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Quarta, 10 Agosto 2022

46 asteroides são detectados por estudante amazonense em projeto internacional

Com apenas 21 anos, a manauara Geovana Sousa Ramos recebeu reconhecimento da NASA por detectar 46 asteroides. A detecção ocorreu ao participar do projeto Caça Asteroides MCTI, atividade de Ciência Cidadã do IASC/NASA (International Astronomical Search Collaboration) e de promoção das ciências, em parcerias com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). As atividades mensais foram realizadas entre junho e novembro de 2021.

Foram disponibilizados mais de 17,5 mil pacotes de imagens captadas pelos telescópios do Pan-STARRS, gerenciado pela Universidade do Havaí, e a identificação dos padrões de possíveis asteroides, pertencentes a região entre Marte e Júpiter, ou em órbita próxima à Terra (NEOs), foi possível por conta da utilização do software Astrometrica

Geovana explica que os participantes recebem orientações e treinos de uma equipe especializada: "São fornecidos vários pacotes de fotos tiradas em dias diferentes, analisando as imagens e registrando os movimentos dos possíveis asteroides, submetemos relatórios ao IASC e periodicamente recebíamos confirmações de quais das nossas detecções foram confirmadas e encaminhadas para outras instituições astronômicas para dar continuidade aos estudos, como o MCP [Centro de Planetas Menores] e o IAU [União Astronômica Internacional]".

Foto: Divulgação

O processo tem várias etapas. Os asteroides são analisados em outras imagens de outros grupos de pesquisa astronômicas, como pelo Observatório Nacional e seu Projeto OASIS no sertão pernambucano, na cidade de Itacuruba, onde está instalado um telescópio remoto.

Até a etapa de escolher os nomes para os asteroides inéditos, assim como as pesquisas científicas, poderá levar anos. Os estágios de classificação dos asteroides são: preliminares, provisórios e numerados, quando finalmente será possível nomeá-los. "Enquanto esta fase não chega, utilizei de criatividade nos relatórios, mesmo seguindo padrões de nomenclatura, referenciei nos primeiros com minhas iniciais GSR0001 a GSR0009 e em outros fiz homenagens a meu pai e minha irmã, PAI0010 e DANA003, respectivamente. As demais são homenagens a familiares e amigos", explicou a universitária.

Ao fim da edição de novembro deste ano, realizada em parceria com o Projeto de Extensão Universitária da UFPE, Geovana recebeu certificados de reconhecimento assinados pelo MCTI/IASC/NASA e foi convidada pelo MCTI a participar da 18° Edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Brasília, onde ganhou uma medalha e certificado de honra ao mérito entregues pelo astronauta e Ministro da Ciência, Marcos Pontes.

Foto: Divulgação

Geovana Ramos é natural de Manaus (AM), mas atualmente mora no município de Tianguá, interior do Ceará, onde cursa o 1º período de Licenciatura em Física no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE- Campus Sobral).

Criada no bairro Jorge Teixeira, na zona leste da capital amazonense, a jovem tem como um dos maiores objetivos conquistar um prêmio Nobel. "Trazer o Nobel para nosso país é comprovar o quão nossa ciência é desenvolvida, ainda que sem tanto orçamento governamental. O cientista brasileiro chama atenção mundial e, muitas vezes, precisa sair do país para ganhar reconhecimento. Onde eu estiver, o Brasil estará sempre comigo", afirmou.

A jovem possui um canal no YouTube, Astrofísica e Ciência por Geovana Ramos, e divulga conteúdos científicos também no Instagram @astrogeovana.  

Assista a explicação de Geovana sobre o processo: 

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