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Grupo Flor Ribeirinha se torna Patrimônio Histórico e Imaterial de Cuiabá

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Foto: Emanoele Daiane

O prefeito de Cuiabá (MT), Abilio Brunini, sancionou lei aprovada pela Câmara Municipal que declara como patrimônio histórico, cultural e de natureza imaterial o Grupo Flor Ribeirinha. A sanção foi publicada no dia 31 de janeiro no Diário da Justiça.

Um dos símbolos da cultura de Cuiabá, o grupo Flor Ribeirinha trabalha no resgate, manutenção, proteção e difusão da cultura popular da região, principalmente o siriri e o cururu (dança e ritmo tradicionais).

A declaração de patrimônio histórico, cultural e de natureza imaterial, o Grupo Flor Ribeirinha passa a ter proteção integral do poder público e não pode ser destruído ou descaracterizado.

Em outubro de 2023, o Grupo Flor Ribeirinha venceu o Cheonan World Dance Festival, na Coreia do Sul, considerado o maior evento de dança folclórica da Ásia e o segundo maior do mundo. Foi a primeira vez que um grupo brasileiro venceu a competição.

O Grupo Flor Ribeirinha acumula outros títulos mundiais, conquistados em países como Turquia (2017), Polônia (2021) e Bulgária (2022).

Leia também: Grupo folclórico de Mato Grosso vence festival internacional de dança na Polônia

Por meio da Associação Cultural Flor Ribeirinha, o grupo atua no resgate, manutenção, proteção e difusão da cultura mato-grossense, com foco no Siriri e Cururu.

Além disso, contribui para a preservação de tradições cuiabanas, como as celebrações das festas de santos, produção de cerâmica em argila, comidas e bebidas típicas, confecção e uso da viola de cocho e, enfim, na valorização do modo de vida da população ribeirinha.

*Com informações da Prefeitura de Cuiabá

Registro raro de ave em parque no Acre contribui para novas pesquisas sobre a espécie

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Jacu-estalo-de-bico-vermelho (Neomorphus pucheranii). Foto: Luis Morais

Uma expedição científica no Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre, resultou no registro raro do jacu-estalo-de-bico-vermelho (Neomorphus pucheranii), uma ave considerada o “santo graal” do birdwatching. O biólogo Luis Morais, responsável pelo avistamento, explica que observar essa espécie depende, além de técnica e persistência, de um pouco de sorte.

Leia também: Ave rara é fotografada pela primeira vez no Parque Estadual Chandless, no Acre

Administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Parque Nacional da Serra do Divisor tem papel fundamental na conservação da biodiversidade amazônica. A descoberta ocorreu em novembro do ano passado, durante o primeiro ano do doutorado de Morais, que busca propor uma nova classificação para o gênero Neomorphus. Há tão pouca informação disponível sobre essas aves que ainda não se sabe ao certo quantas espécies existem, como se diferenciam e qual sua real distribuição geográfica.

A expedição durou cinco dias na região do rio Moa e contou com o apoio de comunidades locais e do ornitólogo Ricardo Plácido, especialista da avifauna do parque. Segundo Morais, moradores da região conheciam a ave e, por isso, ela foi incluída em um guia de aves do parque, elaborado com sua participação.

Foto: Luis Morais

Além da raridade do registro, um dos destaques foi a obtenção de fotos nítidas da ave, algo inédito até então. Antes, as únicas imagens disponíveis eram de armadilhas fotográficas e não permitiam uma visão detalhada de sua coloração. As novas fotos revelam detalhes sobre a aparência da espécie, especialmente a coloração vibrante do bico e da região pós-ocular.

“As fotos geraram espanto na comunidade de ornitólogos e passarinheiros. Não se tinha noção do colorido dessa espécie baseado nos exemplares conservados em museus”, destaca Morais.

O registro no Parque Nacional da Serra do Divisor reforça a importância da conservação da área para a pesquisa científica e para a observação de aves na Amazônia. O Instituto Chico Mendes segue promovendo ações de monitoramento e proteção da biodiversidade no parque, contribuindo para a ampliação do conhecimento sobre as espécies e para a manutenção de habitats essenciais.

3 pessoas são processadas em mais de meio milhão de reais por danos a geoglifo no Acre 

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Áreas estruturais do geoglifo foram aradas e depositado solo dentro das valetas, conforme o MPF-AC. Foto: Reprodução/MPF-AC

O Ministério Público Federal (MPF-AC) está processando a dona da Fazenda Oeste, na cidade de Capixaba, interior do Acre, o arrendatário e um empregado da propriedade, por danos causados a um geoglifo durante limpeza da área. Os danos foram descobertos em 2021, quando o órgão federal recebeu o laudo de uma vistoria.

Leia também: A construção dos ‘deuses geométricos’: os geoglifos da Amazônia

Contudo, os prejuízos foram causados no início dos anos 2000. A área chegou a ser embargada na época e os proprietários alertados sobre a situação, contudo, ‘não demonstraram interesse em firmar acordo extrajudicial para solução dos danos’, segundo o MPF.

A defesa dos acusados não foi localizada até a última atualização desta reportagem*.

Os geoglifos são estruturas milenares escavadas no chão com formas geométricas que surpreendem pela precisão e são protegidos por lei federal. Apenas no Acre já foram descobertos mais de 800 sítios arqueológicos. O estado é o que tem mais número de geoglifos no país.

Leia também: Arqueóloga acredita que geoglifos podem se tornar potencial turístico no Acre

No ano passado, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), Assuero Doca Veronez, um dos maiores pecuaristas do estado, também foi processado pelo MPF-AC por destruir geoglifos durante o processo de plantio de grãos na Fazenda Crixá II, também em Capixaba.

Assuero afirmou, na época, que fez um acordo de não persecução penal com o MPF-AC e pagou a quantia de R$ 22 mil, além de admitir a participação no crime contra o patrimônio cultural, delimitou a área do geoglifo e se comprometeu a não fazer mais nenhuma atividade na região.

Diferente do pecuarista, conforme o MPF-AC, os proprietários da Fazenda Oeste não quiseram dialogar com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e não aceitaram os termos do acordo proposto.

O laudo apresentado ao MPF-AC apontava valetas e muretas características de geoglifos na área conhecida como Ramal Capatará, no entanto, ‘as áreas estruturais do sítio foram aradas e depositado solo dentro das valetas, ou seja, no momento do arado o solo foi aproveitado para nivelar o terreno, aterrando assim as valetas e mutilando as muretas das estruturas de terra’.

O MPF-AC chegou a enviar ao Iphan minuta de termo de ajustamento de conduta que não previa multa ou indenização, somente ações de mitigação e recuperação do que fosse possível na área. O instituto informou que não foi possível dialogar com os responsáveis para acertar os termos do acordo.

“Sendo frustradas as tratativas extrajudiciais, restou ao MPF entrar com a ação, com pedido de fixação de indenização por dano material, dano moral coletivo, além da preservação da área sem qualquer nova intervenção não autorizada pelo Iphan, mantendo-se o seu isolamento”, destaca o processo.

Ação civil pública

Os geoglifos são reconhecidos e registrados pelo Iphan. Por conta disso, o MPF-AC ingressou com uma ação civil pública e pede a condenação dos responsáveis ao pagamento de mais de R$ 530 mil de indenização por dano material e danos morais coletivos.

Os valores devem ser ‘revertidos a projetos de preservação do patrimônio histórico no Acre, desenvolvidos e apresentados pelo Iphan, na ocasião do cumprimento da sentença’.

Também é pedido na ação que os citados no processo cerquem a área do geoglifo de acordo com os termos definidos pelo Iphan e não façam mais nenhum plantio na área. Em caso de descumprimento, eles podem ser responsabilizados.

Na ação, o MPF pede que seja determinado, em caráter de urgência, que os responsáveis realizem o cercamento da área do geoglifo, nos termos a serem definidos previamente pelo Iphan, sob pena de multa diária por descumprimento, além de não realizarem qualquer atividade dentro da área do geoglifo sem a prévia anuência do instituto, também sob pena de multa.

O órgão federal afirmou que parte da estrutura de terra do sítio arqueológico ‘foi impactada por aragem e limpeza para plantação de soja, ocasionando a destruição/mutilação do geoglifo, com diversos fragmentos cerâmicos em superfície’.

*Com informações da Rede Amazônica AC

Rondônia bate recorde na exportação de café e está entre os cinco maiores exportadores do Brasil

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Foto: Daiane Mendonça/Governo de Rondônia

Rondônia alcançou, pela primeira vez na história, o ranking dos cinco maiores exportadores de café do Brasil. O estado ultrapassou o Paraná, e consolidou sua posição no cenário nacional ao atingir US$ 130,99 milhões em exportações, um crescimento de 645% em relação a 2023.

As informações foram divulgadas pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), com base no Comex Stat (2024), sistema para consultas e extração de dados do comércio exterior brasileiro do Ministério do Comércio Exterior. De acordo com os dados do setor, Minas Gerais lidera as exportações com US$ 7.814,83 milhões, seguido pelo Espírito Santo (US$ 2.003,28 milhões), São Paulo (US$ 907,75 milhões) e Bahia (US$ 294,43 milhões). Agora, Rondônia se junta a esse grupo, superando o estado do Paraná, que exportou US$ 86,54 milhões em 2024.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, enfatizou o impacto da expansão do setor cafeeiro para a economia estadual.

“Desde o início, nosso objetivo tem sido fortalecer o agronegócio, gerar emprego e levar o estado a um novo patamar de desenvolvimento. E os números comprovam que Rondônia está cada vez mais forte e competitivo no mercado global.”

Leia também: Rondônia é o estado mais cafeicultor da Amazônia

Investimentos, qualificação e modernização

O titular da Sedec, Sérgio Gonçalves, evidenciou a importância desse avanço para economia. “Rondônia é o segundo maior produtor de café robusta do Brasil e o primeiro da região Norte. Com uma média de produção de 194.148 toneladas e cerca de 20 mil produtores envolvidos, o estado tem se destacado no cenário nacional e internacionalmente, consolidando sua posição como referência na cafeicultura.”

Premiações

Além da conquista histórica no ranking de exportação, Rondônia também brilhou em competições de qualidade em 2024. Na 7ª edição do Florada Premiada, as produtoras Suely da Graça Rezende, Josiele Rodrigues Werneck e Angélica Alexandrino Nicolas conquistaram os três primeiros lugares na categoria Canéfora, com notas que chegaram a 90,44 pontos. Já o cacique Rafael Suruí, com produção em terra indígena, obteve 95,11 pontos na 6ª edição do Concurso Tribos, sendo reconhecido com a nota máxima de 100 pontos pelo jurado técnico Silvio Leite.

A valorização do Café Robusta Amazônico ganhou, também, destaque internacional com a participação do estado no Taste and Feel Rondônia Coffee Fest, realizado em Londres, em dezembro de 2024. O evento evidenciou a posição de Rondônia como um dos grandes protagonistas da cafeicultura brasileira. O estado registrou uma média de crescimento de 1.284% nos últimos sete anos, consolidando sua presença no mercado global do café. Com esse desempenho, o governo de Rondônia segue investindo na expansão das exportações e no aprimoramento das cadeias produtivas, garantindo que o café rondoniense continue ganhando espaço e reconhecimento internacionalmente.

*Com informações do Governo de Rondônia

Prestando contas ao Mestre

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Ele chegou ao Brasil muito jovem e não falava uma única palavra em português. Trazia escrito apenas um nome e endereço para procurar no Rio de Janeiro. Chegou à noite e iria fazer isto no dia seguinte. Cansado de uma viagem de vários dias, recostou-se em uma praça em Copacabana, aguardando amanhecer. Acordou já com o sol forte e constatou que haviam levado a sua única mala, com todos os seus pertences. No bolso, ainda restava o papel amassado, com o endereço. Por sorte, estava há algumas quadras e não foi difícil chegar no local, com a ajuda das pessoas pelo caminho. Ainda era o início dos anos sessenta e a única maneira de buscar um endereço era pelos guias impressos ou perguntando às pessoas que encontrasse. Para ele, só havia a segunda alternativa, fazendo uso de mímica e do papel amassado.

Era um bar com mesas de jogos e frequentadores estranhos. Ainda assim foi recebido bem e deram-lhe um quarto para dormir e um prato de comida. Todo o resto deveria ser por sua conta, fosse lá o que ele viera fazer no Brasil.

Seu trabalho era bater de porta em porta pelas redondezas e oferecer uma oração estranha a quem estivesse sofrendo. Algumas semanas se passaram sem que ninguém a aceitasse. As pessoas ficavam desconfiadas e, amedrontadas, batiam a porta, antes que ele conseguisse comunicar alguma coisa.

Uma primeira oportunidade foi oferecida e, com ela, o que foi considerado um milagre, a recuperação de uma criança desenganada pela medicina. Outros casos vieram e, com isso, tornou-se conhecido, até que, com doações dos beneficiados, conseguiu se estabelecer na Zona Norte do Rio. A partir daí, formavam-se filas diárias para receber a tal oração, uma transmissão de energia, que purificava o espírito e curava doenças e outros tipos de sofrimentos.

Aos poucos, foi formando discípulos e servidores. Embora a comunicação fosse difícil, era possível aprender com o jovem a quem chamavam de Professor. Outros queriam apenas servi-lo, como um ato de agradecimento. Até a limpeza do banheiro do local era disputada, como um privilégio. Lembro de ainda pequeno ouvir a família de minha mãe criticar o meu avô: “Não é que ele sai cedo, quase de madrugada e ainda briga para limpar o banheiro do japonês?” Ninguém da família sabia quem era o tal japonês e continuaram sem saber, pois em uma destas disputas pela limpeza, meu avô, explosivo que era, disse que não voltaria mais lá.

Passaram-se anos, o tal jovem era agora um sacerdote, reconhecido como líder de centenas de milhares de pessoas no Brasil e em outras partes do mundo. Meu avô, no hospital, nos seus últimos dias de vida, sem enxergar e tentando reagir à doença, exclamou em um momento de lucidez, quando recebia uma oração: “era essa a reza do japonês! Estou sentindo. Era essa a energia”. Meu avô partiu logo depois.

Outros anos passaram-se, e eu, sem ligar os pontos, tive oportunidade de participar de um encontro com este homem, junto com um seleto grupo de convidados. Ele falava sobre o seu ideal de promover felicidade para um maior número de pessoas, sem restrição de nacionalidade, raça, credo religioso ou de qualquer tipo. Falava do quanto a ciência estava se aproximando da espiritualidade e de estudos científicos que estavam ocorrendo nos Estados Unidos e na Europa. Seus olhos brilhavam e envolviam a todos nós naquela visão, que agora era nossa também.

Humildemente, levantei a mão e fiz uma pergunta. Se não seria válido seguir por tal caminho e tentar promover tais ações, visando estimular práticas que expandissem a construção da felicidade. Ele ouviu silenciosamente, pareceu refletir um pouco e disse me olhando seriamente: “Acho muito bom. Por favor, o senhor mesmo realize isto. Peço que aceite isso como uma missão”.

Este encontro ocorreu há vinte e três anos. Quando busquei encontrar a minha missão maior, reconheci que ela abrangia a missão me atribuída por ele, o que me faz tentar cumpri-la continuamente.

Ele já não está por aqui, mas, com gratidão, sinto que preciso prestar contas ao mestre, dizendo que, entre trancos e barrancos, e com vários companheiros de jornada, estamos avançando na construção consciente da felicidade. Sabemos que o mundo precisa.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Ribeirinhos destacam como sistema de captação de água diminui impactos de estiagem de 2024 no Amazonas

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Foto: Orlando Jr./FAS

Pelo segundo ano consecutivo, a estiagem no Amazonas atingiu níveis recordes. Um dos exemplos é o Rio Negro que chegou à marca de 12,11 metros em outubro, o menor nível já registrado em 122 anos de monitoramento pelo Porto de Manaus. Com o propósito de garantir infraestrutura para abastecimento de água potável, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com Fundación Avina e a Coca-Cola Brasil, executa o projeto “Água+ Acesso” na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, no estado do Amazonas. 

Leia também: Seca de 2024 no Amazonas supera número de atingidos em 2023: mais de 747 mil pessoas

Tendo em vista as características geográficas da região, a população depende dos rios para se conectar a redes de serviços essenciais, como educação e saúde, e conseguir alimentos e água para subsistências. Recentemente, o sistema foi ampliado às comunidades ribeirinhas Deus é Amor, Paricatuba, Uxi e Cuiuanã, beneficiando um total de 365 famílias, mais de 1,8 mil pessoas.

Maria Ribeiro Lima, professora e moradora da comunidade Deus é Amor, conta que o cenário foi delicado diante da severa estiagem de 2023. Hoje, com o sistema de purificação, ela compartilha que a qualidade de vida melhorou como um todo.

“Antes da implantação do projeto em nossa comunidade, a situação era bem complicada, não tínhamos água adequada para realizar nem as atividades cotidianas, tampouco água potável para o consumo. Ano passado, quando a estiagem atingiu o período mais severo, tínhamos que comprar água em garrafões de 20 litros, mas nem todos os comunitários conseguiram comprar devido ao custo e à dificuldade para chegar até à comunidade”, conta Maria Ribeiro.

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Foto: Orlando Jr./FAS

“Agradeço muito ao projeto e a todos os colaboradores, pois esse ano todos nós temos acesso à água potável. Melhorou a qualidade de vida de todos. É muito satisfatório simplesmente ligar a torneira e ter água apropriada para consumo à disposição da comunidade. O que antes era só um sonho para nós, hoje é uma realidade”, complementa.

Essa é a quarta incursão do projeto na RDS Piagaçu-Purus. Além das residências, o projeto beneficia três escolas municipais rurais de ensino fundamental, alcançando quase 500 estudantes. Isso dá mais segurança para que docentes e alunos sigam em dia com o calendário acadêmico.

Para pessoas como Ana Cristina Vieira Gomes, da comunidade Cuiuanã, a chegada do projeto foi a realização de um sonho. “A importância da água para nossa comunidade é um privilégio que, há muito tempo, lutávamos para ter. Esse tratamento da água trouxe muitos benefícios para nós. Agradecemos muito por termos uma água de qualidade, pois isso evita doenças, como diarreia e outras. Para minha família e meus vizinhos, o projeto trouxe grandes benefícios, mesmo com essa estiagem que vivemos agora, tivemos menos dificuldade em relação ao acesso da água”, conta.

Leia também: Estiagem: município amazonense tem aumento de 100% em preços de alimentos e vê poço secar

O projeto consiste em um sistema de captação, tratamento e armazenamento de água potável, além de distribuição por canos. A tecnologia adotada usa painéis fotovoltaicos para geração de energia sustentável e é interligada a uma estação de tratamento, que, por sua vez, usa um filtro de purificação de mineral zeolit. 

Em uma hora, cada sistema é capaz de limpar até 5 metros cúbicos. Ao todo, esta abordagem permitirá fornecer 56 milhões de litros de água potável por ano, por meio de quatro sistemas instalados. No Amazonas, em colaboração com a FAS e a Associação de Moradores e Entorno da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçú Purus-AMEPP, desde 2017, o programa já impactou seis mil pessoas em 35 comunidades, todos com modelos autossustentáveis por meio da gestão comunitária da água.

Foto: Orlando Jr./FAS

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“Ter acesso à água potável, sobretudo em tempos de seca, é fundamental para que as famílias consigam realizar suas necessidades diárias. Quando a população trouxe essa demanda, a FAS buscou alternativas para levar uma solução sustentável permanente. Junto com parceiros Avina e Coca-Cola Brasil, conseguimos levar um sistema de captação de água do rio e instalação de poços”, diz Valcléia Lima, superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da FAS.

Para Rodrigo Brito, Diretor de Sustentabilidade Brasil e Cone Sul da Coca-Cola América Latina, o programa Água +Acesso tem transformado a vida de diversas famílias no Amazonas. “A melhoria na qualidade de vida dessas pessoas é um resultado que nos motiva a continuar. Continuaremos a apoiar iniciativas que promovam o acesso sustentável à água e contribuam para o bem-estar das comunidades locais. Este ano, estamos investindo R$ 5,6 milhões no programa, visando atender mais de 40 comunidades na região Norte, incluindo Amazonas e Pará”, ressaltou. 

*Com informações da FAS

Teatros da Amazônia avançam na candidatura a Patrimônios Mundiais da Unesco

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O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) oficializou, na sexta-feira (31/01), a candidatura dos teatros da Amazônia – o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), e o Theatro da Paz, em Belém (PA) – à Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. A proposta será submetida à avaliação do Comitê do Patrimônio Mundial, formado por 23 países signatários da Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural da Unesco.

Se cumpridos os requisitos demandados, a candidatura poderá compor a pauta do comitê para o potencial reconhecimento do bem cultural.

A oficialização da candidatura, em parceria estreita com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), é marcada pela entrega de dossiê com documentos elaborados por um grupo técnico formado pelo Iphan, Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, secretaria de cultura do estado Pará e secretarias de cultura dos municípios de Belém e Manaus. O dossiê será analisado pela Unesco, a partir de critérios que demonstram o valor universal excepcional do bem cultural seriado, sua autenticidade e integridade.

Para o secretário em exercício de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Candido Jeremias, a oficialização da candidatura é um marco no pleito coletivo empreendido pelos estados do Amazonas e do Pará em prol da valorização do Patrimônio Histórico da Amazônia.

“Os dois teatros já são conhecidos mundialmente, atraindo visitantes de todas as partes do país e do mundo, e são detentores de todas as credenciais para integrar a lista do Patrimônio Mundial”, destacou. “O valor inestimável desses patrimônios culturais dos povos da Amazônia merece a oficialização do reconhecimento mundial”, afirmou.

Foto: Divulgação/Arquivo Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

A diretora do Teatro Amazonas, Elizabeth Cantanhede, destaca a importância que este tótem da cultura amazônica tem junto à sociedade local, representando um dos orgulhos da região Norte. “É a realização de um sonho que o Teatro Amazonas, junto com o Teatro da Paz, seja reconhecido como patrimônio da humanidade e possa ter para o mundo a mesma importância que tem para nós amazonenses”, declarou.

“Levar a candidatura dos Teatros da Amazônia para reconhecimento internacional se alinha ao compromisso do Iphan de promover, valorizar e democratizar o Patrimônio Cultural Brasileiro”, destaca o presidente do Iphan, Leandro Grass. “A missão se torna ainda mais importante por ser um bem cultural que representa a riqueza e diversidade cultural da região Norte”, afirma.

O diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam) do Iphan, Andrey Schlee, também destaca a relevância da candidatura. “É uma satisfação poder participar de uma iniciativa tão importante que, mais uma vez, em nível internacional, busca reconhecer a riqueza e a diversidade de bens culturais nacionais. No caso, dois teatros amazônicos com inquestionáveis valores universais”, afirmou.

A etapa de entrega do dossiê é um passo importante no potencial reconhecimento internacional dos Teatros da Amazônia, que representam um patrimônio arquitetônico, cultural e histórico singular na região amazônica. “Estamos vivenciando mais um capítulo na história de valorização da Amazônia. Esse passo para a candidatura do Teatro Amazonas e do Teatro da Paz a Patrimônio Mundial pela Unesco nos permite sentir a cultura do Norte em voga”, enfatizou a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos.

“A candidatura pelo reconhecimento da Unesco para estes dois extraordinários patrimônios arquitetônicos, no coração da Amazônia urbana, tem um valor mais do que simbólico para o Brasil. Nossa região irá sediar a COP 30 neste ano, e o turismo receberá um significativo impulso. As duas casas de espetáculos já são uma referência cultural da Amazônia, dentro do Brasil”, contextualizou a secretária de Cultura do Pará, Ursula Vidal.

Foto: Maycon Nunes/Agência Pará

“Com este reconhecimento, a valorização e divulgação de nossos amados teatros e de sua missão no fomento às artes ganhará uma dimensão planetária, chamando a atenção do mundo e estimulando o desejo em conhecer a pujança da cultura amazônica, sua história e a beleza de seu patrimônio”, completa Ursula.

Esses monumentos, símbolos do Ciclo da Borracha na Amazônia, representam a influência europeia na arquitetura e nas artes cênicas, a incorporação de características locais, além de simbolizarem a riqueza cultural e a relação da região com a economia e a geopolítica internacional entre os séculos XIX e XX.

“Nosso teatro não só conta uma parte de nossa história, mas representa também um marco para todos que fizeram e fazem parte dessa história, desde os seringueiros, artesãos, trabalhadores da construção civil e artistas que deram vida aos palcos dos dois teatros”, sublinhou a superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro.

Com a candidatura, o Iphan e o Ministério da Cultura (MinC) reforçam a proteção e a valorização dos bens culturais brasileiros, destacando o Patrimônio Cultural da Amazônia no cenário global. Caso sejam reconhecidos pela Unesco, os Teatros da Amazônia integrarão a lista de Patrimônio Mundial Cultural, que já conta com 15 bens culturais brasileiros chancelados e um cultural e natural.

*Com informações da Agência Amazonas e da Agência Pará

Moeda de 1775 é encontrada por arqueólogos durante obra em Macapá

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Moeda portuguesa de 20 réis. Foto: Aog Rocha/GEA

Arqueólogos encontraram uma moeda de 20 réis de 1775 nas obras de reforma e ampliação da antiga Residência Oficial do Governo do Amapá, no Centro de Macapá, e próximo à orla do rio Amazonas. Ao todo, foram encontrados mais de 30 itens dos séculos 17 e 18, como anéis, ossos de animais e cachimbos de orgiem holandesa.

Leia também: ‘Casa do Governador’ vai ser transformada em ponto turístico no Amapá

“São achados bem significativos que remetem, nesse primeiro momento ao período de implantação da Vila de São de Macapá, em 1750. Contudo, existem provas de ocupação Ameríndia na área da pesquisa, como o antigo sítio cemitério ameríndio escavado em 1947, durante construção da residência do governador”, explicou Edinaldo Nunes, pesquisador da Universidade Federal do Amapá (Unifap).

A área recebe reforma para se tornar um espaço turístico após ficar mais de 10 anos abandonada. As obras foram interrompidas e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi consultado sobre os itens encontrados e autorizou o início de uma pesquisa arqueológica no local.

A residência fica localizada no que é considerado um Platô, um local plano e elevado. Evidências apontam que mesmo antes da presença dos portugueses, comunidade dos povos indígenas já habitavam a região.

A data da moeda é anterior ao fim das obras da Fortaleza de São José de Macapá e da criação da política cambial brasileira que só começou em 1808.

Artefato histórico encontrado na construção do novo ponto turístico de Macapá — Foto: Aog Rocha/GEA

“Nessa fase preliminar encontramos um acervo, sobretudo a evidência de ocupação humana do século 18 e uma das evidências são as moedas de 1775, moeda de bolso, cachimbos holandeses, de matéria-prima caulim, encontrados com frequência e que atestam o contato comercial naquele período. Também encontramos louças europeias, tudo isso dentro de uma evidência de um componente de ocupação relacionado aos séculos 17 e 18”, descreveu Kleber Souza, arqueólogo e coordenador dos estudos no local.

Uma empresa contratada pelo estado é a responsável por fazer a escavação em diversos pontos ao redor da residência. Os itens encontrados serão encaminhados ao Centro de Estudos e Pesquisas Arqueológicas do Amapá (Cepap) da Unifap para serem analisados e registrados.

*Por Rafael Aleixo e Addan Vieira, da Rede Amazônica AP

Treino no Florestão: Neymar já marcou gol contra Rio Branco-AC na Copa do Brasil 2009

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Neymar durante treinamento no estádio Florestão, em Rio Branco, 2009. Foto: Manoel Façanha/Arquivo pessoal

De volta ao Santos e regularizado para estrear no Campeonato Paulista, o atacante Neymar já treinou no extremo oeste do Brasil, mais precisamente em Rio Branco (AC). À época, o ex-jogador do Barcelona, PSG e Al Hilal (da Arábia Saudita), dava os primeiros passos entre os profissionais e acompanhou o ‘Peixe’ no confronto de ida da 1ª fase da Copa do Brasil de 2009.

Leia também: Você sabia que o primeiro time indígena de futebol do Brasil é paraense?

O Rio Branco-AC, maior campeão acreano, foi o adversário do Santos. Neymar, aos 17 anos, viajou com a delegação santista para a capital do Acre e treinou com a equipe no estádio Florestão, em Rio Branco, sob comando do técnico Vagner Mancini.

Ele não foi relacionado para o jogo e viu de fora do campo a vitória de virada do Santos sobre o Estrelão por 2 a 1, na Arena da Floresta, na capital, exatamente no dia 18 de fevereiro. O ex-atacante Kleber Pereira marcou os dois gols do Peixe.

Neymar seguiu com elenco principal e só estreou profissionalmente no dia 7 de março de 2009, na vitória do Santos sobre o Oeste por 2 a 1, pelo Campeonato Paulista.

Leia também: Primeira partida de futebol do Brasil aconteceu na Amazônia; descubra onde

Titular pela 1ª vez e gol contra o Rio Branco-AC

Como o regulamento da Copa do Brasil de 2009 previa o jogo de volta – em caso de vitória do visitante por menos de dois gols de vantagem na ida – o Rio Branco-AC viajou para encarar o Peixe na Vila Belmiro. Neymar foi titular primeira primeira vez naquela partida.

Depois de marcar o primeiro gol contra o Mogi Mirim, no dia 15 de março, Neymar anotou o segundo gol da carreira contra o Estrelão. Ele abriu o placar na goleada por 4 a 0, que classificou o Santos para a segunda fase.

Naquela edição da Copa do Brasil, o Santos foi eliminado na segunda fase pelo CSA-AL. Após o empate sem gols na ida, o time alagoano conquistou uma vitória histórica por 1 a 0 sobre o Santos na Vila Belmiro.

*Por Kelton Pinho, da Rede Amazônica AC

Portal Amazônia responde: por que Macapá é a capital do meio do mundo?

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Foto: Albenir Sousa/Arquivo GEA

Macapá, a capital do Amapá, é uma das cidades que atraem curiosos na região amazônica não apenas por suas belezas naturais, mas por um fator curioso: ela é a capital do meio do mundo. Mas você sabe o por quê disso?

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Essa designação é por ser ela é a única cidade brasileira cortada pela linha do Equador. E inclusive um dos seus principais pontos turísticos é o monumento Marco Zero do Equador, que marca o local onde a linha imaginária que divide a Terra em Hemisfério Norte e Sul, corta a cidade.

Leia também: Macapá: curiosidades sobre a capital do meio do mundo

Foto: Maksuel Martins/GEA

De acordo com dados do Governo do Amapá, outro ponto que também é “cortado” pela linha imaginária é o centro do campo de futebol do Estádio Estadual Milton de Souza Corrêa, o Zerão, possibilitando que os jogadores e visitantes possam estar nos dois hemisférios do planeta no mesmo local.

Além disso, duas vezes por ano (março e setembro), acontece o fenômeno da natureza chamado ‘equinócio‘, quando os raios do sol incidem diretamente sobre a linha do Equador, fazendo com que o dia e a noite durem o mesmo tempo.

De acordo com o professor Marcelo Siqueira, da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), “aquela Linha do Equador que passa no monumento não está realmente centralizada onde passa a posição atual da Linha do Equador. Porque depois do advento do GPS e do acesso às tecnologias mais novas, eles perceberam que, na verdade, a linha é deslocada uns 50 metros, em direção ao norte”.

Leia também: Portal Amazônia responde: é possível equilibrar um ovo no Marco Zero da Linha do Equador?