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O que fazer no São João do Parque Anauá 2025? Veja a programação completa

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Foto: Divulgação/Arquivo Secom RR

São João no Parque Anauá 2025 começou! Até o dia 27 de julho, o Parque Anauá, na Zona Norte de Boa Vista, em Roraima, vai ser o palco das festas juninas com mais de 60 atrações locais e 10 shows musicais de artistas nacionais.

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A estrutura do São João 2025, de acordo com o Governo do Estado, conta com dois palcos: o principal e o cultural. Além disso, há ainda uma arena junina, 180 barracas da economia criativa, área gastronômica e ainda espaço para crianças.

E é claro que não poderia faltar um espaço dedicado para competições entre as 28 quadrilhas juninas que fazem parte do evento este ano.

Não quer perder nada do evento? Então confira a programação completa de cada área:

Palco principal

1ª noite – terça (22)

  • 19h – Bicho de Pé
  • 20h – Ellô Machado
  • 21h – Edvan Santtini
  • 22h – Israel & Rodolffo
  • 00h – Vandah Guedes
  • 01h – Emilly Oliveira
  • 02h – Remela de Gato
  • Intervalos – DJ Larissa Meraki

2ª noite – quarta (23)

  • 19h – Neto Andrade
  • 20h – George Henrique & Rodrigo
  • 22h – Manim Vaqueiro
  • 00h – Zé Vaqueiro
  • 01h30 – Nadine Leal
  • 02h30 – Forró du Poder
  • Intervalos – DJ Larissa Meraki

3ª noite – quinta (24)

  • 19h Pegada Quente
  • 20h Forró do Patrão
  • 21h Brisiane
  • 22h – Thullio Milionário
  • 23h30 Xote de Buteco
  • 00h30 Ellen Ferreira
  • 01h30 Caribe Show
  • 02h30 Forrozão Sacolejo

4ª noite – sexta (25)

  • 19h – Euterpe (Canta Antônio Barros e Cecéu)
  • 20h – Illu e Banda
  • 21h – Fábio Hécules
  • 22h – Lucas Lucco
  • 00h – Xote Bruto
  • 01h – Forró Stikado
  • 02h – Assunssenna Lima
  • 03h – Suvaco de Cobra
  • Intervalos – DJ Chica Loca

5ª noite – sábado (26)

  • 18h – Giulia Amaral
  • 19h – Chicão e Banda
  • 20h – Sarah Franco
  • 21h – N’abalada
  • 22h – Anne Louise
  • 23h30 – Companhia Calypso
  • 01h – Renato Poeske
  • 02h – Paçoquinha de Normandia
  • Intervalos – DJ Chica Loca

6ª noite – domingo (27)

  • 18h – Leandro Camargo
  • 19h – Japa e Banda
  • 20h – Walker Tavares
  • 21h – Jonas Esticado
  • 23h30 – Guilherme & Benuto
  • 23h30 – Jefferson Moraes
  • Intervalos DJ Chica Loca

Palco anarriê

1ª noite – terça (22)

  • 18h – Laudicéia Moreira
  • 19h – Haynara Araújo
  • 20h – Estevão Alves
  • 21h – Alef Mendes

2ª noite – quarta (23)

  • 19h – John Mayson
  • 20h – Reinaldo Barroso
  • 21h – Nadine Leal

3ª noite – quinta (24)

  • 19h – George Farias
  • 20h – Sergio Barros
  • 21h – Felipe Cardoso
  • 22h – Renato Braga

4ª noite – sexta (25)

  • 19h – Marlon Nicolas
  • 20h – Banda Guy-Bras
  • 21h – Carlinha Show
  • 22h – Angélica Rius

5ª noite – sábado (26)

  • 19h – Grupo Síntese
  • 20h – Grupo Encontro das Raças
  • 21h – Grupo Folclórico Tribo Waiká
  • 22h – Grupo Dekameron

6ª noite – domingo (27)

  • 19h – Leka Denz
  • 20h – Forrozin Bom Demais
  • 21h – Mateus Alves

Área infantil

1ª noite – terça (22)

  • 18h – Locômbia
  • 19h – Grupo Criart

2ª noite – quarta (23)

  • 18h – Léo Malabarista
  • 19h – Grampinho
  • 19h – Farofinha

3ª noite – quinta (24)

  • 18h – Léo Malabarista
  • 19h – Grupo Criart

4ª noite – sexta (25)

  • 18h – Xuxu e CIA
  • 19h – Grupo Imaginarte

5ª noite – sábado (26)

  • 18h – Farofinha
  • 19h – Locômbia

6ª noite – domingo (27)

  • 18h Grampinho
  • 19h Xuxu e CIA
  • 19h Imaginarte

Arena junina

1ª noite – terça (22)

  • 18h30 – Banda Marcial do Colégio Rittler de Lucena
  • 19h – Abertura
  • 19h20 – Quadrilha do Centro Integrado de Atenção à Pessoa com Deficiência
  • 19h40 – Disputa de Grupos

2ª noite – quarta (23)

  • 18h30 – Quadrilha do Centro de Referência da Pessoa Idosa
  • 19h – Quadrilha Xameguinho
  • 19h30 – Disputa de Grupos

3ª noite – quinta (24)

  • 19h – Disputa de Grupos

4ª noite – sexta (25)

  • 18h30 – Apresentação da Quadrilha Kids
  • 19h – Disputa do Grupos

5ª noite – sábado (26)

  • 18h30 – Apresentação da Quadrilha Criança Caipira
  • 19h – Apresentação da Quadrilha Forrozinho
  • 19h30 – Apresentação da Quadrilha Castelo Junino
  • 20h – Disputa do Grupos

6ª noite – domingo (27)

  • 18h30 – Apresentação da Quadrilha Os Amostradinhos
  • 19h – Apresentação da Quadrilha Coraçãozinho
  • 19h30 – Apresentação da Cia de dança IAMV
  • 19h45 – Apresentação do Grupo Dança sem Fronteiras
  • 20h – Entrega das premiações do concurso de quadrilhas juninas
  • 20h30 – Apresentação da Quadrilha campeã do Grupo Emergente
  • 21h – Apresentação da Quadrilha campeã do Grupo de Acesso
  • 21h30 – Apresentação da Quadrilha campeã do Grupo Especial
  • 22h – Apresentação da Quadrilha Cômica Tá Boa Caipira

Arraial do Anauá 2025

O projeto Arraial do Anauá 2025, realizado pela Rede Amazônica Roraima, com apoio do Governo do Estado de Roraima, tem como objetivo promover a cultura e tradição junina da região com diversas ações pensadas em todos os públicos.

Estudo pioneiro mapeia regiões com alto potencial para tecnologias de carbono no Brasil

Imagem: Divulgação

Um estudo geoespacial inédito acaba de ser apresentado ao Ministério de Minas e Energia, reunindo dados de emissões, infraestrutura e geologia para identificar o potencial de implantação de tecnologias de captura, uso e armazenamento de carbono no Brasil.

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O relatório é um dos principais produtos do projeto de pesquisa Percepção Social e Diplomacia Científica nas Transições Tecnológicas para uma Sociedade de Baixo Carbono, desenvolvido no escopo do programa Advocacy do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), sediado na USP.

Estudo pioneiro mapeia regiões com alto potencial para tecnologias de carbono no Brasil
Pesquisa avalia impacto das mudanças climáticas na mortalidade de árvores e emissão de carbono. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

Metodologia inovadora

O estudo propõe uma abordagem inovadora ao integrar dados geoespaciais sobre emissões industriais, produção de biocombustíveis, infraestrutura de transporte e capacidade geológica marinha de armazenamento de carbono, resultando em um verdadeiro atlas das oportunidades para a descarbonização no Brasil. Embora o foco principal esteja na viabilidade técnica e territorial, a análise foi concebida dentro de um projeto mais amplo sobre percepção social, oferecendo uma base concreta para futuras avaliações sobre a aceitação das tecnologias nos territórios.

Segundo Karen Mascarenhas, professora que coordenou o projeto. Identificar as regiões com maior potencial técnico é um ponto de partida essencial para o desenvolvimento de políticas públicas mais integradas, que levem em conta os aspectos técnicos, ambientais e sociais de cada local. “O caminho para uma economia de baixo carbono passa pela ciência, sim, mas também pela confiança, legitimidade e envolvimento das pessoas nos territórios onde essas transformações vão acontecer”, afirma.

Locais prioritários

Estudo pioneiro mapeia regiões com alto potencial para tecnologias de carbono. Foto: Divulgação

Segundo a pesquisadora Drielli Peyerl, a partir da sobreposição de dados realizada com a plataforma QGIS, o relatório identifica locais onde tecnologias como CCS (captura e armazenamento de carbono) e BECCUS (bioenergia com captura, uso e armazenamento) são não apenas tecnicamente viáveis, mas estrategicamente alinhadas à infraestrutura existente e às dinâmicas produtivas locais. “O estudo mapeia diversos locais com esse perfil, destacando, entre eles, alguns exemplos emblemáticos que ilustram o potencial de aplicação das tecnologias em diferentes contextos regionais”, afirma.

Entre os destaques para o CCS estão Serra (ES), com forte emissão da indústria siderúrgica; São Gonçalo do Amarante (CE), onde se concentram siderúrgicas e termelétricas a carvão e gás natural; e Manaus (AM), cuja principal fonte de emissão são as termelétricas movidas a gás – todas localizadas em regiões com condições geológicas ou logísticas favoráveis à implantação da tecnologia, mas de muita discussão por estarem inseridas em áreas de alta importância ambiental estratégica. No caso do BECCUS, sobressaem Uberaba (MG), polo da bioenergia com emissões de CO₂ de alta pureza, e um cluster de municípios em Mato Grosso, com produção expressiva de etanol, biodiesel e biometano.

Potencial de estocagem

O relatório aponta que as regiões com maior potencial de armazenamento geológico de CO₂ no Brasil estão localizadas em bacias sedimentares marinhas, especialmente nos litorais do Espírito Santo, Ceará e Rio Grande do Norte, onde seria possível estocar entre 167 e 372 megatoneladas (Mt) de carbono. Essas áreas se beneficiam de infraestrutura já instalada pela indústria de petróleo e gás, além de amplo conhecimento sobre suas formações geológicas, o que reduz riscos e custos.

Também foram identificadas bacias com capacidade intermediária de estocagem — entre 32 e 167 Mt — em partes do Sudeste, Nordeste e na Amazônia. A escolha dos territórios prioritários considerou não apenas o potencial geológico, mas também a proximidade com polos emissores e a presença de infraestrutura logística, como gasodutos e ferrovias.

Contribuições para os ODS 

As tecnologias CCS e BECCUS contribuem diretamente para o ODS 13 (Ação Climática), ao reduzir as emissões de gases de efeito estufa. No entanto, o relatório também alerta para riscos e impactos que podem comprometer outros Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. O armazenamento geológico offshore, por exemplo, pode representar riscos ao ODS 14 (Vida na Água), em caso de vazamentos, e a alta demanda hídrica de alguns processos pressiona o ODS 6 (Água Potável e Saneamento). Esses possíveis efeitos colaterais reforçam que tais tecnologias devem ser aplicadas com cautela, mediante avaliação técnica e ambiental caso a caso.

Oportunidades e desafios

O relatório reconhece o alto potencial técnico do Brasil para implementar projetos de CCS e BECCUS, especialmente em setores como siderurgia, cimento, refino de petróleo e bioenergia. Entre os principais benefícios apontados estão a redução das emissões de CO₂, a criação de empregos e o papel estratégico dessas tecnologias para descarbonizar processos industriais.

Estudo pioneiro mapeia regiões com alto potencial para tecnologias de carbono. Foto: Divulgação

Por outro lado, o documento também apresenta entraves à adoção em larga escala, como o alto custo das tecnologias, a dificuldade no monitoramento do carbono armazenado e a lentidão na transição da pesquisa para projetos-piloto. Adicionalmente, há lacunas regulatórias, ausência de incentivos e o risco de rejeição social por desconhecimento ou desconfiança.

Entre as recomendações, estão a criação de normas técnicas claras sobre a responsabilidade pelo carbono armazenado, o estímulo a projetos-piloto em regiões com alto potencial geológico e produtivo, a implementação de mecanismos de monitoramento contínuo com protocolos auditáveis e o fortalecimento das estratégias de engajamento social.

A pesquisadora Drielli Peyerl enfatiza: “Este relatório representa um importante primeiro passo na construção de uma metodologia rigorosa e precisa para identificar indicadores-chave e polos de captura de carbono no Brasil. A abordagem vai além da tecnologia ao integrar os pilares do desenvolvimento sustentável (econômico, social e ambiental). Esperamos que este relatório e sua metodologia sirvam como fonte de inspiração para futuros aprimoramentos, atualizações e a inclusão de indicadores adicionais, contribuindo de forma substantiva para o avanço dos esforços de descarbonização do Brasil.”

*Com informações do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI)

Poeira do Saara cruzou 5 mil km até a Amazônia e ajuda a repor minerais perdidos em queimadas, dizem pesquisadores

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Torre ATTO. Foto: Divulgação/Acervo Ascom Inpa

Amazônia recebeu poeira do deserto do Saara que percorreu mais de 5 mil quilômetros, transportando minerais essenciais como ferro e fósforo, nutrientes escassos nos solos da região e fundamentais para repor os perdidos durante as queimadas, conforme explicaram pesquisadores.

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As partículas foram observadas na área de São Sebastião do Uatumã, no interior do Amazonas, e registradas pelo Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO), que possui uma estação de pesquisa equipada com sensores que monitoram a composição do ar 24 horas por dia.

Poeira foi identifica por torre de pesquisa na Amazônia — Foto: Divulgação

Entre janeiro e março de 2025, a torre de 325 metros registrou três episódios com partículas de poeira na atmosfera da floresta. Os especialistas envolvidos no estudo explicaram que essa poeira africana traz minerais como fósforo, potássio e cálcio, que ajudam a manter a produtividade da floresta amazônica, repor especialmente os minerais perdidos nas queimadas.

“Há pouco fósforo, por exemplo, aqui na região. E é essencial, o que limita o funcionamento da floresta. E uma certa quantidade de fósforo entra nesses eventos, do Saara ou das queimadas. Sempre traz um pouco de nutrição. Mas a quantidade é pequena, então funciona mais para manter”, relatou o coordenador da pesquisa e doutor em Ecologia Florestal Alberto Quesada.

O fenômeno foi registrado em três datas distintas neste ano, mas o pesquisador Rafael Valiati destacou que, embora possa afetar a qualidade do ar, a quantidade observada não causa impacto negativo à população local, diferente do que ocorre na Europa. Além disso, o fato de ter ocorrido três vezes em 2025 não indica uma intensificação do fenômeno.

Leia também: Poeira do deserto do Saara chega até a Amazônia; entenda como

Estrutura fica localizada em São Sebastião do Uatumã — Foto: Divulgação

“A chegada dos aerossóis com origem no Saara até a Amazônia depende de muitos fatores, desde a quantidade de poeira emitida lá no deserto, os padrões dos ventos predominantes, e a quantidade de precipitação. A Zona de Convergência Intertropical favorece o transporte do Saara para a Amazônia apenas no início do ano”, explicou Valiati.

Alberto Quesada também avalia que, embora na ciência tudo seja relativo, essa poeira pode indicar mudanças climáticas em curso desde o início da década. “Essa evidência, no caso da poeira encontrada pela Torre ATTO, acho que é a primeira vez que vemos isso, indica uma realidade que estamos vendo. Às vezes, é difícil para a ciência dizer que isso já é resultado das mudanças climáticas”, disse o coordenador da pesquisa.

Os pesquisadores reforçam que as partículas não são prejudiciais à saúde respiratória da população amazonense. “O ar é muito fino, não funciona com poluição atmosférica”, concluiu Quesada.

Entenda o fenômeno

Poeira do Saara cruzou 5 mil km até a Amazônia
Poeira do Saara cruzou 5 mil km até a Amazônia. Foto: Reprodução/ NASA
  • A poeira viaja entre 2 km e 5 km de altitude, levada por ventos fortes e secos que atuam sobre o Saara.
  • Ela cruza o Atlântico quando a chamada Zona de Convergência Intertropical está mais ao sul — o que costuma ocorrer no verão do hemisfério sul.
  • O tempo de transporte das partículas depende da velocidade dos ventos, mas pode levar entre 7 e 14 dias.

No transporte intercontinental, a poeira do Saara é levada por correntes de ar na troposfera livre, geralmente entre 2 km e 5 km de altitude. Tempestades com ventos intensos no deserto suspendem as partículas até essas altitudes, de onde podem ser carregadas por milhares de quilômetros, conforme a circulação atmosférica e as condições meteorológicas.

“Existem correntes de ar muito altas que chamamos de correntes de jato, que geralmente são aproveitadas por aviões e carros para capturar ventos. Quando as partículas de poeira atingem o topo, são transportadas por longas distâncias. Isso é muito comum”, explica o pesquisador Quesada, sobre como a poeira chega até a Amazônia.

Poeira do Saara cruzou 5 mil km até a Amazônia
Poeira do Saara cruzou 5 mil km até a Amazônia. Foto: Reprodução/ NASA

A torre identificou concentrações de partículas finas (PM2.5) que chegaram a 20 μg/m³ — cinco vezes mais do que a média da estação chuvosa, que costuma ser de 4 μg/m³. A presença da poeira foi registrada nas seguintes datas:

  • 13 a 18 de janeiro
  • 31 de janeiro a 3 de fevereiro
  • 26 de fevereiro a 3 de março

Os cientistas ainda investigam os efeitos diretos do fenômeno, mas já sabem que ele influencia tanto a fertilidade do solo quanto a formação de nuvens.

Maior torre de pesquisa do mundo

Maior torre de pesquisa do mundo — Foto: Bruno Kelly/Reuters

A Torre ATTO (sigla em inglês para Torre Alta de Observação da Amazônia), com 325 metros de altura — o equivalente a um prédio de 80 andares —, foi construída para monitorar fenômenos atmosféricos e estudar a interação entre a floresta e a atmosfera.

O projeto, que custou cerca de 8,4 milhões de euros, foi financiado pelo Ministério Federal de Educação e Pesquisa da Alemanha, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil e pelo Governo do Amazonas.

“É mais alta que a Torre Eiffel, só para dar uma referência. Mas é super sólida, quase um prédio”, destacou o pesquisador Alberto Quesada.

*Por Lucas Macedo, g1 AM




Pesquisa desenvolve iniciativa para valorização e fortalecimento da herança intergeracional dos povos indígenas

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Projeto Conexões Amazônicas. Foto: arquivo pessoal

A história do povo Krepym Kartejé é marcada por uma resistência contínua diante das adversidades impostas ao longo do tempo, sobretudo, no que diz respeito à preservação de seu idioma originário. A língua sofreu um processo de perda progressiva, resultado de uma série de violências históricas, como invasões territoriais, deslocamentos forçados, ocultamento cultural e a imposição do português em contextos institucionais, impactando na transmissão da língua entre as gerações.

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Para reverter esse cenário, pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) desenvolvem o “Projeto Conexões Amazônicas: centros avançados para documentação, fortalecimento e revitalização de línguas e culturas indígenas na Amazônia”. O trabalho é realizado em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade Federal do Amapá (UNIFAP).

Contextualizando o cenário da população indígena na sociedade brasileira, Ana Vilacy Galucio detalha a trajetória e os desafios que os povos originários enfrentam. “Há uma estimativa de que cerca de 75% a 80% das línguas dos povos indígenas faladas aqui no Brasil, no século XVI, deixaram de existir nesse período, desde o início da colonização.

Leia também: Povos indígenas e comunidade ribeirinha fazem acordo para uso comum de território em Mato Grosso

Pesquisa desenvolve iniciativa para valorização e fortalecimento da herança intergeracional dos povos indígenas
O projeto busca documentar as línguas e culturas dos povos indígenas e fomentar a infraestrutura da pesquisa nas instituições envolvidas. Foto: arquivo pessoal

Então, hoje, todas as línguas praticamente no Brasil são consideradas línguas ameaçadas, porque elas têm um número reduzido de falantes, porque as gerações novas não estão aprendendo a língua, tem ruptura na transmissão intergeracional.

A língua majoritária no Brasil, que é a língua portuguesa, avançou em todos esses espaços, e, cada vez mais, as línguas indígenas estão reduzidas, com pouco uso, com poucos falantes. Essa situação preocupa a sociedade, preocupa a comunidade acadêmica, porque, cada vez que uma língua deixa de ser falada, isso afeta não só a vida da comunidade do povo específico, como a gente deixa de ter informação, deixa de ter conhecimento sobre as línguas para o avanço do conhecimento sobre a linguagem humana. A ciência também perde muitas informações”, ressalta. 

Alice Van Deursen acompanha as demandas do povo Krepym há algum tempo. Ela desenvolve sua pesquisa de doutorado no território, com orientação da professora Ana Caroline Amorim. Segundo a doutoranda, a iniciativa em realizar o trabalho na Terra Indígena Geralda Toco Preto surgiu por meio de um pedido de uma liderança do local.

O projeto busca documentar as línguas e culturas dos povos indígenas e fomentar a infraestrutura da pesquisa nas instituições envolvidas. Foto: arquivo pessoal

“A iniciativa nasce de um pedido da Rhewaa, uma liderança do povo Krepym Kartejé. Ela me procurou muito preocupada com o processo de apagamento da língua do seu povo e me pediu auxílio para fazer algo que ajudasse a preservar esse conhecimento. A partir disso, conversei com minha orientadora, Ana Caroline (PGCULT), e começamos a montar uma rede com pesquisadores que atuam na área, como a linguista Maisa Ramos, que nos apresentou a Ana Vilacy, pesquisadora titular do Museu Goeldi, contou a pesquisadora.

Segundo Ana Vilacy Galucio, o projeto busca documentar as línguas e culturas dos povos indígenas e fomentar a infraestrutura da pesquisa nas instituições envolvidas. “Nós temos dois grandes objetivos nesse projeto. Um é realizar a documentação de línguas e culturas de 23 povos indígenas distribuídos na Amazônia, e realizar atividades também de fortalecimento e atividades voltadas para a revitalização das línguas onde houver necessidade e onde houver interesse da comunidade e dos povos indígenas envolvidos.

Leia também: Pesquisador do Mato Grosso ocupa 20º lugar global e 2º lugar no Brasil em pesquisas com mamíferos

Atividades no território indígena e os benefícios sociais

O Projeto Conexões Amazônicas busca a revitalização da língua Krepym Kartejé, o fortalecimento da cultura e da identidade da aldeia, por meio da documentação da língua, da escuta aos mais experientes e do incentivo na formação da juventude das comunidades. Com a metodologia participativa e colaborativa, a equipe observa e registra o que a aldeia precisa, promovendo o planejamento de ações educativas para o benefício do povo indígena.

O território é formado pelas aldeias: Esperança, Geralda Toco Preto, Sibirino e Bonita. “O projeto teve início no começo do ano, e sua primeira ida a campo para apresentação para toda a comunidade ocorreu no início deste mês. Os desafios enfrentados para a execução do projeto é a própria urgência em documentar e registar a língua bem como revitalizar na comunidade indígena”, ressalta  Ana Caroline Amorim.

Pesquisa desenvolve iniciativa para valorização e fortalecimento da herança intergeracional dos povos indígenas. Foto: arquivo pessoal

O trabalho em campo possibilita o contato direto com a realidade, reforça e amplia o conhecimento e promove a coleta de dados primários. Seguindo essa perspectiva, Alice Van Deursen fala sobre a vivência em campo. “Fomos muito bem recebidos pelas comunidades, que demonstraram grande interesse em revitalizar a língua. Realizamos reuniões com as lideranças, escutamos os anciãos, registramos falas em Krepym Kartejé e começamos a mapear os saberes linguísticos e culturais. Está sendo tudo feito com muito diálogo, respeito e participação ativa dos indígenas”.

Para Ana Caroline Amorim, os benefícios da ação desenvolvida se estendem para além da população indígena. “A contribuição para a sociedade indígena é imensurável, pois é sua língua sendo mantida viva e para a sociedade brasileira é o reconhecimento do multilinguismo indígena em território nacional. Para a comunidade acadêmica, o projeto tem importância e relevância devido à formação de pesquisadores de iniciação científica ao doutorado, bem como a criação de parcerias interinstitucionais com a Região Norte fortalecendo as pesquisas interdisciplinares na UFMA”, declara.

A equipe planeja organizar e implementar acervos digitais para salvar e guardar permanentemente e seguro os dados das línguas e da cultura indígena em cada uma das instituições, para que possam ter centros regionalizados com foco na língua da região.

Enriquecendo a pesquisa do doutorado, o estudo com os povos originários promove um conjunto de benefícios para a vida acadêmica de Alice Van Deursen. “Estou desenvolvendo minha pesquisa de doutorado diretamente no território do povo Krepym Kartejé, um povo sobre o qual ainda existe pouquíssima literatura e visibilidade acadêmica. Isso torna o trabalho ainda mais desafiador e, ao mesmo tempo, mais necessário.

Aprendo com as pessoas, com suas histórias, com os saberes compartilhados e com a força da resistência cultural presente em cada gesto, fala e memória. Mais do que uma coleta de dados, trata-se de construir conhecimento em conjunto, respeitando os tempos, as prioridades e a perspectiva da comunidade. Poder desenvolver uma pesquisa que tem impacto direto e dialoga com as necessidades reais do território amplia muito a minha visão sobre o papel da universidade e da ciência”, expressa.

O Projeto Conexões Amazônicas é uma iniciativa que busca a preservação das línguas originárias, auxilia na correção do processo de silenciamento, proporciona o trabalho entre especialistas de variadas áreas de linguística, educação, saúde e antropologia, e diferentes instituições de ensino. A problemática que a equipe se esforça para resolver é uma realidade que afeta a sociedade em geral, e a atuação do ambiente universitário fortalece o compromisso social e com os povos indígenas.

Como a pesquisadora Alice Van Deursen menciona sobre o ambiente científico: “Pesquisar não é apenas produzir conhecimento para a academia, mas também contribuir para processos de justiça histórica, valorização cultural e fortalecimento de identidades”.

*Com informações da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) 

Museu Kuahí é reinaugurado no Amapá e pajé mais antigo do povo Karipuna celebra: ‘renascimento’

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Fachada Museu Kuahí. Foto: Aog Rocha/GEA

O novo Museu Kuahí dos Povos Indígenas de Oiapoque – Arte, Ciência e Tecnologia, no Amapá, com gestão total das etnias do município, foi entregue no dia 19 de julho. A reabertura do museu, que estava inativo, representa, segundo o Governo do Estado, um compromisso de respeito à preservação cultural dos povos originários do extremo Norte do país, fortalecendo identidades, saberes e línguas ameaçadas pelo esquecimento.

“O novo Museu Kuahí é um marco para a história, de respeito aos nossos ancestrais e, principalmente, ao povo indígena de Oiapoque, do Amapá, que merece todo o reconhecimento, pois são os donos dessas terras. Aqui no Museu Kuahí temos um local de qualidade, requalificado, informatizado, que vai mostrar a grande história de riquezas culturais e tradição, também para o mundo. Todos os colaboradores são jovens indígenas que foram preparados numa imersão no Museu Emílio Goeldi, no Pará. É muito bom celebrar este momento de importância turística e ancestral para Oiapoque, o Amapá é o Brasil, com os nossos parentes indígenas, caciques e todos que estão vivendo este momento histórico”, enalteceu o governador Clécio Luís.

Leia também: Museu Kuahí investe na preservação da herança indígena do Amapá

O Museu Kuahí reúne um grande acervo das etnias Karipuna, Galibi Marworno, Galibi Kali’na e Palikur. O espaço feito pelas mãos de artistas indígenas, reabre as portas com novidades e modernização, mantendo o respeito à tradição dos povos originários, reafirmando sua essência como um museu de representatividade.

Exposição no Museu Kuahí. Foto: Israel Cardoso/GEA

Uma das novidades do museu, reconstruído pelo Governo do Estado, é a disponibilidade, na forma virtual pela plataforma digital Tainacan, das mais de 500 peças etnográficas do acervo. A estrutura do museu também abriga uma biblioteca, salas de exposição e oficinas, loja de artesanato, maloca, redário e espaço para artistas indígenas apresentarem suas produções culturais. Tudo planejado com protagonismo dos povos indígenas e apoio técnico do Instituto Iepé.

Impressões sobre o museu

“Hoje não se abre apenas a porta de um museu, se abrem as portas do conhecimento, da arte de todos nós, os indígenas. Um grande museu para o povo de Oiapoque, do Amapá e do Brasil. Agradeço todo o empenho do governador Clécio Luís e equipe de governo, que valorizam nosso povo. O museu Kuahi é a casa dos indígenas para todos”, celebrou o cacique Edmilson, presidente do Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas de Oiapoque (CCPIO).

“Estou muito feliz com essa conquista, retomada. Foram anos fechado, mas agora entregamos esse espaço que guarda nossas memórias, nossa ancestralidade. É mais um símbolo de resistência dos povos indígenas”, destacou Sonia Jeanjacque, secretária de Estado dos Povos Indígenas do Amapá, e indígena da etnia Galibi Kali’na.

Com a participação ativa da comunidade, a entrega foi comemorada também pelo cacique Raimundo Iaparrá, pajé mais antigo do povo Karipuna. “É como se a nossa memória voltasse a respirar. A gente sente orgulho e alegria de ver esse espaço de novo cheio de vida, cheio da nossa arte, das nossas vozes. O Kuahí é nosso e está mais forte do que nunca, é como se fosse um renascimento”, discursou o cacique com a voz embargada pela emoção.

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Cacique Raimundo Iaparrá, pajé mais antigo do povo Karipuna, celebrou emocionado a entrega do museu pelo Governo do Amapá. Foto: Aog Rocha/GEA

“O Kuahí, como nos museus tradicionais, pesquisa, coleciona, conserva e expõe objetos, obras de arte, artefatos, histórias, com objetivo de gerar conhecimentos e entreter o público, porém, o que o diferencia daquela tipologia de museus é sua abordagem mais interativa e participativa, com exposições e atividades imersivas que permitem aos visitantes vivenciarem os seus acervos de maneira mais direta. A grande novidade desse museu vivo e orgânico, é sua abordagem decolonial, cujos processos museológicos foram realizados pelos próprios povos indígenas daquele território. Toda a construção, concepção, narrativas, foram protagonizadas pelos próprios detentores de suas histórias e culturas. Além das exposições, o Kuahí funciona como um verdadeiro ponto de apoio para os povos indígenas. Temos uma biblioteca voltada especialmente para o uso das comunidades, acesso à internet, refeitório, redário — tudo pensado para atender às necessidades e à permanência dos indígenas no espaço. É um local onde a cultura não está apenas guardada, mas é vivida, compartilhada e fortalecida todos os dias”, destaca a secretária de Cultura do Amapá, Clicia Vieira Di Miceli.

“Essa reabertura nos emociona porque representa um sonho coletivo. O Kuahí volta como símbolo de resistência e também como plataforma de visibilidade para nossas línguas, saberes e formas de existir. É um espaço de futuro que honra nossa ancestralidade” destaca a secretária da Sepi, Sônia Jeanjacque.

O local será ponto de encontro dos saberes culturais dos povos indígenas de Oiapoque. Foto: Max Renê/GEA

Sobre o museu

Criado a partir de uma demanda do movimento indígena nos anos 1990 e inaugurado em 2007, o Kuahí permaneceu fechado por mais de uma década. A escolha do nome Kuahí, que na língua indígena significa pacu, peixe-prateado que vive em cardume, carrega a simbologia dos povos do Oiapoque, que se reconhecem como parte de um todo. Diversos, mas unidos por uma essência que ecoou na reabertura do museu, ratificada com o ritual do “Turé”.

O Museu Kuahí dos Povos Indígenas do Oiapoque passa a funcionar de terça-feira à domingo, de 9h às 17h, na Avenida Barão do Rio Branco, n°. 160, no Centro de Oiapoque (AP).

Fachada Museu Kuahí. Foto: Aog Rocha/GEA

*Com informações do Governo do Amapá

Pesquisa coloca Mato Grosso entre estados pioneiros no registro da doença ‘paracoco’

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Produtor de pequena escala selecionado para exame. Foto: Divulgação/Assessoria Seaf

Mato Grosso é um dos seis estados brasileiros que realizam a notificação compulsória dos casos de Paracoccidioidomicose (PCM), conhecida popularmente como “paracoco”, uma doença fúngica infecciosa que afeta trabalhadores rurais expostos ao solo. A prática, ainda rara no Brasil, garante aos pacientes tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e coloca o estado entre os pioneiros no enfrentamento da doença.

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Além de Mato Grosso, apenas Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rondônia e, desde abril deste ano, São Paulo notificam oficialmente o Ministério da Saúde sobre os casos da doença.

Segundo a pesquisadora Rosane Hahn, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o registro das notificações é fundamental para garantir acesso ao tratamento.

“O tratamento não é barato. Com as notificações sendo registradas, acionamos o Ministério da Saúde para oferecer medicamento gratuito ao trabalhador rural”, explica.

Com mestrado e doutorado sobre a PCM, Rosane lidera um projeto de pesquisa voltado ao diagnóstico precoce da doença em agricultores familiares da Baixada Cuiabana. A iniciativa conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat) e apoio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), na captação dos produtores e produtoras nas regiões mapeadas.

A pesquisa inclui palestras de conscientização e coleta de sangue em comunidades rurais de Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Santo Antônio do Leverger, Nossa Senhora do Livramento, Jangada, Acorizal, Barão de Melgaço e Poconé. A meta é examinar 500 agricultores. Até o momento, 260 já passaram pelos testes.

Na última semana, 20 trabalhadores da Associação de Agricultura Familiar da Mineira, no distrito do Aguaçu (Cuiabá), e outros 40 da Associação de Produtores da Gleba Resistência, em Santo Antônio do Leverger, participaram das coletas. O encerramento da pesquisa está previsto para setembro, e os dados coletados servirão de base para a publicação de um artigo científico com reconhecimento internacional.

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A PCM pode afetar pulmões, pele, linfonodos, ossos, sistema nervoso central e até órgãos genitais. A contaminação acontece por meio da inalação de esporos do fungo presentes no solo. O grande desafio é o fato de que a doença pode permanecer assintomática por anos.

“Por isso é importante a avaliação periódica. A detecção de anticorpos contra o fungo é uma forma indireta de fazer o diagnóstico precoce”, pontua Rosane Hahn.

Pesquisadores contam com a ajuda dos produtores para identificar a ‘paracoco’. Foto: Divulgação/Assessoria Seaf

Moradora do distrito do Aguaçu, a presidente da associação local, Alessandra Carneiro de Souza, afirma que nunca havia ouvido falar sobre a doença. “Fomos convidados a fazer o exame e fiquei assustada com o que ela pode causar. Nossa comunidade foi conscientizada sobre prevenção com o uso de máscara e o tratamento. Acho importante para nossa saúde”, afirmou.

O Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá, é a unidade de referência no estado para atendimento dos casos confirmados. Os agricultores diagnosticados com a doença serão encaminhados diretamente ao hospital, sem necessidade de passar por fila ou regulação.

*Com informações da SEAF MT

Cine ODS transforma realidade em cinema na Zona Norte de Manaus

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Grupo trabalha com ODS em curtas-metragens. Foto: Divulgação

Na comunidade São Paulo Apóstolo, localizada no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus (AM), mulheres, jovens e idosos se reuniram entre os dias 14 e 19 de julho para transformar histórias da própria realidade em curtas-metragens com forte apelo social e ambiental. Foi a primeira oficina do Projeto Cine ODS, idealizado e coordenado pelo cineasta Anderson Mendes, que promove oficinas práticas de audiovisual com uso de celular, articulando a linguagem cinematográfica aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Durante 20 horas de atividades, os alunos — muitos deles estreantes no universo do cinema — participaram de aulas sobre roteiro, produção, arte, figurino, técnicas de teatro, gravação, operação de câmera e edição. O resultado desse processo foram quatro curtas-metragens inéditos, todos produzidos de forma coletiva e com base em temáticas vividas pela própria comunidade:

  • 🎬 “O Suspiro”,
  • 🎬 “ConscientizAÇÃO”,
  • 🎬 “Quando o Igarapé Chora”
  • 🎬 e “Salve o Lago”.

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A mostra de encerramento aconteceu no dia 19 de julho e reuniu moradores, familiares, alunos e cineastas convidados, como Jorgemar Monteiro e o diretor de fotografia Alexandre Pinheiro, que assistiram e avaliaram os filmes. “Fiquei muito impressionado com ‘Quando o Igarapé Chora’. É um filme que emociona porque fala com verdade. E quando a verdade vem da experiência vivida, é impossível não se conectar”, afirmou o cineasta Jorgemar Monteiro.

Já para Alexandre Pinheiro, o destaque foi o filme “O Suspiro”: “A proposta estética do curta, com um tom distópico, é muito ousada. Para um trabalho feito em oficina, com celular, e com tão pouco tempo de preparação, é surpreendente o nível de entrega”.

Uma das alunas que emocionou o público foi Ioná de Souza Lima, de 62 anos, roteirista, produtora e atriz do filme “Quando o Igarapé Chora”. “Nunca pensei que faria um filme e ainda atuaria! Estou muito orgulhosa. Contar a história do lixo no igarapé do Passarinho é importante porque isso já aconteceu comigo, já vi a rua alagar por causa de lixo. A gente vive isso aqui”.

A jovem Brenda Cristyne, que escreveu e dirigiu “O Suspiro”, também falou sobre a experiência: “Foi incrível poder escrever e dirigir um filme sobre um futuro distópico. Eu nunca tinha dirigido antes e agora já quero fazer mais”.

Sua colega de equipe, Letícia Silva de Sousa, que produziu e atuou no filme, completou: “Fiquei muito feliz com meu papel. Foi uma experiência nova, e mesmo com dificuldades, conseguimos criar algo lindo”.

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Ao final da mostra, todos os participantes receberam seus certificados em uma celebração marcada por emoção e reconhecimento. “O Cine ODS tem como missão democratizar o acesso à produção cultural e ao mesmo tempo promover uma educação ambiental transformadora. A escolha de trabalhar com os ODS e usar o celular como ferramenta principal é estratégica: aproxima, empodera e engaja a juventude e a comunidade”, destacou o coordenador Anderson Mendes.

A equipe de educadores foi formada por profissionais com décadas de experiência no audiovisual e nas artes. A psicóloga e atriz Keylla Gomes, atuante há mais de 25 anos, celebrou a potência da turma: “Foi emocionante ver como cada um encontrou sua voz criativa. Trabalhar com essa turma me lembrou do porquê escolhi ser arte educadora”.

A historiadora e produtora cultural Francy Junior, com 30 anos de trajetória, reforçou: “Eles não apenas aprenderam técnicas, mas contaram suas verdades. Isso é cinema de raiz”.

O jornalista e radialista Adailton Santos, também parte da equipe, complementou: “Essa oficina foi um sopro de esperança. A periferia tem potência criativa e precisa de oportunidades como essa”.

Agora, o Cine ODS segue sua jornada. A segunda oficina já tem data marcada e acontecerá entre os dias 21 e 26 de julho, desta vez na Paróquia da Igreja de Santo Antônio, no bairro de Santo Antônio, zona oeste da cidade. A oficina será realizada de forma presencial e online, ampliando ainda mais o acesso à formação audiovisual na capital amazonense.

Os filmes produzidos durante a primeira oficina já estão disponíveis no YouTube e podem
ser assistidos no link:

CINE ODS é um projeto contemplado através da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Conselho Municipal de Cultura – CONCULTURA, Manauscult, Prefeitura de Manaus, Ministério da Cultura e Governo Federal. Tem o apoio institucional da comunidade São Paulo Apóstolo, Paróquia Santo Antônio Arquidiocese, Fundação Rede Amazônica, Movimento das Mulheres Negras da Floresta – Dandara, Ykamiabas Produções, Mk Produções, Branca3 Filmes e Feitoza Mídias.

O som que não pode silenciar: a luta pela memória da batucada no Maranhão

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Foto: arquivo pessoal

Nas ruas de terra batida, nos terreiros das comunidades quilombolas, nas vielas das cidades do interior e nos centros culturais urbanos, ecoa o som da batucada: ritmo que embala, há gerações, o carnaval do Maranhão.

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Para registrar essa herança vibrante e garantir sua memória para as próximas gerações, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), deu início a uma pesquisa inédita para realizar um levantamento das brincadeiras tradicionais do Carnaval, especificamente focado na batucada.

O som do batuque, com sua característica marcante, é o elemento que une os três principais tipos de brincadeiras carnavalescas: as turmas de samba, os blocos tradicionais e as escolas de samba. A pesquisa identificou uma correlação no processo de evolução histórica, em que algumas turmas deram origem a escolas de samba, que, posteriormente, transformaram-se em blocos tradicionais.

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O som da batucada é o ritmo que embala, há gerações, o carnaval do Maranhão.
O som da batucada é o ritmo que embala, há gerações, o carnaval do Maranhão. Foto: arquivo pessoal

Desde 2023, o projeto, coordenado pela professora do Grupo de Pesquisa Religião e Cultura Popular (GP Mina), Marilande Abreu, já percorreu 44 municípios do Maranhão, alcançando mais de  cem comunidades, produzindo um levantamento etnográfico que integra um novo modelo digital do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC). 

No processo, a equipe ouviu as histórias dos detentores de saberes tradicionais. Em cada cidade visitada, várias entrevistas foram realizadas, principalmente, em comunidades rurais e quilombolas, com mestres da cultura popular, familiares de fundadores, gestores culturais e lideranças comunitárias para entender melhor sobre o histórico das brincadeiras. Para Marilande, ouvir a emoção dos brincantes, ao falarem sobre suas experiências, foi uma vivência profundamente marcante.

“A emoção que suscita às pessoas mais idosas que nós entrevistamos, que estavam à frente dessas brincadeiras, há cinquenta anos, sessenta anos, quando iam nos relatar na entrevista, eles choravam, se emocionavam. E essa emoção, esses afetos acionados ali têm a ver com a memória e história do grupo ali colocada. Esse foi um dos elementos que me marcaram bastante”, relatou a professora.  

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Memória e significação  

O som da batucada é o ritmo que embala, há gerações, o carnaval do Maranhão. Foto: arquivo pessoal

Muito além da mera diversão, as brincadeiras se integram a festividades que resultam de um longo processo histórico de formação da sociedade brasileira. Envolvem, com alegria, a tradição do catolicismo popular e expressões afro-indígenas, compondo um amplo e vibrante ciclo de festas populares que marcam o calendário cultural de comunidades rurais e urbanas no Maranhão. Assim como o bumba meu boi, o tambor de crioula, a Festa do Divino Espírito Santo e o Baile de São Gonçalo, o carnaval assume um caráter ritualístico, sendo um momento de celebração coletiva imerso em devoção.  

O elemento principal que inspira as festividades, como explica Marilande, é o próprio cotidiano. “A história da comunidade está diretamente ligada à história dessas brincadeiras. Está relacionado com o trabalho deles como pescadores, como trabalhadores rurais. Geralmente, são grupos mantidos por eles próprios. Por exemplo, nas cidades de médio ou pequeno porte, essas brincadeiras vão ter temas, enredos que vão contar a história da cidade, muitas vezes, homenagear as pessoas que foram importantes”, explicou.  

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Em busca da valorização 

Apesar da grande importância sociocultural, as brincadeiras carnavalescas tradicionais, por décadas, existiram de forma quase solitária, sustentadas pelo esforço coletivo das comunidades, mesmo diante da falta de políticas públicas de incentivo. Em meio a essas dificuldades, as pessoas ainda se alegram em torno do batuque dos tambores. 

“Eles resistem a todas as dificuldades que existem. Por exemplo, os conflitos de terra, quando se trata de algumas comunidades que vivem conflitos de terra, desamparo de políticas públicas de cultura quando chega o período do carnaval”, pontuou Marilande. 

Nas ruas de terra batida, nos terreiros das comunidades quilombolas, nas vielas das cidades do interior e nos centros culturais urbanos, ecoa o som da batucada. Foto: arquivo pessoal

Nesse contexto, iniciativas como a da UFMA e IPHAN dão novo fôlego para o processo de valorização dessas tradições, sendo uma retomada importante para a conservação da cultura popular. Mais do que um levantamento técnico, a pesquisa  tornou-se um gesto de reconhecimento e escuta. Ao mapear essas brincadeiras, o projeto também ilumina as histórias de luta e pertencimento do povo maranhense. 

“O inventário é uma primeira etapa, que é o reconhecimento da importância dessas brincadeiras para os grupos que realizam. […]. Eles podem, se organizar, se fortalecer como grupos tradicionais e buscar resistir […]. Pode ser o início do resgate dessa manifestação tradicional”, ressaltou a professora.  

A expectativa é que, a partir desse trabalho, os resultados sirvam de base para políticas públicas mais sensíveis às realidades locais e garantam que as futuras gerações não apenas herdem o som da batucada, mas também entendam seu significado e importância histórica.  

Para Marilande Abreu, as universidades desempenham um papel também de reconhecer a cultura e o conhecimento produzido pelas comunidades tradicionais.   

“Então, eu acho que um dos papéis da Universidade é exatamente esse de levar essas outras formas de saber e de existência para dentro da própria Universidade, tornando-se um lugar de troca, não somente o conhecimento acadêmico, científico, como a gente tradicionalmente pensa a Universidade, mas ela também, como um lugar plural de conhecimento”. 

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Mais do que preservar o passado, é construir o futuro

Ao longo do trabalho de campo, uma percepção tem sido constante entre os pesquisadores: a importância de sensibilizar as novas gerações para que reconheçam o valor dessas manifestações culturais. Como ressalta a professora, um dos objetivos da pesquisa também é o de  estimular o olhar da juventude para a própria história. 

“Eu acho que uma das perspectivas importantes que o inventário aponta é que já existem jovens à frente. E esses jovens podem se tornar referência para a brincadeira, para as batucadas, para que eles possam chamar, sensibilizar a juventude das comunidades de uma forma mais ampla”.  

Para além do registro, o estudo se transforma em um elo entre passado, presente e futuro, garantindo que o som da batucada continue nas ruas, nas praças e nas memórias de quem ainda está por vir.

*Com informações da Universidade Federal do Maranhão

Defensoria tenta evitar remoção e garantir futuro de flutuantes no Tarumã, em Manaus

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Foto: Rede Amazônica AM

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) tenta garantir a permanência de flutuantes nas calhas dos rios Tarumã e Tarumã-Açu, em Manaus. A atuação ocorre após uma decisão judicial determinar a remoção dessas estruturas da área.

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Conforme a DPE-AM, os flutuantes são utilizados tanto para moradia quanto para atividades econômicas, e a retirada pode causar impactos sociais e econômicos às famílias e empreendimentos que atuam na região. O órgão informou que solicitou a suspensão da decisão judicial.

Defensoria tenta evitar remoção e garantir futuro de flutuantes no Tarumã
Flutuantes no Tarumã, em Manaus. Foto: Rede Amazônica AM

A Justiça atendeu a uma ação do Ministério Público Federal (MPF) e determinou a remoção de flutuantes construídos sem autorização ambiental. A decisão levou em conta o risco de poluição e ocupação desordenada nas margens dos rios.

Ainda não há prazo definido para a retirada. A Defensoria informou que acompanha o caso e busca alternativas que preservem os direitos das comunidades afetadas.

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Situação atual da retirada dos flutuantes do Tarumã

Comércio sobre as águas. Foto: Divulgação
  • O Ministério Público do Amazonas (MPAM) pediu que a verba para retirar os flutuantes da orla do Tarumã-Açu seja incluída no orçamento da prefeitura. O pedido foi feito em janeiro de 2025 pela promotora Lilian Stone.
  • Em março de 2023, a Justiça suspendeu a ordem de remoção dos flutuantes.
  • Em maio de 2023, o juiz autorizou a retomada do plano de remoção.
  • Em junho de 2023, a prefeitura solicitou ajuda financeira para continuar as remoções.
  • A ação foi suspensa novamente pela vice-presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Joana Meireles.
  • O procurador do município explicou que a prefeitura arcaria com todos os custos da operação, incluindo equipamentos, transporte e alimentação.
  • A promotora Lilian Stone reforça que os recursos para a retirada devem estar previstos no orçamento municipal.
  • Ela também exige que a prefeitura cumpra a decisão judicial e comece a retirada dos flutuantes, apresentando provas do andamento do trabalho.
  • Caso isso não aconteça, a promotora pede cronogramas e relatórios periódicos para acompanhar o cumprimento da medida.

A bacia do tarumã vem sofrendo com a urbanização desenfreada e a falta de conscientização da população. Conheça a trajetória do projeto Tarumã Alive com a cantora Marcia Novo:

*Por g1 AM

Porto de Manaus: a história das negociações antes da criação do Roadway

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Rampa da Imperatriz. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

A falta de um porto amplo e moderno na capital do Amazonas, Manaus, comprometeu por muitos anos a economia da região. Dentre as constantes lamentações governamentais, repetiu-se, por muitos anos, a falta de condições de serviços de embarque e desembarque de mercadorias em Manaus, cujo sistema era rudimentar e muito deficiente, pois a cidade não dispunha de um porto devidamente equipado, recorrendo-se com frequência ao porto de Belém, no Pará, para escoar grande parte da produção extrativa que era exportada.

Essa situação, além de produzir grandes prejuízos ao comércio local, afetava também, a receita do cofre estadual. Durante o período provincial, e mesmo nos dez primeiros anos da República, os administradores mencionavam obras e reparos de rampas e trapiches no litoral da cidade, no entanto, essas obras não superavam definitivamente os velhos problemas, principalmente no período de seca, quando o Rio Negro baixava o seu nível sensivelmente, impedindo que os barcos aportassem nas rampas. As obras executadas naquela época não tinham estrutura nem porte para solucionar os problemas de embarques e armazenamento de mercadoria com segurança e eficiência.

Dentre as obras construídas nesse período, destaca-se o trapiche 15 de novembro, concluído em 4 de janeiro de 1890, durante a administração do capitão Augusto Ximeno de Villeroy (SOUZA, 1966, Pág.: 71). Provavelmente essa obra seja a mesma que os últimos relatórios da província se referem como trapiche Princesa Isabel e que, durante a presidência de Joaquim de Oliveira Machado (1889, pág.: 41), tinha sua fiscalização a cargo do engenheiro Eduardo Ribeiro, chefe da 1.ª seção da Repartição de Obras Públicas.

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Trapiche da Recebedoria. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

No primeiro ano da República, durante o governo de Gregório Thaumaturgo de Azevedo, foi firmado um contrato com o engenheiro civil João Martins da Silva para realizar trabalhos de melhoramentos do ponto de Manaus e, esse contrato foi renovado durante a administração de Eduardo Ribeiro (1893, pág.: 7) alegando que tal procedimento traria grandes vantagens para o estado. Com a inovação do contrato, seria possível atender a uma necessidade palpitante para a cidade, considerando o modo lastimável com que faziam os trabalhos de cargas e descargas do porto.

O governo dizia que o serviço público e particular sofre sempre, além de grandes vexames, atropelos e graves prejuízos. A questão dos melhoramentos do porto de Manaus só foi retomada na administração de Fileto Pires Ferreira (1900, pág.: 85), o qual informava que, após a revisão do contrato, o contratante havia se retirado do Amazonas e que só regressara em junho de 1897, trazendo em sua companhia um representante de uma das principais casas da Inglaterra, como é a de Punchard, Mc, Taggat, Lowther & C.

Naquela oportunidade, o engenheiro Martins apresentou os planos e o orçamento para a execução das obras que foram aprovadas depois de ouvidas as autoridades competentes e com as modificações aconselhadas pela comissão de saneamento de Manaós, conforme os pareceres de 17 de junho e de 7 de julho de 1897.

No entanto, o governador confessou que, vendo porém, que o sr. Martins não levava as obras do porto e que o representante inglês estava próximo de retirar-se sem nada resolver, tratou de negociar diretamente com o senhor D. Weir, que era o representante da casa inglesa, no intuito de levar adiante as referidas obras.

As negociações para executar os melhoramentos do porto continuaram a ser feitas de maneira lenta até janeiro de 1898, quando o governador Fileto Ferreira (1898 pág.: 36) comunicava ter o comissário do Governo Federal, Alexandre Sattamini, questionado a competência do estado em contratar melhoramento do porto. Rapidamente a questão tomou grandes proporções e, em 5 de fevereiro do mesmo ano, foi aprovada a Lei n.° 198 (coleção de leis, 1897 – 1899, 1902, pág.: 30) autorizando o governo do estado a entrar em acordo com o Governo Federal e o contraste das obras do porto.

Praça da Matriz e parte do Ancoradouro do Rio Negro. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

No entanto, em abril daquele ano, Fileto Ferreira retirou-se para Europa, sendo substituído por seu vice, José Cardoso Ramalho Júnior (1898, pág.: 5), que em junho de 1898, informava que em consequência do questionamento feito pelo comissário Santtamini, o governo do estado foi convidado pelo Ministério da Fazenda a rescindir o contrato com o engenheiro Martins, por ter sido considerado atentatório dos direitos da união e caso a recomendação não fosse atendida, ameaçava com uma ação de inutilidade.

Ainda em julho daquele ano, o Decreto n.° 257 (Ferreira, 1900, pág.: 106), autorizava a abertura do crédito necessário para indenizar o engenheiro João Martins da Silva pela rescisão do contrato. Em junho de 1899, o governador Ramalho Júnior (1899, pág.: 24) comunica que a questão já se debatia há muito tempo, sem ainda haver tido a sua necessária solução, enquanto isso, Manaus continuava sofrendo as deficiências do serviço do porto. Em setembro do mesmo ano, a lei n.° 218 (coleção de leis do Amazonas, 1897-1899, 1902, pág.:88) autorizava o Poder Executivo a entrar em acordo com o Governo Federal no intuito de levar a efeito as projetadas obras de melhoramentos do porto de Manaus.

Em 1904, o ex-senador Lopes Gonçalves (1904, pág.: 60) afirmou que o contrato para a construção do porto da cidade de Manaus foi celebrado em 1.° de agosto de 1900, com Bromistau Rymkliewicz, que organizara uma campanha, na Inglaterra e no Brasil, denominando-a Manáos Harbour Limited. Os trabalhos de construção foram iniciados em julho de 1902 e, em maio de 1903, já haviam construído um cais com quatro trapiches e estava concluída a colocação de um grande flutuante com três torres movidas por eletricidade.

Panorama geral da cidade. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

No mesmo ano da publicação de Gonçalves, passaram por Manaus os sanitaristas Gordinho e Lindenberg (1906, PÁG.: 54), que ao discorrer sobre o porto da cidade, afirmavam que a obra fora contratada com o barão Rienckievicz, engenheiro construtor das obras da Serra do Cubatão, auxiliado pelo Dr. Álvaro de Carvalho que, supunham serem sócios, no entanto, a americana Marie Wright (1907, pág.:394) informava, em 1907 que o contrato para o melhoramento do porto fora feito com a firma inglesa Manáos Harbour Company Limited e as docas foram planejadas e praticamente construídas sob a direção do engenheiro cubano Antônio de Lavandeyra, sendo os trabalhos iniciados em 1902, Luiz de Miranda Correa (1965, pág.:45), acrescenta pr sua vez a esta informação que Antônio Lavandeyra projetara o porto, junto a Dr. Cavalcanti de Albuquerque, sobre as ideias deste último.

Em 22 de agosto de 1902 foi sancionada a lei n.° 384 (Coleção de leis do Amazonas 1903, pág.: 16) aprovado o contrato de 25 de março do mesmo ano, ampliado para sessenta anos o prazo de concessão dos serviços do trapiche XV de novembro para a empresa de melhoramentos do porto de Manaus. A construção do porto de Manaus, no início do século XX, era composta por uma ponte flutuante em forma de T e grande parte desta estrutura, assim como os armazéns, guindastes e outros elementos eram de ferro. Esse material já era usado em obras do trapiche Princesa Isabel e, segundo informação de Eduardo Ribeiro era de origem europeia (MACHADO, 1889, pág.: 41). Provavelmente é desse material que Geraldo Gomes da Silva (1987, pág.: 201) afirma não ter encontrado nenhum documento comprovado que seja o sistema Dany, de origem belga.

Notando, ainda, que os armazéns construídos pela Manáos Harbour Limited são todos de ferro corrugado e tanto as paredes quanto as coberturas foram produzidas pela P & W Mac Leilan Ltd. Clutha Works, de Glasgow, de acordo com o registro gravado em algumas estruturas da construção. O porto de Manaus, com sua ponte flutuante em forma de T, é conhecido como Roadway, denominação deixada pelos ingleses. Essa ponte tem aproximadamente duzentos metros de comprimento e perto de vinte de largura.

Apresenta passeios laterais para uso de pedestre e uma pista central para veículos. Durante a década de 70 do século XX, essa ponte foi avariada por uma grande embarcação, mas ao ser recuperada perdeu sua característica original, tornando-se fixa sobre pilares de concreto. Nas proximidades dessa ponte, além de outras menores, esse conjunto flutuante, assim como os prédios onde funcionava a administração do porto, foi tombado como patrimônio histórico nacional.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista