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Cumaru, jambu, camu-camu e mais: gin amazônico recebe prêmio na China

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Foto: Divulgação

O sabor da Amazônia ganhou o mundo. A Hilary Gin, marca manauara que produz o primeiro London Dry Gin criado no Amazonas com botânicos nativos da floresta, acaba de conquistar um prêmio internacional na China, consolidando-se como uma das grandes revelações da nova economia amazônica baseada na biotecnologia e na sustentabilidade.

A destilaria recebeu o título de “Lenda da Destilação” durante a 2ª Exposição Econômica e Comercial China–Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX 2025), realizada entre os dias 22 e 25 de outubro, em Macau.

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O reconhecimento foi concedido na “Seleção de Empresas de Destaque para a Cooperação Econômica e Comercial China–Portugal”, em cerimônia de gala no The Venetian Macao.

Empreendedorismo feminino

Fundada e dirigida por três mulheres, a Hilary Gin participou da exposição apresentando produtos e participando de rodadas de negócios. A diretora de marca, Raquel Omena, recebeu o prêmio na China e destacou o significado da conquista.

“Somos mulheres, da Amazônia, empreendendo em um mercado tradicionalmente comandado por homens, e ganhar um destaque internacional no que é, hoje, considerado um dos maiores cenários de negócios do mundo, é muito significativo e nos fortalece para sentar às mesas de negociação em todos os níveis. Estamos trabalhando para agregar valor a produtos da Amazônia e recebemos esse prêmio com muito orgulho e cientes da nossa responsabilidade como representantes do empreendedorismo feminino amazônico”, afirmou.

imagem colorida mostra gin amazônico da Hillary Gin que venceu prêmio na China
Foto: Divulgação

Para Cristiane Lima, CEO da Hilary Gin, o reconhecimento marca uma nova etapa na trajetória da destilaria amazônica, que busca se consolidar também como produto de exportação.

“A Hilary Gin tem como principal objetivo consolidar sua marca e seus produtos nas prateleiras regionais. Mas, o mercado global está em nosso horizonte. E, certamente, vamos levar nossa bebida amazônica aos mercados mais importantes do mundo em um futuro bem próximo”, ressaltou.

O certificado entregue à empresa reconhece suas “conquistas notáveis e contribuições proeminentes na cooperação econômica e comercial entre a China e Portugal”, destacando não apenas a originalidade de seus produtos, mas também o modelo sustentável que conecta a biodiversidade amazônica ao mercado global.

Gin é um brinde à Amazônia

O Hilary Gin combina a técnica tradicional inglesa de destilação com ingredientes autênticos da floresta, como puxuri, cumaru, jambu, camu-camu e cupuaçu — resultando em um destilado sofisticado, de identidade marcante e alma amazônica.

Em apenas dois anos e meio de mercado, a marca vem conquistando apreciadores e bartenders de todo o país e, agora, desperta o interesse de importadores e distribuidores estrangeiros.

“A Hilary é uma empresa jovem, mas movida por propósito. Entramos no mercado há pouco mais de dois anos, e essa foi a nossa primeira participação internacional. Receber um prêmio como esse na China é uma confirmação de que estamos no caminho certo”, reforçou Raquel Omena.

Leia também: 5 drinks criados na Amazônia que unem o regional e o moderno

Foto: Divulgação

Internacionalização da bioeconomia amazonense

A premiação ocorreu durante a participação da comitiva amazonense na 2ª C-PLPEX, evento que fortalece a cooperação entre países de língua portuguesa e o mercado asiático.

A presença do Amazonas foi organizada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), em parceria com o Escritório de Representação do Governo do Amazonas em São Paulo (ERGSP).

O secretário-chefe do ERGSP, Alfredo Lins, ressaltou, na ocasião, que o reconhecimento da Hilary Gin representa um marco na estratégia de internacionalização da economia local: “Levar o nome do Amazonas a um evento desse porte e ver uma empresa regional ser premiada é motivo de orgulho. Mostra que nossa bioeconomia tem valor global e que a inovação produzida aqui tem o mundo como destino”.

A conquista reforça o potencial das marcas amazônicas em setores de alto valor agregado, como bebidas premium, inovação e sustentabilidade, projetando o Amazonas como um polo criativo e exportador de produtos que unem tradição, natureza e tecnologia.

Projeto ATTO: Inpa e Sociedade Max Planck reforçam cooperação científica para pesquisas

Visita da comitiva alemã na Torre ATTO. Foto: Shirley Cavalcante/Editora Inpa

O presidente da Sociedade Max Planck, Patrick Cramer, esteve no Amazonas e conheceu o Projeto Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO — Amazon Tall Tower Observatory), a maior estrutura de monitoramento climático do mundo.

O ATTO é fruto de uma cooperação entre o Brasil, por meio do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), e a Alemanha, representada pelos Institutos Max Planck de Biogeoquímica (MPI-BGC) e de Química (MPI-C). Em funcionamento há dez anos, o projeto busca compreender como as florestas da Amazônia Central interagem com a atmosfera do entorno e suas influências sobre o clima.

Leia também: Projeto ATTO completa dez anos da maior torre de monitoramento climático do mundo

A comitiva alemã partiu da sede do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA/Inpa-MCTI), em Manaus, com destino à base científica do ATTO, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã (RDS Uatumã), no município de São Sebastião do Uatumã, interior do Amazonas. O grupo foi recebido pelo pesquisador do Inpa e coordenador brasileiro do ATTO, Carlos Alberto Quesada, que apresentou a dinâmica de pesquisa desenvolvida no observatório.

Além dos representantes da Max Planck, o grupo também contou com a presença da Embaixadora da Alemanha no Brasil, Bettina Cadenbach, que conheceu as instalações do projeto e teve a oportunidade de subir parte dos 325 metros da torre ATTO.

De acordo com o coordenador brasileiro do projeto, o pesquisador do Inpa Carlos Alberto (Beto) Quesada, o ATTO é um “equipamento científico extraordinário” que faz a conexão entre os processos ecológicos e biológicos que acontecem dentro da floresta com a atmosfera. A instrumentalização do do ATTO tem tecnologia que permite acompanhar, em tempo real, como os gases que são formados no solo ou pelas plantas são levados pela turbulência até a atmosfera.

“Estamos celebrando dez anos da torre ATTO, este que é um projeto com grande produtividade de artigos científicos, teses de mestrado e doutorado. São mais de 200 pessoas envolvidas entre Brasil e Alemanha, nessa colaboração científica em que somos liderança mundial nesse estudo”, ressalta Quesada.

Visita na Torre ATTO, no Amazonas
Foto: Lucciano Lima/Inpa

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O presidente da Sociedade Max Planck revelou novas possibilidades para a longevidade do projeto e sinalizou um plano de criação para uma nova divisão da instituição dentro da  Universidade de São Paulo (USP). “o ATTO é um projeto enorme e também único à sua maneira, por causa das pessoas maravilhosas envolvidas. E eu realmente quero agradecer a todos. Queremos estabelecer nossos centros junto em São Paulo. Há algo que poderia começar já no início do próximo ano. Então esse é o presente que temos: mais cooperação, não nos isolarmos, como muitos governos gostam de fazer. Somos internacionais, temos a mente aberta e queremos ajudar a salvar este planeta”, revelou Cramer.

A visita à torre ATTO, ocorrida em outubro, marcou o primeiro contato de Cramer à frente da presidência da Sociedade Max Planck com o sítio científico do projeto. No dia seguinte, o grupo se reuniu na sede do Inpa, em Manaus, reafirmando os laços de cooperação científica bilateral. Na oportunidade, a delegação visitou ainda o Bosque da Ciência e a sede do Grupo de Pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (GP Maua), grupo que mantém colaboração com a Sociedade Max Planck desde a década de 1960.

Sobre o projeto ATTO

Inaugurada em 2015, a torre ATTO é uma das torres mais modernas do mundo para estudos da química, física e biologia da atmosfera.

Leia também: ATTO: com 325 metros, torre de observação na Amazônia ultrapassa a Torre Eiffel

O sítio de pesquisa do projeto inclui mais duas torres de 80 metros, 18 contêineres equipados com instrumentos de ponta para medição de diversas propriedades científicas e laboratórios, além de acampamentos com dormitórios e refeitório.

A área do sítio está dentro de uma unidade de conservação composta de 20 comunidades e aproximadamente 250 famílias.

*Com informações do Inpa

COP30, realizada na Amazônia: não é da Amazônia, mas global

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Belém é a cidade escolhida para receber a COP30. Foto: Divulgação/Agência Pará

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

À oportunidade da realização da COP30, em Belém do Pará, a partir do próximo dia 10 de novembro – a cúpula de chefes de Estado acontecerá previamente entre os dias 6 e 7 -, cabe conceituar que a Conferência das Partes (COP) é o órgão decisório da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC ou UNFCCC). Sua função é implementar os compromissos globais de combate às mudanças climáticas, assumidos pelos países signatários e ratificadores da Convenção. Atualmente, 198 nações participam da UNFCCC, tornando-a um dos maiores organismos multilaterais da Organização das Nações Unidas (ONU). Desta forma, a COP representa a cúpula global do clima, realizada anualmente em um país diferente. Igualmente funciona como Reunião das Partes para o Protocolo de Quioto (CMP) e o Acordo de Paris, adotado durante a COP21, em 2015, que estabeleceu metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) a serem cumpridos pelos países e revisados a cada cinco anos. O objetivo principal é mitigar o aquecimento da Terra e manter o aumento da temperatura global abaixo de 2º C, com esforços para limitá-lo a 1,5º C.

Segundo protocolo da ONU, a dinâmica da COP, que se realiza durante duas semanas, determina que a primeira será ocupada por discussões técnicas, enquanto a segunda é voltada para encontros políticos e assinatura dos acordos. Os resultados devem ser alcançados por consenso, garantindo que todos os países tenham direito a voto. Durante a realização da Conferência, os mais diversificados temas serão discutidos simultaneamente todos os dias. Dividida em Zona Azul e Zona Verde, a primeira, gerenciada diretamente pela ONU, é voltada às negociações políticas e aos encontros diplomáticos, enquanto a Zona Verde sedia painéis para o público geral, inclusive a questão amazônica, apresentação de ONGs e outras atividades.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Como em todos os eventos anteriores, durante a COP30 o foco centra-se sobre a crise climática mundial, que, segundo a ONU, se faz latente de várias formas – destacando-se o aquecimento global, um dos responsáveis pelo ano de 2024 ter sido o mais quente da história até então, segundo dados de um relatório divulgado recentemente pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia. A intenção da COP de Belém é propor nova verificação da realidade atual da Terra, como informa o próprio site da ONU, tendo em vista que o Planeta atingiu “o ponto culminante de um processo chamado Global Stocktake (Levantamento Global) sobre até onde o mundo chegou no enfrentamento da crise climática e o quanto (e como) o curso precisa ser corrigido”. A COP30, segundo estimativa do governo brasileiro deverá reunir 50 mil visitantes. Para o presidente da Conferência, embaixador André Corrêa do Lago, “a escolha é estratégica ao evidenciar o bioma e oferecer ao mundo uma plataforma para divulgar iniciativas de preservação e transição energética.

Entre os desafios a serem enfrentados salienta-se como prioritária a mediação das discussões, razão que, segundo Corrêa do Lago, “pode confirmar que o Brasil está capacitado a assumir papel central no combate às mudanças climáticas e reposicionar-se no cenário internacional como potência ambiental. A Amazônia corresponde a um terço das florestas tropicais do mundo e desempenha papel determinante na absorção global de carbono, fator que auxilia a reduzir (naturalmente) os níveis de gases de efeito estufa na atmosfera”. Nesse sentido, “levando em conta que o Brasil detém uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, histórico no uso de biocombustíveis e investimentos crescentes em tecnologias sustentáveis, o país pretende apresentar um novo modelo de crescimento verde, agenda sinalizadora de que pode crescer mais, gerar empregos e atender à nova demanda global por produtos sustentáveis”, reforça o embaixador.

Para o empresário amazonense Antônio Azevedo, o título da coluna “A COP30 não é da Amazônia, apenas realizada na Amazônia” é provocativo, mas levanta uma questão essencial: o risco de a Amazônia ser tratada como palco, e não como protagonista. Defendo que a COP30 precisa ser da Amazônia, no conteúdo e nas consequências da mesma. Isso exige que as pautas reflitam as urgências locais, que os atores amazônicos tenham voz ativa, e que os legados do evento sejam concretos para a região. Será que teremos representatividade local para tal? Acho pouco provável. Eu mesmo não estarei lá! Portanto, a sua frase pode funcionar como alerta, mas talvez mereça uma reformulação mais propositiva: “A COP30 será realizada na Amazônia, e deve ser construída com e para a Amazônia”.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Estudo cartográfico destaca territórios de matriz africana em Manaus

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Estudo também está alinhada ao recém-formulado Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 18. Foto: Alonso Júnior 

Um projeto de mapeamento iniciado em Manaus (AM) pretende tornar visível a atuação sociocultural e ambiental dos terreiros de Candomblé, Umbanda e templos de religiões de matriz africana da capital amazonense. A iniciativa integra o estudo Cartografia da Resistência e do Cuidado, desenvolvido em parceria entre o Atlas ODS Amazônia, Universidade Federal do Amazonas, Instituto Acariquara e o Instituto Ganga Zumba.

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A ação também está alinhada ao recém-formulado Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 18 (ODS 18), voltado à proteção dos povos e comunidades tradicionais, que busca reconhecer os terreiros como agentes ativos de cuidado, cultura e justiça ambiental na Amazônia urbana.

Saiba mais: ODS: exemplos buscam diminuir desigualdade social na Amazônia

Estudo cartográfico destaca territórios de matriz africana em Manaus
Estudo cartográfico destaca territórios de matriz africana. Foto: Alonso Júnior 

Plataforma colaborativa de saberes e territórios

O estudo prevê a criação de uma plataforma digital de cartografia participativa, alimentada pelas próprias comunidades de terreiro. O espaço reunirá informações georreferenciadas sobre localização, práticas culturais, impacto social e estratégias coletivas de cuidado.  

O estudo prevê a criação de uma plataforma digital de cartografia participativa. Foto: Alonso Júnior 

Segundo o coordenador técnico do Atlas ODS Amazônia, Dr. Danilo Egle, o objetivo é produzir dados que sirvam de base para políticas públicas, pesquisas e ações de fortalecimento institucional. “Estamos falando de territórios que cuidam, alimentam, acolhem e preservam saberes ancestrais em meio à cidade”, explica Egle.

As informações coletadas serão sistematizadas em relatórios públicos e painéis interativos, com previsão de lançamento da plataforma para o início de 2026.

Fé, memória e pertencimento

Além da parte técnica, o projeto inclui oficinas, rodas de conversa e escutas comunitárias com lideranças religiosas e moradores das áreas mapeadas.  As atividades garantem que os próprios terreiros conduzam suas narrativas e definam como apresentar seus territórios e modos de vida.

“Esse projeto nasce do nosso próprio chão, da nossa necessidade de existir com dignidade e sermos reconhecidos como guardiões de saberes, memórias e cuidados. Ao mapear esses territórios, estamos dizendo em alto e bom som que nossa presença importa”, afirma o sacerdote do culto tradicional de Ifá e membro do Instituto Ganga Zumba, Donté Luiz de Badé.

Referência

Entre os territórios que inspiram o projeto, eventos como o Balaio da Oxum, que chega aos 10 anos em 2025, se destacam como símbolos de resistência e fé coletiva. Criado em Manaus, o Balaio surgiu como um ato de fé e resistência, reunindo povos de terreiro, comunidades tradicionais e movimentos sociais em torno da arte, da espiritualidade e da luta ambiental.  As pautas centrais do evento incluem a defesa dos rios amazônicos, o reconhecimento das águas como fonte de vida e a valorização das contribuições culturais dos povos de terreiro, conectando-se às agendas globais de sustentabilidade e espiritualidade.

A sacerdotisa Agonjaí Nochê Flor de Navê, do Templo de Tambores de Mina Jejê-Nagô Xwê Ná Sin Fifá, destaca a importância de respeitar a visão ancestral presente em cada ação do Balaio.  “Colocar o olhar religioso e o olhar de pessoas negras é bem difícil. Por isso, é essencial falar sobre o respeito pela natureza, porque para nós, sem a folha, a gente não vive, não existe orixá”, afirma. “O Balaio é conduzido por essa casa. A gente joga, consulta e faz tudo isso para encaminhar as coisas. É o orixá que mostra o caminho”, completa.

Cuidar é resistir

O vínculo entre o Balaio e o projeto Cartografia da Resistência e do Cuidado reflete a essência das religiões afro-brasileiras: cuidar como forma de existir. O estudo reconhece esses espaços como guardiões ambientais e culturais, essenciais à construção de cidades mais justas e sustentáveis. 

O estudo prevê a criação de uma plataforma digital de cartografia participativa. Foto: Alonso Júnior 

A iniciativa aposta na articulação com políticas públicas e instituições acadêmicas, inclusive junto ao sistema ONU (Organização das Nações Unidas), para reforçar a pauta do reconhecimento das religiões de matriz africana como parte do patrimônio cultural imaterial da Amazônia urbana.

Uma agenda para o futuro

Ao adotar os parâmetros do ODS 18, o estudo contribui para consolidar uma agenda pública voltada à proteção dos territórios tradicionais e ao fortalecimento dos saberes ancestrais. A expectativa é que, com a plataforma e os relatórios, surjam novas políticas que garantam segurança territorial, sustentabilidade e visibilidade às comunidades. 

O Balaio da Oxum, com sua trajetória de uma década, simboliza o que o projeto Cartografia da Resistência e do Cuidad busca registrar: a persistência da fé, o poder da coletividade e a defesa da vida.

Ampliação dos negócios da TV Lar: uma visão de futuro percebida nos detalhes

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A TV Lar Aleixo, dentro da Colônia Antônio Aleixo, em Manaus. Da esquerda para a direita: Pirulito, José Lindoso e Onias Bento. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

No decorrer dos dez primeiros anos, apesar de todas as dificuldades do início da empresa, as vendas da TV Lar, em Manaus, mostravam-se bastante favoráveis, com parcimônia e dedicação sendo que tudo levava a crer que o futuro seria promissor.

A bem da verdade, podemos afirmar que todo esse progresso veio com a criação da Zona Franca de Manaus. Também é verdadeiro afirmar que novos estabelecimentos comerciais começaram a surgir e que um grande número de imigrantes passou a investir na área comercial. Nesse momento, as empresas que já vinham atuando no mercado começaram a assumir nova postura empresarial, adequando-se ao momento.

Embora o comércio de Manaus ainda mantivesse o vínculo e as raízes no interior do estado, com empresas aviadoras, a cidade começava a mudar sua estrutura física, quando o grande centro comercial passou a ter suas casas residenciais transformadas em comércio.

Também é relevante afirmar que a chegada desse progresso comercial, e consequentemente financeiro, acabou por nos trazer um grande prejuízo para o patrimônio arquitetônico, pois não havia por parte dos governos estadual e municipal uma politica de preservação, o que provocou a descaracterização dos velhos casarões e sobrados das principais ruas de centro, em nome da modernidade comercial.

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No decorrer do ano de 1977, exatamente no mês de agosto, a Importadora TV Lar amplia sua estrutura física e comercial e abre o Shopping Boulevard. O centro urbano de outrora, voltando para a hinterlândia, já não existia mais, sendo apenas um passado não muito distante que ficara para trás.

Esse vínculo foi perdido porque o interior se tornara decadente e sua economia era extremamente deficitária, tornando-se inviável, e a cidade começava a absorver a modernidade, principalmente na área de eletrônica e o Distrito Industrial, por sua vez, oferecia empregos e provocava o êxodo rural.

Manaus avançava no processo da globalização que passou a refletir a cara do caboclo do Amazonas, provando ser este capaz de montar os mais minúsculos e sofisticados objetos eletrônicos que eram oferecidos no parque industrial e no mundo, tendo recebido as influências e os estilos dos grandes nacionais e internacionais, com os produtos a entrar de formar avassaladora.

Apesar de todos os percalços do interior do estado, a filha da Joaquim Nabuco atendia uma clientela expressiva dessa demanda, muito especialmente do município de Manacapuru. A empresa chegou a ter um funcionário sediado naquela cidade, que efetuava as vendas e trazia os pedidos para Manaus e a empresa promovia o faturamento e a posterior entrega do produto.

Com o passar do tempo, comprovou-se ser viável abrir uma filial na cidade de Manacapuru, tendo isso ocorrido no mês de abril de 1979 e tendo como primeiro funcionário o próprio vendedor de outrora, senhor Francisco Silva. Dessa forma expandia-se a vida comercial na hinterlândia.

Procurando um caminho para ser útil

É extremamente verdadeiro afirmar que ética é a ciência da conduta humana e que toda conduta humana tem um objetivo, como por exemplo a paz e o bem-estar social de uma comunidade, progresso material e espiritual, promovendo a felicidade terrena aos seus semelhantes.

O destino da sociedade e em especial de grupos menores, inclusive empresarial é procurar destacar a felicidade individual de cada pessoa e os valores que lhes modela o caráter, tornando essa sociedade igualitária, modelando algo que traga benefício e um projeto de vida perseguindo pelos indivíduos e principalmente pela sociedade como um todo.

TV Lar Aleixo. Na foto: Onias Bento e José Lindoso. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Leia também: Edna Frazão Ribeiro: a primeira Miss Amazonas e sua cidade de Manaus

O projeto de vida pessoal de cada um não acontece de forma isolada. Ele definitivamente vai se afirmando a partir de um emaranhado de elementos morais, culturais e principalmente religioso. Portanto, fazer seu semelhante feliz, pouco a pouco vai modelando o caráter dos indivíduos.

O êxodo rural rompeu as antigas formas de viver em pequenas comunidades, culturalmente enraizadas, muitas vezes criando o individualismo sistemático no anonimato das grandes cidades.

O homem José Azevedo rompeu a tradição de isolamento de uma comunidade que, pela sua condição social e infectocontagiosa, viveu por muitos anos alienada da possibilidade de obter bens materiais, por falta de crédito no comércio, por falta de transporte coletivo regular e pela própria condição do portador de hanseníase. A partir disso, passou a oferecer de bem e de felicidade o que se compra nos bons e ornamentados salões dos shoppings center e grandes magazines.

Amor ao semelhante, no entanto, não pode ser comprado em lojas bonitas e determinadas camadas sociais da comunidade se retraem pelo seu estado de saúde, porém, ela permanece contribuindo com o desenvolvimento social.

Em Manaus tínhamos a Colonia Antônio Aleixo, que era habitada pelos nossos irmãos portadores de hanseníase, muitos deles clientes assíduos da Importadora TV Lar. O contato direto de José Azevedo com essas pessoas e a sensibilidade de oferecer mais oportunidade a eles, inclusive dando emprego, levou a empresa a instalar-se na Colônia Antônio Aleixo, dentro da própria comunidade, na Rua Getúlio Vargas, s. n°. No mês de outubro de 1980, a loja foi inaugurada, tendo funcionado durante quatorze anos.

Mais tarde, com a desativação do Hospital Colônia, com a invasão de moradores de outras áreas, tornou-se um bairro, hoje já ligado ao Zumbi e a partir daí a diretoria achou-se por bem transferir a loja para a Cidade Nova, na Avenida Max Teixeira, n.° 3200, Cidade Nova I.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras (AAL) e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Número de focos de queimadas no Amapá em 2025 é o menor dos últimos três anos, diz CBM

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A queda nos registros de queimadas é atribuída a ações de monitoramento, fiscalização e campanhas de conscientização realizadas pelas forças de segurança do Estado. Foto: Divulgação/GEA

O Amapá registrou 387 focos de queimadas até 29 de outubro de 2025, o menor número dos últimos três anos, segundo o Corpo de Bombeiros Militar (CBM). A queda foi de mais de 80% em relação a 2023.

Esses focos são pontos de calor identificados por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e indicam a presença de fogo em áreas de vegetação.

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Eles ajudam a monitorar e medir, em tempo real, a ocorrência de queimadas e incêndios florestais.

Confira os números dos últimos anos:

  • 2025 (até 29 de outubro): 387 focos
  • 2024: 2.014 focos
  • 2023: 2.552 focos

A queda nos registros é atribuída a ações de monitoramento, fiscalização e campanhas de conscientização realizadas pelas forças de segurança do Estado.

“O resultado vem do esforço conjunto das equipes em campo. Investir em prevenção, tecnologia e conscientização traz resultados reais e protege vidas, comunidades e o meio ambiente”, disse Cézar Vieira, secretário de Justiça e Segurança Pública.

Em 2025, o Corpo de Bombeiros registrou 265 ações de combate direto a incêndios florestais e realizou 1.214 atividades preventivas, como palestras e instruções. As ações alcançaram cerca de 21.365 pessoas — número maior que os 13.990 atendidos em 2024.

As margens das rodovias estão entre os pontos que mais preocupam os bombeiros.

Número de focos de queimadas no Amapá em 2025 é o menor dos últimos três anos, diz CBM
Foto: Divulgação/GEA

Queimadas ainda preocupam, mas ações integradas combatem

No domingo (26), um incêndio de grandes proporções às margens da rodovia AP-070 causou um acidente e afetou o tráfego perto da comunidade Abacate da Pedreira.

Testemunhas relataram que a fumaça tomou conta da pista e obrigou motoristas a parar no acostamento.

O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Pelsondré Martins, afirmou que as equipes atuam de forma integrada, com ações de combate e educação ambiental nas áreas mais afetadas.

“Os resultados vêm de investimentos contínuos, ações educativas e da presença constante das equipes da Operação Amapá Verde. Essa atuação tem sido essencial para reduzir os focos de queimadas, principalmente nas áreas mais vulneráveis”, destacou o coronel.

A Operação Amapá Verde começou em 21 de agosto e vai até dezembro. A iniciativa é dividida em 12 ciclos, com troca de equipes a cada 10 dias.

Leia também: ‘Amapá Verde’: operação de prevenção e combate a queimadas na Amazônia durante estiagem

O Corpo de Bombeiros mantém bases em Laranjal do Jari, Mazagão, Ferreira Gomes, Pedra Branca do Amapari, Tartarugalzinho, Amapá e Itaubal — regiões com maior risco de queimadas.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Populações da Amazônia e Mata Atlântica receberão mais de R$2 bilhões para produção sustentável

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Comunidade produtora de açaí, localizada em Acará (PA), é atendida pelo Hub de Sociobioeconomia do banco. Foto: William Pinto Alves Seixas

As populações da Amazônia e da Mata Atlântica brasileiras terão acesso a R$ 2 bilhões em financiamentos para iniciativas ligadas à sociobioeconomia, modelo que une conservação ambiental, valorização dos saberes tradicionais e inclusão social. Desse total, 3.500 famílias de comunidades tradicionais devem ser beneficiadas com potencial de crédito de R$ 200 milhões.

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A disponibilização de crédito é parte da atuação do Hub Financeiro da Bioeconomia do Banco do Brasil (BB), que já tem unidades físicas em Manaus (AM), Belém (PA) e em Ilhéus (BA), e possui capilaridade em todo o território brasileiro. O Hub Norte atende toda a região da Amazônia Legal e o Hub Nordeste atende as comunidades do bioma Mata Atlântica. Todas as unidades devem alcançar R$ 5 bilhões em financiamentos até 2030.

Os espaços oferecem atendimento físico e digital, assistência técnica e soluções financeiras adaptadas às realidades específicas. Agentes de crédito especializados em sociobioeconomia atuarão diretamente nas comunidades tradicionais, promovendo educação financeira e inclusão produtiva.

Este trabalho será um dos destaques apresentados pelo banco em eventos paralelos durante a COP 30, em Belém (PA), e poderá ser conhecido também no estande do Banco do Brasil, na Zona Verde.

imagem colorida de vista aérea da orla de belém do pará, na Amazônia, onde será realizada a cop 30 em novembro
Belém (PA). Foto: Reprodução/Agência Pará

Os esforços dialogam com o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) , coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), uma vez que um dos eixos mais estratégicos do planejamento é a sociobioeconomia, que busca integrar comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares, mulheres e jovens às cadeias produtivas sustentáveis.

Leia também: Governo anuncia ampliação de investimentos em pesquisa na Amazônia visando a COP3

Outras ações na Amazônia

Por meio de acordo firmado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Verde para o Clima (GCF), o Banco do Brasil destinará US$250 milhões ao Programa BB Amazônia. A iniciativa visa ampliar o acesso ao crédito para até 11,7 mil empreendimentos locais, incluindo cooperativas, agricultores familiares e negócios liderados por mulheres.

De acordo com o vice-presidente de Negócios de Governo e Sustentabilidade Empresarial do BB, José Ricardo Sasseron, a instituição faz busca ativa pelas comunidades ribeirinhas, extrativistas e indígenas: “Não esperamos que os projetos venham até o banco. Nós vamos até eles”.

O BB também firmou parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), com objetivo de implementar um programa de apoio a povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

A iniciativa fomenta o desenvolvimento socioeconômico sustentável e valoriza a cultura deste grupos, incentivando a comercialização de produtos da sociobioeconomia, como artesanato, e desenvolvendo projetos de recuperação de terras degradadas.

*Com informações da COP30 Brasil

Zé Bolo Flô: poeta andarilho, ambulante e símbolo cultural de Cuiabá

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Parque Estadual Zé Bolo Flô é uma homenagem ao poeta andarilho. Foto: Reprodução/Google Maps

José Inácio da Silva, conhecido popularmente por Zé Bolo Flô, era um compositor e poeta que andava nas ruas da cidade de Cuiabá (MT). Foi um andarilho, nos anos de 1970 e 1980, considerado por muitos como ícone da cultura da cidade. Seu nome popular é devido as suas vendas de bolos e flores no bairro cuiabano Baú. 

Zé Bolo Flô
Foto: Francisco das Chagas Rocha/Acervo pessoal

Zé vendia bolos e flores no centro da cidade, entrava nas missas e festejos religiosos oferecendo seus produtos, para conseguir se sustentar pelas ruas. O poeta escrevia para as pessoas e em troca pedia uma refeição.

Ficou assim conhecido, segundo relatos, porque gritava pelas ruas quais produtos estava vendendo: bolos e flores.

Utilizava roupas humildes, muitas delas doadas por pessoas que acompanhavam seu trabalho nas ruas.

No fim de sua vida, ele foi considerado louco e o internaram no hospital psiquiátrico Adauto Botelho. 

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Homenagem para Zé Bolo Flô

Pela sua relevância histórica, o ambulante teve seu nome registrado em um parque estadual na cidade de Cuiabá como homenagem. 

Leia também: Parques estaduais no Mato Grosso são opções de lazer ao ar livre

Localizado na região do Coxipó, em Cuiabá, o Parque Estadual Zé Bolo Flô possui uma área de 66 hectares e  leva o nome do poeta. 

É um parque arborizado, de mata fechada e com trilhas de passeio. Tem ligação com o Bioma Cerrado e parte da Amazônia.

Foto: Reprodução/Secom MT

Conheça seis personalidades enterradas no Cemitério dos Inocentes em Porto Velho

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No cemitério dos Inocentes em Porto Velho existem muitas personalidades enterradas. Foto: Wesley Pontes

O Cemitério dos Inocentes é um dos mais antigos de Porto Velho. Construído em 1915, o local conta atualmente com mais de 35 mil pessoas sepultadas, a maioria em jazigos e gavetas. Dentre os enterrados no local, estão políticos, religiosos, comerciantes, médicos e intelectuais.

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Dentre os milhares que ‘descansam eternamente no local’ existem personalidades que possuem sua relevância histórica, em diferentes momentos, durante a evolução do Estado de Rondônia. Conheça seis:

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Emanuel Silvestre Amarante

Conhecido como Major Amarante. Militar do Exército Brasileiro, engenheiro, geógrafo, cartógrafo, explorador e sertanista, ele seria genro do patrono de Rondônia, Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Major Amarante também contribuiu para a instalação de linhas telegráficas junto com Rondon e teria morrido em 1929, aos 49 anos de idade.

personalidades enterradas no Cemitério dos Inocentes
O jazigo do sertanista carioca em Porto Velho. Major Amarante contribuiu para a instalação de linhas telegráficas com Marechal Cândido Rondon. Foto: Reprodução

Vespasiano Ramos

Intelectual e muito famoso na época, inclusive sendo homenageado com nome de rua, outro personagem que está sepultado no Cemitério dos Inocentes é o poeta maranhense Joaquim Vespasiano Ramos. O poeta morreu em 1920, após ter passado por seringais na região de Ariquemes, onde contraiu malária, mas a causa da morte teria sido tuberculose.

O poeta morreu em 1920, após ter passado por seringais na região de Ariquemes. Foto: José Carlos

Miguel Chakian

Natural da Síria, importante comerciante, outro homenageado com nome de rua na cidade, também se encontra sepultado ali e tem um dos jazigos mais suntuosos. Conforme registrado na história, o sírio chegou a Porto Velho no ano de 1917. Um dos filhos dele, chamado Thomaz Miguel Chakian, foi prefeito de Porto Velho e suplente de deputado federal por Rondônia.

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George João Resky

George João Resky, que fundou o antigo Cine Teatro Resky, instalado próximo a Praça Marechal Rondon, no Centro Histórico de Porto Velho. Reske Faleceu em 13 de março de 1963, com 83 anos de idade.

George João Resky, que fundou o antigo Cine Teatro Resky. Foto: Wesley Pontes

Carnavalesco Manoel Mendonça

No caso do sepultamento do empresário e carnavalesco Manoel Mendonça, o Manelão, fundador da Banda do Vai Quem Quer, o administrador conta que ocorreu um fato completamente atípico no cemitério. No momento do enterro, Manelão foi homenageado pelos amigos com muita música, as famosas marchinhas que marcaram época nos desfiles da banda.

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Manelão morreu no dia 28 de fevereiro de 2011, aos 62 anos de idade. O túmulo dele está localizado próximo à entrada do cemitério, do lado esquerdo. “O momento era de tristeza, mas as homenagens transformaram o sepultamento dele num momento festivo”, afirma o administrador do cemitério.

Raimundo Alves Monteiro

Próximo à sepultura de Manelão, está o túmulo de Raimundo Alves Monteiro, mais conhecido pelo apelido de Beleza. Homem simples, mas muito conhecido pelo público católico, ele trabalhava como zelador na Catedral do Sagrado Coração de Jesus e, por muitos anos, foi o responsável por tocar o sino e chamar a população a assistir à missa.

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O Cemitério dos Inocentes fica localizado na rua Almirante Barroso, bairro Mocambo, na região central de Porto Velho.

*Superintendência Municipal de Comunicação de Porto Velho (SMC)

Três histórias inusitadas de cemitérios da Amazônia

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Foto: Reprodução/UFPA

O Dia de Finados, celebrado no dia 2 de novembro, é realizado desde o século V, após a Igreja Católica escolher um dia do ano para rezar por todos os mortos. A data marca, no Brasil, uma alta movimentação nos cemitérios, uma vez que muitos familiares aproveitam o momento para visitar seus entes queridos que já morreram. Na Amazônia não seria diferente, mas diferente mesmo são alguns deles.

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A ilha cemitério

Localizado nas margens do Rio Negro, o Cemitério Nossa Senhora da Conceição das Lages, é um dos que estão localizados na Zona Rural de Manaus, no Amazonas. Ele está localizado na Ilha Visconde de Mauá, no bairro Mauazinh, e foi fundado em 1906. O local possui espaço para mais de 1.900 sepulturas, distribuídas em uma área de 21.840 m², segundo informações da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), tendo recebido mais de 1.920 inumados.

Isolado em uma ilha com aproximadamente 40 metros de altura, o acesso para pode ser feito apenas por meio fluvial, geralmente em período de cheia do rio, por meio de lanchas que vão até o local. 

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Foto: Robervaldo Rocha / Acervo Semcom

Museu, parque…?

Transformado em parque em 2023, um cemitério no Pará se tornou verdadeiro espaço cultural. Trata-se do Parque Cemitério Soledade, em Belém. Nele, o visitante consegue passear através da memória da capital paraense.

Com influências do romantismo, neoclássico, neogótico e neobarroco, em 1964 ele foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio arquitetônico, urbanístico e paisagístico. Foi o primeiro tombamento de um cemitério no Brasil.

Em mais de 170 anos de existência, foram sepultadas mais de 30 mil pessoas, em grande parte vítimas das epidemias de febre amarela e cólera, que marcaram o século XX. Hoje, o Parque possibilita múltiplos usos para o culto religioso, passeio, pesquisa, educação patrimonial, entre outros.

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Foto: Reprodução/UFPA

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A cidade que não pode ter cemitério!

Um município amazônida possui uma característica tão única que não é possível construir um cemitério no local. Pesquisadores afirmam que o problema é o tipo de solo da cidade, por possuir uma substância chamada Caulim, um tipo de minério composto por silicatos hidratados de alumínio. O minério impede que os corpos se desintegrem. 

Este município é Pacaraima, em Roraima. A cidade tem 8.025,045 km² de área territorial e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma população de pouco mais de 20 mil pessoas. A cidade fica no extremo norte do Estado, na fronteira com a Venezuela. Com 920 metros de altitude é considerada a cidade mais alta da Região Norte do Brasil.

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Foto: Reprodução/Instituto de Pesquisas Tecnológicas (SP)