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Quarta, 22 Setembro 2021

Casos suspeitos de dengue aumentam 60% em Rio Branco nas primeiras semanas de dezembro

Os casos suspeitos de dengue aumentaram em 60% nas primeiras semanas de dezembro, quando se intensificaram as chuvas em Rio Branco. O dado é da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

Para a Rádio CBN Rio Branco, a coordenadora da vigilância de Rio Branco, Socorro Martins, contou que a atual preocupação das equipes é com um possível surto ou epidemia de dengue na cidade. Segundo ela, a vigilância passou a atender até 70 casos suspeitos da doença semanalmente.

Vigilância de Rio Branco destaca que agentes continuaram as visitas aos lares durante a pandemia para evitar um surto de dengue — Foto: Divulgação/Semsa

"Temos tido um aumento bem repentino nesse período de dezembro, está além do que estávamos esperando. Temos a preocupação de que podemos entrar em um surto ou epidemia já que o índice de infestação na cidade está alto. Esse é o momento de termos total preocupação e nos voltar par evitar uma nova epidemia de dengue em nosso município", destacou.

Ainda segundo a coordenadora, a capital acreana tem 838 casos confirmados de dengue até o início de dezembro. Socorro destacou que o número de infestação do município está muito acima do esperado pelo Ministério da Saúde.

"Fizemos uma pesquisa em outubro, no final do mês, onde já indicava que nosso índice de infestação estaria em cinco e o esperado para o Ministério da Saúde é um ou menor que um, que seria o ideal. Mas, o nosso está muito alto", frisou.

Socorro destacou que os números de casos notificados de zika e chikungunya, também transmitidos pelo mosquito Aedes aegypi. Ano passado, as equipes praticamente não receberam casos suspeitos de zika, mas, em 2020 já tem 15 confirmados e 18 suspeitos, sendo um em um bebê.

"Nessas últimas semanas tivemos um grande aumento. Se eu for avaliar do início do ano até outubro temos uma redução, mas, nessas últimas semanas, temos um aumento de 60%. Estamos investigando e já temos casos confirmamos em crianças. Agora estamos com um caso de zika em um bebê. Na zika, nossa preocupação é com as gestantes, porque podem transmitir para as crianças e elas nascerem com má formação. Nossa situação é muito preocupante hoje", lamentou.

Sobre a chikungunya, a coordenadora contou que a vigilância tem 22 casos confirmados, sendo que em 2019 esse número era de apenas 11.

"A população tem mesmo que ter um olhar para o seu quintal. Em uma pesquisa descobrimos que o maior criadouro ainda é a caixa de água destampada e o lixo domiciliar aumentou muito as larvas. Esse é o momento para a população dar um olhar em seu quintal, tirar todo utensílio, todo vaso que possa colocar água. Tem um olhar também para aquela bandeja atrás da geladeira onde temos encontrado larvas naquele recipiente. É um olhar para a casa toda para evitar uma epidemia", pediu.

Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil

Ações

Socorro Martins frisou que as ações de visitação nas casas dos moradores continuaram mesmo durante a pandemia. Contudo, em número reduzido porque muitos agentes de vigilância foram infectados pela Covid-19 e outros foram afastados por serem do grupo de risco.

Para garantir as fiscalizações, as equipes tiveram as cargas horárias aumentadas de 30 para 40 horas semanais. Outra mudança foi trabalhar aos fins de semana e feriados.

"Temo dificuldade de ter todos os agentes em campo. Quero chamar atenção para o cuidado dos arredores das residências e para que as pessoas recebam os agentes, porque também temos esse problema de a população, com receio da Covid-19, não receber o agente".

Ela reforçou que os profissionais andam com todos os protocolos, álcool na bolsa, usam máscara, têm luvas e estão orienteados a tomarem todos os cuidados de acordo com as regras sanitárias.

"O agente tem as informações precisas e vai mostrar como a população deve agir, mostrar o criadouro e passar tudo. Essa é uma dificuldade que temos também que é o acesso às residências", concluiu.

Diferença dos sintomas de Covid-19 e dengue

A infectologista Rita de Cássia Lima explicou sobre as principais diferenças entre os sintomas de dengue e de Covid-19, já que muitas pessoas acabam confundindo as doenças por terem alguns sintomas parecidos.

No caso da dengue, a principal diferença, segundo a médica, é com relação às dores nas articulações, moleza e vermelhidão que aparece pelo corpo. Já na Covid-19, os sintomas mais característicos são a dor de garganta, perda de paladar, olfato e tosse.

Nas duas doenças, alguns pacientes costumam apresentar febre, dor de cabeça, falta de apetite e dores pelo corpo.

"Estamos iniciando o inverno amazônico e temos que atentar também para outras doenças, principalmente a dengue que surge em maior intensidade nesse período. Como os sintomas são parecidos, a pessoa não tem que ficar em casa esperando. Quando tiver sintomas de febre, dor de cabeça, dor no corpo, já deve procurar a unidade sentinela de síndrome gripal, que lá, além do médico investigar a questão da Covid, se for necessário, já faz sorologia e verifica a dengue e também malária", reforçou a médica. 

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