Espécies amazônicas ameaçadas de extinção são retratadas em mosaico por artistas internacionais

O peixe-boi da Amazônia e o boto-vermelho, espécies endêmicas da região, ganharam um mosaico no Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). A inauguração está prevista para acontecer nesta quinta-feira (22), às 10h, no Parque Aquático Robin Best do Instituto, localizado na rua Bem-ti-vi, Petrópolis.

As responsáveis pela intervenção artística são as artistas visuais guatemaltecas Estefania Valls Urquijo, Regina Toriello e a venezuelana Carolina Bertsch, que aplicaram  a técnica ‘trencadis’, um estilo de decoração que utiliza pedaços irregulares de cerâmica para produção de mosaicos. “A técnica é do arquiteto Antoni Gaudí, da Catalunia, que fez do trencadís as características mais marcantes de suas obras”, comenta a Valls.

Foto: Fernanda Farias/Divulgação/Ampa

Segundo Estefania, a ideia de fazer o mosaico para o Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia surgiu durante uma conversa com a artista Carolina, na Tailândia. “Eu já tinha feito dois outros murais com a mesma técnica, um na Grécia e outro na Índia, e tinha muita vontade de vir para a região amazônica para fazer um que retratasse a natureza”, conta.

Para Toriello, trabalhar com a presença dos peixes-bois foi um momento único. “Conhecer essas espécies que estão ameaçadas na Amazônia e trabalhar com os peixes-bois ali pertinho, olhando e convivendo esses dias foi muito especial”, diz a artista.

Esta foi a primeira vez que Bertsch trabalha com a técnica de mosaico, mas sempre expressa a fauna e flora amazônica em suas obras. “Já tinha pintado os tanques de filtragem de água dos tanques dos peixes-bois do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) do Inpa, mas retratar esses animais com a técnica trencadís foi uma experiência incrível”, afirma.

Conservação dos mamíferos aquáticos 

Para a coordenadora do Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, a pesquisadora do Inpa Vera da Silva, o mosaico vai ser muito mais do que mais um atrativo para o público que visita o Bosque da Ciência. “Estes mosaicos são muito mais que uma manifestação de arte, eles vão trazer uma maior reflexão para a questão da conservação do boto-vermelho e do peixe-boi da Amazônia, que são espécies endêmicas da região e estão na lista de animais ameaçados de extinção”, comenta a pesquisadora.

Foto: Fernanda Farias/Divulgação/Ampa

O Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, é executado pela Ampa e tem como seu principal parceiro o LMA do Inpa.

O Projeto tem como principal objetivo proteger as espécies de mamíferos aquáticos e os ecossistemas aquáticos da Amazônia por meio de estudos científicos e da integração com as comunidades ribeirinhas, que aprendem a utilizar de forma sustentável os habitats, e dessa forma atuam na conservação destas espécies vulneráveis, presentes na lista vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

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