A orquídea Telipogon yanesha se destaca por sua beleza discreta e distinta. Foto: Luis Valenzuela
As áreas naturais protegidas do Peru estão mais uma vez surpreendendo o mundo. Uma nova espécie de orquídea foi descoberta nas florestas montanhosas do Parque Nacional Yanachaga Chemillén, na região de Pasco.
Batizada de Telipogon yanesha, esta pequena flor se junta ao exclusivo grupo de “telipogons em miniatura”, dos quais onze espécies já são reconhecidas no país, anunciou o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas do Estado (Sernanp), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (Minam).
A descoberta, feita no coração da Reserva da Biosfera Oxapampa-Asháninka-Yánesha e publicada recentemente na revista científica Phytotaxa, foi anunciada pelo Sernanp, consolidando as áreas naturais protegidas como verdadeiros laboratórios vivos de biodiversidade.
Beleza da orquídea é considerada discreta e particular
A orquídea foi descrita pelos pesquisadores Luis Valenzuela (Jardim Botânico do Missouri, Peru) e William Nauray (Serviço Nacional de Florestas e Vida Selvagem do Peru). Sua beleza discreta e particular se distingue pelas flores amarelo-esverdeadas, com estruturas florais únicas que a diferenciam claramente das demais espécies.
A nova espécie foi encontrada crescendo nos galhos finos de uma árvore da família Melastomataceae (Miconia calophylla), a uma altitude entre 2.100 e 2.300 metros acima do nível do mar. Além disso, como parte da pesquisa, foi observado que esta orquídea floresce em março, coincidindo com um dos meses de maior pluviosidade na região.
O nome escolhido é uma homenagem ao povo Yánesha, uma comunidade indígena que habita as bacias dos rios Pichis e Palcazú, na Reserva da Biosfera Oxapampa-Asháninka-Yánesha. Suas tradições, língua e conhecimento ancestral da flora e fauna refletem a riqueza cultural e a resiliência das comunidades indígenas do Peru, guardiãs históricas da biodiversidade amazônica.
Esta descoberta foi possível graças ao apoio do Jardim Botânico do Missouri, do Herbário Selva Central Oxapampa (HOXA) e da sede do Parque Nacional Yanachaga Chemillén. “Gostaríamos também de agradecer aos pesquisadores Rodolfo Vásquez Martínez e Rocío del Pilar Rojas Gonzáles por suas valiosas contribuições e sugestões. Agradecemos também a colaboração de Shane Verde Q., J. Flores S. e E. Pinche S., que prestaram assistência em campo e com o herbário, respectivamente”, destacaram os pesquisadores.
Registro das onças foi feito por pesquisadores do Projeto Amazon Biodiversity and Carbon (ABC) Expeditions. Foto: Divulgação/ICMBio
Pesquisadores do Projeto Amazon Biodiversity and Carbon (ABC) Expeditions registraram pela primeira vez, na natureza, a reprodução de uma onça-pintada de pelagem preta (melânica). O flagrante, obtido por armadilhas fotográficas, em setembro de 2023, no Parque Nacional da Serra do Pardo, em Altamira (PA), mostra a cópula entre um macho de pelagem comum e uma fêmea melânica.
O estudo foi publicado no mês de agosto na revista científica Ecology and Evolution e representa um marco para o conhecimento do comportamento reprodutivo da espécie.
Segundo o pesquisador do projeto e co-autor do artigo científico, Raffaello di Ponzio, o registro das onças abre novas perspectivas para a ciência e a conservação.
“Esse tipo de estudo ressalta como é fundamental investir em observações de história natural em ambientes tropicais remotos. No caso da fêmea melânica, encontramos indícios de lactação, o que sugere que ela poderia estar interagindo com o macho enquanto mantém seus filhotes ocultos, possivelmente como forma de confundir a paternidade ou reduzir o risco de infanticídio. Isso evidencia a natureza complexa e adaptativa dos sistemas de acasalamento dessa espécie”, explicou.
A descoberta também permite comparações entre comportamentos reprodutivos observados em cativeiro e em ambiente natural.
“Constatamos que a cópula é bastante semelhante nos dois contextos, o que é importante para validar estratégias de conservação ex-situ, apoiando programas de manejo in-situ”, acrescentou Raffaello.
Onça-pintada melânica na Reserva Mamirauá, no Amazonas. Foto: Miguel Monteiro/Acervo Instituto Mamirauá
Registro das onças
O registro foi obtido por uma das 48 armadilhas fotográficas instaladas pelo Programa Monitora em três trilhas do Parque, com câmeras posicionadas a cada 200 metros e em operação por 11 dias. O trabalho contou com apoio logístico do Instituto Chico Mendes (ICMBio), por meio do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Terra do Meio, e da comunidade ribeirinha da Vila de São Sebastião, localizada dentro da UC.
O Projeto ABC Expeditions revisita áreas do antigo RadamBrasil — programa dos anos 1970 que mapeou recursos naturais da Amazônia — para avaliar a biodiversidade, a estrutura florestal e os estoques de carbono. A ideia é comparar dados coletados há 50 anos com a situação atual, medindo o impacto da degradação ambiental e projetando cenários futuros.
As onças-pintadas (Panthera onca) são animais de hábitos solitários, com grandes áreas de vida, o que dificulta a documentação de comportamentos reprodutivos. Indivíduos melânicos são ainda mais raros, representando cerca de 10% da população. Essa variação genética, que torna a pelagem preta, pode influenciar a atividade, o comportamento social e reprodutivo da espécie.
Para Raffaello, registros como esse só são possíveis graças à proteção proporcionada pelas unidades de conservação.
“Elas asseguram que os animais mantenham seus comportamentos naturais, ao mesmo tempo, em que dão suporte logístico, técnico e administrativo às pesquisas. Além de proteger a biodiversidade, fortalecem a ciência brasileira e tornam possíveis avanços inéditos como este”, destacou.
Criado em 2005, o Parque Nacional da Serra do Pardo integra o mosaico de áreas protegidas da Terra do Meio, na bacia do médio rio Xingu, considerado estratégico para a conservação da onça-pintada. A região abriga uma das maiores populações da espécie na Amazônia, reforçando o papel das unidades de conservação para o conhecimento científico e a preservação da fauna brasileira.
“Nasci com uma câmera de cinema em cima de mim”. Foi assim, numa entrevista, que o amazonense Roberto Kahane, um dos maiores nomes do cinema brasileiro, descreveu o início da sua paixão pela sétima arte.
Mas, depois de cinco décadas de vastas contribuições, o diretor, escritor e cineasta faleceu em Manaus (AM) na última sexta-feira (3), aos 77 anos, vítima de um infarto fulminante, deixando vazio imensurável no meio cultural, sobretudo no cenário regional.
Primeiras experiências
Nascido em 7 de setembro de 1948, sua relação com o cinema começou na infância, onde convivia com o hobby do pai, Dr. Salim Kahane. Desde cedo, trocou os brinquedos por películas, equipamentos e o fascínio daquilo que viria fazer parte de cinco décadas de sua trajetória profissional.
Nos anos 1960, Roberto Kahane fez parte de uma geração do movimento cineclubista em Manaus, que revolucionou o cinema amazonense. Ao lado de nomes como Joaquim Marinho e Aurélio Miquiles, foi um dos pilares daquele período que assegurou a conquista de espaço para críticas cinematográfica, realização de curtas-metragens e promoção de festivais.
Suas primeiras experiências cinematográficas aconteceram na segunda metade dos anos 60, com produções coloridas em formato de película de 8 milímetros, algo inovador na área. No 1º Festival de Cinema Amador do Amazonas, em 1966, Roberto realizou três curtas-metragens:
“Plástica e movimento”, com Felipe Lindoso, Raimundo Feitosa e Aldísio Filgueiras;
Em 1969, Kahane participou do I Festival Norte do Cinema Brasileiro, sendo premiado com a obra “A Coisa Mais Bela que Existe ou a trajetória de um seringueiro”, na categoria Melhor Curta-Metragem.
Tal premiação permitiu que o cineasta produzisse, anos mais tarde, o seu primeiro curta de 35 mm, chamado “Manaus”, onde abordou sobre a arquitetura da cidade e o ciclo da borracha.
Foto: Divulgação
Obras e feitos de Kahane
A partir de então, Roberto emplacou mais de 40 produções e participações em projetos audiovisuais, sempre com propósito de unir críticas social e estética experimental, além da valorização do cinema independente local. Entre suas obras estão Como Cansa Ser Romano nos Trópicos (1969) e Noites sem Homem (1974).
Roberto Kahane foi responsável por resgatar o acervo pessoal de Silvino Santos, grande cineasta português pioneiro do cinema e da fotografia na Amazônia. Produziu quatro grandes obras: “Fragmentos da Terra Encantada”, “1922, A Exposição da Independência”, “Vale Quem Tem” e “A Propósito do Futebol”. Elas mostram como era a vida no Rio de Janeiro e em Manaus nos anos 1920.
Já “Silvino Santos – O Fim de um Pioneiro”, de 1970, foi uma outra produção de Roberto que registrou a despedida ao cineasta português, que faleceu em 14 de maio daquele ano.
Televisão
Nas décadas de 1980 e 1990, Kahane dedicou sua vida ao trabalho na televisão amazonense. Casada com Norma Araújo, uma das apresentadoras mais renomadas do cenário local, atuou na produção de programas televisivos de sucesso, entrevistando autoridades, celebridades e ícones regionais. Via de Regra e Programa da Norma, foram algumas das produções realizadas por ambos, onde permaneceram por anos nas grades de programação das emissoras locais.
A Câmera do Dr. Salim
Em 2023, Roberto Kahane finalizou uma obra póstuma do diretor Jean Robert Cézar (falecido em janeiro daquele ano) chamada “Robert Kahane e a Câmera do Dr. Salim”, que retratava a relação do próprio Roberto e seu pai, através de um acervo fílmico guardado por décadas. O documentário abordou a sua vida pessoal e o amor ao cinema, entre latas de filmes herdados de seu pai e negativos raros, além de obras próprias e de terceiros.
Últimos trabalhos
Respeitado por sua relevante contribuição ao cinema local, Roberto Kahane recebeu diversos reconhecimentos nos últimos anos. Em 2019, nove de seus filmes foram exibidos no Cine Teatro Amazonas, reforçando sua importância para a história do cinema. Quatro anos mais tarde, também foi homenageado pelo Cineclube de Arte, que promoveu uma mostra com parte de suas obras.
Em 2023, Roberto foi convidado para dirigir o documentário de aniversário de 125 anos do Teatro Amazonas, para abordar a história da construção do empreendimento e de seus personagens importantes durante o ciclo econômico da borracha. A obra se tornou uma das mais bem produzidas do país.
Em seu último trabalho, Roberto lançou, em maio de 2025, o documentário Etelvina Garcia: A memória Viva, obra que apresenta a trajetória da pesquisadora, jornalista e uma das maiores historiadoras do Amazonas.
Com mais de cinco décadas de vida voltadas ao cinema, Roberto Kahane deixa um enorme legado para as próximas gerações de cineastas, cinéfilos e produtores audiovisuais do Amazonas.
*Com informações do Cineset, Amazônia Incrível e TV Encontro das Águas
Parque Linear da Nova Doca em Belém. Foto: Alexandre Costa/Agência Pará
Belém (PA) terá Pontos de Informação Turística (PITs) com dados bilíngues para acolhimento aos visitantes que participarão da COP30, que acontecerá em novembro. Diante da expectativa de receber mais de 40 mil visitantes na Conferência Mundial do Clima, as estruturas trarão informações sobre a cidade em pontos de grande circulação e estratégicos do evento.
O anúncio foi feito pelo ministro do Turismo, Celso Sabino, durante agenda com o presidente Lula na quinta-feira (2), na capital paraense, para a inauguração do Parque Linear da Nova Doca.
O Protocolo de intenções que viabiliza a instalação dos PITs faz parte de um acordo que une esforços do Ministério do Turismo, da Secretaria Extraordinária para a COP30, da Embratur, do Governo do Pará e da Prefeitura de Belém.
O ministro Celso Sabino destacou que os Pontos de Informação Turística reforçam a importância da COP30 como um marco para o turismo amazônico.
“Esse acolhimento com os pontos de informação posicionados estrategicamente vão mostrar ao mundo o potencial do Pará e do Brasil, oferecendo uma experiência acolhedora, informativa, alinhada à sustentabilidade e fortalecendo o legado da COP da Amazônia para o turismo nacional”, afirmou o ministro.
A visita do presidente da República à cidade teve como objetivo entregar obras da COP30 e anunciar novos investimentos, e os PITs fazem parte da estratégia do turismo para atender o grande público esperados no encontro.
Agenda em Belém (PA) marcou anúncio da instalação de Pontos de Informação Turística (PITs) na cidade para a COP30. Fotos: Alessandra Serrão/MTur
O presidente Lula agradeceu o empenho do ministro Celso Sabino na preparação da COP30 e frisou que o encontro deste ano vai reforçar a imagem positiva do Brasil no exterior.
“Nós vamos virar motivo de orgulho para o mundo a partir dessa COP. Aqui, quando a gente resolve trabalhar com o governo municipal, o governo estadual e o governo federal juntos, ninguém consegue segurar. A gente quer ser o exemplo mundial de defesa do clima”, declarou Lula.
Ao ressaltar os números da atividade turística brasileira na sua fala, Celso Sabino ressaltou que os esforços do governo federal vêm mudando a história do turismo do Brasil. “O resultado mais gratificante é o que toca o cidadão: a geração de empregos. Desde 2023, foram mais de 500 mil vagas com carteira assinada criadas em atividades ligadas ao turismo”, enfatizou o ministro.
Também participaram do anúncio o governador do Pará, Helder Barbalho; o prefeito de Belém, Igor Normando; o diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri; o ministro das Cidades, Jader Filho, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, entre várias outras autoridades.
A instalação dos Pontos de Informação Turística será realizada em pontos estratégicos de Belém, incluindo áreas de grande fluxo de visitantes, como o Aeroporto Internacional, a Estação das Docas, os arredores da Basílica de Nazaré e as zonas Verde e Azul da COP30.
As unidades vão oferecer atendimento bilíngue, informações sobre roteiros culturais, gastronômicos e de ecoturismo, além de orientações sobre serviços essenciais, como saúde, segurança e transportes.
Também estão previstas ações interativas, a disponibilização de totens digitais, estandes temáticos e a distribuição de materiais sustentáveis e informativos, reforçando a imagem de um Brasil comprometido com a biodiversidade e o turismo responsável.
A rede de PITs oferecerá suporte durante a COP30, mas também será um legado duradouro para o turismo de Belém e do Pará, consolidando a cidade como destino estratégico para o ecoturismo, o turismo cultural e de base comunitária.
Um estudo pioneiro realizado por pesquisadores do Instituto Mamirauá na Amazônia Central acaba de trazer a primeira evidência da ingestão de microplásticos por um primata que vive em árvores – o guariba, também conhecido como macaco-bugio (Alouatta juara). A descoberta, publicada na revista EcoHealth, acende um alerta sobre a contaminação por plásticos em florestas tropicais e seus impactos em animais silvestres.
Cientistas analisaram o conteúdo estomacal de 47 animais, cujos estômagos foram doados por caçadores de subsistência de duas Reservas de Desenvolvimento Sustentável no Amazonas: Mamirauá e Amanã. Os animais foram caçados entre 2002 e 2017 como parte do sustento das comunidades locais – nenhum foi morto para a pesquisa.
Em dois dos estômagos, ambos de animais que viviam em florestas de várzea (alagadas sazonalmente), os pesquisadores identificaram fibras de microplástico com menos de 5 mm de comprimento. As partículas eram semelhantes a filamentos provenientes de redes de pesca abandonadas, conhecidas como “redes fantasmas”.
RDS Mamirauá. Foto: Daniel Marques via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
Implicações ecológicas e sanitárias dos microplásticos
A presença de microplásticos em um animal arborícola e folívoro (que se alimenta principalmente de folhas) era algo inesperado. A hipótese é que, durante as cheias anuais, as redes de pesca perdidas nos rios se decompõem e seus fragmentos são carregados pela água, contaminando a vegetação que serve de alimento aos macacos.
De acordo com Anamelia Jesus, pesquisadora do Instituto Mamirauá e primeira autora do estudo: “encontrar essas partículas de plástico no estômago de guaribas é preocupante. Nós já sabemos que a poluição plástica é algo muito difícil de controlar e encontrá-la na fauna silvestre, em um ambiente conservado, como o das reservas, acaba sendo mais um alerta. Especialmente quando a gente encontra essas partículas num animal arborícola, que não vai ter tantas oportunidades de contato com qualquer resíduo que possa ficar no solo da floresta”.
Além dos riscos diretos aos animais – como problemas digestivos, desnutrição e toxicidade –, o consumo de carne de caça por populações humanas pode levar à bioacumulação de microplásticos também em pessoas. Estudos recentes já encontraram microplásticos na placenta humana, associados a estresse oxidativo e inflamação.
A pesquisa reforça a urgência de políticas públicas que reduzam o uso de plásticos descartáveis, promovam materiais alternativos e incentivem o descarte adequado de resíduos, especialmente artigos de pesca. A poluição plástica já não é uma questão apenas em ambientes modificados pela ação humana, mas também em regiões remotas que ainda mantêm florestas bem preservadas.
Um estudo inédito documentou um comportamento pouco conhecido da fauna brasileira: gambás-de-orelha-marrom, também chamados de cuícas-lanosas (Caluromys lanatus), foram flagrados se alimentando de restos de presas deixados em ninhos do gavião-real (Harpia harpyja), a maior águia das Américas.
A pesquisa, conduzida em Salto do Céu (MT), usou armadilhas fotográficas instaladas em um ninho da espécie e revelou que os marsupiais noturnos visitavam o local na ausência da ave para consumir carcaças de mamíferos que eram consumidas pelas aves e filhotes.
Gavião-real era o foco original do estudo, mas cuíca surpreendeu
“Originalmente, estávamos estudando a dieta da harpia [gavião-real], mas nos surpreendemos ao observar a cuíca-lanosa ‘roubando’ restos de comida do ninho”, conta o biólogo Guilherme Siniciato Terra Garbino, professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), um dos autores do artigo publicado na revista Biotropica.
As câmeras permaneceram ativas (fotografando 24 horas por dia) por quase um ano, captando mais de 11 mil fotos e dezenas de vídeos. Nesse período, foram registradas três ocasiões em que a cuíca-lanosa se alimentou de restos de tatus levados pela harpia.
Como o gavião-real é diurno e a cuíca noturna, houve pouca sobreposição de horários, o que permitiu que o mamífero explorasse os restos deixados no ninho. “Esse é o primeiro registro documentado, em fotos e vídeos, de necrofagia em cuícas-lanosas”, explica Garbino. Assista:
Apesar de terem dieta predominantemente frugívora e nectarívora, esses marsupiais já tinham registros ocasionais de consumo de pequenos animais. Agora, a pesquisa confirma que eles também podem desempenhar o papel de necrófagos.
“O estudo comprova um comportamento que já era inferido, mas nunca havia sido registrado de forma direta. Isso mostra que a espécie, embora prefira frutas, aproveita oportunidades de se alimentar de carcaças quando elas estão disponíveis”, detalha o pesquisador. Esse comportamento amplia o entendimento sobre a plasticidade alimentar da espécie.
Cuíca-lanosa. Foto: Machado et al.
Outros mamíferos, como iraras (um mustelídeo), saguis-de-rabo-preto, macacos-da-noite, um marsupial de pequeno porte e esquilos, também foram registrados próximos ao ninho, mas apenas a cuíca-lanosa foi vista consumindo carniça. “Algumas espécies, como a irara, até poderiam consumir animais mortos, mas esse comportamento é raro. Já primatas e roedores preferem frutos, sementes ou invertebrados, e não os restos maiores deixados por predadores”, pontua Garbino.
Para os cientistas, o achado reforça a importância de observar as interações entre espécies no ecossistema. “O papel dos marsupiais como removedores de carcaça é relevante, mas ainda subestimado. Eles ajudam a reciclar nutrientes e a manter o equilíbrio natural, assim como outros animais necrófagos. A ausência de grandes consumidores de carniça na copa das árvores pode ter favorecido esse comportamento oportunista”, sugere o autor.
Com esse registro, os pesquisadores esperam abrir caminho para novas investigações sobre o papel ecológico de pequenos mamíferos na floresta. “Nosso próximo passo é observar o comportamento de outros mamíferos que aparecem nas câmeras, em diferentes ninhos de harpia, para entender melhor essas interações pouco conhecidas”, afirma Garbino. O estudo contou com apoio da American Society of Mammalogists, que financiou parte das análises laboratoriais.
Gavião-real. Foto: Machado et al.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori
A fintech ForestFi e a Zeno Nativo são duas startups com DNA genuinamente amazônico que inovam com a proposta de investimento em cadeias de manejo sustentável. Na parceria, uma entrou com a tecnologia e outra com o produto.
A cultura de investimento tem ganhado cada vez mais força, há diversas opções para perfis mais conservadores, como Tesouro Direto, CDB e LCI, além de outras que atendem investidores moderados e arrojados.
E agora, interessados em ganhar com investimentos que ampliam o lucro para algo além do dinheiro, aliando benefícios – como manter a floresta em pé e fortalecer as cadeias de produtos da sociobiodiversidade da Amazônia – ao retorno financeiro, encontraram uma nova opção: os tokens de castanha da Amazônia.
A inovação é fruto de um projeto entre a ForestiFi, uma fintech de Manaus, no Amazonas, especializada em investimentos de impacto, e a Zeno Nativo, que produz e comercializa produtos da floresta junto às populações tradicionais que vivem próximas ao Rio Acará, no Pará.
Ambas são startups que fazem parte do portfólio da AMAZ, aceleradora de negócios de impacto da Região Norte, com foco em empresas que atuam na Amazônia Legal.
Em abril deste ano, as startups transformaram 1.850 quilos de castanha da Amazônia em ativos digitais e arrecadaram R$ 114,7 mil em investimentos. Ao todo, 82 pessoas participaram da campanha, adquirindo 4.588 tokens vendidos a R$ 25 cada. O retorno era previsto para setembro (cinco meses), com a expectativa que cada token seja resgatado por R$ 26,69 — um acréscimo de R$ 1,69. Isso representa uma valorização de R$ 7,7 mil sobre a safra tokenizada e uma movimentação final de R$ 122,4 mil.
O valor captado será repassado diretamente para mais de 50 famílias extrativistas da região do Rio Acará (PA), de onde vieram as castanhas tokenizadas nesta campanha.
Glauco Aguiar, cofundador da ForestiFi, é um dos responsáveis pela inovação. Ele já trabalhou com outros produtos da sociobiodiversidade amazônica, incluindo cacau nativo, pirarucu de manejo e guaraná selvagem, mas afirma que sempre houve interesse em tokenizar a castanha e potencializar a geração de renda para a população que trabalha com a cadeia sustentável.
“Isso permite que pequenos produtores, tradicionalmente excluídos do sistema financeiro, acessem recursos. […]. Mostramos que a castanha extraída anualmente é um ativo legítimo, capaz de servir como lastro para a captação de recursos”, detalha.
O procedimento, entretanto, não se limita à criação de um sistema de compra e venda de ativos com amparo da tecnologia blockchain.
Há necessidade de análise de governança, segurança jurídica e contábil das organizações interessadas em tokenizar seus produtos, para garantir o sucesso das rodadas de investimento. “Isso nos permite enfrentar as complexidades logísticas da região amazônica de maneira estruturada e eficiente”, complementa.
Além disso, Glauco reforça que a tokenização é uma ferramenta aliada para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, pois estimula o amadurecimento organizacional dos grupos produtores, o que se reflete em melhores práticas de gestão, aumento da eficiência produtiva e valorização dos produtos da sociobiodiversidade.
Produção sustentável e valorização da sociobiodiversidade
Outro ator fundamental no processo de tokenização é Zeno Gemaque, cofundador da Zeno Nativo. A parceria nasceu durante uma ação de networking promovida pela AMAZ. Após reuniões e visitas estratégicas, surgiu a ideia de inovar por meio da transformação da castanha em ativos digitais. Ele comemora o sucesso da iniciativa.
“Vamos comprar matéria-prima, no caso a castanha, para fazer o beneficiamento e comercializá-la. […]. Será uma média de 6,9 mil quilos de castanha, que vão beneficiar mais de 50 famílias extrativistas [do Rio Acará]”, explica o empreendedor. O beneficiamento é um processo que inclui seleção, descasque, desidratação, embalagem e logística da castanha. Desde sua fundação, em 2012, a startup já comercializou mais de 15 toneladas de castanha e cinco de cacau fino, preservando mais de 17 mil hectares de floresta nativa, sempre com certificação orgânica emitida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Atualmente, a Zeno Nativo trabalha em colaboração com mais de 300 famílias extrativistas da Amazônia, fortalecendo a preservação da floresta em pé e gerando renda para a população.
“Oferecemos produtos da sociobiodiversidade para mercados que valorizam rastreabilidade e práticas socioambientais sustentáveis. Isso é fundamental para apoiar a floresta em pé, combater a monocultura e a contaminação de rios, e fortalece uma economia que respeita a natureza e as pessoas”, complementa.
Entretanto, o Pará sofre com diversos problemas socioambientais, como queimadas e garimpo ilegal. De acordo com o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o estado foi o que registrou o maior índice de desmatamento no último ano. Foram 1.260 quilômetros quadrados (km²) desmatados.
Para mudar esse cenário, uma das alternativas mais viáveis é a diversificação das culturas, de forma que outros produtos da sociobiodiversidade regional ganhem valor.
“Temos interesse em tokenizar cacau no futuro, mas isso vai depender muito dos resultados da primeira experiência. Estamos testando o mecanismo, vendo como isso se comporta dentro da empresa, quais os resultados para os nossos fornecedores. A partir daí, vamos fazer uma avaliação e verificar a possibilidade de novas rodadas”, finaliza o empreendedor.
Reconhecimento internacional
Este foi o sexto projeto da ForestiFi na Amazônia, que também envolve trabalhos com cacau nativo, pirarucu de manejo e guaraná selvagem. Isso se traduz em quase meio milhão de reais captados desde sua constituição, há dois anos.
Toda essa dedicação rendeu à ForestiFi o reconhecimento como uma das startups de sustentabilidade mais inovadoras do mundo pela Change 100, uma campanha da plataforma We Make Change com apoio de grandes parceiros, como Microsoft Entrepreneurship for Positive Impact e Techstars. O anúncio ocorreu durante o evento “Change Now”, realizado em Paris, no mês de abril.
O destaque da ForestiFi é o fortalecimento da bioeconomia amazônica através da tecnologia blockchain, conectando pequenos produtores rurais a mercados de investimento sustentáveis. A startup tem transformado o cenário de acesso à capital financeiro no Norte do Brasil, utilizando a tokenização como ferramenta para financiar atividades produtivas sustentáveis, proteger áreas de floresta e gerar impacto socioambiental positivo.
“Esse reconhecimento reforça a relevância do trabalho que desenvolvemos e abre portas para novas conexões internacionais. […]. Daqui para frente, vamos intensificar nossa estratégia de expansão, consolidando a ForestiFi como referência global em tokenização de ativos da natureza”, finaliza Glauco.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) realizou até 27 de setembro uma missão pioneira de navegação para estudar o ciclo da água na Amazônia. As atividades começaram no dia 5 de setembro para percorrer parte dos rios Negro, Solimões, Purus, Madeira e Amazonas, com o objetivo de coletar amostras de água no âmbito do Programa de Aplicações Isotópicas do SGB.
Essa é a maior campanha isotópica, em extensão de rio, já realizada no país, e, possivelmente, uma das maiores do mundo. A bordo do navio oceanográfico Rio Branco, da Marinha do Brasil, foram percorridos mais de dois mil quilômetros.
O projeto busca aprofundar o conhecimento sobre o ciclo hidrológico da Amazônia, região vital para o clima global, gerando informações sobre a origem e dinâmica de circulação da água no bioma amazônico. As coletas são realizadas em três profundidades – 2, 5 e 10 metros – a cada 20 quilômetros no curso dos rios e desembocadura de igarapés.
Foram realizadas coletas a partir do próprio navio, assim como com o apoio de lanchas em áreas específicas como o Parque de Anavilhanas e igarapés de maior porte. As amostras serão submetidas a análises hidroquímicas e isotópicas (traçadores de oxigênio, hidrogênio e estrôncio). Nas amostras coletadas nas profundidades de 10 metros, foram realizadas análises de Radônio com equipamento portátil (RAD8) à bordo.
“Com base em tentativa e erro, desenvolvemos toda uma estratégia de coleta em diferentes profundidades. A enorme correnteza dos rios e o padrão de navegação da Marinha foram desafios superados graças à integração das equipes do SGB e da Marinha, permitindo coletas rápidas, seguras e bem-sucedidas”, explicou o técnico do SGB, Sérgio Estevam.
Dados do SGB como base para ações
Os dados obtidos permitirão traçar as rotas de geração de umidade e chuva, estimar contribuições de escoamento de base e parcelas de água de degelo, além de fornecer subsídios para entender o ciclo hidrológico como um todo e sustentar futuras pesquisas nacionais e internacionais.
A hidrologia isotópica, de forma geral, contribui para compreensão do ciclo da água e tem aplicações na gestão de recursos hídricos, além de gerar informações que auxiliam em estudos sobre mudanças climáticas, ecologia, fauna selvagem e rastreabilidade das fontes de alimentos.
O pesquisador do SGB Roberto Kirchheim ressalta o valor estratégico da atuação da instituição na região: “A vida das pessoas depende da dinâmica dos rios, sua navegabilidade e manutenção das funções ecossistêmicas. É necessário avançar com projetos estruturantes, equipamentos modernos e maior articulação com parceiros para garantir a sustentabilidade da Amazônia. A COP 30 certamente irá amplificar os desafios da região e o SGB precisa ter respostas institucionais à altura”, frisou.
A equipe do SGB a bordo inclui Roberto Kirchheim, Roberto Paiva e Sérgio Estevam, com apoio de outros pesquisadores do SGB e de instituições, como a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Faculdade do Espírito Santo (UNES), Universidade de São Paulo (USP), Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Universidade da Córsega e Universidade do Texas (EUA).
O pesquisador Roberto Paiva reforçou a importância do trabalho colaborativo para viabilizar o trabalho: “Trata-se de uma missão pioneira, envolvendo múltiplas instituições e setores, materializando uma força-tarefa em prol de objetivos com benefícios a todos”.
O sucesso da missão também se deve à parceria com a Marinha do Brasil, que disponibilizou o navio e toda infraestrutura e tripulação ao SGB para o sucesso da jornada pelos rios da Amazônia.
No meio da floresta amazônica peruana, reza a lenda que uma criatura mítica habita aquela selva com a missão de proteger a natureza, ajudar os necessitados e também de castigar aqueles que ousam destruí-la. Essa é a história de Mayantú, figura conhecida como protetora da floresta e que faz parte do cenário mitológico dos povos que habitam aquela região.
Assim como ocorre no Brasil – com lendas como a do Curupira -, esta lenda peruana é transmitida por gerações e gerações, especialmente em Iquitos, uma das cidades mais conhecidas da Amazônia peruana. A lenda de Mayantú detalha a história de uma espécie de duende com aparência reptiliana, um rosto de sapo, olhos grandes e brilhantes e de uma pele que se camufla com a natureza. É uma figura respeitada e temida por ser o protetor da natureza.
Relatos encontrados espalhados em vários sites contam que o Mayantú é um exímio conhecedor da floresta, especialmente das plantas medicinais e que ele usa esse conhecimento para ajudar os mais necessitados. Por isso, é conhecido por ter um espírito bondoso, desde que os humanos não representem ameaça ou perigo para a vida selvagem.
De acordo com histórias contadas pelo povo de Iquitos, a lenda nasceu com um grupo de exploradores que adentraram na selva para descobrir novas espécies e explorar a biodiversidade. No entanto, alguns indivíduos do grupo começaram a destruir a floresta, derrubando árvores, poluindo as águas e deixando um rastro de lixo por onde passavam.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Tal atitude, segundo a lenda, invocou a ira de Mayantú, que envolvido numa mistura de tristeza e raiva, aproveitou uma noite fria e nebulosa para fazer uma visita no acampamento dos exploradores. Ficou observando cada um, com a intenção de castigar cada responsável pelas atitudes contra a natureza.
Foi aí que um dos exploradores, chamado Pedro, perdeu-se quando buscava plantas medicinais. Desesperado sem saber sair da floresta, ele começou a pedir ajuda da natureza, momento esse em que Mayantú apareceu na sua frente.
Comovido pela sinceridade do explorador, Mayantú mostrou o caminho de volta e, em agradecimento, Pedro disse: “Graças por ajudar-me, prometo respeitar esta terra e contar tua história”.
Pedro foi o único que regressou sem problemas da expedição, enquanto os outros enfrentavam a fúria do guardião da floresta. Desde então, Pedro se converteu em um verdadeiro defensor da natureza, contando a todos a história de Mayantú e a importância de respeitar a floresta amazônica.
O canal peruano no Youtube, La MYSTERIOTEKA, conta a lenda em detalhes:
Importância da história
A lenda se difundiu, reforçando a ideia de que a floresta não é um recurso inesgotável, e sim um bioma que precisa ser preservado e protegido. Enquanto isso, Mayantú segue protegendo a Amazônia peruana, ajudando os perdidos e castigando aqueles que ousam destruí-la.
Entre os povos da região, a lenda de Mayantú serve como um exemplo de proteção à selva peruana, bem como a importância de conviver em harmonia com a natureza.
Amazônia peruana
Uma das regiões com maior biodiversidade do planeta, a Amazônia peruana é um dos países da América do Sul que compõem a Amazônia internacional. Começa no Peru e termina ao oriente da Cordilheira dos Andes. Possui uma área de 782,880.55 km², e população é de aproximadamente 390 mil habitantes, de acordo com dados governamentais. A cidade de Chachapoyas é considerada a capital da Amazônia peruana.
Assim como no Amazonas brasileiro, a região é famosa por cachoeiras e pela natureza ser um atrativo turístico. Entre os atrativos estão os bosques, a Fortaleza de Kuelap e a Catarata de Gocta.
A fronteira nacional é com Loreto, San Martín, La Libertad e Cajamarca. Já internacionalmente é com o Brasil, a Colômbia, o Equador, a Bolívia e o Chile.
A indústria farmacêutica é um dos setores que mais investem em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D) no Brasil. E a tendência é de crescimento. Segundo dados do Ministério da Saúde, as projeções para 2025 apontam que mais de 80% das empresas farmacêuticas planejam ampliar seus aportes em P&D, contra pouco mais de 50% da indústria geral.
Para Iran Gonçalves Júnior, Diretor Médico da EMS, do Grupo NC Farma, a indústria nacional tem papel decisivo na democratização do acesso à saúde: “O Brasil tem mostrado capacidade de inovar e de investir em pesquisa clínica, mas precisamos avançar ainda mais para transformar ciência em soluções acessíveis para a população. A integração entre academia, indústria e governo é fundamental para que possamos oferecer terapias modernas e de qualidade”.
Iran Gonçalves ainda destaca a importância e dimensão da planta industrial de medicamentos localizada na Zona Franca de Manaus. Trata-se, segundo o Diretor Médico da SEM, da quarta maior planta de medicamentos do mundo.
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
Já Fernanda de Negri, do Ministério da Saúde, destaca a necessidade de alinhar inovação com políticas públicas de saúde: “O Complexo Econômico-Industrial da Saúde é estratégico para o país porque combina inovação científica, desenvolvimento produtivo e acesso universal. A biodiversidade da Amazônia amplia nossas oportunidades, mas é essencial que saibamos transformar esse potencial em benefícios reais para o SUS e para os brasileiros”.
Segundo o professor Adriano D. Andricopulo, presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, o Brasil reúne um “imenso potencial” para o desenvolvimento de novas moléculas e medicamentos a partir de pesquisas conduzidas nos principais centros científicos do país. Ele destacou, em especial, as oportunidades abertas pela biodiversidade amazônica, ressaltando a importância de identificar moléculas bioativas com aplicações farmacêuticas.
Pesquisa celular. Foto: Michel Rocha Baqueta
Andricopulo aponta que métodos laboratoriais, computacionais e de biotecnologia já permitem acelerar esse processo, desde a coleta até a triagem de substâncias promissoras. No entanto, chamou atenção para a necessidade de ampliar a infraestrutura nacional de pesquisa incluindo laboratórios, bancos de germoplasma, museus e redes de biodiversidade e de fortalecer a ponte entre a produção acadêmica e o desenvolvimento industrial.
“É fundamental garantir que descobertas feitas no laboratório avancem para ensaios clínicos, testes de toxicologia e, por fim, cheguem à produção em escala”, afirmou o especialista.
Biodiversidade amazônica
Sementes de Seringueira. Foto: Reprodução/Fapeam
A Amazônia, uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, reúne um potencial único para transformar a pesquisa farmacêutica.
De acordo com estudo da Universidade Federal da Bahia (UFBA), já foram catalogadas na região amazônica mais de 14 mil espécies de plantas com sementes, reforçando sua relevância como fonte de conhecimento científico e inovação em saúde. Iniciativas recentes vêm reforçando esse protagonismo:
A base de dados Trajetórias (SinBiose / CNPq) reúne 36 indicadores ambientais, socioeconômicos e epidemiológicos de 772 municípios da Amazônia Legal, cobrindo o período de 2000 a 2017.
O projeto Synergize está mapeando a biodiversidade amazônica terrestre e aquática para identificar lacunas no conhecimento e apoiar políticas públicas de conservação.
Diálogos Amazônicos
Durante o webinar ‘Diálogos Amazônicos’, que aconteceu no dia 29 de setembro, autoridades se reuniram para discutir inovações o papel de bioativos da Amazônia na indústria farmacêutica.
Conferência Diálogos Amazônicos traz reflexões sobre o futuro da Amazônia. Foto: CIEAM
O encontro contou com a participação de Fernanda de Negri, Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde; Adriano D. Andricopulo, Coordenador de Inovação do Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar/CEPID) da FAPESP e presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo; e Iran Gonçalves Júnior, Diretor Médico da EMS, do Grupo NC Farma.
Durante o debate, foram abordados temas centrais para o futuro da indústria de medicamentos no Brasil, como o desenvolvimento de novas moléculas, terapias biológicas, biotecnologia e uso de inteligência artificial, além das inovações recentes promovidas por empresas brasileiras. Um dos pontos de destaque foi a discussão sobre a relevância da biodiversidade da Amazônia como fonte de conhecimento e insumos para a pesquisa e desenvolvimento de fármacos, reforçando a importância da preservação ambiental para a inovação científica.
Inovação, saúde e sustentabilidade
O webinar ‘Diálogos Amazônicos’ reforçou a necessidade de integração entre indústria, academia e governo na criação de políticas e soluções que unam inovação, saúde e preservação ambiental, posicionando o Brasil de forma estratégica no cenário global de ciência e tecnologia.
A série ‘Diálogos Amazônicos‘ tem o patrocínio do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), Bic da Amazônia; Coimpa; Honda; Copag; Mondial; UCB da Amazônia; Visteon; Sinaees; Águas de Manaus; Super Terminais; Midea Carrier; Abraciclo; Simmmem; Impressora Amazonense; Fieam; Caloi; Tutiplast Indústria; Recorfama Indústria; GBR Componentes; Embalagem Placibras; Atem; Vinci; Bemol e Fundação Rede Amazônica.
*Com informação do Centro da Indústria do Estado do Amazonas – CIEAM