Coleção de luxo produzida com apoio de artesãs da Amazônia é apresentada em Paris

Materiais das peças desfiladas pela marca de vestuário Chloé foram produzidos por meio de práticas sustentáveis com apoio de artesãs amazônidas. Jogo de imagens nas estampas chamou a atenção do público para crises climáticas.

Leveza com um toque de sobriedade marcam a coleção de outono-inverno 2022 da designer de luxo uruguaia Gabriela Hearst com linhas, decotes e até couro para a marca Chloé. Mas o que pode parecer comum para quem acompanha a evolução da moda mundial, o “detalhe” dessa coleção chama a atenção: materiais produzidos por meio de práticas sustentáveis com apoio de artesãs da Amazônia.

E o destaque ainda maior foi para o jogo de imagens entre catástrofes climáticas que atingem todo o mundo – como secas e incêndios – que ilustram a frente dos suéteres e malhas, enquanto no verso as mesmas paisagens estão preservadas. As peças fazem parte de um programa de apoio da marca à ONG Conservation International, que apoia a autonomia e liderança de mulheres indígenas na garantia da conservação de seus territórios e florestas em toda a região amazônica no Brasil e em alguns países da Amazônia Internacional.

No manifesto descrito no site oficial da marca, cujo comando criativo agora é de responsabilidade de Gabriela, o destaque é para o incentivo às mulheres, com o objetivo de gerar impacto positivo “por um futuro mais justo”.

Foto: Reprodução/Youtube-Chloé

“O legado de nossa fundadora, Gaby Aghion, e sua visão de feminilidade continuam a inspirar nosso compromisso de longo prazo para elevar as mulheres, reequilibrar as desigualdades de gênero e promover a inclusão. Nosso objetivo: criar produtos bonitos com impacto significativo para as pessoas e para o planeta. Sabemos que precisamos tomar ações ambientais imediatas enquanto ainda há tempo, por isso já estamos engajados em mudar o que precisa ser mudado e encontrar alternativas sempre que possível”, justificam.

Também informam que há preocupação com a cadeia de produção e fornecimento de materiais, por isso afirmam que com um plano “ambicioso”, querem investir mais em ações com mulheres e comunidades “como agentes de mudança”.

“Temos o compromisso de transformar nossas operações e mudar nossa mentalidade por meio de esforços nas práticas cotidianas. Queremos melhorar a sustentabilidade social e ambiental com maior transparência e responsabilidade”,

informam.

 A última atualização foi em fevereiro.

Veja algumas peças da coleção:

A coleção foi apresentada no último dia 3, em um desfile da Semana de Moda de Paris (França), no Parque André Citroën. Os tecidos das peças foram costurados em parceria com 24 mulheres indígenas da Amazônia brasileira, peruana, colombiana e equatoriana. Até mesmo o couro usado nas peças foi produzido a partir de fazendas certificadas. No total, 73% das malhas da coleção são consideradas de menor impacto ambiental, e mais de 60% das malhas de caxemira são recicladas.

Em sua página oficial no Facebook, a marca de vestuário e acessórios conta que, para esta coleção, Gabriela pesquisou sobre a situação climática de todo o planeta e inspirou-se no filme ‘Irmão Sol, Irmã Lua’ (1973), de Franco Zeffirelli, sobre o padroeiro dos ecologistas, São Francisco de Assis. 

Assista o desfile:

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