Há um tema em ascensão nas pesquisas relacionadas à economia, a política monetária verde. A busca por publicações relacionadas ao assunto rendeu à pesquisadora Kelly Cristina Leal de Almeida Carvalho, do Programa de Pós-Graduação em Economia, com o trabalho “Política monetária verde: uma análise do papel do Green Central Banking na transição para uma economia de baixo carbono” o segundo lugar na Competição 3MT® Teses e Dissertações UFMT – Versão Temas ODS 2024, entregue no IV Seminário de Sustentabilidade na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
A pesquisadora explicou que o trabalho empreende uma revisão de toda a literatura global em torno da política monetária verde.
“É um tema emergente, então a literatura sobre essas políticas, ela vem muito de 2016 para a atualidade e todas de outros países. Quase não temos publicações aqui da América Latina mesmo, não só do Brasil. Então, nós conseguimos criar um quadro que dá publicidade para essas políticas”, relata sobre o conjunto de pesquisas em desenvolvimento na atualidade que estão relacionadas à construção da política monetária verde.
A proposta da pesquisa é de divulgar, mostrar o conjunto de propostas em política monetária verde, de políticas macro prudenciais aí que podem ser utilizadas pelos bancos centrais em todo o mundo.
“Trouxemos um pouco de como que cada uma dessas políticas funcionam, mas assim o resultado final do nosso trabalho ele converge então para essa relação entre como essas políticas podem ser aplicadas a depender da característica do país”, pontua a pesquisadora Kelly Cristina Leal de Almeida Carvalho.
O olhar sobre as diferenças entre os países apontam também para diferentes caminhos nas concepções em torno da política monetária verde.
“Economias emergentes, países desenvolvidos, tem características diferentes, economias diferentes e também vão precisar de políticas adequadas para aquele contexto. O Brasil entra na parte das economias emergentes, então existem mais políticas, o que a gente conseguiu identificar é que existem mais políticas que são compatíveis com economias emergentes como o Brasil”, pontua a pesquisadora.
A respeito da política monetária verde, a pesquisadora ressalta que o país tem diferentes ações na área e que estão presentes no estudo.
“O Brasil tem um destaque sim, ele tem várias iniciativas que constam no nosso trabalho até por conta do agronegócio e de muitas iniciativas. Por exemplo, a energia solar, outras fontes de energia renovável, energia limpa situam o Brasil, nesse papel bem singular diante dos outros países em desenvolvimento”, finaliza.
Tendo em vista a realização da COP 30 na cidade de Belém, em 2025, as Pró-Reitorias de Ensino, de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação e de Extensão do Instituto Federal do Pará (IFPA), publicaram um chamamento interno para a captação de vídeos de projetos de ensino, pesquisa, inovação e/ou extensão onde haja o tema “Combate de mudanças climáticas” e em que um ou mais dos 18 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) sejam o foco das ações ou façam parte dos mesmos.
Os vídeos selecionados farão parte de uma série de vídeos institucionais que serão circulados nas redes sociais em preparação à COP-30. A iniciativa busca promover a publicização de projetos de ensino, pesquisa, inovação e/ou extensão desenvolvidos no IFPA, além de valorizar as ações educacionais que trazem em seu cerne o desenvolvimento regional sustentável.
Podem submeter vídeos os servidores do IFPA que sejam coordenadores de projetos de ensino, pesquisa, inovação e/ou extensão já finalizados e que possuam os temas de mudanças climáticas e um ou mais dos 18 ODS.
A submissão da proposta deve ser feita por meio do envio do formulário de inscrição, devidamente preenchido, juntamente com o envio de um vídeo, de no máximo 2 minutos, mostrando como o projeto alcançou o tema. O período de envio é de 02 de janeiro a 20 de fevereiro, com data a depender da ODS do projeto.
A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) lançou o e-book “Bio(Socio)Diversidade e Pluralidade na Amazônia Sul Oriental”, uma coletânea de pesquisas que destaca a riqueza e a diversidade acadêmica da região. A obra é apresentada como os VIII Anais do Encontro de Pós-Graduação da Unifesspa, realizado em 2023.
O e-book reúne estudos desenvolvidos nos programas de pós-graduação da universidade, abordando diversos temas relacionados à Amazônia Sul Oriental. Os capítulos exploram áreas como desenvolvimento e planejamento regional, educação científica, ensino de ciências e humanidades, história, literatura, sustentabilidade, etnicidade, linguística, entre outros. Assim, o trabalho mostra a interdisciplinaridade e a relevância das pesquisas realizadas no contexto amazônico.
De acordo com o professor Francisco Adriano Carvalho, diretor de pós-graduação da Unifesspa e organizador do eBook, o projeto nasceu do desejo de dar visibilidade aos trabalhos realizados por pesquisadores, professores e alunos da instituição.
A iniciativa, articulada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação (Propit), em conjunto com os programas de pós-graduação da universidade, celebra a dedicação e o esforço da comunidade acadêmica.
“Para muitos discentes, esta é a primeira obra científica publicada que atende a todos os critérios estabelecidos pela Capes. Portanto, é certamente um marco na vida deles”, afirma.
Já para pró-reitorra Gilmara Lima, “o lançamento deste eBook simboliza o compromisso institucional em tornar o conhecimento científico acessível e útil para a sociedade. É fruto da dedicação coletiva de discentes e professores da pós-graduação que se empenham todos os dias para transformar pesquisa em avanço científico e social”.
Museu Casa de Rondon, Vilhena: último posto telegráfico original em Rondônia. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
Há exatamente 110 anos, o coronel Cândido Mariano da Silva Rondon (1865/1958) inaugurava a linha telegráfica que conectava Rondônia ao Brasil, um marco histórico na expedição que durou oito anos e transcendeu a comunicação.
Em 1º de janeiro de 1915, Rondon realizou o feito em Santo Antônio do Rio Madeira, cidade que seria anexada a Porto Velho em 1945. A comissão científica liderada por ele realizou estudos pioneiros em hidrografia, mineralogia, botânica, etnologia, entre outras áreas, possibilitando o reconhecimento do estado de Rondônia.
A expedição Roosevelt-Rondon, realizada entre 1913 e 1914, em paralelo à Comissão Telegráfica, descobriu a foz do Rio da Dúvida, rebatizado como Rio Roosevelt, e produziu um inventário sobre aspectos biológicos, ambientais e sociológicos da região.
Memorial Rondon, Porto Velho. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal
Rondon, indicado três vezes ao Prêmio Nobel da Paz, é oficialmente considerado herói da Pátria e precursor dos direitos humanos. Seu legado inclui políticas indigenistas inovadoras e o reconhecimento internacional como defensor dos povos originários.
Hoje, o Memorial Rondon, em Porto Velho, e a Casa de Rondon, em Vilhena, são lembranças tangíveis da importância histórica de Rondon. O nome “Rondônia” eterniza sua memória, significando “terra de Rondon”, segundo o antropólogo Edgard Roquette-Pinto que criou o neologismo.
Sobre o autor
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) do Amazonas iniciou a expansão dos diálogos a respeito de projetos de carbono em Unidades de Conservação (UC) Estaduais. No dia 18 de dezembro, representantes da pasta estiveram reunidos junto a conselheiros, lideranças e instituições parceiras para tratar sobre as iniciativas dentro do Mosaico do Apuí.
O encontro ocorreu como parte da 21ª Reunião do Conselho Consultivo do Mosaico do Apuí, um agrupamento de nove UC Estaduais, no município de Apuí (a 453 quilômetros de Manaus), no sudeste do Amazonas. A secretária adjunta de gestão ambiental da Sema, Fabrícia Arruda, destaca que a etapa antecede a implementação das iniciativas.
“O Parque é de proteção integral e a Floresta é de uso sustentável, mas é de difícil acesso, ou seja, não há uso direto desses territórios e nem comunidades inseridas. Ainda assim é importante que a gente dialogue com o Conselho do Mosaico, que é um colegiado que discute a gestão dessas áreas, para que o projeto atenda as expectativas deles para as áreas”, disse.
Na reunião, a Sema apresentou o histórico de avanços na Política Estadual de Serviços Ambientais, passando também pela habilitação de Agentes Executores Ambientais e pela seleção de propostas para gerar créditos de carbono a partir de iniciativas de Redução de Emissões do Desmatamento e da Degradação Florestal (REDD) em Unidades de Conservação.
Na prática, os Agentes selecionados poderão desenvolver projetos de conservação associados à geração de renda nas áreas protegidas, centradas em reduzir o desmatamento, evitar a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) e consolidar os Planos de Gestão das Unidades de Conservação. As ações podem contemplar ações de desenvolvimento da bioeconomia, proteção da biodiversidade, fortalecimento das Associações-Mães, atividades socioambientais e outros.
Impacto na ponta
Apenas na Floresta Estadual e no Parque Estadual do Sucunduri, em Apuí, a capacidade de geração de créditos a partir de projetos de REDD+ é superior a 1,3 milhões de toneladas de carbono equivalente (tCO₂e) em 30 anos, o que pode gerar mais de R$ 900 milhões de receita no período.
Com a proposta de promoção de alto impacto social, os recursos captados pela venda de créditos de carbono têm garantia de benefício direto para a UC. Dos recursos captados, os Agentes Executores com propostas habilitadas poderão reter até 15% de taxa administrativa, conforme o Edital nº 002/2023. Do restante, 50% serão obrigatoriamente investidos na UC onde os créditos foram gerados.
Os outros 50% serão destinados ao Fundo Estadual de Mudanças Climáticas (Femucs), para melhorar as estruturas da gestão ambiental e, custear outros projetos submetidos por entes estaduais.
É esperança de impacto para quem está na ponta, segundo o professor José Manuel, presidente da comunidade Barra de São Manoel. “A reunião do Conselho sempre é um aprendizado para nós. Sempre a gente traz alguma coisa de contribuição, e sempre levamos alguma coisa para a nossa comunidade. Penso que esses projetos podem ajudar principalmente aquelas populações que estão mais afastadas, e acredito que o REDD pode melhorar projetos sociais que envolvam saúde, educação e apoio a essas famílias”, destacou.
O secretário de Meio Ambiente de Apuí, Domingos Bonfim, também participou do encontro. Ele destaca a importância do diálogo e as boas perspectivas para o município, a partir dos projetos de REDD+. “É um momento necessário para trazer esclarecimentos para a comunidade, para trazer as informações necessárias, porque é um assunto que no meio técnico já vinha sendo discutido, mas para a população mesmo, é algo muito recente.
“A nossa expectativa é que dê certo, a gente tem certeza de que vai dar certo. É uma necessidade, há de haver uma mudança, há que se trazer alternativas ao modelo de desenvolvimento que está posto”, completou Bonfim.
Etapas seguintes
Neste primeiro momento, a Sema irá reunir-se com as lideranças das Unidades de Conservação que estão aptas a receber as iniciativas. Ao todo, são 21. O objetivo desta etapa é esclarecer as principais dúvidas dos representantes e compartilhar todas as informações requeridas, para que eles iniciem as primeiras discussões a respeito.
Após as reuniões com as lideranças, a partir de fevereiro de 2025, o Estado dará início a um cronograma de reuniões presenciais nas UC selecionadas, para garantir que as decisões sobre os projetos considerem as necessidades e a participação ativa dos moradores.
“É importante destacar que essa é uma fase inicial, de diálogos, para que os comunitários tenham ciência do que está sendo proposto, para decidir sobre os projetos e como eles podem beneficiar os territórios. Só depois dessa fase, o agente implementador será inserido para iniciar a construção coletiva dessas propostas, junto com a Sema e junto com a comunidade em cada área contemplada”, destacou a secretária.
Em linhas gerais, realizadas pela pasta têm o objetivo de consultar as comunidades sobre o interesse, ou não, em receber os projetos de REDD+ nas Unidades de Conservação. Em caso positivo, a Secretaria e o Agente Executor de Serviços Ambientais – habilitado para a área, por meio do Edital nº 02/2023 – vão realizar novas Consultas Livres Prévias e Informadas (CLPI), desta vez, com o intuito de construir coletivamente os projetos junto aos comunitários.
Nascida em 1939, em Xapuri, no coração do Acre, Nazaré Pereira é uma das grandes representantes da música brasileira no cenário internacional. Cantora, compositora, dançarina e atriz, sua trajetória reflete uma mistura de força, talento e dedicação à arte.
A infância de Nazaré foi marcada por desafios. Aos quatro anos, perdeu o pai, um seringueiro, e mudou-se para Belém, no Pará, aos sete anos com a mãe e o padrasto. Na capital paraense, Nazaré se dedicou aos estudos e se formou no magistério, chegando a lecionar por dois anos. No entanto, a paixão pela arte já pulsava forte e, no final da década de 1960, ela trocou as salas de aula pelos palcos ao ingressar em um curso de teatro no Rio de Janeiro.
Nos anos 1970, a atriz decidiu expandir seus horizontes. Com uma bolsa de estudos, Nazaré foi para Nanci, na França, e depois seguiu para Paris, onde fez pós-graduação na renomada Universidade de Sorbonne. Foi nesse período que a música surgiu como um elemento transformador em sua vida.
A carreira musical de Nazaré começou quase por acaso. Para se sustentar na França, ela cantava em pequenos eventos, mas o destino interveio quando sua interpretação de ‘Cheiro de Carolina’, de Luiz Gonzaga, chamou a atenção de um produtor francês. Em 1978, lançou seu primeiro compacto, marcando o início de uma carreira que já soma mais de 40 anos.
Foto: Arquivo Pessoal
Com quase duas dezenas de álbuns lançados, Nazaré Pereira conquistou o público com sua voz única e a mistura de ritmos brasileiros como o carimbó, baião e toada, muitas vezes carregados de referências às suas raízes amazônicas. Sua música transpôs fronteiras e a levou a cantar ao lado de ícones da música brasileira, como Maria Bethânia, Chico César e Luiz Gonzaga, com quem coescreveu ‘”‘Acre Doce'”‘, uma ode à sua terra natal.
A obra de Nazaré não é apenas entretenimento; é também um testemunho cultural. Por meio de suas canções, ela leva o Brasil profundo para os palcos internacionais, celebrando as tradições e a diversidade do país. Hoje, com uma carreira consolidada, Nazaré Pereira é um exemplo de como a arte pode transformar vidas e conectar culturas.
De Xapuri para o mundo, Nazaré Pereira continua a encantar gerações com sua arte e sua história, eternizando o Acre e a Amazônia no coração da música brasileira.
O clima quente e úmido é o mais propício para a reprodução do escorpião. Mas ao longo da evolução milenar da espécie, esses aracnídeos conseguiram sobreviver a toda sorte de intempéries: se adaptaram a diferentes temperaturas e biomas, aprenderam a passar dias sem água e comida e até a se reproduzir sozinhos.
Há evidências do surgimento dos escorpiões há mais de 450 milhões de anos em habitat aquático, quando eles mediam em torno de 1,30 metro de comprimento. Esses primeiros escorpiões aquáticos tinham uma estrutura física semelhante à que os aracnídeos possuem hoje, com adição de brânquias.
“Por volta de 325 a 350 milhões de anos atrás, eles migraram para o ambiente terrestre e ficaram bem menores, com até 23 centímetros”, conta a assistente técnica de pesquisa científica e tecnológica do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan, Denise Maria Candido.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
Quem quer viver para sempre?
Denise, que é bióloga e especialista em escorpiões, aponta uma série de fatores que explicam a adaptabilidade extrema do aracnídeo.
“Eles se mostraram capazes de se manter por aqui mesmo em situações climáticas adversas. É importante entender a função ecológica deles e que eles não são eliminados facilmente”, completa.
Esses animais possuem quatro pares de pernas, um par de pedipalpo (estruturas que lembram pinças) e um par de quelíceras. A cauda ou metassoma tem uma extremidade chamada Telson onde há duas glândulas de veneno e um ferrão. O veneno é inoculado em predadores ou em humanos quando o escorpião se sente ameaçado.
Os escorpiões não são insetos, mas aracnídeos da ordem Scorpiones. Há 2.800 espécies espalhadas pelo mundo, 180 delas no Brasil. De todas as espécies brasileiras, apenas quatro são consideradas de interesse médico (ou seja podem causar envenenamento grave em humanos):
o escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus), mais comum na região Norte e no Mato Grosso;
o escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tityus stigmurus), que ocorre também no Sudeste, Sul e, recentemente no Norte;
o escorpião-marrom (Tityus bahiensis), comum no Centro-Oeste, Sudeste e Sul;
e o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), encontrado em todas as regiões do país.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
“As principais características adaptativas que melhor mostram o sucesso na evolução dos escorpiões são suas poucas transformações morfológicas, e sua grande plasticidade em termos de fisiologia, comportamento e respostas às mudanças ambientais”, descreve Denise Candido.
É um tipo de mágica
Ao longo destes milhões de anos, os escorpiões viveram verdadeiras batalhas épicas de adaptação a diferentes climas e biomas – o que lhes confere um status de “quase invencíveis” em relação à natureza.
“O habitat dos escorpiões é dos mais variados tipos. Eles ocorrem dos desertos às florestas tropicais, do nível do mar às grandes altitudes”, explica Denise.
De fato, escorpiões já foram encontrados em quase todos os ecossistemas terrestres, até mesmo em cavernas, regiões desérticas dos mais variados tipos, sob pedras cobertas de neve e em altitudes de 5.560 metros nos Andes, afirma o Ministério da Saúde.
A alimentação super variada permite aos escorpiões ter mais opções para sobreviver. Eles comem insetos, aranhas, grilos e pequenos vertebrados. Nos ambientes urbanos, se alimentam basicamente de baratas, ajudando no controle destes animais nas cidades.
Por outro lado, são presas fáceis de galinhas, corujas, micos, sapos, morcegos e aranhas. Quando não há comida por perto, conseguem ficar centenas de dias sem se alimentar.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
“Algumas espécies sobrevivem 400 dias sem comida, 87 dias sem água e por volta de 36 dias sem água e comida. Se precisar, comem até outros escorpiões para sobreviver”, afirma Denise.
Tal como o guerreiro escocês imortal, eles também aprenderam a viver na vida mundana e a escalar “montanhas”, migrando facilmente para regiões onde não ocorrem naturalmente.
“Os escorpiões conseguem subir em superfícies rugosas e acessam apartamentos de edifícios, encanamentos expostos ou caixas de luz sem proteção. Também podem ser transportados para outras cidades ou países dentro de produtos em caminhões, barcos e roupas. Nas áreas rurais, os acidentes ocorrem na preparação do solo para o plantio, que é quando os escorpiões são tirados de seu habitat natural”, esclarece.
Essa facilidade do acesso dos escorpiões às cidades e o crescimento urbano desordenado são as principais causas é a principal causa do número crescente de acidentes com o aracnídeo no Brasil e no mundo.
Os escorpiões foram responsáveis por 134 óbitos e por 202.324 acidentes no país em 2023, segundo o Sistema de Informação de Agravos e Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. O estado de São Paulo continua sendo o maior notificador de acidentes escorpiônicos no Sinan, com 48.651 em 2023.
Só pode haver um (a)
A alta reprodutividade é outro fator que implica na onipresença de escorpiões. Em pelo menos 5% das espécies, as fêmeas são capazes de ter filhotes sem a participação de um macho. Esse processo, nomeado partenogênese, ocorre quando os ovos se desenvolvem sem serem fecundados por um espermatozoide.
Detalhe: as fêmeas conseguem manter esse potencial reprodutivo mesmo durante períodos de privação de alimento e água. Algumas conseguem gerar filhotes com mais de 200 dias sem comida.
“As fêmeas do T. serrulatus e T. stigmurus, as espécies mais perigosas que mais ocorrem no Brasil e na América Latina, podem se reproduzir dessa maneira, o que faz aumentar a população de escorpiões, dificultando ainda mais o controle”, alerta a bióloga.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
Não perca a cabeça
Para além da alta capacidade de sobrevivência dos escorpiões, é importante entender que, assim como outros animais, eles têm uma função de controle biológico importante na natureza e seu veneno é matéria-prima do soro antiescorpiônico, produzido pelo Instituto Butantan.
O imunobiológico é administrado para neutralizar o veneno em casos de picada de escorpiões do gênero Tityus (escorpião amarelo, escorpião amarelo do Nordeste, escorpião marrom e escorpião preto).
“Locais com muito lixo ou entulho são abrigos para escorpiões porque é onde eles encontram comida. Evitar o acúmulo é uma forma de controle e de evitar acidentes”, conclui Denise Candido.
Esta matéria foi validada pela bióloga e assistente técnica de pesquisa científica e tecnológica do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan Denise Maria Candido.
Uma das principais obras do Governo do Pará para a COP 30, que será realizada em Belém em novembro de 2025, o Parque da Cidade, está transformando o espaço urbano da capital Belém aliando infraestrutura moderna e preservação ambiental. Com o transplante de seringueiras e outras espécies nativas da Amazônia, o local não apenas celebra o bioma da região, mas também resgata a memória de um período de grande desenvolvimento urbano e econômico, a Belle Époque, que ocorreu durante o Ciclo da Borracha.
Até o momento, 90 das 176 seringueiras previstas já foram transplantadas para o parque, que, até o final da obra, vai abrigar mais de 1.500 árvores, 190 mil plantas ornamentais e 83 mil metros quadrados de grama. O projeto faz do parque um novo marco ambiental para Belém, conectando passado e presente em uma área de 500 mil m² que será um vibrante pulmão verde para a cidade.
Para a vice-governadora do Pará, Hana Tuma, a ação possui uma relevância histórica e ambiental do Parque da Cidade, e reforça o compromisso com a sustentabilidade e a qualidade de vida em Belém, promovendo a integração entre urbanização e preservação ambiental.
“O Parque da Cidade será recorte do bioma da Amazônia. E as seringueiras transplantadas aqui no Parque trazem à memória o primeiro período áureo da nossa região, em decorrência do ciclo da borracha, que trouxe urbanização, desenvolvimento e crescimento econômico. Hoje, com as grandes transformações que estão em curso, estamos construindo uma nova era para a nossa capital, com maior infraestrutura, reurbanização das periferias e obras que serão o legado da COP 30”.
Foto: Arthur Sobral/Agência Pará
Belle Époque
No final do século 19 e início do século 20, Belém se tornou um dos principais centros urbanos e econômicos da América Latina, impulsionada pela extração do látex da seringueira, matéria-prima essencial para a fabricação de borracha. O avanço tecnológico proporcionado pela Revolução Industrial transformou o látex paraense em um produto valioso no mercado internacional, sendo amplamente utilizado na fabricação de pneus para bicicletas, automóveis e outros itens industriais.
Conhecido como Belle Époque, o período trouxe desenvolvimento urbano e cultural para a capital paraense, se consolidando como a “Paris N’América”. Foi nesse contexto que surgiram ícones arquitetônicos como o Theatro da Paz e o complexo portuário que hoje abriga a Estação das Docas. A memória desse período de prosperidade agora ganha um novo capítulo no Parque da Cidade, por meio das seringueiras que simbolizam essa conexão histórica.
“Belém viveu um período de prosperidade singular durante o Ciclo da Borracha, que marcou profundamente sua identidade cultural e econômica. Hoje, ao transplantarmos seringueiras para o Parque da Cidade, estamos não apenas resgatando essa memória histórica, mas também reafirmando nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e a valorização do legado amazônico. É um tributo à força da nossa história e à visão de futuro que estamos construindo para o Pará e para o mundo”, afirmou a vice-governadora do Estado, Hana Tuma.
Para Regina Meireles, engenheira florestal responsável pelo plantio e transplante das árvores, a importância do trabalho minucioso realizado no Parque da Cidade reflete na preocupação que o Governo do Pará com a manutenção do bioma e do clima.
“Transplantar árvores nativas, como as seringueiras, é um desafio que exige planejamento e cuidado. Cada árvore que chega ao parque é um passo importante para transformar este espaço em um exemplo de compensação climática e preservação da biodiversidade. Esse trabalho é uma contribuição direta para a qualidade de vida dos cidadãos de Belém e uma demonstração do que é possível alcançar quando combinamos ciência, sustentabilidade e memória histórica”, completou.
Trapiche Eliezer Levy Revitalizado. Foto: Isadora Pereira/g1 Amapá
Após 10 anos, o Trapiche Eliezer Levy volta a fazer parte da memória afetiva dos macapaenses. O local foi entregue totalmente revitalizado no dia 27 de dezembro, com direito a nova sorveteria, restaurante, instalação de iluminação em led e o tão aguardado pela população: o ‘bondinho‘ que agora funciona de forma elétrica.
No Trapiche Eliezer Levy, o passeio no bondinho vai funcionar de forma gratuita. Os horários e funcionamento ainda serão definidos pela Prefeitura de Macapá.
O local às margens do rio Amazonas foi palco de muitas histórias para a população, como diz o guarda municipal Ivanilson Pena, que frequentava o trapiche quando era totalmente de madeira. Após quase 20 anos, ele e a esposa marcaram presença na reinauguração
“Eu vinha aqui quando tinha mais ou menos uns 16 anos, com a minha esposa que na época era minha namorada. Tem uma situação engraçada dessa época, que nós brigamos e ela veio andando na frente aqui no trapiche e uns ‘caras’ começaram a mexer com ela e eu falei que ia jogar eles no rio se mexessem com a minha mulher”, contou bem humorado ao lembrar da história.
Ivanilson contou ainda que o trapiche guarda muitas lembranças do casal, da amizade ao namoro, até o momento em que retornam ao local em 2024, com a família completa e as filhas já crescidas.
O prefeito de Macapá, Dr. Furlan, disse que a inauguração do Trapiche Eliezer Levy é mais um incentivo ao turismo na capital, movimentando a renda e valorizando a história da cidade.
“O turismo é algo que a gente tem que investir cada vez mais, e o trapiche, ele vem se somar a todas as intervenções que estão sendo feitas na cidade, especialmente aqui na nossa orla de Macapá. O trapiche foi ampliado, o seu deck, que fica lá dentro do Rio, aumentou”, contou.
Além disso, o espaço conta com o restaurante que passa a funcionar no mês de janeiro e locais de contemplação para o rio, com acessibilidade para Pessoas com Deficiência (PcD).
Foto: Divulgação/Prefeitura de Macapá
“Tem um restaurante, nós tivemos o edital divulgado recentemente, então no meado de janeiro o restaurante estará completo já para receber a população. Temos a sorveteria e temos a tradicional volta do bondinho. Com som ambiente, com uma televisão, que com certeza possibilitará que pessoas que têm necessidades especiais, dificuldades de angulação, possam acessar o deck”, finalizou.
O espaço era anteriormente de responsabilidade do governo do Amapá, que passou para a prefeitura de Macapá em julho de 2021 por meio de um termo de concessão, com a autorização para o uso do espaço por 20 anos. A obra integra o projeto Orla Viva, que prevê a revitalização de toda a frente da cidade.
Sobre o trapiche
O Trapiche Eliezer Levy começou a ser construído em 1936 pelo então prefeito Eliezer Levy, e foi inaugurado apenas no ano de 1945. O local era um destaque devido aos 4 pontos de observação inspirados nos baluartes da Fortaleza de São José de Macapá.
O projeto foi aprovado pelo Ministério da Defesa e coordenado pela Secretaria de Obras e Infraestrutura Urbana (Semob).
A onça-pintada é uma das espécies emblemáticas do Peru e da América. Esta espécie é um símbolo da luta contra o tráfico ilegal de animais silvestres, por isso são importantes as ações tomadas para conservar e proteger esta espécie, que está em perigo de extinção.
A ameaça é aumentada pela redução do habitat natural da onça-pintada devido à presença do ser humano. Diante disso, um projeto lançado há vários anos na região de Madre de Dios, o primeiro a ser realizado no Peru, busca promover a convivência entre a onça e o povo.
O resultado deste projeto, executado pela ONG WWF Peru, é a instalação de mais de 60 armadilhas fotográficas para monitorar a presença de onças-pintadas nas fazendas pecuárias de Madre de Dios.
O WWF Peru explica que há quatro anos, 250 famílias de Madre de Dios optaram por um inovador modelo de pecuária que busca deter o desmatamento e restaurar o ecossistema: a pecuária regenerativa. Como resultado, evitou-se o desmatamento de 500 hectares e a vida selvagem está a regressar aos espaços que outrora foram a sua casa. Porém, esta mudança gerou possíveis conflitos entre a fauna e as pessoas, criando a necessidade de adoção de medidas que contribuam para promover a convivência harmoniosa.
Face a este fato, entre 2022 e 2023, foram realizados inquéritos e workshops participativos em nove comunidades pecuárias da região, com o objetivo de identificar e compreender conflitos, e recolher informação que permita desenhar estratégias de convivência com a vida selvagem.
Dentre os principais resultados destacam-se:
O conflito com a onça-pintada e a onça-parda é o que causa maiores perdas econômicas;
durante os últimos 5 anos, 18 dos 50 fazendeiros relataram ataques ao gado por onças ou pumas;
e a infraestrutura das fazendas (cercas, fontes de água e iluminação) facilita interações negativas com felinos.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Armadilhas fotográficas
Graças a essas informações, estratégias antipredatórias foram desenhadas em conjunto com os pecuaristas que incluíram a instalação de mais de 60 armadilhas fotográficas para monitorar a presença de onças nas propriedades, a infraestrutura de cercas foi melhorada para impedir a entrada de felinos, luzes dissuasoras foram instalados e espaços foram realocados, como currais e fontes de água, a fim de reduzir áreas vulneráveis às interações entre rebanhos e felinos.
“Madre de Dios é a primeira região do Peru que está a adotar medidas para reduzir os conflitos com este grande felino e espera-se que até 2025 mais de 10 famílias de criadores implementem ações que reduzam os conflitos com a vida selvagem. Além disso, está sendo avaliada a possibilidade de ampliar iniciativas de coexistência para outras regiões, como Pasco e Huánuco”, disse Fabiola La Rosa, diretora de Vida Selvagem do WWF Peru.
“Na minha família já não o vemos como um inimigo, graças às medidas implementadas com o sistema de monitorização e as escolas de campo, sabemos agora que há mais visitantes e fomos nós que invadimos o seu habitat. Temos que dar espaço ao nosso vizinho, a onça, para poder conviver em harmonia com ela”, afirma Maritza Vargas, pecuarista participante do programa de convivência.
Segundo a instituição, espera-se ampliar esta iniciativa de convivência para outras regiões como Pasco e Huánuco, que também possuem áreas localizadas na selva amazônica e que fazem parte do habitat da onça-pintada.
Por fim, o WWF Peru destacou que com a implementação de medidas antipredatórias e o esforço conjunto com as comunidades locais, um novo capítulo está sendo escrito na relação entre a vida selvagem e as atividades humanas em Madre de Dios. “Este modelo pioneiro estabelece as bases para um futuro onde a conservação e a pecuária se complementam para o benefício de todos, garantindo a subsistência das gerações futuras”, disse ele.