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Parque do Utinga bate recorde de visitantes em 2024 e projeta ações para a COP30 em Belém

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Foto: David Alves/Agência Pará

O Parque Estadual do Utinga “Camillo Vianna”, em Belém (PA), registrou em 2024 um número recorde de visitantes. Até o dia 13 de dezembro, mais de 470 mil pessoas passaram pela Unidade de Conservação (UC), superando em 40 mil o total registrado no mesmo período de 2023. Este marco reafirma o Parque como um dos principais destinos para lazer, contemplação da natureza e práticas esportivas na capital paraense.

Com 1,3 mil hectares, o Parque Estadual do Utinga, gerido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) e pela Organização Social (OS) Pará 2000, oferece uma rica amostra do bioma amazônico, funcionando como um refúgio verde no coração de Belém. A média mensal de visitantes foi de 40 mil pessoas ao longo do ano, com destaque para julho, período de férias escolares e verão amazônico, quando o número chegou a 55 mil. A combinação de infraestrutura bem planejada, atividades diversificadas e preservação ambiental tem sido o grande diferencial do espaço.

Ecoturismo

Entre as opções que atraem o público estão trilhas ecológicas, passeios de bicicleta, rapel, bóia-cross e tirolesa. Em 2024, o lançamento da canoagem como atividade eco amigo foi um dos destaques, ampliando a oferta de experiências e promovendo uma interação ainda mais próxima com a natureza. A estrutura de apoio, que inclui quiosques, banheiros e áreas de descanso, também tem sido um fator determinante para o crescimento do número de visitantes.

A Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB), responsável pela gestão da UC pelo Ideflor-Bio, disse que tem intensificado ações de preservação ambiental e segurança, assegurando que a alta demanda não comprometa a biodiversidade. “O desafio de gerir um espaço tão visitado é grande, mas estamos preparados. Nossa equipe trabalha continuamente para garantir um ambiente seguro e sustentável, com ações de educação ambiental e fiscalização rigorosa”, afirmou o titular da GRB, Júlio Meyer.

Foto: David Alves/Agência Pará

COP30

Com os olhos do mundo todo voltados para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em Belém, em 2025, o Parque Estadual do Utinga se prepara para receber investimentos significativos. Entre as melhorias planejadas estão a construção de um Novo Centro de Apoio aos Visitantes, com museu, auditório, cafés e áreas administrativas, além da revitalização de trilhas e da instalação de novas sinalizações e áreas recreativas.

Em 2025, também está prevista a ampliação das atividades aquáticas no Lago Água Preta, incluindo a prática de canoagem, além da instalação de pontos de hidratação e contemplação da natureza. As melhorias visam não apenas atender ao público crescente, mas também consolidar o Utinga como um destino de referência em ecoturismo e educação ambiental.

“O Parque do Utinga é um patrimônio natural de todos os paraenses e visitantes. Nosso objetivo é continuar aprimorando a experiência dos frequentadores, ao mesmo tempo em que garantimos a preservação desse espaço único para as próximas gerações”, concluiu Júlio Meyer.

*Com informações da Agência Pará

PrevisIA: inteligência artificial aponta 6,5 mil km² com risco de desmatamento na Amazônia em 2025

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Mapa mostra as áreas sob risco alto, muito alto, moderado, baixo e muito baixo de desmatamento conforme a PrevisIA para o calendário de 2025, que vai de agosto de 2024 a julho do ano seguinte. Imagem: Reprodução/Imazon

Se as áreas sob maior risco de desmatamento na Amazônia não forem protegidas com urgência, a estimativa é que mais 6.531 km² sejam derrubados em 2025, o que seria 4% a mais do que o registrado neste ano. A previsão é da plataforma de inteligência artificial PrevisIA, do instituto de pesquisa Imazon, que tem indicado as áreas ameaçadas na região desde 2021 com uma assertividade média de 73% nesses últimos quatro anos.

A estimativa da ferramenta segue o chamado “calendário do desmatamento”, que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, assim como os dados oficiais do governo federal. Conforme o Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram devastados 6.288 km² entre agosto de 2023 e julho de 2024, uma queda de 31% em relação a 2023.

Para 2024, a PrevisIA havia apontado 8.959 km² sob ameaça de desmatamento na Amazônia, sendo 5.207 km² sob risco muito alto, alto e moderado. Já na previsão da plataforma para o próximo ano, que aponta 6.531 km² sob ameaça de devastação entre agosto de 2024 e julho de 2025, 2.269 km² (35%) estão sob risco muito alto, alto ou moderado. Ou seja: essas seriam as áreas prioritárias para as ações de prevenção. Os outros 4.262 km² (65%) estão sob risco baixo ou muito baixo de desmatamento.

EstadoClasse de Risco (km²)
Muito baixoBaixoMédioAltoMuito altoTotal%
Pará448,30978,69764,9894,870,092.286,9235%
Amazonas561,91380,62318,7738,510,091.299,9020%
Mato Grosso308,78505,59242,4557,250,791114,8517%
Acre63,38222,57363,1934,54683,6810%
Rondônia109,92264,64149,6923,83548,088%
Roraima57,02115,37110,3718,07300,835%
Maranhão50,42100,9143,294,61199,243%
Amapá41,0419,282,5962,911%
Tocantins16,8916,450,9634,291%
Amazônia1.657,652.604,131.996,28271,680,976.530,70100%

PA, AM e MT possuem as maiores áreas ameaçadas

Entre os estados, Pará (35%), Amazonas (20%) e Mato Grosso (17%) possuem as maiores áreas sob risco de desmatamento. Apenas os três concentram 72% de todo o território ameaçado na Amazônia, conforme a PrevisIA.

Já em relação à devastação registrada pelo Prodes em 2024, a plataforma de inteligência artificial apontou aumento nas áreas sob risco em cinco estados para o próximo ano: Amazonas, Acre, Rondônia, Amapá e Tocantins. Nos outros três, Pará, Mato Grosso e Roraima, as áreas previstas como ameaçadas para 2025 são menores do que as desmatadas neste ano.

“Além de poder ajudar na estratégia nacional de combate ao desmatamento, a PrevisIA também pode auxiliar os governos estaduais e municipais a protegerem suas florestas, já que oferece um mapa das áreas de risco inclusive com informações de estradas e de Cadastros Ambientais Rurais (CARs) sobrepostos”, completa Carlos.

Atualmente, a plataforma é usada pelos ministérios públicos de quatro estados da Amazônia Legal para basear estratégias de proteção da floresta: Pará, Amazonas, Mato Grosso e Acre. O Ministério Público do Pará, por exemplo, pretende liderar uma ação de conscientização para a prevenção do desmatamento a partir dos dados da PrevisIA. 

A ideia consiste em enviar aos órgãos de meio ambiente estaduais e municipais as informações das áreas classificadas na PrevisIA sob risco muito alto e alto de desmatamento que possuem Cadastro Ambiental Rural (CAR), para que esses órgãos tenham maior rigor nos procedimentos de licenciamento ambiental, nas operações de fiscalização e na própria análise desses CARs.

Terra Indígena Kayapó lidera ranking de risco

Entre as terras indígenas, a mais ameaçada pelo desmatamento em 2025 é a Kayapó, no Pará. Nesse território, uma área equivalente a 2,5 mil campos de futebol está sob risco de derrubada, segundo a PrevisIA.

Na previsão para 2024, a liderança desse ranking era da Terra Indígena Apyterewa, também localizada no Pará. Na estimativa de risco para 2025, depois de receber uma ação de desintrusão, o território caiu para o segundo lugar. Porém, ainda segue com risco alto de desmatamento, de uma área que também equivale a 2,5 mil campos de futebol. Em agosto deste ano, houveram relatos de novas investidas de invasores no território.

Já no caso das unidades de conservação, a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, outro território paraense, segue na liderança como a mais ameaçada pelo quarto ano consecutivo. Nesse território, o risco de desmatamento chegou a quase 10 mil campos de futebol para 2025, de acordo com a PrevisIA.

Dez Terras Indígenas com maior risco de desmatamento em 2025

Terra IndígenaUFClasse de Risco (Km²)
Muito baixoBaixoMédioAltoMuito altoTotal
KayapóPA9,2413,123,0725,43
ApyterewaPA3,4519,172,2024,82
Parque do XinguMT,PA7,066,190,0913,34
Alto Rio NegroAM12,221,0513,27
Cachoeira SecaPA2,757,901,9512,60
YanomamiRR,AM10,981,570,0412,59
MundurukuPA5,704,910,2110,83
AraribóiaMA2,236,351,229,80
Trincheira BacajáPA3,674,690,849,20
Vale do JavariAM8,270,188,44

Dez Unidades de Conservação com maior risco de desmatamento em 2025

Unidade de ConservaçãoUFJurisdiçãoClasse de Risco (Km²)
Muito baixoBaixoMédioAltoMuito altoTotal
APA Triunfo Do XinguPAEstadual8,3344,0139,243,4595,03
Resex Chico MendesACFederal2,4135,2133,720,2171,55
APA do TapajósPAFederal13,1129,137,510,4350,18
Esec Soldado da BorrachaROEstadual0,133,8420,064,4928,51
Flona do JamanximPAFederal6,5710,653,940,4621,62
APA do Arquipélago do MarajóPAEstadual15,223,260,6519,13
Reex Jaci-ParanáROEstadual0,477,737,210,2515,67
Flota do ParuPAEstadual9,861,803,320,1315,11
APA do Lago de TucuruíPAEstadual2,526,844,200,2613,83
APA TapuruquaraAMMunicipal12,340,850,0613,24

Previsão conservadora

Uma das variáveis usadas pelo modelo de risco da PrevisIA são os dados históricos de desmatamento detectados pelo Prodes. Porém, como em 2024 houve um aumento significativo da derrubada e das queimadas a partir de agosto, um mês após o fechamento do calendário do Prodes, os pesquisadores alertam que a previsão da plataforma pode ser considerada conservadora, uma vez que esses dados não foram considerados no modelo de risco para 2025.

“Conforme o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, de agosto a outubro de 2024, meses que integram o calendário de 2025 do Prodes, já perdemos 1.628 km² de florestas, 25% da previsão. Isso significa que as ações de prevenção precisarão ser intensificadas principalmente a partir de maio, quando as chuvas na Amazônia deverão reduzir, o que facilita o desmatamento”, explica Carlos.

Conheça a ferramenta

Lançada em 2021 pelo Imazon em parceria com a Microsoft e o Fundo Vale, a PrevisIA é uma plataforma inovadora que utiliza a inteligência artificial para indicar áreas sob risco de desmatamento na Amazônia. E, com isso, fornecer dados para evitá-lo. Sua metodologia analisa um conjunto de variáveis como a presença de estradas legais e ilegais, o desmatamento já ocorrido, as classes de territórios, a distância para áreas protegidas, os rios, a topografia, a infraestrutura urbana e informações socioeconômicas.

Acesse previsia.org.br para saber mais

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Projeto de cosméticos sustentáveis assegura renda de comunidades na Amazônia

Fase de beneficiamento do fruto do tucumã na cooperativa Camtauá no Pará. Foto: Carranca/GIZ Brasil

Inovação, na Amazônia, começa quando, envolve quem e responde a quê?

Pode ser a quebra da casca do tucumã (Astrocaryum vulgare), fruto de uma palmeira de caule espinhoso, comum no nordeste do Pará. No passado, era feita com martelinho, horas de trabalho sobretudo feminino, de quem também cuidava da casa e dos filhos, à espera do marido, agricultor extrativista.

Acontece que o tal fruto, aberto, revela um tesouro natural para a saúde do rosto e do corpo, por exemplo. Foi por isso que consultores da cidade apareceram para criar um maquinário que facilitasse a quebra – logo rejeitado pela comunidade por não ser prático nem eficiente. Entraram então em cena lideranças locais, que aplicaram o conhecimento adquirido na lide com o tucumã. E aí…

…. Foi um tal de virar a máquina pelo avesso, modificando a posição das pás e alterando polias e roldanas até dar a força exata de impacto, otimizada pela instalação de energia elétrica (antes, era movida a pedal). Fazia-se necessário abrir a casca, dura feito rocha, sem prejudicar em demasia a polpa da amêndoa ou semente (laranja, de onde se extrai óleo) e a massa interna (branca, da qual se faz manteiga vegetal).

O resultado pode ser exibido em toneladas: das oito por mês, produzidas com o martelinho pela família extrativista, hoje contam-se oito por dia, graças à máquina aperfeiçoada.

Igarapé do nordeste do Pará onde atuam as cooperativas do projeto Cosméticos Sustentáveis da Amazônia. Foto: Carranca/GIZ Brasil

Symrise é a empresa alemã que se associou à brasileira Natura em 2017 para a produção de cosméticos a partir da biodiversidade amazônica. A parceria recebe o nome de Projeto Cosméticos Sustentáveis da Amazônia e tem o apoio da GIZ, sigla em alemão para Sociedade Alemã de Desenvolvimento Internacional – empresa federal de interesse público que dá apoio ao governo daquele país em ações de desenvolvimento sustentável planeta afora.

“No Brasil, a GIZ atua há mais de 60 anos e conta com o Ministério Federal de Cooperação Econômica e Desenvolvimento alemão como principal financiador de projetos”, informa Thais Penna Vasconcelos, assessora técnica. “A ideia é encontrar propostas sustentáveis que respeitem a biodiversidade, melhorem o cotidiano das populações envolvidas e atraiam a participação de empresas alemãs”.

Do projeto, exemplo de parceria público-privada, participam 19 cooperativas, produtores e associações de moradores e agricultores extrativistas do Amazonas, Pará e Rondônia, beneficiando 3 mil pessoas direta ou indiretamente. O custo logístico de trabalhar na Amazônia tem preço – e, nas duas fases iniciais, os investimentos alemães já alcançaram cerca de 6 milhões de euros.

O projeto, que já passou pela fase de organização dos grupos e atividades (2017-2021), concluiu a fase dois, em setembro passado, de inovação com valor agregado. Deu certo? Justo ouvir quem é da terra. Caso de Maria Valquíria de Lima Cordeiro, da Cooperativa Agropecuária dos Produtores Familiares Irituienses (D’Irituia), e de Gilson Santana, da Cooperativa Mista Agroextrativista de Santo Antônio do Tauá (Camtauá), ambas no Pará.

Seleção do tucumã na cooperativa D’Irituia, nordeste do Pará. Foto: Carranca/GIZ Brasil

Valquíria, como é chamada, tem 42 anos, dois filhos, marido e memória exemplar. “Já passamos muita dificuldade. Quase fechamos as portas da cooperativa, pois não tinha como pagar as contas”, recorda. Até surgir o convite de participar no projeto: “reviravolta divina!”. Porque a diferença de trabalhar com as empresas, enfatiza Valquíria, “é que elas nos tratam como parceiros, oferecendo organização, estrutura e até formação em informática para trabalhar.”

Foi mesmo um desafio, na pandemia, dar sequência ao cronograma de atividades, se o que predominava era o “analfabetismo digital”, na definição da assessora Thais, entre os cooperados. A necessidade obrigou, porém, a encontrar alternativas, caso dos cursos à distância e do incentivo, a seguir, de prosseguir os estudos – seguido à risca por Valquíria, que se formou em gestão ambiental. Hoje é diretora financeira, a “alma” do negócio de sua cooperativa.

Quanto a Gilson, 35 anos, pai de gêmeas, carrega a comunidade no sangue, afinal, a Camtauá foi iniciada por sua mãe. “Tinha 21 anos quando entrei para a cooperativa. Trabalhava na coleta do murumuru [Astrocaryum murumuru], época em que ninguém entendia o valor de manter a floresta em pé”, conta. Quando o projeto foi iniciado, “comecei a transmitir aos agricultores extrativistas o que era necessário para manter a qualidade em todas as etapas de produção da matéria-prima”. Popular, foi eleito presidente da cooperativa em 2016, cargo que ocupou até 2022.

Hoje, como gerente de produção, seu desafio é manter em constante aperfeiçoamento tanto o maquinário quanto as fases de beneficiamento do tucumã e murumuru para alcançar maior rendimento a quem é da Camtauá (atualmente, cerca de R$ 2 mil mensais, a mesma renda média dos cooperados da D’Irituia).

Após usar maquinário aperfeiçoado pela comunidade, cooperado da Camtauá finaliza a seleção do murumuru. Foto: Carranca/GIZ Brasil

Com quatro centrais de processamento e duas agroindústrias em atividade, o projeto Cosméticos Sustentáveis da Amazônia já tem a fase 3 em andamento desde setembro passado. O financiamento alemão é de cerca de 3 milhões de euros para impulsionar, nos próximos três anos, a educação.

“Queremos transmitir às futuras gerações o conhecimento disponibilizado, talvez por meio de plataformas de ensino”, diz Cristiane de Moraes, diretora de sustentabilidade da Symrise na América Latina. Encarregada da divisão de Ingredientes para Cosméticos, ela opina, orgulhosa: “Este projeto faz a diferença na Amazônia, não é comum ver resultados como os das fases já finalizadas”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Marion Frank

Povo Juma luta para sobreviver em meio a invasões e desmatamento no sul do Amazonas

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Foto: Puré Juma/Agência Pública

A Terra Indígena (TI) Juma está a apenas 5 quilômetros da BR-230, que termina na cidade amazonense Lábrea. Isso significa que, por terra, invasores só precisam andar por cerca de três horas na floresta amazônica para chegar ao território onde vivem os Juma, um povo de recente contato que, em 1964, sofreu um massacre.

Mais de 60 pessoas morreram. Exatos 60 anos depois, os sobreviventes, seus filhos e netos, seguem ameaçados. Desta vez, pelo avanço do desmatamento no sul do Amazonas, antes considerado uma das áreas mais preservadas do estado. Como são poucos, se sentem em risco.

Ela conversou com a reportagem da Agência Pública em sua língua nativa, a Kagwahiva, da família Tupi-Guarani, falada por sete povos na Amazônia. Boreá sabe bem o que está acontecendo em seu território e nas redondezas de sua terra tradicional, na qual nasceu, cresceu e viu seus ancestrais partirem e deixarem legado e histórias para contar. 

De acordo com a cacica, as derrubadas de mata e as queimadas feitas ao redor da TI “são para fazer grandes pastos de fazendas e criação de gado”. O foco dos grileiros, pessoas que desmatam e se apossam de terras públicas, são áreas não destinadas, ou seja, regiões sob responsabilidade de governos estaduais ou federais que ainda não tiveram sua finalidade definida.

Leia também: Florestas públicas não destinadas: 36,5% do desmate na Amazônia em 2023

Por que isso importa?

  • Avanço do desmatamento no sul do Amazonas tem ameaçado a sobrevivência dos Juma e de outros povos originários na região.
  • Povos indígenas de recente contato, como o Juma, devem ser protegidos pelo Estado com ações específicas.

Ainda que o desmatamento na Amazônia tenha reduzido 30,63% entre agosto de 2023 e julho deste ano, a maior taxa de redução em 15 anos, os números seguem altos, com o sul do Amazonas se consolidando como a nova fronteira do desmatamento.

No ano passado, por exemplo, a cidade de Lábrea, que fica a pouco mais de 90 quilômetros da TI Juma, superou Altamira, no Pará, como a líder no ranking de municípios com maior área desmatada no Brasil. Mesmo quando ocorrem fora dos limites do território Juma, os crimes ambientais afetam a sobrevivência dos povos originários, pois geram a escassez de alimento, com a fuga de animais, além de levar poluição a lugares sagrados.  

“Aqui na aldeia tinha muitas araras-azuis, mas elas desapareceram. Talvez foi por causa do calor, ou falta de alimento, ou a derrubada [de árvores] que afastou as araras. Não foi só arara, também os porcos-do-mato não aparecem mais, os peixes diminuíram, os nambu e os jacamim não se encontram mais, e as frutas estão produzindo em época diferente”, finalizou a cacica.

Invasores deixam rastros

Além do caminho pela floresta, também é possível chegar à TI Juma pelo rio Assuã, um afluente do rio Purus, em um trajeto de cerca de 40 minutos de barco. A facilidade de acesso ao território deixa os indígenas cercados e expostos a diversos perigos, como o próprio desmatamento e a possibilidade de confronto, verbal ou físico, com suas lideranças. 

No trajeto que fazem pelo rio para chegar à TI, os Juma costumam observar suas margens, em busca de caça ou para registrar as clareiras que são abertas pelos madeireiros, que entram em áreas protegidas para roubar madeira. Em junho de 2024, quando a reportagem foi até a aldeia, isso aconteceu. De longe, o grupo de cerca de cinco indígenas que estava no barco a motor viu restos de árvores derrubadas em um local com marcas de pegadas. Encostaram a embarcação na margem e registraram o caso. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Pública, escrito por Puré Juma

‘Vem pro Acre’: série de vídeos mostra destinos turísticos no estado

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Trilha Chico Mendes. Foto: Marcos Rocha/Sete

Com humor, comida boa e experiências incríveis, a Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), lançou a série Vem pro Acre‘, que mostra os destinos turísticos do estado e suas belezas. A série explora, além de destinos em meio à floresta, como a Trilha Chico Mendes, lugares mais urbanos, como o Palácio Rio Branco, que conta parte da história do Acre e funciona como sede do governo do Estado.

A série é produzida pela equipe da pasta e divulgada nas redes sociais. O apresentador Bruno Moraes visita cada local e mostra as experiências com muita informação e diversão garantida.

Além das trilhas, o Vem pro Acre deve mostrar também os museus que relembram e contam a história do estado e da população acreana, e outros destinos que despertam o interesse em saber mais da memória do Acre.

O ‘Vem pro Acre’ é mais uma das iniciativas para fomentar o turismo no estado. O titular da pasta, Marcelo Messias, ressalta a importância de projetos como este. “O Vem pro Acre é uma série que mostra nossos principais pontos turísticos em diversos municípios do estado nas rotas turísticas. Com o objetivo de fortalecer e dar mais visibilidade aos destinos, a série de vídeos vem ainda para aguçar a curiosidade não apenas dos visitantes, mas também dos acreanos e da população que reside no nosso estado”, afirma.

Foto: Divulgação

O Bruno Moraes explicou, ainda, o processo de criação da série. “É uma honra poder fazer parte desse projeto idealizado pela equipe de Comunicação da Sete. Essa ideia surgiu de uma necessidade de divulgar as atividades no Acre, tanto para atrair mais turistas, quanto para fazer com que os próprios acreanos desfrutem do seu espaço”, explicou.

O projeto é coordenado pela equipe de comunicação da Sete, integrada pelas jornalistas Karolini Oliveira e Maria Fernanda Arival, o film maker Marcos Rocha e o apresentador Bruno Moraes, em parceria com a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom).

Os primeiros episódios já foram lançados na página da pasta no Instagram, podendo ser acessada pelo @turismoacre.

ESG empresarial: a chave para o sucesso

Foto: Divulgação

Adotar práticas de ESG – Ambiental, Social e Governança, é uma necessidade para as empresas mais modernas. O conceito é aplicável para todo o tipo de negócio, sendo determinante para o crescimento e desenvolvimento dos negócios contemporâneos.

Assim, estar preparado para atender ao que o conceito exige, é também um dever dos profissionais de diferentes áreas e setores, tanto na parte interna, quanto na parte externa da empresa.

Entre as características do ESG, destaca-se o impacto positivo na sociedade e nos ecossistemas, as relações interpessoais, a conservação do meio ambiente, gestão de processos, adoção de práticas administrativas eficientes, transparência, gestão de crise e riscos e a responsabilidade fiscal.

Para preparar profissionais capacitados e preparados para atender ao que os grandes negócios priorizam, o MBA em ESG Empresarial: Gestão, Sustentabilidade, Estratégia e Inteligência Artificial da PUCPR é uma excelente escolha.

O curso oferece uma formação inovadora, projetada para capacitar profissionais a integrar os princípios de sustentabilidade, governança corporativa e responsabilidade social nas suas práticas empresariais.

Todo o conteúdo foi desenvolvido para preparar líderes empresariais para o futuro, com foco em estratégias ESG (ambientais, sociais e de governança) aliadas ao uso de tecnologias avançadas, como a inteligência artificial.

Dessa forma, os estudantes aprenderão, durante a pós-graduação, a utilizar IA para aprimorar e otimizar estratégias sustentáveis nas organizações; analisar, em estudos de casos reais, simulações e projetos práticos para aplicar o conhecimento adquirido em desafios concretos e ainda perceber como a inovação e as ferramentas tecnológicas podem transformar a sustentabilidade e a responsabilidade social nas empresas.

“A pós-graduação da PUCPR prepara os estudantes para ingressar no mercado de trabalho com diferenciais competitivos por meio de uma ampla oferta de cursos de especialização em todas as áreas do conhecimento. Com formatos variados — presenciais, semipresenciais e a distância (EaD), tanto com aulas síncronas quanto gravadas —, os cursos são constantemente renovados e atualizados a cada edição”, explica o Diretor da Educação Continuada da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Emílio Borsa,

Quem pode realizar essa pós-graduação?

Como o objetivo do MBA é formar líderes empresariais capazes de implementar estratégias ESG eficientes, utilizando tecnologias de ponta para promover a transparência, a eficiência e a responsabilidade nas suas organizações, qualquer potencial líder pode se inscrever.

Por isso, se você quer saber mais sobre o tema para crescer na carreira e, ao mesmo tempo, é alguém com fortes habilidades de liderança, pensamento estratégico, capacidade analítica e foco em inovação, o lugar certo para transformar sua carreira é na PUCPR.

Pós-graduação prepara profissionais para os desafios da contemporaneidade

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Foto: Divulgação

O mundo contemporâneo está repleto de desafios. Novas formas de se comunicar, de trabalhar e até mesmo de interagir entre os indivíduos trazem incertezas e inseguranças tanto para quem vai ingressar no mercado de trabalho, quanto para quem já está inserido no cotidiano profissional.

Por isso, a adaptação e a preparação devem ser constantes, em uma maneira de atualização para as práticas e processos mais modernos. Uma escolha inteligente para quem não quer perder espaço nesse cenário de volatilidade, é a busca por conhecimento constantemente.

O Diretor da Educação Continuada da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Emílio Borsa, expõe que a inovação é a aposta para enfrentar os desafios locais e globais, principalmente com a revolução digital e a crise climática.

“A pós-graduação lato sensu segue como a melhor opção para profissionais que buscam um caminho seguro para sua capacitação. Além de oferecer conteúdos, técnicas e ferramentas atualizados e organizados de maneira fluida, conta com o apoio de corpo docente qualificado e a segurança de que o aprendizado é relevante e reconhecido tanto pela comunidade acadêmica quanto pelo mercado de trabalho”, comenta.

Há mais de 65 anos, a PUCPR prepara seus alunos de graduação e pós-graduação para encarar todo e qualquer tipo de desafio, pois os estudantes são os protagonistas da aprendizagem. “O foco não está apenas na transmissão de conteúdo, mas no desenvolvimento da autonomia intelectual e da colaboração entre alunos, o que os prepara para resolver problemas complexos”, reforça Carlos.

Além disso, a instituição, signatária do Pacto Global da ONU, também orienta seus cursos para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, abordando questões como sustentabilidade e direitos humanos.

Foto: Divulgação

Reconhecimento e tradição aliados à compreensão da contemporaneidade

A PUCPR é a terceira melhor universidade privada do Brasil. Além disso, é destaque ainda pela produção científica de impacto e pela qualidade dos cursos de pós-graduação. A universidade integra tecnologia e inovação em seus programas, como o Centro de Realidade Estendida, que oferece uma experiência imersiva para alunos de graduação e pós-graduação.

Para quem já está no mercado de trabalho, a PUCPR também é uma escolha certeira com os cursos de pós-graduação online ao vivo. São mais de 100 cursos interativos, com uma metodologia que valoriza a aprendizagem personalizada. As aulas ao vivo permitem a participação ativa dos alunos, favorecendo o networking e a troca de experiências.

O formato de ensino flexível é ideal para quem busca equilibrar os estudos com outras responsabilidades profissionais e pessoais. Ao final do curso, os alunos recebem certificações reconhecidas pelo MEC, que podem ser usadas para aprimorar seus perfis profissionais no mercado de trabalho.

“A PUCPR se destaca pela inovação nos formatos de aula, nas estruturas de seus laboratórios com simulações de realidade estendida e nos sistemas de avaliação, garantindo uma experiência de aprendizado que combina flexibilidade, qualidade e alinhamento com as demandas do mercado, oferecendo soluções para o agora”, completa Borsa.

Com uma abordagem inovadora e alinhada às demandas do mercado, a PUCPR prepara seus alunos para uma carreira bem-sucedida, baseada em competências essenciais para enfrentar os desafios de um mundo em constante mudança.

Garimpo desmata mais de 23,5 mil hectares de Terra Indígena em Rondônia em 9 meses

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Invasão de garimpo ilegal aumenta na Terra Indígena Sete de Setembro. Foto: Reprodução

A área devastada pelo garimpo ilegal na Terra Indígena (TI) Sete de Setembro, em Cacoal (RO), teve um aumento de 23.508 hectares em apenas nove meses. Os dados são do Núcleo de Geoprocessamento da Associação de Defesa Etnoambiental (Kanindé), por meio de imagens geoespaciais.

A TI Sete de Setembro ocupa uma área de 248 mil hectares e é habitada por cerca de 1.600 indígenas. Em janeiro deste ano, a área explorada já somava por volta de 79.357 hectares. Já em outubro, esse número saltou para aproximadamente 102.865 hectares.

O número representa uma área equivalente a mais de 102 campos de futebol devastados pelo garimpo. Nas fotos obtidas através das Imagens Planet (NICFI) e do Google Earth, é possível ver a mudança no cenário de devastação em poucos meses.

Garimpo ilegal em 2024 na TI Sete de Setembro. Foto: Divulgação/Planet (NICFI)

Já nesta imagem, é possível identificar os locais que estão sendo devastados pelo garimpo ilegal. A linha verde delimita o território, e o ponto vermelho marca a área de garimpo:

Garimpo ilegal na TI Sete de Setembro em RO. Foto: Divulgação/Planet (NICFI)

Segundo a Kanindé, o aumento de áreas devastadas pelo garimpo traz sérias consequências para as comunidades indígenas e para o meio ambiente. O garimpo ameaça diretamente a saúde, a segurança alimentar e a cultura dos povos indígenas.

Terra Indígena Sete de Setembro

A TI Sete de Setembro, que é habitada por indígenas Paiter Suruí, está localizada entre os estados de Rondônia e Mato Grosso, em uma área de 248.146 hectares. O modo de vida tradicional do povo Suruí está ligado ao uso da floresta e às atividades extrativistas.

Os Suruí de Rondônia se autodenominam Paiter, que significa “gente de verdade, nós mesmos”. Eles falam uma língua que pertence ao grupo Tupi da família Mondé.

Os Paiter Suruí relatam que seus antepassados migraram das proximidades de Cuiabá para Rondônia durante o século XIX, fugindo da perseguição de ‘brancos’. Eles relatam que viveram em paz até a década de 60, quando os conflitos com os não indígenas retornaram.

No dia 7 de setembro de 1969, funcionários da Funai, incluindo o sertanista Francisco Meirelles, penduraram objetos em uma das aldeias para atrair pacificamente os Paiter Suruí, o que marcou o primeiro contato oficial do povo com os não indígenas.

Entre 1970 e 1974, os indígenas enfrentaram surtos de sarampo, gripe e tuberculose, que reduziu pela metade a população dos Suruí. Além disso, na mesma época, uma grande parte de seu território foi invadida por colonos que exploraram recursos naturais, como extração ilegal de madeira

A demarcação da Terra Indígena (TI) Sete de Setembro ocorreu em 1976, e a posse permanente foi declarada em 1983, quando os Paiter Suruí puderam voltar a viver em seu território.

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Modo de vida tradicional

O modo de vida tradicional do povo Suruí está ligado ao uso da floresta e às atividades extrativistas. Atualmente, parte deles trabalham com agricultura familiar e agroflorestal, sempre aliados à sustentabilidade.

Os frutos produzidos dentro da TI, além de gerarem renda, também contribuem para alimentação e manutenção da forma de vida desses povos. Além disso, cascos e partes de árvores se tornam matérias primas para a confecção de artesanatos, feito pelas mulheres das aldeias.

*Com informações da Rede Amazônica RO

Ucayali é destaque no combate à extração ilegal de madeira no Peru

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Foto: Divulgação/Andina

Ucayali, no Peru, posiciona-se como a região com melhores resultados no combate à extração ilegal de madeira ao registrar o menor índice de Extração Não Autorizada de Madeira (ENA) nos títulos de licenciamento, chegando a apenas 2% em escala nacional. Dado foi destacado na reunião de representantes do Organismo de Supervisión de los Recursos Forestales y de Fauna Silvestre (Osinfor) e do Governo Regional de Ucayali, no início de dezembro.

Foto: Divulgação/Andina

O desempenho da região de Ucayali no manejo florestal sustentável e no cumprimento das regulamentações florestais também foi destacado no evento.

O percentual equivale a 1.347 metros cúbicos de madeira, segundo fiscalização realizada pela Osinfor em 2024. O resultado foi descrito pelo chefe da organização, Williams Arellano, como um marco que posiciona Ucayali como exemplo para as demais regiões amazônicas na gestão responsável para as florestas. 

O governador regional, Manuel Gambini Rupay, comemorou os avanços, destacando que representam “boas notícias” para a região no combate à ilegalidade, especialmente em um setor que é crucial para a economia regional e também nacional. Por isso, comprometeu-se a acompanhar as ações realizadas com a Osinfor e outros atores do setor.

Compromissos com a sustentabilidade

Outro ponto relevante foi o aumento da emissão de Certificados de Cumprimento de Obrigações pela Osinfor. Desde 2021, foram concedidos 64 certificados em Ucayali, comprovando o cumprimento dos compromissos adquiridos pelos donos de títulos qualificativos. Estes certificados, que são documentos legais, proporcionam segurança jurídica aos proprietários e reforçam a competitividade dos produtos florestais nos mercados nacionais e internacionais.

Foto: Divulgação/Andina

Também foi destacado que, pelo terceiro ano consecutivo, não foram detectados planos de manejo com inexistência de árvores em Ucayali, um indicador da melhoria na qualidade dos planos e do comprometimento dos atores florestais da região.

Também foi ratificada a disposição de trabalhar em conjunto no âmbito do Acordo pelas Florestas, assinado entre a Comunidade Regional Amazônica e a Comissão Multissetorial Permanente de Combate à Extração Ilegal de Madeira (CMPLTI), da qual a Osinfor conta com a Secretaria Técnica.

Este compromisso inclui o desenvolvimento de um plano de trabalho para 2025, com ações concretas que fortaleçam a governança florestal e a implementação de ferramentas pelos governos regionais que compõem a Commonwealth, com o apoio dos membros do CMPLTI.

*Com informações da Agência Andina

Amapá, Pará e Maranhão: tecnologia da Nasa será usada pela Petrobras no monitoramento da Margem Equatorial

Foto: Divulgação/Nasa

A Petrobras terá mais um meio para garantir mais segurança em explorações de petróleo na Margem Equatorial, no trecho dos estados do Amapá, Pará e Maranhão (Amazônia Legal). A empresa foi aceita no Programa de Primeiros Usuários (Early Adopters) da missão Nasa-ISRO Synthetic Aperture Radar (Nisar). O sistema é inédito em coleta de imagens de Radar de Abertura Sintética (SAR), por satélite, para observação da Terra.

O engenheiro Fernando Pellon, consultor sênior da Gerência de Geoquímica do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes), explicou que em regiões inundáveis, os manguezais são ecossistemas muito sensíveis a derrame de óleo, por isso serão muito importantes as informações dos mapas de sensibilidade a derrames de óleo.

O projeto será desenvolvido pela agência espacial americana e pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial, com início previsto para 2025, quando também a petroleira brasileira passará a utilizar as imagens no seu projeto Observatório Geoquímico Ambiental da Margem Equatorial Brasileira (ObMEQ). 

A Petrobras vai representar um dos 100 projetos da missão. Por parte da empresa, a intenção é monitorar o ambiente marinho e costeiro no trecho dos três estados na Margem Equatorial, além de atualizar o mapeamento desse litoral.

Mudanças climáticas

Para o engenheiro, o monitoramento vai permitir acompanhar também as mudanças climáticas. “O satélite orbita a 747 quilômetros da Terra e vai obter imagens a cada seis dias de um determinado ponto da superfície da Terra. Vai ter uma cobertura quase contínua de todas as áreas imersas e cobertas de gelo. É uma massa de dados muito interessante. Vai ter informações de biomassa, de desastres naturais, elevação do nível do mar, água subterrânea e vai ter dois sensores. Um da Nasa na chamada banda L e o dos indianos de um comprimento de onda menor na banda S”, disse.

Segundo Pellon, atualmente, é comum fazer avaliações com base em fotografias aéreas, imagens óticas que aparecem, por exemplo, no google maps. O engenheiro acrescentou que essas imagens são adquiridas na margem do visível, ou seja, recebem energia por comprimento de ondas que permitem aos olhos humanos enxergarem. Entretanto, existem outras faixas do espectro eletromagnético em que também existe radiação e não são percebidas. Com esse programa vai ser possível obter imagens para análises, mesmo que o céu esteja coberto por nuvens, o que não ocorre com outros sistemas.

“Uma delas é a infravermelho que se tem informação sobre a construção mineralógica e química das rochas. A gente não vê, mas esta informação está disponível e os sensores em aviões ou satélites são capazes de captá-las. No entanto, para essa faixa de espectro nas nuvens elas constituem barreiras, porque esses sensores medem a energia refletida pelo sol. Se a nuvem está no caminho ela é uma barreira e o sensor só consegue pegar a energia refletida pela nuvem. A imagem é cheia de nuvens”, observou.

O consultor do Cenpes adiantou mais uma aplicação significativa do sistema. “Uma outra vantagem do sistema de radar é que como dispõe da sua própria energia, se pode adquirir imagens à noite, porque não depende da luz solar. É como se fosse um flash. Se consegue fazer a imagem no escuro fazendo uma comparação”.

Rio Grande do Sul

Como o satélite terá condição de fazer uma cobertura contínua em toda a área imersa do globo terrestre, o engenheiro disse que pode ajudar também na avaliação dos impactos que o Rio Grande do Sul enfrentou após os desastres ambientais de maio deste ano. 

“Vai ter dados também dessa região, por isso é uma missão tão importante”, disse, destacando que a importância das informações aumenta na medida em que são compartilhadas.

“O grande barato hoje é compartilhar, você cresce muito mais compartilhando do que excluindo. De fato, essa questão das mudanças climáticas é um assunto de interesse global, e toda informação de qualquer lugar do mundo é importante”, disse.

O projeto ObMEQ é um dos 13 realizados pelo Cenpes na área de sustentabilidade e meio ambiente para a Margem Equatorial. De acordo com a Petrobras, eles são desenvolvidos em rede por diversas instituições, com a participação de universidades e de outros grupos da região, como costuma ocorrer nas parcerias de pesquisa da empresa.

Transparência

Na visão da empresa, o projeto terá transparência uma vez que fornecerá a configuração sempre atualizada do litoral da Margem Equatorial, disponível para utilização não só de diversas áreas da Petrobras, como de órgãos ambientais e da sociedade, conforme as necessidades de cada um. 

“Uma utilização adicional dos dados da Missão Nisar diz respeito à detecção de manchas de óleo na superfície do mar, tanto de origem natural [exsudações] como antrópica [derrames]”, explicou.

O projeto ObMEQ, segundo a empresa, resulta da parceria entre o Cenpes e um ecossistema de universidades e instituições do Norte-Nordeste, liderados pela Universidade Federal do Pará (UFPA). 

“A participação do Cenpes no Early Adopters Program da Missão Nisar é um selo de qualidade científica para o Projeto ObMEQ, uma prova de que a Petrobras e seus parceiros acadêmicos no Brasil estão articulados com o que há de mais avançado na comunidade científica internacional. A colaboração entre os cientistas brasileiros e da Nasa será uma importante contribuição à aquisição do conhecimento científico necessário para o monitoramento ambiental sistemático da zona costeira de manguezais ao longo da Margem Equatorial”, disse.

*Com informações da Agência Brasil