Parque das Pororocas: projeto visa mapear distribuição das pororocas no Amapá

A ideia do projeto é mapear uma área de aproximadamente 750 quilômetros, percorrendo toda a zona costeira do Estado.

O Amapá, localizado no extremo Norte do Brasil, é lar do fenômeno da pororoca, que atrai surfistas de todos os países. Pensando nisso, a Associação de Guarda-Parques do Estado do Amapá decidiu criar o ‘Parque das Pororocas’, um local que permitirá a prática mais acessível do surf nos rios do Estado.

Leia também: Na crista da onda: lugares para surfar na Amazônia

A ideia do projeto é mapear uma área de aproximadamente 750 quilômetros de extensão, percorrendo toda a zona costeira do Amapá, passando por diferentes ecossistemas dentro e no entorno de Unidades de Conservação e Terras Indígenas. 

O Parque das Pororocas tem uma área de platô (planalto) rosa, que encontra uma Amazônia Atlântica diferenciada em um cenário exuberante.

Foto: Divulgação/Prefeitura do Amapá

De acordo com o presidente da Associação de Velejadores do Amapá, Jim Daves, muitas áreas já foram mapeadas, porém a empreitada não conta com o apoio de nenhum órgão público. A equipe solicitou um protocolo para a Secretária de Turismo do Estado do Amapá e da Secretaria Estadual de Desporto e Lazer (Sedel).

“A expectativa é que o projeto seja concluído em dois anos. Se a gente conseguir uma ajuda maior, afinal, temos gastos, como por exemplo, com a gasolina para o deslocamento das pessoas. Estamos aguardando o contato das secretarias públicas e só assim vamos saber o desfecho”, contou Daves ao Portal Amazônia.

Jim Daves faz parte do projeto. Foto: Arquivo Pessoal

Mapeamento

Até o momento, a equipe mapeou áreas chaves para a prática de surf na Pororoca. Entre elas estão a região do centro do parque que fica no Rio Flexal, a pororoca da comunidade do Sucuriju (metade foi mapeada), além da pororoca oceânica. A meta do projeto é mapear a pororoca do Caciporé, no entanto ela fica mais evidente durante o verão amazônico.

“Recentemente, no Bailique, abriu uma pororoca nova. Isso aconteceu devido a mudança dos rios nos últimos quatro anos. Essa parte do Bailique já foi toda mapeada”, 

contou Daves, que mais uma vez salientou a importância do apoio de órgãos competentes.

Pororocas serão mapeadas. Foto: Stanley Gomes/Arquivo Pessoal

Aplicativo

Além de mapear todo o percurso de pororocas do Amapá, a ideia da equipe é criar um aplicativo com as principais informações do Parque das Pororocas, que funcionará como um guia virtual usando interfaces em realidade aumentada.

“O aplicativo vai ter toda a descrição de como chegar ao parque e, claro, muitas imagens e informações. Algo bem atualizado com o foco nas redes sociais, uma vez que essa é a estrutura utilizada por muitos lugares. Vamos deixar a pororoca conectada”, destacou Daves.

Confira a ocorrência da pororoca no Amapá

Pororocas da Fronteira Internacional, município de Oiapoque:

Pororoca sobre o Rio Uaçá: Ocorre nas proximidades das terras indígenas Galibi e Juminá. Foi comprovada através de relatos e trabalhos científicos e até o momento não houve práticas esportivas nela.

Pororoca Sobre o Rio Caciporé: Ocorre dentro de uma Unidade de Conservação Federal, o Parque Nacional do Cabo Orange. Esta Pororoca foi comprovada através de fotografias dos moradores de comunidades próximas, pescadores artesanais e Guarda-Parques, ela percorre aproximadamente 50 km.


Pororoca município de Calçoene:

Pororoca sobre o Rio Cunani: Até o momento apenas relatos desses fenômenos, pelos moradores da região.

Pororoca sobre o Rio Calçoene: Até o momento apenas relatos desses fenômenos, pelos moradores da região.


Pororocas do município de Amapá:

Pororoca sobre o Rio Amapá Grande: Está Pororoca ficou caracterizada por sua duração, que pode ultrapassar uma hora de ininterrupta.


Pororoca Costeira Rio Macarry:

Cantinho do Norte: Localizada na costa Norte do Estado, nas limitações do Município de Amapá. Estima-se que o fenômeno percorra cerca de 30 km de extensão.

Pororoca sobre o Rio Flexal: Até o momento apenas relatos desses fenômenos, pelos moradores da região.

Pororoca sobre o Rio Sucuriju: O único fenômeno de fácil visualização, pois ocorre em frente a uma localidade, a Vila do Sucuriju no Entorno da Unidadede conservação REBIO do Lago Piratuba.

Pororoca Oceânica: Por proporcionar ondas retilíneas, prolongadas. Este fenômeno tem início a partir do início do platô atlântico que começa a 200 km da costa do Amapá. Ocorreu em frente à Vila de Sucuriju, recebeu dos Surfistas o codinome de “ABISSAL”.

Pororocas de Maracá-Jipioca: Ocorre dentro de uma Unidade de Conservação Federal, a Estação Ecológica Maracá-Jipioca. Existem várias possibilidades a serem estudadas, no entanto a mais conhecida até então é a que ocorre no Igarapé do Inferno.


Pororocas do Município de Macapá:

Pororocas do Arquipélago do Bailique: O fenômeno ocorre a partir da foz do Rio Amazonas.

Pororocas do Parazinho: Ocorre nas proximidades de uma Unidade de Conservação Estadual, Reserva Biológica do Parazinho. Está Pororoca já foi surfada por algumas pessoas.


Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Brasil, 4 de outubro: divisionismo interno e o Pacto de Moncloa

Independentemente do sentido, o Brasil está de forma tão radicalmente dividido que só uma agenda política de governabilidade, no padrão do espanhol Pacto de Moncloa poderia talvez aliviar as tensões acumuladas há décadas.

Leia também

Publicidade