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2025 chegando, desarmonias e novos desafios a vencer

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Foto: Dedhie Rihadi/Pixabay

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Como na vida e no cosmo nada permanece o mesmo desde a grande explosão que fez o Senhor do Universo criar tudo em sete dias, a Terra e seus habitantes. De fato, amanhã não somos os mesmos de hoje. Segundo o Yuval Harari, em “Uma Breve História da Humanidade”, há cerca de 13,5 bilhões de anos, a matéria, a energia, o tempo e o espaço surgiram naquilo que é conhecido como o Big Bang. Por volta de 300 mil anos após seu surgimento, prossegue, “a matéria e a energia começaram a se aglutinar em estruturas complexas, chamadas átomos, que então se combinaram em moléculas; a história dos átomos, das moléculas e de suas interações é denominada química”.

Ele faz um recorte do que muito tempo depois passou a ser conhecido como “história”, observando que “há cerca de 3,8 bilhões de anos, em um planeta chamado Terra, certas moléculas se combinaram para formar estruturas particularmente grandes e complexas chamadas organismos. Há cerca de 70 mil anos, os organismos pertencentes à espécie “Homo sapiens” começaram a formar estruturas ainda mais elaboradas chamadas culturas. O desenvolvimento subsequente dessas culturas humanas é denominado história”. Segundo Harari, “três importantes revoluções definiram o curso da história. A Revolução Cognitiva deu início à história, há cerca de 70 mil anos.

A Revolução Agrícola a acelerou, por volta de 12 mil anos atrás. A Revolução Científica, que começou há apenas 500 anos, pode muito bem colocar um fim à história e dar início a algo completamente diferente”. Afirma que “muito antes de haver história, já havia seres humanos. Animais bastante similares aos humanos modernos surgiram por volta de 2,5 milhões de anos atrás”. Os “humanos”, na verdade, mesmo que, desesperadamente tentam provar o contrário, não passamos de simples grãos de areia no seio de um vasto, incomensurável e insondável Universo que se sustenta nas galáxias, nas imensidões da abóbada celestial, nos sistemas solares, dentre os quais se destaca o nosso, ao que tudo indica, por suas características astrofísicas e geopolíticas, único.

Nesta quadra natalina e da proximidade do fim de mais um ano, ditas conjecturas, ao que presumo, assumem especial relevância e significado por nos induzirem a reflexões particulares sobre a essência e o real significado da vida. O dia a dia, as atribulações existenciais, os conflitos políticos e ideológicos, as crises econômicas, as adversidades e assimetrias diplomáticas, tudo somado nos conduz a refletir sobre as amplas possibilidades e talentos com que somos dotados e que podem ser utilizados para o bem ou para o mal, em proporções até hoje não precisamente dimensionadas. Mais ainda: nem sempre de acordo com nossas convicções sobre Deus, religiões e liberdades, o poder que tem o cidadão de exercer a sua vontade dentro dos limites que lhe faculta a lei.

Diante das complexidades que a vida inexoravelmente nos impõe, recorro a Rudyard Kipling e ao seu extraordinário poema “Se” por meio dos seguintes versos: “Se és capaz de manter tua calma, quando, todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa. De crer em ti quando estão todos duvidando, e para esses no entanto achar uma desculpa. Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes, e, entre Reis, não perder a naturalidade. E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, se a todos podes ser de alguma utilidade. Se és capaz de dar, segundo por segundo, ao minuto fatal todo valor e brilho. Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo”.

O poema preconiza que a pessoa deve confiar em si mesma, no livre arbítrio, o poder que cada indivíduo tem de escolher suas ações; de exercer com autodeterminação sua capacidade de assumir riscos ao seguir em frente segundo seus próprios impulsos. Assim sendo, desejo a cada amazonense, a todos os brasileiros que as alegrias do Natal se prolonguem ao longo de 2025, pleno de realizações, paz, harmonia, tolerância e fé nos desígnios do Criador.

Feliz Ano Novo!

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Jovens amazonenses criam projetos para enfrentamento de queimadas e previsão de seca

Projeto criado por estudante de 12 anos tem objetivo de reduzir os impactos das queimadas na Amazônia. Foto: Sabrina Rocha/g1 Amazonas

Dois estudantes adolescentes desenvolveram projetos que podem ser usados como soluções inovadoras para o enfrentamento de queimadas florestais e à previsão de seca nos rios do Amazonas. As iniciativas, apresentadas em uma mostra tecnológica em Manaus, tem como objetivo minimizar os impactos da crise climática na região.

Neste ano, o Amazonas viveu um cenário ambiental crítico devido à combinação de seca dos rios e queimadas. Na capital, o Rio Negro atingiu 12,11 metros, o menor nível já registrado em mais de 120 anos de medição. Além disso, um levantamento realizado pela WWF-Brasil, com base em dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostrou que o número de queimadas na Amazônia aumentou 43,7% nos 11 primeiros meses de 2024.

Davi Bonifácio Guimarães Sanches Ruiz, de 12 anos, é um dos criadores do projeto “Resfrecadinho”, que consiste em um sistema de extintores inteligentes instalados na floresta para combater incêndios.

Projeto “Resfrecadinho” consiste em um sistema de extintores inteligentes instalados na floresta para combater incêndios. Foto: Sabrina Rocha/g1 Amazonas

Em entrevista ao g1, o jovem explicou que a ideia surgiu a partir dos recorrentes problemas enfrentados pelo estado durante o período de estiagem, quando densas nuvens de fumaça encobriram o céu das cidades, principalmente devido às queimadas em áreas de mata.

“Quando a gente pensa em problemas que temos na Amazônia, a primeira coisa que a gente pensa é: fumaça, fogo, queimadas, então, por isso eu pensei [no protótipo]; acho que consegue ajudar a combater esses incêndios”, afirmou.

O jovem explicou que o sistema foi projetado para detectar níveis de focos de calor. Ao identificar a queimada, o sistema enviaria um sinal para dois outros dispositivos interligados, instalados em torres de transmissão com conexões via satélite. Esses dispositivos registrariam, por meio de imagens, a localização exata das chamas e, em seguida, as autoridades seriam avisadas para fazer o combate ao fogo.

Paralelamente, um alarme instalado nas árvores começaria a emitir um sinal sonoro, alertando as pessoas próximas sobre o incêndio. Quando acionado, o sistema dispara uma barreira de contenção, utilizando espuma mecânica ou água, para conter o avanço das chamas.

A mãe do jovem, Melania Bonifácio, disse estar orgulhosa pela criação de Davi e contou que ele já revelou o sonho de colocar o protótipo em prática. “Ele chegou em casa e disse: ‘eu queria tornar isso realidade’, e eu falei que não era impossível, só precisava estudar e correr atrás”, salientou.

Sistema de previsão da seca

Na mesma mostra tecnológica, João Marcos Glória apresentou o “RiverTrack”, um sistema que utiliza Inteligência Artificial (I.A) para prever a estiagem nos rios do Amazonas. O jovem explicou ao g1 que, além de calcular o nível da seca para o próximo ano, o software também fornece dados sobre o mês em que a estiagem atingirá o ponto crítico, com a maior queda no nível das águas.

João Marcos Glória apresentou o “RiverTrack” para prever estiagem dos rios do Amazonas. Foto: Sabrina Rocha/g1 Amazonas

O sistema ainda oferece informações adicionais, como a previsão do tempo e os índices de umidade na região.

Para o professor da Manaós Tech, Pedro Cabral, que orientou o desenvolvimento dos sistemas, o objetivo foi justamente aproximar os estudantes do mundo real, os desafiando a resolver problemas existentes.

“Quando eles atingem um certo nível de habilidade com softwares e programas que a gente utiliza, a gente traz eles para o mundo real e propõe um problema para que pensem e trabalhem para achar uma solução”, completou.

*Por Sabrina Rocha, da Rede Amazônica AM

Indígenas da Etnia Miranha promovem primeiro intercâmbio entre parentes do Brasil e da Colômbia

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Elio Miraña ensina jovens da aldeia São Pedro do Cuiú Cuiú a realizar cantos e danças tradicionais do povo Miranha. Foto: Miguel Monteiro

Em novembro deste ano, foi realizado um encontro histórico entre indígenas Miranha do Brasil e da Colômbia, movido pela vontade de resgatar uma cultura que foi violentamente arrancada de um povo ao longo do tempo.

Os preparativos e a realização deste encontro foram marcados por iniciativas e trocas extremamente simbólicas entre os parentes que vivem às margens do mesmo rio, mas foram divididos por uma fronteira territorial e linguística. Neste processo, ao resgatar o seu passado, os Miranha esperam também consolidar a sua trajetória futura.

Histórico do Povo Miranha

A história entre os Miranha no Brasil e na Colômbia se conecta com a economia da borracha. A partir de meados do século XIX, o rio Japurá foi cenário de grandes seringais, gerando processos migratórios para este rio, sendo a etnia Miranha uma das submetidas a um sistema de exploração do trabalho para a extração da borracha até o início do século XX.

Desse modo, com seus territórios ancestrais situados na região dos rios Cahuinari e Caquetá na Colômbia (Japurá no Brasil), os Miranha habitantes no Médio Rio Solimões são os descendentes dos inúmeros processos de deslocamentos forçados da etnia ao Brasil, onde reconstruíram sua identidade e resistiram às tentativas sistemáticas de invisibilizar sua cultura na região , habitando atualmente quatro Terras Indígenas: Méria, Miratu, Igarapé Grande e Cuiú Cuiú.

Buscando reconhecer essas histórias, lideranças e gestores da aldeia São Pedro do Cuiú Cuiú, com aproximadamente 300 moradores, não mediram esforços para colocarem em prática um antigo sonho: o de promover o fortalecimento da cultura e da governança local e o resgate da língua materna. Desde dezembro de 2023, o grupo Miranha vem executando junto aos parceiros do Instituto Mamirauá, ACT – Amazon Conservation Team e CIMI – Conselho Indigenista Missionário, o projeto “Fortalecimento da História, cultura e resgate da língua materna”.

Para a equipe de apoiadores institucionais, o projeto emerge da premissa desses atores em buscar instrumentos que possibilitem ao grupo o amadurecimento das formas locais de governança do território e das práticas de gestão comunitárias. Para isso, o projeto foi proposto de modo que possibilitasse o engajamento diversificado de moradores, envolvendo crianças, jovens, adultos e anciões, com diferentes trajetos, experiências e conhecimentos, envolvendo lideranças, professores, agricultores, pescadores, estudantes, agentes de saúde indígenas, entre outros.

Nesse sentido, o projeto buscou gerar instrumentos didáticos e pedagógicos através dos quais o grupo da aldeia São Pedro possa ter contato e iniciar o processo de aprendizado da língua indígena, além da realização do Iº Intercâmbio Miranha Brasil-Colômbia. Para isso, ao longo do ano, o Instituto Mamirauá e ACT-Brasil apoiaram a organização de uma oficina de audiovisual com os moradores da aldeia São Pedro para que o grupo obtivesse autonomia para realizar seus próprios registros. Dessa forma, os moradores da aldeia produziram um conjunto de registros audiovisuais, compostos de narrativas de vida, histórias de formação do território, no passado e no presente.

Estas ações somaram-se às atividades de pesquisa documental sobre a história do povo e formação de seu território. Estas atividades preparatórias, incluindo a construção de uma maloca, caminhadas pelo território, reuniões para elaboração de roteiros para conteúdos didáticos e pedagógicos, mobilizou crianças, jovens, adultos e anciãos em um processo de aprendizado e produção coletivos de reconexão com suas próprias histórias e modos de vida Miranha. Em paralelo, a equipe organizadora Miranha do Cuiú Cuiú reunia-se virtualmente com os parentes colombianos para discussões e planejamentos do encontro, iniciando a realização do sonho do reencontro entre parentes.

Em novembro, entre os dias 23 e 28, a segunda etapa do projeto promoveu o intercâmbio que envolveu o grupo Miranha da aldeia São Pedro do Cuiú Cuiú e os parentes Miranha colombianos, da região do Rio Caquetá/Cahuinari. Do território colombiano, vieram quatro indígenas Miranha, um casal de anciões, Gregório Miranha e Angelina Bora-Miranha, um professor e pesquisador, Elio Miranha, e o presidente da organização indígena Miranha e Bora PANI, Roque Miranha. A PANI, cujo significado em Miranha é “Deus do Centro e seus Netos” (Piine Ayveju Niimu’e Iaachimu’a) é uma associação de autoridades indígenas tradicionais Bora-Miranha.

Foto: Miguel Monteiro

O Encontro

Após meses de expectativa, o início do encontro foi marcado por uma recepção calorosa e trocas comoventes. Em um primeiro momento, o grupo como um todo decidiu como seria a dinâmica dos próximos dias do intercâmbio. Decidiu-se que atividades cotidianas orientariam os dias de encontro, de modo que os aprendizados da língua estivessem relacionados com atividades práticas e culturais como a importância dos bailes tradicionais, facilitando a sua apropriação.

A partir de temáticas como alimentação tradicional, pintura corporal, cantos e danças; aulas-vivências geraram trocas de conhecimentos sobre os principais elementos da cultura Miranha. Também ocorreram momentos de trocas de conhecimentos e informações sobre a história dos grupos e dos territórios do Brasil e da Colômbia na maloca, que foram mesclados com atividades de aprendizagem práticas no território.

O fio condutor do encontro foi a proposta de que o coletivo estaria aprendendo a preparar um “baile” tradicional Miranha na maloca. Para isso, ao longo dos dias, os anciões Miranha, Gregório e Angelina, conduziram e ensinaram sobre os costumes e rituais de sua tradição, o significado dos cantos e danças e os grafismos e a pintura tradicional de jenipapo e urucum. Também ensinaram a preparar bebidas e alimentos tradicionais, como o “maao” – beiju, e o “ca`guunuko” – bebida de goma de tapioca e abacaxi. Com auxílio dos netos, Roque e Elio Miranha, os aprendizados transmitidos pelos anciões em atividades específicas transformavam-se em momentos de contato e conhecimento da língua materna, exercendo os aprendizados conjuntamente.

O encontro foi intensamente produtivo e emocionalmente forte aos participantes indígenas de ambos os países. Por um lado, o intercâmbio oportunizou cumprir com os objetivos centrais do projeto, relacionados com gerar instrumentos para o resgate da língua, fortalecimento da cultura e história indígena Miranha. Ao mesmo tempo, durante o encontro, os Miranha vivenciaram um momento histórico de reconexão entre os grupos, o reencontro de histórias políticas e trajetos de resistência deste povo, desta vez, reunidos não apenas para se conhecerem, mas com o anseio de traçarem juntos os caminhos futuros, envolvendo estratégias conjuntas de fortalecimento da língua materna e das formas de governança indígena em ambos os territórios.

Compromissos Futuros

A intensa troca de saberes e conhecimentos gerou um conjunto de materiais e conteúdos que serão subsídios para as ações do projeto em 2025, voltadas para a construção de materiais para uso na escola indígena e a realização do IIº Intercâmbio Miranha Brasil-Colômbia – em novembro de 2025, em território Miranha, na Colômbia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por Patrícia Rosa e Miguel Monteiro

Cerâmica Tukano dá pistas sobre o manejo da floresta amazônica

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Coleta da argila em igarapé próximo a Taracuá. As mulheres costumam entoar cânticos e fazer benzimentos, que evocam cura e proteção durante o período de passagem pelas jazi-das, locais sagrados para as oleiras. Foto: Maurício de Paiva

Na Amazônia, o elo entre elementos forma a paisagem cultural da floresta. Terra, mata e água são componentes de uma complexa rede de relações que os povos locais compreendem como o “manejo do mundo”. Uma das formas como isso se apresenta é a arte cerâmica do povo Tukano, no Alto Rio Negro.

Em comunidades como Taracuá, localizada às margens do baixo Rio Uaupés – o segundo maior tributário do Rio Negro –, o trabalho de resgate do conhecimento ancestral mantém viva a tradição oleira até os dias de hoje. As últimas anciãs, detentoras dos saberes que incorporam a manufatura da cerâmica na região, transmitiram às filhas e netas um legado que imprime resistência e conecta passado e presente na Amazônia.

Fundada em 1987, a Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracuá (Amirt), a primeira integralmente feminina do Alto Rio Negro, ocupa lugar de destaque na cadeia produtiva da arte local. A comunidade compreende o “Triângulo Tukano” – Taracuá, Yauaretê e Pari-Cachoeira –, área delimitada por três distritos que, desde as primeiras décadas do século 20, conta com a presença dos missionários católicos salesianos.

O contato com o modelo de colonização trazido pelos europeus acarretou perdas significativas para as populações tradicionais, tais como a substituição gradativa dos artefatos confeccionados há milênios pelas mercadorias dos pehkasã – os não indígenas, em Tukano. Entretanto, a mobilização das ceramistas estimulou mulheres de diferentes gerações a se unir na luta pelo fortalecimento da identidade sociocultural e pela defesa de seus direitos, previstos na legislação vigente.

Carlos Augusto da Silva, conhecido como Tijolo, arqueólogo indígena, descendente das etnias Munduruku e Apurinã, esclarece que a cerâmica faz parte de um sistema de diálogo criado pelos povos da Amazônia para administrar a floresta. “Eles sabem quando colher as matérias-primas, como armazenar e lidar com os recursos naturais à sua volta. É assim que interagem com o meio, compartilhando com plantas e animais o ambiente ao redor”, comenta Tijolo, que é professor doutor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Há, portanto, uma conexão direta entre o trabalho das ceramistas e a construção de paisagens. Os diferentes tipos de queima são exemplos de uma contribuição intelectual milenar dos povos originários, capaz de gerar solos férteis, como as Terras Pretas Antropogênicas (TPAs). As casas de forno, onde o uso adaptado do fogo pelas mulheres é uma constante, constituem centros de cultivo da terra extraordinários.

“O fogo já vem do começo. Quando voltamos do mato, queimamos primeiro a casca do caraipé [conjunto de árvores nativas usadas para reduzir a plasticidade da argila]”, relata a artesã Maria Lucimar Araújo Costa.

Na Amazônia, o manejo do ambiente ao longo do tempo garante a regeneração cíclica da biodiversidade. Há um grupo representativo de espécies vegetais com as quais as ceramistas interagem, seja durante a coleta da argila, extraída para a confecção das peças, seja na distribuição das plantas cultivadas nos quintais e nas roças. As mais de 20 mulheres associadas à Amirt são também “donas de roça” – nomenclatura utilizada pelos povos rionegrinos para qualificar àquelas que desempenham um papel fundamental no cotidiano das comunidades.

Maria Lucimar Araújo Costa atiça o fogo em casa de forno durante período de produção. O manejo do elemento é imprescindível no decorrer de todo o processo. Foto: Maurício de Paiva

Futuro ancestral

A arte Tukano de fazer cerâmica compõe o chamado Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, reconhecido em 2010 como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Alguns dos bens inventariados nesse sistema são plantas cultivadas, redes sociais de trocas de sementes, sistemas alimentares e artefatos da cultura material, o que inclui a arte cerâmica confeccionada em Taracuá. Sua disseminação é essencial para o resguardo da alta agrobiodiversidade da floresta. Entre hortas e pomares, no ir e vir das casas de forno para as moradias, os residentes acondicionam os produtos da roça, tiram azeite de pupunha, descascam mandioca, amolam terçado, ajeitam polpa de cupuaçu.

As mulheres rionegrinas carregam consigo o conhecimento tecnológico escrito na memória de seus povos. A queima das peças é tão bem feita por elas que as artesãs obtêm a medida ideal entre leveza e resistência. “A cerâmica é como um coração dentro do sistema. Há uma relação sentimental muito forte entre as populações locais e esta arte”, reitera o arqueólogo Tijolo.

A produção se divide em diversas etapas: cerca de 12 dias dedicados ao ofício, dos ritos que antecedem a coleta ao acabamento. Segundo a narrativa mítica dos Tukano, Di’i Mahso (Vovó Argila) é a guardiã das jazidas de argila, locais sagrados para as artesãs. A defumação – que exige extrema habilidade das ceramistas ao manejar o fogo – confere às peças, enegrecidas pelo contato com a fumaça, uma das marcas do povo Tukano.

A valorização dos saberes tradicionais e da ciência mateira fortalece as cadeias produtivas sustentáveis, que conservam e restauram a vegetação nativa, além de garantir o bem viver das populações locais. “Para mim, trabalhar com as nossas próprias mãos é algo muito valioso: ensinar os nossos conhecimentos pra outras pessoas, pros nossos filhos, e nossos filhos vão ensinar para os filhos deles e assim a cultura vai expandindo”, afirma Maria Suzana Menezes Migues, uma das ceramistas veteranas da associação.

A maior parte das vendas da Amirt é destinada à Wariró, marca coletiva ligada à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn). Com o Amireta, barco adquirido em 2018, a associação presta serviços para as comunidades indígenas, além de escoar a cerâmica e os produtos das roças locais. As peças produzidas pelas mulheres Tukano chegam a lojas de São Gabriel da Cachoeira, Manaus e São Paulo.

A reportagem integra o projeto “Amazônia: fogo contra fogo” e foi produzida com o apoio do Rainforest Journalism Fund, em parceria com o Pulitzer Center.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Carolina Pinheiro e com fotografias de Maurício de Paiva

Lei que torna Cruzeiro do Sul, no Acre, capital nacional da farinha é sancionada

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Farinha é símbolo do município de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Foto: Gleison Miranda/Secom AC

Uma lei que torna a cidade de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, a capital nacional da farinha foi sancionada pelo presidente Lula e publicada no Diário Oficial da União (DOU) no dia 23 de dezembro.

A lei n.º 15.051/2024, projeto de autoria do senador Alan Rick (União Brasil), foi sancionada após ser aprovada nas duas casas do Congresso Nacional, e reconhece a importância do município na produção nacional do ingrediente originado a partir da mandioca.

“A produção da farinha, além de gerar empregos e contribuir para a economia local, é uma tradição passada de geração em geração, que remonta aos costumes e conhecimentos tradicionais dos habitantes originários da região, indígenas, cujas técnicas artesanais garantem a preservação dos sabores e aromas típicos. O produto é conhecido por sua coloração amarela e sua textura fina e macia, o que o diferencia das demais farinhas do País”, destaca a justificativa do projeto.

Conforme o governo do estado, em 2017, a farinha de Cruzeiro do Sul se tornou o primeiro produto brasileiro derivado de mandioca a obter o selo de Identificação Geográfica (IG). A qualidade do produto foi reconhecida por meio de marca registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), órgão federal ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

Produção de farinha chega a 335 mil toneladas em uma área de cerca de 14 mil hectares. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

Ainda de acordo com a justificativa do projeto, produção de farinha no Vale do Juruá chega a 335 mil toneladas em uma área de cerca de 14 mil hectares, o que dá uma média de 23,8 toneladas por hectare. Até 2019, a cadeia produtiva da mandioca correspondia a 50% da produção agrícola do estado.

Como boa parte da história acreana, a produção da farinha remonta à chegada de imigrantes cearenses na região, e se destacou após o fim dos ciclos da borracha. A produção depende da colheita da mandioca do solo, transporte até a casa de farinha, geralmente feito em carros de boi, onde é colocada num equipamento chamado bolador, onde, em seguida, são retiradas as impurezas.

*Por Victor Lebre, da Rede Amazônica AC

29 de dezembro, o dia em que 11 municípios do Pará celebram aniversário

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Comemorar o aniversário é um símbolo de passagem importante. E quando se trata de cidades mostra a marcação histórica de sua construção. Com 144 municípios, o Pará é um dos estados da Amazônia Legal que possuem um volume grande de cidades criadas quase ao mesmo tempo. Prova disso é que 11 municípios do estado comemoram aniversário no mesmo dia.

Conheça as principais características de cada cidade e a importância delas para o desenvolvimento do Estado:

Jacundá

A população da cidade de Jacundá chegou a 37.707 pessoas no Censo de 2022, o que representa uma queda de -26,58% em comparação com o censo de 2010. O município possui como principal manifestação religiosa a festa em homenagem ao seu padroeiro, São João Batista, comemorado no dia 24 de junho.

Legislação – O parlamento do Pará aprovou o Projeto de Lei de n°291/2019, de autoria do deputado Fábio Freitas que declara e reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará, o Centro Social e Educacional de Jacundá – CSEJ; além disso, foi aprovado também o PL de n°150/2014, de autoria do ex-deputado Pio X que declarou de Utilidade Pública para o Estado a Associação Desportiva Jacundá Kart Clube.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Jacundá

História – Habitada inicialmente pelos indígenas gaviões, a área originária do município de Jacundá teve entre os seus primeiros ocupantes brancos o Coronel Francisco Acácio de Figueiredo, integrante da comitiva do Deputado e Coronel Carlos Gomes Leitão, que chegou ao local em 1892. O pequeno povoado ribeirinho servia de parada para quem navegava pelo Rio Tocantins e sediou a 2º circunscrição judiciária do município de Baião, ao qual pertencia.

Em 1915 cem moradores fizeram um abaixo-assinado e conseguiram fixar o povoado ao território de Marabá. Na época, a principal atividade econômica era o extrativismo da borracha, do caucho, da castanha-do-pará e do diamante. Já no final dos anos 30, a exploração de diamantes às margens do Tocantins, na localidade de Foz do Riacho (depois chamado de Jacundá) era a principal fonte da economia local. Por Jacundá passava um trecho da estrada de ferro Tocantins.

Jacundá tem duas fases históricas importantes: a primeira começa no dia 29 de Dezembro de 1961 – data da emancipação – e se estende até 1980. A segunda começa do ano de 1980 e estende-se até os dias atuais. Esta segunda data refere-se à transferência da sede do município (ainda conhecida como Vila Arraiá”), que antes era localizada às margens do Rio Tocantins, para as margens da Rodovia Paulo Fontelles (PA-150), em virtude da necessidade de remanejamento da população ribeirinha do rio Tocantins para a formação do grande lago da Hidrelétrica de Tucuruí. Arraiá, por sua vez, na condição de sede municipal, passou a denominar-se Jacundá ainda em 1962, formando o único distrito do município.

Santa Maria do Pará

A população do município de Santa Maria do Pará, situado na região nordeste do estado, aproxima-se dos 24.700 habitantes, o que representa um aumento de cerca de 6,94%, em comparação com o censo de 2010. O Balneário Paraíso dos Pardais, e a Praça Matriz da cidade, onde fica localizada a Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, onde são celebradas as tradicionais missas e os festejos religiosos do município, são os locais de maiores concentrações dos turistas e dos moradores do município nos dias de festejo.

Legislação – A Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) aprovou o Projeto de Lei n° 577/2023, de autoria do deputado Carlos Bordalo (PT) que declara e reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará, a Associação da Família e Amigo do Autista de Santa Maria do Pará – AFAMA; Além disso, o parlamento do Pará aprovou também o PL de n° 449/2023 de autoria do deputado Lu Ogawa que declara de utilidade pública para o Estado, em reconhecimento aos serviços que presta em sua área de atuação o Centro de Convivência e Abrigo dos Idosos de Santa Maria do Pará – CASISMP; e por fim, de autoria da deputada Lívia Duarte (PSOL) o PL de n° 413/2023 que institui no calendário oficial de eventos do Pará, o Dia Estadual “Jacinta Maria de Santana” de Enfrentamento ao Racismo Científico, a ser celebrado no dia 26 de novembro.

Foto: Representação/Prefeitura de Santa Maria do Pará

História – A lei nº 2.460, de 29 de dezembro de 1961, criou o município de Santa Maria do Pará, com território desmembrado do município de Igarapé-Açu. O historiador Carlos Rocque, entretanto, afirma que o município de Santa Maria do Pará foi integrado com terras dos municípios de Nova Timboteua, São Miguel do Guamá e Igarapé-Açu. Contudo, nos atos que afetam a circunscrição legal dos municípios de Nova Timboteua e São Miguel do Guamá, inexistem quaisquer referências ao desmembramento de seus territórios para compor Santa Maria do Pará, nem sequer há indícios sobre a evolução do principal núcleo populacional que lhe deu origem.

Assim como os demais Municípios da Zona Bragantina, sua criação deu-se em decorrência da Estrada de Ferro de Bragança, atualmente extinta. Quando Augusto Montenegro assumiu o governo do Estado, por volta de 1897, uma das metas de sua administração era a conclusão da Estrada de Ferro de Bragança e a colonização da Região Bragantina, que se aproveitaria da Ferrovia para escoar seus produtos para Belém.

Benevides

Benevides, na região metropolitana de Belém, comemora seus 62 anos de fundação, nesta sexta-feira, 29 de dezembro. A população da cidade de Benevides aproximou-se dos 63.600 habitantes, segundo o último censo de 2022, representando um aumento de 23,07% em comparação com o censo de 2010. Para aqueles que desejam se divertir e aproveitar os momentos de lazer, o Parque Água Claras, o Centro Amazônico de Herpetologia, a Orla de Benfica e o Centro Mariápolis Glória são algumas das inúmeras opções que o município oferece à população.

Legislação – O Projeto de Lei de n°370/2023, de autoria do deputado Chicão (MDB) foi aprovada este ano pela Alepa, e reconheceu como de Utilidade Pública para o Estado do Pará, a Associação Menino de Belém, Município de Benevides; além disso, em 2011, o legislativo paraense aprovou o PL de n°56/2011, de autoria da ex-deputada Luzineide Farias, que declara como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará, a Comemoração do dia 30 de março, Dia da Libertação dos Escravos em Benevides.

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – Carinhosamente conhecida como ‘O berço da Liberdade’, Benevides foi a cidade pioneira do Estado do Pará, e a segunda do Brasil, em conceder liberdade aos escravos presos. Foi em Benfica, vila de Benevides que no dia 30 de março de 1884, o então presidente Visconde de Maracaju, da província do Grão-Pará, assinou as cartas de alforria dos primeiros escravos negros, pardos e indígenas que ganharam a liberdade no estado do Pará, quatro anos antes da Princesa Isabel assinar a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.

Além disso, Benevides foi uma das primeiras cidades paraenses que recebeu imigrantes vindos de inúmeros países, como França, Itália e italianos e espanhóis, para trabalharem na produção agrícola da região. No dia 24 de junho de 1884, é inaugurada a Estrada de Ferro de Bragança, passando a cortar a região (inclusive a vila de Benfica) e a escoar toda sua produção ao porto fluvial da capital Belém e posteriormente à cidade de Bragança, que além do transporte de passageiros, foi a responsável pelo desenvolvimento da cidade.

Limoeiro do Ajuru

A população da cidade de Limoeiro do Ajuru aproxima-se dos quase 30.000 habitantes, de acordo com o último censo de 2022 divulgado pelo IBGE, o que representa um aumento de 18,18% em comparação com o censo de 2010.

Legislação – A Alepa aprovou o Projeto de Lei de n° 702/2023 de autoria do deputado Carlos Bordalo (PT) que declarou e reconheceu como de Utilidade Pública para o Estado do Pará, o Instituto Agro-ambiental e Econômico Solidário de Limoeiro do Ajuru – IAESOL; além disso; foi aprovado também, o PL de n°166/2012, de autoria da deputada Cilene Couto que reconhece como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará o Festival do Açaí realizado em Limoeiro do Ajurú.

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – No ano de 1956 houve uma tentativa de provocar o desmembramento de parte da área territorial do município de Cametá, para dar lugar ao nascimento do município de Limoeiro do Ajuru. Entretanto, a ação não prosperou, com a decisão do Supremo Tribunal Federal, a corte declarou a ação como um ato inconstitucional.

Em 1961 o desmembramento foi efetivado, mediante a promulgação da Lei de nº 2.460, assim, Cametá cede as terras pertencentes ao distrito de Janua-Coeli, surgindo então o Município de Limoeiro do Ajuru, que teve como primeiro prefeito Laurentino da Silva, que contribuiu para o desenvolvimento do município.

Peixe-Boi

O município de Peixe-Boi, na região nordeste paraense, celebra seus 62 anos de fundação, nesta sexta (29). A população da cidade chegou a quase 8.300 habitantes, de acordo com o último censo demográfico de 2022, divulgado pelo IBGE, representando um aumento de 5,49% em comparação com o censo de 2010. A Orla da Beira Rio Peixe-Boi; Balneário Urubuquara de Peixe-Boi, são uma das opções de lazer para os turistas e moradores da região.

Legislação – O parlamento do Pará aprovou o PL de n° 214/2016, de autoria do ex-deputado Dr. Jaques Neves, que declara e reconhece como Entidade de Utilidade Pública para o Estado a Associação Cultural Arraial do Peixe-Boi; além disso, o PL de n°110/2014, de autoria do ex-deputado Fernando Coimbra, que reconhece como entidade de Utilidade Pública para o Estado do Pará a Associação dos Proprietários dos bares na Beira Rio Peixe-Boi, no município de Peixe-Boi.

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – A posse da região, onde encontra-se o município de Peixe-Boi, teve início ainda no ano de 1885, quando os primeiros colonos subiram o rio Peixe-boi e estabeleceram a sua confluência com o Rio Timboteua e o igarapé Jaburu. O território de Peixe-boi, pertenceu, inicialmente, ao município de Nova Timboteua, de onde foi desmembrado. Com a expansão das culturas da fibra e da malva, entre outras, a localidade se desenvolveu e, em 1961, adquiriu categoria de município.

Bonito

O município de Bonito, no nordeste paraense, conta com um quantitativo populacional de aproximadamente 12.700 pessoas, de acordo com o censo de 2022, divulgado pelo IBGE, representando uma queda de -7,4% em comparação com o censo de 2010.

Legislação – A Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) aprovou o Projeto de Lei de n° 9/2014, de autoria do ex-deputado Fernando Coimbra, que declara e reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará a Associação dos Amigos Unidos do Município de Bonito.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Bonito

História – Bonito surgiu de um pequeno povoado chamado Açaizal, fundado por famílias evangélicas, sendo a sua grande maioria vindas do nordeste brasileiro, segundo o resumo narrado e transcrito por Samuel dos Santos Monteiro.

Bonito pertencia ao município de São Miguel do Guamá, do qual foi desmembrada a maior parte física de seu território. Em 1958, Bonito foi pela 1ª vez elevado à categoria de município sendo à época, o Marechal Alexandre Zacarias de Assunção, que nomeou o Sr. Deoclécio Godinho, como Prefeito Interino, até que fosse eleito o novo Prefeito. Entretanto, através da Lei nº 2.460 de 29 de dezembro de 1961, o Município de Bonito foi definitivamente emancipado.

Capitão Poço

Capitão Poço é uma das onze cidades paraenses que celebram seus 62 anos de criação nesta sexta-feira, 29. O município conta com quase 56.400 habitantes, de acordo com o censo demográfico de 2022, o que representa um aumento de 8,55% em comparação com o censo de 2010. A Praça da Alvorada e a Igreja Matriz do município são um dos locais mais frequentados pelos moradores e turistas que vão conhecer a região.

Legislação – O parlamento paraense aprovou o Projeto de Lei de n° 381/2022 de autoria do deputado Antônio Tonheiro (PP) que declara e reconhece de Utilidade Pública para o Estado do Pará o Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Capitão Poço; além disso, foi aprovado também, outros dois projetos de lei, o primeiro o PL de n°238/2020 que declara de utilidade pública estadual o Instituto de Desenvolvimento Educacional e Social de Capitão Poço (IDESCAP-PA);e o segundo PL de n° 343/2019 que declara como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará a “Festividade de Santa Luzia”, no Município de Capitão Poço – ambos de autoria da deputada Diana Belo (MDB).

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – No dia 15 de junho de 1945, chegavam a Capitão Poço 15colonos nordestinos vindos em sua grande maioria do Arraial do Caeté e Peixe-boi. Capitão Poço naquele tempo era composto por mata, onde viviam indígenas e madereiros que exploravam a madeira no local, especialmente cedro e feijó, onde eram tiradas e conduzidas em forma de jangadas pelo Igarapé Capitão Poço e pelo Rio Guamá, para serem comercializadas principalmente no município de São Miguel do Guamá.

Colares

A população do município de Colares chegou a quase 12.900 habitantes de acordo com censo demográfico de 2022, o que representa um aumento de 13,07% em comparação com o censo do IBGE de 2010. A Praia do Humaitá e a Praia do Machadinho são um dos locais mais visitados pelos moradores e turistas que vão ao município.

Legislação – O parlamento do Pará aprovou o Projeto de Lei de N° 286/2020, de autoria da ex-deputada Paula Gomes que declara e reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará a Liga Esportiva Municipal de Colares – LEMC; outro PL aprovado também foi o de n° 402/2019, de autoria do deputado Chicão, que declara e reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará, o Grêmio Recreativo Cultural Bloco Carnavalesco “VEMTIMBORA”, do município de Colares.

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – Nos seus registros históricos, há referência de que o povoado original encontrava-se assentado em território da nação dos índios Tupinambás, a mesma que foi colonizada pelos frades da Ordem Jesuíta, por volta do século XVII, o que veio a resultar na constituição do município de Vigia, no ano de 1693.

Em 29 de dezembro de 1961, através da Lei Estadual nº 2.460, Colares voltou a ganhar autonomia como Município ficando, dessa forma, desmembrado do município de Vigia. Hoje, conta com o único distrito que leva o seu nome, constituindo-se a sede municipal.

Senador José Porfírio

A população da cidade de Senador José Porfírio aproxima-se dos 22.600 habitantes, segundo o último censo divulgado pelo IBGE em 2022, o que representa um aumento de 73,06% em comparação com o censo de 2010.

Legislação – O parlamento paraense aprovou o Projeto de Lei n° 21/2020, de autoria do ex-deputado Orlando Lobato, que declarou de Utilidade Pública do Estado do Pará a Colônia de Pescadores Z – 70, com de sede no Município de Senador José Porfírio

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – A história de Senador José Porfírio compreende, tradicionalmente, o período que vai da instalação da missão jesuíta formadora da cidade até os dias atuais. Entretanto o território municipal é habitado, desde tempos imemoriais, por povos indígenas nômades e seminômades.

Elevado à categoria de município com a denominação de Souzel, pela lei estadual nº 2460, de 29 de dezembro de 1961, desmembrado de Porto de Moz e de Altamira, com sede no antigo distrito de Souzel. Foi formalmente instalado em 11 de abril de 1962.

Pelo decreto-lei nº 164, de 23 de janeiro de 1970, o distrito de Souzel passou a denominar-se Senador José Porfírio, em homenagem ao político José Porfírio de Miranda Junior.

São João do Araguaia

Por fim, o município de São João do Araguaia celebra seus 62 anos, nesta sexta (29). A população da cidade aproxima-se dos 13.500 habitantes, de acordo com o censo de 2022, o que representa um aumento de 2,36% em comparação com o censo de 2010.

Legislação – A Alepa aprovou o Projeto de Lei n°337/2019, de autoria do deputado Dirceu Ten Caten (PT) que declara e reconhece de Utilidade Pública para o Estado do Pará a Associação dos Moradores da Comunidade de Ponta de Pedra do Araguaia – AMCPPA, do Município de São João do Araguaia Estado do Pará; além disso, outro PL aprovado foi o de n° 246/2014, de autoria da ex-deputada Tetê Santos, que reconhece como de Utilidade Pública para o Estado do Pará a Associação dos Moradores e Agricultores de São João do Araguaia e Região-PA.

Foto: Reprodução/Agência Pará

História – A localidade de São João do Araguaia surgiu no fim do século XVIII por iniciativa da capitania do Grão-Pará, para estabelecer um entreposto militar na confluência dos rios Tocantins e Araguaia. O nome São João do Araguaia foi dado por localizar-se próximo a confluência do rio Araguaia.

Por sediar um destacamento militar, característica que dava grande importância política no século XIX, a localidade atraiu moradores de Santa Teresa e de Frei Manoel Procópio do Coração de Maria. Depois foi elevada à categoria de povoado em 1901; anos depois, foi elevado à categoria de município com a denominação de São João do Araguaia, amparado pela Lei Estadual n.º 2460, de 29 de dezembro de 1961, desmembrando-se do município de Marabá.

Piçarra

O município de Piçarra aproxima-se dos 12.900 habitantes de acordo com o censo de 2022, o que representa um aumento de 1,06% em comparação com o censo de 2010.

Legislação – A Alepa aprovou o Projeto de Lei de n°421/2023, de autoria do deputado Josué Paiva que Declara e reconhece como de utilidade pública para o Estado do Pará, o Instituto Amor Sem Fronteiras, de Piçarra; por fim, o PL de n° 93/2015, de autoria da deputada Cilene Couto, que declara e reconhece como de utilidade pública para o Estado do Pará a Associação Cultural e de Radiodifusão Comunitária de Piçarra do município de Piçarra.

História – A primeira denominação do atual Município de Piçarra foi Cruzelândia e se constituía num vilarejo, que evoluiu com o crescimento de São Geraldo do Araguaia. Piçarra surgiu quando, em 1978, o Batalhão de Engenharia e Construção – BEC, iniciou a estrada de São Geraldo do Araguaia à Itaipava, em um percurso de 90 km. Em decorrência da grande distância tornou-se necessária a montagem de um acampamento para alojar a equipe e guarda do maquinário.

Foto: Reprodução/Agência Pará

Em seguida decidiu-se por dividir a distância ao meio e montar o acampamento no km 45, que, coincidentemente, seria em cima de uma cascalheira. Por ser uma região totalmente de mata, o BEC mantinha em sua equipe profissionais da área de saúde (médicos e dentistas), que atendiam as pessoas que necessitavam de cuidados médicos e que na época eram conhecidas como ‘sobra de terra’. Como consequência dos atendimentos médicos realizados na região, pois havia muita malária e tifo, muitas pessoas se aproximaram e por conseguinte passaram a montar barracos junto ao acampamento da Piçarreira, como era conhecido o lugar, originando assim o povoado e sua denominação.

O município de Piçarra foi criado através da Lei nº 5.934, de 29 de dezembro de 1995, sancionada pelo governador Almir Gabriel, desmembrado do Município de São Geraldo do Araguaia. A instalação deu-se no dia 01 de janeiro de 1977, com a posse do primeiro prefeito, sr. Milton Pereira de Freitas.

Descobertas surpreendentes: rato nadador e outras 26 novas espécies são encontradas na Amazônia peruana

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Foto: Ronald Díaz/Conservação Internacional

Uma expedição científica realizada em Alto Mayo, bacia alta do rio Mayo, no norte da região de San Martín, no Peru, fez uma descoberta surpreendente: a descoberta de 27 novas espécies de fauna no coração da floresta amazônica, o que confirma que é um ecossistema de grande riqueza biológica. A descoberta causou surpresa e admiração no mundo.

Entre as descobertas mais surpreendentes feitas pela equipe, composta por cientistas da organização sem fins lucrativos Conservação Internacional e membros de grupos indígenas locais, estava um rato anfíbio com pés palmados e um peixe com cabeça redonda. O estudo foi desenvolvido em Alto Mayo, área que se estende dos Andes à Amazônia, “um mosaico complexo e diversificado de ecossistemas e comunidades locais”, segundo os pesquisadores.

A expedição científica, que faz parte do Programa de Avaliação Rápida da CI, durou 38 dias. Segundo a instituição, outras 48 novas espécies também podem ter sido encontradas, mas serão necessários mais estudos para determinar isso.

Em relação ao rato anfíbio, a Conservação Internacional destaca que esta espécie semi-aquática vive num ecossistema conhecido como aguajeles, áreas pantanosas dominadas por palmeiras aguaje. O desmatamento para o cultivo de arroz, detectado em uma área designada como zona de recuperação de ecossistemas, ameaça o habitat único do rato.

Foto: Reprodução/Agência Andina

Larsen afirmou que esta espécie, que provavelmente só vive em Alto Mayo, pertence a um grupo de roedores semi-aquáticos para os quais a maioria das espécies conhecidas são extremamente raras. Documentar até mesmo um único indivíduo “é uma grande conquista”, segundo o diretor.

Outra descoberta notável foi um sapo marrom escuro com um focinho longo pulando nas folhas, revelando brevemente uma barriga rosa brilhante.

Este sapo arlequim (Atelopus seminiferus), que já foi uma visão comum, agora é extremamente raro. Ao que tudo indica, de acordo com Larsen, ele nem deveria estar lá.

“Quase não pude acreditar”, acrescentou. “Este sapo não só está em perigo, mas esta espécie nunca foi encontrada tão abaixo na encosta da montanha. Foi a nossa primeira descoberta importante e um prenúncio de mais por vir”, disse ele.

Da mesma forma, foi descoberto um peixe com cabeça arredondada. Embora seja uma descoberta nova para a ciência, os indígenas Awajún que ajudaram na expedição já sabiam de sua existência.

Os cientistas que estudam peixes ficaram especialmente surpresos com sua cabeça alargada, algo que nunca tinham visto antes.

Os investigadores da Conservação Internacional dizem que as descobertas da expedição são a prova de que a natureza e as pessoas podem prosperar juntas, mas devem ser tomadas medidas agora para preservá-las.

Um tesouro de descobertas

Foto: Divulgação/Conservação Internacional

Durante a expedição, os pesquisadores cruzaram pântanos, lagoas e rios, escalaram montanhas até florestas nubladas e campos agrícolas. Enquanto isso, a equipe de 20 pessoas, incluindo guias indígenas e cientistas, coletou amostras, montou armadilhas fotográficas e redes e ficou atenta aos movimentos e sinais dos animais.

A equipe, formada por 13 cientistas e sete assistentes Awajún, registrou mais de 2.000 espécies de plantas e animais, incluindo 27 novas para a ciência e 49 que estão em perigo de extinção. Em particular, quatro das novas descobertas eram espécies de mamíferos.

Equipados com armadilhas fotográficas, sensores bioacústicos e outras tecnologias, eles exploraram até sete tipos de florestas em Alto Mayo, que vão de 570 a 2.230 metros acima do nível do mar, em busca de plantas, peixes, répteis, anfíbios, aves, mamíferos, borboletas e besouros.

No total, foram registradas 2.046 espécies, entre elas o camundongo anfíbio do gênero Daptomys, com dedos adaptados à água, e três novos anfíbios: um sapo-de-boca-estreita, outro do gênero Pristimantis e uma salamandra arbórea. Eles também encontraram oito peixes, 10 borboletas e dois escaravelhos. Outras 48 espécies aguardam análises que também possam confirmar sua novidade para a ciência.

Um besouro rola-bosta também foi encontrado. Esta espécie é normalmente encontrada apenas em florestas que não foram danificadas pela atividade humana, são indicadores de um habitat saudável. No entanto, lá estavam eles, no meio de uma floresta com cicatrizes claras onde os humanos haviam derrubado árvores, bem como plantações de café.

Da mesma forma, foi identificado um esquilo anão medindo apenas 14 cm, metade do comprimento do esquilo cinzento médio no Reino Unido. “Cabe facilmente na palma da sua mão. É adorável, tem uma linda cor marrom e é muito rápido”, disse Larsen.

*Com informações da Agência Andina

Como combater a dengue: 11 dicas práticas para evitar a proliferação do Aedes aegypti

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Foto: Reprodução/Shutterstock

O Brasil oferece ambientes bastante propícios para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor de doenças como dengue, Zika e chikungunya. Antes endêmico de regiões mais quentes e litorâneas, hoje ele está amplamente distribuído por todo o território nacional, tendo sido registrado em mais de 90% dos municípios, segundo o Ministério da Saúde. Essa disseminação é resultado de uma combinação de fatores climáticos, geográficos e sociais, como temperatura e umidade do ar elevadas durante boa parte do ano, urbanização desordenada e falta de saneamento básico adequado.

O resultado é que, até o início de novembro deste ano, a dengue já superava os 6,6 milhões de casos prováveis no Brasil, recorde histórico da doença, e a chikungunya acumulava mais de 265 mil registros – cerca de 100 mil a mais quando comparado a 2023. A forma mais efetiva de reduzir tais índices, e prevenir a disseminação das chamadas arboviroses, continua sendo combater a cadeia de reprodução do mosquito, conhecido por se desenvolver em ambientes de água parada. De acordo com o Ministério da Saúde, 75% dos focos de criadouros do inseto estão localizados dentro dos domicílios, e dez minutos semanais de dedicação seriam suficientes para eliminá-los e interromper o ciclo de reprodução do vetor.

Confira 11 dicas para colocar em prática já e deixar sua residência livre do A. aegypti:

  1. Mantenha a caixa d’água totalmente vedada e avalie a possibilidade de colocar uma tela na saída do ladrão. O mesmo cuidado é válido para cisternas e tonéis que servem como reservatório de água.
  2. Feche bem os sacos de lixo e procure colocá-los em locais mais altos, fora do alcance de animais. Já as lixeiras devem permanecer sempre muito bem tampadas.
  3. Avalie quais pratinhos de plantas podem ser eliminados e preencha com areia até a borda aqueles que forem mantidos.
  4. Dispense corretamente no lixo qualquer tipo de objeto que não seja utilizado e tenha potencial para acumular água. Garrafas, potes e vasos devem estar vazios e, se possível, tampados.
  5. Retire folhas, galhos e sujeiras que impeçam o livre escoamento da água da chuva pelas calhas.
  6. Instale telas nos ralos e mantenha-os sempre limpos. Caso estejam fora de uso, deixe-os muito bem tampados – o mesmo é válido para sanitários que são utilizados eventualmente.
  7. Limpe e seque as bandejas de ar-condicionado e geladeira – modelos mais antigos do eletrodoméstico podem ter o reservatório na parte de trás.
  8. Utilizando a parte mais áspera da bucha, esfregue muito bem o fundo e as laterais de potes de água oferecidos a animais, assim como qualquer outro apetrecho usado para guardar água.
  9. Na área de serviço, mantenha baldes e outros utensílios virados com a boca para baixo.
  10. Estique ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos, evitando a formação de poças d’água em caso de chuva.
  11. Mantenha em dia a manutenção de piscinas. Os cuidados semanais incluem sanitização da água com cloro e a limpeza das bordas.

Dicas extras para reforçar o cuidado com a sua família:

  • Instale barreiras físicas, como telas nas janelas e portas, além de mosquiteiros em cima de camas e berços.
  • Caso seja possível, use roupas claras e que cubram boa parte do corpo.
  • Aplique repelente na parte da pele que ficar exposta e, também, por cima da própria roupa. Grávidas estão liberadas para usar o produto, desde que esteja registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Já os menores de 2 anos não podem usar repelentes à base de DEET; para crianças entre 2 e 12 anos, a concentração da substância não pode ultrapassar os 10% e a aplicação deve se restringir a três vezes por dia.
Foto: Divulgação

O ciclo reprodutivo do mosquito e a transmissão da dengue

A cada postura, as fêmeas do Aedes aegypti depositam centenas de ovos na parede de criadouros em potencial, geralmente localizados próximos a uma superfície de água. Escuros e menores do que um grão de areia, os ovos podem durar mais de um ano caso permaneçam em ambiente seco, mas eclodem rapidamente assim que entram em contato com a água. Em apenas sete dias, as larvas completam seu ciclo de transformação.

Na fase adulta, o mosquito apresenta coloração marrom e listras brancas bastante características nas regiões das pernas e do tórax. Capaz de viver por mais de 45 dias, o Aedes aegypti possui hábitos diurnos, geralmente se alimentando e se reproduzindo à luz do dia. As fêmeas são as únicas capazes de picar humanos, uma vez que precisam de uma fonte de proteína (sangue) para a maturação dos ovos – se ela estiver infectada, é nesse momento que ocorre a transmissão do vírus da dengue.

Entenda como os vírus podem se adaptar a diferentes mosquitos

Os primeiros sintomas da doença aparecem, em média, cinco dias após a picada do mosquito transmissor e o quadro costuma incluir febre repentina, dor de cabeça, muscular e atrás dos olhos, e prostração. Vômitos persistentes, dor abdominal intensa e sangramento de mucosa são sinais de alerta. Diante de qualquer um desses sinais, a pessoa deve procurar o serviço de saúde imediatamente.

Vacina contra dengue

Em 2024, o Ministério da Saúde deu início à estratégia inédita de vacinação contra o vírus da dengue. Ao lado das medidas de combate ao vetor, a imunização é uma das formas mais eficientes de prevenir a doença. Em um primeiro momento, o produto foi indicado às crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos de idade que residem em municípios com mais de 100 mil habitantes e registraram alta transmissão do vírus nos últimos dez anos. A vacina é recomendada independentemente de infecção prévia e o esquema é composto por duas doses com intervalo de três meses.

Desde 2009, o Instituto Butantan trabalha no desenvolvimento de um imunizante contra a dengue, que se encontra em fase final de regulação junto à Anvisa. Capaz de proteger contra os quatro tipos circulantes do vírus e aplicada em dose única, a expectativa é que a vacina esteja disponível em breve para toda a população brasileira.

*Com informações do Instituto Butantan

Pauta da cultura não avança na COP29 e expectativas ficam para Belém

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Instalação do artivista Shaq Koyok, da Malásia, durante COP29. Foto: Climate Heritage Network

A COP29 foi concluída em Baku, no Azerbaijão, após duas semanas de negociações tensas. Ao longo de 30 horas, o encontro foi marcado por desentendimentos sobre a questão principal da COP: o financiamento da emergência climática. O resultado levou representantes de países em desenvolvimento a protestarem e contestarem o acordo. 

Apesar dos enormes esforços dos defensores da cultura, os negociadores da COP, infelizmente, perderam a oportunidade de uma negociação favorável para o planeta e os seus povos, não conseguindo nem mesmo dar um pequeno passo em direção ao objetivo central do Apelo Global de abordar a falta de preocupação com os aspectos culturais dentro das políticas e planejamento climáticos internacionais. 

No final, os delegados conseguiram garantir uma  única referência à cultura nas decisões da COP.  Esta referência pode ser encontrada na polêmica decisão do Programa de Trabalho de Mitigação, onde a discussão sobre “cidades: edifícios e sistemas urbanos” salienta a “necessidade de adaptar soluções aos contextos socioculturais e econômicos”. Esta inclusão baseia-se no amplo envolvimento do Grupo de Trabalho 3, encabeçado pela Cultural Heritage. Este esforço será ampliado em 2025 através da nova iniciativa “Imaginando futuros descarbonizados”. 

Outro ponto alto para os delegados de cultura na COP tratou-se do reconhecimento que a cultura tem potencial para ser aliada na ação climática. O destaque foi feito na reunião ministerial sobre cultura e clima. Como resultado, ficou o compromisso de conquistar um plano de trabalho específico na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC.) 

Uma uma série de eventos paralelos valiosos aconteceu, incluindo o Fórum Cultura e Clima, diversos eventos no Azerbaijão, como o  ICESCO, instituições climáticas regionais, o Hub da Resiliência, além de ações em países como o Emirados Árabes Unidos, a Itália e a Grécia. Também houve forte presença de advocacy coordenado e energizado por defensores das artes, da cultura e do património que alcançaram os mais altos níveis da COP.

Foto: Divulgação/COP29

Nosso objetivo político central: solicitação de uma oficina cultural 

A dimensão sociocultural é reconhecida, ao mesmo tempo, como uma barreira fundamental e como facilitadora da ação climática – mas a cultura recebe pouca atenção em comparação com outras condições facilitadoras, como o financiamento e a inovação tecnológica. A única referência da COP29 à cultura na decisão do Programa de Trabalho de Mitigação é uma exceção que provou mais uma vez a regra em Baku.

Para finalmente mudar este paradigma, antes da COP28 em 2023, milhares de organizações e líderes apoiaram o Apelo Global para Colocar o Patrimônio Cultural, as Artes e os Setores Criativos no Centro da Ação Climática, que apelam aos negociadores climáticos na COP para permitirem que a cultura contribui plenamente para soluções climáticas.  A COP28, em Dubai, deu, então, um passo importante nesta direção com o lançamento do Grupo de Amigos da Ação Climática Baseada na Cultura, uma coligação internacional de membros da UNFCCC (o órgão das Nações Unidas responsável pelo clima e cuja sede fica em Bona, na Alemanha) que defende uma ação climática baseada na cultura.

Este ano, a campanha Apelo Global buscava unir entidades não-estatais e países membros do Grupo de Amigos em torno de uma proposta para incluir algumas palavras no documento final da COP29, expressando um pedido da COP para que os Órgãos Subsidiários da UNFCCC realizassem um ou mais workshops sobre questões relacionadas com a cultura e o patrimônio em 2025. Porém, a proposta não foi para frente. 

Este passo aparentemente pequeno teria sido fundamental para uma decisão cultural mais signifcativa na COP30, levando a um Joint Work (JW) sobre cultura e ação climática em 2026. Os poucos avanços em Baku impediram que, em 2026, houvesse o primeiro plano de trabalho para a cultura. 

A apresentação e adoção de uma Joint Work (JW) é um objetivo fundamental da campanha de Apelo Global. O fracasso da COP29 em proporcionar workshops culturais durante o evento torna mais difícil garantir que esta vitória da cultura ocorrerá na COP30 em Belém, Brasil. Também perde-se a oportunidade de entender o poder da cultura para impulsionar metas mais ambiciosas para as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs do inglês Nationally determined contributions), compromissos que os países assumem para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. 

2ª Reunião Ministerial de Alto Nível sobre Ação Climática Baseada na Cultura 

O Grupo de Amigos da Acção Climática Baseada na Cultura reuniu-se em Baku na 2ª Reunião Ministerial de Alto Nível na COP29, que teve lugar em 15 de Novembro de 2024. Esta reunião foi co-patrocinada pelo Ministério da Cultura do Azerbaijão e os copresidentes do Grupo de Amigos, Brasil e Emirados Árabes Unidos. 

Num passo positivo, a Reunião Ministerial adotou Termos de Referência para o Grupo de Amigos que declararam que o objetivo do Grupo é o lançamento do primeiro Programa de Trabalho sobre Ação Climática Baseada na Cultura. A campanha Apelo Global instou os ministros a transformarem estas palavras em ações, decidindo trabalhar coletivamente para a inclusão de um pedido de workshop cultural nas decisões finais da COP29. A necessidade urgente desta ação foi fortemente expressada por Sua Alteza Real, da Jordânia, Enviada Especial da Rede do Patrimônio Climático para o Diálogo Ministerial.

O pedido do workshop cultural também atraiu o apoio de países membros do Grupo de Amigos, como Malta e Espanha. No final, porém, a Reunião Ministerial terminou sem decidir apoiar a cultura na decisão final da COP29. 

A atenção agora se volta para a COP30 no Brasil  

Foto: Divulgação Apex Brasil

A COP29 foi uma oportunidade crítica para lançar as bases para a adoção, na COP30, de uma decisão de trabalho conjunto destinada a reforçar as ligações entre o clima e a cultura. O fracasso em fazê-lo deixa um caminho incerto para garantir uma vitória política para a cultura na COP30, criando o risco de que aquela que se espera ser a COP mais cultural da história não consiga, no entanto, preencher a lacuna cultural na política climática. 

Uma lição da COP29 é que concretizar o potencial do Grupo de Amigos requer uma estratégia mais sofisticada. Para atingir nosso objetivo comum, um Plano de Trabalho para a Cultura precisaremos de um apoio robusto nas capitais nacionais e em todo o mundo. Por esta razão, o Apelo Global, sob a liderança de Alison Tickell da organização Julie’s Bicycle, reiniciará a sua campanha dirigida ao público em 2025, com o objetivo de criar um movimento público para colocar a cultura no centro da ação climática, para que os governos nacionais não possam ignorar. 

Um primeiro teste ocorrerá em junho de 2025, quando os órgãos subsidiários se reunirem em Bonn, na Alemanha, para reuniões semestrais denominadas “SB62”. No SB62 será crucial garantir um sinal de que a cultura estará na agenda da COP30. Os intervenientes não estatais estão prontos para ajudar os governos nacionais a alcançarem este objetivo.  Esforços como estes poderiam ajudar a garantir que o Brasil será lembrado como o lugar onde a lacuna cultural sistêmica da política climática foi finalmente preenchida.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Andrew Potts, membro do Comitê Diretor da Climate Heritage Network

Convênio de qualificação turística para a COP30 é assinado entre governos do Pará e Federal

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Foto: Alessandra Serrão/MTur

A Escola Nacional de Turismo, inaugurada recentemente em Belém (PA), realiza uma parceria com a Secretaria de Estado de Turismo para ampliar a oferta de cursos no setor. Por meio da cooperação, o Ministério do Turismo (MTur) vai garantir a liberação de R$ 1 milhão para disponibilização de vagas do seu Programa “Capacita COP30”.

Leia também: Primeira Escola Nacional de Turismo é inaugurada em Belém pelo MTur

Serão 15 turmas em diferentes cursos, como “Protocolo e Cerimonial” e “Agente Comunitário para o Turismo”. Também haverá qualificações focadas no setor de bares e restaurantes, totalizando 450 vagas ainda no primeiro semestre de 2025.

O secretário de Estado de Turismo, Eduardo Costa, celebrou a parceria entre o MTur e o Governo do Pará. “O Ministério do Turismo, que já tomou uma iniciativa superimportante para a qualificação no Pará, com a inauguração da Escola Nacional de Turismo, agora reforça essa parceria com o Governo do Pará, com essa transferência de recursos que vão incrementar a oferta de cursos dentro do programa ‘Capacita COP30’. Com isso, sem dúvida, daremos mais um salto na qualificação para o mercado de turismo no Pará”, afirmou Costa.

Cooperação

A Escola Nacional de Turismo foi inaugurada em Belém no último dia 29 de novembro pelo ministro do Turismo, Celso Sabino; o governador do Pará, Helder Barbalho; e autoridades locais. O espaço ocupa instalações do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), por meio de um Acordo de Cooperação Técnica pelo qual a instituição executa cursos presenciais e a distância, contemplando a capital paraense e o interior do estado.

No primeiro ciclo de cursos, a Escola está ofertando 4,7 mil vagas nas cidades de Belém, Santarém, Vigia e Bragança e, também, de forma online, em todo o Pará. A lista de cursos inclui disciplinas a exemplo de “Gestão de Negócios para o Turismo”, “Educação Ambiental e Sustentabilidade”, “Governança para a Hospedagem Familiar” e “Condutor de Atrativos Turísticos”, entre outros, além de idiomas como inglês e espanhol.

O objetivo da unidade é fortalecer a atividade turística na capital paraense com foco na realização da COP30. Além de Belém, o Rio de Janeiro (RJ), uma das principais portas de entrada de visitantes estrangeiros no Brasil, também ganhará uma Escola Nacional de Turismo, no próximo ano.

*Com informações do Ministério do Turismo