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Vestibular indígena da Unicamp é realizado em 3 cidades da Amazônia em 2025; saiba quais

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Foto: Antonio Scarpinetti

A Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) da Unicamp divulgou os locais de prova do Vestibular Indígena, realizado de forma conjunta pela Universidade e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O exame acontecerá no dia 12 de janeiro de 2025, em cinco cidades do país: Santarém (PA), São Gabriel da Cachoeira (AM), Tabatinga (AM) e ainda Campinas (SP) e Recife (PE). Os locais de prova estão disponíveis para consulta na página da Comvest. No total, inscreveram-se 2.819 candidatos, de diferentes etnias e regiões do Brasil.

A cidade de Campo Grande (MS) não atingiu o número mínimo de 60 inscritos e, conforme o edital da prova, não realizará o exame. Os candidatos que haviam optado por fazer a prova nessa localidade devem dirigir-se a Campinas, como opção para participar do Vestibular. 

Na UFSCar, essa é a 18ª edição da modalidade de ingresso para estudantes indígenas e na Unicamp, a sétima. A Universidade oferece 130 vagas, distribuídas por todos os seus cursos, e a UFSCar, 65.

Orientações

A prova, a ocorrer no dia 12 de janeiro, começará às 13 horas, segundo o fuso horário de cada local de realização do exame. A prova, em língua portuguesa, compõe-se de uma redação e de 50 questões de múltipla escolha, divididas da seguinte maneira: linguagens e códigos (14 questões); ciências da natureza (12 questões); matemática (12 questões); ciências humanas (12 questões).

A Comvest orienta os candidatos a chegarem com antecedência, pois o acesso aos locais de prova será permitido somente até as 13h, impreterivelmente. A prova durará no máximo quatro horas.

Os candidatos devem levar o original do documento de identidade indicado na inscrição, caneta de cor preta em material transparente, lápis preto e borracha. Os vestibulandos poderão usar um relógio analógico para controlar o tempo. É vedada a utilização de aparelhos celulares ou de quaisquer outros equipamentos eletrônicos, relógios digitais, corretivos de qualquer tipo, lapiseira, caneta marca-texto, bandana/lenço, boné, chapéu ou outros materiais estranhos à prova. Nas salas do exame, os candidatos poderão tomar água e suco e consumir alimentos leves.

Os vestibulandos deverão ainda comprovar que pertencem a uma das etnias indígenas do território brasileiro, por meio da documentação especificada no edital da prova, documentação essa a ser entregue no dia do exame. Estudantes ingressantes pelo Vestibular Indígena Unicamp 2019, 2020, 2021, 2022, 2023 ou 2024 devidamente matriculados(as) estão dispensados(as) da apresentação dessa documentação.

Divulgação do nome dos aprovados

A Comvest divulgará a primeira chamada de convocados para matrícula no dia 3 de fevereiro de 2025, em sua página eletrônica. A matrícula dos candidatos aprovados nessa chamada deverá ser realizada de maneira online, no dia 4 de fevereiro (até as 17h), na página da comissão. A segunda chamada será divulgada no dia 10 de fevereiro, para matrícula no dia 11 de fevereiro. Estão previstas até cinco chamadas, conforme o calendário a seguir.

Cidades e locais de prova – Vestibular Indígena 2025
CAMPINAS-SP
Unicamp – IFCH – Prédio da graduação, campus Unicamp, Campinas.
Rua Cora Coralina, 100. Cidade Universitária “Zeferino Vaz” – Barão Geraldo
SANTARÉM-AM
UFOPA – Unidade Tapajós / Bloco BSE Laranjão Vera Paz, s/n – Salé
RECIFE-PE
Colégio Núcleo – Av. Rui Barbosa, 1680 – Graças
SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA-AM
1 – C.E.T.I Pedro Fukuyei Yamaguchi Ferreira
2 – Escola Estadual Irmã Inês Penha
TABATINGA-AM
1 – Escola Estadual Marechal Rondon
2 – Universidade do Estado do Amazonas
Calendário – Vestibular Indígena 2025
Início das inscrições, em formulário eletrônico disponível exclusivamente na página eletrônica da Comvest(www.comvest.unicamp.br)01/11/2024
Encerramento das inscrições29/11/2024, às 17h
Prazo para envio de arquivo digital para a prova de Habilidades Específicas para o curso de Música, na página da ComvestDas 9h do dia 01/11/2024 até as 17h do dia 06/12/2024
Divulgação das inscrições deferidas04/12/2024
Período para interposição de recurso04/12/2024 a 09/12/2024
Divulgação do resultado do recurso e lista final de inscrições deferidas11/12/2024
Divulgação, na página da Comvest, dos locais da prova presencial (endereços)19/12/2024
Aplicação das provas presenciais, nas cidades de Campinas (SP), Recife (PE), São Gabriel da Cachoeira (AM), Santarém (PA) e Tabatinga (AM)12/01/2025, às 13h (horário local)
Divulgação dos convocados para matrícula em primeira chamada, na página da Comvest03/02/2025, às 18h
Matrícula online dos convocados em primeira chamada, a partir da página da ComvestDas 9h às 17h do dia 04/02/2025
Divulgação dos convocados para matrícula em segunda chamada, na página da Comvest10/02/2025, às 18h
Matrícula online dos convocados em segunda chamada, a partir da página da ComvestDas 9h às 17h do dia 11/02/2025
Divulgação dos convocados para matrícula em terceira chamada, na página da Comvest17/02/2025, às 18h
Matrícula online dos convocados em terceira chamada, a partir da página da ComvestDas 9h às 17h do dia 18/02/2025
Divulgação dos convocados para matrícula em quarta chamada, na página da Comvest24/02/2025, às 18h
Matrícula online dos convocados em quarta chamada, a partir da página da ComvestDas 9h às 12h do dia 25/02/2025
Divulgação dos convocados para matrícula em quinta chamada, na página da Comvest06/03/2025, às 18h
Matrícula online dos convocados em quinta chamada, a partir da página da ComvestDas 9h às 12h do dia 07/03/2025

Novo Mangueirão inicia 2025 com a Super Copa Grão Pará no aniversário de Belém

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Foto: Divulgação/Agência Pará

O Estádio Olímpico do Pará Jornalista Edgar Proença (Mangueirão) se prepara para receber a primeira grande competição da temporada de 2025: a Super Copa Grão Pará. O jogo decisivo será entre Paysandu (Campeão Paraense de 2024) e Tuna Luso Brasileira (Campeã da Copa Grão Pará).

A final será disputada no domingo (12), às 17h, data que se comemora o aniversário de 409 anos da cidade de Belém. A competição é realizada pela Federação Paraense de Futebol (FPF) e conta com o apoio do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel).

Leia também: Você sabia que o primeiro time indígena de futebol do Brasil é paraense?

O confronto abre o calendário do futebol profissional do estado e a secretária em exercício da Seel, Ana Paula Alves, ressalta a preparação do Mangueirão para o clássico paraense.

“Estamos preparados e animados para a temporada que se inicia. Um ano com grandes eventos para o nosso público amante do esporte, e estamos abrindo a temporada no Mangueirão com essa grande final da Super Copa Grão Pará, entre Paysandu e Tuna Luso. Data essa que se comemora o aniversário da capital paraense, será uma festa linda para todos que estiverem presentes”, disse a secretária em exercício.

Foto: Divulgação/Agência Pará

Calendário das equipes

Tanto o Paysandu quanto a Tuna Luso têm o calendário cheio em 2025. Além da Super Copa Grão-Pará, o lobo da Curuzu e a Águia do Souza vão disputar o Parazão, a Copa Verde e a Copa do Brasil. Os bicolores disputam ainda o Campeonato Brasileiro da Série B, enquanto os cruzmaltinos, a Série D, ambos em abril.

Leia também: Conheça alguns dos clubes de futebol mais tradicionais da região Norte

Super Copa Grão Pará

A competição tem o objetivo de fomentar o acesso a títulos, além de democratizar a disputa, ampliar o calendário oficial e qualificar em âmbito competitivo o começo de ano de todas as equipes participantes da elite do campeonato do Estado.

A partida será em jogo único, caso ocorra empate no tempo normal, o campeão será definido nas disputas de pênaltis. Esta é a segunda edição da Supercopa Grão-Pará, que teve o Águia de Marabá como campeão em 2024.

Os ingressos estão sendo vendidos de forma presencial nas Lojas Lobo e on-line, no ingressosa.com, sendo arquibancada lado B, no valor de R$ 50 e R$ 120 as cadeiras. A Tuna não informou até o momento os locais de vendas. Após a disputa da final, Paysandu e Tuna focam as atenções para o Campeonato Paraense, competição na qual a dupla vai estrear no domingo (19).

*Com informações da Agência Pará

Plantio de 49 mil mudas para reflorestamento de áreas degradadas será realizado em Manaus

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Foto: Tiago Corrêa/UGPE

Em ação inédita, o Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), em Manaus (AM), envolve o reflorestamento de áreas degradadas. O trabalho, que será desenvolvido nas áreas de intervenção do programa, iniciou pela comunidade Manaus 2000, na zona sul, com o plantio de 200 mudas de seringueira.

Ao todo, no Prosamin+, mais de 49 mil mudas de reflorestamento serão plantadas em uma área de 111 mil metros quadrados e 17.176 para paisagismo. Outra inovação do programa, nesta gestão, é o reaproveitamento de madeira de supressão vegetal para melhoria de qualidade do solo.

O Prosamin+ é um programa desenvolvido pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb). O secretário da Sedurb, Marcellus Campêlo, destaca que é a primeira vez, em 17 anos de programa, que a criação de espaços verdes vai além do paisagismo, nas áreas de intervenção, que também serão contempladas com saneamento básico, requalificação urbana e construção de conjuntos habitacionais. A meta, segundo ele, é reflorestar 25% da área total beneficiada pelas obras.

Foto: Tiago Corrêa/UGPE

As ações envolvem o plantio de mais de 48 mil mudas em uma área de 101 mil metros quadrados na comunidade da Sharp. E na Manaus 2000 será reflorestada uma área de 9,4 mil metros quadrados, com plantio de 1,2 mil mudas. São mais de 30 espécies utilizadas, nativas, de pequeno, médio e grande portes (pioneiras e secundárias).

Um dos grandes objetivos do projeto de reflorestamento inserido no programa é criar um corredor verde, fazer a conectividade do fragmento florestal existente e a construção de seis passagens de fauna silvestre, interligando duas Áreas de Preservação Ambiental (APAs) muito importantes: a Manaós, no Coroado, e a Reserva Sauim Castanheiras, no Puraquequara, ambas na zona leste de Manaus.

Foto: Tiago Corrêa/UGPE

Viveiro de mudas

Para realizar o reflorestamento, foi criado o viveiro de mudas, um Escritório Local (ELO) Verde, iniciativa inédita em obras públicas no Amazonas. No ELO já foram produzidas mais de 15 mil mudas. No canteiro de obras da Comunidade da Sharp, na zona leste, são cultivadas mais de 30 espécies que serão usadas no reflorestamento de áreas do Prosamin+, como buritizeiro, mungubeira, embaubeira, seringueira, açaizeiro, ingazeira, pau-pretinho, sumaúma, entre outras. A estimativa é que 50 mil mudas sejam produzidas para as ações de recomposicão vegetal do projeto.

A educação ambiental da comunidade impactada pelo Prosamin+ é outra ação importante que está sendo realizada nesses espaços. Os moradores e estudantes das comunidades da Sharp e Manaus 2000 participam de oficinas com foco em sustentabilidade e mercado de trabalho, palestras sobre meio ambiente e recebem doações de mudas para plantio para propagação da espécie na localidade, deixando assim as características verdes da área.

De acordo com o subcoordenador Ambiental da UGPE, Otacílio Júnior, de maneira inovadora, o Prosamin+ também vai reaproveitar a madeira de supressão vegetal para fazer a preparação do solo.

Foto: Tiago Corrêa/UGPE

As atividades seguem as recomendações do Sistema de Gestão Socioambiental (SGSA) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), órgão financiador do programa.

Prosamin+

O Prosamin+ vai beneficiar mais de 60 mil pessoas, com as obras que estão sendo realizadas. O programa está urbanizando uma área de 340 mil metros quadrados, ao longo do Igarapé do Quarenta, no trecho entre a avenida Manaus 2000, na zona sul, e a Comunidade da Sharp, zona leste, nos bairros Armando Mendes, Nova República, Coroado, Distrito Industrial e Japiim. Os serviços envolvem drenagem, abastecimento de água, esgotamento sanitário, mobilidade urbana, construção de unidades habitacionais e reflorestamento.

Os investimentos são de U$ 114 milhões, sendo U$ 80 milhões financiados pelo BID, com contrapartida estadual de U$ 34 milhões. A parte financiada pelo BID trata-se de empréstimo que será pago pelo Governo do Estado. As obras iniciaram em 2022 e devem seguir até 2027.

*Com informações da Agência Amazonas

Pesquisador investiga cartas escritas por indígenas em 50 anos

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Foto: David Alves/Agência Pará

Este é um trecho da carta aberta escrita por um dos principais líderes indígenas do país, Megaron Txucarramãe, do povo Kayapó, para o Brasil, em 1º de novembro de 1980. Divulgada em plena ditadura militar, a carta traz questões discutidas entre povos indígenas e a responsabilização dos órgãos de governo e da sociedade.

Outro trecho da carta traz assuntos que ainda hoje são críticos no Brasil, construções que impactam territórios indígenas e ameaças à saúde desses povos: “em 1973 para 1974, pessoal pegou sarampo na estrada e levou para Jarina. Sarampo matou muita gente. Para branco a estrada é muito boa, mas para nós não foi muito boa, porque pela estrada chega doença para índio”, diz o documento. 

Esta é uma das mais de 1,1 mil cartas analisadas na tese ‘Retomar o Brasil: um estudo das cartas escritas pelos povos indígenas nos últimos 50 anos‘, de Rafael Xucuru-Kariri, doutor em ciências sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). A tese é um recorte do projeto ‘As Cartas dos Povos Indígenas ao Brasil‘, coordenado pela professora da UFBA Suzane Lima Costa, que pode ser acessado na internet e reúne as cartas escritas por esses povos a presidentes, a autoridades, a organizações e lideranças nacionais e internacionais, desde o século 17.

No dia 12 de dezembro, Xucuru-Kariri venceu o prêmio Lélia Gonzales, consagrando-se como o primeiro indígena a receber uma das principais condecorações do Prêmio Capes de Tese 2024, que reconhece os melhores trabalhos de conclusão de doutorado defendidos no Brasil. Ao todo são três as premiações máximas. O prêmio que recebeu da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), é referente ao colégio de humanidades. 

Na tese, Xucuru-Kariri mapeia as cartas escritas entre 1972 e 2022 e analisa quem escreve, quem são os destinatários, os assuntos e o contexto de escrita das correspondências públicas indígenas. Ao longo do tempo escolhido para a análise, ele observa também mudanças tecnológicas, com as cartas passando a ser digitalizadas a partir dos anos 2000. Com o avanço da tecnologia e também com o aumento dos índices de alfabetização, mais cartas foram escritas.

Em relação aos assuntos abordados, segundo a pesquisa, a maior parte das cartas do período tratam de terra (479), seguido por violência (211), saúde (198), educação (134) e meio ambiente (83).

Para Xucuru-Kariri, as cartas buscam trazer para o debate público assuntos que muitas vezes não têm espaço e servem também para expor as visões de mundo, os pensamentos e sentimentos desses povos. O estudo que fez derruba ainda um dos mitos que se tem no Brasil, de acordo com o pesquisador, que é de que os indígenas não tem uma produção escrita.

Foto: Julia Prado/CGCOM/Capes

Escrevendo cartas 

O pesquisador conta que as cartas sempre fizeram e ainda fazem parte da própria história. Ele integra a primeira geração de indígenas alfabetizados em massa no Brasil, o que ocorreu a partir da Constituição de 1988. Os pais dele eram funcionários da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a casa da família era frequentada por diversas lideranças indígenas. Por já saber ler e escrever, Xucuru-Kariri foi, ele mesmo, redator de muitas cartas.

“Nossa casa era sempre rodeada por muitas lideranças, muitas pessoas discutindo, principalmente ali no extremo sul da Bahia, onde a gente foi criado. A gente escutava e debatia muito com Pataxós, Pataxós  Hã-Hã-Hãe e Tupinambás. Eles estavam sempre lá em casa discutindo, falando sobre o movimento indígena. Como eu já tinha passado por esse processo de letramento e sabia datilografar – na época, nem eram computadores, eram aquelas máquinas de datilografar -, eu redigia muitas dessas cartas, com demandas sobre postos de saúde, escolas e demandas variadas nas aldeias”, diz. 

Mesmo conhecendo de perto os documentos e os processos de escrita, Xucuru-Kariri nunca tinha pensado em estudar essas cartas até conhecer o projeto de Suzane Lima Costa, do qual hoje faz parte. “Eram reflexões óbvias, mas que ninguém tinha. Que esses povos, essas pessoas, escreviam e escrevem muitas cartas públicas”, diz. 

Problemas persistem

As cartas mostram também que os problemas persistem ao longo dos anos. Se em 1980 Megaron falou sobre os riscos do sarampo para os indígenas, em 2021, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) lutou para que a vacina contra a covid-19 chegue aos povos indígenas.

“A luta da Apib junto ao Supremo Tribunal Federal, através da ADPF 709, e a mobilização dos povos indígenas no enfrentamento da pandemia garantiram que os povos entrassem no grupo prioritário da vacinação nesse momento, pois a vulnerabilidade dos povos à covid-19 é muito maior do que o restante da população, podendo chegar a sete vezes em certas faixas etárias”, diz trecho da carta analisado na tese.

A luta pela terra e a violência também perpassam os anos analisados na tese. Em 12 de agosto de 1975, a líder indígena, educadora, contadora de histórias, escritora e artesã Andila Kaingang escreveu ao então presidente, Ernesto Geisel:

“Isto, senhor presidente, para o povo branco e civilizado, como se julgam, talvez possa parecer romantismo ou coisa que equivalha, mas para o meu povo não, para ele é estilo de vida, é razão de viver e, consequentemente, motivo bastante para morrer. A invasão de nossas terras para o vosso povo tem significa simplesmente um problema jurídico, ou como quer queiram chamá-lo, para o meu povo não, são problemas que nós caigangues sentimos como feridas que nos atormentam no mais alto dos sentimentos, fazendo-nos diminuídos, oprimidos e transformando as nossas noites e vigílias na esperança de ver ao amanhecer nossas terras desocupadas pelos brancos e, no entardecer, mais um dia de desilusão, iniciando-se uma nova esperança”, diz trecho da carta.

A terra foi e é espaço de disputa nacional, muitas vezes marcada por violência extrema. Em 2004, mulheres indígenas que sobreviveram a ataque de homens armados aos povos da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima relatam o que ocorreu em carta aberta. “Foi às 6h da manhã e eu estava deitada ainda. Aí, o meu cunhado (que foi baleado) chegou correndo […] Eu sai, e quando olhei […] o fogo já estava queimando as casas. Eu peguei o meu terçado e cerquei eles. Falei: podem sair daqui! Se não, eu toro vocês no meio com o meu terçado! Eles pararam e disseram: que mulher buchudinha braba! Ele (um dos agressores) disse que ia me matar. Ele disse: vou atirar em tu, com o teu filho na barriga! Eu disse: pode me matar, que eu não tenho medo de morrer! […] Eles tocaram fogo”, diz trecho da carta.

Mais recentemente, em 2021, as disputa seguem com a discussão sobre o marco temporal, que foi o foco de carta do povo terena. Julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a tese do marco temporal para demarcação de terras indígenas, defendida por proprietários de terras, estipulava que os indígenas somente teriam direito às terras que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época. 

Leia também: Portal Amazônia responde: Entenda o que é o ‘marco temporal’ para terras indígenas

Recriando espaços públicos

Para Xucuru-Kariri, as cartas são importantes para a comunicação dos povos com o restante do país. “É um tipo de estratégia que os povos têm criado com as cartas para reconfigurar, recriar um espaço público. Essa eu acho que é uma das principais respostas que a gente tem observado. Para fora, elas criam uma ressonância na sociedade brasileira, para discutir mais, para fazer mais ações nas aldeias que impactem positivamente os povos indígenas, mas para dentro também. Esses povos, a partir dessas cartas, se reorganizam”.  

Atualmente, Xucuru-Kariri é servidor público que atua na UFBA. Participou da criação recente da Licenciatura Intercultural Indígena da universidade. Após ter sido responsável pela escrita de cartas e após ter feito um doutorado sobre elas, ele diz que, como servidor, tornou-se também um dos destinatários desses documentos. “Hoje em dia, eu posso dizer que, sem saber, eu passei uma vida entre cartas. Continuo vivendo minha vida entre essas cartas”, diz.

*Com informações da Agência Brasil

Saiba como se chamam os moradores de cada cidade de Rondônia

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Bandeira de Rondônia. Foto: Reprodução/iStock

Rondônia completou 43 anos de instalação no dia 4 de janeiro. O estado possui uma cultura diversificada formada pela migração de brasileiros e estrangeiros que resultaram no desenvolvimento de 52 municípios. Nesta reportagem, você descobre como se chamam as pessoas que moram em cada uma delas!

Leia também: Por que Porto Velho e Rondônia celebram quatro “aniversários”?

O feriado estadual comemora a ascensão de território federal para estado, que ocorreu em 22 de dezembro de 1981. A criação foi por meio do Projeto de Lei Complementar aprovado pelo presidente da República à época, João Batista Figueiredo. No entanto, a instalação oficial do estado ocorreu apenas em 4 de janeiro de 1982.

No ano da criação, o estado era constituído por apenas 13 municípios. De acordo com Ovídio Amélio, historiador e escritor do Instituto Museu Virtual de Rondônia (MVR), em 1970 o Governo Federal idealizou a implantação de projetos oficiais de colonização das terras, o que influenciou no desenvolvimento do estado.

Após o crescimento expressivo na região, o Governo Federal enviou para o Congresso Nacional o projeto que dava condições para o Rondônia criar municípios. Para explicar melhor a história de criação de cada um, o g1 preparou uma lista com informações obtidas através do Instituto Museu Virtual de Rondônia (MVR) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Confira:

Alta Floresta D’Oeste

Quem nasce em Alta Floresta d’Oeste é alta-florense;
Criação: 20 de maio de 1986;
Instalação: 31 de dezembro de 1986.

Alto Alegre dos Parecis

Quem nasce em Alto Alegre dos Parecis é alto-alegrense;
Criação: 22 de junho de 1994
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

Alto Paraíso

Quem nasce em Alto Paraíso é alto-paraisense.
Criação: 3 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Alvorada D’Oeste

Quem nasce em Alvorada d’Oeste é alvoradense.
O processo pró-emancipação do povoado de Alvorada iniciou em 1985. Na época os próprios moradores organizaram uma comissão.
Criação: 20 de maio de 1986;

Ariquemes

Quem nasce em Ariquemes é ariquemense.
Criação: 11 de outubro de 1977;
Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

Buritis

Quem nasce em Buritis é buritisense;
Criação: 7 de dezembro de 1995;
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

Cabixi

Quem nasce em Cabixi é cabixiense;
Criação: 07 de julho de 1988;
Instalação: 31 de dezembro de 1988.

Cacaulândia

Quem nasce em Cacaulândia é cacaulandense;
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Cacoal

Quem nasce em Cacoal é cacoalense.
Criação: 11 de outubro de 1977;
Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

Campo Novo de Rondônia

Quem nasce em Campo Novo de Rondônia é campo-novense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Candeias do Jamari

Quem nasce em Candeias do Jamari é candeiense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 31 de dezembro de 1993 com a posse de Francisco Vicente de Souza (popular, Chico Pernambuco), primeiro prefeito.

Castanheiras

Quem nasce em Castanheiras é castanheirense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Cerejeiras

Quem nasce em Cerejeiras é cerejeirense.
Criação: 5 de agosto de 1983;
A área para formar o território do município de Cerejeiras foi desmembrada do município de Colorado do Oeste.

Chupinguaia

Quem nasce em Chupinguaia é chupinguaiense.
Criação: 27 de dezembro de 1995,
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

Colorado do Oeste

Quem nasce em Colorado do Oeste é coloradense.
Criação: 16 de junho de 1981;
Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

Corumbiara

Quem nasce em Corumbiara é corumbiariense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Costa Marques

Quem nasce em Costa Marques é costa-marquense.
Criação: 16 de junho de 1981;
Instalação:1º de fevereiro de 1983.

Cujubim

Quem nasce em Cujubim é cujubiense.
Criação: 22 de junho de 1994n
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

Espigão D’Oeste

Quem nasce em Espigão do Oeste é espigãoense.
Criação: 16 de junho de 1981,
Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

Governador Jorge Teixeira

Quem nasce em Governador Jorge Teixeira é jorge-teixeirense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Antes o município era distrito de Jaru e era, antes da emancipação, chamado de Pedra Branca.

Guajará-Mirim

Quem nasce em Guajará-Mirim é guajará-mirense.
Criação: 12 de julho de 1928.
Instalação: 10 de abril de 1929.
No dia 13 de setembro de 1943, pelo Decreto-Lei nº 5 812, o município de Guajará-Mirim passou a fazer parte do Território Federal do Guaporé.

Itapuã do Oeste

Quem nasce em Itapuã do Oeste é jamariense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Jaru

Quem nasce em Jaru é jaruense.
Criação: 16 de junho de 1981;
Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

Ji-Paraná

Quem nasce em Ji-Paraná é ji-paranaense.
Criação: 11 de outubro de 1977;
Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

Machadinho D’Oeste

Quem nasce em Machadinho d’Oeste é machadinhense.
Criação: 11 de maio de 1988;
Instalação: 31 de dezembro de 1988.

Ministro Andreazza

Quem nasce em Ministro Andreazza é andreazense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Mirante da Serra

Quem nasce em Mirante da Serra é mirantense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Monte Negro

Quem nasce em Monte Negro é monte-negrino.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Nova Brasilândia D’Oeste

Quem nasce em Nova Brasilândia D’Oeste é brasilandense.
Criação: 19 de junho de 1987;
Instalação: 31 de dezembro de 1988.

Nova Mamoré

Quem nasce em Nova Mamoré é nova-mamonense ou nova-mamorense.
Criação: 6 de julho de 1988;
Instalação: 31 de dezembro de 1988.

Nova União

Quem nasce em Nova União é nova-uniense.
Criação: 22 de junho de 1994;
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

Novo Horizonte do Oeste

Quem nasce em Novo Horizonte do Oeste é novo-horizontino;
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Na época recebeu o nome de Cacaieiros, mas foi modificada para Novo Horizonte do Oeste no dia 30 de dezembro de 1993.
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Ouro Preto do Oeste

Quem nasce em Ouro Preto do Oeste é ouro-pretense.
Criação: 16 de junho de 1981;
Instalação: 1º fevereiro de 1983.

Parecis

Quem nasce em Parecis é parecisense.
Criação: 22 de junho de 1994;
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

Pimenta Bueno

Quem nasce em Pimenta Bueno é pimenta-buenense.
Criação: 11 de outubro de 1977;
Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

Pimenteiras do Oeste

Quem nasce em Pimenteiras do Oeste é pimenteirense.
Criação: 27 de dezembro de 1995;
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

Porto Velho

Quem nasce em Porto Velho é porto-velhense.
Criação: 2 de outubro de 1914;
O município pertencia ao Amazonas, mas após a criação do Território Federal do Guaporé, Porto Velho foi elevado à categoria de capital.
Instalação: 24 de janeiro de 1915.

Presidente Médici

Quem nasce em Presidente Médici é mediciense.
Criação: 16 de junho de 1981;
Instalação: 1º de fevereiro de 1983.

Primavera de Rondônia

Quem nasce em Primavera de Rondônia é chamado de primaverense.
Criação: 22 de junho de 1994;
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

Rio Crespo

Quem nasce em Rio Crespo é rio-crespense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Na época a cidade se chamada Cafelândia, mas teve o nome modificado para Rio Crespo.
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Rolim de Moura

Quem nasce em Rolim de Moura é rolimorense.
Criação: 5 de agosto de 1983;
Instalação: 28 de dezembro de 1984.

Santa Luzia D’Oeste

Quem nasce em Santa Luzia d’Oeste é santa-luziense.
Criação: 11 de maio de 1986;
Instalação: 31 de dezembro de 1986.

São Felipe D’Oeste

Quem nasce em São Felipe D’Oeste é são-felipense.
Criação: 22 de junho de 1994;
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

São Francisco do Guaporé

Quem nasce em São Francisco do Guaporé é são-francisquense.
Criação: 27 de dezembro de 1995;
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

São Miguel do Guaporé

Quem nasce em São Miguel do Guaporé é miguelense.
Criação: 6 de julho de 1988;
Instalação: 31 de dezembro de 1988.

Seringueiras

Quem nasce em Seringueiras é seringueinense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Teixeirópolis

Quem nasce em Teixeirópolis é teixeirense;
Criação: 22 de junho de 1994;
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

Theobroma

Quem nasce em Theobroma é theobromense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Urupá

Quem nasce em Urupá é urupaense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Vale do Anari

Quem nasce em Vale do Anari é anariense.
Criação: 22 de junho de 1994;
Instalação: 1º de janeiro de 1997.

Vale do Paraíso

Quem nasce em Vale do Paraíso é vale-paraisense.
Criação: 13 de fevereiro de 1992;
Instalação: 1º de janeiro de 1993.

Vilhena

Quem nasce em Vilhena é vilhenense.
Criação: 11 de outubro de 1977;
Instalação: 1º de fevereiro de 1983

*Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO

Projeto que reverte a indígenas multas por infração ambiental em suas terras é aprovado 

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou proposta que reverte em benefício para os povos indígenas os valores arrecadados em pagamento de multas por infração ambiental cometida em terras indígenas.

A proposta, de autoria da ex-deputada Joenia Wapichana, altera a Lei dos Crimes Ambientais e o Estatuto do Índio.

A medida que consta no Projeto de Lei 5467/19 recebeu parecer favorável da deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), na forma de substitutivo. A relatora fez mudanças na técnica legislativa que não alteram o objetivo da iniciativa.

Ela ressaltou que esses valores poderão ser reaplicados pelos indígenas na preservação ambiental, no desenvolvimento das próprias comunidades, respeitando suas tradições e modos de vida.

Ela se referiu ao montante de US$ 1 milhão de indenização que o povo Xukuru recebeu do governo federal em 2019 e que foi aplicado em um fundo de desenvolvimento comunitário.

Próximos passos

A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias

Amazonas registra maior redução de mortalidade materna dos últimos 10 anos, aponta secretaria

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Foto: Evandro Seixas/SES AM

A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) encerrou o ano de 2024 com um marco importante na área de assistência materno infantil. O órgão registrou a redução de 49,2% na mortalidade materna, em relação a 2023. Este é o melhor resultado dos últimos dez anos. O cálculo da redução é baseado na quantidade de óbitos maternos para cada 100 mil bebês nascidos vivos.

A secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, atribui essa queda a uma série de ações e investimentos que vêm sendo executados pelo Governo do Amazonas, para reforçar a rede de assistência materno infantil. Dentre elas, a melhoria da infraestrutura das maternidades, aumento da oferta de consultas pré-natal de alto risco nas policlínicas, treinamento das equipes e adoção de novos protocolos de atendimento.

É fruto também, disse a secretária, do empenho das equipes da SES-AM para garantir uma rede completa para o acompanhamento de mães e bebês em todas as etapas, da gestação ao nascimento.

Nayara Maksoud cita, entre as iniciativas que contribuíram para os bons resultados, a ampliação das consultas de pré-natal de alto risco nas policlínicas do Estado.

Ela também destaca a elaboração de notas técnicas, estabelecendo protocolos de assistência materno infantil em diferentes áreas, como partograma, que é um instrumento para acompanhar a evolução do parto, sumário de alta, acesso ao pré-natal de alto risco, à laqueadura e vasectomia, entre outras medidas. “São normas que tem como objetivo desenvolver padrões de atendimento na rede de saúde, para que as mulheres tenham um acompanhamento integral em toda e qualquer unidade”, acrescenta.

Ainda como parte das ações, a SES implementou um protocolo para análise da causa raiz dos óbitos maternos nos municípios. “É a partir dessa análise que conseguimos desenvolver novas orientações para evitar outras intercorrências”, frisa.

Durante todo o ano, a SES-AM realizou diversos treinamentos das equipes, com o intuito de atualizar e preparar os profissionais que atuam na rede, para os atendimentos. Entre as capacitações estão o Fórum Perinatal; oficina de saúde indígena para prevenção da mortalidade materna, infantil e fetal; treinamento em direito das mulheres e lei do acompanhante; síndromes hipertensivas na gestação; pré-natal de qualidade para um parto seguro, entre outros.

As sete maternidades da rede estadual de saúde, disse a secretária, se empenharam na realização de um trabalho de excelência. Hoje, todas possuem o selo de “Iniciativa Hospital Amigo da Criança” (IHAC), do Ministério da Saúde. O selo é concedido a maternidades que investem em capacitação de pessoal e aprimoramento de processos, visando ao incentivo ao aleitamento materno exclusivo, cuidado respeitoso e humanizado à mulher durante o pré-parto, parto e pós-parto.

*Com informações da SES-AM

Produção de macaxeira e mandioca deve aumentar em 2025 no Amapá, segundo IBGE

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que em 2025, a previsão é de um aumento na produção de mandioca e macaxeira no estado do Amapá. O processo é feito de forma mensal e acompanha o desenvolvimento dos itens desde o plantio até a colheita.

A pesquisa é realizada através do levantamento sistemático da produção agropecuária. Feita com base em critérios de importância econômica e social para todo o país como o Produto Interno Bruto (PIB).

Leia também: Mandioca ou macaxeira: pesquisadora paraense explica as diferenças

Raul Tabajara, pesquisador do IBGE, explicou como funciona a coleta de dados e métrica conforme o plantio.

Estiagem e ‘Vassoura de Bruxa de mandioca’

Um fator que contribuiu para a queda na produção nos anos anteriores, foi a agravância do período de estiagem, que provocou grandes secas e mortes de plantios. Além da praga ‘Vassoura de Bruxa de Mandioca’.

“No caso da mandioca, o grande problema foi a doença que começou pelo Oiapoque mas chegou em outros municípios. Essa doença que faz com que a planta toda vá secando e não vai produzir nada. E a estiagem que nós tínhamos enfrentado nos últimos dois anos tem afetado muito a produtividade. Então se pegasse 100 quilos de raíz de mandioca e transformasse em farinha ia dar 30, agora não tá dando nem 20. A produtividade reduziu-se em decorrência disso”, explicou Raul.

Foto: Reprodução/Governo do Amapá

Raul explicou que a produção no Amapá ainda está em processo de recuperação, após todos os fatores, a demanda comercial do produto aumentou significativamente.

“Muitos produtores estão deixando de plantar a mandioca para plantar macaxeira, porque a macaxeira a saída dela está mais rápida. Os restaurantes de Macapá estão servindo macaxeira no lugar de batata frita, de banana frita”, disse.

De acordo com o levantamento, para 2025 a previsão é que a produção de macaxeira seja 12% a mais do que em 2024. Já a mandioca, a produção deve ser quase 20% a mais comparado com o ano passado.

“Há uma previsão de área preparada de quase 20% na produção de raíz de mandioca, que esse ano nós produzimos quase 70 mil toneladas. Esse ano tem uma previsão de 84 mil toneladas, mas lembrando que em 2020 nós colhemos 120/130 mil toneladas. Então nós estamos nos recuperando”, finalizou.

O levantamento também aponta aumento da produção açaí no estado, para 2025 a previsão é de um crescimento de 22%.

*Por Isadora Pereira e Mayra Carvalho, da Rede Amazônica AP

Pará reforça participação no Mapa do Turismo Brasileiro com 15 municípios

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Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

A Secretaria de Estado de Turismo (Setur) do Pará garantiu, em dezembro, a inclusão de mais 15 municípios no Mapa do Turismo Brasileiro, consolidando avanços significativos no Programa de Regionalização do Turismo. A participação no mapeamento nacional é um marco que atesta a organização dos municípios em termos de gestão pública voltada ao turismo, permitindo o acesso a recursos para investimentos em infraestrutura, promoção de destinos, capacitação profissional e outros projetos estratégicos.

Municípios como Cametá, Itaituba, Maracanã, Ponta de Pedras, Portel, Rio Maria, São Geraldo do Araguaia, Salinópolis, Sapucaia e Trairão reafirmaram sua relevância no setor, garantindo a renovação no Mapa. Por outro lado, a inclusão de novos municípios como Colares, Igarapé-Açu, Magalhães Barata, Santa Bárbara do Pará e Santa Izabel do Pará marcam uma conquista inédita, sinalizando novos esforços que visam posicionar esses destinos no cenário turístico nacional. 

A entrada de Santa Bárbara do Pará tem um significado especial, pois completa a participação de todos os municípios da Região Metropolitana de Belém no Mapa, tornando-a uma das poucas regiões turísticas do Brasil com essa abrangência. Essa conquista também sinaliza o início do processo de formalização da Instância de Governança Regional, uma iniciativa que busca fortalecer o diálogo entre gestores públicos, empreendedores e comunidades locais para a criação de estratégias integradas e sustentáveis no setor.

Leia também: Com entrada de Oriximiná e Anapu, mais de 50 municípios paraenses fazem parte do Mapa do Turismo Brasileiro

O secretário de Turismo do Pará, Eduardo Costa, destacou a importância desse avanço: “a inclusão desses municípios no Mapa do Turismo Brasileiro é um reflexo do nosso compromisso em fomentar o turismo como vetor de desenvolvimento econômico e social. Estamos abrindo portas para que essas localidades ampliem suas oportunidades e fortaleçam suas identidades culturais, colocando o Pará em posição de destaque no turismo nacional”.

Para integrar o Mapa, os municípios precisam cumprir uma série de critérios estabelecidos pela Portaria MTur nº 41/2021, que incluem a comprovação de planejamento turístico, existência de um órgão gestor, dotação orçamentária para o setor, conselho municipal de turismo ativo, entre outros requisitos. 

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

A Setur oferece assessoramento técnico aos gestores municipais para facilitar o processo de adesão e acompanha as etapas de análise e aprovação junto ao Ministério do Turismo. O Mapa do Turismo Brasileiro, instrumento estratégico do Programa de Regionalização do Turismo, define as áreas prioritárias para o desenvolvimento de políticas públicas e categorização dos municípios, conforme o desempenho econômico do setor. 

Segundo Hugo Almeida, gerente de Estruturação dos Destinos Turísticos da Setur, “a permanência de municípios no Mapa demonstra maturidade na gestão pública, enquanto as novas inclusões representam oportunidades de impulsionar as economias locais, valorizar culturas regionais e atrair investimentos”.

Ao longo do ano, a Setur promove ações como os Seminários de Regionalização do Turismo, que capacitam gestores municipais e sensibilizam sobre os critérios do Mapa. Com essas iniciativas, o governo do Pará reforça seu compromisso com o fortalecimento do turismo como eixo de desenvolvimento sustentável e inclusão social no Pará.

*Com informações da Setur PA

Desenvolvimento e segurança jurídica ao homem do campo recebem fomento em Rondônia

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Foto: Eleni Caetano/Secom RO

O governo de Rondônia em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), através do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) n° 324 de 2023, vem executando um trabalho de georreferenciamento em áreas rurais, com o objetivo de consolidar a regularização fundiária no estado, contribuindo para garantir segurança jurídica e apoio técnico aos pequenos produtores rurais, e promover maior estabilidade e valorização das propriedades.

Essa parceria foi formalizada por meio de um Acordo de Cooperação, resultando em atividades que são coordenadas pela Secretaria de Estado de Patrimônio e Regularização Fundiária (Sepat) nos municípios de Porto Velho, Candeias do Jamari, Ariquemes, Ji Paraná, Vilhena, Parecis, Machadinho d’Oeste e Nova Mamoré.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, salientou que, o impacto da regularização fundiária rural vai além da segurança jurídica, promovendo a valorização das propriedades, o crescimento econômico e a melhoria na qualidade de vida das famílias rurais, evidenciando a função do estado na criação de um ambiente mais seguro e sustentável à agricultura familiar e para o desenvolvimento rural.

O secretário da Sepat, David Inácio ressaltou que, as ações de regularização fundiária rural já somam mais de 9.404 atendimentos e procedimentos técnicos, que demonstram o engajamento do governo e da superintendência do Incra em Rondônia, em consolidar uma política de regularização fundiária inclusiva e efetiva.

Segundo o superintendente do Incra em Rondônia, Luís Flávio Carvalho Ribeiro, a parceria com a Sepat deu ao Incra a oportunidade de expandir suas ações em Rondônia para levar segurança jurídica sobre as terras, tão almejada pelos produtores e agricultores rurais.

“O título é também o principal instrumento para o desenvolvimento das atividades produtivas e o estado só tem a ganhar com esse benefício”, afirmou.

Foto: Eleni Caetano/Secom RO

Localidades

A coordenadora de Georreferenciamento da Sepat, Ângela Ferreira da Silva, enfatizou que, em Machadinho d’Oeste, por exemplo, o georreferenciamento abrangeu 150 imóveis rurais distribuídos nos núcleos Tancredo Neves, MA-35, EIT, Alto Alegre, São Marcos, São Miguel das Paineiras, Vila Rica, Ouro Verde e Bandeirantes.

Vilhena também foi um dos municípios com grande número de imóveis regularizados, somando 431 propriedades nas áreas do Lote 47-Bianco e da Cooperfruto.

Já em Porto Velho, a ação alcançou 274 imóveis na área do Lote 2 – Militão, que resultou na entrega de 250 títulos definitivos no dia 9 de agosto de 2024, o que representou um marco histórico para a segurança jurídica e ao desenvolvimento rural da região, pois as famílias aguardavam pela regularização das propriedades desde 1992, ou seja, há mais de 30 anos.

Segundo a coordenadora de Regularização Fundiária da Sepat, Hannyeller Bragado Alecrim, os mutirões de atendimentos realizados nos municípios de São Miguel do Guaporé, Costa Marques e Cerejeiras têm sido essenciais para levar serviços diretamente aos moradores. Em outubro de 2023, foram atendidas mais de 1.100 pessoas e realizadas 230 vistorias, e a emissão de 310 Certidões de Reconhecimento de Ocupação (CROs).

A programação de mutirões em 2024 atendeu outros municípios, como Cujubim, Machadinho d’Oeste e Theobroma, com o objetivo de ampliar o alcance dos serviços de regularização fundiária.

Outro ponto destacado pelo secretário, David Inácio na atuação conjunta entre a Sepat e o Incra, é a emissão de títulos de propriedade, uma medida fundamental para o desenvolvimento econômico local e à inclusão dos proprietários rurais em programas de crédito agrícola.

Até o momento, 769 títulos foram concedidos em diversas regiões do estado, trazendo segurança jurídica necessária para que os agricultores invistam em suas propriedades. Além dos títulos, foram emitidas 1.157 Certidões de Reconhecimento de Ocupação (CROs) e 4 Contratos de Concessão de Uso (CCUs), que possibilitam a ocupação legal da terra.

*Com informações do Governo de Rondônia