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Sexta, 17 Setembro 2021

Mamirauá registra desova de mais de 450 quelônios em 2017

Mamirauá registra desova de mais de 450 quelônios em 2017
Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá registrou, de agosto até dezembro deste ano, a desova de 454 fêmeas de quelônios. Localizada no coração do estado do Amazonas, a reserva é nascedouro para centenas de iaçás, tracajás e tartarugas-da-amazônia. A desova dos quelônios acontece durante a temporada de seca dos rios, no mês de agosto, época em que os animais procuram praias e margens de lagos da reserva. Nesta época, é também quando começam as atividades de conservação, feitas voluntariamente por moradores de comunidades próximas às regiões de “berçário” dos animais, trabalho que recebe assessoria do Instituto Mamirauá.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
O cálculo é feito a partir da contagem da quantidade de ninhos formados na areia dos locais monitorados; cada ninho corresponde a uma fêmea. Desse total, a grande maioria é obra das pequenas iaçás (Podocnemis sextuberculata), com cerca de 82%; em segundo lugar ficaram as tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa), responsáveis por 12,7%; e, por fim, os tracajás (Podocnemis unifilis) com 5,3% dos ninhos contabilizados.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
Os resultados são preliminares (a contagem será concluída ao final do período de nascimento dos quelônios, em janeiro), mas já dão um demonstrativo da temporada e ajudam no entendimento da ecologia desses animais nas áreas monitoradas, como e explica a pesquisadora do Instituto Mamirauá, Marina Secco. “É importante fazer o acompanhamento em longo prazo dos quelônios, registrar os dados de reprodução e nascimento para, futuramente, poder trabalhar o manejo das espécies e para que as populações da reserva possam consumir os animais de maneira sustentável”, afirma.

Nesse ano, o monitoramento de praias e beiras de lagos foi feito em sete comunidades da Reserva Mamirauá: Novo Tapiira, São Francisco do Bóia, Porto Braga, Horizonte, Caburini, Viola do Panauã e São Raimundo do Panauã. Até o mês de dezembro, quatro das comunidades entregaram os dados de conservação comunitária de quelônios.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
Guardiões da praia e das margens dos lagos

De agosto a janeiro, os comunitários se revezam para percorrer diariamente as praias e margens de lagos onde a desova acontece. Em fichas de papel, anotam todos os ninhos que encontram ao longo do caminho. Uma formação circular ou um “remexido” na areia pode ser indício de ninho, o que os olhos experientes da reserva logo confirmam. Outro dado importante é a quantidade de ninhos que foram atacados por predadores, incluindo seres humanos.

O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), acompanha o monitoramento mensalmente in loco com as comunidades. A pesquisadora Cristiane Araujo segue a rotina dos vigilantes, dando orientações sobre o processo de coleta de dados e também aprendendo técnicas práticas de reconhecimento de ninhos. Em parceria com os moradores da reserva, o Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios do instituto está desenvolvendo uma metodologia de contagem nessa região de várzea.

Na fase final do período reprodutivo, quando os ovos eclodem e os filhotes de quelônios começam a sair nas praias e lagos, os pesquisadores recolhem as fichas para fazer a análise da temporada. Para evitar a predação ou o afogamento com a subida de nível dos rios, alguns comunitários recolhem os recém-nascidos e os acomodam em tanques provisórios, onde são cuidados por cerca de uma semana, e são restituídos à natureza. No último mês de novembro, nos arredores da comunidade Porto Braga, cerca de 800 filhotes de quelônios foram soltos pelo trabalho de conservação comunitária.

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