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Sábado, 08 Mai 2021

Pirarucu, o gigante da Amazônia

O pirarucu é o maior peixe com escamas de água doce do mundo, podendo atingir dois metros de comprimento e 200 kg de peso 

Pirarucu é achado em rio da Flórida, nos Estados Unidos, e intriga autoridades

Natural da bacia amazônica, peixe foi encontrado em uma região conhecida pela prática da pesca esportiva

Manejo do pirarucu rende mais de R$ 74 mil para produtores da Reserva Mamirauá

Com os desafios impostos pela pandemia do coronavírus, a atividade econômica confirmou novamente sua importância

Aprenda a preparar tambaqui e pirarucu defumados

Confira o passo a passo da fusão entre duas iguarias regionais e a cozinha americana 

​Pirarucu com crosta do uarini, purê de abóbora da terra, redução de tucupi com baniwa e ar de laranja

O chef Betto Sodré preparou uma receita que mistura o sabor forte do pirarucu com a delicadeza da abóbora da terra, além da acidez e aroma do tucupi 

Feira do Pirarucu da FAS com mais de 4 toneladas de peixe começa nesta quinta

A feira acontece das 7h às 14h, na sede da fundação, localizada na Rua Álvaro Braga, 351, Parque 10.

Pesca manejada do pirarucu no Amazonas tem cadeia produtiva fortalecida

O pirarucu (Arapaima gigas) está entre os peixes mais apreciados do Amazonas.

Manejadores de Fonte Boa (AM) fornecem mais de 29 toneladas de pirarucu para o Exército Brasileiro

Com apoio técnico da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), 44 projetos submetidos pelos pescadores foram aprovados em chamamento público para aquisição de alimentos da agricultura familiar. O quilo do peixe será comercializado a R$ 30, beneficiando 50 famílias da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

Projeto potencializa capacidade produtiva do pirarucu no município de Fonte Boa

Nova infraestrutura permitirá dobrar o potencial de armazenamento do pescado no município, beneficiando em torno de 100 famílias de pescadores que utilizam a técnica de manejo sustentável do pirarucu.

Sedap incentiva manejo do pirarucu no Baixo Amazonas

O manejo dessa espécie pretende assegurar à conservação dos ecossistemas, envolvendo uma organização comunitária, vigilância dos ambientes aquáticos, estabelecimento de regras de uso dos recursos, realização de levantamento dos estoques, pesca sustentável e comercialização

Fonte sustentável de riqueza, pirarucu desponta como base de novos negócios

Peixe soberano dos grandes lagos da região, o pirarucu pode ser fonte inestimável de negócios que podem ir muito além das delícia gastronômicas servidas à mesa. Do couro beneficiado que pode ser matéria-prima de bolsas, sapatos e vestuário à produção de biomoléculas, como colágeno, as oportunidades de aproveitamento de pele e resíduos do pirarucu são também perspectivas promissoras de mercado.
Foto:Guilherme K. Noronha/APIO
 
Na abertura dos debates, os secretários de Desenvolvimento, Jório Veiga, e de Produção, Petrucio Magalhães, reforçaram a ação integrada entre os diversos órgãos do Governo para tirar do papel os projetos que vão permitir agregação de valor aos produtos derivados do pirarucu.


Há 10 anos no mercado, o proprietário da Nova Caeru, Paulo Amaury Marques, reconheceu que o beneficiamento do couro do pirarucu ainda é incipiente mas será eficaz e perene por tudo o que simboliza. “É a defesa da floresta e de um modo de vida. Isso torna esse peixe tão especial”, destacou.


Antônio José Inhamuns, do laboratório de Tecnologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), chamou a atenção para os resíduos do pirarucu como fonte de biomoléculas, como o colágeno utilizado na regeneração de pele e ossos.


A secretária executiva da Sedecti, Tatiana Schor, lembrou que o pirarucu é muito valioso mas que é preciso clareza quanto à importância das unidades de conservação e os comunitários, que são os detentores do saber tradicional e que precisam fazer parte dos negócios. “É preciso haver distribuição igualitária dos ganhos”, acrescentou Schor.






Black Friday do Pirarucu: descontos de até 50% no pescado manejado na FAS, em Manaus

A temporada de descontos do Black Friday inicia nesta sexta (29) em todo o País e a baixa dos preços também vão atingir a feira de pirarucu manejado na sede da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em Manaus. É o Black Friday do Pirarucu, com descontos de 11% a 50% na venda do pescado. Serão 4,8 toneladas de peixe vendidas pelos próprios pescadores diretamente com os clientes em Manaus, sem a participação de distribuidores ou atravessadores.


A comercialização inicia sexta (29), a partir das 7h30, e vai até domingo (1), já dentro da programação da Feira da FAS, a feira de economia criativa da fundação. O peixe é oriundo dos rios e lagos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, na região do Médio-Solimões, no município de Fonte Boa, a 678 quilômetros da capital. A venda tem autorização do Ibama e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
Foto:Dirce Quintino/FAS


Todos os descontos do Black Friday do Pirarucu vão variar de 11% a 50%. As peças de filé, por exemplo, estarão sendo vendidas a R$ 18 o quilo, 18,18% mais barato do que a última feira, quando o quilo custava R$ 22. Já a manta estará a R$ 15 o quilo, 11,76% a menos dos R$ 17 da última feira. A ventrecha ficará a R$ 10 o quilo, 28,57% de desconto em cima dos R$ 14 cobrados anteriores. A carcaça será vendida a R$ 2,50 o quilo, com 50% de desconto em cima dos R$ 5 da última feira. Veja tudo na tabela ao final.


Os pescadores que vêm à capital vender o peixe são da comunidade Mapurilância, dentro da RDS Mamirauá. “Nosso intuito é promover o manejo do pirarucu e o comércio justo, aproximar o comprador dos manejadores e fazer com que eles tenham oportunidade de oferecer produtos em Manaus sem os atravessadores, distribuidores. E por que não aproveitar o Black Friday, que é o período de promoções, para eles ganharem o dinheiro deles também?”, explicou Edvaldo Corrêa, coordenador do Programa Floresta em Pé.


É por meio do Floresta em Pé, e com recursos do Fundo Amazônia/BDNES, que a Fundação Amazonas Sustentável apoia o manejo do pirarucu na RDS Mamirauá e em outras Unidades de Conservação, em cooperação estratégica com Sema. Pelo programa, que funciona como uma política pública de pagamentos por serviços ambientais, os pescadores recebem incentivo à gestão sustentável de recursos naturais, como o pirarucu, o que gera renda às famílias e empodera as comunidades ribeirinhas.


Tabela de preços


- Filé: R$ 18 reais o quilo, desconto de 18,18%

- Manta: R$ 15 o quilo, desconto de 11,76%

- Ventrecha: R$ 10 o quilo, desconto de 28,57%

- Carcaça: R$ 2,50 o quilo, desconto de 50%


Serviço


Black Friday do Pirarucu será na sexta (29), sábado (30) e domingo (1), a partir das 7h30. Na sede da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), rua Álvaro Braga, 351, Parque Dez, Manaus.



Feiras no interior do Amazonas fortalecem manejo de pirarucu

A Feira de Pirarucu Manejado é um evento que virou tradição na vida dos pescadores da região do médio Solimões, no Amazonas. A programação acontece anualmente nos municípios do interior do estado, beneficiando manejadores que comercializam o maior peixe de escamas de água doce do mundo. Em 2019, foram comercializados 130 peixes nas feiras de Tefé e Alvarães, realizadas com apoio do Instituto Mamirauá.

Resíduos descartados da carcaça do pirarucu são transformados em ração animal e adubo orgânico

Normalmente descartados no meio ambiente, resíduos de carcaças do pirarucu (Arapaima gigas) podem ser utilizados no processo de produção de silagem e de composto orgânico. Esse foi o objeto do estudo “Inovações Tecnológicas no Tratamento de Resíduos da Indústria de Beneficiamento de Pescado de Maraã/AM”, desenvolvido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Pirarucu, o bacalhau amazônida é o rei dos rios

Nos rios da Amazônia, entre sua abundante fauna ictiológica, reside um dos maiores peixes de águas doces do país. O pirarucu (Arapaima gigas) é um portento animal que pode chegar a 3 metros de comprimento e até 200kg. Ele possui uma característica física peculiar: sua cauda possui tons de cores avermelhados, o que lhe garante o nome que vem do tupi – pirá (peixe) e urucum (vermelho), um corante natural muito comum em nossa região.

Projeto de manejo de pirarucu na Amazônia ganha prêmio de Empreendedorismo, nos Estados Unidos

A implementação do manejo de pirarucu (Arapaima gigas) na Amazônia resultou em projeto premiado pelo Prêmio Rolex de Empreendedorismo de 2019, nos Estados Unidos. O Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), foi instituição pioneira ao implementar acordos de pesca que possibilitaram a recuperação populacional da espécie na região do Médio Solimões, na Amazônia Central. 

Pesca do pirarucu em Rondônia está isenta de licença ambiental em rios

A instrução a respeito da pesca do pirarucu [Arapaima gigas] em Rondônia trará bons dividendos ao estado nas áreas econômica e ambiental, anunciou nesta quarta-feira (15) o secretário estadual do Desenvolvimento Ambiental, Elias Rezende.


A regulamentação abrange os dois principais aspectos da piscicultura amazônica: em ambientes lênticos [de água parada] e lóticos [de água em movimento].


O pirarucu chega ao mercado em mantas, depois de passar por processo de salga ao sol. É conhecido também por bacalhau da Amazônia, devido ao sabor e qualidade da carne, quase sem espinhos.


“Tudo seguiu requisitos e procedimentos legais”, destacou o secretário. “No período do defeso há limitação”, alerta. O defeso vai de 1º de novembro de cada ano a 31 de abril do ano seguinte.
Foto:Divulgação/Governo Rondônia


Segundo Rezende, em lagos e rios, a pesca exigirá plano de manejo do pirarucu, entretanto, em rios, o pescador poderá fazê-la tranquilamente com a identificação profissional artesanal, ou seja, basta possuir a carteira que assim o qualifique.


Para pescar em rios, associados às colônias de pesca do estado não necessitam de autorização da Sedam.


Primeiro produtor de peixes em água doce do País, com aproximadamente 80 mil toneladas por ano, Rondônia abriu o leque exportador para nove estados brasileiros, abastecendo ainda regiões bolivianas e peruanas.


O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce. Alguns espécimes pesam mais de duzentos quilos e têm de três a quatro metros de comprimento. Se as escamas o protegem de piranhas e outros predadores naturais, são menos úteis contra o mais temido de todos, o ser humano, que o pesca intensamente por sua carne.


“Vendemos bem para Manaus e o até o Acre compra da gente, em torno de dez toneladas a cada três dias”, assinalou Rezende.


Espécie exótica, o pirarucu está no topo da cadeia alimentar. A instrução, ele destacou, “nada mais é do que o respeito ao aspecto sustentável e social. Ribeirinhos serão os maiores beneficiados nessa integração entre o meio ambiente e a produção sustentável”.


No Acre,  o governo estadual e a WWF Brasil, apoiados pelo Ibama e colônia de pescadores do município de Manoel Urbano, conseguiram evitar o desaparecimento da espécie. Houve treinamento e capacitação de pescadores para manejar o pirarucu de forma ambientalmente adequada, assegurando a sobrevivência da espécie e a viabilidade econômica da atividade pesqueira.

Foto: Divulgação/Governo Rondônia

Isso resultou em aumento da produtividade dos lagos, crescimento da produção de pirarucu nos lagos manejados, repovoamento com casais da espécie em lagos onde o peixe havia desaparecido, e o consequente aumento da renda dos pescadores.


Rezende acredita que a instrução irá ao encontro dos interesses das colônias ribeirinhas. “A população envolvida debateu bem essa regulamentação que detalha até mesmo tamanho da espécie fisgada: até 1,5 m pode.


Segundo a revista científica Nature Communications, o pirarucu resiste às piranhas porque é dotado de um colete composto que o protege dos dentes daquele peixe. É também duro no exterior e flexível no interior, atestaram pesquisadores em 2013.


Conforme a revista, essa “estrutura única” do pirarucu não perde em nada para os coletes à prova de bala usados por militares e policiais. Trata-se de “estrutura sofisticada” à base de “elementos biológicos simples”, conforme eles assinalam.


O secretário enfatizou a simplificação de métodos na Sedam: além da pesca dessa espécie, a Lei nº 3686 facilitou a extração de cascalho para uso na construção e manutenção de estradas vicinais e em outros 64 tipos de atividades empreendedoras.









Preço do pirarucu manejado em reservas do AM tem aumento de 21%, em 2018

O pirarucu manejado das Reservas Mamirauá e Amanã, no Amazonas, teve um acréscimo no preço médio entre 2017 e 2018. O valor alcançado pelas vendas no ano passado foi de R$ 5,14 por quilo do pescado, um aumento de 88 centavos em relação à temporada anterior, quando o preço médio foi de R$ 4,26.

Os dados são do relatório técnico anual do manejo feito pelo Instituto Mamirauá, organização que oferece assessoria técnica ao manejo de pirarucu na Amazônia. De acordo com Ana Cláudia Torres, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do instituto, o acréscimo financeiro é um reflexo do acordo feito entre os manejadores para fixar um preço mínimo de venda e também pelo aumento da oferta do produto em feiras da região.

A pesca sustentável do pirarucu não gera apenas benefícios ecológicos por proteger a espécie e o meio ambiente, mas também econômicos: no ano passado, o manejo rendeu R$ 1.566.309,50 somente em Mamirauá e Amanã.
 
Foto: Aline Fidelix/Instituto Mamirauá 
Esse valor foi distribuído entre mais de 700 pescadores envolvidos diretamente com a atividade em 2018, o que corresponde a um faturamento médio bruto de R$ 2.166,40. Incluindo a venda de outras espécies de valor comercial, como o tambaqui, o desempenho do manejo de pesca na região foi de mais de 2 milhões de reais.

Mais de 300 toneladas do peixe foram comercializadas

Os números gerais são de 13 projetos de manejo de pesca no interior e arredores das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, região central do estado, em um território total de mais de 3 milhões de hectares. No âmbito dos projetos, estão 43 comunidades ribeirinhas, 03 colônias e 01 associação de pescadores.

Entre os meses de junho e novembro (período no qual a pesca do pirarucu decorrente de áreas de manejo é permitida, de acordo com a legislação), as manejadoras e manejadores capturaram 6.169 pirarucus. Esse total representou mais de 300.000 quilos de pescado. O pirarucu é o maior peixe de escama em água doce do mundo; um indivíduo adulto pode chegar até 200 quilos.

O grande volume (68,8%) de pirarucu manejado foi consumido no próprio estado do Amazonas. De acordo com o relatório do Programa de Manejo de Pesca (PMP) do Instituto Mamirauá, os destinos mais comuns foram Iranduba, Manacapuru e principalmente a capital, Manaus. Cerca de 29% da produção circulou na região mais próxima das reservas Mamirauá e Amanã, notadamente os municípios de Tefé e Alvarães. O restante do pescado foi para o mercado nacional.

Instituto Mamirauá

Unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o instituto desenvolveu uma metodologia para o manejo sustentável de pirarucu em ambientes de várzea, uma parceria com populações locais. Há mais de 20 anos, o manejo é praticado na região de Mamirauá, de onde foi divulgado para diversas partes do bioma amazônico.
 

Alta gastronomia carioca vê potencial no pirarucu manejado da Amazônia

Um pirarucu fêmea de 2,44 metros de comprimento, pesando 114 quilos, surpreendeu até mesmo os pescadores mais experientes quando saiu da água, no manejo deste ano, na Amazônia. Representantes da alta gastronomia carioca também se impressionaram com a espécie e viram nela um alto potencial culinário, que pode ser levado para as cozinhas do Rio de Janeiro.

A renomada chef de cozinha carioca Teresa Corção, dona do restaurante O Navegador e fundadora do Instituto Maniva, e Sérgio Abdon, consultor do Sindicato Patronal de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), visitaram a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no Amazonas, entre os dias 24 e 26 de novembro, para conhecer o projeto do manejo sustentável de pirarucu, assessorado pelo Instituto Mamirauá e feito por comunidades ribeirinhas locais.
 
Foto: Bernardo Oliveira/Instituto Mamirauá 
“É uma carne muito tenra, apesar de ser firme, e é muito suave, com um sabor muito delicado”, revela Teresa. “O peixe tem muito potencial gastronômico. Não só de ser comido fresco, mas também defumado, curado, como ceviche. Eu imaginei muitos processamentos possíveis e acho que outros chefs também vão ter ideias interessantes”.

A intenção da carioca de levar o pirarucu manejado da Amazônia ao mercado gastronômico do Rio de Janeiro está alinhada aos ideais do Instituto Maniva, do qual é fundadora. A organização reúne ‘ecochefs’ de renome da cidade em prol do movimento ‘Slow Food’, que propõe uma relação mais humana e sustentável entre restaurantes, consumidores e produtores de alimentos. Em uma inversão da lógica ‘fast food’, a ideia é valorizar uma alimentação prazerosa e de qualidade, que respeite a saúde do consumidor, o meio ambiente e as pessoas que trabalham para produzir a comida.

Para viabilizar o projeto, o Maniva se aliou ao SindRio, representado por Sérgio Abdon, que vê na proposta uma possibilidade de estreitar a relação do sindicato com os restaurantes. “Uma das nossas funções é oferecer aos associados produtos e serviços diferenciados. E entendemos que o pirarucu é um super produto, muito diferenciado”, explica Sérgio.

Para Sérgio, o trabalho com o pirarucu de manejo é uma excelente forma de vincular o SindRio ao conceito de sustentabilidade, relação fundamental para qualquer marca atualmente. “O que a gente vai fazer é subir dois degraus: o pirarucu é um produto que além de não agredir a natureza, gera renda para as comunidades ribeirinhas”, complementa.

O projeto

Inicialmente, a ideia é, ainda em 2018 e no começo do ano que vem, levar o pirarucu manejado a chefs de renome do Rio de Janeiro e começar a sensibilizar a classe em relação ao produto. “Para que eles experimentem, inventem receitas e façam uma análise. Com base nessas análises, teremos uma ideia de como o peixe pode ser utilizado e qual é o seu grau de aceitação”, conta Sérgio Abdon. Em seguida, o SindRio pretende promover palestras sobre o manejo e oficinas que ensinem o preparo do peixe.

Em agosto, o pirarucu manejado será lançado no Rio Gastronomia, o maior evento de gastronomia do país, que anualmente reúne cerca de 50.000 pessoas. “A intenção é promover a experimentação do pirarucu pelo público final. Nós teremos, dentro do evento, um quiosque vendendo só pratos de pirarucu e uma barraca na feira de produtores”, revela o representante do SindRio.

Outra iniciativa será o Festival do Pirarucu, planejado para acontecer no Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara, o CADEG, mercado municipal do Rio de Janeiro. O projeto é de realizá-lo entre os meses de setembro e outubro. “Um evento mais voltado para o público da Zona Norte, que frequenta o mercado. Tentaremos o máximo possível fazer um lançamento que seja abrangente”.

O manejo sustentável de pirarucu na Amazônia

Mesmo já tendo constado na lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção (e ainda constar em algumas regiões), o maior peixe de escamas de água doce do mundo é hoje abundante nas reservas onde o manejo passou a ser implementado. Sua carne é muito apreciada em restaurantes do Amazonas. A recuperação do pirarucu e seu sucesso como produto alimentício é fruto de ações como as do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).
 
Foto: Bernardo Oliveira/Instituto Mamirauá
Desde os anos 90, o programa utiliza pesquisas científicas para elaborar estratégias de conservação para o animal, ao mesmo tempo que gera renda para as comunidades em unidades de conservação. Para tanto, uma cota de abate segura para a manutenção da espécie é determinada a cada ano, estabelecida por contagens minuciosas realizadas a partir do conhecimento tradicional dos próprios ribeirinhos.

Além de gerar renda para as comunidades, o trabalho envolve os moradores na conservação da biodiversidade. Os pescadores passam a fiscalizar o ambiente contra pescadores ilegais para proteger aquele recurso. 

Havia cinco anos que os pescadores do Acordo de Pesca do Setor São José não realizavam o manejo no Lago Branco, Reserva Amanã, onde Sérgio e Teresa estavam para observar o processo, por isso o tamanho avantajado dos peixes. O abate obedece a regras rígidas: não pode ocorrer entre 1 de dezembro e 31 de maio, período de reprodução da espécie, e deixa de fora os animais mais jovens, com menos de 1,5 metro de comprimento.

Câmara aprova PL que inclui o pirarucu na política nacional de preço mínimo

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 7678/2017, que permite a inclusão de produtos extrativos de origem animal, entre eles o pirarucu, na lista de produtos beneficiados pela Política de Garantia de Preços Mínimos. A aprovação do PL, de autoria da deputada Conceição Sampaio (PSDB-AM), ocorreu na última terça-feira (4). Na prática, a mudança assegura que os produtores recebam o preço mínimo pela comercialização do pirarucu oriundo da pesca sustentável.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), que avaliou o projeto, seguiu o parecer do relator do deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), favorável à proposta. A PL 7678/2017 segue agora para votação no Senado. Caso vença também nessa instância, o pirarucu e demais produtos extrativos de origem animal passam a ganhar subvenção econômica, ou seja, o governo paga uma parte do valor do item para cobrir o custo dos produtores.
 
Foto: Bernardo Oliveira/Instituto Mamirauá
O texto altera a Lei 8.427/92, que autoriza o benefício a produtores rurais e cooperativas. “O texto legal vigente necessita ser aprimorado e atualizado de maneira a contemplar a realidade dos produtores atuais. Ao limitar a equalização dos produtos extrativos apenas aos de origem vegetal, a Lei excluiu inúmeros produtores que poderiam se beneficiar das políticas de preços mínimos”, argumenta o projeto de lei.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o preço mínimo para a comercialização do pirarucu manejado é de R$ 7,74 por quilo.

Projeto indica perspectiva de melhorias

A coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, Ana Cláudia Torres, considera que a aprovação da PL é fundamental para garantir melhor preço aos pescadores que se dedicam ao manejo da espécie, que atualmente lidam com a baixa remuneração sobre a atividade.

“Historicamente, a Amazônia sempre teve produtos que tiveram seu boom de alta na questão econômica, mas que declinaram com o tempo, pela falta de políticas públicas de incentivo a essa produção, como a seringa e a juta”, aponta. “Se nenhuma medida for tomada para conter a queda do preço do pirarucu, talvez tenhamos o processo inverso que o manejo possibilitou, de geração de renda, mas também de conservação dos recursos naturais. Podemos voltar a um cenário de declínio da espécie e falta de proteção do território”.

Conforme Torres, o projeto de lei pode garantir e impulsionar a atividade do manejo de pesca, visto que quanto mais grupos estiverem manejando, maior é a governança e a proteção do território.

"Além de conservar o pirarucu em si, projetos ativos de manejo sustentável, que envolvem vigilância e organização social, protegem também todo o ambiente em que os peixes vivem, promovem a manutenção das matas ciliares dos lagos e também a conservação de outras espécies, como o peixe-boi”, complementa a técnica do Instituto Mamirauá.

Iniciado na década de 1990, com assessoria do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o manejo sustentável e participativo completa 20 anos de história na Amazônia. É uma atividade presente em mais de 20 municípios do Amazonas e em outros estados da região Norte como Pará e Rondônia, Acre e Tocantins e também em outros países da Pan Amazônia, principalmente Peru e Bolívia.