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USP e ISA firmam parceria para medir impactos cumulativos na Bacia do Xingu

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O projeto, intitulado “Avaliação de impactos cumulativos para o Xingu: propostas para o planejamento e licenciamento de projetos de infraestrutura” tem como objetivo principal analisar e subsidiar cientificamente o planejamento de obras de infraestrutura e respectivo licenciamento ambiental na Bacia do Xingu, com foco na problemática dos impactos cumulativos resultantes das mudanças de uso e cobertura da terra na Bacia do Xingu.

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A pesquisa contará com modelagem espacialmente explícitas dos impactos de projetos de transporte na região, além de discutir cenários com alternativas para a região.

Em um desenvolvimento significativo para a pesquisa ambiental no Brasil, o projeto colaborativo entre o Instituto Socioambiental (ISA) e a Escola Politécnica da USP (Poli) foi aprovado na Chamada FAPESP de Propostas (2024) – Fase 1, do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP), no final de maio de 2025.

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 Xingu
Região ocupada por reservatório da Usina de Belo Monte teve vegetação morta após alagamento e sofre com a cheia permanente. Foto: Mônica Lizardo

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A coordenação do projeto e liderança da pesquisa fica sob a responsabilidade da professora Juliana Siqueira-Gay, da Escola Politécnica da USP, tendo como pesquisadores associados a professora Amarilis Lucia Casteli Figueiredo Gallardo e o professor Luis Enrique Sánchez, também da Escola Politécnica da USP. Além disso, o projeto contará com uma equipe de sete pesquisadores bolsistas, ainda a serem selecionados. É parte da equipe do projeto o ISA, sendo a gestora responsável a economista Mariel Nakane.

Além da Escola Politécnica da USP e ISA, também outras instituições entraram na condição de associadas ao projeto, ou seja, acompanharão o desenvolvimento da pesquisa, sendo essas o Ministério dos Transportes, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e a Rede Xingu+. A colaboração entre pesquisadores, gestores públicos e a sociedade civil foi considerada uma “garantia da relevância dos resultados para a região de estudo”.

Rio-Xingu-Para-Foto-Rui-Faquini-ANA

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A proposta se destacou por sua abordagem metodológica, que inclui análises espaciais e modelagem de cenários de uso e cobertura da terra, além de parcerias com entidades da sociedade civil e atores relevantes do licenciamento. A pesquisa pretende gerar modelos para subsidiar a avaliação de impactos cumulativos envolvendo a proposição de cenários, áreas de influência e limiares de significância dos impactos, com o objetivo subsidiar técnica e cientificamente pareceres de órgãos ambientais, contribuindo para a melhoria do planejamento e licenciamento ambiental.

A professora Juliana Siqueira-Gay detalha que este projeto “atua na interface ciência e políticas públicas e possui um enorme potencial de impacto social para as comunidades indígenas e tradicionais que vivem sobretudo no interflúvio Xingu-Tapajós. Acredito que, com este projeto, estamos desempenhando um papel importante como comunidade científica junto à sociedade, e em parceria com todas as instituições parceiras e associadas, buscamos colaborar diretamente com subsídios técnicos para melhorar a tomada de decisão no planejamento e licenciamento de projetos”.

Povos do Xingu

A análise da FAPESP ressaltou o mérito do projeto na “geração de conhecimentos para a formulação, revisão, aprimoramento, análise, monitoramento e implementação de políticas públicas relacionadas ao planejamento e execução de projetos de infraestrutura, que são de grande importância econômica, cultural, ambiental e social”.

“Apesar do atual contexto do desmonte da política ambiental, com o PL da Devastação, nossa pesquisa propõe o caminho de fortalecimento, melhoria e desenvolvimento da avaliação de impacto ambiental no país, tanto no âmbito da política ambiental, no licenciamento, quanto na política setorial, no planejamento de política de transportes federal, sobretudo com o reconhecimento da avaliação de impactos cumulativos pelos gestores públicos, porque são impactos que tanto afligem os territórios mas cujos efeitos são recorrentemente esquecidos nos estudos de impacto ambiental”, apontou Mariel Nakane do Instituto Socioambiental.

*Com informações do Instituto Socioambiental

Pesquisadores desenvolvem projeto de valorização de resíduos florestais com nanomateriais

Equipe de pesquisadores da Ueap. Foto: Governo do Amapá

Um projeto inovador desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado do Amapá (Ueap), batizado de “Biorrefinaria Amazônica: Valorização de Resíduos Florestais para Conversão em Nanomateriais”, promete revolucionar a forma como a Amazônia lida com seus resíduos florestais.

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A iniciativa, aprovada no edital Proinfra de Desenvolvimento Regional, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com um investimento robusto de R$ 7.954.302,89, visa transformar o que antes era descartado em valiosos nanomateriais biodegradáveis.

Imagine uma embalagem de alimentos feita com um filme transparente, resistente e biodegradável. Em vez de plástico derivado de petróleo, esse filme é feito com nanofibrilas de celulose. Este novo tipo de filme pode substituir plásticos convencionais em embalagens de alimentos; atuar como barreira contra oxigênio e umidade, prolongando a validade dos produtos; ser compostável, reduzindo o impacto ambiental.

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Foto: Divulgação

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Segundo os pesquisadores, os nanomateriais também podem ser utilizados na indústria têxtil com o desenvolvimento de tecidos com propriedades antibacterianas e maior resistência como bioplásticos, embalagens sustentáveis, biocompósitos estruturais, adesivos entre outros materiais de utilidades tanto cotidianas como industriais.

O cerne do projeto é a valorização de fibras de resíduos agroflorestais da Amazônia para a obtenção de bioprodutos nanoestruturados. O coordenador da iniciativa, professor Dr. Matheus Cordazzo Dias, do colegiado de Engenharia Florestal da Universidade do Estado do Amapá (UEAP), destaca a importância estratégica dessa abordagem. 

“A princípio faremos o desenvolvimento de novos produtos e testes em escala laboratorial, mas visando o seu sucesso, podemos avançar para a produção em escala industrial, após análise técnica e de viabilidade econômica da sua inserção no mercado”, planeja Dias.

O pesquisador explica ainda que as nanofibrilas são estruturas com diâmetro aproximadamente 80 mil vezes mais fino que um fio de cabelo humano. Apesar de tão finas, elas podem atingir grandes comprimentos, o que lhes confere uma altíssima razão de aspecto (relação entre comprimento e diâmetro) – e essa característica resulta em propriedades mecânicas superiores às das fibras em escala macroscópica, garantindo ao material grande resistência.

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Da Floresta ao Laboratório: Um Caminho para a Sustentabilidade

Equipe de pesquisadores da Ueap
Equipe de pesquisadores da Ueap. Foto: Governo do Amapá

A equipe de pesquisadores da Ueap está focada em três objetivos específicos: otimizar o tratamento de diferentes tipos de fibras, produzir nanomateriais como nanofibrilas de celulose, nanopartículas de lignina e nanocarvão ativado, avaliando a qualidade desses materiais para o desenvolvimento de bionanocompósitos.

Podemos dizer que o projeto se insere em uma visão de médio a longo prazo, pois as transformações e exigências do mercado pela busca por materiais mais sustentáveis, por si só, já constitui um grande avanço na transição energética e na independência de combustíveis fósseis. Estamos falando em uso sustentável de recursos naturais e em reduzir a pressão sobre os recursos madeireiros. Cada resíduo florestal que transformamos em nanomaterial é menos uma árvore derrubada para outros fins. É um ganho ambiental enorme”, ressalta a professora Dr. Carla Priscilla Távora Cabral, também da Engenharia Florestal.

No aspecto econômico, o projeto promete impulsionar a bioeconomia local. A instalação de um centro multiusuário visa impulsionar o desenvolvimento econômico e social do Amapá e de outros estados da Região Norte, além da geração de novos conhecimentos e tecnologias, reforça a professora.

“Vamos contribuir para uma nova economia circular, trazendo novos conhecimentos no uso de materiais lignocelulósicos alternativos para além da madeira, analisando principalmente resíduos de outras cadeias produtivas”, finaliza Carla.

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Legado e Inovação para o Amapá

Além dos impactos ambientais, econômicos e sociais, o projeto espera gerar resultados concretos em termos de formação de recursos humanos, produção científica e infraestrutura de pesquisa. A professora Dr. Monize Martins da Silva, do colegiado de Licenciatura em Química, destaca a criação do primeiro Centro Multiusuário de Apoio à Pesquisa do estado do Amapá. 

Universidade do Estado do Amapá (Ueap). Foto: Divulgação

“Este centro, com seus laboratórios de Biorrefinaria e Nanotecnologia de Recursos Florestais e de Análises e Prospecção Química, fortalece o nosso compromisso com a pesquisa científica, a inovação e o desenvolvimento regional, especialmente porque os recursos oriundos da Finep nos permitirão investir em infraestrutura, formação de recursos humanos e no fortalecimento de laboratórios e grupos de pesquisa”, celebra Monize Silva. 

A pró-reitora considera ainda que a conquista amplia a visibilidade da Ueap no cenário acadêmico e científico, abrindo portas para novas parcerias, redes de colaboração e futuras captações de recursos

O projeto está em consonância com diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, incluindo erradicação da pobreza, inovação e infraestrutura, redução das desigualdades, cidades e comunidades sustentáveis, consumo e produção sustentáveis, ação contra a mudança global do clima, e parcerias para a implementação dos objetivos.

*Com informações da Agência Amapá

ANA aponta que o Brasil possui 241 barragens em situação de risco; veja quais estão na região norte

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Foto: Divulgação

O Brasil possui 296 barragens indicadas como prioritárias para gestão de segurança, sendo que 241 dessas possuem risco alto ou médio de potencial dano humano. Nelas, os responsáveis não cumpriram todos os requisitos de segurança exigidos na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB)

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As informações sobre a situação das barragens brasileiras fazem parte do  Relatório de Segurança 2024/2025 (RSB 2024/2025). As barragens que necessitam de maior atenção estão em 24 unidades da Federação. Não foi apresentado levantamento na Paraíba, Paraná e Roraima.

Barragem de rejeito da Mineração Rio do Norte em Oriximiná, no Pará. Foto: Carlos Penteado/Arquivo/CPI-SP

A coordenadora do RSB 2024/2025, engenheira Aline Cristina Costa da Silva, destaca que das 241 em situação de prioridade, 67% já se encontravam nessa situação no relatório anterior.

“Indicadas pelos órgãos fiscalizadores, 241 barragens prioritárias para gestão de segurança. Eles informaram que em 67% a situação estava estabelecida anteriormente, de anos anteriores. Ao menos foi possível identificar no relatório que já constavam no RSB 2023. No último relatório, elas permanecem nessa situação. Em 16%, o fiscalizador informou ter registro de acidente e em 17% também foi identificada a incapacidade técnica ou financeira do empreendedor para atuar” explicou Aline na apresentação do relatório. 

Foto: Divulgação

Das 241 para gestão de segurança, 40% (96%) são do setor privado, 16% (39) de empreendedores públicos, 39% (94) não têm informações disponíveis sobre propriedade e 4% (10) pertencem a sociedades de economia mista. As principais finalidades dessas barragens são: regularização de vazão 23,7% (57); disposição de rejeitos de mineração em 21,2% (51); irrigação em 16,6% (40); abastecimento humano de água em 12,9% (31); aquicultura em 7,1% (17), entre outros.

Acidentes

Conforme o RSB 2024/2025, foram reportados no período 24 acidentes e 45 incidentes com barragens no Brasil no ano passado com duas vítimas fatais e com danos diversos, como destruição vias públicas, rompimento de ponte, danos a residências, desaparecimento de animais, interdição de vias públicas, danos ambientais, entre outras consequências.

De acordo com a PNSB, acidentes se caracterizam pelo comprometimento da integridade estrutural da barragem, resultando em colapso total ou parcial da estrutura. Já os incidentes afetam o comportamento da barragem ou estruturas anexas, que podem vir a causar acidentes caso não sejam sanados.

barragens
Foto: Divulgação

No total de 24 acidentes, 17 (71%) aconteceram em barragens de acumulação de água, três (13%) em estruturas para geração de energia, dois (8%) de abastecimento humano de água e outros dois (8%) sem finalidade identificada. Desses 24 casos, um total de 21 (88%) ocorreram nas de terra, dois (8%) em estruturas de concreto e um (4%) em barramento de terra/enrocamento (rochas).

O RSB é elaborado anualmente sob a coordenação da ANA com base em informações enviadas pelos 33 órgãos fiscalizadores de segurança de barragens ativos no país. Os objetivos do relatório são apresentar à sociedade um panorama da evolução da segurança das barragens brasileiras e da implementação da PNSB. 
A íntegra do relatório está disponível em: www.snisb.gov.br

Veja a relação das 241 barragens prioritárias:

Fonte: Brasil 61

ABDI inaugura maior complexo industrial de café da agricultura familiar da Região Norte

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A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com a Cooperativa de Café do Juruá (Coopercafe), inaugurou no final de junho, em Mâncio Lima (AC), o maior complexo industrial de café da agricultura familiar da Região Norte, com foco no cooperativismo. A cerimônia contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e da diretora de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI, Perpétua Almeida.

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ABDI inaugura maior complexo industrial de café da agricultura familiar da Região Norte
Completo industrial. Foto: Divulgação

O Complexo integra o projeto Café Amazônia Sustentável, desenvolvido pela ABDI, que visa implementar um modelo cooperativista socioeconômico sustentável para o beneficiamento e rebeneficiamento do café cultivado pela agricultura familiar. A iniciativa recebeu investimentos de R$ 8 milhões da ABDI e R$ 2 milhões da Coopercafe, cooperativa que hoje reúne mais de 180 produtores na região.

“O projeto está alinhado às missões da Nova Indústria Brasil (NIB) e tem como foco transformar a vida dos produtores ligados às cadeias agroindustriais sustentáveis para a segurança alimentar”, destacou Perpétua Almeida. A iniciativa já beneficia diretamente 2 mil pessoas envolvidas na cadeia produtiva da região do Juruá.

Estrutura moderna e sustentável

Foto: Divulgação

O parque fabril possui uma estrutura física de 1.640 m² e opera com energia elétrica 100% limpa e sustentável, abastecida por 356 painéis solares, que geram 21.500 kWh por mês, além de utilizar práticas como o reuso de água da chuva e o uso de lenha certificada. Toda a produção de café é realizada em áreas degradadas, sem qualquer desmatamento novo, reforçando o compromisso ambiental do projeto.

Capacidade produtiva

O Complexo tem capacidade produtiva de até 20 mil sacas de por safra (considerando o beneficiamento e o rebeneficiamento), o que pode gerar um faturamento em torno de R$ 40 milhões – variando conforme a produtividade local e a cotação diária do café. São dois processos principais:

Foto: Enrique Alves
  • Beneficiamento: envolve secagem, descascamento e classificação, preparando o grão para comercialização, seco e descascado. O maquinário inclui 11 secadores, uma máquina descascadora e uma classificadora in natura com despolpador.
  • Rebeneficiamento: agrega qualidade ao produto, por meio da padronização por tamanho e densidade, utilizando um conjunto de peneiras e mesa densimétrica. Esse processo permite separar os melhores lotes, aumentando o valor de mercado do produto.

O parque produz do café commodity até o especial, o que amplia o leque de possibilidades comerciais para os agricultores associados. Na região, predominam pequenos e médios produtores, responsáveis pelo cultivo de cerca de 1,5 milhão de pés. Considerando todo o Vale do Juruá e parte do Amazonas, esse número ultrapassa 5 milhões.

Amazon On 2025 reunirá, em Manaus, o setor de tecnologia e inovação para debater soluções sustentáveis na Amazônia

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O Amazon On conecta empresas, entidades governamentais, organismos internacionais, ONGs e comunidades locais. Foto: Divulgação

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Nos dias 20 e 21 de agosto, o Amazon On Connectivity & Sustainability 2025 reunirá, em Manaus, o ecossistema do setor de inovação, incluindo empresas multinacionais, investidores, pesquisadores, ONGs, autoridades públicas e instituições internacionais que discutirão soluções tecnológicas para os principais desafios da Amazônia. O evento acontecerá no Centro de Convenções Vasco Vasques, com entrada gratuita para os inscritos.

Saiba mais: ​​Inscrições para o ‘Amazon On 2025’ começam na segunda semana de junho

Amazon On 2025
O Amazon On conecta empresas, entidades governamentais, organismos internacionais, ONGs e comunidades locais. Foto: Divulgação

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas no site oficial, por meio de um formulário simples. As vagas são limitadas.

Em sua segunda edição, o Amazon On impulsiona o emprego da tecnologia como ferramenta para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, promovendo conexões estratégicas entre diferentes atores que atuam ou buscam atuar na região amazônica. “Nosso foco é movimentar um ecossistema cada vez mais comprometido com soluções digitais sustentáveis para a região. Queremos gerar conexões reais entre empresas, investidores, centros de pesquisa, ONGs e comunidades tradicionais”, afirma Moisés Moreira, coordenador do evento.

Além de painéis e palestras com especialistas nacionais e internacionais, o Amazon On 2025 terá uma programação voltada à cooperação internacional, à transição digital verde, ao impacto da inteligência artificial nas mudanças climáticas, e ao papel da tecnologia no monitoramento e na preservação ambiental. Também haverá exposições de soluções tecnológicas, espaços para networking, reuniões bilaterais, estandes de relacionamento e a participação de lideranças locais e representantes de povos tradicionais.

O evento é uma oportunidade para empresas e investidores conhecerem iniciativas já em prática na Amazônia, firmar parcerias e explorar novas frentes de atuação econômica alinhadas com a preservação socioambiental. Para pesquisadores, o Amazon On oferece contato direto com lideranças e experiências que integram ciência, tecnologia e causas socioambientais.

O Amazon On conecta empresas, entidades governamentais, organismos internacionais, ONGs e comunidades locais. Foto: Divulgação

“É um espaço para construir pontes. A Amazônia precisa de soluções que respeitem sua diversidade e, ao mesmo tempo, projetem a região para o futuro”, reforça Moreira.

A primeira edição do Amazon On, realizada em setembro de 2024, conectou lideranças do setor público, empresas e organizações do Brasil e do exterior. Em 2025, a expectativa é receber cerca de 500 participantes por dia, com ampliação dos espaços de interação e um ambiente propício ao desenvolvimento de projetos colaborativos e sustentáveis.

O Amazon On

O Amazon On 2025 é idealizado pela MMoreira Consult e conta com o apoio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Rede Amazônica, Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica (Abinee) e Governo do Estado do Amazonas.

*Com informações da assessoria

Pesquisa inédita faz uma radiografia do consumo relacionado com o futebol na região norte

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Apenas 21% dos torcedores do Norte admitem o fanatismo por seu time de coração, mas o consumo relacionado com o futebol é cada vez maior e já atinge a marca de 65% da população, como revela estudo realizado pela primeira vez pela Serasa.

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A pesquisa “Gastos com Futebol”, que ouviu 2.940 pessoas de todas as regiões do país, mostra como o esporte impacta uma fatia do orçamento familiar e influencia o comportamento financeiro dos torcedores.

Pesquisa inédita faz uma radiografia do consumo relacionado com o futebol
Foto: Divulgação

Entre os principais gastos, as camisas de times continuam com larga vantagem de 61%, seguida bem abaixo por outros produtos licenciados (26,7%), ingressos para assistir aos jogos (24,7%) e streamings ou pay-per-view (20,5%).

As despesas, porém, parecem cada vez mais periféricas aos estádios, pois 58% dos nortistas acreditam que os eventos de futebol não são mais acessíveis ao público geral. Não por acaso, os ingressos para jogos aparecem em terceiro na lista, com apenas 24,7% na lista de gastos, mostrando não ser uma prioridade.

Arena Acreana. Foto: Divulgação

Um outro questionamento da pesquisa confirma o distanciamento. Quando perguntados sobre como assistem aos jogos, apenas 20,8% indicaram o estádio como palco. A preferência é de TV aberta (72%) e TV fechada (40%), e chama a atenção, embora não surpreenda, que a soma de quem assiste a jogos pelo Youtube (44%) e por streamings (22%) já chega próximo ao percentual dos que ainda estão na TV aberta.

Com dinheiro ou não, o certo é que o futebol estimula que o brasileiro não se imponha limites para estar ao lado de seu time. Pelo menos 60% dos entrevistados já “cometeu alguma loucura” pelo seu clube e 9% deles já colocaram como meta se fazer presente nos próximos mundiais de clubes.

O papel social do esporte

Além de movimentar o bolso do brasileiro, sete em cada dez pessoas do Norte enxergam o papel social que o esporte representa no país. E 46% consideram o futebol como um grande aproximador de pessoas, promovendo laços entre familiares e amigos.

Foto: Divulgação

Durante a pesquisa foi possível perceber que o futebol feminino também está entre os eventos desejados pelo público. A porcentagem é muito próxima à intenção de assistir ao mesmo campeonato masculino, mostrando mais uma vez que o interesse do brasileiro é pelo esporte e não pelo gênero.

Metodologia

A pesquisa encomendada pela Serasa foi realizada pelo Instituto Opinion Box em junho de 2025, e ouviu 2.940 pessoas, de diferentes faixas etárias e regiões do Brasil.

Sobre a Serasa  

Com o propósito de revolucionar o acesso ao crédito no Brasil, a Serasa oferece um ecossistema completo voltado para a melhoria da saúde financeira da população por meio de produtos e serviços digitais. 

Roça Sustentável aumenta a produtividade da agricultura familiar no Maranhão

Um conjunto de tecnologias modernas, que alia custos acessíveis e sustentabilidade, tem aumentado significativamente a produtividade de culturas agrícolas de importância alimentar – como mandioca, arroz, milho, feijão, entre outras – em propriedades familiares do Maranhão.

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Essa é a Roça Sustentável, um pacote de soluções referenciado no Sistema Bragantino da Embrapa, desenvolvido pela Embrapa Amazônia Oriental (AM) e adaptado pela Embrapa Maranhão (MA) para as condições do estado, que já resultou, por exemplo, em aumento de produtividade de 50% de arroz e milho, e em ganho temporal de sete meses para a colheita de mandioca.

A solução tecnológica surgiu para equacionar problemas de baixas produtividades e ausência de condições de uso de tecnologias nas roças. Foto: Embrapa

A solução tecnológica surgiu em um processo de inovação aberta, dentro das propriedades dos agricultores familiares, para equacionar problemas de baixas produtividades e ausência de condições de uso de tecnologias em lavouras da agricultura familiar em que os cultivos eram realizados  em área compartilhada, sem qualquer coerência técnica ou econômica.

segundo o analista Carlos Santiago, responsável pela implementação da tecnologia em municípios maranhenses, sem o uso da Roça Sustentável, a produção média de mandioca no Maranhão é de 8 toneladas por hectare após 18 meses de cultivo.

Com a tecnologia, em 11 meses de cultivo a produção atinge 30 toneladas por hectare. “Trata-se de um policultivo das culturas mais produzidas pelos agricultores familiares, seja para consumo familiar ou comercialização. A ênfase é nas variedades em uso na região e preferidas pelos agricultores. A iniciativa aumentou o leque de produtos do agricultor familiar com excelentes resultados de produtividade e qualidade dos produtos”.

Roça Sustentável aumenta a produtividade da agricultura familiar
Carlos Santiago, responsável pela implementação da roça em municípios maranhenses. Foto: Embrapa

A lógica do consórcio é diversificar a produção e otimizar a produtividade com sustentabilidade econômica, social e ambiental. Para isso, os cultivos são dispostos em fileiras de forma a não haver competição por nutrientes, água, luz e espaço.

Além do consórcio, o sistema preconiza a rotação de culturas com uso de “safrinha”, prática que intensifica o uso da terra e maximiza o aproveitamento do período chuvoso. O objetivo é que essas novas técnicas contribuam para modernizar sistemas de produção tradicionais, como o de “roça no toco” (no qual uma área de vegetação é derrubada, queimada e utilizada para plantio), sob bases sustentáveis, ou seja, sem necessidade de fogo e desmatamento.

Em termos ambientais, a reconfiguração da “roça no toco” evita a abertura de novas áreas e a prática de “derruba e queima” ao cultivar a terra e as lavouras de acordo com suas necessidades nutricionais e de prevenção de pragas e doenças. Além disso, ao incentivar o consórcio e a rotação de culturas, a tecnologia permite incrementos na ciclagem de nutrientes, manutenção da biodiversidade, conservação do solo, controle de ervas daninhas e manejo de pragas e doenças das culturas.

Roça Sustentável aumenta a produtividade da agricultura familiar. Foto: Embrapa

Francisco Elias de Araújo, do Assentamento Cristina Alves em Itapecuru-Mirim (MA), diz que a mandiocultura é a atividade de maior importância econômica e a tecnologia deu resposta positiva no que se refere à produtividade. Para ele, a Roça Sustentável promove a diversificação de culturas consorciadas e a adequação da demanda nutricional de cada uma delas para melhorar a produtividade do conjunto.

“No assentamento, já completamos quatro anos consecutivos de produção na mesma área, com bom retorno do custo investido. Queremos deixar para as próximas gerações uma terra melhor do que achamos”, ressalta.

No Maranhão, estado de grande diversidade edafoclimática, a Roça Sustentável atualmente tem projetos na região amazônica e no Cerrado, onde está a fronteira agrícola do Matopiba. São duas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) em São Raimundo das Mangabeiras e em Balsas; três em Itapecuru-Mirim (quilombo de Canta Galo, Jaibara dos Nogueiras e Outeiro dos Nogueiras); e uma em São Luís, em área rural do bairro Maracanã.

Leia também: Indígenas Yanomami voltam a cultivar roças e já utilizam área equivalente a 32 campos de futebol

Controle de pragas, doenças e ervas daninhas

O conjunto tecnológico consiste em técnicas de manejo e arranjos espaciais com sustentabilidade e impactos na redução do fogo na agricultura, no combate à pobreza e redução da fome, por meio da produção diversificada de alimentos.

Roça Sustentável aumenta a produtividade da agricultura familiar. Foto: Embrapa

As práticas agrícolas aliadas ao uso de defensivos corretamente utilizados intensificam a eficiência do uso da terra e ainda recuperam áreas degradadas. Também aumentam a fertilidade do solo e a nutrição das plantas. Ou seja, trata-se de um sistema de cultivo convencional, no qual é permitido o uso de herbicidas e inseticidas, se necessário, na hora certa e na dose certa.

O uso da dose recomendada no momento certo provoca o mínimo impacto ambiental possível, com eficiência necessária para surtir o efeito desejado. “A lavoura, livre de mato, doenças e pragas, produz muito mais, com menos esforço físico do produtor, ou seja, há também redução da carga de trabalho e do gasto com mão de obra. Isso significa mais economia e tempo para as pessoas envolvidas cuidarem de outras atividades e da família. O retorno social é a melhoria da produtividade, segurança alimentar, renda e qualidade de vida da família e comunidade do produtor familiar, contribuindo para o desenvolvimento regional”, enfatiza Santiago.

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Adubação específica para cada cultura

A adubação equilibrada é também realizada no sistema para garantir o aporte dos nutrientes necessários ao desenvolvimento das plantas, à produtividade da lavoura e à conservação do solo. A diversificação de culturas melhora a utilização das terras.

Cada cultura é especializada num tipo de nutriente e a rotação entre elas permite a exploração de camadas do solo por diferentes culturas. Por exemplo, o arroz é uma cultura que oferece bastante potássio ao solo. Do potássio aplicado nas plantações de arroz, a cultura absorve 20%. Os 80% restantes ficam na palhada após a colheita, disponíveis no solo. A mandioca é uma cultura que demanda potássio.  Ao plantar a mandioca na palhada do arroz, faz-se uma adubação natural de uma cultura pela outra.

Aprender fazendo

A Embrapa no Maranhão multiplica o conhecimento sobre o manejo do sistema alimentar em propriedades dos produtores em parceria com instituições públicas e privadas. A metodologia preconiza a implantação de URTs em comunidades rurais familiares com a participação de técnicos e produtores das regiões. São repassadas técnicas de manejo do solo, de pragas e doenças, fertilidade e arranjos espaciais para melhor eficiência com sustentabilidade, conservação e manejo adequados. Também fazem parte dessas capacitações noções de visão empreendedora da lavoura, para que o sistema de produção possa ser viabilizado.

Roça Sustentável aumenta a produtividade da agricultura familiar. Foto: Embrapa

O objetivo é a promoção do desenvolvimento regional pelo empoderamento dos atores locais envolvidos. “As URTS são vitrines tecnológicas, unidades didáticas de construção do conhecimento para eventos como dias de campo, palestras e visitas técnicas. Ali o produtor e o técnico aprendem a manejar as culturas de arroz, milho, feijão e mandioca separadamente, além da integração entre elas. Aprendem também o valor do trabalho realizado com dedicação e cuidado para ter os resultados esperados. Nossa missão é transformar a ciência em motor do desenvolvimento por meio da construção e compartilhamento de saberes e experiências”, frisa o analista.

O produtor Geraldo de Matos, conhecido por “Juca”, destaca o acesso ao conhecimento como diferencial para a qualidade de vida conquistada. “Graças à parceria com a Embrapa Maranhão, tivemos acesso ao conhecimento científico e tecnológico, a nossa produção aumentou, não só em quantidade, mas também em qualidade, e com diminuição da carga de trabalho. Nunca tinha visto tanta mandioca em um espaço tão pequeno. Ver nossa família com alimentação adequada é tudo. Hoje tenho a esperança de ver meus filhos na roça”, comemora.

Combate à fome e à pobreza e fixação no campo

Os agricultores que seguem o manejo corretamente têm uma transformação significativa. Já no primeiro ano, eles sanam a questão alimentar. Com mais tempo, passam a ter excedente para venda. A tendência é a ampliação da lavoura. A elevação da produtividade faz com que tenham garantia de diversificação alimentar e quantidade, volume produzido suficiente para a alimentação da sua família e comunidade e para a troca e comercialização do excedente. “A dignidade do homem que cultiva a terra e produz o alimento para a família permite a permanência no campo, e a de seus filhos, que passam a enxergar o futuro que almejam na agricultura”, conclui Santiago.

*Com informações da Embrapa

Povo Mẽbêngôkre-Kayapó no Acampamento Terra Livre: união em defesa dos territórios e pela garantia de direitos

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Mulheres Mẽbêngôkre-Kayapó em protesto. Foto: Reprodução/ Funbio

Durante os cinco dias da 21ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), pelo menos seis mil indígenas estiveram no Complexo da Funarte, em Brasília. Entre povos de todos os biomas, mulheres, crianças, anciãos, artesãos, comunicadores, gestores e lideranças participaram de plenárias, rodas de conversa, apresentações culturais e discussões sobre temas como monitoramento territorial, desintrusão e demarcação de terras, segurança alimentar, geração de renda, políticas públicas, saúde, educação, arte e cultura.

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No palco principal e nas tendas de outras organizações indígenas do evento organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), o público acompanhou uma programação com diversas atividades. Por todo o Acampamento, biojoias, cestarias e inúmeros artefatos traduziam a criatividade e a beleza das artes indígenas do Brasil numa grande e diversa feira a céu aberto.

Uma pequena praça marcou a presença das três principais organizações do povo Mẽbêngôkre-Kayapó, com lojas da Arte Indígena/Instituto Raoni (IR), do Instituto Kabu (IK) e da Meprodjà/Associação Floresta Protegida (AFP). A pintura dos grafismos tradicionais também estampou de jenipapo os corpos de parentes e visitantes do ATL pintados pelas menire, as mulheres Kayapó.

Atualmente, cerca de 12 mil Mẽbêngôkre-Kayapó vivem em pouco mais de 150 aldeias ao longo das terras indígenas Baú, Mekragnoti, Capoto/Jarina, Badjônkôre, Las Casas e Kayapó. Esse território ocupa 10,6 milhões de hectares, sem contar com T.I. Kapot Nhinhore, localizada na bacia do Xingu.

Entre as T.I.s Mekragnoti e Capoto/ Jarina e ainda não homologada, representa hoje uma das principais demandas dos Mebêngôkre. A conclusão do processo de demarcação do território onde o cacique Raoni Metuktire passou sua juventude e onde seus ancestrais habitavam é aguardada há mais de duas décadas.

Cacique Raoni, líder do povo Mẽtyktire-Mẽbêngôkre foi um dos convidados na roda de conversa: “Garimpo na Amazônia, a vida após as desintrusões e a recuperação socioambiental dos territórios”. Um público formado por indígenas e não-indígenas lotou a  tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira  (COIAB) para ouvir Raoni e outras lideranças dos povos Munduruku, Yanomami e Ye’kwana sobre os desafios no enfrentamento às invasões.

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Kayapó
Entrevista com o Cacique Raoni. Foto: Reprodução/ Funbio.

A experiência de outros povos no processo de desintrusão deixa evidente a necessidade de pensar em estratégias que possam apoiar as comunidades impactadas pelas operações de retirada da atividade garimpeira. A pauta ganha ainda mais relevância diante do início das operações do Governo Federal em terras kayapó, que devem seguir pelos próximos meses.

A força-tarefa envolve órgãos como Funai, Ministério dos Povos Indígenas, Ministério da Justiça, IBAMA e Força Nacional, entre outros. A primeira fase da desintrusão começou efetivamente em maio com o desmantelamento de bases de garimpo, destruição de dragas e maquinários e fiscalização no entorno das áreas indígenas do povo Mebengokre.

Raoni deu início à sua fala com um recado importante: “Para os nossos parentes que têm atividades ilícitas em seus territórios como o garimpo, vocês precisam se organizar no território de vocês para poder parar com essas invasões.” E continuou: “Estou orientando as novas gerações kayapó, [lembrando] que os nossos ancestrais sempre guerreavam com outros povos, mas hoje a luta é diferente: é contra as ameaças que estamos sofrendo. Os kuben estão atacando nossos recursos naturais e nossos territórios e eu peço aos nossos parentes que lutem para poder parar com isso. É o que eu tenho a dizer a todos vocês.”

A carta final da edição de 2025 do ATL traz a união e a importância de alianças que possibilitem novos futuros para os povos indígenas do Brasil. Como ferramenta de luta, a demarcação dos espaços de tomada de decisão para que os territórios e os modos de vida indígenas possam ser respeitados e o povo Mẽbêngôkre-Kayapó junto a suas organizações já vem se articulando no sentido de garantir seus direitos e ampliar sua autonomia.

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Autonomia financeira e futuros sustentáveis

Há 21 anos, o ATL reitera sua importância no contexto de mobilização e resistência na luta pelos direitos dos povos indígenas do Brasil. A proteção do território é uma questão transversal que precisa estar acompanhada de ações de geração de renda, principalmente quando os territórios estão próximos às áreas de maior pressão por atividades ilícitas. Para a gestora Josimara Baré, coordenadora do Fundo Indígena Rutî, a luta por autonomia é uma luta por futuros sustentáveis.

Convidada para compartilhar suas experiências na implementação de ferramentas de fortalecimento e autonomia financeira de organizações indígenas na tenda da COIAB, Josimara apresentou o Fundo Indígena Rutî, vinculado ao Conselho Indígena de Roraima (CIR).

Depois de participar da estruturação do Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e atuar como conselheira em outras iniciativas, Josimara defende a governança própria com foco na comunidade como estratégia de emancipação financeira.

“Não tem indígena com as habilidade técnicas que a comunidade precisa? Por que não capacitamos os jovens e garantimos um processo formativo com estímulo à autonomia, ao invés de fazer por eles? “, pergunta Josimara, contando brevemente a história da criação do FIRN, que contou com apoio de doadores e assessoria do Instituto Socioambiental (ISA) por dois anos, contrariando o suporte com práticas de tutela. “É uma coisa que me toca muito, essa questão de que nós não temos profissionais indígenas capacitados tecnicamente para gerir esses mecanismos [financeiros]. E eu acho que isso vem mudando.”, conta a gestora.

Ao longo da conversa sobre os novos rumos dos fundos indígenas, Josimara lembrou que a governança é o ponto principal para o funcionamento de um fundo. “Ao mesmo tempo que a gente precisa de habilidades técnicas, a gente precisa também de uma sensibilidade das lideranças indígenas e uma visão que elas têm, que muitas vezes os técnicos não têm. Então a soma de habilidades técnicas, com sensibilidade, o olhar, a visão das lideranças indígenas, faz um fundo muito potente. “, explicou.

Os Mẽbêngôkre e o Fundo Kayapó

Kayapó
Reuniao com o Instituto Kabu. Foto: Poire Kayapo

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Uma das novidades do 5º ciclo do Fundo Kayapó é a criação de um planejamento de comunicação, para que cada vez mais pessoas conheçam o Fundo criado em 2011 para fortalecer o povo mẽbêngôkre através de suas organizações.

Responsável pela concepção e execução do planejamento de comunicação do Fundo Kayapó junto ao FUNBIO e à CI-Brasil, a equipe do Estúdio Afluente esteve em Brasília com o comunicador Matsi Waurá para conversar com outros comunicadores indígenas e lideranças do povo Mẽbêngôkre-Kayapó.

Com objetivo de coletar histórias, depoimentos e percepções sobre o Fundo Kayapó, suas atividades e impactos, a equipe de comunicação entrevistou gestores e representantes de associações estruturantes e de projetos locais, assessores técnicos e demais parceiros que atuam diretamente nas atividades das iniciativas mẽbêngôkre.

Presidido pelo cacique Raoni, o Instituto Raoni foi criado em 2001 e é uma das organizações estruturantes contempladas pelo Fundo Kayapó desde o primeiro ciclo junto com a Associação Floresta Protegida e o Instituto Kabu, que chegou ao Fundo no segundo ciclo de investimentos. A tenda do Instituto no ATL funcionou como ponto de encontro para acompanhar as falas e coletivas de imprensa cedida por uma das maiores lideranças do povo Mẽbêngôkre, o cacique Raoni Metuktire.

Acompanhado pelo neto e um de seus intérpretes, Patxon Metuktire, Raoni atendeu aos pedidos de entrevista de diversos órgãos de imprensa nacionais e internacionais. Respondendo à jornalista Amanda Scarparo, do Estúdio Afluente, sobre a importância de investimentos a longo prazo como o Fundo Kayapó para as comunidades mẽbêngôkre, o cacique fez questão de ressaltar a transparência na gestão do Fundo.

Disse ainda que se fosse preciso, puxaria a orelha dos gestores para garantir o acompanhamento dos projetos. “Esse trabalho é muito importante. Eu falo pro pessoal do Instituto Raoni que eles devem focar no trabalho de acompanhamento e execução e em todo o processo dos projetos [do Fundo Kayapó]. Eu sempre faço reunião. Eu vou fazer mais uma reunião e se precisar  vou lá puxar a orelha do gestor, pedir pra ele me explicar e trabalhar direito, porque esse é um trabalho importante e que deve continuar.”, declarou Raoni.

Ao longo dos dias de Acampamento Terra Livre, assim como nos dias de reunião do comitê provisório de governança do Fundo Kayapó outras lideranças mẽbêngôkre de diferentes terras indígenas foram ouvidas e entrevistadas. O intuito de coletar material sobre o Fundo Kayapó a partir de seus gestores, lideranças e representantes de departamentos como o Departamento das Mulheres, por exemplo, faz parte do horizonte de colaboração pensado não somente para a comunicação das atividades do Fundo Kayapó, mas como um norte para ações futuras.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Funbio.

Pesquisadores do Amapá registram mortes de peixes-bois na região de Gurupá, no Pará

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Pesquisadores do Amapá registram mortes de peixes-bois na região de Gurupá (PA) — Foto: PCMC/Divulgação

O Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC) registrou um encalhe em massa dos peixes-bois na foz do rio Amazonas, na região do Gurupá, no Pará. Os pesquisadores estudam a possibilidade de contaminação da água ou da vegetação em que esses animais vivem.

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O projeto é realizado pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) e o Instituto Federal do Amapá (Ifap).

Pesquisadores do Amapá registram mortes de peixes-bois
Pesquisadores do Amapá registram mortes de peixes-bois na região de Gurupá (PA) — Foto: PCMC/Divulgação

As mortes foram relatadas pelos moradores das localidades, no período de 22 de junho a 2 de julho. A comunidade relatou ter visto pelo menos 6 animais encalhados em 5 dias.

Em uma análise da carcaça de um dos peixes-boi, foi detectado que o animal não possuía marcas externas de traumas. Mas na parte interior do animal foi detectado um hematoma.

“Esse acontecimento é algo raro e inédito, é o primeiro registro que a gente tem de um encalhe em massa de peixe-boi. A suspeita é que esses animais tenham indo a óbito em outros locais e a correnteza tenha levado os animais até a comunidade do Gurupá, e os moradores registram pra gente.”, disse Cláudia Funi, coordenadora do PCMC no Amapá.

Pesquisadores do Amapá registram mortes de peixes-bois na região de Gurupá (PA) — Foto: PCMC/Divulgação

Os pesquisadores coletaram amostras da água e das algas e aguardam os resultados. A ideia é conseguir entender se existe contaminação e se ela seria química ou biológica.

O Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos é realizado desde o ano passado. A iniciativa é uma exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a ideia é fazer o monitoramento das bacias do Pará-Maranhão e Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.

Os pesquisadores pedem a ajuda da população para acionamento em casos de encalhe de animais marinhos, através dos números: (96) 99206-3344 e (96) 99116-3712.

*Por Luan Coutinho, g1 AP e Rede Amazônica — Macapá

Mulher é picada ao confundir cascavel com corda e morre, em Roraima

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Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu três dias após a picada da cascavel — Foto: Arquivo Pessoal

Uma mulher identificada como Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu nesta terça-feira (8) em decorrência de uma picada de cascavel na Vila São José, município do Cantá, Norte de Roraima. Ela confundiu a cobra com uma corda, pegou o animal e foi picada na mão.

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O irmão de Ana, o entregador Antonio Carlos Gonçalves, de 37 anos afirmou que o acidente aconteceu no sábado (5). Ele explicou que a irmã “tinha dificuldades de visão”. Ela viu os cachorros da casa agitados com a cascavel e achou que eles estavam brincando com uma corda.

cobra cascavel
Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu três dias após a picada da cascavel — Foto: Arquivo Pessoal

“Ela se abaixou para pegar e acabou sendo picada. Quando viu os cachorros brincando com algo, pensou que fosse uma corda e foi pegar. Foi aí que a cobra mordeu”, contou o irmão.

Ela tinha histórico de problema nos nervos e também pressão alta. Ao ser picada, ela foi levada a um posto de saúde no município. De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), com a peçonha, a mão de Ana “inchou rapidamente e o quadro se agravou, com pressão muito alta que não respondia bem aos remédios”.

Ana também apresentava sangramentos em várias partes do corpo — efeito típico do veneno da cascavel, que afeta a coagulação do sangue. Ela foi transferida para o Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista (35,8 km de distância do Cantá) em estado grave.

Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu três dias após a picada da cascavel — Foto: Arquivo Pessoal

A Secretaria de Saúde de Roraima, responsável pelo HGR, afirmou que Ana chegou na unidade após quatro horas do incidente, “apresentando quadro de pico hipertensivo refratário, distúrbio de coagulação grave e edema no local da picada”.

“Foi seguido todo o protocolo pertinente ao caso, com aplicação de soro na dosagem máxima, solicitação de plasma, conduzido o pico hipertensivo, e iniciado antibiótico, além da avaliação médica por médicos infectologista, neurocirurgião e nefrologista”.

Ana morreu por volta das 4h da manhã, no leito do HGR.