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Seca afeta 22% da bacia amazônica apesar das cheias, aponta monitoramento da ANA

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Encontro das Águas. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Apesar das cheias que atingem os rios do Norte do país, a seca persiste em mais de 22% do território nacional pertencente à bacia hidrográfica amazônica. As informações foram publicadas nesta semana pelo Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

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Esse aparente contraste acontece porque a elevação do nível dos rios amazônicos é consequência das chuvas nas cabeceiras da bacia, especialmente no Peru e na Colômbia. Por isso, as populações das áreas mais baixas enfrentam a falta de chuvas ao mesmo tempo que são ainda impactadas pelas inundações.

Apesar das nove calhas de rios do Amazonas estarem em processo de vazante, mais de meio milhão de pessoas sofrem as consequências das cheias nos últimos meses e 42 cidades estão em situação de emergência.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que e quais são as calhas dos rios do Amazonas?

No mês de junho, a estiagem recuou no Amazonas, norte de Rondônia e sul do Tocantins. Por outro lado, devido às chuvas abaixo da normalidade, houve surgimento de seca fraca no leste do Pará.

O Monitor de Secas vem apontando o enfraquecimento da seca desde fevereiro, quando as chuvas passaram a ocorrer com maior regularidade na Região Norte.

A seca considerada grave atinge atualmente apenas a Região Nordeste, especialmente no norte da Bahia e centro de Pernambuco.

Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, as chuvas acima da média melhoram os indicadores. No Sul, a escassez de água em sua forma grave deixou de ser registrada e houve recuo de até duas categorias, deixando o sul do Paraná, oeste de Santa Catarina e quase todo o Rio Grande do Sul sem seca relativa.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

Comissão de Segurança Pública da Aleam apresenta balanço das atividades do primeiro semestre de 2025

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Foto: Matheus Rodrigues/Aleam

A Comissão de Segurança Pública, Acesso à Justiça e Defesa Social da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), presidida pelo deputado Comandante Dan (Podemos), apresentou um balanço das atividades realizadas no primeiro semestre de 2025. Comprometida com a prevenção da violência e da criminalidade, a Comissão atua na promoção da integração social e na colaboração com as Polícias Militar e Civil, além de se dedicar à construção e ao fortalecimento de políticas públicas de segurança.

O relatório oficial revela que, entre janeiro e junho, foram recebidas 24 proposições legislativas, das quais 18 obtiveram pareceres favoráveis e apenas uma recebeu parecer contrário. Nesse período, foram realizadas 284 reuniões internas, 53 reuniões externas e 139 visitas técnicas a instituições estratégicas. A Comissão também organizou oito eventos voltados ao aprimoramento da segurança pública, consolidando seu papel propositivo na agenda legislativa do estado.

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O deputado Comandante Dan teve participação ativa como presidente da Comissão nas negociações entre policiais militares e o Governo do Estado, buscando garantir o pagamento das datas-bases dos servidores da segurança pública. Ainda em fevereiro, foi realizada audiência pública sobre a data-base, que, conforme a legislação, deve ocorrer anualmente no mês de abril.

A atuação reforça o compromisso da Comissão com o diálogo e a mediação em defesa dos direitos da categoria. Outras audiências públicas foram promovidas para ouvir a população, associações de classe, representantes de órgãos de segurança e especialistas.

Nessas ocasiões, discutiram-se temas como melhorias para as forças policiais, combate ao crime organizado e a situação das Guardas Municipais, com o objetivo de construir soluções conjuntas e dar voz às demandas dos profissionais e da sociedade.

Entre janeiro e junho de 2025, a Comissão esteve presente em 54 dos 62 municípios amazonenses. Neles, vistoriou instalações policiais, dialogou com profissionais da área e atuou junto às lideranças legislativas e executivas locais para promover a municipalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), instituído pela Lei nº 13.675, de 11 de junho de 2018.

Leia também: Comissão de Defesa do Consumidor apresenta balanço semestral com mais de mil audiências de conciliação

Como parte desse esforço, elaborou e distribuiu a “Cartilha da Municipalização da Segurança”, material inédito que orienta prefeituras, câmaras municipais e a sociedade civil sobre como aderir à lei.

Em maio, dois eventos marcaram a atuação da Comissão: o lançamento do Observatório de Segurança Pública do Amazonas e a terceira edição do Seminário de Segurança Inovadora.

O Observatório, iniciativa inédita no Brasil por partir de um poder legislativo estadual, tem como missão produzir estudos, tratar dados e fornecer subsídios técnicos para políticas públicas eficazes. Com acesso democrático ao conhecimento, seu portal está disponível ao público no endereço eletrônico: observatoriocsp.aleam.gov.br.

Ao instalar oficialmente o Observatório, o deputado Comandante Dan expressou satisfação por ver a Aleam tornar-se referência nacional na área. Segundo ele, apesar das quedas nos índices de violência, o Amazonas ainda apresenta números elevados em comparação à média nacional.

“O Observatório democratiza o acesso ao conhecimento e amplia a participação popular, envolvendo universidades, ONGs, lideranças comunitárias e os próprios cidadãos na construção das políticas públicas”, destacou o parlamentar, que comandou a Polícia Militar entre 2008 e 2011 e atualmente está na reserva.

Seminário

O III Seminário de Segurança Inovadora, realizado no auditório Belarmino Lins, na sede da Aleam, resultou em um manifesto em defesa dos povos do Amazonas, propondo políticas que assegurem trabalho, renda e qualidade de vida para a população.

O evento, conduzido pela presidência da Casa Legislativa e pela Comissão de Segurança Pública, reforçou a busca por soluções inovadoras para os desafios enfrentados pelo estado.

O trabalho da Comissão segue, de acordo com o parlamentar, com o propósito de tornar o Amazonas mais seguro, justo e atento às necessidades de seu povo, afirma o deputado, destacando o compromisso com a população também ao longo do segundo semestre de 2025.

Em reunião com moradores de Presidente Figueiredo, Roberto Cidade confirma início das obras da Rodovia AM-240 após sua articulação

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Foto: Artur Gomes

A atuação do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), deputado estadual Roberto Cidade (UB), garantiu o início das obras emergenciais de recuperação na rodovia AM-240, importante eixo de ligação entre comunidades com a sede do município de Presidente Figueiredo. Conhecida como estrada da Vila de Balbina, a via enfrenta problemas estruturais como buracos, erosão e falta de sinalização.

Nesta quinta-feira, 10/7, o parlamentar recebeu na Casa Legislativa, um grupo de moradores, comerciantes e produtores rurais da região para prestar contas das providências tomadas e reforçar seu compromisso com a população da Terra das Cachoeiras. Cidade já havia solicitado, no dia 21 de maio deste ano, por meio de requerimento, a recuperação asfáltica, requalificação da sinalização vertical e horizontal, e a capinação das margens da rodovia.

O documento foi encaminhado ao Governo do Estado, à Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) e ao Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). No dia 1º, Cidade voltou a pedir ao Governo do Estado uma intervenção urgente na AM-240.

“Digo para vocês (representantes) que a AM-240 vai ficar do jeito que ela merece. Já tenho informações de que está sendo executada a operação de tapa-buraco e, em breve, vai sair a obra definitiva dessa estrada, por onde passam mais de 10 mil pessoas todos os dias. Essa resposta é resultado do nosso esforço, aqui do Poder Legislativo, da nossa articulação e da união com os moradores e lideranças locais que lutam pela melhoria da estrada”, afirmou o deputado.

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Durante o encontro, Roberto Cidade fez uma videochamada com o secretário de Infraestrutura do Estado (Seinfra), Carlos Henrique Lima, que informou as medidas que estão sendo tomadas a curto prazo para mitigar os transtornos causados pelos buracos. Segundo ele, o projeto para a recuperação total da estrada está em fase de finalização e deve ser concluído até o início de agosto.

“Desde ontem (9/7), estão sendo realizados, de forma emergencial, trabalhos de tapa-buraco com alargamento da via em toda a estrada. Em paralelo a isso, nossa equipe está em processo de finalização do projeto que visa à total recuperação e restauração de toda a estrada, que está com muita erosão. Acredito que, no final de julho e início de agosto, este projeto esteja finalizado, para que possamos, assim, fazer a recuperação total da rodovia”, informou o secretário.

Roberto Cidade destacou a importância estratégica dessa iniciativa para o desenvolvimento local. “Desde o meu primeiro mandato, sempre fui comprometido com Presidente Figueiredo. Meu compromisso é com as pessoas que vivem e produzem naquela região”, declarou o parlamentar.

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A atuação do deputado foi reconhecida por lideranças comunitárias. O produtor rural Fernando Silva, morador do KM 13 da estrada da Vila de Balbina, agradeceu ao presidente Roberto Cidade pela intermediação junto ao Governo do Estado.

“Quero agradecer ao deputado estadual Roberto Cidade. Nós vivemos lá na nossa comunidade da AM-240, buscando a melhoria para a trafegabilidade na via. Ele nos recebeu com atenção, ouviu nossas demandas e intermediou junto ao Governo do Estado. Agora estamos vendo a resposta acontecer. Sabemos que o governo vai continuar promovendo melhorias e, em breve, virá a recuperação da AM em sua totalidade”, disse o produtor rural.

Piscicultor na Comunidade São Salvador, no KM 26 da AM-240, o empresário Withan Laborda destacou que os anseios dos moradores e produtores ao longo da rodovia vão sair do papel. “Fomos bem recebidos e obtivemos, de concreto, que realmente fomos atendidos. Os nossos interesses em relação à AM-240 vão sair do papel. Isso é importante para todo o município de Presidente Figueiredo, sobretudo para quem vive e depende da AM-240”, frisou.

Além de fundamental para o transporte de cargas e pessoas, a estrada é também um importante corredor turístico, com acesso a mais de 200 atrativos naturais, como a Caverna do Maroaga, a Gruta da Judéia, a Cachoeira Santuário e a Pedra Furada, consolidando Presidente Figueiredo como um dos principais destinos do ecoturismo amazonense.

Amazonas é exemplo de campanha de conscientização à saúde animal com o ‘Julho Dourado’

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Foto: Hudson Fonseca/Aleam

O mês de julho marca a realização da campanha ‘Julho Dourado‘, voltada à conscientização sobre a saúde animal e à prevenção de zoonoses. A iniciativa busca destacar a importância da vacinação e de cuidados preventivos para proteger os animais de estimação e a saúde pública.

Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a deputada estadual Joana Darc (UB) foi autora do Projeto de Lei nº 377/2022, que instituiu oficialmente o “Julho Dourado” no calendário estadual. A proposta foi aprovada e transformada na Lei Ordinária nº 6.193, de 3 de janeiro de 2023.

Leia também: Escola do Legislativo da Aleam atendeu mais de 4.200 pessoas no primeiro semestre

A campanha tem como objetivos principais: promover ações em prol da qualidade de vida de animais domésticos e de rua por meio de palestras, seminários, mobilizações e outras atividades educativas; incentivar a adoção de animais abandonados; e divulgar os princípios da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A legislação também prevê a possibilidade de parcerias com a iniciativa privada, entidades civis e organizações não governamentais de proteção animal. Além disso, recomenda-se a decoração voluntária de prédios com luzes ou faixas douradas durante o mês, como forma simbólica de adesão à campanha.

A deputada Joana Darc destaca que o abandono de animais, além de ser um problema ético, representa risco à saúde pública.

“Além do sofrimento a que são submetidos, os animais abandonados podem transmitir zoonoses como raiva, esporotricose, leishmaniose, toxoplasmose e leptospirose. Também causam outros transtornos, como acidentes de trânsito, sujeira e ataques a pessoas”, afirmou.

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Ela ressalta ainda o potencial da campanha para ganhar projeção nacional, comparável a outras já consolidadas.

“O Julho Dourado já é um exemplo de sucesso no Paraná e, se for adotado por outros estados, pode ter a mesma relevância na saúde animal que o Outubro Rosa e o Novembro Azul têm na prevenção do câncer de mama e de próstata, respectivamente”, concluiu.

Comissão de Defesa do Consumidor apresenta balanço semestral com mais de mil audiências de conciliação

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Foto: Rodrigo Brelaz

A Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (CDC-Aleam), presidida pelo deputado Mário César Filho (UB), apresentou o balanço das atividades realizadas no primeiro semestre de 2025. Foram desenvolvidas ações que envolveram renegociação de dívidas, mediação de conflitos, fiscalizações em campo e campanhas educativas com foco na proteção do consumidor em todo o Estado.

“O balanço da CDC‑Aleam no primeiro semestre de 2025 foi bastante positivo, fruto do trabalho intenso em renegociação de dívidas, mediações e fiscalizações. Estamos confiantes e esperamos que o próximo semestre supere ainda mais esses resultados”, afirmou o presidente da CDC.

Operação Limpa Nome

De acordo com a CDC-Aleam, foram realizadas duas edições da “Operação Limpa Nome”, em Manaus, nos dias 24 e 25, e 26 e 27 de março de 2025, no auditório do Poder Legislativo, com estrutura de atendimento direto ao público e participação de concessionárias de água e energia.

Mais de mil audiências de conciliação foram realizadas no semestre, envolvendo empresas de telefonia, bancos, planos de saúde e concessionárias. Muitos casos foram resolvidos no mesmo dia, sem necessidade de judicialização, garantindo resposta rápida e efetiva à população.

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Durante o evento, centenas de consumidores renegociaram dívidas com descontos expressivos. No interior, a operação chegou aos municípios de Presidente Figueiredo e Iranduba, com resultados igualmente significativos.

A comissão ainda fiscalizou supermercados, farmácias, postos de combustíveis, lojas e agências bancárias. As operações resultaram em autuações, apreensão de produtos vencidos e notificações por práticas abusivas. No mês do consumidor, em março, essas ações foram ampliadas com a participação de órgãos parceiros e mobilização das equipes jurídicas da Aleam.

Festival de Parintins

Durante o Festival de Parintins, a CDC-Aleam esteve na ilha Tupinambarana, com ponto fixo de atendimento no Turistódromo. A equipe recebeu denúncias, prestou orientações jurídicas e distribuiu material educativo.

Questões envolvendo filas bancárias, transporte fluvial e acessibilidade foram acolhidas e encaminhadas aos órgãos competentes, reforçando o compromisso da comissão com o atendimento em campo.

O trabalho desenvolvido pela CDC-Aleam também recebeu reconhecimento da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM), que homenageou Mário César Filho por sua atuação à frente da comissão. A condecoração foi concedida pela Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem, em agradecimento aos serviços prestados ao Estado.

Foto: Leandro Cardoso/Gabinete do deputado Mário César Filho

Parcerias

A atuação da CDC-Aleam ainda se fortaleceu por meio de parcerias institucionais. As ações de conciliação, fiscalização e atendimento foram realizadas com o apoio do Instituto de Defesa do Consumidor do Amazonas (Procon-AM), do Instituto de Pesos e Medidas do Amazonas (Ipem-AM), da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Consumidor (Decon-AM), da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (Arsepam) e da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM).

“A nossa atuação só é possível porque a CDC está inserida numa rede de parceiros comprometidos com o mesmo propósito. Estar ao lado de órgãos como o Procon, o Ipem, a Decon, a Arsepam e a OAB fortalece e amplia o alcance do nosso trabalho. Isso faz com que a Comissão não apenas reaja aos problemas, mas atue de forma preventiva, presente, resolutiva e cada vez mais próxima da população”, afirmou o parlamentar.

Estudo aponta onde e com quais espécies reflorestar a Amazônia com base na ciência

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Na foto, sementes de Paricá, espécie promissora para reflorestamento, com rápido crescimento e bom rendimento na produção de madeira, é uma das indicações presentes no estudo. Foto: Ronaldo Rosa

Uma nova pesquisa publicada na revista científica internacional Forests traz avanços significativos para a gestão e soluções florestais sustentáveis na Amazônia brasileira. O estudo, liderado pela pesquisadora Lucieta Martorano, da Embrapa Amazônia Oriental (PA), utilizou uma metodologia de sua autoria, o zoneamento topoclimático, a qual permite mapear áreas e indicar as espécies nativas mais adequadas para a silvicultura e restauração florestal na região amazônica. A publicação na Forests foca em 12 espécies nativas de alto valor ecológico e econômico.

Realizado por pesquisadores da Embrapa, da Universidade Federal do Ceará (UFC) e de outras instituições, o trabalho revela que a silvicultura com espécies nativas influencia positivamente no combate às mudanças climáticas, além de promover geração de renda, recuperar a biodiversidade e fortalecer a resiliência das áreas frente a desastres naturais.

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As descobertas enfatizam a importância do zoneamento topoclimático como uma ferramenta para estratégias de conservação e uso sustentável. Os resultados estão alinhados à Lei de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do Brasil, abordagem capaz de incentivar práticas agroflorestais, melhorar a conservação da biodiversidade e fortalecer a bioeconomia amazônica.

A Dinízia excelsa, conhecida como Angelim-vermelho, é a espécie com maior eficiência topoclimática, segundo o estudo

Método é aplicável a qualquer bioma

A metodologia de zoneamento topoclimático visa subsidiar estratégias de conservação e uso sustentável de espécies florestais nativas, podendo ser aplicada a qualquer Bioma.

O estudo utilizou mais de 7,6 mil registros georreferenciados de espécies florestais nativas, como angelim-vermelho, ipê-amarelo, copaíba e mogno-brasileiro (veja a foto), e cruzou essas informações com dados climáticos, topográficos e geográficos coletados entre 1961 e 2022. A partir disso, os pesquisadores criaram mapas que mostram o grau de adequação ambiental (alto, médio ou baixo) de diferentes áreas da Amazônia para o plantio e manejo de cada espécie.

Ouriço e semente de mogno brasileiro. Foto: Ronaldo Rosa

A análise estatística, não hierárquica, gerou modelos e mapas que indicam áreas com alto, médio e baixo potencial topoclimático para o plantio e manejo de cada espécie.

“É uma metodologia de planejamento com enorme potencial para embasar políticas públicas voltadas à restauração florestal, bioeconomia e adaptação climática. É ciência aplicada ao território”, declara Martorano.

Entre os resultados, o estudo demonstra que espécies como o angelim-vermelho (Dinizia excelsa) apresentaram até 81% de alta aptidão topoclimática em áreas antropizadas (degradadas ou alteradas pelo homem), revelando um vasto potencial para restauração produtiva. Além disso, espécies com maior plasticidade ambiental, como o marupá (Simarouba amara), podem atuar como “coringas” em locais de menor adequação climática, desde que acompanhadas de manejo adaptativo.

Ranking das espécies da Amazônia com maior eficiência topoclimática para uso em projetos de restauração ou enriquecimento de áreas (Imagem gerada por iA)

Conectando biodiversidade, clima e economia

Mais do que apenas mapear onde plantar, o zoneamento permite alinhar e subsidiar políticas públicas aos compromissos internacionais do Brasil no Acordo de Paris, como o reflorestamento de milhões de hectares e o combate à perda de biodiversidade. A silvicultura de nativas, impulsionada por essa ferramenta, integra bioeconomia e clima, gerando oportunidades econômicas sustentáveis.

Essa abordagem possui forte aderência à Lei de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do Brasil, podendo ser a base para atrair fontes financiadoras e fomentar práticas agroflorestais e a silvicultura de nativas, como embasam os dados do estudo. A metodologia foca em espécies florestais e, somada a outros zoneamentos, tem a capacidade de melhorar a conservação da biodiversidade e fortalecer a bioeconomia amazônica, garantindo resiliência ecológica e desenvolvimento sustentável.

O estudo também abre portas para programas de recuperação de áreas nativas e o mercado de crédito de carbono. O pesquisador Silvio Brienza Junior da Embrapa Florestas (PR) e coautor do artigo, destaca que espécies bem adaptadas, identificadas pelo zoneamento, maximizam a oferta de serviços ambientais como sequestro de carbono, regulação hídrica e térmica, e preservação da biodiversidade.

“Quando o país identifica com precisão onde e como reflorestar, cria melhores condições para atrair investimentos climáticos internacionais”, complementa o cientista.

Os Sistemas Agloflorestais (SAFs) são formas de restauração produtiva, economicamente viáveis e com grande potencial para prestação de serviços ambientais (Imagem gerada por IA)

Amazônia no centro do debate global

Com a Conferência das Partes (COP 30) em Belém, em novembro deste ano, o Brasil ganha uma ferramenta robusta para mostrar que a ciência nacional pode liderar soluções climáticas globais. Os dados trazidos pelo artigo fortalecem a imagem da Amazônia não apenas como bioma ameaçado, mas como fonte de soluções concretas, baseadas na natureza e na inteligência territorial.

O modelo de zoneamento topoclimático poderá ser usado para direcionar recursos de restauração, orientar projetos financiados por fundos verdes e contribuir com as metas de neutralidade de carbono, conforme acordos globais.

Segundo os autores, o modelo de zoneamento pode ser ampliado para outras regiões e escalado com tecnologias como sensoriamento remoto e inteligência artificial. A proposta também estimula a conservação de espécies de alto valor econômico e ecológico, contribuindo para um reflorestamento inteligente — que combina restauração ambiental com geração de renda e inclusão social.

Paricá. Foto: Ronaldo Rosa

Publicação aberta e gratuita

O artigo ‘Topoclimatic Zoning in the Brazilian Amazon: Enhancing Sustainability and Resilience of Native Forests in the Face of Climate Change’ está disponível gratuitamente no site da revista Forests (MDPI).

Assinam o artigo:

  • Lucietta Guerreiro Martorano – Embrapa Amazônia Oriental (PA);
  • Silvio Brienza Júnior – Embrapa Florestas (PR);
  • José Reinaldo da Silva Cabral de Moraes – Sombrero Insurance (SP);
  • Werlleson Nascimento – Universidade de São Paulo (Esalq/USP);
  • Leila Sheila Silva Lisboa – Secretaria Municipal de Educação de Belém (PA);
  • Denison Lima Corrêa – Universidade do Estado do Pará (Uepa);
  • Thiago Martins Santos – Universidade Federal de Lavras (Ufla);
  • Rafael Fausto de Lima – Universidade Estadual Paulista (Unesp);
  • Kaio Ramon de Sousa Magalhães – Universidade Federal de Lavras (Ufla);
  • e Carlos Tadeu dos Santos Dias – Universidade de São Paulo (Esalq/USP), e Universidade Federal do Ceará (UFC).

Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) na Amazônia

O Pagamento por Serviços Ambientais é um instrumento que remunera produtores, comunidades e populações tradicionais por ações que conservam ou restauram os ecossistemas, gerando benefícios coletivos como água limpa, captura de carbono, biodiversidade e estabilidade climática.

Benefícios esperados: incentivo à restauração ecológica orientada; fortalecimento da bioeconomia da floresta; geração de renda por meio de projetos de mercado de carbono, conservação de água e biodiversidade; e apoio à resiliência climática em áreas antropizadas.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Da nascente à foz: descubra a história do britânico que percorreu toda a extensão do rio Amazonas

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Foto: Keith Ducatel/Reprodução

Em 2 de abril de 2008, o ex-capitão do Exército britânico Ed Stafford deu início à maior aventura de sua vida: se tornar o primeiro ser humano a percorrer, a pé, toda a extensão do rio Amazonas, da nascente à foz. O ponto de partida foi o monte Mismi, na costa do Pacífico do Peru.

Dali, Ed atravessaria a Cordilheira dos Andes até encontrar a nascente oficial do rio mais volumoso do planeta. E então, o desafio real começaria.

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Durante os 860 dias seguintes, quase dois anos e meio, o britânico enfrentou o calor implacável, chuvas torrenciais, infestações de insetos, ferimentos, fome, solidão e ameaças reais à sua vida.

No caminho, passou por territórios do Peru, Colômbia e Brasil. Enfrentou não apenas animais selvagens e doenças tropicais, mas também a desconfiança de comunidades indígenas. E, talvez mais difícil do que tudo, lidou com seus próprios medos e dúvidas.

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O britânico contou com a ajuda dos locais para desbravar o Rio Amazonas. Foto: Keith Ducatel/Reprodução

Mas a jornada de Stafford não foi solitária do início ao fim. Cinco meses após partir, ele conheceu Gadial Sanchez Rivera, também conhecido como Cho, um jovem peruano com experiência na selva. O que começou como um acordo temporário de guia, transformou-se em uma parceria duradoura.

Juntos, Ed e Cho caminharam cerca de 6.400 quilômetros. A jornada não foi apenas física, mas também de aprendizado. Stafford testemunhou a beleza intocada da floresta amazônica, mas também a face cruel da devastação: áreas de desmatamento avançado, queimadas, rios poluídos e comunidades indígenas pressionadas pela perda de seus habitats.

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Foto: Keith Ducatel/Reprodução

Leia também: Portal Amazônia responde: como o Rio Amazonas foi formado?

Relato

Em 2012, Stafford lançou o livro Walking the Amazon: 860 Days. One Step at a Time (Caminhando pela Amazônia: 860 Dias. Um Passo de Cada Vez). Em suas 319 páginas, ele narra com detalhes, os desafios, perigos e descobertas dessa travessia épica.

O livro logo se tornou referência mundial em histórias de aventura e exploração, destacando-se por seu realismo, intensidade emocional e reflexão ambiental.

Hoje, Ed Stafford é considerado um dos maiores exploradores contemporâneos. Virou apresentador de documentários e defensor da preservação ambiental.

Capa do livro de Ed Stafford. Foto: Reprodução

Luminárias são criadas a partir de pedaços de árvores encontrados em trilhas na Serra do Tepequém

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Luminária feita com raiz de uma árvore queimada. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Unir a paixão pela natureza com a arte. Esse tem sido o trabalho da guia de turismo e artista plástica Ana Karla Vieira Bastos, de 42 anos, que transforma partes de árvores recolhidas em trilhas em luminárias sustentáveis. As peças são feitas na Serra do Tepequém, a principal região turística de Roraima.

“É o que eu vivo, é a minha realidade, minha vida, minha fonte de renda, a única porque eu trabalho exclusivamente com o turismo e a arte atualmente. Hoje representa tudo na minha vida, é com amor que eu faço tudo isso”, afirmou a artista.

Localizada no município de Amajari, ao Norte do estado, a Serra do Tepequém é um dos lugares mais visitados por apresentar atrações como cachoeiras, um platô que chega a quase 1.022 m de altura e pelo clima ameno durante a noite, proporcionado pelas serras.

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A inspiração para transformar os pedaços de madeira em obras de arte surgiu depois que a guia turística começou a recolher os fragmentos de trilhas onde realiza excursões. A ideia, no início, era apenas manter os caminhos mais “limpos” e evitar que turistas se machucassem durante o percurso.

Enquanto usava uma plataforma de descoberta visual, Karla encontrou imagens de luminárias rústicas feitas em madeira. Os modelos despertaram na guia o desejo de produzir as próprias peças com o que era encontrado nas trilhas.

“Eu observei que tinham troncos que se desprendiam das árvores, caiam e poderiam machucar meus turistas. E aí eu fui tirando, fui fazendo várias coletas desses troncos e depois eu passando o Pinterest, eu fui olhando as luminárias rústicas e disse: ‘eu vou fazer então a luminária do Tepequém’ […] foi uma inspiração divina mesmo”, contou a artista em entrevista ao Grupo Rede Amazônica.

Ana Karla é guia de turismo e produz luminárias com pedaços de árvores encontrados em trilhas, em Roraima. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

As luminárias do Tepequém, como são chamadas, são feitas com o âmago da árvore — parte central do tronco — que se desprende da planta e cai no entorno dela, e até com raízes queimadas por incêndios florestais. As árvores não são cortadas, tudo é feito com o que a “natureza não quer mais”.

A confecção das peças é totalmente manual e dura, em média, 45 dias. Elas começaram a ser produzidas no início de 2024, com o apoio do arqueólogo Ednelson Pereira, na Casa dos Artistas em Tepequém.

A produção não envolve nenhuma alteração no formato original da madeira. Após serem recolhidos, os pedaços de madeira são higienizados e passam por um tratamento para prevenir o aparecimento de fungos e cupins.

Depois, as peças são pintadas com um verniz natural para manter a cor original da madeira. O último passo é a instalação da lâmpada amarela, também conhecida como luz quente. A ideia é aproximar a pessoa da floresta.

“Se você coloca [a luminária] num cantinho, assim, de um ambiente, o formato da árvore te remete à floresta. Então, é uma conexão, você fica zen mesmo, você relaxa com aquela luz, com aquele ambiente mais calmo. É essa sensação de relaxamento que ela causa, sabe?”, explicou Ana Karla.

Luminárias sustentáveis são feitas na Serra do Tepequém, ao Norte de Roraima. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

A comercialização das luminária também começou no ano passado e, desde então, mais de dez peças já foram vendidas. Os valores variam entre R$ 180 e R$ 1,5 mil, dependendo do tamanho e do tempo para a finalização da peça. “É uma peça única, exclusiva, ninguém vai ter outra peça igual a essa no mundo”, garantiu Ana Karla.

Recomeço

Natural de Fortaleza (CE), Ana Karla mora em Roraima há cerca de 20 anos. Em 2020, após enfrentar complicações da Covid-19, ela decidiu se mudar da capital Boa Vista para a Serra do Tepequém, buscando melhores condições de saúde com o contato com a natureza. Lá, ela iniciou a atuação como guia de turismo.

“Eu me mudei logo depois de um Covid grave, decidi morar na Serra e fazer meus exercícios respiratórios por lá, porque nós temos um oxigênio 100%. E aí veio a ideia de um amigo: ‘Karla, por que você não conduz? Nós temos poucas mulheres nessa área aqui no Tepequém’. E eu fui querer saber como que funcionava isso”, explicou a guia e artista plástica.

Com o incentivo do amigo, Karla começou a estudar a história da região e se formou como guia de turismo em 2024, por meio de um curso do Instituto Federal de Roraima (IFRR) que capacita moradores da Serra do Tepequém.

Luminárias e terrarios produzidos na Serra do Tepequém estão em exibição em Boa Vista. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

“Eu falo com paixão do Tepequém. Eu falo que o Tepequém é como um recomeço para mim. Eu me apaixonei pela fauna, pela flora, o barulho [do lugar]”, afirmou ela.

Hoje, Ana Karla se dedica exclusivamente a orientação turística e a produção de luminárias sustentáveis. De acordo com ela, o objetivo do trabalho é conscientizar as pessoas sobre a preservação da floresta.

Exposição

As obras estão em exposição no shopping do bairro Caçari, em Boa Vista, e podem ser vistas até o dia 31 de julho. Promovida por um grupo de artistas da Serra do Tepequém, a exposição busca valorizar as produções locais.

Além das luminárias, entre as obras expostas estão terrários, recipientes de vidro que abrigam diversos tipos de plantas. As peças também contém musgos e pedras encontradas na própria Serra do Tepequém, incluindo cristais.

*Por Yara Ramalho, da Rede Amazônica RR

Hanseníase: descoberta do Mycobacterium lepromatosis revisa história da doença nas Américas

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Foto: Cláudio Salgado.

Durante cinco séculos, acreditou-se que a hanseníase, popularmente conhecida por lepra, uma doença que afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, os olhos e as vias aéreas superiores, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, havia sido introduzida nas Américas pelos colonizadores europeus, pelos africanos tornados escravos e pelos indianos levados para as Guianas também como escravos.

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Um estudo publicado no volume 388, em maio passado, pela revista Science, no entanto, mostra que a história da hanseníase é bem diferente do que se acreditava: antes mesmo da chegada daquelas correntes migratórias, a hanseníase já estava presente nas Américas. A constatação deve-se à descoberta da presença de outra bactéria, o Mycobacterium lepromatosis, na ossada de indígenas pré-colombianos no Canadá e na Argentina. 

A descoberta foi realizada por pesquisadores da Universidade do Colorado e por cientistas de outras instituições com quem a universidade norte-americana tem parceria, como o Laboratório de Dermatologia e Imunologia da UFPA, coordenado pelo médico Claudio Guedes Salgado, professor titular do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA, que é um dos autores do artigo. 

O grupo de cientistas já sabia, desde 2008, da existência do Mycobacterium lepromatosis, mas não havia vestígio da sua presença até então. A descoberta recente em indígenas do Canadá e da Argentina é o diferencial que possibilitou afirmar a existência da hanseníase antes mesmo da chegada dos colonizadores e povos escravizados nas Américas.

Para o cientista Claudio Salgado, é muito provável que, para além do Canadá e da Argentina, o resto do continente também tenha registro da hanseníase causada pelo Mycobacterium lepromatosis, embora nas amostras estudadas no Laboratório de Dermatologia e Imunologia da UFPA ainda não tenha sido detectada a presença desta bactéria. 

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“O que se sabia, até então, é que a hanseníase era causada unicamente pela bactéria Mycobacterium leprae. A descoberta mudou a história da hanseníase. Interessa-nos saber, por exemplo, como conseguiram controlar o Mycobacterium leptomatosis? As pessoas foram isoladas? Não sabemos nada sobre os procedimentos adotados. O certo é que a bactéria desapareceu, sendo, então, substituída pelo Mycobacterium leprae”. Segundo Salgado, “é como estivéssemos olhando um telescópio focado para trás da história. Isto é uma coisa fascinante do ponto de vista da ciência, algo como olhar as estrelas para entender de onde viemos”. 

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Foto: Cláudio Salgado.

A descoberta insere o tratamento da hanseníase em uma nova dimensão.

“Estamos interessados em entender melhor como essa descoberta pode ajudar a tratar melhor os pacientes e as pessoas que poderão um dia ter a doença. Precisamos trazê-las para novos exames no laboratório para saber sobre a presença ou não dessa nova bactéria”, informa o pesquisador.

O exame para detecção do tipo de bactéria não era realizado porque os cientistas de todas as partes do mundo entendiam que o Mycobacterium leprae era a única bactéria causadora da hanseníase, com uma variação genética muito pequena. “Hoje, dispomos de técnicas moleculares, que não são complexas, tipo PCR [Reação em Cadeia da Polimerase, uma técnica laboratorial usada para amplificar regiões específicas do DNA], empregadas no diagnóstico da doença e identificação do tipo de bactéria”.

Cultivo in vitro 

Durante séculos, o mundo achava que só existia o Mycobacterium leprae como causador da hanseníase. Ela não teria mutações, ou seja, não teria gerado outras micobactérias. Uma das causas do pouco conhecimento sobre ela se deu pela dificuldade em cultivar o Mycobacterium lepra em laboratório.

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Foto: Cláudio Salgado.

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“Como a ciência não consegue cultivá-lo, estudou-se ele muito pouco”, ressalta o Dr. Claudio Salgado. 

O que os cientistas sabem da hanseníase vem da prática clínica e da imunologia, ciência que estuda o sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo contra agentes estranhos, como vírus, bactérias e outros patógenos.

Neste sentido, de acordo com o coordenador do Laboratório de Dermatologia e Imunologia da UFPA, a hanseníase tem uma variação muito interessante do ponto de vista clínico de um paciente para o outro – alguns conseguem controlar bem a doença, outros não – o que serviu como um modelo para a imunologia. 

“A gente estudou muito a imunologia desde a década de 1950, e a bactéria foi deixada de lado, porque não conseguíamos cultivá-la, diferentemente do que ocorre com o Mycobacterium tuberculosis, o bacilo de Koch, causador da tuberculose”.

A causa da dificuldade em cultivar o Mycobacterium leprae ocorreu porque ele perdeu alguns componentes do seu maquinário genético. O laboratório da UFPA, porém, está desenvolvendo pesquisa genética com o cultivo in vitro.

“Trata-se de outra linha de pesquisa nossa. A dificuldade se dá porque a Mycobacterium leprae é uma bactéria muito lenta, ou seja, mesmo que você coloque in vitro, ela demora muito tempo para se multiplicar. Segundo a literatura, leva entre 10 e 15 dias para se multiplicar. Veja, nós estamos falando de bactéria, um organismo com capacidade de se multiplicar muito rapidamente, por minutos, segundos, dependendo do tipo de bactéria”. 

Como se trata de uma bactéria lenta, ao penetrar no organismo humano pelo nariz (a única forma de transmissão é pelo ar), ela circula na corrente sanguínea, entra no nervo periférico e fica lá de maneira quase silenciosa, multiplicando-se. Uma vez que essa multiplicação é lenta, o organismo humano vai se adaptando, então, os sintomas demoram a aparecer.

Foto: Cláudio Salgado.

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“Os sintomas demoram a aparecer, perde-se um pouco de força, há uma alteração de sensibilidade. A pessoa atingida pela hanseníase tende a associar esses sintomas a outras causas, por exemplo, à idade. Quando os sintomas se manifestam mais intensamente, o diagnóstico é mais fácil de ser feito, mas, então, já estamos diante de um problema maior”, explica Claudio Salgado.  

A hanseníase é uma doença que causa manchas, caroços ou inchaços na pele, além de perda de pelos, especialmente nas sobrancelhas. Em casos mais avançados, podem surgir feridas na pele, mutilações e lesões mais graves nos nervos, levando à fraqueza muscular e a deformidades.

Anteriormente, o paciente era submetido a um tratamento impensável hoje, como a segregação, mesmo sem consentimento, em um leprosário, tal o que existiu na Colônia do Prata, em Marituba, onde está localizado o Laboratório e a Unidade de Referência Especializada (URE) Marcello Cândia.

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Claudio Salgado, porém, entende que o isolamento continua até hoje: “Atualmente, quando há o diagnóstico, as pessoas se afastam do convívio da pessoa doente, ela fica solitária, muitas vezes perde o emprego, são coisas que ocorrem com frequência, mas que não deveriam acontecer. Quando alguém é diagnosticado com a doença, as pessoas mais próximas precisam ser submetidas ao exame de contato para saber se também estão ou não doentes”. 

O médico da UFPA alerta, ainda, para a necessidade de o pessoal especializado em hanseníase ter expertise suficiente para identificar a doença em sua forma mais precoce, antes de chegar àquele quadro mais evidente de perda de movimento e de partes do corpo.

“Precisamos identificar e tratar essas pessoas. A Biologia Molecular, uma área que envolve a genética e a bioquímica e auxilia a entender a vida em nível molecular, é a nossa grande aliada atualmente”, afirma.

A equipe liderada pelo Dr. Claudio Salgado faz visita aos pacientes em suas residências, em que colhe material e os examina regularmente.

Laboratório de Dermatologia e Imunologia

O Laboratório de Dermatologia e Imunologia da UFPA, especializado em tratamento da hanseníase, foi fundado em 2001, dentro da Ex-Colônia do Prata, em Marituba, no estado do Pará, com a finalidade de dar suporte de pesquisa à Unidade de Referência em Dermatologia Sanitária “Dr. Marcello Cândia”, mantido pela Secretaria de Saúde do Estado, em parceria com a Sociedade Pobres Servos da Divina Providência, entidade católica proprietária do prédio. 

Foto: Cláudio Salgado.

“Eu passava o dia inteiro lá, fazendo atendimento, inclusive almoçava com os padres da Sociedade. Um dia, eu falei que precisava fazer pesquisa e os irmãos disseram que havia uma casa ali perto, onde funcionou o antigo Marcello Cândia. Naquela época, eu havia submetido um projeto de pesquisa a um edital da Secretaria de Ciência e Tecnologia, do governo do estado. Então, perguntei ao diretor da Sociedade que, se meu projeto fosse aprovado, a Sociedade reformaria a casa. Ele respondeu que sim. E, de fato, ganhei o edital, eles cumpriram a promessa, a casa foi reformada e virou o laboratório no qual estamos há 24 anos”, conta o médico Claudio Guedes Salgado, que havia regressado do doutorado no Japão, em 1999, quando recebeu convite feito pelo então diretor do Marcello Cândia, Dr. Paulo Mendonça, para trabalhar no atendimento de pacientes com hanseníase naquela unidade.  

Já em 2002, após o médico ser aprovado em concurso para a UFPA, o dinheiro do projeto repassado pela Sectam foi empregado na montagem do Laboratório, no qual trabalhou nos cinco primeiros anos mediante convênio entre UFPA, UEPA, Sociedade e Sespa.

Ao final do convênio, o trabalho não parou. Atualmente, a equipe de pesquisadores do laboratório é formada por Claudio Salgado; pelos biólogos e professores efetivos da UFPA Patrícia Fagundes da Costa e Moisés Silva; pelo fisioterapeuta Josafá Barreto, da UFPA-Campus Castanhal; pelo médico Pablo Pinto, do Instituto de Ciências Médicas; e pela professora substituta Raquel Bouth. Nestes 24 anos de existência, o Laboratório de Dermatologia e Imunologia da UFPA formou mais de 20 mestres e mais de 10 doutores. 

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Atualmente, o professor Claudio Salgado faz parte do Comitê Ciências Biológicas II da Capes e foi recentemente eleito conselheiro da International Leprosy Association (ILA) para as Américas. Ele diz que o Laboratório de Dermatologia e Imunologia possui bons equipamentos e que tem, pela frente, um enorme campo aberto para pesquisas, sendo uma referência em pesquisas sobre hanseníase no Brasil.

Os estudos que estão sendo realizados sobre o Mycobacterium leprae contam com as parcerias de outros importantes laboratórios, como o Instituto Pasteur e a Universidade do Colorado, no exterior, o Departamento de Dermatologia da USP Ribeirão Preto e o Instituto Lauro de Souza Lima, em São Paulo, além do Laboratório de Genética Humana e Médica, do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Universidade Federal do Pará, escrito por Walter Pinto e com fotos de Cláudio Salgado

13 festivais imperdíveis para conhecer a cultura amazônica

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Festa do Guaraná em Maués. Foto: Fernando Cavalcanti/Ambev Brasil

A cultura amazônica é vasta e, apesar de ter influências de outros locais, consegue adaptá-la à sua realidade. Um exemplo disso é o volume de festivais que acontecem na região. Eles celebram características locais, colheitas, animais, manifestações típicas, entre tantas outras.

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Existem muitos festivais populares internacionalmente, como o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, mas muitos outros festivais regionais revelam a grandiosidade do território amazônida. Confira alguns deles realizados no Pará e no Amazonas:

Festival Encontro das Águas – Porto de Moz (PA)

O Festival Encontro das Águas começou em julho de 2019 em Porto de Moz, no Oeste do Pará, e às margens do Rio Xingu. O evento encena o duelo entre a onça-pintada e o jacaré-açu, expressão das heranças culturais indígenas.

É realizado em julho e o evento é dividido entre os grupos que levam os nomes dos rios: Xingu e Amazonas. Cada um possui mais de 1.200 integrantes, que trabalham ao longo do ano na criação das alegorias e demais elementos ornamentais que compõem as apresentações do festival.

O “Encontro das Águas” leva ao público lendas da região através da dança, da música e da arte, dando ao público uma oportunidade para quem quer aproveitar as praias do município, apreciar a boa gastronomia e testemunhar o duelo que simboliza a beleza e a força da Amazônia paraense.

Festival Encontro das Águas. Foto: Reprodução/Equatorial Energia

Festival do Camarão – Afuá (PA) 

Veneza Marajoara, como é conhecido o município paraense de Afuá, distante aproximadamente 2 horas de lancha de Macapá (AP), realiza o Festival do Camarão há 40 anos. É realizado no fim de julho, na Quadra de Esportes Dr. Nelson Salomão, conhecida como ‘Camaródromo’.

O Festival marca uma tradição na ilha que tem como suas principais características a fartura de camarão, açaí e o seu meio de transporte: as bicicletas. Inclusive a festa começa com uma ‘biciata’ e conta com diversas atrações musicais.

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Festival do Camarão. Foto: Reprodução/Prefeitura de Afuá

Festival dos Botos – Alter do Chão e Santarém (PA)

O Festival dos Botos, realizado em Alter do Chão (PA), é uma manifestação cultural emblemática da Amazônia. A festa reúne tradição, lendas regionais e consciência ambiental, atraindo visitantes do Brasil e do mundo para a vila conhecida por suas belezas naturais e sua rica herança cultural.

Inspirado nas lendas do boto cor-de-rosa — criatura mítica que, segundo a tradição, transforma-se em um jovem sedutor durante as noites de festa —, o evento resgata narrativas que há gerações povoam o imaginário das comunidades ribeirinhas. A festividade, que teve início como uma celebração simples entre pescadores, hoje envolve apresentações folclóricas, danças, música e encenações teatrais que exaltam a conexão entre os povos da floresta e os rios amazônicos.

Geralmente realizado em setembro, o Festival é palco de disputa entre duas agremiações principais, que representam os botos rosa e tucuxi, e que encenam com criatividade e emoção as histórias do boto e sua relação com os humanos. A celebração destaca a importância da preservação dos rios e da fauna aquática, reforçando mensagens de sustentabilidade e respeito à natureza.

Além de promover a cultura local, o festival impulsiona o turismo em Alter do Chão, contribuindo para o fortalecimento da economia ribeirinha. A iniciativa conta com apoio de autoridades locais e organizações culturais, reafirmando seu papel como um dos eventos mais importantes do calendário amazônico.

Botos Rosa e Tucuxi se enfrentam no festival. Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

Festribal – Juruti (PA)

O Festribal de Juruti (PA) nasceu como uma ramificação do Festival Folclórico de Juruti. A celebração apresentava cordões de pássaros, quadrilhas, bumba-meu-boi e carimbó. Em 1993, surgiu uma dança com coreografia indígena de nome ‘Tribo Munduruku’.

Como não havia essa categoria no festival, no ano seguinte foi criado um outro grupo intitulado ‘Tribo Muirapinima’ para concorrer com os Munduruku. A primeira disputa entre as duas tribos ocorreu em 1995.

Saiba mais: Festribal: conheça festa que marca a disputa entre as tribos Munduruku e Muirapinima no Pará

O palco das apresentações do Festribal é o Tribódromo, arena onde as tribos se apresentam. No espaço, as tribos Muirapinima (vermelho e azul) e Munduruku (vermelho e amarelo) se enfrentam pela conquista de mais um título.

Festribal, no Pará. Foto: Divulgação/Agência Pará

Festival cultural dos Povos Indígenas do Alto Rio Negro (Festribal) – São Gabriel da Cachoeira (AM)

O Festribal amazonense celebra a diversidade dos povos indígenas no estado. O evento, criado em 1998, exalta a diversidade étnica indígena dos povos pertencentes à região, conhecida como ‘Cabeça do Cachorro’. Considerado a maior manifestação cultural dos povos originários da floresta, o Festival Cultural dos Povos Indígenas do Alto Rio Negro (Festribal) recebe milhares de interessados em conhecer as lendas e tradições da festividade amazônica, no município de São Gabriel da Cachoeira.

As Associações Culturais Tribo Tukano, Baré e Filhos do Rio Negro são responsáveis pelo espetáculo. Durante os dias da festa, representantes das três associações se vestem com suas cores que retratam a história e a cultura dos povos originários do Noroeste do Amazonas.

Além das apresentações culturais, o festival traz na programação atrações musicais regionais e nacionais, feira de artesanato e gastronomia.

Saiba mais: Festribal, o festival que celebra a diversidade dos povos indígenas no Amazonas

Festribal, no Amazonas. Foto: Marlon Albuquerque/Amazonastur

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Festa do Guaraná – Maués (AM)

A programação da Festa do Guaraná em Maués (AM) começa geralmente em uma quinta e termina em um sábado, em dezembro, e conta com shows musicais, danças e a escolha da Rainha do Guaraná. As atrações musicais são geralmente locais e ainda artistas reconhecidos nacionalmente.

A Festa é realizada anualmente para celebrar o ciclo de produção do fruto, que tem enorme importância econômica e cultural para o município. O cenário do evento é o cartão postal da cidade: a extensão de praia da Ponta da Maresia, na orla do município.

Festa do Guaraná em Maués. Foto: Fernando Cavalcanti/Ambev Brasil

Festival de Cirandas – Manacapuru (AM)

Realizado anualmente em Manacapuru (AM), o Festival de Cirandas é uma das maiores manifestações culturais do Amazonas. O evento acontece tradicionalmente no último fim de semana de agosto, no Parque do Ingá, reunindo milhares de pessoas em torno da tradição folclórica das cirandas — forma de dança e música típica da região amazônica.

Três agremiações participam da disputa: Flor Matizada, Guerreiros Mura e Tradicional. Em apresentações marcadas por cores, coreografias e ritmos contagiantes, os grupos competem entre si com enredos e encenações que valorizam elementos culturais, lendas e costumes da Amazônia.

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Além de movimentar o turismo local, o Festival de Cirandas reforça a identidade cultural da cidade e destaca a importância da preservação das tradições populares.

Festival de Cirandas. Foto: Marcio James/Secretaria de Cultura e Economia Criativa AM

Festival internacional das tribos do alto solimões – Festisol – Tabatinga (AM) 

Entre o fim do mês de novembro e o início de dezembro, a cidade de Tabatinga (AM), realiza o Festival Internacional de Tribos do Alto Solimões (Festisol). O evento, que se consolidou como uma das principais celebrações culturais do município, destaca as tradições indígenas locais por meio de uma disputa simbólica entre duas representações tribais: a Onça Preta, que representa o povo Ticuna, e a Onça Pintada, que simboliza os Omágua.

Durante os quatro dias de programação, o público acompanha encenações teatrais, danças e músicas tradicionais das etnias, além de apresentações que retratam mitos, lendas e valores dos povos originários da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. O festival também conta com shows de artistas locais e nacionais.

Com forte presença das comunidades indígenas, o evento também contribui para o fortalecimento da identidade cultural da região e para a difusão de saberes tradicionais.

Festisol. Foto: Reprodução/2.ª Vara da Comarca de Tabatinga 

Eco-festival do Peixe-boi – Novo Airão (AM)

Realizado anualmente no último fim de semana de outubro, o Eco-Festival do Peixe-Boi movimenta o município de Novo Airão (AM) com uma programação que une cultura popular e conscientização ambiental. Conhecido também como Festival do Peixe-Boi, o evento homenageia o peixe-boi amazônico — espécie ameaçada de extinção — e reforça a importância da preservação da biodiversidade local.

A festa conta com apresentações temáticas de duas agremiações folclóricas: Peixe-Boi Anavilhanas e Peixe-Boi Jaú, que representam, respectivamente, a Estação Ecológica de Anavilhanas e o Parque Nacional do Jaú, duas das mais importantes reservas ecológicas da região. Por meio de danças, músicas e encenações, as agremiações disputam a preferência do público e jurados, promovendo a valorização da fauna e da flora amazônicas.

Além de seu caráter festivo, o festival tem forte apelo educativo e ambiental. A programação inclui oficinas, palestras e ações de sensibilização sobre conservação de espécies e práticas sustentáveis, envolvendo escolas, instituições ambientais e moradores da cidade.

Reconhecido como o maior evento ecológico do Amazonas, o Eco-Festival do Peixe-Boi foi declarado patrimônio cultural do estado pela Assembleia Legislativa do Amazonas. A celebração atrai turistas, pesquisadores e defensores do meio ambiente, transformando Novo Airão em um polo de difusão da cultura tradicional amazônica aliada à luta pela preservação da natureza.

Eco-festival do Peixe-boi. Foto: Reprodução/Prefeitura de Novo Airão

Festival do Peixe Ornamental – Barcelos (AM)

Ainda no Amazonas, outro festejo importante é o Festival do Peixe Ornamental de Barcelos (Fespob), que acontece no primeiro bimestre do ano na Arena Piabódromo. O evento celebra a cultura e a identidade do povo barcelense, com destaque para as apresentações culturais dos peixes ornamentais Acará-disco e Cardinal. 

O festival é uma festa popular que movimenta a economia local e atrai turistas, sendo considerado um importante evento para a região. Além da competição entre as agremiações, o festival conta com a participação de artesãos indígenas, shows musicais e outras atividades culturais.

Festival do Peixe Ornamental. Foto: Reprodução/Instagram-fespob

Festival Folclórico do Amazonas – Manaus (AM)

O Festival Folclórico do Amazonas, realizado em Manaus, é um dos mais tradicionais eventos culturais do estado. Ocorre anualmente, geralmente entre junho e julho, reunindo apresentações folclóricas de grupos da capital e do interior. O festival celebra a cultura popular por meio de danças típicas, como o boi-bumbá, cirandas, quadrilhas, cacetinho, tribos indígenas, entre outras manifestações.

O evento acontece tradicionalmente há anos no Centro Cultural dos Povos da Amazônia e reúne dezenas de grupos folclóricos que competem em diferentes categorias, com músicas, coreografias e fantasias elaboradas. O objetivo principal do festival é valorizar as tradições do povo amazonense, promovendo a diversidade cultural, a identidade regional e o intercâmbio entre comunidades.

Além da competição, o festival movimenta o turismo local e fortalece a economia criativa, atraindo milhares de visitantes e moradores.

Festival Folclórico do Amazonas. Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa AM

Festival dos Botos – Maraã (AM)

Conhecido como ‘Princesinha Japurá’, o município de Maraã está localizado a 634 km de Manaus e se destaca pela realização do Festival dos Botos de Maraã, que acontece sempre no final do mês de Julho, levando para o remanso os Botos Tucuxi e Vermelho.

O festival teve sua primeira edição em 2006 e se tornou um importante chamativo turístico para que as pessoas conheçam as praias típicas da região que surgem com a chegada do verão e o início de seca dos rios, que inicia normalmente em julho.

Festival do Cará-roxo e Cará-branco – Caapiranga (AM) 

O Festival do Cará-roxo e Cará-branco, também conhecido como Festival dos Carás, é um evento cultural anual que acontece em Caapiranga (AM) no início de setembro. O festival celebra a cultura local e a produção agrícola, especialmente o cará-roxo e o cará-branco, com apresentações culturais e exposição de produtos regionais. 

O festival é uma manifestação da cultura popular e valoriza os produtores locais, além de fortalecer a identidade do município. O evento conta com a participação dos grupos Cará-Roxo e Cará-Branco, que representam a rivalidade cultural, mas também a união da comunidade. O festival também movimenta a economia local e impulsiona o turismo na região. 

Festival dos Carás. Foto: Reprodução/Instagram-euamo_caapiranga