Mural regional

Elieser Rufino esteve presente desde o início do Movimento Roraimeira e seus murais podem ser encontrados em prédios públicos de Boa Vista.

O artista plástico roraimense Elieser Rufino é um dos protagonistas do Movimento Cultural Roraimeira, coletivo de artistas que movimentou a cena cultural em Roraima, de 1984 até o ano 2000. Elieser esteve presente desde o início do Movimento e sua contribuição é importante e valiosa. Cenários de shows, capa de disco, desenho e confecção de figurinos, aquarela, pastel, acrílico, óleo sobre tela, caligrafia, fotografia, são algumas das diversas formas de expressão plástica e visual utilizadas pelo artista ao longo desses anos.

Além do seu trabalho com papel, tela e outros materiais, Elieser construiu também algumas de suas obras em painéis cerâmicos. Esses murais artísticos com temática regional podem ser encontrados pela população em alguns prédios públicos da cidade de Boa Vista. São obras públicas que podem ser visitadas por artistas, estudantes e pesquisadores. Existem outros artistas locais que realizaram murais em madeira ou cimento.

Mural cerâmico de Elieser Rufino. Palácio da Cultura, Boa Vista. Foto: Eliakin Rufino.

 O primeiro mural cerâmico de Elieser Rufino foi construído no Palácio da Cultura por ocasião de sua inauguração em 1993 durante o governo do Brigadeiro Ottomar de Souza Pinto. A novidade da obra de arte é a homenagem que o artista faz aos povos indígenas de Roraima. Livremente inspirado no grafismo de alguns povos originários, o artista é o primeiro a incluir esse universo gráfico em seu mural e o Palácio da Cultura é o primeiro prédio a exibir uma obra com temática indígena.

Mural cerâmico de Elieser Rufino. Hemocentro, Boa Vista. Foto: Eliakin Rufino.

Depois Elieser construiu seis murais cerâmicos nas paredes externas do Hemocentro, próximo ao Hospital Geral. Dessa vez ele optou por retratar a paisagem natural feita de rio, mata, buritizal, campo, praia, remo e canoa. Durante uma obra de reforma alguns murais foram destruídos. Roraima é um lugar onde não há uma política de preservação dos bens culturais. A cada reforma, as praças e os prédios públicos mudam de cor, de forma e de tamanho. O Movimento Roraimeira nasceu para sensibilizar autoridades e população para a importância da valorização da arte e da cultura. Ainda há muito por fazer. A população entendeu a proposta do Movimento mas as autoridades não.

Mural cerâmico de Elieser Rufino. Fórum Bento de Faria, Boa Vista. Foto: Eliakin Rufino.

Outro mural cerâmico do Elieser foi construído no Fórum Bento de Faria, da Justiça Federal. A paisagem do rio Branco é a temática central. Esse mural tem uma história que é muito comum aqui em Roraima: o artista nunca recebeu o valor cobrado pela obra. O pagamento seria feito pela empresa construtora do prédio, o empresário não pagou o artista e ficou por isso mesmo. “Festa acabada, artistas a pé”. É uma infâmia. Dar calote em artista é igual roubar o dinheiro da merenda escolar. Um horror. Mas o mural está lá, na entrada do Fórum, embelezando o prédio.

Sobre o autor

Eliakin Rufino é poeta, compositor, professor e filósofo. Nasceu e reside em Boa Vista, Roraima.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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