Nutricionista do HUGV-Ufam orienta sobre escolhas por alimentos mais saudáveis, redução dos ultraprocessados e formação de hábitos desde a infância. Foto:
Um refrigerante no almoço, um biscoito recheado no lanche e uma refeição pronta no jantar. Quando se tornam frequentes, escolhas como essas podem favorecer o ganho excessivo de peso e aumentar o risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão. O alerta é da nutricionista Luciana Santana, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado à HU Brasil.
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A obesidade envolve fatores genéticos, metabólicos, comportamentais, sociais e ambientais. Entre os hábitos que favorecem o ganho excessivo de peso estão o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e a baixa prática de atividades físicas.
“O grande vilão hoje em dia é o consumo exagerado de alimentos ultraprocessados, aqueles cheios de açúcar, gordura e aditivos, somado ao sedentarismo. Aqui em Manaus, a gente vê muito isso: produtos de pacote, baratos e hipercalóricos, foram ocupando o lugar dos nossos alimentos tradicionais do dia a dia”, explica Luciana.
A obesidade está associada ao aumento do risco de diversas doenças, entre elas diabetes tipo 2, hipertensão arterial, infarto, acidente vascular cerebral (AVC), apneia do sono, problemas articulares e alguns tipos de câncer.
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Alimentos que são substituições saudáveis no dia a dia
Para melhorar a qualidade da alimentação, a orientação da nutricionista é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e reduzir o consumo de produtos ultraprocessados. “A regra básica é simples: descascar mais e desembalar menos!”, resume a profissional.
No café da manhã, por exemplo, tapioca com ovo mexido, macaxeira ou cará cozidos são opções que podem compor uma refeição equilibrada.
“Nos lanches, frutas da estação, castanha-da-Amazônia e iogurte natural com aveia são alternativas aos biscoitos recheados e salgadinhos industrializados. Já nas bebidas, a recomendação é priorizar a água e reduzir o consumo de refrigerantes, sucos de caixa e outras bebidas açucaradas”, orienta.
A nutricionista destaca, ainda, que a culinária amazônica oferece diferentes possibilidades para compor refeições nutritivas. Peixes como tambaqui e tucunaré são fontes de proteínas e podem fornecer gorduras benéficas à saúde, dependendo da espécie e do preparo.
O tucumã, por sua vez, contém carotenoides precursores da vitamina A e gorduras, enquanto o açaí, preferencialmente sem adição excessiva de açúcar ou xaropes, fornece fibras e compostos antioxidantes. “A nossa biodiversidade é um verdadeiro tesouro para a saúde”, ressalta Luciana.

Prevenção começa na infância
A formação dos hábitos alimentares começa nos primeiros anos de vida. A oferta de alimentos variados, a redução do consumo de ultraprocessados e o incentivo às refeições em família contribuem para o desenvolvimento de uma relação saudável com a alimentação, segundo a especialista.
Entre os comportamentos que merecem atenção, a nutricionista aponta a oferta precoce de alimentos açucarados, o uso de doces como recompensa e o hábito de obrigar a criança a comer tudo o que está no prato. “Dizer ‘se comer o legume, ganha sobremesa’ faz a criança achar que o legume é uma punição e o doce é o prêmio”, exemplifica.
A nutricionista também recomenda evitar o uso de celulares e televisão durante as refeições, envolver as crianças na escolha e no preparo dos alimentos e apresentar, desde cedo, frutas e preparações regionais.
“Leve os filhos à feira, apresente as frutas da nossa região e chame para ajudar no preparo de receitas simples”, orienta.
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Além da alimentação
Embora as escolhas alimentares tenham papel importante na prevenção da obesidade, outros fatores também influenciam o peso corporal, como a predisposição genética, a qualidade do sono, o estresse, a atividade física e as condições de vida.
De acordo com Luciana, dormir pouco pode alterar mecanismos hormonais relacionados à fome e à saciedade, enquanto o estresse pode influenciar o comportamento alimentar. A prática regular de atividades físicas, por outro lado, ajuda a preservar a massa muscular e a melhorar a sensibilidade à insulina, além de oferecer benefícios à saúde física e mental.
A nutricionista lembra que o acompanhamento profissional não deve ser procurado apenas quando há necessidade de perda de peso. Alterações nos níveis de glicose e colesterol, dificuldades na relação com a comida e necessidades nutricionais específicas, como as da infância, da gestação e da terceira idade, também justificam uma avaliação.
*Com informações do HUGV-Ufam
