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Feijó é nomeada a ‘capital do açaí’ no Acre

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Açaí de Feijó é conhecido pela boa qualidade. Foto: Vanísia Nery/Arquivo Rede Amazônica AC

Em decreto publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) da última quarta-feira (16), o município de Feijó, no Acre, passou a ser reconhecido como a ‘capital do açaí’.

O documento enfatiza que o título leva em consideração a expressiva produção de açaí no município e também ‘a relevância socioeconômica e tradição cultural ligada ao cultivo, beneficiamento e comercialização do fruto’.

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A lei, de autoria do deputado Luiz Gonzaga, traz ainda recomendações que a administração pública pode adotar para a valorização do produto, como:

  • a divulgação nacional e internacional da marca Açaí de Feijó;
  • o incentivo a eventos, feiras e festivais que promovam a cultura do açaí;
  • a realização de ações de capacitação e assistência técnica para produtores e extrativistas locais.

Em 2023, o açaí de Feijó ganhou o primeiro registro de Indicação Geográfica (IG). O registro garante o selo de um produto ou serviço como originário de um local, região ou país e atende todas as exigências do mercado, sendo ele o primeiro açaí a alcançar a certificação no país. O reconhecimento foi concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Leia também: Açaí de Feijó ganha primeira Indicação Geográfica para o produto no país

A conquista é resultado de um trabalho desenvolvido pelo Sebrae Acre, o governo estadual, produtores, agricultores e associações da cidade desde 2021.

Para um produto receber essa certificação, é submetido a alguns processos. Primeiro, é feito um diagnóstico para confirmar se a região e o produto atende aos preceitos e portarias do INPI. Depois, há uma avaliação da documentação para checagem dos padrões de qualidade.

Leia também: Portal Amazônia Responde: que produtos da região amazônica possuem Indicação Geográfica?

BR-319, uma questão de respeito à dignidade do povo e ao desenvolvimento amazonense

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Carretas na BR-319. Foto: Joel Bentes Araújo Filho/Acervo pessoal

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O pesquisador aposentado do Inpa, Charles Clement, a propósito da liminar expedida pela juíza Maria Elisa Andrade, do TRF-1, 1ª Região (TRF-1) suspendendo os efeitos da licença prévia emitida em 2022 pelo Ibama para as obras de reconstrução e asfaltamento da BR-319, em nota dirigida à esta coluna critica duramente o volume de desmatamento e o papel das Unidades de Conservação (UCs) criadas pelo governo ao longo da rodovia.

Em sua maioria indefesas, porquanto, ao que sustenta, “o desmatamento ao longo do interflúvio dos rios Purus e Madeira, rico em biodiversidade e importância para a conservação daquele bioma, aumentou mais de 80% em 2024 e em 2025 já supera 60%”. Afirma ainda que a maioria das UCs não saiu do papel, observando “a existência de terras não destinadas, por negligência da União, que o governo estadual poderia propor destinação produtiva e ambientalmente sustentável”, conceito que se refere à prática de condução de atividades econômicas de forma a minimizar impactos negativos ao meio ambiente e, assim, garantir a disponibilidade de recursos para as gerações futuras.

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Ocorre que blindar a BR-319, nos termos propostos pelo pesquisador – mesmo que corretos, penso eu -, é, contudo, muito caro. O governo federal, salvo no período do regime militar, jamais considerou na Lei Orçamentária Anual (LOA), em dimensões ajustadas às prioridades dimensionadas pelos investimentos em infraestrutura, educação, saúde, saneamento básico, P&D, indispensáveis à alavancagem do processo de desenvolvimento regional. Na verdade, o Planalto não enxerga a Amazônia como prioridade nacional. Erradamente, pois o uso sustentável dos recursos da biodiversidade, como endossado por renomados professores e pesquisadores de nossas universidades e centros de pesquisa, tem a capacidade de tornar o Brasil uma das economias mais pujantes do planeta, gerando benefícios sociais de alto impacto aos amazônidas, ao povo que aqui vive e mantém a região território brasileiro desde sempre.

O quadro se agravou no pós redemocratização de 1985, quando cessou a presença governamental na região, e, consequentemente, potencializou em níveis estratosféricos a prática da piratearia ambiental e do narcotráfico. Dados do IBGE são claros. A despeito da gravidade da situação, a União não cumpre sua obrigação de apoiar o estado do Amazonas, que conserva 90% de suas florestas e detém 57,3% do território sob proteção de Unidades de Conservação nos níveis estadual, federal e Terras Indígenas, na realização de investimentos destinados a corrigir tais distorções. Para a ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva, inimiga número 1 da Amazônia, gera mais mídia internacional prender rebanhos, destruir lavouras e áreas de mineração clandestinas do que investir preventivamente no controle dessas anomalias ambientais por meio de políticas públicas dirigidas à regulação desses setores.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o ‘trecho do meio’ da BR-319?

O governo federal, por outro lado, ignora projeções da WWF (World Wide Fund for Nature) dando conta de que a procura global por madeira triplicará de 3,4 bilhões para 11,3 bilhões de metros cúbicos (m³) entre 2010 e 2050. Em cujo mercado o Brasil tem participação mínima, como também nos ramos da mineração, do turismo ecológico, dos biocosméticos, biofármacos, da bioenergia, nanotecnologias biológicas, etc. Tudo leva a crer que Marina da Silva jamais leu os compêndios de Samuel Benchimol, Djalma Batista, Cosme Ferreira. Ou de Bertha Becker, que, em sua obra seminal defende que “o ambientalismo excessivamente preservacionista da década de 1990 na Amazônia esgotou-se como um modelo para a região por uma dupla razão: primeiro, porque não conseguiu barrar a expansão da agropecuária capitalizada; segundo, porque a conscientização crescente da população amazônica, que demanda melhores condições de vida, resultou na criação de mercado de trabalho e renda e, portanto, no uso do seu patrimônio natural”.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Estudo aponta milhares de plantas brasileiras ainda não descritas e Amazônia é uma das lacunas

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A pesquisadora Rafaela Forzza participa desde 2017 dos estudos do Programa Monitora. Foto: Jessica dos Anjos/ICMBio

Um estudo publicado na revista científica PLOS ONE estima que entre 7.343 e 9.595 espécies de plantas com flores (angiospermas) ainda não foram descritas no Brasil. A pesquisa também revela que 80% das áreas com maior potencial de ocorrência dessas espécies estão fora de unidades de conservação. 

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

O levantamento analisou dados taxonômicos de 32.900 espécies nativas coletadas ao longo de 267 anos de pesquisas de campo (entre 1753 e 2020), abrangendo todos os biomas brasileiros: Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado, Pampa e Pantanal. 

Entre os autores do estudo está a pesquisadora Rafaela Forzza, atualmente vinculada ao Parque Nacional dos Descobrimentos, na Bahia. Oriunda do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Forzza integra o Programa Monitora, do Instituto Chico Mendes (ICMBio), e percorre diversas unidades de conservação no país em missões de coleta e avaliação da biodiversidade. 

Para a pesquisadora, o estudo evidencia um problema estrutural:

“Espécies que ainda não foram descritas cientificamente estão mais vulneráveis à extinção. Sem o reconhecimento oficial, não é possível incluí-las nas listas de espécies ameaçadas ou desenvolver planos de conservação. É como uma pessoa sem certidão de nascimento — sem existir oficialmente, não recebe políticas públicas”, compara. 

Segundo o estudo, o catálogo brasileiro de biodiversidade pode estar incompleto em 19% a 23%, com lacunas concentradas principalmente na Amazônia e na Caatinga.

O cruzamento dos dados com áreas protegidas mostra que apenas 1,3% dessas regiões na Caatinga têm proteção legal, enquanto na Amazônia o percentual é de 28%. 

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Rafaela destaca a importância da integração entre cientistas e gestores ambientais. “Pesquisadores e gestores das UCs trabalham com recursos limitados e alta demanda. Uma maior articulação entre esses grupos pode acelerar a catalogação das espécies”, afirma.

Ela aponta ainda o potencial estratégico do ICMBio nesse processo: “O Instituto tem acesso a territórios onde muitos pesquisadores não conseguem chegar. Podemos unir esforços para identificar e proteger a biodiversidade que ocorre nas UCs”. 

O estudo também chama a atenção para o papel das terras indígenas, que abrigariam metade das possíveis novas espécies. Os dados reforçam a importância do conhecimento tradicional indígena na conservação da diversidade biológica. 

*Com informações do ICMBio

Nova espécie de marsupial é descoberta em Parque Nacional na Amazônia peruana

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O marsupial chamado de sagui-chachapoya. Foto: Divulgação/Sernanp

A 2.664 metros acima do nível do mar, no coração do Parque Nacional do Rio Abiseo, na região de San Martín, no Peru, uma equipe internacional de cientistas descobriu uma nova espécie de marsupial: o sagui-chachapoya.

Esta descoberta reafirma o papel fundamental que as áreas naturais protegidas (ANPs) desempenham como laboratórios vivos de biodiversidade e desenvolvimento científico para o Peru e o mundo. A nova espécie foi identificada em florestas nubladas de alta montanha, em um ecossistema caracterizado por sua riqueza biológica e alto nível de endemismo.

Leia também: Áreas de conservação regionais no Peru: o que são e como protegem a Amazônia?

O sagui-chachapoya, documentado na revista científica American Museum Novitates, distingue-se pela sua pelagem castanho-avermelhada, barriga bege com base cinzenta, rosto longo e estreito e cauda muito mais longa que o corpo. A sua máscara facial escura não atinge a base das orelhas, que são cobertas por pelos amarelados.

Este marsupial representa uma expansão significativa do subgênero Stegomarmosa para as regiões altas dos Andes. As diferenças morfológicas e genéticas encontradas permitem que seja claramente distinguido de outras espécies conhecidas.

Leia também: “Muita água, xixica”: conheça espécie de marsupial que viralizou por conta de áudio

Conservação

Sua descoberta no Parque Nacional do Rio Abiseo é resultado de um trabalho conjunto entre cientistas internacionais e peruanos, liderados por Silvia E. Pavan, Edson F. Abreu, Pamela Y. Sánchez-Vendizú e Robert S. Voss. Para o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernanp), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente peruano, esse tipo de constatação reafirma o compromisso institucional com a conservação da biodiversidade do país. 

“Cada nova espécie descoberta é a prova de que nossas áreas protegidas cumprem seu papel: conservar, gerar conhecimento e contribuir para o bem-estar da sociedade”, informou o Sernanp.

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Os dados

O Parque Nacional do Rio Abiseo, reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, abriga ecossistemas únicos que vão desde florestas tropicais até florestas de montanha. Seu isolamento natural e baixa intervenção humana o tornam um espaço ideal para a ciência.

Graças a essa proteção, espécies como o sagui-de-chachapoya conseguiram permanecer escondidas por séculos. Esta descoberta é mais do que uma inovação científica: é um alerta para a urgência de proteger os ecossistemas frequentemente vulneráveis a atividades extrativas ou às mudanças climáticas. Também destaca o papel das comunidades locais, pesquisadores e gestores na proteção do nosso patrimônio natural.

*Com informações da Agência Andina

Manaus terá aquário municipal e rooftop com vista para o Rio Negro, anuncia prefeitura

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Projeto do aquário foi divulgado pelo prefeito de Manaus. Foto: Divulgação/Implurb

A Prefeitura de Manaus (AM) anunciou que vai construir o primeiro aquário municipal da cidade. O anúncio foi feito pelo prefeito David Almeida por meio de vídeo publicado em suas redes sociais no dia 18. O novo equipamento turístico será na rua Visconde de Mauá, em frente ao porto de Manaus, como parte do programa ‘Nosso Centro’, que está revitalizando e reocupando o Centro Histórico.

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De acordo com a prefeitura, o local contará com cinco andares. “O prédio terá dois níveis de estacionamento, dois andares destinados ao aquário com espécies amazônicas e um rooftop com vista privilegiada para o rio Negro, onde funcionará uma operação gastronômica”, informou.

A previsão, segundo o administrativo municipal, é que as obras tenham início ainda em 2025, após a conclusão dos estudos técnicos coordenados pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).

“Manaus vai ganhar o seu aquário municipal. Estamos trazendo uma grande novidade para o Centro da cidade. A construção vai iniciar ainda este ano e vamos transformar esse espaço em um dos principais pontos turísticos da capital, com aquário, estacionamento e rooftop de frente para o rio Negro. É mais um passo para atrair mais gente, gerar emprego, movimentar a economia e valorizar nossa biodiversidade”, destacou David Almeida.

“Por determinação do prefeito David Almeida, o Implurb está desenvolvendo os trabalhos iniciais do projeto do aquário de Manaus. Já fizemos visitas técnicas em aquários de referência no país e definimos o conceito da obra. A proposta se integra ao perímetro do Largo de São Vicente, unindo atrativos turísticos e equipamentos culturais que estão sendo revitalizados. É mais uma iniciativa para tornar o Centro um destino vibrante, acessível e conectado com a nossa identidade amazônica”, afirmou o diretor-presidente do Implurb, Carlos Valente.

Lembra do aviaquário?

Em 1937, o pátio da escadaria da Igreja da Matriz, também no Centro da cidade, contava com o Aquário Comandante Armando Pinna e até um pequeno zoológico, era o Aviaquário Municipal.

De acordo com o historiador Otoni Mesquita, o Aviaquário Municipal de Manaus foi a principal obra do prefeito Antônio Maia. A ideia era que o espaço fosse uma demonstração da biodiversidade da Amazônia, assim como a negociação de peixes e outras espécies, principalmente, para a venda de alevinos (peixes recém saídos do ovo).

Leia a história completa: Portal Amazônia responde: o que aconteceu com o aviaquário de Manaus?

Funai e ICMBio regulamentam turismo sustentável em terras indígenas e unidades de conservação

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Foto: Mário Vilela/Funai

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) assinaram no dia 18 de julho a Instrução Normativa Conjunta (INC) que regulamenta a visitação turística com foco na valorização cultural e socioambiental em áreas com dupla afetação. Trata-se de territórios considerados Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação Federais (UCs). A ação fez parte do evento que comemora os 25 anos do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), realizado na sede do ICMBio, em Brasília.

A INC tem como objetivo  a valorização e a promoção da biodiversidade por meio da interação com os povos indígenas, suas culturas e o meio ambiente, visando à geração de renda com respeito à privacidade e à intimidade das comunidades indígenas. A norma estabelece a criação de um plano de visitação nessas áreas, sendo instrumento de planejamento de atividades turísticas, proposto por indígenas, suas comunidades ou suas organizações, em articulação com a Funai e ICMBio. 

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A normativa orienta ainda sobre a infraestrutura e segurança para os locais de visitação, com o objetivo principal de proteger os recursos naturais. Assim, prevê que a visitação poderá ser suspensa a qualquer tempo por interesse dos proponentes ou por decisão motivada do ICMBio ou da Funai, caso constatados danos ao meio ambiente ou aos povos indígenas. Para o presidente da Associação Indígena Comunitária Mainumy, Fabricio Guajajara, a assinatura da INC vai colaborar para a geração de renda das comunidades e, em especial, valorizar os territórios e os povos. 

“Com isso, os turistas passam a conhecer a realidade das nossas comunidades indígenas, como nos organizamos, como vivemos, o que são os nossos locais sagrados, além de saberem respeitar o que pode e não pode ser visitado por outras pessoas. E, assim, nos dá mais liberdade para apresentar e potencializar nossos territórios, mostrando o que tem de mais importante lá dentro, nossa cultura, nossa cosmologia e nossa forma de viver”, ressalta.   

A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, afirma que a assinatura da INC estabelece clareza nos fluxos e, principalmente, uma maior responsabilidade dos órgãos e das pessoas nesses territórios e unidades de conservação, unindo fortalecimento da economia indígena com respeito ao meio ambiente.

“Um dos nossos objetivos é fazer com que os povos indígenas tenham uma participação mais ativa na tomada de decisões acerca de políticas públicas, especialmente aquelas ações que vão afetar a vida dos povos, por isso estamos realizando mais essa assinatura de hoje”, pontua a presidenta.

Foto: Mário Vilela/Funai

Ela destaca ainda que “as terras indígenas e unidades de conversação trazem a mesma proposta de conservação e proteção do meio ambiente”, o que reforça a autonomia dos próprios indígenas para apresentar seus planos e projetos de visitação.

O presidente do ICMBio, Mauro Pires, lembrou que há um trabalho em conjunto entre o Instituto, a Funai, o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), comunidades indígenas e outros órgãos.

“As áreas protegidas têm uma relevância enorme para toda a população, pois são locais que preservam o meio ambiente, mas também são importantes para as comunidades tradicionais, já que são espaços de subsistência e precisam ser pensados com estratégia para uma permanente preservação”, afirma. 

Leia também: Turismo sustentável e pesca esportiva geram faturamento de R$ 6,3 milhões no Amazonas

Instrução Normativa Conjunta

A Instrução Normativa Conjunta foi construída a partir de oficinas com servidores, reuniões interinstitucionais e validação pelo Comitê Gestor da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). É resultado de um processo de tratativas, envolvendo as áreas técnicas da Funai e do ICMBio, com início em 2023, durante a tramitação do Plano de Visitação da Aldeia Boto Velho, localizada às margens do Lago Preto/Ilha do Bananal (TO).

Tal plano teve por objetivo discutir os procedimentos de análise de Planos de Visitação Turística (PVTs) em áreas de sobreposição entre Terras Indígenas e Unidades de Conservação. Em 2024, as áreas técnicas da Funai e do ICMBio retomaram as tratativas.

Assim, a INC define como instrumento central o Plano de Visitação em Áreas Duplamente Protegidas, que deverá ser elaborado pelos proponentes (povos, comunidades e organizações indígenas) com apoio e articulação junto à Funai e ao ICMBio, respeitando diretrizes ambientais, sociais, culturais e legais específicas.

A normativa representa um avanço inédito na governança ambiental e territorial, ao reconhecer a complexidade de sobreposições entre Unidades de Conservação Federais e Terras Indígenas, propondo um instrumento regulatório que promove a compatibilização de direitos constitucionais — notadamente o direito dos povos indígenas ao usufruto de seus territórios e o direito à conservação ambiental, previstos na Constituição Federal de 1988.

Foto: Mário Vilela/Funai

25 anos da SNUC 

Durante o evento de 25 anos do SNUC, foram criadas novas áreas de conservação privadas pelo ICMBio e inaugurada a sede do órgão em Brasília. Além disso, houve a oficialização do Mosaico Gurupi, que visa a proteção e restauração de áreas naturais e territórios tradicionais e terras indígenas nos estados do Pará e Maranhão, com foco na região do entorno da Reserva Biológica Gurupi.  

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que também esteve presente no evento, reforçou que a comemoração dos 25 anos era também um tributo à vida.

“A criação do SNUC compreende a proteção da vida, do meio ambiente e dos usos sustentáveis. Um trabalho que é feito junto com as comunidades, com as universidades, com os pesquisadores, em vários espaços, compreende a importância dos povos indígenas e do meio ambiente”, disse.   

Além de representantes da Funai, ICMBio e MMA, participaram ainda representantes indígenas de Terras Indígenas que congregam o Mosaico Gurupi e abrangem áreas dos estados do Maranhão e Pará. Também estiveram presentes autoridades do Ministério dos Povos Indígenas (MPI); do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); da Embaixada da Noruega no Brasil; entre outros representantes de órgãos federais.

Mosaico Gurupi

  • Composto por 6 Terras Indígenas e uma reserva biológica (Rebio do Gurupi);
  • Abriga maior área de Floresta Amazônica do Maranhão;
  • Grande fauna terrestre e aquática;
  • 46 espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, dentre elas, a onça-pintada;
  • Maior área de espécies endêmicas do Pará;
  • 46,4 mil km² de área;
  • Povos Indígenas: Tembé , Awá-Guajá, Guajajara e Ka’apor.

Leia também: Criação do Mosaico Gurupi garante proteção da sociobiodiversidade na Amazônia Oriental

Foto: Mário Vilela/Funai

SNUC

O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza reúne as diversas categorias de unidades de conservação brasileiras, sendo um dos principais instrumentos da política ambiental do país, que desempenha papel estratégico na proteção da biodiversidade, dos recursos hídricos e na mitigação das mudanças climáticas.

Instituído pela Lei 9.985/2000, o SNUC apresenta um conjunto de diretrizes e ferramentas integradas entre o poder público — nas esferas federal, estadual e municipal — e a iniciativa privada para criação e gestão de unidades de conservação, com garantia da conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade, alinhada às metas e compromissos assumidos pelo Brasil em acordos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês).

Desde então, a área total de unidades de conservação aumentou 244,8% no país. Em 2000, a extensão correspondia a 754 mil km². Nesse mesmo período, o número de unidades mais que triplicou. Foi de 1.053 para 3.185.

*Com informações da Funai

11 guardiões da Amazônia que o Greenpeace reencontrou após 20 anos

Guardiões da floresta no Amazonas foram reencontrados pelo Greenpeace durante expedição em 2025. Foto: Nilmar Lage/Greenpeace

Mesmo diante do avanço de ameaças como o PL da Devastação, é preciso manter a força e a coragem. Para se inspirar, o Greenpeace reuniu, no Dia Nacional das Florestas (17/07), informações sobre 11 guardiões da Amazônia que a associação conheceu há mais de duas décadas e, em maio de 2025, realizou um novo encontr durante a ‘Expedição Respeitem a Amazônia’, no Médio Juruá, no Amazonas.

À convite de ribeirinhos e do povo Deni, o Greenpeace visitou a região, entre 1999 e 2003, para apoiar no combate ao desmatamento e na luta pelo território. Até os anos 90, as populações locais enfrentavam trabalho análogo à escravidão e extração ilegal de madeira.

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Mas, com muita união, conseguiram transformar um cenário de destruição em solução. Além de expulsar os invasores e se libertar, conquistaram um mosaico de áreas protegidas, com quase 2 milhões de hectares:

  • duas Unidades de Conservação: a Resex Médio Juruá (criada em 1997) e RDS Uacari (oficializada em 2005);
  • e a Terra Indígena Deni (demarcada em 2003).

Leia também: Guardiões da cultura ancestral são destaque em dossiê do Boletim do Museu Goeldi

Hoje, o Médio Juruá (AM) é um exemplo de superação. As comunidades e aldeias vivem do manejo e da extração sustentável de seringa, açaí, copaíba, mel, sementes e pesca, como pirarucu. Juntando saberes ancestrais e tecnologias sociais, geram renda, bem viver, proteção ambiental e equilíbrio climático.

Conheça histórias reais de quem está cuidando da maior floresta tropical do mundo:

Manoel Cunha

Manuel Cunha era seringueiro quando conheceu o Greenpeace, em 1999. Atualmente, seu principal trabalho é como liderança e gestor da Resex Médio Juruá pelo ICMBio.

“É possível faturar sem derrubar uma árvore. Não conheço nenhuma comunidade que destrua o ambiente e viva bem. Eu conheço patrão que melhorou de vida, mas comunidade não. É muito mais fácil melhorar a qualidade de vida com uso sustentável dos recursos, do que desmatando”, afirma.

Vititivi Hava Deni

Vititivi Hava Deni é ancião do povo Deni, morador da aldeia Itaúba, e atuou na autodemarcação da Terra Indígena, ou seja, o próprio povo Deni demarcou seu território, homologado pelo Estado em 2004.

Hoje Vititivi conta as histórias para os mais novos, descrevendo os anos de luta pelo reconhecimento da terra, e se orgulha de cultivar roças em harmonia com a floresta.

Miriane Silva

Em 1999, Miriane Silva era menina quando o Greenpeace visitou sua comunidade Bauana pela primeira vez, antes mesmo da criação da RDS Uacari. Reencontramos com ela 25 anos depois, na casa de farinha de sua família.

“A vida na floresta é pesada, igual fazer farinha, mas tenho muito orgulho. Antes da reserva era difícil. Não tinha preservação ou peixe, só ataque. Hoje melhorou muito”, conta.

Baba Hava Deni

Baba Hava Deni é ancião e agente de saúde do povo Deni, cuida da qualidade da água e até do calendário de vacinas. Também participou da luta pela demarcação da Terra Indígena Deni no início dos anos 2000 e lembra das primeiras visitas do Greenpeace: “Iam para mata e até para Manaus com a gente, ajudavam a marcar o território e nas reuniões com autoridades”.

Flavio do Carmo

Nascido e criado na comunidade Bauana, Flavio do Carmo é conselheiro da Asproc, associação mãe do Médio Juruá, secretário do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e assistente do Memorial Chico Mendes (MCM). Assim como a maioria do povo juarense, ele vem de uma família de seringueiros, como seu tio Xeruã, que aparece na foto antiga, em 1999.

Antonio Raimundo (De Açúcar)

“Sem mel, não temos vida”, destaca seu Antônio Raimundo, conhecido como ‘De Açúcar’. Ele sempre gostou de coletar mel, como mostra a foto dele em 1999. Só que, antigamente, derrubavam árvores para extrair, já hoje é o inverso: a criação de abelhas sem ferrão, que ele mesmo implantou no seu quintal, ajuda a polinizar a floresta e gerar vida ao redor.

Mavarivi Bukure Deni (Leo)

Mavarivi Bukure Deni coordena a fiscalização da Terra Indígena Deni, mantendo a área livre de invasores, e registra tudo nos documentos da vigilância. Na foto de 2003, ele aparece ajudando a carregar os marcos para a demarcação do território, quando passaram 20 dias na floresta, com fome e frio, mapeando toda a área — e o Greenpeace estava junto.

Raimundo de Souza (Seu Pi)

Aos 73 anos, Seu Pi (Raimundo de Souza) é um dos mais velhos a coletar andiroba na comunidade do Roque, na Resex Médio Juruá — como mostram as fotos de 1999. A diferença é que hoje o trabalho melhorou: tem mais renda, tecnologia e parceiros, e as sementes viram cosméticos vendidos em todo o Brasil.

Maria Lenicia

“Criei seis filhos na agricultura, nunca tirei nenhum da escola para ir trabalhar e nunca precisei derrubar a mata”, relata dona Maria Lenicia, da comunidade Bauana, na RDS Uacari.

Quando ela era menina, eram raras as escolas no Médio Juruá (AM) — os antigos “patrões” proibiam, para seguir explorando ilegalmente a floresta e a mão de obra dos ribeirinhos e indígenas. Hoje, as comunidades e aldeias conquistaram suas escolas, embora precisem de melhorias e mais assistência do poder pública, afinal educação é um direito.

Antonio da Cunha (Seu Tota)

“A gente não pensa só no hoje, pensa no amanhã. Antes a gente só fazia o que o patrão mandava, podia ser bom ou ruim. Hoje, dentro da Reserva Extrativista, a gente trabalha com liberdade e responsabilidade, cuidando do que é nosso”, explica seu Antônio da Cunha (Seu Tota), seringueiro da comunidade São Raimundo, na Resex Médio Juruá. Na foto de 1999, aparece mostrando borrachas coloridas, feitas através da tecnologia que Greenpeace ajudou a instalar na época.

Bunarivi Varasha Deni (Dr. Barro)

Bunarivi Varasha Deni, pajé, também atuou na autodemarcação e até hoje se lembra das pessoas do Greenpeace que participaram do processo. Seu apelido é Dr. Barro, dado por médicos e antropólogos que estudam a medicina indígena Deni, porque ele trata as pessoas com argila da terra, um conhecimento ancestral. “Se mulher grávida tem hemorragia, cavo um buraco fundo e pego terra para curar”.

*Com informações do Greenpeace

Rio Negro inicia vazante em Manaus, mas níveis seguem altos para o período

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Vazante em 2024. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O monitoramento realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) indica o início da vazante do rio Negro em Manaus (AM). Nos últimos dias, o nível do rio desceu, em média, 1,5 centímetro por dia e chegou à marca de 28,89 metros na terça-feira (15). Apesar da tendência de descida, os níveis permanecem elevados para a época, o que mantém a classificação da enchente no intervalo de cota de inundação severa em algumas estações do baixo curso do rio Solimões e no Amazonas. Os dados são apresentados no 28º Boletim de Alerta Hidrológico do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do rio Amazonas.

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A situação do rio Negro também é acompanhada em outras localidades da bacia e indica o fim do período de cheia e a transição para a vazante, explica o gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência de Manaus, Andre Martinelli:

“Esse processo já foi iniciado há mais tempo nos rios da margem direita – Madeira, Purus e Juruá, e iniciou na parte mais baixa da bacia, na região de Manaus, na semana passada. Em todas as estações monitoradas, o ritmo de descida é considerado normal para a época”.

A cheia deste ano foi considerada grande, demonstrando recuperação da bacia do Amazonas após a seca severa de 2023/2024. “Em toda a bacia foram observados níveis acima do esperado para a época e, em alguns pontos, as marcas superaram a cota de inundação severa”, destacou Martinelli.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funcionam os processos de enchente e vazante dos rios?

Níveis em processo de descida

Outros importantes rios da região também apresentam tendência de redução. O rio Solimões, por exemplo, mantém recessão em diversos pontos:

  • em Tabatinga (AM), o declínio médio é de 12 cm por dia;
  • em Fonte Boa (AM), 4 cm;
  • e em Manacapuru (AM), o recuo é mais suave, na ordem de 1 cm diário.

O rio Purus começa a entrar em processo de vazante em Beruri (AM), e o rio Acre continua com níveis baixos em Rio Branco (AC).

Na bacia do Madeira, a redução é mais expressiva. Em Porto Velho (RO), o rio desceu 27 cm em um dia. Já o Amazonas mostra os primeiros sinais de descida, com registros de queda em Itacoatiara (AM), Parintins (AM) e Óbidos (PA) — todas em média de 1,5 cm por dia. Na bacia do rio Branco, o nível permanece alto em Caracaraí (RR), acima da cota de atenção (8,5 m), embora em Boa Vista (RR) a cheia apresente elevações menores.

O Boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Rio Amazonas é divulgado às terças-feiras na plataforma do Sistema de Alerta Hidrológico.

Monitoramento 

O monitoramento dos rios é feito a partir de estações, que fazem parte da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O SGB opera cerca de 80% das estações e gera informações que apoiam os sistemas de prevenção de desastres, a gestão dos recursos hídricos e pesquisas. As informações estão disponíveis na plataforma SACE e são atualizadas diariamente. 

*Com informações do SGB

Criação do Mosaico Gurupi garante proteção da sociobiodiversidade na Amazônia Oriental

O Mosaico Gurupi é formado por uma UC e seis Terras Indígenas. – Foto: Mapa: Magda V. C. Miranda

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima reconheceu a criação do Mosaico Gurupi, um conjunto de unidades de conservação (UC) e Terras Indígenas (TI) localizadas na região amazônica, entre os estados do Pará e Maranhão.

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De acordo com a Lei nº 9.985/2000 que instituiu o SNUC, um mosaíco pode ser constituído quando existir um conjunto de unidades de conservação de categorias diferentes ou não, próximas, justapostas ou sobrepostas, e outras áreas protegidas públicas ou privadas. No caso do Mosaico Gurupi, a área é de aproximadamente 46 mil km², abrangendo a Reserva Biológica (Rebio) do Gurupi, as TI’s Araribóia, Caru, Rio Pindaré, Alto Turiaçu, Awá, no Maranhão; e Alto Rio Guamá, no Pará. 

A articulação para a criação de um mosaico de áreas protegidas começou em 2014, mas já era um sonho antigo das comunidades locais visando fortalecer a gestão participativa dos territórios, a conservação da biodiversidade, a valorização da sociodiversidade e conter o avanço do desmatamento. No território encontra-se o maior remanescente de floresta da Amazônia, espécies endêmicas e ecossistemas ameaçados, além de diversos povos indígenas, incluindo os Awá-Guajá, que vivem em isolamento voluntário. 

Luta indígena ajuda a preservar remanescentes da floresta amazônica. Foto: Guel Bernucci Acervo Pessoal

“Só com essa união de nós todos vamos conseguir salvar as florestas ainda existentes no estado do Maranhão”, disse Wilson Guajajara, escolhido para representar as populações indígenas do Mosaico Gurupi. “Esse reconhecimento é algo que vamos levar para sempre porque ninguém acreditava que íamos chegar nesse momento, Vale a pena lutar e acreditar”, comemorou. 

“Todas essas áreas protegidas e essa aliança entre povos indígenas e as comunidades tradicionais nada mais é do que a gente sonhar em ter um futuro”, declarou a ministra, salientando a importância da reconhecimento do Mosaico como marco do fortalecimento da política ambiental no Brasil em diálogo com a sociedade. 

Governança

O Museu Goeldi pesquisa o Gurupi há décadas e desde os estudos desenvolvidos nos anos 80 por David Oren (1953-2023) defende a criação da proteção ambiental do Vale do Gurupi. As pesquisas de Oren sobre a fauna ornitológica foram essenciais para a criação da Rebio em 1988. A meta de conservar o Gurupi foi abraçada por gerações de cientistas do Museu Goeldi além de Oren, como os antropólogos Louis Forline e Cláudia López, o primatólogo José de Souza da Silva Júnior (Cazuza), o biogeógrafo Jose Maria Cardoso da Silva, a etnobotânica Márlia Coelho-Ferreira e a ecóloga Marlúcia Martins.

Mosaico Gurupi
O Mosaico Gurupi é formado por uma UC e seis Terras Indígenas. – Foto: Mapa: Magda V. C. Miranda

Novas pesquisas são continuamente realizadas no território, sobretudo nas áreas de antropologia, conservação e ecologia, razão pela qual o Museu Goeldi integra o conselho gestor do Mosaico desde o início. 

“Publicamos um artigo sobre a situação da Amazônia maranhense, mostrando essa questão territorial e fomos avançando tanto no aspecto de entendimento da importância dessa gestão territorial desses últimos blocos de floresta que existem ainda nessa região entre o nordeste paraense e o Maranhão, mas também agregamos a isso essa luta cultural e de proteção territorial que era um anseio dos grupos indígenas”, comenta a pesquisadora Marlúcia Martins, representante do Museu Goeldi no conselho do Mosaico Gurupi. 

Organizações de povos indígenas, da sociedade civil, órgãos dos governos estaduais e federal, organizações não-governamentais, empresas e instituições de ensino e pesquisa compõem o conselho gestor responsável por garantir a governança territorial e a participação ativa dos diferentes grupos sociais da região. 

“O Mosaico tem sido muito profícuo em termos de demonstrar a importância de se formar uma rede de proteção territorial com o objetivo de preservar a biodiversidade, mas também de manter e dar condições de vida e de respeitabilidade às populações indígenas da região”, afirma Marlúcia Martins.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

Incêndios florestais representam risco para investimentos na Amazônia

Incêndio florestal em Roraima. Foto: Jader Souza/AL Roraima

O cenário de emergência climática já é suficiente para aumentar o risco de incêndios florestais. O fogo, no entanto, se tornou também um risco para os investimentos econômicos na Amazônia. A constatação ocorreu durante o painel ‘Impacto do fogo no cenário de investimentos na Amazônia’, no dia 17 de julho, durante a Semana do Clima da Amazônia, em Belém (PA). O evento teve apoio do Fundo Vale, Hydro, Fundação Walmart e Norad, e foi organizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

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Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, apresentou dados que mostram um crescimento dos incêndios. Somente em 2024, foram 30 milhões de hectares queimados no Brasil, um aumento de 64% em relação à média histórica. Segundo Ane, as mudanças climáticas favorecem uma floresta mais inflamável, mas acredita que prevenir  econtrolar o fogo pode ajudar a mitigar esse cenário. 

“Nós, em nossas casas, utilizamos o fogo, mas controlamos. Se usássemos o fogo para tomar banho, e o fogo descontrolasse, não teria bombeiro suficiente para apagar a quantidade de incêndios nas casas das pessoas”, exemplificou. “É a mesma coisa na zona rural. Muita gente usa fogo. Mas precisa ser de forma responsável, senão, não há corpo de bombeiros, exército, Ibama, ICMBio, todas as brigadas disponíveis, não vão ser capazes de controlar e combater o fogo num clima como esse”.

Leia também: Inédito no Brasil: Bombeiros do Amazonas atendem primeira ocorrência com drone para combater incêndio

Mantido o cenário com altos índices de incêndios florestais, o impacto econômico é inevitável, na avaliação de Andrea Azevedo, vice-presidente na Emergent, responsável pelo Coalizão LEAF, que reúne entidades e empresas, para criar incentivos aos Estados que cumprem metas e critérios de preservação ambiental. Para ela, repetir o resultado de 2024 na questão do fogo significa perda de dinheiro para os cofres estaduais.  

“A cobrança também vem de um controle social, de uma percepção maior de que reduzir o desmatamento, fogo e a degradação, de forma geral, gera dividendos e é importante, além de melhorar o ambiente de negócio”, avaliou. 

Exemplo do Pará 

Renata Nobre, secretária adjunta de gestão de recursos hídricos e clima da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas-PA), apresentou os resultados do programa Pará sem Fogo, que tornou prioritária a prevenção para evitar anular esforços do governo do Estado num cenário de incêndios florestais.  

“Isso compromete o nosso programa de REDD. Como podemos falar em restaurar áreas degradadas tendo uma ameaça tão grande, que é o fogo descontrolado?”, questionou. 

A iniciativa Pará Sem Fogo permitiu mapear 22 áreas prioritárias, além de garantir respostas mais rápidas das brigadas de incêndio a partir de uma coordenação integradas entre os órgãos do Estado. 

“Estamos em busca de campanhas de informação, mas principalmente de capacitação e equipamentos estruturantes e recursos humanos capazes para que tenham brigadistas frequentemente para, quando o fogo é, termos capacidade de ação mais cedo”, afirmou. 

Saiba mais em: semanadoclimaamazonia.com.br  

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM