Nos dias 20 e 21 de agosto, o Amazon On Connectivity & Sustainability 2025 reunirá, em Manaus, o ecossistema do setor de inovação, incluindo empresas multinacionais, investidores, pesquisadores, ONGs, autoridades públicas e instituições internacionais que discutirão soluções tecnológicas para os principais desafios da Amazônia. O evento acontecerá no Centro de Convenções Vasco Vasques, com entrada gratuita para os inscritos.
Em sua segunda edição, o Amazon On impulsiona o emprego da tecnologia como ferramenta para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, promovendo conexões estratégicas entre diferentes atores que atuam ou buscam atuar na região amazônica. “Nosso foco é movimentar um ecossistema cada vez mais comprometido com soluções digitais sustentáveis para a região. Queremos gerar conexões reais entre empresas, investidores, centros de pesquisa, ONGs e comunidades tradicionais”, afirma Moisés Moreira, coordenador do evento.
Além de painéis e palestras com especialistas nacionais e internacionais, o Amazon On 2025 terá uma programação voltada à cooperação internacional, à transição digital verde, ao impacto da inteligência artificial nas mudanças climáticas, e ao papel da tecnologia no monitoramento e na preservação ambiental. Também haverá exposições de soluções tecnológicas, espaços para networking, reuniões bilaterais, estandes de relacionamento e a participação de lideranças locais e representantes de povos tradicionais.
O evento é uma oportunidade para empresas e investidores conhecerem iniciativas já em prática na Amazônia, firmar parcerias e explorar novas frentes de atuação econômica alinhadas com a preservação socioambiental. Para pesquisadores, o Amazon On oferece contato direto com lideranças e experiências que integram ciência, tecnologia e causas socioambientais.
O Amazon On conecta empresas, entidades governamentais, organismos internacionais, ONGs e comunidades locais. Foto: Divulgação
“É um espaço para construir pontes. A Amazônia precisa de soluções que respeitem sua diversidade e, ao mesmo tempo, projetem a região para o futuro”, reforça Moreira.
A primeira edição do Amazon On, realizada em setembro de 2024, conectou lideranças do setor público, empresas e organizações do Brasil e do exterior. Em 2025, a expectativa é receber cerca de 500 participantes por dia, com ampliação dos espaços de interação e um ambiente propício ao desenvolvimento de projetos colaborativos e sustentáveis.
O Amazon On
O Amazon On 2025 é idealizado pela MMoreira Consult e conta com o apoio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Rede Amazônica, Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica (Abinee) e Governo do Estado do Amazonas.
Apenas 21% dos torcedores do Norte admitem o fanatismo por seu time de coração, mas o consumo relacionado com o futebol é cada vez maior e já atinge a marca de 65% da população, como revela estudo realizado pela primeira vez pela Serasa.
A pesquisa “Gastos com Futebol”, que ouviu 2.940 pessoas de todas as regiões do país, mostra como o esporte impacta uma fatia do orçamento familiar e influencia o comportamento financeiro dos torcedores.
Foto: Divulgação
Entre os principais gastos, as camisas de times continuam com larga vantagem de 61%, seguida bem abaixo por outros produtos licenciados (26,7%), ingressos para assistir aos jogos (24,7%) e streamings ou pay-per-view (20,5%).
As despesas, porém, parecem cada vez mais periféricas aos estádios, pois 58% dos nortistas acreditam que os eventos de futebol não são mais acessíveis ao público geral. Não por acaso, os ingressos para jogos aparecem em terceiro na lista, com apenas 24,7% na lista de gastos, mostrando não ser uma prioridade.
Arena Acreana. Foto: Divulgação
Um outro questionamento da pesquisa confirma o distanciamento. Quando perguntados sobre como assistem aos jogos, apenas 20,8% indicaram o estádio como palco. A preferência é de TV aberta (72%) e TV fechada (40%), e chama a atenção, embora não surpreenda, que a soma de quem assiste a jogos pelo Youtube (44%) e por streamings (22%) já chega próximo ao percentual dos que ainda estão na TV aberta.
Com dinheiro ou não, o certo é que o futebol estimula que o brasileiro não se imponha limites para estar ao lado de seu time. Pelo menos 60% dos entrevistados já “cometeu alguma loucura” pelo seu clube e 9% deles já colocaram como meta se fazer presente nos próximos mundiais de clubes.
O papel social do esporte
Além de movimentar o bolso do brasileiro, sete em cada dez pessoas do Norte enxergam o papel social que o esporte representa no país. E 46% consideram o futebol como um grande aproximador de pessoas, promovendo laços entre familiares e amigos.
Foto: Divulgação
Durante a pesquisa foi possível perceber que o futebol feminino também está entre os eventos desejados pelo público. A porcentagem é muito próxima à intenção de assistir ao mesmo campeonato masculino, mostrando mais uma vez que o interesse do brasileiro é pelo esporte e não pelo gênero.
Metodologia
A pesquisa encomendada pela Serasa foi realizada pelo Instituto Opinion Box em junho de 2025, e ouviu 2.940 pessoas, de diferentes faixas etárias e regiões do Brasil.
Sobre a Serasa
Com o propósito de revolucionar o acesso ao crédito no Brasil, a Serasa oferece um ecossistema completo voltado para a melhoria da saúde financeira da população por meio de produtos e serviços digitais.
Um conjunto de tecnologias modernas, que alia custos acessíveis e sustentabilidade, tem aumentado significativamente a produtividade de culturas agrícolas de importância alimentar – como mandioca, arroz, milho, feijão, entre outras – em propriedades familiares do Maranhão.
Essa é a Roça Sustentável, um pacote de soluções referenciado no Sistema Bragantino da Embrapa, desenvolvido pela Embrapa Amazônia Oriental (AM) e adaptado pela Embrapa Maranhão (MA) para as condições do estado, que já resultou, por exemplo, em aumento de produtividade de 50% de arroz e milho, e em ganho temporal de sete meses para a colheita de mandioca.
A solução tecnológica surgiu para equacionar problemas de baixas produtividades e ausência de condições de uso de tecnologias nas roças. Foto: Embrapa
A solução tecnológica surgiu em um processo de inovação aberta, dentro das propriedades dos agricultores familiares, para equacionar problemas de baixas produtividades e ausência de condições de uso de tecnologias em lavouras da agricultura familiar em que os cultivos eram realizados em área compartilhada, sem qualquer coerência técnica ou econômica.
segundo o analista Carlos Santiago, responsável pela implementação da tecnologia em municípios maranhenses, sem o uso da Roça Sustentável, a produção média de mandioca no Maranhão é de 8 toneladas por hectare após 18 meses de cultivo.
Com a tecnologia, em 11 meses de cultivo a produção atinge 30 toneladas por hectare. “Trata-se de um policultivo das culturas mais produzidas pelos agricultores familiares, seja para consumo familiar ou comercialização. A ênfase é nas variedades em uso na região e preferidas pelos agricultores. A iniciativa aumentou o leque de produtos do agricultor familiar com excelentes resultados de produtividade e qualidade dos produtos”.
Carlos Santiago, responsável pela implementação da roça em municípios maranhenses. Foto: Embrapa
A lógica do consórcio é diversificar a produção e otimizar a produtividade com sustentabilidade econômica, social e ambiental. Para isso, os cultivos são dispostos em fileiras de forma a não haver competição por nutrientes, água, luz e espaço.
Além do consórcio, o sistema preconiza a rotação de culturas com uso de “safrinha”, prática que intensifica o uso da terra e maximiza o aproveitamento do período chuvoso. O objetivo é que essas novas técnicas contribuam para modernizar sistemas de produção tradicionais, como o de “roça no toco” (no qual uma área de vegetação é derrubada, queimada e utilizada para plantio), sob bases sustentáveis, ou seja, sem necessidade de fogo e desmatamento.
Em termos ambientais, a reconfiguração da “roça no toco” evita a abertura de novas áreas e a prática de “derruba e queima” ao cultivar a terra e as lavouras de acordo com suas necessidades nutricionais e de prevenção de pragas e doenças. Além disso, ao incentivar o consórcio e a rotação de culturas, a tecnologia permite incrementos na ciclagem de nutrientes, manutenção da biodiversidade, conservação do solo, controle de ervas daninhas e manejo de pragas e doenças das culturas.
Roça Sustentável aumenta a produtividade da agricultura familiar. Foto: Embrapa
Francisco Elias de Araújo, do Assentamento Cristina Alves em Itapecuru-Mirim (MA), diz que a mandiocultura é a atividade de maior importância econômica e a tecnologia deu resposta positiva no que se refere à produtividade. Para ele, a Roça Sustentável promove a diversificação de culturas consorciadas e a adequação da demanda nutricional de cada uma delas para melhorar a produtividade do conjunto.
“No assentamento, já completamos quatro anos consecutivos de produção na mesma área, com bom retorno do custo investido. Queremos deixar para as próximas gerações uma terra melhor do que achamos”, ressalta.
No Maranhão, estado de grande diversidade edafoclimática, a Roça Sustentável atualmente tem projetos na região amazônica e no Cerrado, onde está a fronteira agrícola do Matopiba. São duas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) em São Raimundo das Mangabeiras e em Balsas; três em Itapecuru-Mirim (quilombo de Canta Galo, Jaibara dos Nogueiras e Outeiro dos Nogueiras); e uma em São Luís, em área rural do bairro Maracanã.
O conjunto tecnológico consiste em técnicas de manejo e arranjos espaciais com sustentabilidade e impactos na redução do fogo na agricultura, no combate à pobreza e redução da fome, por meio da produção diversificada de alimentos.
Roça Sustentável aumenta a produtividade da agricultura familiar. Foto: Embrapa
As práticas agrícolas aliadas ao uso de defensivos corretamente utilizados intensificam a eficiência do uso da terra e ainda recuperam áreas degradadas. Também aumentam a fertilidade do solo e a nutrição das plantas. Ou seja, trata-se de um sistema de cultivo convencional, no qual é permitido o uso de herbicidas e inseticidas, se necessário, na hora certa e na dose certa.
O uso da dose recomendada no momento certo provoca o mínimo impacto ambiental possível, com eficiência necessária para surtir o efeito desejado. “A lavoura, livre de mato, doenças e pragas, produz muito mais, com menos esforço físico do produtor, ou seja, há também redução da carga de trabalho e do gasto com mão de obra. Isso significa mais economia e tempo para as pessoas envolvidas cuidarem de outras atividades e da família. O retorno social é a melhoria da produtividade, segurança alimentar, renda e qualidade de vida da família e comunidade do produtor familiar, contribuindo para o desenvolvimento regional”, enfatiza Santiago.
A adubação equilibrada é também realizada no sistema para garantir o aporte dos nutrientes necessários ao desenvolvimento das plantas, à produtividade da lavoura e à conservação do solo. A diversificação de culturas melhora a utilização das terras.
Cada cultura é especializada num tipo de nutriente e a rotação entre elas permite a exploração de camadas do solo por diferentes culturas. Por exemplo, o arroz é uma cultura que oferece bastante potássio ao solo. Do potássio aplicado nas plantações de arroz, a cultura absorve 20%. Os 80% restantes ficam na palhada após a colheita, disponíveis no solo. A mandioca é uma cultura que demanda potássio. Ao plantar a mandioca na palhada do arroz, faz-se uma adubação natural de uma cultura pela outra.
Aprender fazendo
A Embrapa no Maranhão multiplica o conhecimento sobre o manejo do sistema alimentar em propriedades dos produtores em parceria com instituições públicas e privadas. A metodologia preconiza a implantação de URTs em comunidades rurais familiares com a participação de técnicos e produtores das regiões. São repassadas técnicas de manejo do solo, de pragas e doenças, fertilidade e arranjos espaciais para melhor eficiência com sustentabilidade, conservação e manejo adequados. Também fazem parte dessas capacitações noções de visão empreendedora da lavoura, para que o sistema de produção possa ser viabilizado.
Roça Sustentável aumenta a produtividade da agricultura familiar. Foto: Embrapa
O objetivo é a promoção do desenvolvimento regional pelo empoderamento dos atores locais envolvidos. “As URTS são vitrines tecnológicas, unidades didáticas de construção do conhecimento para eventos como dias de campo, palestras e visitas técnicas. Ali o produtor e o técnico aprendem a manejar as culturas de arroz, milho, feijão e mandioca separadamente, além da integração entre elas. Aprendem também o valor do trabalho realizado com dedicação e cuidado para ter os resultados esperados. Nossa missão é transformar a ciência em motor do desenvolvimento por meio da construção e compartilhamento de saberes e experiências”, frisa o analista.
O produtor Geraldo de Matos, conhecido por “Juca”, destaca o acesso ao conhecimento como diferencial para a qualidade de vida conquistada. “Graças à parceria com a Embrapa Maranhão, tivemos acesso ao conhecimento científico e tecnológico, a nossa produção aumentou, não só em quantidade, mas também em qualidade, e com diminuição da carga de trabalho. Nunca tinha visto tanta mandioca em um espaço tão pequeno. Ver nossa família com alimentação adequada é tudo. Hoje tenho a esperança de ver meus filhos na roça”, comemora.
Combate à fome e à pobreza e fixação no campo
Os agricultores que seguem o manejo corretamente têm uma transformação significativa. Já no primeiro ano, eles sanam a questão alimentar. Com mais tempo, passam a ter excedente para venda. A tendência é a ampliação da lavoura. A elevação da produtividade faz com que tenham garantia de diversificação alimentar e quantidade, volume produzido suficiente para a alimentação da sua família e comunidade e para a troca e comercialização do excedente. “A dignidade do homem que cultiva a terra e produz o alimento para a família permite a permanência no campo, e a de seus filhos, que passam a enxergar o futuro que almejam na agricultura”, conclui Santiago.
Mulheres Mẽbêngôkre-Kayapó em protesto. Foto: Reprodução/ Funbio
Durante os cinco dias da 21ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), pelo menos seis mil indígenas estiveram no Complexo da Funarte, em Brasília. Entre povos de todos os biomas, mulheres, crianças, anciãos, artesãos, comunicadores, gestores e lideranças participaram de plenárias, rodas de conversa, apresentações culturais e discussões sobre temas como monitoramento territorial, desintrusão e demarcação de terras, segurança alimentar, geração de renda, políticas públicas, saúde, educação, arte e cultura.
No palco principal e nas tendas de outras organizações indígenas do evento organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), o público acompanhou uma programação com diversas atividades. Por todo o Acampamento, biojoias, cestarias e inúmeros artefatos traduziam a criatividade e a beleza das artes indígenas do Brasil numa grande e diversa feira a céu aberto.
Uma pequena praça marcou a presença das três principais organizações do povo Mẽbêngôkre-Kayapó, com lojas da Arte Indígena/Instituto Raoni (IR), do Instituto Kabu (IK) e da Meprodjà/Associação Floresta Protegida (AFP). A pintura dos grafismos tradicionais também estampou de jenipapo os corpos de parentes e visitantes do ATL pintados pelas menire, as mulheres Kayapó.
Atualmente, cerca de 12 mil Mẽbêngôkre-Kayapó vivem em pouco mais de 150 aldeias ao longo das terras indígenas Baú, Mekragnoti, Capoto/Jarina, Badjônkôre, Las Casas e Kayapó. Esse território ocupa 10,6 milhões de hectares, sem contar com T.I. Kapot Nhinhore, localizada na bacia do Xingu.
Entre as T.I.s Mekragnoti e Capoto/ Jarina e ainda não homologada, representa hoje uma das principais demandas dos Mebêngôkre. A conclusão do processo de demarcação do território onde o cacique Raoni Metuktire passou sua juventude e onde seus ancestrais habitavam é aguardada há mais de duas décadas.
Cacique Raoni, líder do povo Mẽtyktire-Mẽbêngôkre foi um dos convidados na roda de conversa: “Garimpo na Amazônia, a vida após as desintrusões e a recuperação socioambiental dos territórios”. Um público formado por indígenas e não-indígenas lotou a tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) para ouvir Raoni e outras lideranças dos povos Munduruku, Yanomami e Ye’kwana sobre os desafios no enfrentamento às invasões.
Entrevista com o Cacique Raoni. Foto: Reprodução/ Funbio.
A experiência de outros povos no processo de desintrusão deixa evidente a necessidade de pensar em estratégias que possam apoiar as comunidades impactadas pelas operações de retirada da atividade garimpeira. A pauta ganha ainda mais relevância diante do início das operações do Governo Federal em terras kayapó, que devem seguir pelos próximos meses.
A força-tarefa envolve órgãos como Funai, Ministério dos Povos Indígenas, Ministério da Justiça, IBAMA e Força Nacional, entre outros. A primeira fase da desintrusão começou efetivamente em maio com o desmantelamento de bases de garimpo, destruição de dragas e maquinários e fiscalização no entorno das áreas indígenas do povo Mebengokre.
Raoni deu início à sua fala com um recado importante: “Para os nossos parentes que têm atividades ilícitas em seus territórios como o garimpo, vocês precisam se organizar no território de vocês para poder parar com essas invasões.” E continuou: “Estou orientando as novas gerações kayapó, [lembrando] que os nossos ancestrais sempre guerreavam com outros povos, mas hoje a luta é diferente: é contra as ameaças que estamos sofrendo. Os kuben estão atacando nossos recursos naturais e nossos territórios e eu peço aos nossos parentes que lutem para poder parar com isso. É o que eu tenho a dizer a todos vocês.”
A carta final da edição de 2025 do ATL traz a união e a importância de alianças que possibilitem novos futuros para os povos indígenas do Brasil. Como ferramenta de luta, a demarcação dos espaços de tomada de decisão para que os territórios e os modos de vida indígenas possam ser respeitados e o povo Mẽbêngôkre-Kayapó junto a suas organizações já vem se articulando no sentido de garantir seus direitos e ampliar sua autonomia.
Há 21 anos, o ATL reitera sua importância no contexto de mobilização e resistência na luta pelos direitos dos povos indígenas do Brasil. A proteção do território é uma questão transversal que precisa estar acompanhada de ações de geração de renda, principalmente quando os territórios estão próximos às áreas de maior pressão por atividades ilícitas. Para a gestora Josimara Baré, coordenadora do Fundo Indígena Rutî, a luta por autonomia é uma luta por futuros sustentáveis.
Convidada para compartilhar suas experiências na implementação de ferramentas de fortalecimento e autonomia financeira de organizações indígenas na tenda da COIAB, Josimara apresentou o Fundo Indígena Rutî, vinculado ao Conselho Indígena de Roraima (CIR).
Depois de participar da estruturação do Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e atuar como conselheira em outras iniciativas, Josimara defende a governança própria com foco na comunidade como estratégia de emancipação financeira.
“Não tem indígena com as habilidade técnicas que a comunidade precisa? Por que não capacitamos os jovens e garantimos um processo formativo com estímulo à autonomia, ao invés de fazer por eles? “, pergunta Josimara, contando brevemente a história da criação do FIRN, que contou com apoio de doadores e assessoria do Instituto Socioambiental (ISA) por dois anos, contrariando o suporte com práticas de tutela. “É uma coisa que me toca muito, essa questão de que nós não temos profissionais indígenas capacitados tecnicamente para gerir esses mecanismos [financeiros]. E eu acho que isso vem mudando.”, conta a gestora.
Ao longo da conversa sobre os novos rumos dos fundos indígenas, Josimara lembrou que a governança é o ponto principal para o funcionamento de um fundo. “Ao mesmo tempo que a gente precisa de habilidades técnicas, a gente precisa também de uma sensibilidade das lideranças indígenas e uma visão que elas têm, que muitas vezes os técnicos não têm. Então a soma de habilidades técnicas, com sensibilidade, o olhar, a visão das lideranças indígenas, faz um fundo muito potente. “, explicou.
Uma das novidades do 5º ciclo do Fundo Kayapó é a criação de um planejamento de comunicação, para que cada vez mais pessoas conheçam o Fundo criado em 2011 para fortalecer o povo mẽbêngôkre através de suas organizações.
Responsável pela concepção e execução do planejamento de comunicação do Fundo Kayapó junto ao FUNBIO e à CI-Brasil, a equipe do Estúdio Afluente esteve em Brasília com o comunicador Matsi Waurá para conversar com outros comunicadores indígenas e lideranças do povo Mẽbêngôkre-Kayapó.
Com objetivo de coletar histórias, depoimentos e percepções sobre o Fundo Kayapó, suas atividades e impactos, a equipe de comunicação entrevistou gestores e representantes de associações estruturantes e de projetos locais, assessores técnicos e demais parceiros que atuam diretamente nas atividades das iniciativas mẽbêngôkre.
Presidido pelo cacique Raoni, o Instituto Raoni foi criado em 2001 e é uma das organizações estruturantes contempladas pelo Fundo Kayapó desde o primeiro ciclo junto com a Associação Floresta Protegida e o Instituto Kabu, que chegou ao Fundo no segundo ciclo de investimentos. A tenda do Instituto no ATL funcionou como ponto de encontro para acompanhar as falas e coletivas de imprensa cedida por uma das maiores lideranças do povo Mẽbêngôkre, o cacique Raoni Metuktire.
Acompanhado pelo neto e um de seus intérpretes, Patxon Metuktire, Raoni atendeu aos pedidos de entrevista de diversos órgãos de imprensa nacionais e internacionais. Respondendo à jornalista Amanda Scarparo, do Estúdio Afluente, sobre a importância de investimentos a longo prazo como o Fundo Kayapó para as comunidades mẽbêngôkre, o cacique fez questão de ressaltar a transparência na gestão do Fundo.
Disse ainda que se fosse preciso, puxaria a orelha dos gestores para garantir o acompanhamento dos projetos. “Esse trabalho é muito importante. Eu falo pro pessoal do Instituto Raoni que eles devem focar no trabalho de acompanhamento e execução e em todo o processo dos projetos [do Fundo Kayapó]. Eu sempre faço reunião. Eu vou fazer mais uma reunião e se precisar vou lá puxar a orelha do gestor, pedir pra ele me explicar e trabalhar direito, porque esse é um trabalho importante e que deve continuar.”, declarou Raoni.
Ao longo dos dias de Acampamento Terra Livre, assim como nos dias de reunião do comitê provisório de governança do Fundo Kayapó outras lideranças mẽbêngôkre de diferentes terras indígenas foram ouvidas e entrevistadas. O intuito de coletar material sobre o Fundo Kayapó a partir de seus gestores, lideranças e representantes de departamentos como o Departamento das Mulheres, por exemplo, faz parte do horizonte de colaboração pensado não somente para a comunicação das atividades do Fundo Kayapó, mas como um norte para ações futuras.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Funbio.
Pesquisadores do Amapá registram mortes de peixes-bois na região de Gurupá (PA) — Foto: PCMC/Divulgação
O Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC) registrou um encalhe em massa dos peixes-bois na foz do rio Amazonas, na região do Gurupá, no Pará. Os pesquisadores estudam a possibilidade de contaminação da água ou da vegetação em que esses animais vivem.
O projeto é realizado pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) e o Instituto Federal do Amapá (Ifap).
Pesquisadores do Amapá registram mortes de peixes-bois na região de Gurupá (PA) — Foto: PCMC/Divulgação
As mortes foram relatadas pelos moradores das localidades, no período de 22 de junho a 2 de julho. A comunidade relatou ter visto pelo menos 6 animais encalhados em 5 dias.
Em uma análise da carcaça de um dos peixes-boi, foi detectado que o animal não possuía marcas externas de traumas. Mas na parte interior do animal foi detectado um hematoma.
“Esse acontecimento é algo raro e inédito, é o primeiro registro que a gente tem de um encalhe em massa de peixe-boi. A suspeita é que esses animais tenham indo a óbito em outros locais e a correnteza tenha levado os animais até a comunidade do Gurupá, e os moradores registram pra gente.”, disse Cláudia Funi, coordenadora do PCMC no Amapá.
Pesquisadores do Amapá registram mortes de peixes-bois na região de Gurupá (PA) — Foto: PCMC/Divulgação
Os pesquisadores coletaram amostras da água e das algas e aguardam os resultados. A ideia é conseguir entender se existe contaminação e se ela seria química ou biológica.
O Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos é realizado desde o ano passado. A iniciativa é uma exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a ideia é fazer o monitoramento das bacias do Pará-Maranhão e Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.
Os pesquisadores pedem a ajuda da população para acionamento em casos de encalhe de animais marinhos, através dos números: (96) 99206-3344 e (96) 99116-3712.
*Por Luan Coutinho, g1 AP e Rede Amazônica — Macapá
Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu três dias após a picada da cascavel — Foto: Arquivo Pessoal
Uma mulher identificada como Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu nesta terça-feira (8) em decorrência de uma picada de cascavel na Vila São José, município do Cantá, Norte de Roraima. Ela confundiu a cobra com uma corda, pegou o animal e foi picada na mão.
O irmão de Ana, o entregador Antonio Carlos Gonçalves, de 37 anos afirmou que o acidente aconteceu no sábado (5). Ele explicou que a irmã “tinha dificuldades de visão”. Ela viu os cachorros da casa agitados com a cascavel e achou que eles estavam brincando com uma corda.
Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu três dias após a picada da cascavel — Foto: Arquivo Pessoal
“Ela se abaixou para pegar e acabou sendo picada. Quando viu os cachorros brincando com algo, pensou que fosse uma corda e foi pegar. Foi aí que a cobra mordeu”, contou o irmão.
Ela tinha histórico de problema nos nervos e também pressão alta. Ao ser picada, ela foi levada a um posto de saúde no município. De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), com a peçonha, a mão de Ana “inchou rapidamente e o quadro se agravou, com pressão muito alta que não respondia bem aos remédios”.
Ana também apresentava sangramentos em várias partes do corpo — efeito típico do veneno da cascavel, que afeta a coagulação do sangue. Ela foi transferida para o Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista (35,8 km de distância do Cantá) em estado grave.
Ana Leuda Gonçalves Sousa, de 42 anos, morreu três dias após a picada da cascavel — Foto: Arquivo Pessoal
A Secretaria de Saúde de Roraima, responsável pelo HGR, afirmou que Ana chegou na unidade após quatro horas do incidente, “apresentando quadro de pico hipertensivo refratário, distúrbio de coagulação grave e edema no local da picada”.
“Foi seguido todo o protocolo pertinente ao caso, com aplicação de soro na dosagem máxima, solicitação de plasma, conduzido o pico hipertensivo, e iniciado antibiótico, além da avaliação médica por médicos infectologista, neurocirurgião e nefrologista”.
Ana morreu por volta das 4h da manhã, no leito do HGR.
Diversas fontes foram de água analisadas pelo estudo. Foto: Sávio Ferreira/Acervo pessoal
Nascenteslocalizadas na Zona Leste de Manaus(AM) apresentam qualidade de águaque se assemelha às áreas de floresta primária, indicando a oportunidade de restauração de ambientes aquáticos e a possibilidade de preservação ambiental em área urbana. Foi o que apontou pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
O estudo ‘Influências Antrópicas em Compartimentos do Ciclo Hidrológico em Microbacias da Amazônia Central – Uma Análise a partir do Uso de Múltiplos Traçadores’ foi desenvolvido através de parceria entre a Fapeam e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), na Chamada Pública Nº 001/2020 – Programa Fapesp/Fapeam.
Igarapé agua branca, em Manaus. Foto: Amazon Sat
Com a finalidade de entender os processos hidrológicos, tanto em área urbana, quanto em áreas de floresta primária em Manaus, foi realizada a análise da composição isotópica (identificação dos elementos químicos) de variadas fontes de água, como as de: precipitação (da chuva), superficial (igarapés), subterrânea (poços) e esgoto (que drenam para os igarapés).
A presença dos isótopos deutério (2H) e do Oxigênio-18 (18O) foram analisados nas amostras. Ambos existem naturalmente na natureza, mas devido a variações da composição da água, são utilizados como ferramentas para entender as origens dos fluxos de água em bacias hidrográficas.
O coordenador da pesquisa e doutor em Ciências da Engenharia Ambiental, Sávio José Filgueiras Ferreira, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), afirmou que o conhecimento da variabilidade de nutrientes em diferentes sazonalidades e níveis topográficos é importante para entender sobre as condições abióticas (componentes físicos e químicos do ambiente que não são seres vivos) em florestas de terra firme na Amazônia Central.
Monitoramento de riachos. Foto: Agência Andina
“Na área urbana do município, sabemos que há retirada de água subterrânea e isso tem causado um rebaixamento do nível de água, e lançamento de esgoto que, no período de estiagem, podemos perceber seus efeitos como mau cheiro, principalmente à noite, e há grande quantidade de resíduos e lixo nos canais”, disse Sávio Ferreira sobre a motivação da pesquisa de entender as fontes de água da bacia do Educandos, do igarapé do Quarenta e de seus principais tributários, cursos menores que desaguam em um rio principal.
A análise foi realizada em duas microbacias em área de floresta primária:
a do Igarapé Açu, localizada na Reserva Biológica do Cuieiras (área preservada);
e a do Igarapé Educandos, em área urbana, que corresponde a parte do Instituto Federal do Amazonas – Campus Manaus Zona Leste (Ifam/CMZL) e ao Refúgio da Vida Silvestre Sauim-Castanheiras, apresentando algumas áreas protegidas nas proximidades de seus divisores, mas predominantemente com ocupação urbana.
Logo após também foi adicionada uma área na Bacia do Tarumã Açu, localizada na Reserva Florestal Adolpho Ducke.
Igarapés em Manaus foram analisados. Foto: Sávio Ferreira/Acervo pessoal
Técnicas usadas
Durante o processo, foram utilizadas técnicas hidroquímicas, isotópicas e hidrológicas. Sávio afirma ainda que o diferencial do estudo foi apresentar a composição isotópica de múltiplas fontes em área urbana e em locais que ainda apresentam águas naturais na Amazônia Central, fornecendo informações que podem ser comparadas com outras bacias hidrográficas em regiões nacionais e internacionais. E, dessa forma, contribuir para a melhoria de políticas de proteção ambiental e para o maior monitoramento nesses corpos de água.
Foto: Sávio Ferreira/Acervo pessoal
Ele complementa ainda que pesquisar e monitorar os ambientes aquáticos são atividades fundamentais para a sociedade, uma vez que o conhecimento é estratégico para a gestão dos recursos hídricos.
Outro ponto destacado pelo pesquisador foi a respeito da importância das áreas de vegetação, como a encontrada no Refúgio da Vida Silvestre Sauim Castanheiras e a do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) da Zona Leste, onde as áreas de captação da água da chuva, em grande parte, infiltram e chegam ao lençol freático, o que compensa a água subterrânea que foi retirada para outros fins.
“A principal mudança do fluxo de água em área natural para área urbana aconteceu nas fontes subterrâneas entre as microbacias hidrográficas. Os isótopos indicaram águas mais recentes transportadas pelo fluxo de base, em área urbanizada”, explicou.
Cacau é uma das produções ligadas à agricultura familiar em Rondônia. Foto: Frank Nery/Secom RO
Com o objetivo de fortalecer e modernizar as cadeias produtivas no estado, o governo de Rondônia, por meio da Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas, Tecnológicas e à Pesquisa (Fapero), segue com o Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Cadeias Produtivas (PAP-Cadeias Produtivas), que visa financiar projetos de pesquisa e desenvolvimento que tem por objetivo fortalecer e otimizar as cadeias produtivas, promover inovação e ampliar a competitividade, especialmente de projetos ligados à agricultura familiar, inovação, sustentabilidade e competitividade dessas cadeias.
Com investimento global de R$ 3.369.920 milhões, o programa está apoiando seis projetos estratégicos, cada um com recursos de até R$ 421.240 mil, selecionados por meio do Edital nº 8/2023. Entre as iniciativas financiadas, destaca-se o ‘Catálogo Digital do Banco Ativo de Germoplasma de Cacau da Ceplac em Rondônia (CATBAG-Cacau)’, que busca preservar a diversidade genética do cacau produzido no estado e fomentar pesquisas inovadoras para o setor.
As cadeias produtivas englobam todas as etapas que vão desde a extração da matéria-prima até a chegada do produto final ao consumidor. Esse conjunto de processos interligados é responsável por agregar valor aos produtos e impulsionar o desenvolvimento econômico.
Na agricultura familiar, as cadeias produtivas desempenham papel fundamental na geração de emprego e renda para diversas comunidades em Rondônia. A incorporação de práticas inovadoras e o uso de tecnologias apropriadas têm sido fatores decisivos para aprimorar a eficiência, agregar valor aos produtos e ampliar a competitividade no mercado.
CATBAG-Cacau
CATBAG-Cacau. Foto: Divulgação/Fapero
Coordenado pelo pesquisador da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Paulo Wadt, o Catálogo Digital do Banco Ativo de Germoplasma de Cacau da Ceplac em Rondônia (CATBAG-Cacau) organiza e disponibiliza informações técnicas sobre as variedades de cacau mantidas no Banco Ativo de Germoplasma (BAG) da Ceplac, localizado na Estação Experimental de Ouro Preto do Oeste.
A proposta prevê a criação de um repositório digital com dados genéticos, fenotípicos e agronômicos, facilitando o acesso para pesquisadores, melhoristas e instituições públicas e privadas.
A iniciativa contribui para programas de melhoramento genético, amplia a rastreabilidade do material conservado e fortalece a produção de cacau em Rondônia, tornando o estado referência nacional no setor.
Com foco no fortalecimento da agricultura familiar, a Fapero está financiando o desenvolvimento de um Catálogo Digital do Banco Ativo de Germoplasma de Cacau da Ceplac por meio do programa PAP-Cadeias Produtivas. Ao preservar a diversidade genética, sistematizar informações técnicas e apoiar o uso qualificado do germoplasma, o projeto dialoga diretamente com os objetivos do PAP-Cadeias Produtivas e com as diretrizes de inovação e sustentabilidade do governo estadual.
O presidente da Fapero, Paulo Renato Haddad, enfatizou a ligação entre a produção agrícola e o avanço da ciência.
“O fortalecimento das cadeias produtivas está diretamente ligado ao avanço da ciência. Financiamentos como esse impulsionam setores estratégicos, como o cacau, e reafirmam o compromisso da Fapero em ser agente de fomento à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico e científico em Rondônia”.
A floresta amazônica, com seus mistérios, saberes e desafios, é o pano de fundo e a alma pulsante do livro ‘Conexus: Yepak‘, estreia literária de Joab Hardman Fagundes, advogado, gestor ambiental e mestre em gestão de áreas protegidas. Voltada ao público infantojuvenil a partir dos 10 anos, mas com profundidade suficiente para envolver leitores adultos, a obra transporta os leitores para um universo encantado no coração do Amazonas, onde fantasia, autoconhecimento e preservação ambiental se entrelaçam em uma narrativa poética e sensorial.
A história gira em torno de José, um jovem ribeirinho que, após viver uma tragédia pessoal, é guiado a um mundo mágico, povoado por seres encantados e forças ancestrais. Nessa jornada de descoberta e superação, o protagonista compreende que o verdadeiro poder reside na harmonia com a floresta, no respeito à vida e na coragem de enfrentar seus próprios medos.
Com uma linguagem lírica e carregada de simbolismos, Joab Fagundes constrói uma alegoria decolonial, na qual a Amazônia deixa de ser apenas cenário exótico e passa a ser símbolo vivo de resistência e sabedoria ancestral. A floresta é apresentada como fonte de fantasia, aprendizado e transformação. “A fantasia nasce da própria floresta e de suas histórias”, afirma o autor.
“Conexus é um livro de resistência da floresta viva. Uma fantasia nortista que propõe reflexões ambientais, sociais, sobre autoconhecimento e intolerância, valorizando o poder da conexão consigo mesmo, com os outros e com os elementos da natureza. A história tem início no interior do Amazonas, retratando a dura realidade enfrentada por muitas pessoas da região”, complementa.
Ao longo da obra, temas urgentes como intolerância, destruição ambiental, identidade e busca por propósito são abordados de maneira delicada, mas contundente. ‘Conexus: Yepak’ apresenta a natureza como protagonista e convida o leitor a repensar seu papel no mundo, a partir da conexão com suas raízes e com o meio ambiente.
As ilustrações que acompanham o livro acentuam o clima onírico e encantado da narrativa, proporcionando uma imersão ainda mais profunda no universo construído por Fagundes. Disponível nas versões impresso e e-book, a obra já se destaca entre os lançamentos da plataforma Kindle Brasil.
Para Joab Fagundes, que cresceu vivenciando o cotidiano amazônico e atua em áreas ligadas à gestão ambiental, o livro é fruto direto de sua trajetória pessoal e profissional: “Sou advogado, gestor ambiental e mestre em gestão de áreas protegidas. O livro só foi possível por conta dessa junção de formação e experiências que tive e tenho sobre Amazônia e meio ambiente. Conhecer a realidade do interior do Amazonas foi fundamental para pensar e escrever Conexus”.
Ao unir a imaginação literária à vivência ambiental, o autor propõe um convite sensível e poderoso: o de se reconectar com a essência, com o outro e com a floresta.
“Que cada leitor encontre em si a semente da transformação — assim como a floresta renasce após a tempestade”, diz Fagundes.
Com uma proposta inovadora e profundamente enraizada no contexto amazônico, Conexus: Yepak surge como uma obra literária que emociona, inspira e conecta — chamando atenção para o valor da natureza, das culturas tradicionais e da força interior necessária para enfrentar tempos de incerteza e ruptura.
Aqueles que se interessam por fantasia, Amazônia e narrativas de resistência encontram em Conexus uma leitura envolvente e transformadora, capaz de encantar leitores de todas as idades com uma mensagem que ressoa além das páginas.
A obra está atualmente no top 80 livros do gênero fantasia, mesma categoria de famosos como Harry Potter, Perry Jackson, Crepúsculo, entre outros.
Bragança, no Pará, originalmente habitado por indígenas Tupinambá, foi um dos polos iniciais da ocupação e colonização da Amazônia. A cidade completa 412 anos em 2025 e estudos indicam que os franceses foram os primeiros europeus a conhecer a região, possivelmente, a partir de 8 de julho de 1613.
Em 2 de outubro de 1854, foi elevada à categoria de cidade pelo então presidente da Província do Grão-Pará, o tenente-coronel Sebastião do Rego Barros com a denominação de Bragança, uma homenagem à Família Real Orleans e Bragança.
Com mais de 130 mil habitantes, segundo o Governo do Pará, um dos pontos atrativos da cidade tanto para os moradores quando para os visitantes é a Orla do Rio Caeté, reconstruída em 2023.
“Minha mãe sempre foi moradora daqui, é filha de Bragança. A gente está aqui para valorizar o município de Bragança, que somos filhos de bragantinos, a gente tem que valorizar o que é nosso. Que as pessoas tenham um acesso mais próximo ali à beira do rio, porque antigamente não tinha nada disso, a orla não era atrativa para as pessoas. Agora está bem melhor, bem atrativo mesmo, né? Isso aumenta a economia, o lazer”, disse a professora.
Outro ponto é a orla na praia de Ajuruteua. Ambas receberam obras de urbanização, drenagem, pavimentação e se tornaram pontos turísticos que fomentam a cultura e fortalecem a economia local da região. Para o governo estadual, as orlas promovem qualidade de vida à população.
Foto: Augusto Miranda/Agência ParáFoto: Wellyngton Coelho/Agência Pará
Outro ponto atrativo é a cultura local, inclusive com a criação da primeira biblioteca pública comunitária em um território quilombola, a Quilomboteca, instalada em abril deste ano por meio da Fundação Cultural do Pará. O Quilombo do América tem mais de 200 anos de existência, e teve seu território legalizado pela Fundação Cultural Palmares em 21 de janeiro de 2015. Formada atualmente por 505 quilombolas, a comunidade recebeu 800 livros de autores paraenses com o objetivo de incentivar a alfabetização e leitura entre os comunitários.
Quilomboteca é a primeira em Bragança. Foto: Aycha Nunes
De acordo com o governo, Bragança é um dos municípios mais importantes do Estado no que tange a economia, que gira, basicamente, em torno das atividades pesqueiras, da agricultura e do comércio. A reconstrução do Centro de Treinamento Agroecológico, Inovação, Tecnologia e Pesquisa Aplicada do Nordeste do Pará, conhecido como Unidade Didática de Bragança (UDB); a certificação de agroindústrias para assegurar a qualidade dos produtos produzidos, via Selo Artesanal Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará); e a recente assinatura do Termo de Cooperação Técnica para fortalecer e ampliar os serviços de assistência técnica rural aos agricultores familiares do município, estão entre os investimentos nesse setor.