Você, com certeza, já deve pelo menos ter ouvido falar sobre uma doença em que uma pessoa apresenta um inchaço na lateral do rosto, entre as bochechas e a garganta, seguido de febre e muita dor de cabeça. Se sim, saiba que esses são os sintomas de uma das doenças mais comuns do Brasil: a caxumba, mais conhecida como papeira.
Agora, se você ainda não “pegou” essa doença, fica aqui na sexta reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, para entender sobre essa doença. O Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que informou que a papeira já foi motivo de preocupação, mas hoje é considerada erradicada no país.
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O que é papeira?
Conhecida como caxumba ou parotidite, a papeira é infecção viral aguda e altamente contagiosa, provocada pelo vírus Paramyxovirus, e que ataca as glândulas salivares localizadas na região do rosto, em cada lado da boca.

Preferencialmente, o vírus da papeira se aloja nas glândulas parótidas, responsáveis pela produção da saliva e situadas à frente das orelhas. Sua ação acaba causando inchaço e muita dor no local, daí o nome de parotidite.
A papeira é uma doença de baixa letalidade e que aparece de forma endêmica ou surtos. Ela foi muito comum no Brasil, mas a criação da vacina e a inclusão do imunizante no calendário dos postos de saúde ajudaram a diminuir drasticamente o número de casos da doença no país.
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O nome papeira é um derivado popular que associou a doença à localização do inchaço da papada, com é conhecida a área que fica entre o queixo o pescoço.
Transmissão
A papeira é transmitida principalmente por via aérea, por meio da disseminação de gotículas, ou por contato direto com saliva de pessoas infectadas. Já a transmissão indireta é menos frequente, mas pode ocorrer pelo contato com objetos e/ou utensílios contaminados com secreção do nariz e/ou boca.
É mais comum em crianças no período escolar e em adolescentes, mas também pode afetar adultos em qualquer idade. Normalmente, a caxumba tem evolução benigna, mas em alguns raros casos pode apresentar complicações resultando em internações e até mesmo em morte.

Sintomas
O principal e mais comum sintoma da caxumba é o aumento das glândulas salivares, acompanhado de febre e muita dor de cabeça. O inchaço pode acontecer em ambos os lados do rosto ou apenas um deles. Fraqueza, perda de apetite e dor ao mastigar e engolir alimentos também são sintomas ligados à papeira.
Os indícios da papeira surgem de 16 a 18 dias após a exposição do vírus e geralmente um terço dos casos se apresentam de forma assintomática. Já o período de transmissão da doença varia entre seis e sete dias antes das manifestações clínicas, até nove dias após o surgimento dos sintomas.
Em crianças, a caxumba costuma se manifestar de forma mais leve do que em adolescentes e adultos, já que estes possuem o risco de desenvolver complicações, especialmente após a puberdade.
Complicações
Em caso do não tratamento adequado, a papeira pode causar complicações em outras partes do corpo, situação conhecida pela população como “a papeira desceu”. Nos homens, pode ocorrer a orquiepididimite, inchaço dos testículos (orquite) que envolve sintomas como dor, náuseas, febre e sensibilidade no local.
Mulheres adultas também podem ter complicações como a ooforite, que é a inflamação dos ovários que causa dor, febre e vômitos. É uma complicação menos comum, mas que afeta 7% do público feminino.
Outro complicador é a pancreatite, que é a inflamação do pâncreas, órgão que desempenha um papel muito importante na digestão e na regulação dos níveis de açúcar no sangue. Meningite, encefalite, surdez e até o aborto podem, em casos raros, ser outros fatores graves decorrentes da papeira.
Diagnóstico
O diagnóstico da papeira é basicamente clínico, com avaliação médica nas glândulas através da observação e exame físico. O profissional de saúde, como o infectologista, pode indicar a coleta de sangue do paciente para confirmar a presença do vírus.

A confirmação da doença vem no resultado do exame, que pode apresentar anticorpos contra o paramyxovirus, vírus responsável pela doença.
Em casos de dúvida ou para obter mais informações acerca do inchaço, o médico pode solicitar uma ultrassonografia, para saber mais sobre o tamanho e a consistência das glândulas afetadas.
Tratamento
A papeira não possui um tratamento específico, e sim a recomendação de medicações prescritos para aliviar os sintomas e no cuidado de evitar as complicações. Por ser uma doença viral, não há indicação para o uso de antibióticos.
Beber bastante água, ficar em repouso, manter uma boa higiene bucal e ter uma alimentação saudável são algumas medidas que ajudam a diminuir o desconforto dos sintomas e evitar que a papeira tenha complicações. Medicação depende da necessidade conforme receitada pelo médico, e em alguns casos, compressas frias ou quentes também pode ser recomendadas.
Na maioria dos casos, a papeira é uma doença autolimitada, com cura espontânea em até duas semanas, sem necessidade de tratamento específico, mas a consulta médica é recomendada para evitar agravamentos.
Prevenção
A vacinação é a única maneira de prevenir a papeira. A imunização contra o vírus da caxumba já faz parte do calendário de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS), que oferta gratuitamente a vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, além da vacina Treta Viral, que adiciona a proteção contra a catapora.
A primeira dose geralmente é administrada entre os 12 e 15 meses de idade, e a segunda dose é administrada entre quatro e seis anos. A vacinação de rotina ajuda a criar imunidade na população, reduzindo assim a incidência da caxumba.

Adultos que não foram infectados pelo vírus da caxumba na infância ou na adolescência têm indicação de ser imunizados, com exceção de gestantes e imunodeprimidos graves.
Por fim, é importante lembrar: uma vez infectada e curada da papeira, a pessoa vacinada tem imunidade permanente contra o vírus.
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
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