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Luciana Frazão

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Luciana Frazão

Conheça as serpentes da família Boidae, grupo com as jiboias e as temidas (mas não com razão) sucuris

Na Amazônia brasileira ocorrem nove espécies de um total de 12 espécies registradas no Brasil

Luciana Frazão

luca.frazao@gmail.com


As serpentes da família Boidae, conhecidas popularmente como jiboias e sucuris, são serpentes que apresentam diferentes tamanhos e colorações de espécie pra espécie. As jiboias-arco-íris (gênero Epicrates), Suaçuboia e Periquitamboia (gênero Corallus) são consideradas de porte médio, alcançando até dois metros. Já as jiboias comuns (gênero Boa) e sucuris (gênero Eunectes) são consideradas de porte grande, podendo alcançar quatro metros (jiboias) e chegar até oito metros (sucuris).

 

A bela jiboia-arco-íris ou salamanta (Epicrates cenchria) com sua coloração furta-cor. Foto: Sérgio Marques Souza/Projeto Sisbiota

As serpentes desse grupo não são peçonhentas, e apesar do tamanho que algumas podem chegar, como é o caso da sucuri, registros de ataques dessa espécie contra o ser humano são raros. Até o momento, apenas um ataque predatório de sucuri documentado em artigo de 1998, numa área de alagado da Venezuela (Link disponível abaixo). Apesar de não serem peçonhentas e por isso não consideradas de interesse médico, já que não oferecem riscos para os seres humanos, as serpentes da família Boidae são frequentemente mortas. Isso ocorre também porque existe muitas crenças e informações erradas sobre esses animais. 

 

A suaçuaboia (Corallus hortulanus) em vista lateral, onde é possível observar a presença das fossetas labiais. Foto: Alexandre Pinheiro de Almeida/Projeto Sisbiota

Uma crença comum na nossa região é a de que esses animais se tornam venenosos em uma determinada época do ano. Vejam bem, uma cobra para ser peçonhenta deve ter um dente inoculador de veneno associado a uma glândula de veneno, nenhuma dessas característica está presente no boídeos, e essas características levaram milhares de anos para serem desenvolvidas nas serpentes, sendo impossível uma cobra adquirir glândula de veneno e dente inoculador uma vez ao ano, num determinado mês e depois ainda, perder essas características.

 

A Periquitamboia (Corallus caninus) é um boídeo frequentemente confundido com a cobra-papagaio verdadeira (Bothrops bilineatus), mas ao contrário da papagaia que é um tipo de jararaca e, portanto, peçonhenta, a periquitamboia é um tipo de jiboia e não apresenta nenhum tipo de veneno.

Com relação a informações erradas atribuídas a esses animais, algumas características quase sempre citadas em textos sobre serpentes (manuais médicos, livros didáticos, etc.) e que não são seguras para a identificação de serpentes venenosas, especialmente as da Amazônia. Entre estas características estão: cabeça triangular, cauda afilada de forma abrupta e pupila “gateada”, ou seja, em forma de fenda. Todas essas características estão presentes no grupo das jiboias e sucuris, e como eu falei anteriormente: Esses animais não são peçonhentos! Muitas dessas regras para diferenciar cobras peçonhentas de não-peçonhentas foram feitas para locais com poucas espécies e distantes da nossa realidade, como América-do-norte e Europa, e definitivamente não se aplicam para uma região tão rica em diversidade serpentes como a Amazônia.

 

Jiboia comum ou jiboia-de-rabo-vermelho (Boa constrictor), frequentemente encontrada na região de Manaus. Foto: Jéssica dos Anjos/Pesquisadora/Divulgação

Mas já que esses animais não possuem veneno, como eles se alimentam? São cobras exclusivamente constritoras, ou seja, que utilizam a força muscular para imobilizar e matar presas por parada cardiorrespiratória. Espécies dos gêneros Corallus e Epicrates possuem fossetas labiais, estruturas (fendas) de percepção térmica, localizadas nos lábios e utilizada para localizar as presas. As serpentes desse grupo se alimentam de uma variedade grande presas, como lagartos, morcegos, pássaros, pequenos roedores, e no caso das sucuris, mamíferos de médio porte, como capivaras e até mesmo outros répteis, como jacarés.

 

E o que fazer no caso de encontrar um desses animais? Caso ele esteja em seu habitat natural, não faça nada! Não se aproxime, mantenha o respeito e deixe o animal seguir o seu caminho. Caso ele esteja em algum local que ofereça perigo a ele ou a seres humano, chame o órgão de resgate responsável. As serpentes desse grupo apresentam comportamento agressivo apenas quando se sentem ameaçadas, e no caso das sucuris, apesar do tamanho, dentro do grupo elas podem ser consideradas de comportamento calmo, não oferecem riscos aos seres humanos, a não ser que sejam ameaçadas. Mas vejam bem, até meu cachorro apresenta comportamento agressivo se ameaçado, e eu tenho certeza que ele é mais ameaçador do que muitas das sucuris que eu encontrei ao longo de 10 anos de campos pela Amazônia, a diferença é que ele definitivamente não chega nem a um metro de comprimento.

 

Sucuri (Eunecte murinus) a maior serpente da família Boidae e que habita os rios e igarapés amazônicos. Foto: Jéssica dos Anjos/Pesquisadora/Divulgação

Espero que tenham gostado do texto de hoje e percebido o quão incríveis são os boideos! Não à toa eles fazem parte da assinatura dos meus textos aqui no Portal Amazônia. Abraços de sucuri pra vocês e até ao próximo animal incrível da nossa exuberante Amazônia! 

 

Para saber mais:

 

Sobre cobras da região de Manaus:

https://ppbio.inpa.gov.br/sites/default/files/guia-cobras-regiaoManaus_PPBio_CENBAM.pdf 

 

Artigo onde é documentado o ataque de uma sucuri em um ser humano: https://www.researchgate.net/publication/274390789_Predatory_attack_of_a_green_anaconda_Eunectes_murinus_on_an_adult_human 

 

 


Conheça as serpentes da família Boidae, grupo com as jiboias e as temidas (mas não com razão) sucuris

Na Amazônia brasileira ocorrem nove espécies de um total de 12 espécies registradas no Brasil

Luciana Frazão

luca.frazao@gmail.com


As serpentes da família Boidae, conhecidas popularmente como jiboias e sucuris, são serpentes que apresentam diferentes tamanhos e colorações de espécie pra espécie. As jiboias-arco-íris (gênero Epicrates), Suaçuboia e Periquitamboia (gênero Corallus) são consideradas de porte médio, alcançando até dois metros. Já as jiboias comuns (gênero Boa) e sucuris (gênero Eunectes) são consideradas de porte grande, podendo alcançar quatro metros (jiboias) e chegar até oito metros (sucuris).

 

A bela jiboia-arco-íris ou salamanta (Epicrates cenchria) com sua coloração furta-cor. Foto: Sérgio Marques Souza/Projeto Sisbiota

As serpentes desse grupo não são peçonhentas, e apesar do tamanho que algumas podem chegar, como é o caso da sucuri, registros de ataques dessa espécie contra o ser humano são raros. Até o momento, apenas um ataque predatório de sucuri documentado em artigo de 1998, numa área de alagado da Venezuela (Link disponível abaixo). Apesar de não serem peçonhentas e por isso não consideradas de interesse médico, já que não oferecem riscos para os seres humanos, as serpentes da família Boidae são frequentemente mortas. Isso ocorre também porque existe muitas crenças e informações erradas sobre esses animais. 

 

A suaçuaboia (Corallus hortulanus) em vista lateral, onde é possível observar a presença das fossetas labiais. Foto: Alexandre Pinheiro de Almeida/Projeto Sisbiota

Uma crença comum na nossa região é a de que esses animais se tornam venenosos em uma determinada época do ano. Vejam bem, uma cobra para ser peçonhenta deve ter um dente inoculador de veneno associado a uma glândula de veneno, nenhuma dessas característica está presente no boídeos, e essas características levaram milhares de anos para serem desenvolvidas nas serpentes, sendo impossível uma cobra adquirir glândula de veneno e dente inoculador uma vez ao ano, num determinado mês e depois ainda, perder essas características.

 

A Periquitamboia (Corallus caninus) é um boídeo frequentemente confundido com a cobra-papagaio verdadeira (Bothrops bilineatus), mas ao contrário da papagaia que é um tipo de jararaca e, portanto, peçonhenta, a periquitamboia é um tipo de jiboia e não apresenta nenhum tipo de veneno.

Com relação a informações erradas atribuídas a esses animais, algumas características quase sempre citadas em textos sobre serpentes (manuais médicos, livros didáticos, etc.) e que não são seguras para a identificação de serpentes venenosas, especialmente as da Amazônia. Entre estas características estão: cabeça triangular, cauda afilada de forma abrupta e pupila “gateada”, ou seja, em forma de fenda. Todas essas características estão presentes no grupo das jiboias e sucuris, e como eu falei anteriormente: Esses animais não são peçonhentos! Muitas dessas regras para diferenciar cobras peçonhentas de não-peçonhentas foram feitas para locais com poucas espécies e distantes da nossa realidade, como América-do-norte e Europa, e definitivamente não se aplicam para uma região tão rica em diversidade serpentes como a Amazônia.

 

Jiboia comum ou jiboia-de-rabo-vermelho (Boa constrictor), frequentemente encontrada na região de Manaus. Foto: Jéssica dos Anjos/Pesquisadora/Divulgação

Mas já que esses animais não possuem veneno, como eles se alimentam? São cobras exclusivamente constritoras, ou seja, que utilizam a força muscular para imobilizar e matar presas por parada cardiorrespiratória. Espécies dos gêneros Corallus e Epicrates possuem fossetas labiais, estruturas (fendas) de percepção térmica, localizadas nos lábios e utilizada para localizar as presas. As serpentes desse grupo se alimentam de uma variedade grande presas, como lagartos, morcegos, pássaros, pequenos roedores, e no caso das sucuris, mamíferos de médio porte, como capivaras e até mesmo outros répteis, como jacarés.

 

E o que fazer no caso de encontrar um desses animais? Caso ele esteja em seu habitat natural, não faça nada! Não se aproxime, mantenha o respeito e deixe o animal seguir o seu caminho. Caso ele esteja em algum local que ofereça perigo a ele ou a seres humano, chame o órgão de resgate responsável. As serpentes desse grupo apresentam comportamento agressivo apenas quando se sentem ameaçadas, e no caso das sucuris, apesar do tamanho, dentro do grupo elas podem ser consideradas de comportamento calmo, não oferecem riscos aos seres humanos, a não ser que sejam ameaçadas. Mas vejam bem, até meu cachorro apresenta comportamento agressivo se ameaçado, e eu tenho certeza que ele é mais ameaçador do que muitas das sucuris que eu encontrei ao longo de 10 anos de campos pela Amazônia, a diferença é que ele definitivamente não chega nem a um metro de comprimento.

 

Sucuri (Eunecte murinus) a maior serpente da família Boidae e que habita os rios e igarapés amazônicos. Foto: Jéssica dos Anjos/Pesquisadora/Divulgação

Espero que tenham gostado do texto de hoje e percebido o quão incríveis são os boideos! Não à toa eles fazem parte da assinatura dos meus textos aqui no Portal Amazônia. Abraços de sucuri pra vocês e até ao próximo animal incrível da nossa exuberante Amazônia! 

 

Para saber mais:

 

Sobre cobras da região de Manaus:

https://ppbio.inpa.gov.br/sites/default/files/guia-cobras-regiaoManaus_PPBio_CENBAM.pdf 

 

Artigo onde é documentado o ataque de uma sucuri em um ser humano: https://www.researchgate.net/publication/274390789_Predatory_attack_of_a_green_anaconda_Eunectes_murinus_on_an_adult_human 

 

 

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