Glossário sobre o Baile de São Gonçalo foi criado por meio de pesquisa da UFMA. Foto: Reprodução/UFMA
Uma pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) registrou, pela primeira vez, os termos e as expressões usados no Baile de São Gonçalo, em São Luís. A manifestação religiosa e cultural, trazida de Portugal no período colonial, permanece viva em comunidades da capital formadas por migrantes da Baixada Maranhense.
O estudo foi realizado pela mestra em Letras, Tatiana do Nascimento Cunha, e tem por foco a preservação dessa tradição que reúne dança, música e recitação de versos, geralmente, como pagamento de promessas ao santo São Gonçalo.
De acordo com Tatiana, “os termos utilizados no Baile de São Gonçalo são próprios dos participantes, e, com o glossário, o público em geral poderá compreender, de uma forma mais clara e mais pontual, sobre esses termos”.
A pesquisa de campo ocorreu em cinco bairros com forte presença de famílias oriundas da Baixada: Bairro de Fátima, Primavera Bom Jesus, Residencial Paraíso, Vila Bacanga e Vila Embratel.
Foram entrevistadas doze pessoas que exercem funções no Baile, como promissários, guias e dançantes. As conversas geraram mais de dez horas de gravações, posteriormente transcritas e analisadas com auxílio de ferramentas de inteligência artificial e softwares de processamento linguístico.
Foto: Reprodução/Instituto Nova Era – Maranhão
Glossário representa fortalecimento cultural
O resultado foi um glossário com 56 termos especializados, organizados em seis campos semânticos. O mais produtivo deles foi o campo da dança, com 38 palavras relacionadas aos passos e movimentos.
Consta entre os termos, “glancher”, passo no qual o casal gira com uma mão na cintura, e a outra, levantada; “capacete”, enfeite usado pelos dançantes; e “contraguia”, dançarino que conduz o grupo por dominar os rituais do baile.
A pesquisadora também identificou variações denominativas, ou seja, expressões diferentes usadas para o mesmo gesto ou objeto, dependendo da comunidade entrevistada.
“Para as comunidades onde a pesquisa foi feita, esses relatos representam o fortalecimento de suas raízes ligadas à cultura popular. Para o meio acadêmico, a pesquisa em terminologia cultural leva ao glossário, que é fundamental para salvaguardar termos próprios de um grupo social específico, que, nesse caso, são os participantes do Baile de São Gonçalo”, diz, Tatiana.
O trabalho contribui para a documentação de uma manifestação popular que se mantém viva, principalmente, pela oralidade e práticas comunitárias. A expectativa é que o glossário estimule novos estudos e ações de valorização do Baile de São Gonçalo em São Luís.
A pesquisa foi orientada pela professora do Curso de Letras – Português-Espanhol da UFMA, Georgiana Márcia Oliveira Santos, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA).
Projeto usa drones para proteger terras indígenas no Tumucumaque, no Amapá. Foto: Glauber Tiriyó/Acervo pessoal
Um projeto criado pelo estudante de direito Glauber Tiriyó, da Universidade do Estado do Amapá (Ueap), está levando o uso de drones para comunidades indígenas no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. A iniciativa busca reforçar a vigilância do território com apoio da tecnologia e já foi reconhecida em premiações nacionais.
Chamado de Tarëno Enu — que significa “olho do indígena” na língua Tiriyó — o projeto une o conhecimento tradicional dos mais velhos com a habilidade dos jovens em operar equipamentos modernos. A proposta é preservar a floresta e garantir a segurança das comunidades que vivem na região.
Glauber, que é indígena do povo Tiriyó, iniciou o projeto em 2023 com um curso de operação de drones. Quinze indígenas participaram da primeira turma. Segundo ele, a ideia é valorizar o modo como os mais antigos faziam a vigilância a pé, conectando esse saber com a tecnologia.
“A gente garante a dignidade dos idosos e dos jovens. Os mais velhos conhecem os caminhos da floresta, e os jovens trazem a inovação”, explicou Glauber.
Encontro com lideranças indígenas do Amapá debate a COP 30
Por enquanto, a ação foi realizada apenas uma vez, devido ao alto custo dos equipamentos. O estudante também pretende criar um curso de formação de guarda-parques voltado exclusivamente para indígenas.
Mesmo com recursos limitados, o projeto já foi finalista do Prêmio Chico Vive e do Bioma Amazônia. Glauber chegou a apresentar a proposta ao ator Bruno Gagliasso, um dos idealizadores do prêmio.
“Fiquei muito feliz por ter sido finalista. Apresentei o projeto e convidei o Bruno para conhecer o processo de formação dos guarda-parques indígenas”, contou.
O Tarëno Enu também está entre os finalistas do Prêmio Na Prática: Protagonismo Universitário, que reconhece estudantes com impacto social e resultados acadêmicos e profissionais. A premiação acontece na próxima segunda-feira (3), em São Paulo.
Foto: Reprodução/ICMBio
Parque Tumucumaque
O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque é a maior unidade de conservação de proteção integral do Brasil.
Criado em 2002, ele ocupa mais de 3,8 milhões de hectares nos estados do Amapá e Pará, abrangendo municípios como Almeirim, Calçoene, Laranjal do Jari, Oiapoque, Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio.
A área preserva uma das regiões mais remotas da Amazônia, com rica biodiversidade, trilhas, corredeiras e cachoeiras. O parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e recebe visitantes mediante autorização prévia.
O livro ‘Contos de Terror de Marabá‘, de autoria da professora Suellen Cordovil, do Instituto de Linguística, Letras e Artes (ILLA) reúne dez narrativas inspiradas nas visagens e assombrações tradicionais da região marabaense, no Pará.
O evento de lançamento foi realizado no dia 22 de outubro com apoio financeiro oriundo da modalidade de fomento à execução de ações culturais, conforme previsto no inciso I do art. 8º do Decreto nº 11.453/2023, celebrado com agente cultural selecionado nos termos da Política Nacional da Aldir Blanc (PNAB).
Como contrapartida à iniciativa de incentivo, foi promovida uma oficina de escrita criativa, voltada ao público interessado em literatura, especialmente nas áreas do gótico e do fantástico. O objetivo da atividade foi estimular a produção literária local e valorizar as manifestações culturais da Amazônia.
Segundo a autora, a inspiração para os contos surgiu a partir das histórias sobrenaturais relatadas por moradores da região.
“Essas narrativas fazem parte da nossa memória amazônica. Marabá é um lugar de mistérios e misturas culturais, e as visagens e assombrações são parte viva da identidade da região”, destacou Suellen Cordovil.
A pesquisadora explica que o livro nasceu a partir de reflexões e debates em seu grupo de pesquisa sobre os estudos do fantástico, o que a motivou a unir a ficção fantástica à vertente gótica marabaense. Os contos também apresentam elementos de eco-horror, explorando a relação entre o ser humano e o meio ambiente amazônico.
“O terror é constantemente vivido pela humanidade. Por isso, busquei retratar essas vivências sombrias e fantasmagóricas de Marabá, um território rico para o desenvolvimento dessa ambientação gótica”, ressaltou a autora.
Entre as principais influências para a obra está o livro ‘Visagens e Assombrações de Belém’, do escritor amazônico Walcyr Monteiro, que serviu como referência para a criação de uma narrativa voltada à cultura do Sul e Sudeste do Pará.
Suellen Cordovil agradeceu o apoio da Lei Paulo Gustavo, que viabilizou a publicação e distribuição do livro em escolas e bibliotecas da região.
“Eu espero que o leitor crie/escreva novas narrativas e lembre de suas vivencias com essas personagens sobrenaturais e monstruosas na obra. Eles poderão vislumbrar novos fins as histórias que escrevi, podendo ir mais além do que eu já escrevi ou imaginei”, concluiu.
O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Chamon, esteve na França para participar da 7ª Summit for Space Sustainability (Cúpula para a Sustentabilidade Espacial), realizada nos dias 22 e 23 de outubro, em Paris.
O evento, coorganizado pela Secure World Foundation, pelo Centre National d’Études Spatiales (CNES) e pelo Governo da França, reuniu especialistas e autoridades de diversos países para discutir soluções que garantem a sustentabilidade de longo prazo das atividades espaciais.
Durante a cúpula, a AEB e o CNES assinaram um acordo de cooperação para o desenvolvimento de uma base de lançamento de balões estratosféricos na região de Palmas (TO). A assinatura foi realizada pelo presidente da AEB, Marco Chamon, e pelo CEO interino do CNES, Lionel Suchet, e reforça o compromisso entre os dois países no avanço de tecnologias e pesquisas em ambiente de alta altitude.
Presidente da AEB, Marco Chamon, e CEO interino do CNES, Lionel Suchet, assinam acordo de cooperação. Foto: Divulgação/AEB
UFT participa do projeto
O projeto conta com a participação da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e integra um programa mais amplo da AEB, voltado à oferta de oportunidades frequentes de voos por balões à comunidade espacial brasileira e sul-americana.
A iniciativa também amplia a cooperação científica internacional, ao permitir que o CNES disponibilize novas oportunidades de voo em latitudes equatoriais — centradas em torno de 10° Sul — para pesquisadores europeus.
Na segunda quinzena de agosto de 2023, o então reitor, professor Luís Eduardo Bovolato, participou da delegação brasileira (composta por representantes da AEB e da UFT) em visita técnica à base de balões estratosféricos da cidade canadense de Timmins (na província de Ontário).
O objetivo da visita foi acompanhar as atividades de lançamento de balões estratosféricos conduzidas pela Agência Espacial Canadense (CSA) e pela Agência Espacial Francesa (CNES) e explorar possibilidades de cooperação espacial e tecnológica.
Para o coordenador de Segmento Solo da AEB, Carlos Eduardo Quintanilha, o acordo marca o retorno do Brasil às operações com balões estratosféricos de grande porte. Segundo ele, essa modalidade de voo é uma alternativa eficaz e econômica para testar tecnologias e sensores que poderão ser utilizados em satélites.
“Os dados coletados em grandes altitudes são fundamentais para o estudo do acoplamento atmosfera-ionosfera — a interface entre o espaço sideral e o geoespaço — e contribuem para o aprimoramento da modelagem científica da circulação global, beneficiando diretamente a previsão de tempo e clima”, destacou.
Quintanilha acrescentou que o acesso aos voos do CNES permitirá à AEB lançar anúncios de oportunidades para pesquisadores de todo o país, incentivando experimentos e parcerias com grupos internacionais.
Ele ressaltou ainda a importância da UFT na implantação do Centro de Operações com Balões da Região Amazônica (COBRA). “Essa cooperação tem potencial para gerar resultados significativos, especialmente em modelos hidroagrometeorológicos que beneficiarão a região de Palmas e seu entorno”, completou.
Brasil sediará o próximo encontro
Na mesma ocasião, a AEB firmou um acordo com a Secure World Foundation para que o Brasil sedie, em 2026, a oitava edição da Summit for Space Sustainability. O evento é um dos principais fóruns internacionais dedicados à discussão de práticas e políticas que asseguram o uso responsável e duradouro do ambiente espacial. O acordo foi assinado pelo presidente da AEB, Marco Antonio Chamon, e pelo diretor executivo da Secure World Foundation, Peter Martinez.
Para Chamon, o tema da sustentabilidade espacial é cada vez mais urgente diante do aumento de satélites em órbita e da crescente geração de detritos espaciais. Ele lembrou que, em 2023, o satélite Amazonia 1 foi atingido por uma pequena peça de lixo espacial, o que reforçou a importância de manter atenção constante sobre o assunto.
“O espaço exterior tornou-se indispensável em nosso cotidiano — da meteorologia às comunicações —, mas sua preservação é essencial para a continuidade dessas atividades”, afirmou o presidente da AEB.
Foto: Divulgação/AEB
Segundo Chamon, a realização da próxima edição do Summit for Space Sustainability no Brasil reforça o papel do país nas discussões globais sobre o tema. “Sediar esse evento coloca o Brasil no centro das discussões internacionais sobre sustentabilidade espacial”, concluiu.
A presença da AEB na 7ª Summit for Space Sustainability destaca o protagonismo do Brasil nas discussões globais sobre sustentabilidade espacial e cooperação internacional em ciência e tecnologia.
AEB
A Agência Espacial Brasileira (AEB), órgão central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Sindae), é uma autarquia pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável por formular, coordenar e executar a Política Espacial Brasileira.
Desde a sua criação, em 10 de fevereiro de 1994, a Agência trabalha para viabilizar os esforços do Estado Brasileiro na promoção do bem-estar da sociedade, por meio do emprego soberano do setor espacial.
A Fundação Rede Amazônica (FRAM) é parceira da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) na nova edição do Banzeiro da Esperança, embarcação cultural que navega pelos rios da Amazônia levando arte, conhecimento e debates sobre sustentabilidade. Neste ano, o barco segue rumo à COP30, conectando comunidades, instituições e lideranças amazônicas em uma jornada que une tradição e inovação.
A viagem do Banzeiro da Esperança terá início no dia 4 de novembro, com saída de Manaus, seguindo viagem pelos rios amazônicos até Parintins e, em seguida, Belém, onde faz a parada antes de retornar para Manaus.
Como parte da programação, e pela primeira vez realizado dentro de um barco, no dia 12 de novembro, o auditório Pororoca, a bordo do Banzeiro, recebe o painel promovido pela Fundação Rede Amazônica, com o tema “Gestão Integrada de Resíduos Sólidos”.
O encontro reunirá especialistas e personalidades locais para discutir desafios e soluções relacionadas à destinação correta dos resíduos e aos impactos ambientais nas cidades amazônicas.
Entre os painelistas confirmados está Reginaldo Bezerra, diretor de Negócios da Guamá Tratamento de Resíduos, referência no setor ambiental no Pará. A proposta é promover um espaço de diálogo que fortaleça o compromisso com práticas sustentáveis e políticas públicas eficazes voltadas à gestão de resíduos na região Norte.
O Banzeiro da Esperança é uma iniciativa da FAS, que este ano realiza uma travessia de Manaus até Belém, com paradas em Parintins e Santarém. O barco se transforma em um espaço de troca de saberes, apresentações culturais e painéis temáticos que antecedem a COP30, conferência global sobre mudanças climáticas que acontecerá em novembro de 2025, em Belém.
Fundação Rede Amazônica
A participação da Fundação Rede Amazônica reforça o papel da instituição como parceira estratégica na comunicação e promoção de temas essenciais para o futuro da Amazônia, ampliando a visibilidade de ações e projetos que unem sustentabilidade, inovação e protagonismo regional.
Com o painel em Belém, a expectativa é que o Banzeiro da Esperança siga fortalecendo pontes entre comunidades, poder público e iniciativa privada — e que a Amazônia continue sendo voz ativa nas discussões que definirão o futuro do planeta.
Mapear e estudar de forma aprofundada a biodiversidade existente na chamada “Amazônia azul”, quilômetros de mar amazônico ainda pouco conhecidos pela ciência. Esse é o objetivo dos pesquisadores que embarcaram dia 24 de outubro no “Ciências do Mar II”, um barco laboratório de ensino e pesquisa, em Belém (PA), e deve percorrer mais de 3 mil km em mar aberto.
A coordenação do cruzeiro na região é da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e vai reunir uma equipe com nove pesquisadores e nove estudantes da Ufra e de outras instituições brasileiras, que juntos vão permanecer em torno de dez dias realizando estudos no mar. Microorganismos, microalgas, invertebrados, crustáceos, esponjas, peixes, baleias, golfinhos, aves, tudo isso vai ser observado.
“Existe um saber de alto nível voltado para a Amazônia verde, as florestas, a área continental. Mas a parte costeira, marinha, ainda é pouco conhecida. Nessas pesquisas esperamos encontrar inclusive espécies que ainda não foram descritas pela ciência, espécies novas. O mar amazônico vai do Amapá ao Piauí, são quilômetros de extensão e se conhece de forma muito superficial essa biodiversidade toda. Sabemos, por estudos anteriores, que na Amazônia existe um mar de esponjas único do mundo, um verdadeiro jardim submarino com esponjas de vários metros de altura e ainda pouco conhecidos”, diz o coordenador-chefe do cruzeiro na Amazônia, Eduardo Tavares Paes, doutor em Oceanografia e professor da Ufra.
Segundo o pesquisador, esse tipo de projeto também ajuda a preservar o ambiente, especialmente diante das mudanças climáticas. “Nós já sabemos que em muitas regiões, no arquipélago do Marajó, por exemplo, já existe salinização dos rios, porque o oceano está entrando. Mas quanto isso impacta diretamente na fauna marinha, que consequentemente impacta nas comunidades locais?”, diz.
O navio também serve para a formação prática de alunos de graduação e pós-graduação dos cursos de biologia marinha, engenharia de pesca, engenharia ambiental e da pós-graduação em Aquicultura e Recursos Aquáticos Tropicais da Ufra.
A embarcação é equipada com laboratórios, guinchos, guindastes e outros equipamentos científicos, para que os estudantes possam aprender seus usos e realizar pesquisas, coletas e análises de amostras.
“Uma das metas é formar alunos através da experiência embarcada. Por isso pesquisadores mais experientes e alunos que vão aprender a bordo os protocolos, usar equipamentos e ter um treinamento mais avançado nos estudos e planejamento”, diz o coordenador.
O navio Ciências do Mar II faz parte de uma frota nacional de quatro embarcações idênticas, financiados por edital dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), do CNPq e adquirida pelo Ministério da Educação em parceria com a Marinha Brasileira.
O objetivo é conhecer de maneira aprofundada e comparável, a biodiversidade marinha do país, do Oiapoque (AP) ao Chuí (RS). Pela primeira vez, esses quatro navios realizam os cruzeiros no mesmo período, em todo o país. Já foram realizados cruzeiros no Sul, Sudeste e Nordeste. E agora é a vez da região Norte, mais especificamente, da “Amazônia Azul”.
“É a primeira vez no Brasil que se faz um ampla prospecção biológica e oceanográfica ao mesmo tempo, com a mesma metodologia, mesmo tipo de coleta de dados, imagens de satélite, medidas de corrente, coletas de agua. É um grande esforço para se conhecer a biodiversidade brasileira. E pela primeira vez também a Ufra entra no cenário nacional das Ciências Marinhas, participando como protagonista, uma conquista que a universidade celebra nesse momento”, diz o pesquisador.
Professor Eduardo Tavares Paes, da Ufra, é o coordenador-chefe do cruzeiro na Amazônia. Foto: Eduardo Tavares Paes/Acervo pessoal
Trabalho no mar amazônico segue em 2026
O materiais biológicos coletados nos embarques serão analisados tanto in loco quanto nos laboratórios da universidade, inclusive com equipamentos que a universidade adquiriu pelo projeto e que vão permanecer na instituição.
Estão previstos mais dois embarques, em 2026, mas a meta é continuar com esse tipo de trabalho. “O conhecimento não se encerra nesse cruzeiro. A ideia é que aos poucos possamos constituir cruzeiros regulares que não dependam mais de recursos de fora da Amazônia, que as nossas universidades consigam captar recursos e ter suas embarcações e centros de pesquisa, esse é só o começo. Daqui há algum tempo quem sabe não temos um Centro de Estudos de Biodiversidade Marinha Amazônica, que ainda não tem nenhum”, diz Paes.
Trecho da rua Oeste está sendo implantado 360 metros de sistema de drenagem. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Os moradores do Conjunto Cruviana, no bairro Jardim Equatorial, comemoram a chegada das máquinas que vão resolver o 41º ponto crítico de alagamento da cidade. A Prefeitura de Boa Vista iniciou a implantação de 360 metros de sistema de drenagem em um trecho da rua Oeste, garantindo mais segurança e qualidade de vida para quem vive na região.
De acordo com o secretário municipal de Conservação Pública, Daniel Lima, a obra começou nesta semana entre a rua Cardeais e avenida Manoel Aniceto, com a instalação de manilhas de 800 milímetros para melhorar o escoamento da água da chuva durante o inverno.
“Esse ponto crítico sempre trouxe muitos transtornos, porque a água da chuva chegava a invadir as casas. Agora, essa realidade está mudando. Estamos realizando uma obra importante de drenagem e, em cerca de três semanas, vamos concluir o serviço. É um sistema moderno, pensado para dar dignidade às famílias e valorizar os imóveis da região”, disse o secretário.
“Ver essa placa de obra nos dá a certeza de que não vamos mais nos preocupar com rua alagada”, disse a comerciante Nara Letícia. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Obra da prefeitura vão acabar com alagamentos na rua Oeste
A comerciante Nara Letícia de Souza, 38 anos, moradora do bairro desde 2012, comemorou a iniciativa: “Ver essa placa de obra nos dá a certeza de que não vamos mais nos preocupar com rua alagada. Estamos felizes porque esse trabalho vem acontecendo em vários pontos da cidade”, destacou.
A dona de casa Jane Lúcia, também celebrou a chegada da obra. Foto: Diane Sampaio/PMBV
A dona de casa Jane Lúcia Alves, 65 anos, uma das moradoras mais antigas do bairro, também celebrou a chegada da obra. “É muito importante esse trabalho que a prefeitura vem fazendo pela população. É um serviço essencial que vai melhorar bastante nossa rua”, disse a dona de casa.
Quem também comemorou as melhorias de infraestrutura no Conjunto Cruviana foi o morador Paulo Rogério Lima, 42 anos: “Essa obra vai melhorar muito a nossa qualidade de vida, porque vai nos livrar dos alagamentos que enfrentávamos”, destacou.
A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) reafirmou o compromisso com a proteção e a promoção dos direitos de crianças e adolescentes ao aprovar, durante Sessão Ordinária do sia 21 de outubro, doze Projetos de Lei (PLs) voltados a esse público. As proposições evidenciam a prioridade da Casa Legislativa em tratar de temas sociais sensíveis e estruturantes.
“As aprovações refletem o esforço da Aleam em garantir que a legislação estadual esteja alinhada aos princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), promovendo inclusão, saúde, segurança e bem-estar para as crianças e os jovens amazonenses”, destacou o presidente da Aleam, deputado Roberto Cidade (União Brasil).
Entre as matérias aprovadas, destaca-se o PL nº 816/2025, de autoria do Poder Executivo, que trata da reorganização do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Amazonas. A proposta busca fortalecer a estrutura institucional responsável por formular e acompanhar políticas públicas voltadas à infância e juventude.
Também foi aprovado o PL nº 785/2024, de autoria do deputado Rozenha (PMB), que estabelece diretrizes para o enfrentamento à violência contra a mulher na primeira infância, ampliando a rede de proteção desde os primeiros anos de vida.
Já o deputado Cabo Maciel (PL) teve aprovado o PL nº 135/2025, que cria o Selo Escolar de Proteção Integral à Criança e ao Adolescente – Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e Crimes contra a Dignidade Sexual.
A deputada Débora Menezes (PL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes da Aleam, também contribuiu com a pauta ao apresentar o PL nº 163/2025, que institui medidas de conscientização contra o abandono afetivo e material de crianças e adolescentes.
“O cuidado e a responsabilização compartilhada pela vida dos filhos impõem não apenas o amparo material, mas também a manutenção de vínculos afetivos, indispensáveis ao desenvolvimento da personalidade da criança”, ressaltou Débora Menezes.
Segundo ela, ao conscientizar pais e responsáveis, busca-se promover uma mudança de cultura nas relações familiares, especialmente nos casos de separação, reforçando que a criação e a educação dos filhos são deveres de ambos os pais.
De autoria da mesma parlamentar, foram aprovados ainda o PL nº 165/2025, que garante o atendimento completo e imediato a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, e o PL nº 300/2025, que institui a Semana Estadual de Conscientização sobre o Uso Responsável da Inteligência Artificial por Crianças e Jovens.
Por fim, o PL nº 424/2025, de autoria do deputado Felipe Souza (PRD), foi aprovado com o objetivo de assegurar o direito de estudantes com doença celíaca levarem seus próprios alimentos às instituições de ensino públicas ou privadas.
“Negar aos estudantes celíacos a possibilidade de levar seus próprios alimentos para a escola os expõe a riscos significativos à saúde, além de poder gerar constrangimento e exclusão social”, afirmou Felipe Souza. Ele explicou que muitas escolas não têm condições de oferecer refeições totalmente livres de glúten, o que torna essencial que as famílias possam fornecer os alimentos adequados.
Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas
O Teatro Amazonas, inaugurado em 1896 em Manaus (AM), representa um dos mais imponentes marcos do ciclo da borracha na Amazônia. Sua construção, em plena efervescência econômica do final do século XIX, marcou a transformação da capital amazonense de uma pequena vila em uma cidade moderna, inserida nos padrões arquitetônicos e culturais europeus.
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O salão nobre, conhecido por sua rica decoração e simbolismo, tornou-se o coração do teatro e o ponto máximo de sociabilidade da elite amazonense.
As festas, recepções e saraus realizados ali representavam não apenas momentos de lazer, mas rituais de exibição do refinamento e do poder econômico daqueles que enriqueceram com o látex.
Foi nesse contexto que surgiram os painéis decorativos do salão nobre do Teatro Amazonas.
Os painéis do salão nobre distinguem-se de toda a iconografia do teatro. Diferentemente das alegorias mitológicas e motivos clássicos predominantes nas outras áreas do edifício, essas obras destacam a natureza amazônica, apresentando paisagens exuberantes, rios, aves, flores e animais regionais.
A representação da floresta e das águas, domesticadas pela estética europeia, revela um esforço de aproximar a imagem da Amazônia ao ideal de civilização e modernidade do século XIX projetado principalmente pela Europa.
O projeto decorativo foi coordenado pelo artista Crispim do Amaral, responsável pela ornamentação interna do teatro, que convidou o pintor italiano Domenico De Angelis para conceber as pinturas. O contrato previa a confecção de onze painéis pintados a têmpera sobre linho, imitando tapeçarias. As obras foram produzidas em Roma, na Itália, e posteriormente instaladas nas paredes do salão nobre, seguindo um detalhado programa iconográfico aprovado pelo Governo do Amazonas na época.
As telas apresentam títulos atribuídos pelo público ao longo dos anos, como Borboletas Azuis, A Ponte, As Garças, O Crepúsculo e Pescaria no Amazonas. Cada uma delas retrata um aspecto da paisagem amazônica, emoldurada por “falsas molduras” que criam o efeito de janelas abertas para o cenário destes painéis. O conjunto promove uma visão idealizada da região — uma Amazônia pacífica, fértil e luminosa, sem os elementos considerados “adversos” ou selvagens, reforçando o discurso de uma natureza dócil e produtiva.
Natureza e civilização: os painéis decorativos do Salão Nobre do Teatro Amazonas
Os painéis do Salão Nobre do Teatro Amazonas foram tema do artigo ‘Natureza e civilização: os painéis decorativos do Salão Nobre do Teatro Amazonas’, de Ana Maria Lima Daou, da UFRJ, publicado no periódico História, Ciências, Saúde – Manguinhos (Casa de Oswaldo Cruz), em 2007.
Segundo a antropóloga, os painéis expressam a tentativa da elite de conciliar natureza e civilização. As representações da flora e da fauna locais são tratadas sob a perspectiva romântica europeia, na qual a paisagem é símbolo de identidade e progresso.
Essa estética aproxima-se da tradição científica e artística do século XIX, marcada pelas descrições de viajantes e naturalistas que viam na Amazônia uma fonte de inspiração e conhecimento.
As pinturas refletem também o pensamento da época, influenciado por ideias positivistas e românticas que valorizavam a natureza como elemento de identidade nacional. Nelas, rios largos, florestas verdes e o céu equatorial formam um cenário harmônico, que simboliza o equilíbrio entre o homem civilizado e o ambiente tropical.
A ausência de indígenas e a presença de figuras idealizadas, como o casal Ceci e Peri — personagens inspirados na ópera O Guarani, de Carlos Gomes — reforçam a ideia de uma natureza transformada e integrada ao projeto de civilização.
Obra Ceci e Peri no salão nobre do Teatro Amazonas. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Entre os painéis mais emblemáticos está o Painel do Vapor, que representa um navio a vapor navegando pelas águas amazônicas. A cena, segundo Ana Maria, simboliza o progresso, o comércio e a abertura do rio Amazonas à navegação internacional em 1867, evento crucial para o desenvolvimento econômico da região.
“O motivo registrado no painel denominado pelo gosto do público de ‘painel do vapor’ celebra um dos maiores anseios daquela sociedade em meados do século XIX, qual seja, a abertura do Amazonas à navegação internacional, questão primordial para a recém criada província, cuja capital situava-se a 1.500km do porto atlântico, solucionada em 1867. O fechamento do rio estava em desacordo com os ideais liberais e tendências da época, e sua abertura significava claramente a aproximação desejável com as nações civilizadas, o estímulo ao comércio e às trocas promotoras do progresso e da comunhão entre os povos”, pontua a autora no artigo.
Porém, as demais pinturas de De Angelis não se limitam à estética decorativa. Elas cumprem também uma função simbólica e política: projetar uma imagem positiva da Amazônia diante do olhar europeu.
Em um período em que relatos sobre doenças tropicais e isolamento afastavam imigrantes e investidores, os painéis funcionavam como propaganda visual de uma terra rica e promissora. A arte, portanto, atuava como instrumento de construção da identidade regional e de inserção da Amazônia no imaginário nacional.
Painéis são apenas um dos elementos pensados para o Teatro
A inauguração oficial do salão nobre, em 1901, consolidou o Teatro Amazonas como centro da vida social e política da capital. Os eventos realizados no espaço reuniam autoridades, empresários e artistas, e eram retratados pela imprensa local como celebrações da modernidade. Assim, as paredes, adornadas pelas pinturas de De Angelis, criavam um ambiente que unia o esplendor europeu à exuberância tropical.
Durante as noites de gala, os espelhos do salão multiplicavam as imagens das pinturas e dos convidados, criando a ilusão de continuidade entre a natureza representada e o público presente. Vasos com palmeiras e plantas ornamentais reforçavam a ambientação, transformando o espaço em uma síntese entre arte e realidade. O salão tornava-se, então, no palco de um duplo espetáculo: o de uma visão da natureza amazônica eternizada nas telas e o da elite que celebrava seu poder em meio a esse cenário.
Mais de um século após sua inauguração, os painéis do Salão Nobre do Teatro Amazonas continuam sendo objeto de estudo e admiração. Suas imagens condensam o espírito de uma época e representam, ao mesmo tempo, a idealização da Amazônia e a tentativa de traduzi-la segundo os padrões europeus de beleza e progresso.
Abordando o contexto quilombola na organização dos Jogos Quilombolas de Jacarequara, no município do Acará (PA), os estudantes do curso de Educação Física da Universidade Federal do Pará (UFPA), Ronald Oliveira de Souza e Jamilly Ferreira Moreira, venceram o Prêmio de Literatura Científica do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE) na categoria ‘Movimentos Sociais’.
Sob o tema ‘Jogos Quilombolas do Baixo Acará no Pará: História, Práticas Corporais e Resistência’, os discentes abordaram a memória e as histórias daqueles que vivenciaram a realização.
O artigo produzido pelos discentes tem o objetivo de pesquisar os jogos quilombolas que ocorrem no território de Jacarequara, que conta com, aproximadamente, 13 comunidades, investigando quando eles começaram a ser realizados, o movimento de criação, as pessoas que estiveram à frente da iniciativa, como funcionam, como ocorre a participação das comunidades nos jogos, as práticas corporais presentes nos jogos e qual o sentido dos jogos para essas comunidades.
Para tanto, os discentes investigaram os jogos com base nos relatos dos integrantes mais velhos das comunidades São José, Trindade 1 e 3 e Monte Alegre.
“A gente buscou valorizar a oralidade das pessoas mais velhas, que deram origem aos jogos, e, com base nesses relatos, a gente conseguiu adentrar em outros temas importantes, inclusive a participação feminina dentro dos jogos e também como os jogos são um movimento de resistência dentro do território e como ele mobiliza toda uma coletividade das pessoas que fazem parte”, aponta Ronald de Souza, sobre o desenvolvimento da pesquisa.
A pesquisa mostrou que os jogos, que já estão presentes há 13 anos no território, funcionam como um espaço de resistência. Eles demonstram toda a coletividade de um povo que, historicamente, é marginalizado e que enfrenta diversos problemas na sociedade atual, como o racismo.
Esse momento dos jogos serve, ainda, como uma maneira de confraternização, que vai além de uma competição, em que todas as comunidades estão alinhadas ao pensamento de que os jogos quilombolas são uma atividade importante para o território.
De quilombolas para quilombolas
Para as comunidades, os jogos são considerados como um feriado em todo o território e, para os estudantes, poder pesquisá-lo é uma forma de contribuição com o território, uma vez que ambos participam dos jogos desde criança.
“Receber o Prêmio de Literatura Científica graças a um trabalho que está em minha realidade e tem grande significado foi uma experiência que ficou marcada por um profundo sentimento de gratidão. Esse reconhecimento representa não apenas a valorização de uma tradição em comunidades quilombolas do Jacarequara no baixo Acará, mas também o resultado de um percurso construído com dedicação, esforço e compromisso com a produção do conhecimento sobre os jogos quilombolas. É gratificante perceber que a pesquisa desenvolvida alcançou relevância e pôde contribuir, de forma significativa, para o campo científico e minha vida acadêmica”, declara Jamilly Moreira.
A premiação ocorreu no dia 6 de setembro, durante o 14° Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte (Conbrace), que é associado ao Congresso Internacional de Ciências do Esporte (Conice), realizado em São Paulo. Além dos estudantes, a professora e orientadora do trabalho, Joselene Mota, também esteve presente na cerimônia.
“A relevância dessa relação universidade-comunidade é grande, porque aí está, mais do que nunca, materializada a ideia do saber que vem da população e que vem de populações tradicionais, com o saber científico. Tudo somado dá um resultado como este trabalho, que é um espelho pra gente, por ser uma referência dessa autoorganização de valorização do tempo livre”, ressaltou a professora Joselene Mota sobre a importância da pesquisa.