Medicamentos à base de Jucá são desenvolvidos no Amapá. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP
A Universidade Federal do Amapá (Unifap) desenvolveu um medicamento à base de jucá (Libidibia ferrea), para tratar o pé diabético. A expectativa é que o produto seja aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e passe a ser oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS) como alternativa mais barata e eficaz.
O jucá é uma planta amazônica comum nos quintais da região e já era usado há gerações por moradores como cicatrizante natural. Essa tradição inspirou os pesquisadores da Unifap a transformar o conhecimento popular em ciência.
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O professor José Carlos Tavares, coordenador do laboratório de fármacos da universidade, lembra que desde criança via familiares utilizando a planta.
“Nós temos aqui muitos ativos da biodiversidade amazônica que estamos explorando […] Tudo começa pelo conhecimento tradicional. Eu cresci vendo na minha família, a minha mãe utilizar o Jucá para tratamento de feridas”, relembrou.
Entre as propriedades do jucá estão ação anti-inflamatória, antimicrobiana e regenerativa, características que ajudam na cicatrização de feridas.
A pesquisa mostrou que o Jucá aumenta o fluxo de sangue na área ferida, o que ajuda irrigar a região e acelerar o processo de cura.
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As pesquisas com jucá para o medicamento
O pé diabético é uma complicação do diabetes que provoca feridas e infecções nos pés, causadas por problemas de circulação e perda de sensibilidade. Sem tratamento, pode evoluir para gangrena e levar à amputação.
As pesquisas começaram em 2024 e passaram por diferentes etapas da fase pré-clínica. A pomada feita com jucá já concluiu todos os testes necessários e agora será submetida à avaliação da Anvisa.
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Segundo os cientistas, a ideia é oferecer um medicamento acessível e com melhor custo-benefício para o SUS. Pacientes com pé diabético precisam de acompanhamento constante em unidades de saúde, com curativos e reposição de remédios.
“A nossa visão é introduzir todos os nossos produtos no SUS. Esse é o resultado de um investimento público em pesquisa que possa gerar benefícios para a saúde humana”, afirmou Tavares. Em um dos casos acompanhados pela equipe, um paciente que usou spray à base da planta apresentou melhora significativa. O quadro era considerado irreversível e havia indicação de amputação, mas o tratamento evitou a perda do membro.
“Conseguimos recuperar justamente com o spray que desenvolvemos, feito com nanopartículas a partir de uma resina de jucá, que atua sobre o biofilme. O grande problema no tratamento das feridas complexas são os biofilmes, devido à complexidade das bactérias existentes e de difícil tratamento”, explicou o professor.
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*Por Mariana Ferreira e Francisco Pinheiro, da Rede Amazônica AP
