Palco do maior espetáculo folclórico à céu aberto do planeta, a cidade de Parintins (AM) é conhecida mundialmente pela grande festa cultural dos bois bumbás Caprichoso e Garantido, que disputam o título de campeão anualmente no Festival Folclórico.
A Ilha da Magia, no entanto, também é dona de um berço de artistas que percorrem todo o Brasil espalhando suas técnicas e habilidades artísticas em outros estados.
Um grande exemplo é a crescente presença de profissionais parintinenses dos dois bois compondo as equipes das escolas de samba no carnaval de outras cidades brasileiras.
Em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, a Mocidade Alegre e a Viradouro, respectivamente, conquistaram os títulos de campeãs de 2026 em seus estados com a participação de artistas parintinenses em suas equipes.
Postagem de parabenização dos artistas Alessandro Oliveira e Fabson Rodriguez, do Garantido, campeões pela escola Mocidade Alegre. Foto: Divulgação/Instagram-Marialvobrandao
Começando pela capital paulista, o título da escola Mocidade Alegre conquistou o 13º troféu da sua história com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, em homenagem à atriz Léa Garcia, falecida em 2023, aos 90 anos.
A vitória teve a contribuição de Alessandro Oliveira e Fabson Rodriguez, artistas do boi Garantido, e da dupla Kelson Matos e Estevão Gomes, que atuam no Caprichoso.
Já no Rio de Janeiro, a Unidos do Viradouro faturou o quarto campeonato com o enredo “Pra Cima, Ciça”, que homenageou os 70 anos do mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto.
O título deste ano contou com a participação dos parintinenses Nildo “Naruna” Costa e Alex Salvador, ligados ao boi Caprichoso, onde foram responsáveis pela construções das alegorias.
Equipe de Nildo Costa (o quinto da esquerda para direita) na campeã Viradouro, do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação/Boi Caprichoso
Mais PIN no eixo RJ-SP
Além das campeãs, outras escolas de samba também contaram com a experiência de outros artistas parintinenses ligados aos bois Caprichoso e Garantido.
Em São Paulo, os azulados Nei Meireles (Império da Casa Verde), Eddi Dude (Mancha Verde), Rayner Pereira (Gavião da Fiel), Zico Almeida (Tom Maior), Nonôca Alfaia (Águia de Ouro) e Márcio Gonçalves (Acadêmicos do Tatuapé) atuaram no carnaval paulista.
Do lado da Baixa, os profissionais Adriano Paketá (Tom Maior), Luiz Sampaio (Império da Casa Verde), Sorin Senna (Colorado do Brás), Juciê Souza (Camisa 12), Wendel Miranda (Águias de Ouro) e o grupo Gandhicats (Tom Maior) estiveram presentes no Sambódromo paulista.
Já no RJ, Jucelino Ribeiro (Salgueiro), Kennedy Prata (Beija-Flor de Nilópolis), Brás Lira e Marlucio Pereira, (ambos da Unidos da Tijuca e Mangueira) representaram o Touro Negro na folia carioca, enquanto que Netto Barbosa e Anderson Rodrigues (ambos pela Acadêmicos da Grande Rio e Portela), Leandro Oliveira (Salgueiro), Kemerson Guerreiro (Beija-Flor de Nilópolis) levaram a inspiração vinda do boi vermelho e branco.
Reconhecimento
Nas redes sociais, os bois Caprichoso e Garantido destacaram a atuação dos artistas de Parintins no carnaval das principais cidades do país.
Um evento que une a energia do carnaval com a magia do boi-bumbá: este é o Carnaboi. A festa, que tem duas edições – uma em Parintins e outra em Manaus, cidades no Amazonas – reúne foliões carnavalescos e torcedores dos bois Caprichoso e Garantido.
O Carnaboi fecha a temporada momesca e marca o início da temporada bovina nas cidades, com foco no Festival Folclórico de Parintins, quando os bois-bumbás Caprichoso e Garantido disputam o título de campeão. A disputa é realizada sempre no fim do mês de junho, por isso a temporada inicia logo após o carnaval, com ensaios e outros eventos tradicionais no calendário bovino.
A 25ª edição do Carnaboi, realizada nos dias 20 e 21 de fevereiro no Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo de Manaus, reúne apresentações de artistas amazônidas e dos bois-bumbás Caprichoso, Garantido, Tira Prosa, Corre Campo, Garanhão e Brilhante, a partir das 19h.
Este ano as noites são temáticas e a entrada é gratuita. Confira os horários das apresentações do dia 20 de fevereiro (sexta-feira):
1ª noite – ‘Boi Bumbá, Brinquedo de São João’
19h – abertura com os bois Tira Prosa e Corre Campo;
19h30 – Grupo A Toada, Kamayurá e Itamar Benarrós;
20h10 – Gean Figueira, Adriano Aguiar e Vanessa Alfaia;
20h50 – Márcia Novo e Helen Verás;
21h30 – Fabiano Neves e Klinger Jr.;
22h10 – David Assayag e Erick Juan;
23h à 0h20 – show especial Garantido e Caprichoso;
A FAPESP lançou uma chamada de propostas em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) para o financiamento de pesquisas em ciência, tecnologia e inovação em bioeconomia amazônica, a partir da articulação de colaborações entre pesquisadores dos Estados de São Paulo e doAmazonas.
A chamada – a terceira no âmbito do acordo de cooperação entre as instituições – visa apoiar a criação e o aprimoramento de tecnologias, processos e produtos inovadores para a valorização da sociobiodiversidade amazônica, a transição para uma economia de baixo carbono e a inclusão social.
A FAPESP e a Fapeam também pretendem fomentar pesquisa em inovação e tecnologia avançada com potencial de gerar cadeias de valor sustentáveis e que contribuam com a inserção mercadológica de bioprodutos e biotecnologias amazônicas em cadeias de valor nacionais e globais, incluindo a criação ou o aprimoramento de mecanismos de certificação e rastreabilidade.
Sede da Fapeam em Manaus. Foto: Divulgação / Fapeam
Para quem é a chamada?
A chamada está aberta a pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior e pesquisa de São Paulo e do Amazonas. As propostas devem ter como representantes dois coordenadores, um de cada Estado, e devem ser elaboradas conjuntamente entre as metades paulista e amazonense do consórcio.
Serão apoiadas propostas que se atenham às quatro linhas temáticas da chamada:
Linha 1 – Governança, Instrumentos Regulatórios e Modelos de Negócios Sustentáveis em Bioeconomia, tendo como foco principal a estruturação, a viabilidade e a competitividade do ambiente bioeconômico;
Linha 2 – Descarbonização, Energias Renováveis e Economia Circular na Amazônia, cujo objetivo predominante é o impacto ambiental e energético da tecnologia/processo/serviço proposto;
Linha 3 – Desenvolvimento de Bioprodutos, Bioprocessos e Biotecnologias da Sociobiodiversidade, com foco na geração de soluções tecnológicas inovadoras derivadas da biodiversidade amazônica;
Linha 4 – Valorização do Capital Humano e Economia Criativa para a Bioeconomia, instrumentalizando identidades culturais como vetores estratégicos para o desenvolvimento da bioeconomia e incluindo ações de empreendedorismo social.
A FAPESP e a Fapeam apoiarão projetos por até 36 meses. Serão selecionados até dez projetos. A Fapeam destinará um total de R$ 2 milhões para a chamada. A FAPESP reservou um valor global de R$ 6 milhões e aplicará à chamada as normas de apoio e condições de elegibilidade da modalidade de fomento Auxílio à Pesquisa Regular.
Cada coordenador deverá submeter proposta à Fundação de Amparo à Pesquisa de seu respectivo estado, por meio do SIGFapeam, do lado amazonense, e do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe), do lado paulista. O prazo para submissão é 23 de março.
Uma expedição de campo promovida pelo Projeto Ybyrá, da Fiocruz, financiado pelo Ministério da Saúde, por meio do edital Inova Saúde Indígena, teve início no dia 7 de fevereiro integrando diferentes iniciativas de pesquisa em saúde pública voltadas para populações indígenas isoladas do Amazonas.
Composto por equipes de pesquisadores da Fiocruz Amazônia, Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-Fiocruz), entre outras instituições parceiras, o projeto tem como finalidade promover o levantamento de dados clínicos, epidemiológicos e socioambientais junto às populações de 13 aldeias indígenas da etnia Munduruku, localizadas territórios remotos situados na calha do Rio Canumã, afluente do Rio Madeira, entre os municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, a cerca de 300 quilômetros de Manaus.
A equipe tem trabalhado na coleta de amostras biológicas humanas e de animais, para o rastreamento de possíveis patógenos que possam estar circulando nas áreas peridomiciliares, e oferecendo exames, que deveriam ser rotina na assistência, mas se tornam de difícil acesso para indígenas isolados.
São realizados: hemograma, hemoglobina glicada e PCR para diabéticos e hipertensos, HPV para mulheres (protocolo do autocoleta), além de ações de controle social e empoderamento das comunidades, com palestras sobre direitos humanos, acesso à saúde indígena, inseguranças alimentar e hídrica, impacto dos alimentos ultraprocessados na saúde, saúde bucal, qualidade da água para uso e consumo e educação em saúde.
“A ideia do projeto é permitir uma atuação em rede, numa visão integrada de território de saúde, para entender o impacto das mudanças climáticas na vida dos indígenas e o que está acontecendo, por exemplo, em relação às doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, em função do consumo de ultraprocessados nas aldeias, doenças causadas por vetores como insetos e roedores, que não são diagnosticadas, porque as pessoas não saem para fora das aldeias para realizar exames e ter o diagnostico correto”, explica um dos coordenadores do Ybirá, o virologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia, Pritesh Lalwani.
Segundo ele, a equipe permanecerá na região ao longo de 16 dias, vivenciando o atual período de cheia dos afluentes. Depois, retornará, entre os meses de agosto e setembro, na seca extrema para um novo levantamento e devolutivas do projeto.
De acordo com o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, que coordena também a expedição, o Ybyrá visa pesquisar a interrelação entre saúde animal, humana e ambiental numa área indígena remota, em diferentes contextos de extremos climáticos.
“A crise climática já chegou como crise de água e comida nos territórios indígenas remotos que já são vulnerabilizados social e ambientalmente. Quando a seca prolonga ou quando a cheia vem extrema e alaga roças e caminhos da floresta , não é só o ‘clima’ que muda: muda o acesso à água segura, a disponibilidade de alimentos tradicionais, a possibilidade de pescar, plantar e armazenar alimentos e até a logística para chegar a um posto de saúde”, explana Tobias.
Fotos: Divulgação/Projeto Ybyrá
Segundo o pesquisador, nesses contextos aumentam os casos de diarreia e outras doenças de veiculação hídrica. “Agrava a desnutrição e anemia, piora o controle de doenças crônicas e infecciosas. Por isso, falar de saúde na Amazônia indígena hoje é falar de adaptação climática a partir do território”, aponta Rodrigo Tobias, que tem estudado a interrelação entre inseguranças hídricas e alimentar no território inégna em cenários extremos climáticos.
O Ybyrá utiliza o modo de fazer pesquisa intervenção integrada, em que estão atuando conjuntamente equipes de quatro projetos de pesquisa diferentes da Fiocruz e parceiros como:
Universidade Federal do Amazonas (UFAM),
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA),
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp),
Universidade de Campinas (Unicamp),
Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi),
DSEI Manaus,
Agência de Gestão do SUS (Agesus),
Secretaria de Saúde Indígena (Sesai)
e Fundação Nacional do Índio (Funai).
“Trata-se de um consórcio de projetos que tem essa característica de pesquisa colaborativa implicada com mudança social junto ao controle social indígena”, afirma Tobias.
“O projeto foi aprovado em comitê de ética e estamos na fase de coleta de dados, empoderamento, educação e controle social, e voltaremos numa segunda etapa, na extrema seca, para fazermos as mesmas atividades e devolvermos parte das pesquisas para as populações”, enfatiza o pesquisador. Pritesh Lalwani destaca também a importância da assistência em saúde oferecida pelo projeto.
“Essa é a contribuição social desse projeto em rede, uma vez que atuando juntos estamos trazendo uma visão integrada do território, buscando entender os impactos das mudanças climáticas e ambientais para uma população que também é negligenciada e enfrenta dificuldades”, enfatiza Pritesh, acrescentando que o trabalho busca entender o impacto também na saúde de animais domésticos que atuam como sentinelas de patógenos nessas áreas.
“Juntamos pesquisa e assistência para o povo isolado dessa região e estamos desenhando um modelo inédito de execução de pesquisa e assistência que pode vir a se tornar política pública para os territórios indígenas do País”, observa Lalwani.
Antes da expedição, que é a primeira realizada oficialmente pelo Ybyrá, as equipes participaram, em Manaus, de reuniões de alinhamento e treinamento no uso aplicativo, software REDCap, para preenchimento de questionários utilizados durante as atividades de coleta para gerenciamento e disseminação dos dados de pesquisa. “Todos os envolvidos no Ybyrá irão coletar dados sobre Saúde Única, englobando condições de vida, qualidade da água, alimentos, condições climáticas, controle social e educação em saúde”, completa Pritesh.
A expedição, que retorna a Manaus no dia 22/02, ocorre em uma embarcação adaptada que desce o Rio Cunamã e visita aldeias mais distantes. Os indígenas adentram o barco, passam por um circuito previamente pensado para aplicação de questionários, realização de triagem e por fim coleta de amostras de sangue.
“Assim, fazemos uma pesquisa interativa e realizamos oficinas temáticas, grupos focais com lideranças e educação em saúde, interagindo com as comunidades em seu ambiente natural”, comenta Tobias, desatacando o ineditismo do roteiro de coleta de dados de forma embarcada e com diversos grupos de pesquisa convivendo no mesmo ambiente.
Fotos: Divulgação/Projeto Ybyrá
Impacto social da pesquisa
Para a tecnologista em Saúde Pública e pesquisadora da Fiocruz Amazônia Katia Maria Lima de Menezes, que também integra a coordenação do Ybyrá, o projeto é de suma importância para o território.
“Essa é uma área onde os indígenas têm muitas dificuldades de realizar exames, precisam fazer longos deslocamentos para conseguir realizar um hemograma. O Projeto Ybyrá está possibilitando essa oportunidade de oferecer exames com o comprometimento da entrega dos resultados. Com certeza, é o maior impacto social que o projeto vai gerar”, afirma Kátia Lima, que coordena outro projeto financiado pelo Programa Inova da Fiocruz voltado ao fortalecimento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional em territórios indígenas.
Ela destaca ainda a importância da coleta de amostras para diagnóstico de HPV. “Esse exame (HPV) vai gerar impacto na saúde das indígenas que vivem na região, sobretudo as mulheres que nunca o fizeram, impactando diretamente na prevenção do câncer de colo de útero, principal causa de morte por câncer entre mulheres no Amazonas.
Para as lideranças do controle social indígena na região, a chegada do Projeto Ybirá representa um marco histórico para as comunidades da Calha do Canumã. “O nosso sentimento é de gratidão”, ressalta Pedro Santa Rita, presidente do Condisi e liderança indígena local.
“A vinda do projeto para essa região tão isolada é um grande avanço e uma grande conquista para o nosso povo”, afirma Santa Rita.
Algumas aldeias ficam situadas a quilômetros de distância da sede do município de Nova Olinda, onde está atracada a embarcação que transporta a equipe do projeto.
“Somos muito gratos por um projeto desse escolher as aldeias da Calha do Canumâ, com povos isolados, muito longínquas da cidade, de difícil acesso e difícil comunicação. Para nós é uma novidade e uma realização histórica, saber que todas as coletas terão retorno. Por isso, agradecemos a todos e em especial à Fiocruz por estar cuidando do nosso povo com muita responsabilidade”, enfatizou.
Outra liderança da região, Kleuton Mundurucu, reforçou a importância da contribuição do projeto para o território, ressaltando as potencialidades do projeto em relação a novas parcerias.
“Hoje, sabemos que a saúde indígena tem algumas dificuldades em relação a exames, principalmente os que estão sendo oferecidos pelo Projeto Ybyrá. Estamos muito felizes e orgulhosos de ter vocês aqui no nosso território trazendo melhorias para a qualidade do acesso à saúde das populações indígenas, numa iniciativa que pode se estender a outros territórios”, afirmou.
O Pará registrou redução de 40% na área sob alertas de desmatamento no período de agosto de 2025 a janeiro de 2026, conforme dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
No acumulado, o Estado contabilizou 488 km² de área sob alerta, frente aos 809 km² verificados no mesmo intervalo do ciclo anterior (agosto de 2024 a janeiro de 2025), o que representa queda absoluta de 321 km².
O resultado estadual superou a média registrada na Amazônia Legal. Considerando todos os estados da região, a área total sob alertas caiu de 2.050 km² para 1.324 km² no mesmo período, retração de 35%, equivalente a 725 km² a menos em relação ao ciclo anterior.
Políticas integradas e monitoramento contínuo do desmatamento
“A redução de 40% nos alertas de desmatamento demonstra que o Pará está no caminho certo. Temos investido em fiscalização, inteligência ambiental, regularização fundiária e no fortalecimento da bioeconomia como alternativa sustentável. Esse resultado é fruto de planejamento, tecnologia e integração entre os órgãos”, afirmou o governador Helder Barbalho.
O secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará, Raul Protázio Romão, destacou que os números refletem a consistência das estratégias adotadas.
“Os dados demonstram que as medidas implementadas têm produzido efeito concreto. O monitoramento, as ações preventivas e as operações em campo têm sido fundamentais para esse avanço”, ressaltou.
Segundo o secretário, o acompanhamento contínuo por meio das plataformas de monitoramento ambiental e a articulação com municípios prioritários permanecem como eixos centrais para consolidar a redução e garantir resultados sustentáveis ao longo do tempo.
MPF aponta riscos relacionados à exploração de petróleo pela Petrobras na Foz do Amazonas. Foto:Enrico Marone/ Greenpeace
O Ministério Público Federal (MPF) enviou duas recomendações ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Petrobras acerca dos riscos da exploração de petróleo na Foz do Amazonas. O órgão pede a suspensão imediata do licenciamento de pesquisas sísmicas e exige que a análise dos impactos considere os poços previstos para o bloco FZA-M-59 de forma conjunta, e não isolada.
Para os procuradores e procuradoras da República no Pará e no Amapá, a forma como os processos estão sendo conduzidos esconde os verdadeiros riscos socioambientais da exploração de petróleo na região.
Um dos pontos centrais de uma das recomendações é o bloco de exploração FZA-M-59. O MPF aponta uma contradição entre o que a Petrobras diz à sociedade e o que ela planeja tecnicamente.
Nos materiais de comunicação e reuniões com as comunidades, a Petrobras aborda a perfuração de apenas um poço (chamado “Morpho”). Já em um cronograma atualizado apresentado pela empresa, os estudos ambientais já preveem a perfuração de outros três poços no mesmo bloco (“Marolo”, “Manga” e “Maracujá”), entre 2027 e 2029.
Segundo o MPF, além de prejudicar o conhecimento público sobre a proporção real das atividades previstas, ao licenciar um poço de cada vez, o impacto total é mascarado. Quando quatro poços são perfurados na mesma região, os riscos de vazamentos, o barulho das máquinas e o fluxo de navios se somam, criando um impacto muito maior do que seria mensurado ao considerar cada poço de forma individual e independente. Para o MPF, os impactos devem ser analisados considerando os efeitos cumulativos e sinérgicos.
A outra recomendação foca na pesquisa sísmica — um método que usa canhões de ar comprimido para emitir pulsos sonoros potentes e mapear o petróleo no fundo do mar.
O MPF identificou que o licenciamento dessas pesquisas está avançando sem dados primários. Isso significa que a empresa responsável não foi ao local coletar informações reais sobre todo o ecossistema que vive ali.
Além de destacar que a região abriga o Cânion do Rio Amazonas e recifes de corais, que são áreas de extrema sensibilidade biológica, o MPF aponta que pareceres técnicos do próprio Ibama confirmam que não foi apresentado o diagnóstico de meio ambiente que foi exigido. Segundo o MPF, sem esses dados, as reuniões técnicas informativas (RTIs) com a população são inválidas, pois a sociedade acaba sendo consultada sobre um projeto cujo impacto real não é conhecido nem pelos próprios técnicos do projeto.
O MPF também contesta o uso frequente do argumento de “defesa do interesse nacional” e “independência energética” para acelerar as licenças. Os procuradores e as procuradoras da República explicam que, no modelo de exploração da Foz do Amazonas atual – regime de concessão -, a propriedade do petróleo e do gás extraídos é transferida para as empresas que ganham o direito de explorar. O resultado do 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC), por exemplo, resultou na adjudicação de blocos a um consórcio majoritariamente composto por grandes corporações transnacionais, tais como Chevron, Equinor, ExxonMobil, Petrogal, Karoon, CNODC e Shell.
Como muitas dessas empresas são grandes corporações estrangeiras, o lucro da atividade vai prioritariamente para acionistas ao redor do mundo, e não para o Brasil. Para o MPF, o uso da “soberania” como justificativa é contraditório, pois o controle do recurso natural é entregue ao capital internacional, enquanto os custos ambientais operacionais e os riscos de um eventual desastre são assumidos integralmente pelas comunidades locais e pelo ecossistema brasileiro.
Para garantir a segurança das populações e do meio ambiente na região da Foz do Amazonas, o MPF fez pedidos específicos:
Ao Ibama:
– Não autorize a perfuração dos poços Marolo, Manga e Maracujá sem que a Petrobras apresente os estudos técnicos necessários;
– Condicione qualquer avanço no Bloco FZA-M-59 à análise conjunta dos quatro poços previstos, considerando os efeitos sinérgicos e cumulativos;
– Suspenda o prazo para manifestação pública e as Reuniões Técnicas Informativas, até que os estudos necessários para as pesquisas sísmicas sejam realizados corretamente;
À Petrobras:
– Retifique e atualize, em 30 dias, o projeto de comunicação social e os boletins informativos, para que conste de forma clara a previsão de perfuração dos quatro poços ao invés de um;
– Atualize todos os canais oficiais da empresa, removendo informações que considerem a perfuração de apenas um poço, garantindo o direito à informação e a transparência ambiental.
A Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), exibiu a segunda videoaula do projeto Rede Educa com o tema “Introdução ao ESG”. O conteúdo apresentou os fundamentos do conceito e destacou a importância da aplicação prática dos princípios ambientais, sociais e de governança para a competitividade das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM).
A aula foi conduzida por Lorë Kotinski Aguiar, doutora em Comunicação, com pesquisa voltada ao ESG. Durante a exposição, a especialista abordou temas relacionados ao meio ambiente, sustentabilidade, responsabilidade corporativa e governança, além de explicar como as empresas podem estruturar ações alinhadas aos três pilares do ESG, gerando impacto positivo nas comunidades e fortalecendo o desenvolvimento regional.
ESG e competitividade no cenário internacional
Ao longo da videoaula, Lorë Kotinski ressaltou que o ESG deixou de ser tendência para se tornar requisito estratégico, especialmente diante das exigências do mercado global.
“Para as empresas do Polo Industrial de Manaus, o ESG é fundamental, especialmente no cenário atual. O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia abre um mercado gigantesco, mas com regras claras e rigorosas nas áreas ambiental, social e de governança. Por isso, mais do que falar em ESG, é essencial que essas práticas estejam efetivamente presentes nas empresas, tornando-as cada vez mais competitivas, principalmente no mercado de exportação”, destacou.
Formação alinhada à realidade amazônica
O projeto Rede Educa tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre preservação ambiental, sustentabilidade e o papel das empresas e da sociedade na construção de um modelo de desenvolvimento mais responsável e alinhado às demandas contemporâneas.
Os conteúdos são estruturados para dialogar diretamente com a realidade amazônica, promovendo informação qualificada, acessível e conectada aos desafios do setor produtivo regional.
A segunda videoaula do Rede Educa foi exibida no Amazon Sat e está disponível gratuitamente no canal oficial da Fundação Rede Amazônica no YouTube:
O projeto Rede Educa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM).
Saberes, o cuidado com a família e a relação profunda com o território onde vivem. Esses aspectos do cotidiano aparecem no filme ‘Mulheres que Sustentam a Amazônia‘, lançado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Arquidiocese de Santarém (PA).
A produção contou com o apoio do curso de Geografia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), ligado ao Instituto de Ciências da Educação (Iced).
O filme reúne depoimentos de mulheres da comunidade Jatobá, no município de Mojuí dos Campos (PA), e do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Serra Azul, em Monte Alegre (PA).
O curso de geografia auxiliou na produção a partir do diálogo contínuo com as lideranças mulheres e ida de professores e alunos às comunidades. Nas dinâmicas de grupo, buscavam instigar a compreensão das mulheres com relação às suas realidades, sua relação ao pertencimento e a sua responsabilidade no campo.
Foto: Divulgação/ Ufopa
Também houve abordagens sobre a função dessas mulheres na luta contra o avanço de setores vinculados aos monocultivos da agricultura capitalista.
O filme foi lançado no último dia 6 de fevereiro na Unidade Rondon da Ufopa – Campus Santarém, quando houve a primeira exibição da obra.
Sobre o filme
A produção busca potencializar as vozes das mulheres que vivem e resistem nos territórios amazônicos. Mais do que registrar histórias, o filme tem como objetivo evidenciar o papel fundamental das mulheres na sustentação da vida, da cultura e da resistência na região.
As vozes que conduzem a narrativa surgem da roça, da floresta e do coração das comunidades, revelando um cuidado que vai além das tarefas diárias: trata-se de um modo de viver, transmitido entre gerações, que preserva a saúde, a memória, a educação dos filhos e o afeto comunitário.
O filme destaca que, para essas mulheres, o cuidado é um ritmo constante, comparado ao cultivo da terra: plantar, proteger, esperar e colher.
Os saberes tradicionais, herdados das avós — como o uso de plantas medicinais e práticas de cura — aparecem como expressões de resistência e identidade.
Da mesma forma, a educação dos filhos é apresentada como um ato de proteção, para que as novas gerações não percam suas raízes diante dos desafios do mundo exterior.
A ‘Expedição de Mapeamento de Riscos e Desastres no Médio Solimões‘ partiu de Tefé, no Amazonas, no dia 20 de janeiro, com destino a 50 comunidades ribeirinhas e indígenas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e ao longo do Rio Solimões, passando pelos municípios de Tefé, Uarini, Alvarães, Juruá e Fonte Boa.
A expedição, realizada até o dia 11 de fevereiro, propôs entrevistar mais de 500 pessoas com o objetivo de analisar os fenômenos naturais e desastres ambientais que têm ocorrido na região, além de compreender como as populações ribeirinhas da região se adaptam e enfrentam esses cenários.
Durante as visitas às comunidades, os pesquisadores realizam entrevistas com líderes comunitários e famílias para coletar informações detalhadas sobre cheias e secas, fenômenos de terras caídas, formação de praias, quedas de árvores, qualidade do solo, perda do pescado, além de dificuldades de locomoção e acesso à alimentação, escassez de água potável e surgimento de doenças.
Além das entrevistas, o grupo de pesquisadores realiza registros fotográficos e utiliza drones para mapeamento e reconhecimento das áreas, com a finalidade de descrever as características geográficas das comunidades e identificar, de forma técnica, os riscos ambientais enfrentados por cada uma delas. Imagens de satélites também deverão ajudar na análise.
Expedição começou em janeiro. Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá Foto: Tácio Melo
Para Paula Silva, pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais da Amazônia, do Instituto Mamirauá, ouvir as comunidades é fundamental para um mapeamento ainda mais aprofundado.
“A ideia é ir além do diagnóstico técnico. Para isso, precisamos ouvir os relatos dos comunitários, a fim de compreender melhor como eles se adaptam e enfrentam esses eventos extremos”, explica.
Segundo a pesquisadora, durante as visitas foi possível coletar informações de moradores mais antigos, que trouxeram narrativas comparativas entre o presente e o passado de seus territórios. “Alguns entrevistados relataram o aumento do calor durante o verão e como as chuvas e corredeiras têm se tornado mais intensas”, acrescenta.
Para o tuxaua da Aldeia Laranjal, Paulo Miranha, é fundamental que as comunidades sejam ouvidas, já que cada uma carrega experiências e vivências importantes.
“Vejo essa pesquisa como uma oportunidade de falar sobre os desafios e problemas enfrentados aqui na aldeia. Agradeço pela presença de vocês, pois é ouvindo nossas vozes que será possível compreender melhor as dificuldades e as transformações que nossos territórios vêm passando”, afirma.
Necessidade da pesquisa
Os territórios amazônicos passam por constantes transformações. A Amazônia sempre enfrentou fenômenos naturais como terras caídas, corredeiras, cheias e secas. No entanto, essas áreas têm se tornado ainda mais sensíveis com o avanço do aquecimento global, o que afeta diretamente a maioria dos povos amazônidas, que vivem, em grande parte, às margens de rios e lagos.
Nesse sentido, a expedição, alcançando 50 comunidades da região do Médio Solimões, busca, por meio de relatos e mapeamentos, produzir novas informações sobre as mudanças climáticas e ambientais nesses territórios, contribuindo para a formação de políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida dessas populações.
Ainda sobre o mapeamento, a partir de entrevistas, relatos e imagens, o grupo de pesquisa deve descrever de forma detalhada os níveis de riscos, os desastres e os problemas enfrentados por cada comunidade em relação às mudanças climáticas e fenômenos naturais.
“Esperamos que as informações geradas possam subsidiar políticas públicas de gestão de riscos e desastres, assim como ações voltadas à agenda climática, além de apoiar o trabalho de órgãos como a Defesa Civil”, acrescentou Ayan Fleishmann, pesquisador do Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais da Amazônia, do Instituto Mamirauá.
A iniciativa, além de aproximar as comunidades da pesquisa científica, fortalece a articulação entre instituições de pesquisa e universidades. Participaram da expedição pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas, de Tefé e Tabatinga, e da Universidade Internacional da Flórida, dos Estados Unidos.
Realizada pelo Instituto Mamirauá, a expedição é financiada pela Gordon and Betty Moore Foundation, com apoio da Florida International University e da Universidade do Estado do Amazonas, Polo Tefé.
Considerado o segundo maior evento de Parintins, cidade mundialmente conhecida pelo Festival Folclórico e pela histórica disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido, o Carnailha se consolida como uma das mais tradicionais manifestações culturais do município amazonense. A festa é realizada anualmente no domingo, na segunda e na terça-feira de Carnaval, reunindo milhares de foliões “na avenida”.
Na disputa do Grupo Irreverente, sete blocos competem: Invasão na Folia, Os Belezuras, As Tiazinhas, Pantera Cor de Rosa, Lagarto Salgado, Chitara da Chapada e Os Piratas. Já na Chave Especial, seis blocos disputam o título de campeão: Os Metralhas, Bad Boy, Império do Palmares, FAX, Unidos do Itaúna e Rubro Negro.
De acordo com a vice-prefeita de Parintins, Vanessa Gonçalves, a expectativa é que mais de 50 mil pessoas tenham passado pela cidade para participar do circuito carnavalesco ao longo da programação, já que em 2026, o Carnailha teve uma estrutura ampliada e um forte esquema de segurança. A prefeitura deve divulgar os dados consolidados até o fim da semana.
O investimento foi de cerca de R$ 2 milhões para garantir a realização do evento, além do suporte da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal, do Ministério Público e do Conselho Tutelar, que garantiram a organização do circuito e a proteção do público.
Segurança reforçada nas três noites
Foto: Pedro Coelho/Secom Parintins
Ao todo, o 11º Batalhão da Polícia Militar empregou 108 policiais, com média de 50 agentes por noite, além de seis viaturas e três motocicletas distribuídas em pontos estratégicos da cidade.
Além disso, de acordo com o capitão Almeida, o 19º Grupamento de Bombeiros Militar trabalhou com força operacional completa, disponibilizando três viaturas, entre unidades de combate a incêndio e de resgate.
Segundo o Sargento Luiz Carlos Miranda, a Guarda Municipal de Parintins contou com 40 agentes, que foram responsáveis, principalmente pela segurança interna do evento, e atuaram nas entradas de arquibancadas e camarotes garantindo a organização.
De acordo com a prefeitura, o Ministério Público e o Conselho Tutelar também participaram com ações de fiscalização, voltadas à prevenção de irregularidades e no acompanhamento de eventuais ocorrências envolvendo o público infanto-juvenil.
Segundo Kill Serrão, membro da Comissão Organizadora, a estrutura do circuito carnavalesco teve aproximadamente 200 metros, com arquibancadas, 50 camarotes, praça de alimentação e ordenamento das barracas.
A montagem envolveu aproximadamente 50 trabalhadores responsáveis pela instalação de camarotes, arquibancadas, sistema de som e iluminação.
Foto: Reprodução/Amazon Sat
Além disso, o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), Marquinho da Luz, informou que, para garantir o fornecimento de água durante a festa, o SAAE executou uma operação especial com mais de 30 poços tubulares.
Além disso, a estrutura de saúde também foi intensificada, com aproximadamente 300 profissionais mobilizados nas frentes de atendimento e prevenção, divididas entre unidades de Pronto Atendimento, equipes de resgate, hospital e Vigilância em Saúde, durante toda a programação.
Participação dos bois-bumbás na avenida
Os bois de Parintins também participam do evento carnavalesco com a famosa noite dedicada ao Carnaboi, que representa o início da temporada bovina na cidade.
O Boi Caprichoso levou cerca de 700 brincantes, entre eles, 140 marujeiros e 120 dançarinos, além de quatro alegorias e os itens oficiais, como Patrick Araújo, Edmundo Oran, Caetano Medeiros e Jr. Paulain.
Já o Boi Garantido desfilou com mais de 100 batuqueiros, além de também levar alegorias e, claro, os itens oficiais como Sebastião Júnior, Israel Paulain, David Assayag e o amo João Paulo Faria.