Madre de Dios: primeira região do Peru a implementar medidas de monitoramento da onça-pintada

Projeto, executado pela ONG WWF Peru, conta com a instalação de mais de 60 armadilhas fotográficas para monitorar a presença de onças-pintadas nas fazendas pecuárias de Madre de Dios.

Foto: Reprodução/Agência Andina

A onça-pintada é uma das espécies emblemáticas do Peru e da América. Esta espécie é um símbolo da luta contra o tráfico ilegal de animais silvestres, por isso são importantes as ações tomadas para conservar e proteger esta espécie, que está em perigo de extinção.

A ameaça é aumentada pela redução do habitat natural da onça-pintada devido à presença do ser humano. Diante disso, um projeto lançado há vários anos na região de Madre de Dios, o primeiro a ser realizado no Peru, busca promover a convivência entre a onça e o povo.

O resultado deste projeto, executado pela ONG WWF Peru, é a instalação de mais de 60 armadilhas fotográficas para monitorar a presença de onças-pintadas nas fazendas pecuárias de Madre de Dios.

O WWF Peru explica que há quatro anos, 250 famílias de Madre de Dios optaram por um inovador modelo de pecuária que busca deter o desmatamento e restaurar o ecossistema: a pecuária regenerativa. Como resultado, evitou-se o desmatamento de 500 hectares e a vida selvagem está a regressar aos espaços que outrora foram a sua casa. Porém, esta mudança gerou possíveis conflitos entre a fauna e as pessoas, criando a necessidade de adoção de medidas que contribuam para promover a convivência harmoniosa.

Face a este fato, entre 2022 e 2023, foram realizados inquéritos e workshops participativos em nove comunidades pecuárias da região, com o objetivo de identificar e compreender conflitos, e recolher informação que permita desenhar estratégias de convivência com a vida selvagem.

Dentre os principais resultados destacam-se:

  • O conflito com a onça-pintada e a onça-parda é o que causa maiores perdas econômicas;
  • durante os últimos 5 anos, 18 dos 50 fazendeiros relataram ataques ao gado por onças ou pumas;
  • e a infraestrutura das fazendas (cercas, fontes de água e iluminação) facilita interações negativas com felinos.
Foto: Reprodução/Agência Andina

Armadilhas fotográficas

Graças a essas informações, estratégias antipredatórias foram desenhadas em conjunto com os pecuaristas que incluíram a instalação de mais de 60 armadilhas fotográficas para monitorar a presença de onças nas propriedades, a infraestrutura de cercas foi melhorada para impedir a entrada de felinos, luzes dissuasoras foram instalados e espaços foram realocados, como currais e fontes de água, a fim de reduzir áreas vulneráveis ​​às interações entre rebanhos e felinos.

“Na minha família já não o vemos como um inimigo, graças às medidas implementadas com o sistema de monitorização e as escolas de campo, sabemos agora que há mais visitantes e fomos nós que invadimos o seu habitat. Temos que dar espaço ao nosso vizinho, a onça, para poder conviver em harmonia com ela”, afirma Maritza Vargas, pecuarista participante do programa de convivência.

Segundo a instituição, espera-se ampliar esta iniciativa de convivência para outras regiões como Pasco e Huánuco, que também possuem áreas localizadas na selva amazônica e que fazem parte do habitat da onça-pintada.

Por fim, o WWF Peru destacou que com a implementação de medidas antipredatórias e o esforço conjunto com as comunidades locais, um novo capítulo está sendo escrito na relação entre a vida selvagem e as atividades humanas em Madre de Dios. “Este modelo pioneiro estabelece as bases para um futuro onde a conservação e a pecuária se complementam para o benefício de todos, garantindo a subsistência das gerações futuras”, disse ele.

*Com informações da Agência Andina

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