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Belém é primeira capital do país a participar do Ciclo de Fóruns Regionais sobre inclusão da cultura oceânica em currículos escolares

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Foto: Divulgação

Com foco em promover o Currículo Azul na Região Norte, a Universidade Federal do Pará (UFPA) recebeu o Fórum da Cultura Oceânica, um espaço estratégico de diálogo sobre a integração da Cultura Oceânica nas políticas públicas educacionais. Este conceito, que conecta o oceano à cidadania, formações profissionais e sustentabilidade, é essencial para preparar nossa sociedade frente aos desafios climáticos e ambientais do presente e do futuro.

A programação representa o início de um processo nacional de discussão de como fortalecer e ampliar a inclusão da cultura oceânica nos currículos escolares do Brasil, nos níveis municipal, estadual e federal.

De acordo com o professor Ronaldo Christofoletti, presidente do Grupo Mundial de Especialistas em Cultura Oceânica da Unesco, a ideia é propor subsídios para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) com base nas contribuições geradas nos encontros, que acontecerão em todas as regiões do país.

O fórum é destinado à elaboração de políticas públicas educacionais, mediante o envolvimento de professores, gestores da área da educação e estudantes, reunindo contribuições e opiniões sobre a forma como esse tema da realidade oceânica deve ser incluído nos currículos escolares.

Segundo Christofoletti, a implementação do Currículo Azul é uma meta estabelecida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para todos os países membros iniciarem suas propostas até 2025. Até o momento, em torno de 20 municípios brasileiros e três estados já aderiram a essas políticas públicas (Paraíba, Ceará e Alagoas), sendo Barcarena, no Pará, o primeiro município no mundo a ter 100% de suas escolas públicas municipais na rede Escola Azul.

O fórum é promovido pela Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, coordenada pelo Programa Maré de Ciência, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). O evento tem o apoio nacional da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), da Rede Clima, do Impo (Instituto Nacional de Pesquisas Oceanográficas), da Fundação Grupo Boticário, do Pulitzer Center e do CNPq, e, em Belém, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Especialização em Cultura Oceânica e Sustentabilidade

A Capes ofertará, via Universidade Aberta do Brasil (UAB), um curso de Especialização em Cultura Oceânica e Sustentabilidade. Serão abertas 1.050 vagas para professores graduados das redes públicas de educação básica atuantes em salas de aula nos ensinos fundamental e médio. A carga horária total será de 360 horas, distribuídas ao longo de três semestres, com início na segunda metade de 2025.

As ofertas dos cursos serão distribuídas em sete Instituições de Ensino Superior de quatro regiões do Brasil, com oferta de 150 vagas em cada um dos cinco polos. Entre as instituições participantes, constam as Universidades Federais do Pará (UFPA), de Alagoas (Ufal), de Pernambuco (UFPE), do Rio Grande (Furg), de Santa Catarina (UFSC) e de São Paulo (Unifesp), além da Estadual do Ceará (UECE). São parceiros, ainda, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

O curso está incluído em uma das quatro dimensões de ações previstas para o enfrentamento às mudanças climáticas pelo aperfeiçoamento do conhecimento das relações das pessoas com o oceano: a Educação. Atuar na educação de base é assegurar que, desde crianças, as pessoas estejam cientes de sua relação com o oceano. As outras se darão em múltiplos sistemas de conhecimento, comunicação e conexões culturais.

“É preciso olhar o oceano que temos, entender a ciência que precisamos para termos o oceano que queremos”, afirmou o presidente do Grupo de Especialistas em Cultura Oceânica da Unesco, Ronaldo Christofoletti. “A Capes, ao propor um curso de formação de professores na cultura oceânica, entende seu papel nessa estrutura”, continuou Christofoletti, que também é coordenador do Programa Maré de Ciência, da Unifesp.

Na edição piloto, o objetivo principal será formar professoras(es) e aprofundar os conceitos relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e à ciência oceânica na formação continuada deles. A consequência esperada é o aperfeiçoamento do trabalho em sala de aula e na comunidade escolar, com incorporação dos conteúdos às práticas pedagógicas.

*Com informações da UFPA

Painel em congresso debate soluções para a gestão ambiental da zona costeira paraense

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Foto: Reprodução/Agência Pará

A gestão ambiental da zona costeira paraense foi um dos temas em debate no 1º Congresso Amazônico de Meio Ambiente, realizado no último dia 11 em Belém, pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas). Durante o painel ‘Desenvolvimento Local e Sustentabilidade da zona costeira paraense: um diálogo necessário’, representantes de comunidades, do poder público, da academia e do terceiro setor discutiram soluções inovadoras e tradicionais para a defesa deste ecossistema. 

Maura de Sousa, gerente sênior de Implementação de Programas da Rare Brasil, destacou a importância ambiental das zonas costeiras.

Legislação para gerenciamento costeiro

Este ano, o governador Helder Barbalho sancionou o Decreto nº 3.835/2024, que regulamenta a Lei Estadual nº 9.064, que em 2020 instituiu a Política Estadual de Gerenciamento Costeiro do Pará (PEGC/PA). Dono do segundo maior litoral do Brasil (1.429,57 quilômetros de linha de costa), considerando apenas os municípios de frente para o Oceano Atlântico, o Pará tem a gestão sustentável desses territórios exercida pela Semas.

A Política estabelece a abrangência geográfica da zona costeira paraense com 47 municípios, onde vivem aproximadamente 40% da população do Estado, em um contexto social de comunidades tradicionais, populações extrativistas, da pesca artesanal, dos centros urbanos da Região Metropolitana de Belém e destinos turísticos importantes para o Estado.

“Dentro da Rare, buscamos um desenvolvimento sustentável para a zona costeira, trabalhando junto com a Semas, comunidades, academia e setor privado. As comunidades costeiras precisam ser valorizadas, não apenas pelo papel que exercem, mas também pelo modo de vida que preservam. Até hoje, temos comunidades costeiras resilientes e devemos apoiar o modo como vivem para garantir sua prosperidade”, garante Maura de Sousa.

Foto: Reprodução/Agência Pará

Brasil tem Brasil tem cerca de 100 mil hectares de zonas costeiras

Os ecossistemas de surf ao redor do mundo conseguem reter carbono, gerar biodiversidade e criar economias sustentáveis. Em picos de surfe de países como a Indonésia, os conselhos de comunidades locais, compostos por pessoas envolvidas com o esporte e a conservação, buscam estratégias de longo prazo para a proteção dessas áreas. O turismo regenerativo é uma oportunidade importante para a conservação das zonas costeiras”, diz a diretora.

José Galvão, produtor de ostras da Vila Lauro Sodré, no município de Curuçá, vive na prática a conservação da zona costeira. Ele representou no painel a Associação de Aquicultores de sua comunidade, que conta com 50 ostreicultores, homens e mulheres conduzindo as atividades de maneira ancestral, trabalhando da mesma forma como faziam seus avós e bisavós. A principal atividade econômica da comunidade é a produção de ostras, utilizando viveiros tradicionais, de forma sustentável. Ele apresentou o projeto Aquavilla, que atua na preservação dos recursos pesqueiros da região.

Banco natural de ostras em Curuçá

O produtor José Galvão, de Curuçá, afirmou: “nós retiramos as matrizes e cada uma gera um milhão de sementes de ostras, que saem para várias associações do Pará. Até hoje não foi descoberto um banco natural como esse. A gente trabalha lá, toda a família faz esse trabalho lá nesse rancho. Esse é o nosso banco natural onde a gente trabalha e preserva junto com a nossa família. Este projeto está sendo abraçado com força e garra. Nós esperamos este projeto por anos e anos, é um sonho nosso”.

“O projeto da Aquavilla está diretamente relacionado à política estadual de mudanças climáticas, à política de gerenciamento costeiro, ao programa de regularização fundiária e à valorização dos saberes tradicionais. A associação tem um impacto positivo na gestão ambiental e está integrada a diversas políticas públicas e programas que buscam promover a sustentabilidade. A associação protege os recursos naturais e garante a preservação do processo reprodutivo das ostras”, destaca Carla Lopes, Técnica em Gestão de Meio Ambiente da Gerência de Gerenciamento Costeiro e Zoneamento Ambiental (GERCOZ) da Semas.

“Em 30 anos de pesquisa, vimos que a ciência tem um papel fundamental na construção de políticas públicas na Amazônia. A produção científica é essencial para fundamentar boas políticas públicas”, garante o professor Otávio do Canto, do Núcleo de Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará (NUMA/UFPA). “Fico contente com os trabalhos apresentados, pois percebo que estamos caminhando na direção correta, com foco na melhoria da qualidade de vida das pessoas. A inovação e o empoderamento social, impulsionados pela ciência, podem contribuir significativamente para o desenvolvimento sustentável”, declara o professor.

*Com informações da Semas-PA

Projeto vai usar ‘assinatura química’ e DNA de árvores para rastrear madeira no Amapá

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Pesquisa da USP e da Ueap na Floresta Nacional do Amapá (Flona). Foto: Divulgação/INCT MRFor

Uma pesquisa inédita no Amapá vai usar o DNA e a assinatura química de árvores para fazer o mapeamento genético de espécie de madeira da Amazônia. A partir dessa identificação, a madeira retirada em florestas da região poderá ser identificada em qualquer parte do país, como em fiscalizações, por exemplo.

O objetivo é evitar desmatamentos e o transporte ilegal. O projeto é coordenado pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) e tem parceria com universidades amazônicas, como a do Estado do Amapá (Ueap).

A coleta inicial no estado ocorreu na primeira semana de dezembro, na Floresta Nacional do Amapá (Flona), que é uma unidade de conservação federal e que tem concessão para manejo florestal. Foram coletadas folhas e troncos de espécies como cumaru, maçaranduba, angelim, cupiúba, ipê amarelo e ipê roxo.

De acordo com Perseu Aparício, pesquisador da Ueap e coordenador do Grupo de Pesquisa e Ecologia de Ecossistemas Amazônicos, após as análises será possível identificar o padrão de origem dessas espécies.

Floresta Nacional do Amapá — Foto: INCT/Divulgação
 Foto: Divulgação / INCT

Também foram feitas coletas de amostras a partir da perfuração de árvores dentro da área de manejo florestal de uma das concessionárias da Flona.

Para Ana Batista, doutoranda no Cena, com os dados será possível a criação de um perfil para produtos madeireiros da Amazônia.

A pesquisadora informou que a Flona é uma área importante para a construção do perfil isotópico para a região, devido a suas características climáticas e de relevo.

Na Amazônia, a metologia já foi usada em outros estados, como destacou a professora Marta Scott, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

“Estou compondo a equipe de coleta de madeira para o projeto. No ano passado, no INPA, nós discutimos a definição de um protocolo de coleta para que seja implementado nos estados da região amazônica. No início do mês de novembro, nós fizemos a primeira coleta na Floresta Nacional do Jamari e agora estamos replicando a metodologia aqui no Amapá”, informou.

Importância do mapeamento genético

A pesquisadora do Cena, Gabriele Rossini Moreira, descreveu que o objetivo é usar o mosaico da composição de solos presentes na região amazônica para identificar de forma precisa a origem da madeira.

Segundo Gabriele Moreira, atualmente, a identificação dessas amostras é feita com base em documentos físicos que são fáceis de serem adulterados. A ideia é utilizar essas características da madeira para dizer, de fato, de onde essa madeira veio, utilizando uma característica que não pode ser adulterada.

Árvore na Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rafael Aleixo/g1 Amapá

A ideia ao fim do projeto é consolidar um banco de dados robusto. Para isso, os pesquisadores buscam conseguir o maior número possível de amostras de diferentes regiões dentro da Floresta Amazônica.

Gabriele destacou que a União Europeia e países como os Estados Unidos estão “fechando o cerco” e exigindo certificações de origem para importação de commodities como a soja e carne. “Para a madeira, a gente acredita que isso vai acontecer muito em breve, já que as pressões relacionadas ao cuidado com o meio ambiente estão cada vez maiores”.

Ela destacou ainda que no atual contexto de emergência climática, é de grande importância que estudos como esse sejam desenvolvidos e que parcerias sejam constituídas entre universidades, institutos de pesquisas e empresas privadas para que a ferramenta possa chegar até os órgãos de fiscalização.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Filme reúne respostas de indígenas sobre como recuperar a floresta

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Foto: Fabrício Marinho/Platô Filmes/ISA

“Para começar a fazer um bom diálogo, começaria no setor de Educação, dentro das escolas”, responde a liderança Maurício Ye’kwana à pergunta  “como a floresta vai se recuperar?”, que conduz o filme do V Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana lançado no dia 11 de dezembro, no Youtube do Instituto Socioambiental (ISA).

Com relatos de lideranças e entrevistas com a presidenta da Funai, Joenia Wapichana, e do chefe da Casa de Governo, Nilton Tubino, o minidoc de 13 minutos conta ainda com imagens inéditas de um sobrevoo feito em outubro sobre as regiões mais afetadas pelo garimpo ilegal, como Alto Rio Catrimani, Rio Couto Magalhães, Xitei e Rio Parima.

Assista ao filme:

Vídeo: Reprodução/ Youtube – Instituto Socioambiental (ISA)

A reunião ocorreu após as cicatrizes deixadas pela gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022), descrita como um período de “pesadelo para os povos indígenas” por Maurício, e um ano e oito meses após presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decretar uma ação emergencial para retirar invasores e estruturar a Saúde na Terra Indígena Yanomami.

O V Fórum de Lideranças Yanomami ocorreu de 23 a 27 de setembro na comunidade Fuduuwaaduinha, em Auaris, onde vivem os Ye’kwana. O evento reuniu lideranças de todas as regiões da Terra Indígena Yanomami e contou com a presença de representantes do governo federal para prestar contas aos indígenas sobre as ações no território.

Indígenas Yanomamis de diversas idades aparecem sentados durante o V Fórum que reuniu lideranças de todas as regiões
Foto: Fabrício Marinho/Platô Filmes/ISA

Nilton Tubino mostrou resultados de prejuízos ao garimpo que já havia atingido o valor de R$209 milhões. Tubino afirma que operações e sobrevoos noturnos continuarão sendo feitos para combater a invasão do território e expulsar os garimpeiros insistentes.

“Na parte da saúde, que era o nosso compromisso quando a gente chegou, tinha sete unidades de saúde fechadas e hoje todas estão funcionando. A nossa estratégia a partir de agora é fazer um pente fino no território, repassando por todas as áreas que historicamente tiveram garimpo para fazer um levantamento”, afirmou Tubino.

Davi Kopenawa e Dário Kopenawa, pai e filho e representantes da Hutukara Associação Yanomami (HAY), também deram depoimentos para o filme. Davi foi enfático ao dizer que os Yanomami desejam continuar no caminho que Omama construiu para o seu povo, enquanto Dário alertou para a necessidade de respeitar a natureza.

Dário Vitório Kopenawa Yanomami, Vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), dando depoimento para comunicadores durante o V Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana
Foto: Fabrício Marinho/Platô Filmes/ISA

Como a comunidade Fuduuwaaduinha fica a cerca de 10km da Venezuela, indígenas Yanomami e Ye’kwana do país vizinho puderam participar do evento. Desde 2008, o governo venezuelano não demarca terras indígenas. Além disso, os Ye’kwana relatam forte presença de garimpeiros e pescadores nas terras indígenas.

O filme, assim como a carta final do V Fórum, é assinado pelas nove associações da Terra Indígena Yanomami. A HAY e o ISA são os responsáveis pela realização do minidoc, que teve produção da Platô Filmes.

Thiago Briglia assina a produção executiva, enquanto a produção é de Fabrício Araújo, que também assina o roteiro junto com Yare Perdomo. O filme tem imagens e direção de fotografia de Lucas Silva, assistência de fotografia de Fabrício Marinho e edição de Yare Perdomo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental (ISA)

Cadeia da borracha impulsiona geração de renda na área de influência da BR-319

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Foto: Christian Braga/WWF-Brasil

As seringueiras da Amazônia voltaram a mobilizar a sociobioeconomia, garantindo renda e mudando a realidade de centenas de famílias que atuam na cadeia produtiva da borracha nativa no Amazonas, principalmente na área de influência da BR-319. Os municípios de Canutama, Manicoré e Lábrea, situados na BR-319, geraram mais de 131,5 toneladas de látex em 2023. A previsão é a safra de 2024 ultrapassar 150 toneladas nesses três municípios amazonenses.

O presidente da Associação dos Produtores Agroextrativistas de Canutama (Aspac), a 640 quilômetros (km) de Manaus, Leandro Nascimento, comenta como a produção vem proporcionando grandes benefícios para mais de 100 famílias de seringueiros da cidade.

Já em Manicoré, a 347km da capital do Amazonas, a borracha se tornou a principal fonte de renda de muitas famílias, que antes atuavam no garimpo e outras práticas ilegais. No município, há a Associação dos produtores Agroextrativistas do Igarapezinho (APAIGA), Associação dos Moradores Agroextrativistas do Lago do Capanã-Grande (AMALCG), Associação de Moradores Agroextrativistas da Comunidade de Bom Suspiro (APACOBS) e Associação de Moradores Agroextrativistas Nossa Senhora de Nazaré da Barreira do Matupiri (APRAMAD), além da Associação de Moradores Agroextrativistas do Rio Atininga (ATININGA).

Produção em 2023:

  • AMALCG – 21.350kg;
  • APAIGA – 15.200 kg;
  • famílias seringueiras da APACOBS – 5.871kg;
  • APRAMAD – 4 mil kg;
  • e a ATININGA – 3.090kg.

Duas organizações que fazem parte do Observatório BR-319, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e o WWF-Brasil atuam no projeto “Juntos pelo Extrativismo da Borracha da Amazônia”, que vem impulsionando a retomada da produção com uma grande mobilização entre empresas, organizações da sociedade civil e poder público. A iniciativa também é um caminho positivo para aumentar a proteção das florestas e das pessoas que vivem nelas, além de ajudar a diminuir os impactos das mudanças climáticas.

Natasha Mendes, analista de conservação do WWF – Brasil, afirma que “a revitalização da cadeia produtiva da borracha nessa região é uma forma de resistência frente às mudanças climáticas, altos índices de desmatamento e expansão da fronteira agrária nesta região. É uma alternativa sustentável e viável de gerar renda através da floresta em pé, além de trazer dignidade às populações desta região”.

“O arranjo produtivo da borracha nativa da Amazônia significa um grande avanço. O CNS é uma organização que luta pelos direitos dos seringueiros há 40 anos e as associações fazem um trabalho fundamental para a garantia da floresta e da vida dos povos da floresta. O trabalho na cadeia da borracha tem tirado, inclusive, pessoas do garimpo ilegal, que hoje ganham dinheiro sem causar danos ambientais e esse é um dos motivos pelos quais lutamos pela continuidade, e expansão do projeto, que dá dignidade aos extrativistas”, comenta a secretária de Direitos Humanos do CNS, Silvia Elena Batista.

Foto: Christian Braga/WWF – Brasil

Outros resultados

O projeto ‘Juntos pelo Extrativismo da Borracha da Amazônia’ já beneficiou 4.170 famílias e contribuiu diretamente para a conservação de mais de 60 mil hectares de floresta na Amazônia a partir do manejo para a produção da borracha, somente em 2022.

Outro resultado positivo é o alcance das ações em Unidades de Conservação que somam mais de 1,3 milhão de hectares em áreas pressionadas pelo desmatamento e outras atividades ilegais; entre as UCs estão: Reserva Extrativista (Resex) do Lago do Capanã Grande, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Madeira, ambas em Manicoré; a Resex Canutama e a Floresta Estadual (FES) Canutama; além da Resex Médio Purus, em Pauini. Outros municípios amazonenses que também compõem o arranjo da borracha são: Eirunepé, Barcelos e Itacoatiara.

Só no primeiro ano de extração de látex com o apoio do projeto, em 2022, mais de 60 toneladas de borracha nativa foram produzidas e vendidas para a Michelin no Brasil, gerando R$ 900 mil de renda para as famílias participantes.

Em Lábrea

Em Lábrea (a 852km de Manaus), a Associação dos Produtores Agroextrativistas da Comunidade José Gonçalves (APAC.J.G), que possui 20 anos de atuação, é outro exemplo de como a retomada da cadeia produtiva da borracha nativa da Amazônia vem proporcionando grandes benefícios para os seringueiros. Em 2023, cerca de 223 famílias produziram 52,8 toneladas.

Atualmente, a produção parte de Lábrea, segue pela BR-319 até Porto Velho (RO) e, depois, para o município de Sena Madureira, no Acre, onde a borracha é processada. A produção deste município faz parte de outro arranjo, que vende a borracha para o Acre.

“Ainda enfrentamos muitas dificuldades como a falta do kit sangria, que é a tigela, balde e faca, porque não tem no mercado e ainda tem um valor alto. Falta de políticas públicas para fortalecer ainda mais a cadeia produtiva da borracha. Essa produção, além de ajudar na geração de renda, também tem um papel social muito importante. Porque tirou muitos jovens que estavam fazendo coisas ilícitas e hoje ajudam os pais na retirada do látex. Além disso, a associação não tem sede própria. Mas nada impede de lutarmos para crescer cada vez mais e os números estão apontando isso”, comenta o presidente da APAC.J.G, Antônio David Brito.

Segundo ele, a associação começou com 25 famílias em 2019 e apenas cinco toneladas, e foram crescendo, ano a ano. A meta deles é atingir 60 toneladas na safra de 2024. “Isso é muito bom, porque é uma forma de valorizar o nosso trabalho. Nós somos grandes protetores das florestas e todo esse trabalho precisa ser cada vez mais recompensado”, complementa.

Semana Chico Mendes 2024: celebrando o legado de luta e resistência dos seringueiros no Acre

A Semana Chico Mendes 2024 celebra a trajetória de um dos maiores líderes socioambientais do Brasil, que tem profunda relação entre o ciclo da borracha, o movimento sindical e a resistência dos seringueiros no Acre. O evento homenageia não apenas a memória de Francisco Alves Mendes Filho, conhecido mundialmente como Chico Mendes, mas, também, a organização coletiva que ele inspirou e que segue viva na luta por justiça ambiental e social.

O ciclo da borracha, que marcou a economia da Amazônia no final do século XIX e início do XX, manteve seringueiros da região sob o domínio e exploração dos “coronéis da borracha”. Com o declínio da atividade, muitos seringueiros permaneceram presos a um sistema de dívida, enquanto a expansão de grandes empreendimentos na Amazônia ameaçava seus modos de vida.

Foi nesse contexto que, entre 1970 e 1980, surgiu o movimento sindical dos seringueiros no Acre, liderado por Chico Mendes, que culminou na fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri e, posteriormente, a criação da Aliança dos Povos da Floresta, que se tornaram espaços de resistência. Por meio de estratégias como os “empates” – manifestações pacíficas contra o desmatamento – os seringueiros passaram a defender tanto seus territórios quanto a preservação da floresta.

A luta de Chico Mendes não apenas garantiu direitos trabalhistas, mas também deu origem às Reservas Extrativistas (Resex), modelo de Unidade de Conservação que une desenvolvimento sustentável e justiça social, protegendo tanto o meio ambiente quanto as comunidades tradicionais.

Todo ano, o Comitê Chico Mendes realiza a “Semana Chico Mendes”, que em 2024 tem como tem “Chico 80 Anos: A Luta Continua”. O evento, além de celebrar o legado de Chico, promove debates, atividades culturais e reflexões sobre o papel das populações tradicionais na conservação da Amazônia. Saiba mais sobre a programação aqui.

Sobre Chico Mendes

Chico Mendes, nasceu em 15 de dezembro de 1944, no seringal Porto Rico, no Acre. Filho de seringueiros, sua luta teve reconhecimento internacional, recebendo prêmios, como o “Prêmio global 500”, de Organização das Nações Unidas (ONU), e o apoio de instituições como o WWF. Ele manteve sua atuação em defesa da floresta e da justiça social até ser brutalmente assassinado em 22 de dezembro de 1988, em sua casa, em Xapuri. Saiba mais.

Chico Mendes. Foto: Divulgação/Comitê Chico Mendes

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Observatório BR-319, com textos produzidos pela jornalista Emanuelle Araújo, da agência Up Comunicação Inteligente; e com informações do comunicador Victor Manoel, do Comitê Chico Mendes.

Projeto sobre comunidades ribeirinhas de Parintins é aprovado com nota máxima no CNPQ

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Foto: Reprodução/Ufam

Pesquisadores desenvolverão o projeto ‘Saúde Hídrica e Combate à Desinformação em Comunidades Ribeirinhas de Parintins-AM‘ na Chamada CNPq/Decit/SECTICS/MS – Nº 30/2024. A conquista, que teve 159 concorrentes de todo o Brasil obteve nota máxima dos avaliadores.

Com um financiamento de R$ 629.200,00 e previsão de ser produzido em 24 meses, os pesquisadores consideram que o projeto será um divisor de águas para o desenvolvimento regional, trazendo impactos significativos, como melhoria na saúde pública, com a redução de doenças de veiculação hídrica através do monitoramento e da educação em saúde, empoderamento comunitário, já que haverá capacitação de diversos agentes locais para práticas sustentáveis no uso da água.

Combate à desinformação com a criação de materiais educativos e campanhas em mídias locais para informações confiáveis que buscam gerar sustentabilidade e resiliência entre os comunitários envolvidos, com a integração de saberes locais e científicos, fortalecendo as comunidades ribeirinhas frente aos desafios ambientais na região de Parintins.

A equipe técnica do projeto é composta por profissionais com experiência complementar nas áreas de saúde pública, biologia, química, educação ambiental, comunicação e sociologia. O projeto será coordenador pelo prof. Dr. Rafael Diego Barbosa Soares, do Ifam Parintins, pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Instituto Metropolitana de Ensino (Fametro) Parintins e Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A Ufam Parintins participa do projeto com os professores Gladson Rosas Hauradou e Carlos Jorge Barros Monteiro.

Pesquisadores envolvidos no projeto:

  • Ifam: Rafael Diego Barbosa Soares; Reidevandro Machado da Silva Pimentel; Vera Lúcia da Silva Marinho; Emmina Lima da Cruz de Souza; Lenon Corrêa de Souza; Marcelo de Queiroz Rocha; Raianne de Souza Rodrigues;
  • Ufam: Gladson Rosas Hauradou; Carlos Jorge Barros Monteiro;
  • UEA: José Camilo Ramos de Souza; Ieda Hortêncio Batista no Projeto; Rafael Jovito Souza; Ricardo de Melo Katak; Diego Omar da Silveira; Adorea Rebello da Cunha Albuquerque; Andréa Barata Teixeira; Márcio Fernando Prado de Oliveira; Nelson José Batista Lacerda; Jeniffer Hachiley de Sousa Torquato;
  • UFMA: Marco Valério Jansen Cutrim; Ana Karoline Duarte dos Santos Sá;
  • Fametro: Elaine Pires Soares.

*Com informações da Ufam

Está difícil contratar e criar vínculos?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

“Está difícil contratar. Ocorre em todos os níveis, mas, na base da empresa, cada vez é mais complicado. Os jovens de hoje parecem que não querem saber de emprego. Alguns até se candidatam, passam por todo o processo, fazem entrevistas, exames médicos etc. e depois de alguns dias, desistem. Já tivemos casos de saírem após um único dia de trabalho e até um que desistiu antes do primeiro dia. Alguns nem avisam. Simplesmente abandonam o emprego e deixam para resolver a papelada qualquer dia para frente. Outros iniciam, passam por todo um treinamento e depois trocam de trabalho, por uma diferença irrisória de salário. Não há o menor vínculo com nada e nem com ninguém. Quando se precisa de um empenho um pouco maior, a reação é de total indiferença, como se não tivessem nada com o assunto. No mês passado, precisamos que a turma trabalhasse, excepcionalmente, em um domingo. Oferecemos como atrativo 100% a mais do valor hora e mais refeição, lanche, transporte etc. A empresa precisava. Pouquíssimos responderam positivamente. Seria uma questão só nossa ou é de mercado? Será que se aumentarmos os salários, conseguiríamos contratar e, mais do que isso, manter estas pessoas?”

O desabafo é de um empresário, sócio de uma companhia de médio porte. Certamente, não é um caso isolado. Talvez você mesmo esteja vivendo algo parecido ou sabe de alguma empresa que está. Em reuniões de conselho ou de consultoria, é uma pauta bastante presente. Apesar de vivermos no Brasil um momento, que se pode considerar de pleno emprego, não é uma questão conjuntural, restrita a agora, ou mesmo limitada ao nosso país. Trata-se de uma tendência que já vem de anos e parece não ter fronteiras.

Ouvi de um jovem uma vez: “Pelo que me pagam, prefiro eu pagar pelo meu tempo”. Lógico que o jovem pensava em poder comprar o tempo dele com o dinheiro que recebia de mesada dos pais. Outro jovem, este americano, me falou: “Não quero passar seis ou oito horas por dia no trabalho. Quero viver”.

Nas empresas, tenho ouvido diferentes discussões e propostas para lidar com a questão. Boa parte delas analisa a melhoria de remuneração ou de benefícios. Em alguns casos, pode funcionar parcialmente, mas são soluções de curto prazo. Não se sustentam por muito tempo e nem são capazes de sensibilizar todo mundo. Além disso, há um limite para o aumento de custos de pessoal, regulado pelo próprio mercado. Não vale também pensar que a IA (inteligência artificial) resolverá o assunto.

Para o curto prazo, vale diferentes tipos de iniciativas, mas é preciso pensar além, uma vez que, como defende Simon Sinek, negócios são um tipo de jogo infinito, pelo menos, para as empresas que permanecem no jogo. É o objetivo de todas elas.

Pensar no longo prazo para atrair e criar vínculos, é pensar em se tornar uma empresa melhor, um ser vivo melhor. É o mesmo que se aplica às pessoas. Tornar-se uma pessoa melhor é o único meio para ser um melhor pai ou mãe, profissional ou qualquer coisa. Ser uma empresa melhor é crescer em resultados e ser uma empresa mais feliz, algo que começa agora a ser percebido.

Uma empresa feliz não é aquela que vai criar salas com sofás, montar uma programação de festas de confraternização, permitir que as pessoas trabalhem de bermuda ou levar o cachorro para o escritório. Tudo isto pode ser válido, ou não, de acordo com a realidade de cada uma, mas não é o que será decisivo.

Ser uma empresa feliz envolve muito mais coisas, como tratado em outros artigos, dentre eles: “O resultado indireto da felicidade para as empresas” e o “Para que serve uma diretoria de felicidade?”. No momento, o que pretendo defender é que, no longo prazo, para atrair e criar vínculos, será preciso ser uma empresa melhor, uma empresa feliz. Continuo na próxima semana.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Trabalho científico reúne dados sobre a recuperação do Lago Batata, no Pará

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Foto: Divulgação/MRN

A jornada de restauração ecológica do Lago Batata, localizado no município de Oriximiná (Pará), transformou-se em modelo de gestão ambiental reconhecido pela comunidade científica. Pela primeira vez, a Mineração Rio do Norte (MRN) narra o trabalho de recuperação realizado no Lago Batata nos últimos 35 anos, seus desafios, soluções, monitoramento participativo e os efeitos dos esforços. Como resultado de programa integrado, as condições ecológicas para a vida aquática, a fauna e a flora vêm se estabelecendo.

“A decisão de contar essa história está alinhada ao compromisso da MRN com as práticas sustentáveis de mineração, o que inclui dar transparência às nossas ações socioambientais, e, no caso do Lago Batata, prestar contas do que foi feito para sua restauração, que hoje se tornou uma referência devido às suas características”, afirma Guido Germani, diretor-presidente da MRN.

A empresa partiu do desafio de reverter os danos ambientais causados pelo depósito do rejeito da bauxita no lago na década de 80 – mesmo que realizada com a anuência da legislação da época.

Apesar de ser um material atóxico, composto por água e diferentes tipos de argila, a fauna e a flora foram alteradas em maior ou menor grau. Assoreamento, morte de áreas de igapó, mudança das áreas alagadas e turbidez da água foram alguns dos danos ambientais.

Foto: Divulgação/MRN

Conduzido pela MRN, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1989, o programa é apontado como trabalho científico inédito por restaurar um lago amazônico com ecossistema heterogêneo e grande diversidade de vegetação. A complexidade do “mosaico de ecossistemas” do Batata foi tema de 99 publicações científicas nacionais e internacionais. Baseado nos princípios da sustentabilidade, integridade e respeito às pessoas, o investimento acumulado para essa restauração ecológica supera os R$ 31,5 milhões.

Evidências do Programa de Monitoramento e Estudos Ecológicos no Lago Batata:

  • 120 hectares de mata de igapó vegetalizados, que equivale a 111 campos de futebol.
  • 150 espécies de peixes foram registradas na área impactada.
  • Mais de 800 mil mudas de espécies de igapó plantadas.
  • Média de 8,53 NTU no índice de turbidez da água na área impactada. O valor é bem abaixo do limite (100 NTU), pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
  • 99 publicações científicas, sendo 78 artigos e 21 capítulos de livros, abordando o trabalho de restauração do Lago Batata.

Usina de conhecimento da Amazônia

O Lago Batata tornou-se uma usina de conhecimentos em áreas da ciência ainda pouco conhecidas no Brasil e no exterior, aponta Francisco de Assis Esteves, que é biólogo, doutor em Limnologia, pesquisador e professor da UFRJ. “Hoje, o Batata é um modelo de gestão ambiental bem-sucedido e isso se deve às pesquisas ecológicas desenvolvidas há décadas. O imenso banco de informações vem dando suporte para a tomada de decisões e aplicação de tecnologias baseadas na natureza, visando à restauração ambiental”, explica o especialista.

O monitoramento limnológico foi usado para indicar condições do ecossistema como um todo, fornecendo indicadores como a presença de organismos e microrganismos que atestam se água é adequada para vida aquática.

Parte do compromisso com a reparação do Batata foi com a transparência na condução do processo e o diálogo em cada etapa desse trabalho. “Com o tempo e com os esforços da MRN e de muitas partes interessadas, o Lago Batata vai se recuperando. O legado que queremos deixar para as comunidades e para a Amazônia é construir o futuro gerando desenvolvimento econômico com respeito às pessoas e ao meio ambiente”, acrescenta Guido Germani, diretor-presidente da MRN.

Caminhos para a restauração de lago amazônico

A jornada de restauração ecológica do Lago Batata, no oeste do Pará, foi narrada em formato de Ebook, visando enriquecer o referencial científico e fomentar a recuperação de áreas mineradas de forma ágil e consistente. Na visão da MRN, com inovação e tecnologia, a mineração responsável contribui para a preservação da Amazônia e potencializa o desenvolvimento sustentável da região. Conheça esta jornada nas vozes de especialistas e de comunitários em

Linha do Tempo da Restauração do Lago Batata

1979 – Início da operação da MRN.
1989 – Interrupção do lançamento de rejeito no Lago Batata e início do Programa de Monitoramento e Estudos Ecológicos do Lago Batata.
1990 – Estudos baseados no esforço de pesca na região mostraram a presença de 69 espécies de peixe na área que recebeu rejeito.
1992 – Após primeiras intervenções, constatação de acúmulo de matéria orgânica e sementes de espécies de árvores na área de igapó impactada.
1993 – Início do plantio de mudas do Viveiro Florestal da MRN para regeneração de áreas de igapó.
1997 – Início do cultivo de arroz bravo sobre o rejeito compactado para produção de nutrientes.
2000 – Mais de 200 mil mudas plantadas em mais de 58 hectares.
2005 – MRN amplia ações junto às comunidades com Projeto de Apoio a Sistemas Agroflorestais.
2007 – Constatação de novas espécies arbóreas de igapó na área impactada.
2009 – Constatação da redução dos níveis de turbidez da água e melhoria das condições ecológicas.
2021– Mais de 800 mil mudas plantadas para restauração de área de igapó.
2023 – Presença de 150 espécies de peixes na área impactada. Árvores plantadas já produzem flores e frutos, presença de insetos, répteis e pássaros em grande escala.
2024 – Investimento acumulado na restauração ecológica do Batata supera R$ 31,5 milhões.

Criador de super-heróis amazônicos destaca urgência de ações para preservação da Amazônia no TEDx

Foto: Reprodução/Youtube-TEDx Talks

Ronaldo Barcelos é uma importante peça na engrenagem que deseja ver um mundo mais justo, sustentável e habitável para todos. Há 25 anos, após uma viagem para conhecer melhor o Brasil profundo, o autor carioca buscou inspiração para escrever uma história cheia de aventura, com personagens reais e ambientada na maior floresta tropical do planeta, a Amazônia.

Leia também: Saga ‘Guerreiros da Amazônia’ é adaptada para a televisão

A Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) foi palco de mais uma edição do TEDx, a maior plataforma de palestras na atualidade, vista por pessoas de vários países e traduzida para diversos idiomas. Barcelos começou sua participação destacando a importância de preservar o único planeta do sistema solar que possui vida e relembrou os ensinamentos que recebeu de um velho cacique.

O escritor destacou que o modelo atual de desenvolvimento econômico aponta para uma situação alarmante: a perda do bioma nos próximos 50 anos. É preciso somar o conhecimento tradicional com a ciência moderna. É possível ganhar dinheiro mantendo o ambiente equilibrado e preservado para as próximas gerações.

Espalhar a palavra através da educação

A saga de super-heróis com a missão de proteger a Amazônia nasce a partir do desejo de espalhar a importância de preservar um patrimônio natural rico em biodiversidade, cultura, gastronomia e acima de tudo, com uma população formada por indígenas, quilombolas, ribeirinhos, com conhecimentos e saberes ancestrais que precisam ser compartilhados com todo o mundo.

Foto: Divulgação

A trama foi cuidadosamente escrita para inspirar jovens de todo o Brasil a se vestirem com a capa de super-herói e unir esforços para cuidar do planeta, do bairro, cada um fazendo sua parte. A história é fictícia com problemas e personagens reais.

Os protagonistas têm poderes especiais advindos de animais da fauna amazônica, como a arara, boto. Temas como poluição das águas, garimpo ilegal e biopirataria são colocados de maneira didática. A intenção é despertar o lado corajoso e ativista desses leitores.

Outro ponto que a obra joga luz é valorizar a juventude do norte, que claramente podem e devem se sentir inseridas dentro dessa linguagem. “Eles são as estrelas capazes de minimizar os efeitos negativos das mazelas causadas pelo homem à mãe natureza”, explica Barcelos.

Projeto Social

Ao longo de 26 anos, o projeto cumpre o importante papel de criar, produzir, divertir, educar e impactar milhões de crianças no Brasil. Ao todo são 25 mil livros e 250 mil ebooks doados para mais de mil escolas no Brasil.

Livros em PDF, manuais do professor, desenhos animados e músicas podem ser baixados e assistidos em computadores, celulares e tablets. Para conhecer melhor o projeto ‘Amazon – Guerreiros da Amazônia’, basta clicar AQUI.

Festivais culturais do norte buscam protagonismo na agenda sobre cultura e clima em preparação para a COP30

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Foto: Divulgação/@alonsojunioram

Se a crise climática é um dos temas de maior importância no mundo atualmente, os olhos de governantes do mundo todo, além de empresas, organizações do Terceiro Setor e de ativistas já estão todos voltados para Belém (PA), que vai sediar em 2025 a COP30, encontro no qual líderes mundiais debatem soluções para as mudanças climáticas. E a cultura pode ser uma grande aliada na conscientização sobre a emergência.

No Amazonas, a população tem sentido os efeitos das mudanças climáticas. Entre a seca e a fumaça que se intensificou na região nos últimos anos, a arte foi o vetor que moveu a 17° edição do Festival Até o Tucupi, entre 20 e 30 de novembro.

Dessa vez, a temática não poderia ser diferente: entre os shows de artistas locais e performances da cena ballroom, o “Festival pelo clima” como está sendo chamado, trouxe discursos sobre a crise climática como e o fortalecimento do papel da Amazônia como centro das discussões globais.

“Até o Tucupi”, é uma expressão popular que significa “quando algo está cheio”, “abarrotado”. E inspirado por essa expressão, o festival segue com o objetivo de refletir esse “transbordamento de cultura, resistência e mobilização”, reunindo artistas, coletivos e movimentos sociais para ocupar os espaços e fomentar debates para e sobre a Amazônia.

O Festival acontece desde 2007 e é um dos mais antigos da região norte, tendo passado por diversas fases e dificuldades, como a pandemia, secas, cheias, desmatamento e queimadas. Desde então, o evento tem movimentado a cidade de Manaus, de forma gratuita, com a missão de ocupar seus espaços públicos com debates, encontros, arte e cultura, trazidos por artistas, movimentos sociais, grupos e coletivos urbanos.

Foto: Divulgação/@alonsojunioram

Nesta nova edição, o evento se propõe a iniciar os trabalhos acerca da COP30, trazendo temáticas como justiça climática, racismo ambiental e também sediou o primeiro Encontro Amazonense sobre Crise Climática. Discussões que trazem a urgência da situação atual do Amazonas, no último ano o estado virou notícia depois da intensa seca, e neste ano não está sendo diferente, já que o estado enfrenta pelo segundo ano consecutivo a pior seca de todos os tempos. 

O Festival Até o Tucupi 2024 é realizado pelo Coletivo Difusão, que atua na valorização das artes integradas, da cultura e da diversidade na Amazônia, neste ano terá o apoio do Coletivo Proteja; da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB); do Miriã Mahsã, coletivo indígena LGBTQIAPN+; e da Casa Cinco Criações, produtora cultural. 

No último ano, o festival não pôde acontecer por questões financeiras. Apesar de estarem neste ano se mobilizando para a COP30, Elisa Maia, artista, cantora e produtora cultural, que faz parte do Coletivo Difusão, observa não ter acontecido um aumento de oportunidades no estado por conta da conferência.

Elisa conta que o festival tem discutido a emergência climática com uma visão mais profunda, principalmente por conta das dificuldades que Manaus e o estado do Amazonas têm passado. O assunto virou “inevitável”, visto que o Amazonas tem sofrido com a questão das queimadas e com conflitos em terras indígenas.

Para ela, os eventos extremos do clima impactam diretamente na produção artística e cultural. 

Junto a movimentos como a COP das Baixadas, em Belém, e o “Artistas pelo Clima”, em Manaus, o festival surge da necessidade e da falta de espaços que discutam o assunto com a população. 

“Sentimos falta na cidade de uma certa convergência de grupos que já dialogam sobre isso. Então, o Até o Tucupi propõe também que o nosso espaço, que a nossa visibilidade seja usada para que os grupos se reúnam também”, complementa Elisa. 

Para ela, a cultura  tem o importante papel de atingir esse público.

A cultura como uma forma de resposta

A inquietação que produtores culturais e organizações sentem não é recente. Para manter viva a lembrança do seringueiro, sindicalista e ambientalista Chico Mendes, “A semana Chico Mendes” foi criada pelo Comitê Chico Mendes, organização que foi fundada ainda em 1988, ano do seu assassinato. 

Desde então, anualmente o Comitê tem promovido o evento que neste ano celebra o 80º aniversário do ambientalista, que tornou-se um símbolo de resistência e justiça social. Com o tema “Chico 80 Anos: A Luta Continua”, o evento acontece entre os dias 15 e 22 de dezembro em Xapuri e Rio Branco, no Acre. 

A programação contará com rodas de conversa, atos culturais, exposições fotográficas e exibições de filmes sobre a Amazônia. O comitê também é responsável pelo “Festival Jovens do Futuro”, que acontece também no Acre. O festival é inspirado pela carta que Chico deixou antes da sua morte. A carta “Atenção Jovens do Futuro” falava para as próximas gerações continuarem a luta que ele iniciou em defesa da floresta e de seu povo. 

Nesta edição, o festival contou com mostras de arte, cine-debates e oficinas como “Se montando em tempos de crise climática”, que abordou técnicas de montagem e maquiagem pensadas para enfrentar as temperaturas elevadas. O festival que trouxe a crise climática como discussão central, precisou ser adaptado e suspendeu até mesmo algumas atividades por conta das fumaças intensas e queimadas que atingiram o estado do Acre.

Foto: Hannah Lydia/Comitê Chico Mendes

“Quem bota fé que a COP vai mudar alguma coisa?”

Apesar das dificuldades, é certo que as organizações e coletivos da região norte já tenham iniciado a mobilização para que a COP vá além de uma conferência internacional. Para ocupar esses espaços, diversos movimentos novos têm sido criados, e para todos a preocupação é a mesma: o que fica depois da COP?

Durante a agenda do festival Até o Tucupi, o “Encontro Amazonense Sobre Crise Climática” buscou reunir forças para a construção de uma resposta coletiva e integrada à crise climática. Dentro do encontro aconteceu também a roda de conversa “Quem bota fé que a COP vai mudar alguma coisa?”, como conta Elisa.

Foto: Divulgação/@alonsojunioram

As opiniões sobre as oportunidades que surgem com a conferência são várias, mas uma preocupação que surge nesse cenário trazida por Paula, de Belém, reflete também o medo de empresas de fora da região norte conseguirem se apropriar dessas poucas aberturas que têm surgido.

Para ela, o principal é entender o protagonismo do território.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Alicia Lobato