Nova espécie de sagui é encontrada na Amazônia

O primata vive na margem direita do rio Juruá até a margem esquerda do rio Tefé, localizado na Amazônia ocidental

Uma nova espécie de sagui foi descoberta na região amazônica. Batizado de Sagui-dos-kulinas (Saguinus kulina), o primata vive na margem direita do rio Juruá até a margem esquerda do rio Tefé, localizado na Amazônia ocidental.

De acordo com o biólogo e doutorando da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Gerson Lopes, encontrar novas espécies de animais é extraordinário. “Como os primatas estão entre os mamíferos mais estudados, sempre se pensa que a descoberta de uma nova espécie é difícil, porém, neste caso, ela estava sempre à vista, porque se pensava que se tratava da espécie Saguinus mystax. Só que quando observamos com um olho mais acurado, percebemos que era uma nova espécie”, disse.

Foto: Acervo/Gerson Lopes

Descobrir uma nova espécie é difícil. Segundo Lopes, expedições dentro da área de distribuição dos primatas foram feitas em 2017, 2018 e 2019. A última atualização taxonômica dos saguis-de-bigode (Saguinus mystax), que tem mais de 40 anos, apontava que esses primatas estavam divididos em três subespécies: S. mystax mystax, S. mystax pileatus e Saguinus mystax pluto.

“Como a espécie nova estava descrita como outra espécie, fizemos levantamentos nas coleções científicas para analisar o material disponível, bem como fizemos análises nos padrões de coloração e, análises genéticas pra ver se a diferença também era encontrada no DNA”, destacou o pesquisador.

Foto: Acervo/Gerson Lopes

Pesquisa e homenagem 

A pesquisa de Lopes revelou que a Saguinus mystax deveria ser elevada ao nível de espécie, assim se passa a designá-la como Saguinus mystax. Além disso, S. m. pileatus e Saguinus mystax pluto não são subespécies de S. mystax, mas espécies separadas. “Nesse caso, eleva-se Saguinus pileatus ao nível de espécie, com duas subespécies Saguinus pileatus Saguinus e Saguinus pileatus pluto”, explicou.

Já o nome ‘sagui-dos-kulinas’ foi dado em homenagem aos povos originários da Amazônia. “Tem vários povos indígenas na área de distribuição da espécie, porém, como os Kulina ficavam próximo da localidade onde a equipe registrou a primeiro espécie, considerei homenageá-los”, revelou Lopes.

Taxonomia 

Porém, o grupo de espécies Saguinus Mystax não é o único que necessita de uma revisão taxonômica (o ramo da biologia responsável por descrever, identificar e nomear os seres vivos). Em um artigo, Lopes informa que parte da taxonomia dos primatas amazônicos é baseada no trabalho seminal de Philip Hershkovitz e não mudou muito nos últimos 45 anos.

“Muitas espécies de primatas ainda tem a taxonomia baseada em estudos antigos, quando era utilizado apenas morfologia para descrever as espécies. Dessa forma, outras espécies serão descobertas através do uso da genética integrada à morfologia”, disse o pesquisador.

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