra de São Manoel. “A reunião do Conselho sempre é um aprendizado para nós. Sempre a gente traz alguma coisa de contribuição, e sempre levamos alguma coisa para a nossa comunidade. Penso que esses projetos podem ajudar principalmente aquelas populações que estão mais afastadas, e acredito que o REDD pode melhorar projetos sociais que envolvam saúde, educação e apoio a essas famílias”, destacou.
O secretário de Meio Ambiente de Apuí, Domingos Bonfim, também participou do encontro. Ele destaca a importância do diálogo e as boas perspectivas para o município, a partir dos projetos de REDD+. “É um momento necessário para trazer esclarecimentos para a comunidade, para trazer as informações necessárias, porque é um assunto que no meio técnico já vinha sendo discutido, mas para a população mesmo, é algo muito recente.
“A nossa expectativa é que dê certo, a gente tem certeza de que vai dar certo. É uma necessidade, há de haver uma mudança, há que se trazer alternativas ao modelo de desenvolvimento que está posto”, completou Bonfim.
Etapas seguintes
Neste primeiro momento, a Sema irá reunir-se com as lideranças das Unidades de Conservação que estão aptas a receber as iniciativas. Ao todo, são 21. O objetivo desta etapa é esclarecer as principais dúvidas dos representantes e compartilhar todas as informações requeridas, para que eles iniciem as primeiras discussões a respeito.
Após as reuniões com as lideranças, a partir de fevereiro de 2025, o Estado dará início a um cronograma de reuniões presenciais nas UC selecionadas, para garantir que as decisões sobre os projetos considerem as necessidades e a participação ativa dos moradores.
“É importante destacar que essa é uma fase inicial, de diálogos, para que os comunitários tenham ciência do que está sendo proposto, para decidir sobre os projetos e como eles podem beneficiar os territórios. Só depois dessa fase, o agente implementador será inserido para iniciar a construção coletiva dessas propostas, junto com a Sema e junto com a comunidade em cada área contemplada”, destacou a secretária.
Em linhas gerais, realizadas pela pasta têm o objetivo de consultar as comunidades sobre o interesse, ou não, em receber os projetos de REDD+ nas Unidades de Conservação. Em caso positivo, a Secretaria e o Agente Executor de Serviços Ambientais – habilitado para a área, por meio do Edital nº 02/2023 – vão realizar novas Consultas Livres Prévias e Informadas (CLPI), desta vez, com o intuito de construir coletivamente os projetos junto aos comunitários.
Nascida em 1939, em Xapuri, no coração do Acre, Nazaré Pereira é uma das grandes representantes da música brasileira no cenário internacional. Cantora, compositora, dançarina e atriz, sua trajetória reflete uma mistura de força, talento e dedicação à arte.
A infância de Nazaré foi marcada por desafios. Aos quatro anos, perdeu o pai, um seringueiro, e mudou-se para Belém, no Pará, aos sete anos com a mãe e o padrasto. Na capital paraense, Nazaré se dedicou aos estudos e se formou no magistério, chegando a lecionar por dois anos. No entanto, a paixão pela arte já pulsava forte e, no final da década de 1960, ela trocou as salas de aula pelos palcos ao ingressar em um curso de teatro no Rio de Janeiro.
Nos anos 1970, a atriz decidiu expandir seus horizontes. Com uma bolsa de estudos, Nazaré foi para Nanci, na França, e depois seguiu para Paris, onde fez pós-graduação na renomada Universidade de Sorbonne. Foi nesse período que a música surgiu como um elemento transformador em sua vida.
A carreira musical de Nazaré começou quase por acaso. Para se sustentar na França, ela cantava em pequenos eventos, mas o destino interveio quando sua interpretação de ‘Cheiro de Carolina’, de Luiz Gonzaga, chamou a atenção de um produtor francês. Em 1978, lançou seu primeiro compacto, marcando o início de uma carreira que já soma mais de 40 anos.
Foto: Arquivo Pessoal
Com quase duas dezenas de álbuns lançados, Nazaré Pereira conquistou o público com sua voz única e a mistura de ritmos brasileiros como o carimbó, baião e toada, muitas vezes carregados de referências às suas raízes amazônicas. Sua música transpôs fronteiras e a levou a cantar ao lado de ícones da música brasileira, como Maria Bethânia, Chico César e Luiz Gonzaga, com quem coescreveu ‘”‘Acre Doce'”‘, uma ode à sua terra natal.
A obra de Nazaré não é apenas entretenimento; é também um testemunho cultural. Por meio de suas canções, ela leva o Brasil profundo para os palcos internacionais, celebrando as tradições e a diversidade do país. Hoje, com uma carreira consolidada, Nazaré Pereira é um exemplo de como a arte pode transformar vidas e conectar culturas.
De Xapuri para o mundo, Nazaré Pereira continua a encantar gerações com sua arte e sua história, eternizando o Acre e a Amazônia no coração da música brasileira.
O clima quente e úmido é o mais propício para a reprodução do escorpião. Mas ao longo da evolução milenar da espécie, esses aracnídeos conseguiram sobreviver a toda sorte de intempéries: se adaptaram a diferentes temperaturas e biomas, aprenderam a passar dias sem água e comida e até a se reproduzir sozinhos.
Há evidências do surgimento dos escorpiões há mais de 450 milhões de anos em habitat aquático, quando eles mediam em torno de 1,30 metro de comprimento. Esses primeiros escorpiões aquáticos tinham uma estrutura física semelhante à que os aracnídeos possuem hoje, com adição de brânquias.
“Por volta de 325 a 350 milhões de anos atrás, eles migraram para o ambiente terrestre e ficaram bem menores, com até 23 centímetros”, conta a assistente técnica de pesquisa científica e tecnológica do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan, Denise Maria Candido.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
Quem quer viver para sempre?
Denise, que é bióloga e especialista em escorpiões, aponta uma série de fatores que explicam a adaptabilidade extrema do aracnídeo.
“Eles se mostraram capazes de se manter por aqui mesmo em situações climáticas adversas. É importante entender a função ecológica deles e que eles não são eliminados facilmente”, completa.
Esses animais possuem quatro pares de pernas, um par de pedipalpo (estruturas que lembram pinças) e um par de quelíceras. A cauda ou metassoma tem uma extremidade chamada Telson onde há duas glândulas de veneno e um ferrão. O veneno é inoculado em predadores ou em humanos quando o escorpião se sente ameaçado.
Os escorpiões não são insetos, mas aracnídeos da ordem Scorpiones. Há 2.800 espécies espalhadas pelo mundo, 180 delas no Brasil. De todas as espécies brasileiras, apenas quatro são consideradas de interesse médico (ou seja podem causar envenenamento grave em humanos):
o escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus), mais comum na região Norte e no Mato Grosso;
o escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tityus stigmurus), que ocorre também no Sudeste, Sul e, recentemente no Norte;
o escorpião-marrom (Tityus bahiensis), comum no Centro-Oeste, Sudeste e Sul;
e o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), encontrado em todas as regiões do país.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
“As principais características adaptativas que melhor mostram o sucesso na evolução dos escorpiões são suas poucas transformações morfológicas, e sua grande plasticidade em termos de fisiologia, comportamento e respostas às mudanças ambientais”, descreve Denise Candido.
É um tipo de mágica
Ao longo destes milhões de anos, os escorpiões viveram verdadeiras batalhas épicas de adaptação a diferentes climas e biomas – o que lhes confere um status de “quase invencíveis” em relação à natureza.
“O habitat dos escorpiões é dos mais variados tipos. Eles ocorrem dos desertos às florestas tropicais, do nível do mar às grandes altitudes”, explica Denise.
De fato, escorpiões já foram encontrados em quase todos os ecossistemas terrestres, até mesmo em cavernas, regiões desérticas dos mais variados tipos, sob pedras cobertas de neve e em altitudes de 5.560 metros nos Andes, afirma o Ministério da Saúde.
A alimentação super variada permite aos escorpiões ter mais opções para sobreviver. Eles comem insetos, aranhas, grilos e pequenos vertebrados. Nos ambientes urbanos, se alimentam basicamente de baratas, ajudando no controle destes animais nas cidades.
Por outro lado, são presas fáceis de galinhas, corujas, micos, sapos, morcegos e aranhas. Quando não há comida por perto, conseguem ficar centenas de dias sem se alimentar.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
“Algumas espécies sobrevivem 400 dias sem comida, 87 dias sem água e por volta de 36 dias sem água e comida. Se precisar, comem até outros escorpiões para sobreviver”, afirma Denise.
Tal como o guerreiro escocês imortal, eles também aprenderam a viver na vida mundana e a escalar “montanhas”, migrando facilmente para regiões onde não ocorrem naturalmente.
“Os escorpiões conseguem subir em superfícies rugosas e acessam apartamentos de edifícios, encanamentos expostos ou caixas de luz sem proteção. Também podem ser transportados para outras cidades ou países dentro de produtos em caminhões, barcos e roupas. Nas áreas rurais, os acidentes ocorrem na preparação do solo para o plantio, que é quando os escorpiões são tirados de seu habitat natural”, esclarece.
Essa facilidade do acesso dos escorpiões às cidades e o crescimento urbano desordenado são as principais causas é a principal causa do número crescente de acidentes com o aracnídeo no Brasil e no mundo.
Os escorpiões foram responsáveis por 134 óbitos e por 202.324 acidentes no país em 2023, segundo o Sistema de Informação de Agravos e Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. O estado de São Paulo continua sendo o maior notificador de acidentes escorpiônicos no Sinan, com 48.651 em 2023.
Só pode haver um (a)
A alta reprodutividade é outro fator que implica na onipresença de escorpiões. Em pelo menos 5% das espécies, as fêmeas são capazes de ter filhotes sem a participação de um macho. Esse processo, nomeado partenogênese, ocorre quando os ovos se desenvolvem sem serem fecundados por um espermatozoide.
Detalhe: as fêmeas conseguem manter esse potencial reprodutivo mesmo durante períodos de privação de alimento e água. Algumas conseguem gerar filhotes com mais de 200 dias sem comida.
“As fêmeas do T. serrulatus e T. stigmurus, as espécies mais perigosas que mais ocorrem no Brasil e na América Latina, podem se reproduzir dessa maneira, o que faz aumentar a população de escorpiões, dificultando ainda mais o controle”, alerta a bióloga.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
Não perca a cabeça
Para além da alta capacidade de sobrevivência dos escorpiões, é importante entender que, assim como outros animais, eles têm uma função de controle biológico importante na natureza e seu veneno é matéria-prima do soro antiescorpiônico, produzido pelo Instituto Butantan.
O imunobiológico é administrado para neutralizar o veneno em casos de picada de escorpiões do gênero Tityus (escorpião amarelo, escorpião amarelo do Nordeste, escorpião marrom e escorpião preto).
“Locais com muito lixo ou entulho são abrigos para escorpiões porque é onde eles encontram comida. Evitar o acúmulo é uma forma de controle e de evitar acidentes”, conclui Denise Candido.
Esta matéria foi validada pela bióloga e assistente técnica de pesquisa científica e tecnológica do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan Denise Maria Candido.