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Sábado, 31 Outubro 2020

Governador do AM diz que pico de covid-19 deve acontecer em maio; deputados cobram liberação de emendas para saúde do Estado

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O governador do Amazonas, Wilson Lima, disse nesta quinta-feira (23) que, apesar do alto número de casos, o pico da epidemia do novo coronavírus no estado deve ocorrer na primeira quinzena de maio. Lima participa de uma videoconferência realizada pela comissão externa da Câmara dos Deputados para acompanhar as ações de combate ao coronavírus no país. O estado já registrou 2.479 casos de covid-19, com mais de 200 óbitos.

O governador do Amazonas, Wilson Lima, conversou com os deputados da comissão por videoconferência. (Foto:Divulgação/Agência Câmara de Notícias)


Durante a participação, Lima ressaltou que cerca de 90% dos leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) dedicados a pacientes com o vírus estão ocupados, e disse que o estado precisa com urgência da ajuda do governo federal e da iniciativa privada para a compra de respiradores, equipamentos de proteção individual (EPIs), como máscaras, e também de profissionais de saúde para atender à população.


"O quadro aqui é muito delicado. O que tem acontecido e o que está por vir nos próximos dias nos acende um sinal de alerta muito forte. Daí [vem] a necessidade de termos ajuda federal e da iniciativa privada, todas as ajudas", disse Lima. "Estamos aqui trabalhando no nosso limite e vamos ampliando as estruturas na medida em que vamos recebendo equipamentos, insumos", acrescentou o governador. Lima ressaltou ainda que o estado também enfrenta problemas em razão de um surto da gripe H1N1 em decorrência do período de chuvas.


Além da capital, Manaus, o estado registra casos de covid-19 em mais de 30 cidades. De acordo com o governador, a expectativa é que o pico atinja primeiramente a capital e em seguida as cidades do interior. Lima afirmou ainda que tem conversado com os prefeitos para intensificar as medidas de isolamento social e impedir o trânsito entre as cidades do estado, em especial, naquelas próximas a comunidades indígenas.


"Não tem outro caminho que não seja o isolamento social para que se possa quebrar a transmissão do vírus. Não tem vacina ou outro tratamento com eficiência comprovada", disse. "A gente está se preparando para esse momento e ainda tem um tempo em relação ao interior de 10 a 15 dias", afirmou.


O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, também participou da videoconferência e falou sobre a situação da pandemia na capital. Virgílio disse que o município, que tem mais de 90% dos leitos de UTI disponibilizados para pacientes com o vírus ocupados, também precisa de equipamentos, pessoal especializado e EPIs para aumentar o atendimento.


Equipamentos


Segundo o prefeito, o governo sinalizou a entrega de alguns equipamentos. Mas outros aparelhos de uso essencial, como tomógrafos, não foram recebidos. Esses aparelhos poderiam ajudar no direcionamento dos casos considerados mais graves. "O vírus corrói o pulmão com uma rapidez que, às vezes, a máquina burocrática não aprendeu a andar na mesma velocidade", disse Virgílio. "Precisamos depressa, para evitar uma procura demasiada em cima da rede que está exaurida, 96% e 100% são quase sinônimos", afirmou.


Virgílio disse ainda que uma parcela das pessoas não está seguindo o isolamento social e falou em aglomerações em alguns pontos da cidade. Segundo o prefeito, diante da possibilidade de pico nos casos de coronavírus, o município não tem condições de reabrir as atividades econômicas.


"Fazemos um esforço danado para conservar as pessoas em casa e essas aparições do presidente [Jair Bolsonaro] dizendo que não há perigo em ir para rua, elas desmobilizam. Nós entendemos que Manaus não tem a menor condição de abrir completamente para a atividade econômica, porque mais pessoas vão adoecer e procurar os hospitais que já estão lotados", concluiu.


Liberação de recursos de emendas para a área da saúde do Amazonas


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Deputados cobraram do governo federal, nesta quinta-feira (23), a liberação imediata de recursos previstos em emendas individuais e de bancada para a área da saúde do Estado do Amazonas. Os recursos, quando liberados, poderão ser usados para garantir respiradores, tomógrafos, medicamentos, equipamentos de proteção individual (EPIs) e profissionais de saúde para enfrentar os efeitos da pandemia de Covid-19 no estado. A taxa de ocupação de leitos está acima de 95%.


A cobrança foi feita pelo coordenador da comissão externa da Câmara dos Deputados que discute ações de combate à pandemia, deputado Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ), e pelos deputados Marcelo Ramos (PL-AM), Delegado Pablo (PSL-AM), José Ricardo (PT-AM), Átila Lins (PP-AM) e Silas Câmara (Republicanos-AM), que foi infectado pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) e se recupera da doença.


"Podem me enviar as demandas tanto de recursos quanto de respiradores, incluindo a divisão desses respiradores por cidades, e de EPIs. A gente vai levar ainda hoje (quinta) ao ministro Nelson Teich e pedir a liberação imediata para socorrer o Amazonas", disse Teixeira Jr a secretários de saúde durante a reunião por videoconferência.


Marcelo Ramos destacou que todos os leitos de UTI do Amazonas estão na capital, Manaus, e disse que os cerca de R$ 70 milhões liberados até o momento pelo governo federal são insuficientes para frear o avanço do vírus, sobretudo no interior. "Precisamos ter cuidado com comunidades ribeirinhas e indígenas, que têm na aglomeração parte de sua cultura", alertou. Segundo Ramos, apenas as emendas individuais destinadas à Saúde somam R$ 216 milhões. "Recurso que o governo já é obrigado a pagar."


Isolamento social


O governador do Amazonas, Wilson Lima, ressaltou a necessidade de apoio do governo federal para a aquisição de respiradores e de EPIs e para a contratação de recursos humanos, principalmente de médicos de UTI. Lima, que não proibiu totalmente a atividade econômica no estado, comentou dificuldades para garantir o isolamento social frente ao pico da pandemia, que, segundo ele, é esperado para a primeira quinzena de maio.


"Trabalhamos com a polícia para orientar e conscientizar as pessoas a ficarem em casa. Não temos outro caminho ou tratamento comprovado cientificamente para barrar esse vírus", disse.

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