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Sexta, 07 Mai 2021

Venezuela é o segundo país mais violento do mundo, aponta pesquisa

Venezuela é o segundo país mais violento do mundo, aponta pesquisa
Manifestação contra escassez de alimentos na Venezuela. Foto: Reprodução/Agência Brasil
Relatório publicado nesta quarta-feira (28) pelo Observatório Venezuelano de Violência (OVV) aponta que a Venezuela se tornou o segundo país mais violento do mundo. A publicação anual diz que, em 2016, o país da Amazônia Internacional registrou mais de 16 mil homicídios e 5 mil mortes por resistência a autoridade.

De acordo com a publicação, uma associação de fatos, como a crise política e econômica, gerou um aumento no número de mortes violentas no país. Em 2012, 73 em cada 100 mil habitantes eram atingidos pela violência. Em 2016, aproximadamente 91 pessoas a cada 100 mil foram mortas violentamente no país.

Dados mais recentes do Banco Mundial, mostram que, em 2015, aproximadamente 33% da Venezuela vivia abaixo da linha da pobreza. As informações enfatizam que o empobrecimento generalizado é uma das causas do aumento da violência na região.

“Neste ano de 2016 também tivemos um processo de empobrecimento generalizado da sociedade. Com exceção de um limitado acesso a recursos especiais da elite, todos os outros grupos sociais, profissionais e trabalhadores, professores e estudantes, classe média e setores populares têm sofrido um declínio dramático no poder de compra dos seus salários”, afirma o relatório.

Outra causa importante para o aumento das taxas de violência na Venezuela, e apontada pelo documento, é o crescimento do partidarismo, especialmente no Supremo Tribunal. "Esta situação de poder arbitrário, exaustão e escassez tem promovido o aumento da violência, mas acima de tudo levou a uma nova situação no ano de 2016: a ocorrência generalizada de violência pela fome", diz o relatório.
Arte: Luiz Eduardo Miranda/Portal Amazônia
Como medir a violência

Um dos problemas enfrentados pelo Observatório Venezuelano de Violência foi levantar dados condizentes com a realidade do país. Existe uma dificuldade natural em todos os países de saber o número real de crimes, o que geralmente leva a uma contagem aproximada e subestimada. Isso se torna ainda mais difícil quando não há transparência nas informações, como é o caso da Venezuela.

De acordo com o Observatório, em 2016 se tornou evidente para a opinião pública a falta de dados de violência, principalmente levando em consideração o aumento de corpos encontrados sem qualquer registro nos órgãos oficiais. Para resolver esses problemas, a organização entrou em parceria com seis universidades venezuelanas que utilizam técnicas conhecidas internacionalmente para mapear os casos de violência. Esses métodos são usados em situações extremas, como ditaduras e guerras, para analisar de maneira alternativa o número de mortes violentas nos locais.

Migração

Os problemas no país têm feito muitos venezuelanos migrarem para o Brasil. A irmã Telma Lage, coordenadora do Centro de Migrações e Direitos Humanos da Diocese de Roraima, afirma que o último levantamento feito pela instituição estima que 2 mil venezuelanos estejam vivendo atualmente em Boa Vista.

Segundo ela, os imigrantes entram no Brasil em busca de emprego. "Geralmente são pessoas que perderam tudo e estavam passando fome na Venezuela. Eles estão aqui em busca de trabalho e, quando conseguem ter condições mínimas de vida, trazem os familiares. Muitos deles afirmam ter medo da Guarda Nacional Venezuelana, eles falam da corrupção do órgão e relatam que os oficiais da corporação tomam alimentos das pessoas. Uma situação bem triste”, conta a Irmã Telma.

Para os venezuelanos, o medo não é infundado. Segundo o relatório anual, este ano 5.821 homicídios aconteceram devido à resistência contra as autoridades da Venezuela.  "Este ano, aumentou o número de alegações sobre execuções de pessoas realizadas pela polícia e oficiais militares na chamada Popular de Libertação de Operação [OLP], o que coincide com o crescimento de mortes classificadas nas estatísticas como resultado de um ato de resistência contra as autoridades”, afirma o documento.

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