Foto:Reprodução/Wikimedia Commons
As doenças tropicais negligenciadas (DTNs) — grupo que engloba condições como hanseníase, dengue, chikungunya e esquistossomose — atingem milhões de brasileiros e aparecem com mais frequência em regiões vulneráveis das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Apesar de contarem com tratamento e cura oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), essas enfermidades continuam à margem dos grandes investimentos da indústria farmacêutica e da pesquisa científica, e, por sua vez, do conhecimento de grande parte da população.
Além dos problemas de infraestrutura e saneamento básico, o cenário também é agravado por uma deficiência estrutural na área da saúde. Na opinião do médico Sebastian Vernal, pesquisador líder no projeto de Doenças Tropicais Negligenciadas do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), a atual formação dos profissionais de saúde falha em preparar os profissionais para essa realidade.
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“O médico se forma e não tá preparado para uma realidade que é muito importante no Brasil, principalmente se trabalha na atenção primária”, afirma o médico.
O reflexo dessa lacuna é a dor dos pacientes, intensificada por séculos de preconceito e desinformação. Marilza Osório é moradora do Acre e, mesmo sendo voluntária do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), demorou cinco anos para descobrir que a mancha em sua pele também era hanseníase. Nesse período, os sintomas foram confundidos com micoses e dores articulares tratadas como artrose.
A experiência da família de Marilza, marcada pelo isolamento compulsório que o pai sofreu no passado, evidencia o peso do estigma social. Hoje, reabilitada e atuante na causa, ela deixa um alerta:
“Meu conselho é: descobriu que tem hanseníase, vá atrás do tratamento, que é grátis, tome o remédio direitinho e depois vá fazer exame de novo para ver se está curado”, conta.
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Importância do combate às doenças tropicais negligenciadas
Somado à urgência por diagnósticos precoces, capacitação médica e inovação farmacêutica, especialistas reforçam que o combate às DTNs exige políticas públicas sustentáveis, com destaque para a expansão do saneamento básico, garantindo que o ciclo de vulnerabilidade e contaminação seja finalmente interrompido no país.
O panorama das doenças tropicais negligenciadas no Brasil foi tema do podcast VideBula, da Rádio Agência Nacional. Confira o material completo aqui.

*Com informações da Radio Agência Nacional
