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Domingo, 09 Mai 2021

Conheça espécies de macacos que só são encontradas na Amazônia

Na Amazônia, encontramos uma rica e diversa fauna. Das 156 espécies de primatas encontradas na América do Sul, 60% estão na Amazônia brasileira.

Jupará

 
 

Conhecido como macaco-da-noite, o jupará é um dos animais mais curiosos da Amazônia

Capivara

A capivara é o maior roedor do mundo.

PF apreende mais de 360 Kg de carnes de animais silvestres no Amazonas

Foram apreendidos na manhã desta segunda-feira (25), no município de Tabatinga, no interior do Amazonas, 368 quilos de carnes de animais silvestres. O flagrante aconteceu durante abordagem rotineira da Polícia Federal do Amazonas a embarcações fluviais. Quatro pessoas, sendo três homens e uma mulher, todos peruanos, foram presos.

Foto:Divulgação/Polícia Federal

Ao todo, foram apreendidos 275 kg de carne de paca, 8 kg de tatu, 32Kg de veado, 53 kg de anta. Além disso, também foram encontrados três motores de embarcações e uma espingarda calibre 16.

Foto:Divulgação/Polícia Federal
Os presos foram conduzidos até o presídio do município, ficando à disposição da Justiça Federal.

Campanha arrecada verba para garantir preservação do macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta

Imagine uma população inteira de primatas tendo que viver concentrada um uma área mínima, equivalente 80 campos de futebol. Esta é a situação do macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta, espécie de primata que pode ser encontrada apenas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas.
Foto:Reprodução/Icmbio
De acordo com pesquisas realizadas pelo instituto, que revelam aspectos em biologia e ecologia desses primatas, como definição da área onde ocorre, comportamento e tipo de alimentos que consome, área que a espécie ocupa hoje é muito pequena comparada a de outros primatas e a do próprio ser humano.

Apesar da espécie estar em uma área protegida, ainda sofre sérios riscos de extinção em função das mudanças climáticas. Pesquisas têm demonstrado que toda a área onde a espécie ocorre sofrerá alagamentos mais frequentes e intensos no futuro, indicando que a espécie perderá seu habitat, levando-a à extinção.

Dessa forma, o Instituto Mamirauá, em parceria com a Universidade Federal do Pará, planejou um projeto para capturar macacos-de-cheiro e investigar a reprodução da espécie. Após os procedimentos, todos os animais serão soltos novamente na floresta.

Para isso, foi lançada uma campanha que cham,a a população a ajudar na conservação dos macacos-de-cheiro-de-cabeça-preta. A meta da campanha é arrecadar R$ 100.000,00, para desenvolver pesquisas em tecnologias de ponta para a reprodução da espécie.

O principal objetivo do projeto é desenvolver técnicas para reintroduzir o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta de volta às florestas, quando eles já estiverem perdendo o seu habitat. As doações podem ser feitas a partir de R$ 30,00 e poderão ser feitas até o dia 12 de junho, no site do Instituto Mamirauá ou clicando aqui.

Além de contribuir com a preservação do macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta, os doadores vão receber recompensas exclusivas do instituto, que variam conforme o valor doado.

Instituto Mamirauá monitora onça-preta da Amazônia

Com o estrondoso sucesso do filme de super-herói “Pantera Negra” nos cinemas, os grandes felinos com pelagem preta estão na moda. As onça-pretas (ou melânicas) são as representantes “nacionais” desse grupo, habitando diversos biomas do país, incluindo a Amazônia. Jacques, é a mais nova onça-pintada preta monitorada pelo Instituto Mamirauá.

O encontro com o felino aconteceu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Localizada no estado do Amazonas, no médio curso do Rio Solimões, é na reserva onde pesquisadores do Instituto Mamirauá investigam a ecologia de onças-pintadas em ambientes de várzea, as florestas alagáveis da Amazônia.
Foto:Emiliano Ramalho/Instituto Mamirauá
Jacques é um jovem macho da espécie, em boas condições físicas. Com idade estimada entre seis e oito anos, pesa por volta de 55 quilos. A inspiração para o nome Jacques veio do oceanógrafo e conservacionista francês Jacques-Yves Cousteau (1910-1997).
Foto:Emiliano Ramalho/Instituto Mamirauá
Preta ou pintada?

Essa é a quinta onça-preta monitorada pelo Instituto Mamirauá em mais de dez anos de pesquisas com felinos. Esse tipo de animal é um caso raro na natureza, correspondendo a uma baixa percentagem entre onças-pintadas. O melanismo acontece por uma mutação genética que causa alta concentração de melanina no pelo do animal, o pigmento que lhe dá a cor preta.

Por causa disso, há quem acredite que a onça-preta não é uma onça-pintada, mas sim outra espécie de felino. O mal-entendido é revelado quando se olha imagens noturnas do animal, registradas com câmeras infravermelho. Nelas, é possível ver as “pintas” debaixo da pelagem escura.
Foto:Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá
De olho nas onças-pintadas para a conservação da espécie

O Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia realiza, todos os anos, a captura de onças-pintadas. Elas são capturadas com o uso de armadilhas de laço, instaladas em trilhas na floresta. Em sequência, os especialistas ajustam um colar de telemetria e fazem exames clínicos e coletas de material biológico para avaliar a saúde do animal.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
“A captura dessa onça-pintada foi muito tranquila, é um animal que se mostrou quase dócil. O procedimento durou aproximadamente uma hora, para colocar o colar e coletar as amostras biológicas”, informa Emiliano Ramalho, líder do grupo de pesquisa em felinos do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Os colares de telemetria possuem um sistema GPS que permite acompanhar a locomoção das onças durante o ano inteiro. A partir dos dados levantados pelo monitoramento, nos últimos anos os cientistas têm descoberto novas informações sobre as onças-pintadas na Amazônia, que são importantes para a conservação da espécie.

As pesquisas com onças-pintadas do Instituto Mamirauá contam com financiamento da Fundação Gordon and Betty Moore.

Estudo caracteriza sistema respiratório de golfinhos-de-rio

O aparelho respiratório dos golfinhos amazônicos é semelhante ao de outros grupos de mamíferos aquáticos, incluindo outros cetáceos. O artigo "Posterior respiratory apparatus of Inia geoffrensis and Sotalia fluviatilis: structure and ultrastructure", publicado recentemente no “Internacional Journal of Morphology”, traz as características do sistema respiratório de duas espécies de golfinhos-de-rio: o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e o boto tucuxi (Sotalia fluviatilis).
Foto:Reprodução/Instituto Mamirauá
Para realizar a pesquisa, foram analisadas carcaças de golfinhos coletadas no Lago Tefé e na Reserva Mamirauá, no Amazonas. As amostras foram coletadas entre os anos de 1995 e 2015. “O trato respiratório das duas espécies de golfinhos foram analisadas utilizando técnicas macroscópicas e microscópicas”, explica o autor do artigo, Luzivaldo Júnior. A pesquisa foi realizada em parceria com a Universidade Federal do Acre e a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.

O estudo identificou “traqueia, brônquio principal, brônquio traqueal e pulmão” no aparato respiratório dos botos estudados. A presença do brônquio traqueal sugere que esses animais possuem facilidade em realizar trocas gasosas.“Os botos e tucuxis, diferente dos humanos, possuem  brônquio traqueal, uma adaptação anatômica. Esse aparelho ajuda na entrada e saída de ar nos pulmões e faz com que eles acumulem mais oxigênio nos pulmões, não exigindo muito tempo de exposição à superfície para respirar”, afirma o pesquisador.

A análise revelou ainda a presença de esfíncteres mioelásticos, registrados pela primeira vez em golfinhos de rio. “Acreditamos que ele seja um órgão que ajude no armazenamento de oxigênio. Será necessário um estudo fisiológico para entender melhor a importância do esfíncter mioelástico para os cetáceos”, ressalta Luzivaldo.

Os resultados da pesquisa apontam que o aparelho respiratório do boto-cor-de-rosa e do boto tucuxi são semelhantes ao de outros grupos de mamíferos aquáticos. “A presença de brônquios e traqueias, além de facilitar as trocas gasosas, é a principal característica que diferencia o sistema respiratório desses animais de várias espécies de mamíferos terrestres, como o homem e o cão”. A pesquisa foi premiada no VII Encontro Nacional de Conservação e Pesquisa em Mamíferos Aquáticos, realizado em Natal (RN).

Ainda de acordo com o autor do artigo, o conhecimento da estrutura respiratória dos golfinhos amazônicos pode contribuir para compreensão da fisiologia do mergulho e como essas espécies são adaptadas ao habitat.

O artigo teve contribuição da líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, Miriam Marmontel. Há mais de dez anos, o grupo investiga a biologia, ecologia e estratégias de conservação desses animais na região do Médio Solimões na Amazônia.

Grupo Boticário oferece apoio ao Instituto Mamirauá em pesquisas com peixes-boi

Com experiência de mais de duas décadas no estudo sobre os peixes-boi amazônicos, o Instituto Mamirauá recebe agora o financiamento da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza com o objetivo de identificar áreas prioritárias para a conservação do peixe-boi em uma importante região da Amazônia: a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã.
Foto:Reprodução/Inpa
Com cerca de 2,3 milhões de hectares, Amanã, no estado do Amazonas, é uma das maiores áreas protegidas em florestal tropical do mundo e lar de vários espécimes de peixe-boi. Desde o início dos anos 2000, o Instituto Mamirauá desenvolve ações em conjunto com os moradores da reserva, unindo os saberes tradicionais aos conhecimentos científicos em projetos destinados à conservação do peixe-boi amazônico na área protegida. Uma dessas ações, o Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária (mais conhecido como “Centrinho”), oferece assistência veterinária a peixes-boi encontrados em situação de risco.

Com o apoio da Fundação Grupo Boticário, o Instituto Mamirauá dá continuidade ao trabalho de monitoramento dos peixes-boi reabilitados depois que eles são reinseridos na natureza. Eles passam então a ser rastreados por telemetria, um método que permite localizá-los debaixo d´água buscando os sinais de rádio emitidos pelo cinto transmissor instalado em cada peixe-boi. Em cima de barcos e munidos de antenas, os pesquisadores recebem os sinais dos animais e podem assim identificar sua distribuição nos lagos da Reserva Amanã.

“Vamos relacionar as localizações dos peixes-boi com as variáveis ambientais (como profundidade, turbidez e velocidade da correnteza de superfície) para tentar identificar um padrão de uso do ambiente para esses animais”, explica a pesquisadora Camila Carvalho, uma das responsáveis pelo projeto. Os monitoramentos vêm sendo realizados durante dez dias consecutivos por mês desde setembro do ano passado e seguem até setembro de 2018, quando o projeto completa um ano. A meta é que quatro peixes-boi amazônicos (quatro fêmeas e um macho) sejam monitorados nesse período.

Camila Carvalho explica que o foco das pesquisas se concentra nas áreas de uso dos peixes-boi “para podermos entender todo esse grande cenário e tentar construir o passo a passo do caminho dos peixes-boi na região ”.

A comunidade envolvida

Seguindo a tradição do Instituto Mamirauá em envolvimento comunitário, outra diretriz do projeto dos peixes-boi é o trabalho junto com os moradores de Amanã. Durante o segundo semestre de 2018, serão realizadas reuniões para o mapeamento participativo das áreas de uso das comunidades. Os mapas serão elaborados a partir de imagens de satélite e das referências dos comunitários para identificação dos locais de pesca, tráfego intenso de embarcações e ocorrência de peixes-boi amazônicos.

Na fase final do projeto, acontecerá uma capacitação de dois dias com 25 agentes ambientais voluntários da Reserva Amanã para informar sobre os resultados, auxiliar na identificação de ameaças e na partilha de conhecimento através da orientação dos moradores de suas áreas de atuação. “Acredito que será muito interessante a interação com os AAVs, que é um diálogo que nunca tivemos antes, com pessoas que podem contribuir bastante com a conservação dos peixes-boi”, ressalta a pesquisadora do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Sobre a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

Desde o início dos anos 1990, a Fundação Grupo Boticário apoia iniciativas voltadas à conservação da natureza no Brasil. De acordo com o site da instituição, em 27 anos de atuação, a Fundação já viabilizou cerca de 1.528 iniciativas, colaborando para a descoberta de 164 novas espécies da fauna e flora brasileiras. A seleção das propostas ocorre por meio de editais para projetos ou cartas-consulta para programas de apoio à pesquisa.

Amazônia registra 20 novas espécies de mamíferos entre 2014 e 2015

O carismático Zogue-zogue Rabo de Fogo, duas espécies fósseis e uma de golfinho fluvial: estas foram algumas das 20 novas espécies de mamíferos registradas na Amazônia entre os anos de 2014 e 2015. Os dados estão no relatório realizado pelo World Wide Fund for Nature (WWF) e Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Tecnologia, Inovações e Comunicações.
De grande extensão, a região abarca o Brasil, a Bolívia, a Colômbia, o Equador, a Guiana Francesa, a Guiana, o Peru, o Suriname e a Venezuela. Para o desenvolvimento da publicação, foram consideradas como área de amostragem a Amazônia Hidrográfica, a Amazônia Ecológica e a Amazônia Política.

O desenvolvimento do relatório foi possível a partir do levantamento bibliográfico com descrições de mamíferos e consulta a pesquisadores especialistas na área. A maioria das espécies de mamíferos recém-descobertas já eram conhecidas. O levantamento foi realizado com base na consulta em coleções amazônicas e a especialistas. Foram mais de 60 publicações científicas analisadas.

Entre as novas descobertas registradas entre 2014 e 2015, destaca-se uma nova espécie de golfinho fluvial. Os botos fazem parte do imaginário coletivo na Amazônia e são facilmente avistados nos rios da região.
Foto:Gabriel Melo Santos/Instituto Mamirauá
A descrição da espécie Inia araguaiaensis, desconhecida pela ciência até 2014, foi possível a partir da análise de carcaças encontradas em um lago do rio Araguaia, em Goiás. Os especialistas acreditam que essa espécie tenha se separado das populações da bacia do Amazonas há quase três milhões de anos. De acordo com o Instituto Mamirauá, o registro se configura como a primeira descoberta desse tipo no último século.
As análises dos ossos do crânio demonstraram que a espécie se distingue das outras duas do gênero Inia conhecidas atualmente, o boto da Amazônia e o boto da Bolívia.

O relatório destaca que a nova espécie descrita tem sua distribuição restrita às bacias dos rios Araguaia e Tocantins, regiões sujeitas à construção de hidrelétricas e indústrias, além de outras atividades que se configuram como potenciais ameaças à espécie.

Miriam Marmontel, pesquisadora do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, disse que a descoberta é interessante por tratar-se de uma espécie distinta e de grande porte, que foi identificada por meios genéticos e morfométricos. “Ainda pouco se sabe da ecologia da nova espécie, mas suspeita-se que tenha distribuição limitada às bacias dos rios Araguaia e Tocantins, e que não exceda mais de 1000 indivíduos. Considerando as atividades antropogênicas correntes na região, como hidrelétricas, agricultura, pecuária e indústria, a nova espécie já pode estar em situação preocupante de conservação”, comentou.

A pesquisadora também enfatizou a importância de que estratégias de conservação de espécies devem levar em conta suas características ecológicas e demográficas. “A identificação da nova espécie, com distribuição limitada e abundância aparentemente baixa, ocorrendo em locais sob variadas pressões antrópicas, sinaliza para uma atenção especial, diferenciada do que se consideraria para, por exemplo, a espécie Inia geoffrensis, que se encontra muito mais amplamente distribuída pela bacia amazônica, embora também sofrendo pressões”, disse.

Zogue-zogue Rabo de Fogo

Outra espécie de destaque que compõe o relatório é o Zogue-zogue Rabo de Fogo (Plecturocebus miltoni). A distribuição geográfica do Zogue-zogue recém-descoberto é o interflúvio dos rios Roosevelt e Aripuanã, nos estados do Mato Grosso e Amazonas. A área de ocorrência do primata, endêmico do Brasil, está nos limites de importantes unidades de conservação: a Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aripuanã e o Parque Nacional dos Campos Amazônicos.

Foto:Reprodução/Instituto Mamirauá
A publicação com a descrição do primata foi um trabalho conjunto dos pesquisadores Júlio César Dalponte, do Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais (Pró-Carnívoros), Felipe Ennes, do Instituto Mamirauá, e José de Souza e Silva Júnior, conhecido como Cazuza, coordenador de Zoologia do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Júlio Dalponte espera que a descrição da espécie possa contribuir para iniciativas que preservem o uso sustentável da floresta e também alavancar pesquisas na região, e sugere que esse carismático primata poderia ser a espécie-bandeira da campanha de defesa da causa. “O sonho é poder estabelecer um núcleo de pesquisa e conservação na RESEX Guariba-Roosevelt, coração da terra do rabo-de-fogo, tendo essa nova espécie como carro-chefe da conservação da região noroeste. E que ajude a manutenção do uso sustentável da floresta, de certa forma já promovida por comunidades extrativistas de castanha-do-Brasil, localmente”, disse.

De acordo com o pesquisador, após a descrição da espécie, o próximo passo seria o estudo sobre a ecologia e a história natural da espécie, além da verificação da sua ocorrência em outras porções da sua área de distribuição conhecida atualmente.

O relatório

Esses resultados fazem parte do Relatório de Novas Espécies de Vertebrados e Plantas na Amazônia entre 2014 e 2015. A publicação, desenvolvida pela WWF e pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Ao todo, foram 381 novas espécies descritas no período na Amazônia, sendo 216 plantas, 93 peixes, 32 anfíbios, 19 répteis, 01 ave e 20 mamíferos.

Botos da Amazônia passam a ter monitoramento via satélite

Pela primeira vez, organizações governamentais e da sociedade civil estão monitorando, via satélite, populações de botos nos rios da Amazônia no Brasil, Bolívia e Colômbia. Liderado pelo WWF-Brasil, e com a colaboração do Instituto Mamirauá, o monitoramento é feito por meio de tags: pequenos aparelhos instalados nos animais como “piercings”, que enviam informações sobre o seu posicionamento várias vezes ao dia. Assim, será possível obter dados sobre padrões de distribuição dessas populações e desenvolver trabalhos de conservação mais eficientes das espécies e do ecossistema onde vivem.

A instalação dos aparelhos foi feita em expedições de campo que envolveram dezenas de profissionais em três países sulamericanos: Brasil, Colômbia e Bolívia.

Também foram colhidas diversas amostras biológicas dos botos, que já estão sendo analisadas em laboratórios. Essa coleta de informações adicionais possibilitará a geração de conhecimento mais aprofundado e detalhado sobre a saúde dos animais.
Foto:Pedro Nassar/Instituto Mamirauá
Foram coletadas amostras de sangue, de material genético e excreções nasais e orais. Os botos também passaram por uma biometria, com verificação de medidas e peso. Os pesquisadores vão avaliar, entre outros parâmetros, níveis de mercúrio nos botos capturados, pois existe a possibilidade dessas populações de animais estarem contaminadas pelo descarte indevido do metal como consequência do garimpo presente por toda a Amazônia.

Até o momento, 11 botos estão sendo monitorados nas bacias dos rios Tapajós, no Brasil; na região do rio Marañon, entre Colômbia e Peru; e na região do rio Madeira, entre a Bolívia e o Brasil. Eles são das espécies Inia geoffrensis e Inia boliviensis – dois dos quatro tipos de botos existentes na Amazônia.

A captura dos botos e a instalação das tags ocorreu de maneira padronizada e obedecendo a um rígido protocolo elaborado por especialistas para conciliar a coleta dos dados científicos, a instalação dos equipamentos e o bem-estar dos animais.

A cientista Miriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos falou do ineditismo do trabalho. “É a primeira vez que uma pesquisa deste tipo é feita na Amazônia. Queremos ter uma ideia geral da saúde desses animais, de seus padrões de deslocamento e verificar como esses grupos de botos serão impactados pela proximidade das hidrelétricas que estão previstas para esta região”, afirmou a pesquisadora do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Apesar de considerada uma fonte limpa de energia, as barragens acabam com a conectividade dos rios. Segundo os pesquisadores, isso gera impactos negativos à biodiversidade bastante preocupantes.

O especialista de conservação do WWF-Brasil, Marcelo Oliveira, contou que a ideia é também testar os tags como uma nova tecnologia de monitoramento de botos, verificando sua eficiência e confiabilidade neste tipo de trabalho. “Se o monitoramento inicial funcionar, nosso objetivo é dar escala para esta iniciativa. Então teremos mais tags, mais botos sendo monitorados e mais informação científica confiável sendo gerada sobre essa região e sobre esses animais”, explicou Oliveira.

Marcelo contou que, dos 5 botos brasileiros tagueados, dois deles, batizados de “Benjor” e “Ana Maria”, têm mostrado resultados surpreendentes: “Por meio desse monitoramento, estamos acompanhando a movimentação diária desses animais no rio Tapajós com vários pontos tendo sido emitidos diariamente nas semanas seguintes à instalação dos tags”, disse.

O pesquisador colombiano Fernando Trujillo, da Fundación Omacha – outra das instituições participantes desta pesquisa – afirmou que é preciso ter muito claro que os botos são hoje uma espécie ameaçada. “Nós, que vivemos aqui, sabemos que os problemas ambientais só aumentam, e os danos aos ecossistemas são cada vez maiores. Com esse trabalho do tagueamento, queremos gerar mais informações e possibilitar que os tomadores de decisão orientem ações e recursos para proteger esses animais e os habitats em que eles estão”, disse.

Entre as diversas instituições que estão colaborando com este trabalho estão, além do Instituto Mamirauá e da Fundación Omacha, a FaunAgua (Bolívia), a Pro Delphinus (Peru), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio, Brasil) e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Amazonas (Sema-AM).Sobre os botos de água doce

Apesar de serem animais muito famosos e um símbolo da Amazônia, existem poucos estudos com informações científicas consolidadas sobre os botos. Por isso esta pesquisa pioneira de monitoramento é tão importante.

Com os resultados desta iniciativa será possível também posicionar o boto globalmente em uma categoria de conservação mais adequada do que a atual.

Hoje, segundo a lista vermelha da The International Union for Conservation of Nature (IUCN), que cataloga o status de conservação de diversos animais, os botos amazônicos estão na categoria de “dados insuficientes”. A ideia é obter mais dados e conseguir mover essas espécies para uma categoria que expresse realmente a sua situação atual.

As ameaças aos habitats e à sobrevivência dos botos têm aumentado por todo o bioma. Algumas dessas ameaças são projetos de infraestrutura, como hidrelétricas; a contaminação das águas dos rios amazônicos por mercúrio vindo de garimpos; e a captura causada pela demanda de iscas para a pesca da piracatinga (Calophysus macropterus).

Das 7 espécies de botos de água doce do planeta, a Amazônia agrega a maior população. Com isso, está nas mãos dos países amazônicos a responsabilidade de evitar que eles sejam extintos, como já aconteceu com o boto baiji (Lipotes vexillifer) no rio Yangtze, na China, declarado extinto em 2007.

Soltura de peixes-bois no Peru vai contar com pesquisadora de Mamirauá

A pesquisadora do Instituto Mamirauá, Miriam Marmontel, em atividade de monitoramento de peixes-bois. Foto:Amanda Lelis/Instituto Mamirauá
No próximo sábado (25), a equipe do Rainforest Awareness Rescue Education Center (RAREC), devolverá às águas nos arredores de Iquitos, Peru, três peixes-bois amazônicos adultos: Marvino, Daniel e Bui. A pesquisadora do Instituto Mamirauá, Miriam Marmontel, é especialista em reabilitação e soltura desses mamíferos aquáticos e está desde o início da semana na região junto à equipe, prestando consultoria para o grande dia.

A oceanógrafa Miriam Marmontel também vem prestando assessoria à reabilitação dos peixes-bois nos últimos meses, na orientação sobre os cuidados necessários para que os animais estejam em plena forma para retornarem ao habitat natural. Em Iquitos, onde a RAREC construiu sua sede de operações de resgate e educação ambiental, a pesquisadora está acompanhando a condução dos protocolos de transporte e vai assistir no treinamento para as comunidades que ajudarão na soltura.

Resgate, reabilitação e soltura

Marvino, Daniel e Bui, nomes dados ao trio de peixes-bois, foram resgatados em 2016 pela RAREC, alguns deles em zoológicos privados, longe das condições ideais de vida. Os animais foram transportados para a sede da organização, onde têm recebido tratamento de veterinários e biólogos desde então, em um processo de reabilitação que chegará ao fim no próximo sábado, com a “volta à casa”.

Depois de receber autorização do governo do país, a soltura dos três peixes-bois será feita em uma área protegida da Amazônia Peruana, próxima a cidade de Iquitos. Depois começa o processo de monitorar os mamíferos em natureza, acompanhando os primeiros passos no habitat.

“A RAREC também tem três indivíduos jovens, ainda em reabilitação, que também irei orientar no processo de reabilitação”, conta a pesquisadora Miriam Marmontel.

Instituto Mamirauá: experiência em cuidados de peixes-bois

No Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Miriam Marmontel atualmente é líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos. Tem vasta experiência no estudo da biologia, ecologia e estratégias de conservação dos peixes-bois amazônicos. Durante anos, conduziu o Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico, na Reserva Amanã, Amazonas, para tratamento de animais resgatados em situação de risco e posterior soltura em natureza.

Atualmente, a equipe de pesquisa do Instituto Mamirauá também faz o monitoramento dos peixes-bois reabilitados por sinais enviados por colares telemétricos ajustados no corpo dos animais, momentos antes das solturas. A tecnologia ajuda a analisar e entender padrões de deslocamento, alimentação e comportamento dos peixes-bois

Sobre a RAREC

A Rainforest Awaranesse Rescue Education Center é uma associação cujo foco é o resgate de animais em risco de espécies ameaçadas na bacia amazônica e educação ambiental. Sediada no Peru, a RAREC centra esforços na conservação dos peixes-bois amazônicos. As ações de resgate, reabilitação e soltura de peixes-bois no Peru são financiadas pela organização internacional Save The Manatee.

Para saber mais, acesse o site https://amazonmanateerescue.com

Pesquisa registra 381 novas espécies na Amazônia entre 2014 e 2015

O Instituto Mamirauá e World Wide Fund for Nature (WWF) lançaram, nesta quarta-feira (30), o relatório Atualização e Composição da lista Novas espécies de Vertebrados e Plantas na Amazônia (2014-2015)”, entre as conclusões, o documento traz o registro de um total de 381 novas espécies de plantas e animais descobertas pela ciência, entre 2014 e 2015, número que representa uma média de uma nova espécie registrada a cada dois dias.
O macaco zogue-zogue-rabo-de-fogo (Plecturocebus miltoni) é um dos destaques do relatório. Foto:Julio Dalponte/Instituto Mamirauá
Essa é a terceira edição do relatório, que mobilizou um grupo de especialistas do Instituto Mamirauá, e pesquisadores associados, num esforço de revisão bibliográfica para compor a lista inédita. As edições anteriores reuniram as novas espécies de 1999 a 2009 e 2010 a 2013. Ao todo, foram mais de 2.000 novas espécies descritas nos últimos 17 anos. O número expressivo de descobertas demonstra a importância dos investimentos em pesquisa científica na Amazônia. Historicamente, a região tem sofrido o impacto de ações antrópicas como desmatamento, agropecuária e grandes obras de infraestrutura como é o caso da construção de hidrelétricas e rodovias.

Com a maior floresta tropical remanescente, a Amazônia é reduto para uma diversidade de espécies e habitats. Para a produção do relatório, foram considerados os limites da Amazônia Hidrográfica, a Amazônia Ecológica e a Amazônia Política como área de amostragem. João Valsecchi do Amaral, diretor Técnico-Científico do Instituto Mamirauá, ressaltou a importância do conhecimento da biodiversidade da Amazônia para a identificação de áreas ou espécies. “Para a conservação das espécies, é necessário saber quais são, quantas são e a sua distribuição. Essas são informações fundamentais para garantir que os processos ecológicos e evolutivos sejam compreendidos e permaneçam, de modo a assegurar a sobrevivência das espécies”, disse.

Para  o  coordenador  do  Programa  Amazônia  do  WWF-Brasil,  Ricardo  Mello,  este estudo  mostra que a biodiversidade do bioma ainda é um grande enigma: “Imaginar que  ainda  hoje,  em  2017,  estamos  verificando  a  existência  de  novas  espécies mesmo com escassos recursos, diz que ainda temos muito a conhecer e descobrir nesta região”.

Mais cientistas para a Amazônia

O relatório destaca que, apesar dos esforços, há ainda uma lacuna de conhecimento sobre a real diversidade da Amazônia. O documento revela também a carência de especialistas e taxonomistas, profissional que classifica os seres vivos. O diretor Técnico-Científico do Instituto Mamirauá ressalta que, para garantir resultados eficazes, com pesquisas científicas distribuídas de forma mais homogênea na Amazônia, é importante que haja mais investimento. “Nós precisamos ter garantia de recursos, sejam humanos, de infraestrutura e de financiamento, para as pesquisas. Idealmente, um forte programa para o levantamento da biodiversidade na Amazônia deveria ser mantido a longo prazo. Esforços deveriam ser realizados para a formação de mais profissionais em taxonomia e fortalecimento das instituições de pesquisa que realizam esses levantamentos”, reforçou o pesquisador.

A importância das unidades de conservação

Entre as estratégias, citadas no relatório, para mitigar os resultados negativos das transformações que a região Amazônica vem sofrendo está a criação de unidades de conservação. A descrição de novas espécies e a divulgação dos resultados científicos podem contribuir para atrair a atenção do poder público para a importância da Amazônia e a necessidade de um conhecimento mais abrangente da sua biodiversidade. Esses resultados também são importantes por oferecerem subsídio para o estabelecimento de áreas protegidas e o desenvolvimento de políticas públicas de conservação.

O pesquisador comentou os desafios para o conhecimento da biodiversidade da Amazônia, principalmente em função da grande extensão territorial e do potencial para novas descobertas. “Num ambiente ‘megadiverso’ e de dimensões continentais como a Amazônia, o desafio de conhecer a biodiversidade é ainda maior. As áreas com pouca ou nenhuma informação ainda são muitas e extensas. A probabilidade de que novas espécies sejam encontradas nesses locais é bastante alta”.

O termo “nova espécie” é utilizado no meio científico para oficializar o registro de descrição de uma espécie antes desconhecida pela ciência. A publicação científica com a descrição de uma nova espécie traz informações de taxonomia, detalhando características da espécie e também do local onde foi encontrada. De acordo com João, nos próximos anos, será possível observar um número crescente de descrição de novas espécies de vertebrados (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos). “Se pensarmos nas plantas o número será bastante maior e é praticamente impossível prever o número de espécies de invertebrados que ainda serão descritos”, completou o pesquisador.

Algumas espécies:
O macaco zogue-zogue-rabo-de-fogo (Plecturocebus miltoni): descoberto  numa  expedição  do  WWF-Brasil  ocorrida  em  dezembro  de  2010  ao noroeste do Mato Grosso, teve seu nome “miltoni” dado em homenagem a um dos maiores primatólogos brasileiros, o cientista Milton Thiago de Mello.

O boto Inia Araguaiensis: encontrado em 2014, na bacia do rio Araguaia, tem características moleculares e medidas  do  crânio  diferentes  dos  botos  encontrados  na  bacia  do  rio  Amazonas. Estima- se que esta espé cie tenha surgido há cerca de 2,8 milhões de anos, quando teria se separado das outras populações de botos e tenha se instalado na bacia do rio Araguaia, em Goiás.

O pássaro Poaieiro-de-Chico Mendes (Zimmerius chicomendesi): foi registrado pela primeira vez em 2009, no sul do Amazonas, dentro da Floresta Nacional de Humaitá. No entanto, só foi possível descrever essa espécie após uma expedição ocorrida em 2011, que trouxe novas e várias informações sobre o animal. Possui um canto muito peculiar – que foi  a característica que primeiramente chamou a  atenção  dos  pesquisadores  –  e  teve  seu  nome  dado  em  homenagem  ao ambientalista e grande líder acreano.

A perereca Pristimantis jamescameroni: esta  pequena  perereca  ocorre  apenas  no  estado  de  Bolívar,  na  Venezuela,  em tepuis com mais de 2,5 mil metros de altitude. Seu  nome é uma homenagem ao diretor  de  cinema  James  Cameron,  um  entusiasta  das  causas  ambientais  e divulgador de vários problemas existentes na região amazônica.

Filhote de ariranha é resgatado em cidade no interior do Amazonas

Uma pequena fêmea de ariranha (Pteronura brasiliensis) foi encontrada na tarde da última terça-feira (22), na cidade amazonense de Tefé. O animal mede 79 centímetros de comprimento (contando com a cauda) e pesa 4,5 quilos. De acordo com a pesquisadora do Instituto Mamirauá, Miriam Marmontel, que analisou o animal, trata-se de um filhote entre seis e dez meses de idade, que aparenta boas condições físicas.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
A ariranha chegou aos cuidados da Secretaria de Meio Ambiente da cidade através de uma mulher que disse ter resgatado o mamífero semi-aquático de um ataque de cachorros em uma praia nos arredores do bairro Santa Rosa.

"Nossa equipe fez a retirada do animal da casa dessa senhora e trouxe até à secretaria, sem problemas. A ariranha não mostrou agitação com a nossa abordagem ou com o transporte", contou o secretário de Meio Ambiente de Tefé, Jorge Viana.

Em seguida, o Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) com sede no município, foi procurado para fornecer apoio e orientações sobre os cuidados com o filhote de ariranha.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
"Foi feita a pesagem e medição da ariranha e também coleta de fezes. Nas fezes, é possível ver resíduos de peixe, mas também componentes de leite, indicando que é um indivíduo jovem", afirma Miriam Marmontel, que é líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá.

Pelo comportamento manso do filhote de ariranha na presença de seres humanos, a pesquisadora acredita que o animal tenha sido domesticado, o que torna difícil seu retorno à natureza. "Pelo tamanho da ariranha, não se trata de um animal que a essa altura estaria se separando da família. De volta à natureza, ela provavelmente seria uma presa fácil para outra família de ariranhas, que é uma espécie muito territorialista, para outros animais e mesmo para pescadores que vejam ela assim, dócil de se pegar".

De acordo com Miriam, existem três instituições na região Norte do Brasil com preparo e experiência para receber animais como a jovem ariranha, e cuidar deles em viveiros: o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o Centro de Pesquisa e Preservação de Mamíferos Aquáticos de Balbina, ambos localizados no Amazonas, e o Museu Paraense Emílio Goeldi, no Pará. "As instituições vão ser contatadas e será avaliada qual tem condições atuais para melhor recebe-la" Enquanto isso, a ariranha está em um recinto adaptado pela Secretaria do Meio Ambiente de Tefé.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
Ariranha

É um dos maiores carnívoros do subcontinente sul-americano. Também conhecido como lontra gigante, esse mamífero da família Mustelidae se alimenta preferencialmente de peixes e prefere viver em áreas de córregos e rios preservados. Na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês), a ariranha aparece como espécie ameaçada.

Pesquisas do Instituto Mamirauá

O Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá estuda aspectos biológicos, ecológicos e demográficos de espécies de mamíferos aquáticos e semi-aquáticos da região amazônica, como o peixe-boi, tucuxi, o boto vermelho, e a ariranha. Reprodução, hábitos alimentares, genética, parasitologia, disponibilidade e uso de habitat, saúde e aspectos de clínica veterinária estão entre os temas de pesquisa. *Deixe o Portal Amazônia com a sua cara. Clique aqui e participe.

Mamirauá apresenta pesquisas no Congresso Brasileiro de Primatologia

Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
O público que comparecer ao XVII Congresso Brasileiro de Primatologia vai conhecer os resultados mais recentes de estudos sobre macacos na região do Médio Solimões, Amazônia. Espécies fascinantes como o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta (Saimiri vanzolinii), que, no mundo inteiro, é encontrado apenas em uma área de 870 km². Esse é um dos temas que serão apresentados por pesquisadores do Instituto Mamirauá no evento, que começa neste domingo (20), na cidade goiana de Pirenópolis.

O congresso é um dos principais eventos nacionais sobre Primatologia. Especialistas trazem para o debate o que há de mais novo e relevante para a área e também em temas como conservação.  A caça está entre esses assuntos. Representando o Instituto Mamirauá, a pesquisadora Lísley Lemos participará da mesa-redonda “Caça de primatas no Brasil: panorama e alternativas”, na próxima quarta-feira (23), às 13h.

A caça de primatas

Serão mostrados dados do extenso sistema de monitoramento de caça feito pelo Instituto Mamirauá na região do Médio Solimões, lar de diversas comunidades ribeirinhas. Ao longo dos últimos 15 anos, registrou-se o abate de mais de 600 primatas para consumo e comércio. Os dados têm demonstrado que o uso dos primatas é mais intenso no ambiente de várzea, ao mesmo tempo, revelam um aumento crescente na restrição do consumo de primatas entre os mais jovens.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
“Neste momento, em que um projeto de lei (PL-6268/2016) pretende revogar a Lei de Proteção à Fauna (lei 5.197/1967), discutir e compreender os impactos da caça sobre as populações de primatas é de extrema importância, bem como os contextos em que a caça é realizada, valorizando a cultura dos povos tradicionais e garantindo o acesso aos recursos naturais necessários para sua sobrevivência, o que obviamente inclui a fauna”, escrevem os pesquisadores do Instituto Mamirauá, João Valsecchi, Priscila Pereira, Lisley Lemos e Helder Queiroz, que assinam um artigo sobre caça de primatas na Amazônia.

A primatóloga Lisley Lemos também apresentará o estudo “Caça de primatas amazônicos para subsistência: só o tamanho importa”. “Acredita-se que caçadores de subsistência, assim como outros predadores, buscam otimizar o ganho energético da caçada abatendo presas de maior tamanho. Entretanto, presas maiores geralmente ocorrem em baixas densidades, sendo menos disponíveis no ambiente” escreve ela, junto com os pesquisadores do Instituto Mamirauá, João Valsecchi, Hani El Bizri e Anamélia Jesus. “Por isso, ainda é incerto qual destes fatores biológicos exerce maior influência nas escolhas durante a caça”.

Ainda sobre essa grande temática, Anamélia Jesus vai expor um artigo sobre a caça de macacos guariba (Alouatta seniculus juara) nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDSA) e Mamirauá (RDSM), localizadas no estado do Amazonas. A pesquisa também se valeu dos dados do sistema de monitoramento de caça do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Desde 2002, foram registrados 117 abates de guaribas na RDSA e 242 na RDSM. “Os resultados obtidos até o momento, aliados a estudos dos parâmetros populacionais e reprodutivos de nessas áreas, são fundamentais para verificar os impactos do abate da espécie e se a caça direcionada aos machos e aos períodos de cheia permitem extração de guaribas a níveis sustentáveis a longo prazo”, consideram os pesquisadores Anamélia Jesus, João Valsecchi e Hani El Bizri, que assinam o artigo.

Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta

O estado do Saimiri vanzolinii, popularmente conhecido macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta, será um dos destaques da mesa-redonda “Ambientes inundados: O que conhecemos do uso desse hábitat por primatas? ”, na segunda-feira (21), às 10h45. É somente na Reserva Mamirauá que vive esse macaquinho peculiar, descrito pela ciência em 1985. De lá para cá, poucos estudos foram feitos sobre ele.

“Questões relacionadas a ecologia, comportamento, taxonomia, genética e biogeografia histórica são essenciais para a compreensão da atual distribuição de S. vanzolinii, bem como para o planejamento de estratégias de conservação da espécie”, afirma Fernanda Paim, primatóloga do Instituto Mamirauá, que estuda o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta.
Primatologia no Instituto Mamirauá

Os estudos sobre primatas no Instituto Mamirauá são feitos pelo Grupo de Ecologia e Conservação em Vertebrados Terrestres (Ecovert). Além do Ministério da Ciência, apoiam as pesquisas o CNPQ - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e a Fundação Gordon and Betty Moore.

Congresso Brasileiro de Primatologia

O XVII Congresso Brasileiro de Primatologia acontecerá entre os dias 20 e 24 de agosto em Pirenópolis, Goiás. Para mais informações a respeito do Congresso, acesse: https://sbprimatologia.org.br/congresso*Deixe o Portal Amazônia com a sua cara. Clique aqui e participe.

Peixes-bois iniciam readaptação no lago do semicativeiro em Manacapuru, no AM

Foto:Reprodução/Inpa
Quatro peixes-bois machos, de um total de 12 animais, foram levados, na madrugada desta terça-feira (15), dos tanques do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) para um lago, próximo a Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus). A translocação dos animais prossegue nesta quarta-feira (16), quando serão levadas quatro fêmeas, e na quinta-feira (17), mais um macho e três fêmeas. O trabalho visa garantir a readaptação gradual à natureza para que no futuro possam ser devolvidos novamente aos rios da Amazônia.

Com idades que variam de três a sete anos e pesando cerca de 150 quilos cada, os quatro peixes-bois (Rudá, Itacoati, Orebe e Gurupá) foram embarcados num caminhão-baú devidamente adaptados com colchões de espuma, previamente molhados, onde foram acomodados para seguirem viagem até um lago na Fazenda Seringal, 25 de Dezembro, que funciona como semicativeiro. A operação mobilizou dez colaboradores, entre pesquisadores, veterinário, biólogos, tratadores e técnicos do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa), que se revezaram por duas horas de viagem para avaliar o comportamento e manter a hidratação dos animais.

A atividade faz parte da quinta edição do Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, coordenado pela pesquisadora Vera Silva, líder do LMA/Inpa. Conta com o apoio do Projeto Museu na Floresta, uma pareceria do Inpa com a Universidade de Kyoto, no Japão.

“Como os animais foram criados em tanques de fibras e alimentados artificialmente, este estágio de semicativeiro permitirá que os animais se familiarizem com o ambiente natural e busquem seu próprio alimento”, explica Silva. “E dessa forma, terão uma ideia do que vão encontrar na natureza quando forem soltos definitivamente”, acrescenta a pesquisadora.

O responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, o biólogo e mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa, Diogo Souza, explica que a etapa de semicativeiro favorece a readaptação à natureza dos animais, já que o lago oferece as condições naturais dos rios da Amazônia. “O lago é paralelo ao rio Solimões e sofre influência desse rio”, explica. “Por mais que seja um lago de piscicultura, fechado, as águas do rio se conectam com o lago trazendo um aporte de nutrientes com o aumento de ofertas de plantas”, acrescenta Souza.

Com a translocação dos 12 animais para o semicativeiro, o número de peixes-bois que estão em processo de readaptação à natureza sobe de 10 para 22. O lago está situado na Fazenda Seringal 25 de Dezembro, na altura do quilômetro 74, na área rural de Manacapuru, no ramal do Lago do Calado. No local, os peixes-bois têm a oportunidade, ainda, de entrar em contato com outras espécies de peixes, quelônios e plantas e explorar a lama do lago à procura de alimento.
Foto:Reprodução/Inpa
Readaptação

O Inpa recebe de oito a dez filhotes resgatados por ano e tem um plantel atual de 64 animais, a maioria com potencial de ser devolvido para a natureza. “O sucesso do projeto permitiu que mais animais sejam levados para o semicativeiro. E com os resultados positivos obtidos nos últimos dois anos, nada mais justo acelerar o processo”, comemora Diogo Souza.

O projeto de reintrodução dos animais teve um grande sucesso após a inclusão dessa fase intermediária do semicativeiro. Agora, o processo que inicia com o resgate, passa pela reabilitação, chega à fase do semicativeiro até a soltura definitiva do animal na natureza.
Foto:Reprodução/Inpa
Até o momento, foram realizadas seis translocações de peixe-boi do Inpa para o semicativeiro.  Anteriormente, a cada ano, eram levados de três a cinco animais. “Este ano resolvemos aumentar este número de indivíduos translocados porque as informações científicas dão conta que as etapas têm tido sucesso”, diz Souza. “Tanto é que os animais na etapa de semicativeiro têm aumentado de tamanho e crescido de comprimento, assim como também na readaptação deles na natureza, por isso essa necessidade de acelerar as etapas para que mais animais sejam devolvidos à natureza”, destaca.

Souza explica que, pelo Protocolo de Reintrodução, os animais com mais de 15 anos não são aptos para voltarem à natureza, ao contrário dos indivíduos jovens que têm mais chance de terem sucesso de readaptação  por terem passado menos tempo no cativeiro.

Reintrodução

Desde 2008 até agora já foram devolvidos para a natureza 12 animais. No início, as reintroduções eram feitas diretamente do cativeiro para o ambiente natural, mas os resultados não foram satisfatórios, pois os animais tiveram dificuldades de se readaptarem à natureza.

Em 2011, a nova etapa de semicativeiro foi adotada com a escolha de um lago de piscicultura de 13 hectares de extensão (equivalente à área do Bosque da Ciência do Inpa, em Manaus/AM) e profundidade média de 2 metros, considerados ideais para a readaptação dos animais ao ambiente natural.

Os animais que vivem no cativeiro em média oito anos são selecionados para a etapa de translocação para o semicativeiro, onde permanecem de um a três anos. Lá, são acompanhados semanalmente pela equipe do LMA que avalia o processo de readaptação e as condições dos animais. Os mais aptos são fortes candidatos para serem devolvidos à natureza.

Soltura

As solturas, nos últimos dois anos, foram feitas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, no baixo rio Purus, no município de Beruri (a 173 quilômetros de Manaus), e  os nove peixes-bois reintroduzidos tiveram sucesso. A próxima soltura (a terceira edição) está prevista para o início de 2018.

“Soltamos quatro animais em 2016 e mais cinco neste ano de 2017 e todos têm sobrevivido e se adaptado ao ambiente natural, explorando os habitat específicos para peixe-boi. O principal é que conseguiram passar um pulso de inundação completa e isto é um indicador muito forte para se adaptar à natureza”, diz o responsável pela reintrodução.

Ele conta que os peixes-bois que foram soltos no ano passado completaram 550 dias de reintrodução na natureza e os que foram soltos esse ano já faz 120 dias, e são acompanhados diariamente por ex-caçadores, comunitários da reserva, e o resultado tem sido excepcional.*Deixe o Portal Amazônia com a sua cara. Clique aqui e participe.

Instituto Mamirauá registra cena rara de pumas em reserva; veja vídeo

Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
Armadilhas fotográficas do Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia do Instituto Mamirauá registraram, no último mês de março, a interação entre três espécimes de suçuarana (Puma concolor), também conhecida como puma, onça-parda ou onça-vermelha, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, estado do Amazonas.

As imagens mostram dois animais caminhando pela floresta por volta do meio dia. Um deles fica para trás e, curioso, começa a interagir com as câmeras colocadas no tronco de árvores baixas na floresta. Em seguida, chega mais um animal, o terceiro exemplar da espécie.

A atividade matinal e em bando é considerada incomum por especialistas, já esses animais são conhecidos por terem hábitos solitários e atividade predominantemente noturna.

“É uma coisa que a gente escuta falar, vez por outra, na reserva. Eu me surpreendi, realmente, não imaginei que três pumas fossem andar juntas e estavam tranquilas, não era uma situação de conflito. Talvez seja o que eles chamam de vadiação, acasalamento, um comportamento reprodutivo", contou o pesquisador do Instituto Mamirauá, Diogo Gräbin.

Sobre as suçuaranas

As suçuaranas são conhecidas pela coloração uniforme do pelo, que varia do cinzento ao marrom-avermelhado.  É o segundo felino mais pesado das Américas, atrás apenas da onça-pintada, podendo pesar até 72 kg. Acredita-se que suas áreas de vida variem entre 50 e 1000 km². As femêas possuem uma gestação que pode durar entre 90 e 96 dias e geramente tem de 3 a 4 filhotes, a cada 2 anos, segundo a literatura disponível. É um animal bastante adaptável e vive em habitats variados, como as florestas tropicais, desertos e montanhas.
Não é considerado em risco de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), mas, devido ao avanço da ação humana, não é mais encontrado na região leste da América do Norte e em algumas localidades das Américas Central e do Sul.

Como o trabalho é realizado?

As armadilhas fotográficas são pequenas máquinas instaladas na floresta, a um nível próximo ao solo e em mimetismo com o ambiente. Elas são equipadas com câmeras que registram imagens coloridas, em escala de cinza ou em modo infravermelho (de acordo com a luminosidade do momento) e sensores que disparam quando um corpo com a temperatura diferente do ambiente se movimenta em frente à armadilha. Geralmente os disparos são estimulados por um animal de sangue quente, um vertebrado terrestre.

Jaru registra 223 espécies de mamíferos e aves

A equipe da Reserva Biológica (Rebio) do Jaru, em Rondônia, participou de expedição de campo para a primeira coleta de dados de mamíferos de médio e grande portes diurnos e aves cinergéticas (alvos de caça) e a segunda coleta de borboletas frugívoras (alimentam-se de frutas).
Foto:Divulgação/ICMBio
Na coleta de mamíferos e aves, foram feitos 88 avistamentos, totalizando 223 espécimes, como cutia, cachorro do mato, veado vermelho, veado roxo, cateto, tamanduá-mirim, macaco de cheiro, sagui, macaco aranha, barrigudo, zogue-zogue, cuxiú, jacamim, mutum, jacu e várias espécies de inhambu.

Já na coleta de borboletas, realizada nas três unidades amostrais do Programa de Monitoramento In Situ da Biodiversidade, implantadas na reserva, no rio Tarumã, foram capturados 224 espécimes de 8 tribos diferentes – ageroniini, epicaliini, epiphilini, coeini, preponini, morphini, brassolini, satyrini. Em cada unidade foram implantadas quatro subunidades com quatro armadilhas cada, totalizando 16 armadilhas por unidade.

As três trilhas de mamíferos e aves, de cinco quilômetros cada, foram varridas e posteriormente percorridas diariamente a uma velocidade de aproximadamente 1 km/h para realização dos avistamentos.

Pesquisa avalia riscos para a distribuição de espécie de primata amazônico

Macaco-de-cheiro da cabeça preta da espécie Saimiri vanzolinii. Foto: Marcelo Santana/Instituto Mamirauá
Um pequeno primata da Amazônia, o macaco-de-cheiro da cabeça preta (Saimiri vanzolinii), encontrado apenas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, está preocupando pesquisadores. O motivo é que os indivíduos dessa espécie vivem restritos a uma pequena área, de 870 quilômetros quadrados (km²), na unidade de conservação. Os pesquisadores acreditam que o local de ocorrência da espécie vem reduzindo ao longo dos anos, o que pode levar, consequentemente, à diminuição da sua população.

As pesquisas desvendaram que, diferente do que ocorre em outras regiões da Amazônia, ou com outras espécies, as barreiras para a dispersão de Saimiri vanzolinii para outras regiões não são físicas, mas ecológicas. Umas das explicações relaciona-se à diferença na estrutura de floresta e disponibilidade de recursos utilizados para alimentação.

A pesquisadora do Instituto Mamirauá, Fernanda Paim, explica que são três espécies de macaco-de-cheiro vivendo na região. A hipótese dos pesquisadores é que as outras duas espécies, que ocorrem em maior abundância, poderiam estar pressionando a população do macaco-de-cheiro da cabeça preta.

“Em algum momento da história evolutiva dessas espécies, os animais entraram na várzea da Reserva Mamirauá e eu acredito que, de alguma forma, eles estão pressionando Saimiri vanzolinii, o que a longo prazo pode comprometer o tamanho de sua área de distribuição geográfica, podendo levar a espécies à extinção. É uma hipótese, que não podemos provar ou testar. Mas esse seria um caso de extinção natural”, disse Fernanda.

Fernanda explica que, durante a pesquisa, foi observado que há uma delimitação clara entre a área de ocorrência das três espécies na Reserva Mamirauá. Os pesquisadores imaginavam que os rios atuariam como barreiras geográficas, separando os limites de distribuição de cada espécie, mas são outros fatores que parecem estar limitando a distribuição. Então, a hipótese que surgiu era: se existe uma separação, uma área bem delimitada, qual é a causa? Na Reserva Mamirauá, a causa foi uma questão ecológica”, explicou.
Fernanda ressalta que a área de ocorrência de uma espécie é um dado importante para traçar estratégias de conservação. O macaco-de-cheiro da cabeça preta é classificado como vulnerável à extinção pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, em inglês). Como a sua área de ocorrência está limitada a uma unidade de conservação, a partir de informações como da dieta e ecologia dessa espécie, poderiam ser sugeridas adequações ao plano de manejo da área, de acordo com a pesquisadora.

“Eu considero essa unidade de conservação um sítio biogeográfico muito importante para os macacos de cheiro. É um local de alguma forma especial. Porque três espécies (das sete conhecidas) conseguiram se adaptar e viverem juntas nessas áreas”, contou Fernanda.

O estudo demonstrou que os animais das três espécies utilizam de forma diferente o ambiente e os recursos naturais presentes no local. A ocorrência das três espécies foi avaliada em três diferentes habitats na área da Reserva: várzea alta, várzea baixa e chavascal. Os três ambientes se caracterizam como distintos tipos florestais e contêm diferentes características, mas uma semelhança: são sazonalmente alagadas em função da variação do nível do rio.

Foi observado na pesquisa que os indivíduos de macaco-de-cheiro de cabeça preta têm preferência pelo chavascal, em relação aos outros habitats. “Os chavascais da área de S. vanzolinii possui uma maior riqueza de espécies de árvores, quando comparado ao mesmo tipo florestal para a área das outras espécies de Saimiri”, de acordo com Fernanda.

Outro ponto interessante observado, como descreve a pesquisadora, é a grande presença de lianas na área de ocorrência do animal dentro dos três habitats. As lianas são um tipo de cipó muito utilizado por esses animais para alimentação. “Pode ser que esses dois fatores estejam interferindo na distribuição da espécie. Então, de alguma forma, essa região onde a espécie está restrita, apesar de ser tão pequena, oferece o que é necessário para ele viver. O que separa a distribuição deles não são rios, mas sim diferenças na estrutura de floresta e oferta de recursos, que são necessários para que a espécie possa sobreviver”, comentou a pesquisadora.

Essa pesquisa é parte do projeto de doutorado de Fernanda Paim na Universidade Federal de Minas Gerais, com recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no programa de doutorado sanduíche, realizado em parte na McGill University, no Canadá.

Pesquisadora do Amazonas assume comando da Solemac

A pesquisadora do Instituto Mamirauá, Miriam Marmontel, é a nova presidente da Sociedade Latino-americana de Especialistas em Mamíferos Aquáticos (Solamac). A posse da nova diretoria aconteceu durante a conferência realizada pela entidade em Valparaíso, Chile, entre 29 de novembro e 1º de dezembro.
A pesquisadora Miriam Marmontel durante trabalho em campo. Foto: Amanda Lelis/Instituto Mamirauá
"Tenho orgulho de assumir a presidência daquela que é a sociedade mais representativa de estudos com mamíferos aquáticos no continente, vinte anos depois de sua criação", disse Miriam. Desde a última reunião, em 2014, a pesquisadora já atuava como vice-presidente da sociedade. Entre os anos de 2012 e 2014, foi secretária na instituição.

"Contando com o apoio da presidente-eleita Maritza Sepúlveda (Chile), a secretária Ana Carolina Meirelles (Brasil), a tesoureira Mariana Nery (Brasil), e os conselheiros Jorge Urbán (México), Juliana Di Tullio (Brasil) e Fernando Lopes (Brasil) esperamos poder fortalecer ainda mais a sociedade, aumentar a comunicação entre os sócios, apoiar a realização de cursos e encontros científicos, e atuar na conservação fortemente das espécies de mamíferos aquáticos de nossa região", completou a pesquisadora.

A Solamac foi criada em 1996, com o objetivo de agregar especialistas em mamíferos aquáticos da América do Sul e viabilizar a difusão do conhecimento científico e das ações em prol da conservação das espécies.

Perfil

Miriam faz parte da equipe de pesquisa do Instituto Mamirauá há mais de 20 anos e lidera, atualmente, o Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos. A pesquisadora é graduada em Oceanologia Biológica e Geológica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; mestre em Oceanografia, pela Universidade de Miami; e doutora em Recursos Florestais e Conservação, pela Universidade da Flórida. Desde 2015, a pesquisadora é a editora chefe da Latin American Journal of Aquatic Mamals, revista científica publicada pela Solamac.

Prêmio

A iniciativa 'Conservação do peixe-boi na Amazônia Brasileira', liderada por Miriam no Instituto Mamirauá, foi vencedora do Prêmio Nacional de Biodiversidade em 2015 nas categorias 'Academia' e 'voto popular' Há mais de 20 anos, o Instituto atua pela conservação do peixe-boi amazônico, esforço que tem contribuído para a redução das ameaças para essas populações.

O Centro de Reabilitação de Peixes-boi de Base Comunitária (Centrinho), na Reserva Amanã, recebe filhotes órfãos de peixes-boi, resgatados em municípios da região do Médio Solimões (AM). Depois dos cuidados de reabilitação com técnicos, pesquisadores, veterinários, e com apoio de moradores das comunidades locais, os animais são soltos novamente em ambiente natural e continuam sendo monitorados por GPS pelos pesquisadores.

Além desta iniciativa, o Instituto também atua em várias regiões da Amazônia pela construção de um painel amplo e abrangente da situação atual dos mamíferos aquáticos amazônicos, como o boto vermelho (Inia geoffrensis) e o tucuxi (Sotalia fluviatilis). Com a realização de pesquisas científicas e envolvimento da população local, é possível desenvolver estratégias de conservação focadas à espécie, ao longo de toda a Amazônia brasileira.