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Segunda, 10 Mai 2021

Conheça o peixe-boi-da-Amazônia, o 'cantor' que equilibra o ecossistema da região

Eles receberam apelidos de 'peixe-boi' por conta dos seus cantos, que levou navegadores e pescadores a associá-los às mitológicas sereias

Conheça o peixe-boi-da-Amazônia: além de vítima de caça predatória é vulnerável na lista de espécies ameaçadas de extinção

O peixe-boi da Amazônia é considerado o menor dos sirênios, podendo medir de 2,8 a 3 metros e pesar até 480 kg.

Descoberta fóssil na Amazônia ajuda ciência a entender extinção de espécies

Espécie de peixe-boi extinto viveu há cerca de 40 mil anos no rio Madeira.

Ampa realiza Campanha de Financiamento Coletivo para monitorar peixes-bois da Amazônia

O monitoramento pós soltura dos peixes-bois é extremamente importante para avaliar o sucesso de adaptação dos animais

Espécies amazônicas ameaçadas de extinção são retratadas em mosaico por artistas internacionais

O peixe-boi da Amazônia e o boto-vermelho, espécies endêmicas da região, ganharam um mosaico no Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). A inauguração está prevista para acontecer nesta quinta-feira (22), às 10h, no Parque Aquático Robin Best do Instituto, localizado na rua Bem-ti-vi, Petrópolis.

Pesquisadora do Instituto Mamirauá investiga caça ilegal de peixe-boi-amazônico

O peixe-boi-amazônico (Trichechus inunguis) é uma espécie de mamífero aquático que ocorre apenas na bacia amazônica e pode pesar até 450 quilos. Caçada intensamente a partir dos anos de 1500, a espécie é considerada vulnerável à extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). 

Dia Internacional da Biodiversidade: biólogo do Inpa explica a importância do peixe-boi para a Amazônia

Dois filhotes de peixe-boi encontrados em Parintins são levados ao Inpa

Dois filhotes de peixe-boi foram resgatados na área rural de Parintins (a 370 quilômetros de Manaus) e chegaram ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), nesta quarta-feira (17), para o processo de reabilitação. Os animais serão acompanhados pela do Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia.

O primeiro filhote de peixe-boi, um macho de 15 quilos, foi encontrado na comunidade do Espírito Santo, e o segundo filhote, uma fêmea de 21 quilos, foi resgatada pelos comunitários de Catispera, ambos próximos ao município de Parintins.
Foto: Divulgação/Ampa
De acordo com o veterinário do Inpa, Anselmo d´Affonseca, somando os dois peixes-bois que chegaram nesta quarta-feira, totalizam cinco filhotes que chegaram ao Instituto este ano. “Apenas de Parintins já são três animais que foram resgatados. Os filhotes podem ter caído na malhadeira de algum pescador ou também pode ter perdido a mãe para caça ilegal, já que aquela região é conhecida por consumir a carne de peixe-boi. Mas é difícil ter certeza”, explica.

Segundo o analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Robson Czaban, a fiscalização da matança de peixes-bois na Amazônia é muito difícil por conta da imensidão geográfica. “Se a caça ocorre para o comércio nas feiras é mais fácil de fiscalizar, agora se for a própria comunidade que mata para consumo fica quase impossível saber. O que pode ser feito é uma sensibilização maior nessas áreas para tentar minimizar este ato”, disse.

Filhotes presos em malhadeira

O Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, executada pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), preocupada com a quantidade de filhotes presos em malhadeira, produziu uma cartilha para auxiliar os pescadores e comunitários que avistam filhotes de peixes-bois na beira do rio e aqueles que são pegos em malhadeiras de pesca.
Foto: Divulgação/Ampa
A cartilha “Como liberar filhotes de peixe- boi capturados acidentalmente”, está disponível na versão online na página da Ampa. Segundo o diretor executivo da organização Ricardo Romero, a intenção é que este material chegue ao máximo de comunidades do Amazonas.

“O Projeto pretende fazer parcerias com instituições ambientais do município e do Estado para que por meio deles consigamos maior contato com as comunidades mais longínquas, principalmente àquelas que possuem grande histórico de caça de peixe-boi”, comenta o gestor.

A Ampa é responsável por executar o Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, cujo principais objetivos são resgatar, reabilitar e reintroduzir peixes-bois (Trichechus inunguis) aos rios da Amazônia, além de auxiliar o projeto Boto do Inpa, que pesquisa a bioecologia do boto-vermelho e do tucuxi para a conservação das espécies.

As pesquisas realizadas em parceria com o Laboratório de Mamíferos Aquáticos geram informações que alertam as autoridades e comunidade internacional sobre a e caça ilegal do peixe-boi para comercialização da carne e a matança do boto-vermelho.

Soltura histórica de peixes-bois da Amazônia reforça importância da conservação da espécie

Doze peixes-bois da Amazônia, espécie que está na lista de animais ameaçados de extinção, foram devolvidos à natureza neste fim de semana na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus (a 173 km de Manaus). A ação faz parte do Programa de Reintrodução de Peixes-bois do Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, realizado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

A atividade de Reintrodução, que já devolveu aos rios da região amazônica mais de 30 animais que foram vítimas da caça ilegal, é executada pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), que atua há 18 anos na conservação dos mamíferos aquáticos da Amazônia.
 
Foto: Fernanda Farias/Inpa
Segundo a coordenadora do Projeto, a pesquisadora do Inpa, Vera da Silva, a devolução dos animais é uma das etapas mais importantes para o Projeto. “A reintrodução dos peixes-bois para a natureza nos mostra que conseguimos concluir com os objetivos de resgatar, reabilitar e devolver esses animais, que estão ameaçados de extinção, à natureza”, explica.

O responsável pelo Programa de Reintrodução, Diogo de Souza, enfatiza o fundamental apoio da comunidade nessa etapa. “Sem o apoio da comunidade a gente não faria nada. Eles são de extrema importância para o sucesso do Projeto. São eles que fazem o monitoramento por telemetria dos peixes-bois que recebem o cinto com o transmissor e conseguem coletar dados que ajudam na pesquisa para conservação”, diz o biólogo lembrando que são ex-caçadores de peixes-bois que realizam, atualmente, o monitoramento dos animais.

A Reintrodução de peixes-bois da Amazônia recebe o apoio do Projeto Museu na Floresta, Universidade de Kyoto, do Aquário de São Paulo e da Secretária de Estado de Meio Ambiente (Semas).

“Peixe-boi sem nome não tem graça”

Um dos 12 peixes-bois escolhidos para voltar para casa ainda não tinha nome, o número #183, como era chamado pela equipe do Projeto, ganhou um nome indígena durante a campanha “Peixe-boi sem nome não tem graça”. O nome escolhido foi “Iberaba” que significa “o brilho da água”.

A atividade de Educação Ambiental foi realizada na Escola Municipal Bom Jardim na comunidade do Cuianã, local próximo ao que os animais foram soltos. Para a educadora ambiental do Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, Jamylle de Souza, a ação fortalece o protagonismo dos comunitários em relação às responsabilidades de manter o ambiente aquático saudável e também para alertar sobre a importância da espécie para os ecossistemas aquáticos.

“As ações educativas, especialmente com gestores, docentes e outros atores locais, motivam os jovens e crianças a atuarem em prol da conservação, principalmente dos peixes-bois que possuíam um forte histórico de caça localmente”, comenta a bióloga, completando que quando os jovens se sentem valorizados e acabam se envolvendo mais nas atividades.

Reserva no AM recebe a maior soltura de peixes-bois da Amazônia da história, diz Inpa

Doze peixes-bois da Amazônia serão reintroduzidos, neste fim de semana, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, próximo ao município de Beruri (a 173 quilômetros de Manaus). Esta será a maior soltura de peixes-bois da Amazônia já realizada na história, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

Os animais que serão devolvidos à natureza foram vítimas de caça ilegal ou captura acidental, conforme o responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois, biólogo Diogo de Souza. “Os peixes-bois filhotes resgatados são reabilitados no Inpa em tanques de fibra. Geralmente, eles perdem a mãe para a caça ou são pegos em redes de pesca”, diz Souza, que é mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa.
 
Foto: Luciete Pedrosa/Acervo Inpa
A coordenadora do Projeto, a pesquisadora do Inpa Vera da Silva, alerta que o peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis) é uma espécie ameaçada de extinção e por isso o Programa de Reintrodução é essencial para a conservação da espécie. “Eles são animais dóceis e com movimentos lentos, por isso acabam sendo alvos para a caça. E para restabelecer a população dessa espécie, que é muito importante para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, a Ampa e o Inpa realizam o Programa de Reintrodução de Peixes-Bois há dez anos”, explica a pesquisadora, que é doutora pela Universidade de Cambridge.

O Inpa já reintroduziu aos rios da Amazônia 23 peixes-bois. Desde 2016, eles são soltos na RDS Piagaçu-Purus, baixo rio Purus, onde as comunidades dessa unidade de conservação do estado do Amazonas são parceiras do Programa. A última soltura aconteceu em abril de 2018, quando foram reintroduzidos dez animais, cinco machos e cinco fêmeas. 

“Nossa ideia é levar de maneira recorde doze animais de uma só vez. O sucesso das solturas passadas com os animais se readaptando muito bem à natureza, nos permitiu acelerar o processo”, ressalta o responsável pelo programa de Reintrodução.

A ação, que inicia nesta sexta-feira e encerra na próxima segunda-feira (25), é realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em parceria com o Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia e o Museu na Floresta.

O Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e executado pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) em parceria com o Projeto Museu na Floresta, uma cooperação com a Universidade de Quioto (Japão).

Readaptação à natureza

Após a reabilitação, os animais passam pela etapa de semicativeiro em uma Fazenda de piscicultura em Manacapuru durante um ano, antes de serem selecionados para serem soltos na natureza. Já na área de soltura, a várzea da Reserva Piagaçu-Purus, os animais estão aptos para se alimentar sozinhos, explica Souza.

“Eles comem por dia o equivalente a cerca de 10% do seu peso e no cativeiro, em Manaus, são alimentados prioritariamente com vegetais cultivados e capim membeca. Na Reserva, estes animais terão uma diversidade na dieta de mais de 60 espécies de plantas aquáticas”, comenta.

Os animais selecionados têm idade entre três e 16 anos, pesam cerca de 120 quilos e medem em média 2 metros de comprimento. Os resultados clínicos foram satisfatórios e selecionados os doze animais mais aptos para a soltura (sete fêmeas e cinco machos). Os machos são o Terra Nova, Otinga, Piraporã, Manicoré e #183 (ainda sem nome); e as fêmeas Ayara, Poraquequara, Janã, Jaci, Maná, Anibá e Urucará.

Conforme Souza, os animais estão em boas condições de saúde, com peso e tamanho adequados. “Dos 12 animais, cinco receberão os cintos transmissores para monitoramento pós-soltura”, destaca o biólogo ao acrescentar que os outros sete serão soltos diretamente na natureza e não serão monitorados em razão de 100% de sucesso na adaptação dos outros indivíduos que já foram reintroduzidos.

Foto: Luciete Pedrosa/Acervo Inpa

A operação

A equipe sairá da sede do Inpa, em Manaus, na madrugada da sexta-feira (22) e deverá chegar ao amanhecer no lago do semicativeiro, em Manacapuru. Lá, os doze peixes-bois selecionados deverão ser recapturados e retirados do lago um a um e transportados de caminhão até o barco, numa distância de 500 metros.

O barco, ancorado as margens do rio Solimões, estará equipado com três piscinas de fibra para acondicionar os animais durante a viagem, que deverá durar 15 horas até a Reserva Piagaçu-Purus, localizada entre os interflúvios Purus-Madeira e Purus-Juruá.

Durante a viagem, os animais serão monitorados em tempo integral pela equipe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa), para avaliar o comportamento dos animais, verificar a frequência respiratória e troca de água das piscinas.

A chegada dos peixes-bois na Reserva está prevista para a manhã sábado (23), quando haverá uma atividade de educação ambiental com os moradores das comunidades da reserva para conscientizar sobre a importância da preservação do peixe-boi.  À tarde do mesmo dia, a expedição segue para o local de soltura, um lago de várzea na RDS Piagaçu-Purus.

Serão soltos na natureza oito animais no primeiro dia, e outros quatro no segundo dia, e iniciado o monitoramento por radiotelemetria. Após o encerramento das atividades, previsto para a tarde do dia 24 de março (domingo), a equipe retorna para a capital devendo chegar na manhã seguinte (25).
 

Unama realiza maior soltura de peixes-bois com rádios transmissores, no Pará

O Zoológico da Universidade da Amazônia (ZOOUNAMA) fará a soltura de quatro peixes-bois, no dia 14 de março, no Porto Marques Pinto, em Santarém. É a primeira vez que os mamíferos serão monitorados por um rádio transmissor nas águas dos rios Tapajós e Amazonas.

Os animais estão localizados na base flutuante do “Projeto Peixe–boi”, que tem sido referência no município de Santarém com mamíferos ameaçados pela caça ilegal nos rios Tapajós e Amazonas, na comunidade Igarapé do Costa.

Todos os animais mantidos pelo projeto são chamados pelo nome, recebem um tratamento especial e ficam em piscinas artificiais adequadas ao tratamento de reabilitação. Além de receberem acompanhamento de biólogos, veterinários e tratadores de animais.

Foto: Divulgação

Os peixes-boi chegaram no projeto ainda filhotes, quando passaram pela 1° fase do processo de reabilitação nas piscinas do zoológico. Concluída esta etapa, eles foram transferidos para a 2° fase, em uma base flutuante de 100m² no rio. Neste período, os animais puderam apreciar águas naturais e correntes. Agora, na 3° fase, serão soltos em seu habitat, sem limitações de espaço.

Segundo Jairo Moura, médico veterinário do ZOOUNAMA, o processo é feito de forma gradual e com acompanhamento técnico. Quando filhotes, os animais recebem, diariamente, uma dieta láctea sem lactose, acrescida de suplemento vitamínico, óleo de canola e óleo mineral, além de atendimento especializado quando a ocasião exige.

“Paulatinamente, é feita a substituição da dieta láctea sem lactose pela com lactose, após constatação de que o animal tolera este dissacarídeo. Gradativamente, a inclusão de macrófitas aquáticas – plantas aquáticas - é efetuada nos itens alimentares até a retirada total da dieta láctea, possibilitando a ida do espécime para a base flutuante, situada em um lago de uma comunidade próxima a Santarém”, frisa Moura.

No rio, os animais têm contato com a água corrente, enquanto nas piscinas é água de poço. A aclimatação natural faz com que haja alterações comportamentais quando comparadas aos animais que estão em recuperação nas piscinas. Os mamíferos ficam aproximadamente três anos na aclimatação e depois seguem para a base do rio.

Jairo também ressalta que, hoje, o projeto ainda conta com dez animais na aclimatação e que passarão por coletas de sangue para avalição do perfil sanitário. “Com os rádios transmissores, nós, do zoológico, faremos o acompanhamento e observaremos o comportamento no habitat natural dos mamíferos”, explica.

Os animais variam de 5 a 10 anos e pesam, em média, 115 quilos.

Ao longo de seus dez anos, o Zoológico da Universidade da Amazônia (ZOOUNAMA) tem desenvolvido trabalhos agregados à iniciação científica, reabilitação de animais e educação ambiental no município de Santarém, Oeste do Pará. A soltura será realizada pela equipe do Zoológico, do Instituto Chico Mendes (ICMBio), do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).

Peixe-boi da Amazônia

O peixe-boi de água doce tem o nome científico de Trichechus inunguis, é endêmico da bacia amazônica e encontra-se na lista dos animais brasileiros ameaçados de extinção. Mesmo protegido por lei, a caça a este animal ainda acontece principalmente com as fêmeas lactantes. Historicamente, a partir do século XVI, esse mamífero aquático foi caçado indiscriminadamente para obtenção da carne e a utilização do couro que é, pelo menos, seis vezes mais resistente que o couro de um bovino.

Uma das descrições mais antigas acerca do peixe-boi da Amazônia foi efetuada pelo Padre José de Anchieta, em 1560, na qual relaciona características particulares entre o peixe-boi de água doce e de água salgada. A carne deste animal foi muito apreciada pelos primeiros viajantes, naturalistas, pelos índios e pelos colonizadores. Além da carne, seu couro, seus ossos e sua banha tiveram durante quase dois séculos preços excelentes e com uma reputação considerada tanto como produto para iluminação, como para alimento, ou ainda como material para fazer objetos que necessitassem de resistência maior que a da sola.

Morfologicamente, difere do peixe-boi de água salgada Trichechus manatus, quanto à cor, peso e tamanho. Enquanto o de água doce tem a coloração escura, pode pesar até 450 kg e medir até 2,5 metros de comprimento, o de água salgada possui a coloração cinza, pesando 700 kg e medindo até 4,5 metros. Outra particularidade é que somente o de água salgada tem unhas nas nadadeiras e a maioria dos espécimes de água doce apresenta uma característica exclusiva na região ventral que é uma mancha branca ou rosa com formato diferenciado, o que facilita a identificação individual.
 

Ainda com cordão umbilical, filhote de peixe-boi é resgatado em área de proteção do AM

Um filhote de peixe-boi de, aproximadamente, uma semana de vida chegou a Manaus, nessa segunda-feira (28), após ser resgatado por moradores da comunidade Vista Alegre, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) Nhamundá (a 383 quilômetros de Manaus). O animal veio em um barco recreio, trazido pelo servidor da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), responsável pela gestão da APA, Otávio dos Santos.

Segundo o gestor da APA Nhamundá, o animal foi encontrado, na quarta-feira (24), por um casal de caseiros de uma fazenda, ainda com cordão umbilical. “Assim que ficamos sabendo, entrei em contato com um veterinário em Manaus que nos deu orientações sobre como cuidar do filhote até trazê-lo para a capital. Conseguimos trazê-lo bem até Manaus, onde receberá todos os cuidados”, explicou.
 
Foto: Ricardo Oliveira/Divulgação Sema 
O filhote é uma fêmea, mede cerca de 80 centímetros e pesa aproximadamente 10 quilos. A suspeita é de que tenham matado a mãe do animal.

No Porto de Manaus, o animal foi entregue para uma equipe de resgate do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que levou o animal para o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O animal foi alimentado pelo veterinário Anselmo D’Fonseca, da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), e colocado junto com outros filhotes no tanque, para diminuir o estresse devido à longa viagem. De acordo com o veterinário, o animal apresenta bom estado de saúde.
 
Foto: Ricardo Oliveira/Divulgação Sema 

Mais de dez peixes-bois de semicativeiro no AM devem voltar aos rios da Amazônia

A equipe do projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia vai realizar a captura de 25 peixes-bois, no semicativeiro de readaptação, localizado na Fazenda Seringal 25 de dezembro, em Manacapuru (68 km de Manaus), para selecionar 12 animais para voltar aos rios da Amazônia.

Conheça o peixe-boi-da-Amazônia, o 'cantor' que equilibra o ecossistema da região

A atividade do projeto, executado pela Associação Amigos do Peixe-boi em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), será realizada de segunda a quinta-feira da próxima semana (28 a 31).

Segundo o responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois, o biólogo Diogo de Souza, essa etapa é determinante para saber quais animais serão devolvidos no rio. “É extremamente importante avaliar a condição clínica dos animais para garantir a saúde dos peixes-bois a serem devolvidos na natureza e evitar a contaminação das populações selvagens”, explicou.
 
Foto: Divulgação/Ampa
As amostras das coletas de sangue e fezes dos animais serão encaminhadas para análise na Universidade de São Paulo e no Inpa, para saber as condições clínicas de cada peixe-boi mantido no lago de semicativeiro.

A captura é uma das etapas do Programa de Reintrodução de Peixes-bois do Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, que é patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e é executado pela Ampa em parceria com o Laboratório de Mamíferos Aquáticos da Amazônia do Inpa.

Semicativeiro

Atualmente no lago de semicativeiro, em Manacapuru, estão 14 fêmeas e 11 machos, que saíram do cativeiro do Inpa juvenis ou adultos para conseguir readapta-se à vida selvagem dos rios. “No lago, os animais começam a se alimentar sozinhos e também conseguem interagir com outros peixes-bois num espaço maior”, comenta o biólogo.
 
Foto: Divulgação/Ampa 
Após essa etapa de captura no lago, os 12 animais selecionados estarão aptos à fase de soltura, que acontecerá em março deste ano. Os peixes-bois serão levados para a Reserva Piagaçu-Purus, onde acontecia caça intensa desses animais para o consumo da carne.

A atividade também tem o apoio do Projeto Museu na Floresta que é patrocinado pela agência japonesa JICA e a Universidade de Kyoto.