Expedição é realizada para mapear riscos ambientais em 50 comunidades do Médio Solimões

Durante a expedição, os pesquisadores realizaram entrevistas com líderes comunitários e famílias para coletar informações detalhadas sobre cheias e secas e outros fenômenos da região.

Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá

A ‘Expedição de Mapeamento de Riscos e Desastres no Médio Solimões‘ partiu de Tefé, no Amazonas, no dia 20 de janeiro, com destino a 50 comunidades ribeirinhas e indígenas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e ao longo do Rio Solimões, passando pelos municípios de Tefé, Uarini, Alvarães, Juruá e Fonte Boa.  

A expedição, realizada até o dia 11 de fevereiro, propôs entrevistar mais de 500 pessoas com o objetivo de analisar os fenômenos naturais e desastres ambientais que têm ocorrido na região, além de compreender como as populações ribeirinhas da região se adaptam e enfrentam esses cenários.  

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Durante as visitas às comunidades, os pesquisadores realizam entrevistas com líderes comunitários e famílias para coletar informações detalhadas sobre cheias e secas, fenômenos de terras caídas, formação de praias, quedas de árvores, qualidade do solo, perda do pescado, além de dificuldades de locomoção e acesso à alimentação, escassez de água potável e surgimento de doenças.   

Além das entrevistas, o grupo de pesquisadores realiza registros fotográficos e utiliza drones para mapeamento e reconhecimento das áreas, com a finalidade de descrever as características geográficas das comunidades e identificar, de forma técnica, os riscos ambientais enfrentados por cada uma delas. Imagens de satélites também deverão ajudar na análise.   

Para Paula Silva, pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais da Amazônia, do Instituto Mamirauá, ouvir as comunidades é fundamental para um mapeamento ainda mais aprofundado.   

“A ideia é ir além do diagnóstico técnico. Para isso, precisamos ouvir os relatos dos comunitários, a fim de compreender melhor como eles se adaptam e enfrentam esses eventos extremos”, explica.  

Segundo a pesquisadora, durante as visitas foi possível coletar informações de moradores mais antigos, que trouxeram narrativas comparativas entre o presente e o passado de seus territórios. “Alguns entrevistados relataram o aumento do calor durante o verão e como as chuvas e corredeiras têm se tornado mais intensas”, acrescenta.  

Para o tuxaua da Aldeia Laranjal, Paulo Miranha, é fundamental que as comunidades sejam ouvidas, já que cada uma carrega experiências e vivências importantes.   

“Vejo essa pesquisa como uma oportunidade de falar sobre os desafios e problemas enfrentados aqui na aldeia. Agradeço pela presença de vocês, pois é ouvindo nossas vozes que será possível compreender melhor as dificuldades e as transformações que nossos territórios vêm passando”, afirma.  

Necessidade da pesquisa  

Os territórios amazônicos passam por constantes transformações. A Amazônia sempre enfrentou fenômenos naturais como terras caídas, corredeiras, cheias e secas. No entanto, essas áreas têm se tornado ainda mais sensíveis com o avanço do aquecimento global, o que afeta diretamente a maioria dos povos amazônidas, que vivem, em grande parte, às margens de rios e lagos.  

Nesse sentido, a expedição, alcançando 50 comunidades da região do Médio Solimões, busca, por meio de relatos e mapeamentos, produzir novas informações sobre as mudanças climáticas e ambientais nesses territórios, contribuindo para a formação de políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida dessas populações.  

Ainda sobre o mapeamento, a partir de entrevistas, relatos e imagens, o grupo de pesquisa deve descrever de forma detalhada os níveis de riscos, os desastres e os problemas enfrentados por cada comunidade em relação às mudanças climáticas e fenômenos naturais.

“Esperamos que as informações geradas possam subsidiar políticas públicas de gestão de riscos e desastres, assim como ações voltadas à agenda climática, além de apoiar o trabalho de órgãos como a Defesa Civil”, acrescentou Ayan Fleishmann, pesquisador do Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais da Amazônia, do Instituto Mamirauá. 

A iniciativa, além de aproximar as comunidades da pesquisa científica, fortalece a articulação entre instituições de pesquisa e universidades. Participaram da expedição pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas, de Tefé e Tabatinga, e da Universidade Internacional da Flórida, dos Estados Unidos.  

Financiamento da expedição e apoio  

Realizada pelo Instituto Mamirauá, a expedição é financiada pela Gordon and Betty Moore Foundation, com apoio da Florida International University e da Universidade do Estado do Amazonas, Polo Tefé. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá

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